{"id":4425,"date":"2013-03-07T19:34:29","date_gmt":"2013-03-07T19:34:29","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4425"},"modified":"2013-03-07T19:34:29","modified_gmt":"2013-03-07T19:34:29","slug":"para-alem-da-luta-por-direitos-organizar-para-a-ruptura-com-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4425","title":{"rendered":"PARA AL\u00c9M DA LUTA POR DIREITOS: ORGANIZAR PARA A RUPTURA COM O CAPITALISMO"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">A comunista alem\u00e3, Clara Zetkin, no II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhagen (1910), prop\u00f5e a exist\u00eancia de uma data para a lembran\u00e7a\/comemora\u00e7\u00e3o das lutas das mulheres. A data nos remete \u00e0s oper\u00e1rias t\u00eaxteis de Nova York (EUA) que, em 1857 (ou em 1910, para algumas historiadoras, em fun\u00e7\u00e3o das greves por igualdade salarial e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para homens e mulheres, foram mortas, por intoler\u00e2ncia patronal, em um inc\u00eandio na f\u00e1brica na qual trabalhavam. O dia 8 de mar\u00e7o tamb\u00e9m remete \u00e0s trabalhadoras russas, que contribu\u00edram com a revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, em suas campanhas pelo direito ao voto, contra as discrimina\u00e7\u00f5es, a fome, a guerra, a explora\u00e7\u00e3o entre os anos de 1911 e 1917.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As mulheres trabalhadoras organizadas v\u00e3o, ao longo da hist\u00f3ria, construindo na luta essa data \u2013 o Oito de Mar\u00e7o \u2013 desde 1921\/1922 (reconhecida oficialmente pela ONU apenas em 1975), j\u00e1 que a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o sobre as mulheres \u00e9 um processo que assumiu diferentes formas ao longo da hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para n\u00f3s, do COLETIVO <strong>ANA MONTENEGRO<\/strong>, a quest\u00e3o central, aquela que guia nossas an\u00e1lises e nossa a\u00e7\u00e3o, \u00e9 luta contra a explora\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, contra o trabalho n\u00e3o remunerado, a demiss\u00e3o imotivada, em s\u00edntese, a contradi\u00e7\u00e3o capital-trabalho, concebendo o Feminismo como sujeito pol\u00edtico, com protagonismo das mulheres nessas lutas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Debatemos o papel feminino na pol\u00edtica, articulando a luta das mulheres com a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, aprofundando o debate e a luta contra o car\u00e1ter social e hist\u00f3rico da opress\u00e3o das mulheres inseridos na explora\u00e7\u00e3o de classe, uma vez que ambos comp\u00f5em elementos da mesma totalidade: o modo de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o social capitalista. Nesse sentido, o socialismo \u00e9 a resposta mais poss\u00edvel para a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Trabalhamos dialogando, no \u00e2mbito do movimento feminista, em parceria com os demais movimentos sociais que acumulam e ampliam a\u00e7\u00f5es de ruptura com as inst\u00e2ncias que perpetuam as desigualdades sociais e econ\u00f4micas e estruturam os pilares da domina\u00e7\u00e3o patriarcal capitalista na contemporaneidade. Atuamos em conjunto com aqueles e aquelas que reivindicam a unifica\u00e7\u00e3o da luta das mulheres num processo de transforma\u00e7\u00e3o radical das rela\u00e7\u00f5es sociais em sua totalidade, a partir da luta anticapitalista e anti-imperialista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A crise econ\u00f4mica mundial, sist\u00eamica no capitalismo, presente no Brasil, atinge sobretudo as mulheres, em suas prec\u00e1rias rela\u00e7\u00f5es de trabalho, sob o tac\u00e3o do capital, que lan\u00e7a uma ofensiva contra os trabalhadores e as trabalhadoras, atrav\u00e9s do ACE (Acordo Coletivo Especial) proposto pelo outrora combativo Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, pretendendo autoriza\u00e7\u00e3o legislativa para negociar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, flexibilizando ainda mais a legisla\u00e7\u00e3o e os direitos trabalhistas, com o benepl\u00e1cito do Governo Dilma. Soma-se a isso a viol\u00eancia de g\u00eanero e classe, o ass\u00e9dio no ambiente de trabalho em fun\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de poder postas pelo capitalismo, a sobrecarga de responsabilidades n\u00e3o socializadas com a casa e fam\u00edlia. N\u00e3o h\u00e1 perspectivas para as mulheres nos marcos do capitalismo, porque o modo de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 atividade econ\u00f4mica imediata, atingindo a vida social, o modo de exist\u00eancia, o cotidiano das mulheres.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O car\u00e1ter de classe do estado brasileiro, os la\u00e7os entre o governo brasileiro e o capital , a forma de atua\u00e7\u00e3o hoje nem mesmo dissimulada, na perspectiva de manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, com seu ciclo burgu\u00eas plenamente consolidado, parte integrante do processo de acumula\u00e7\u00e3o mundial, se escancara: no trabalho das mulheres, no aprofundamento do descompasso entre a produtividade e os sal\u00e1rios (aumento da produtividade do trabalho sem que os sal\u00e1rios sigam a mesma propor\u00e7\u00e3o), nos ataques aos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, nas tentativas de controle sobre a gravidez das mulheres, na n\u00e3o legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, na privatiza\u00e7\u00e3o das creches e servi\u00e7os de sa\u00fade, na concentra\u00e7\u00e3o de terras pelo agroneg\u00f3cio, no endividamento das fam\u00edlias, na concess\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o sem marco regulat\u00f3rio, permitindo a forma\u00e7\u00e3o de verdadeiros imp\u00e9rios fortalecedores da domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica no pa\u00eds, que insistem em desrespeitar a imensa diversidade \u00e9tnico-cultural dos trabalhadores e das mulheres brasileiras.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O imperialismo atinge todos os povos, homens e mulheres, com guerras, amea\u00e7as e, principalmente, saqueando as riquezas naturais dos pa\u00edses perif\u00e9ricos e emergentes. Da\u00ed a necessidade do exerc\u00edcio do internacionalismo prolet\u00e1rio, com a nossa solidariedade \u00e0s mulheres do mundo contra a opress\u00e3o, especialmente as do mundo \u00e1rabe, com particular aten\u00e7\u00e3o para com o povo palestino, massacrado pelo Estado terrorista de Israel, da Som\u00e1lia, do Sahara Ocidental. Toda solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras europeus, com destaque para gregos e irlandeses, que bravamente lutam contra a crise do capital e, na Am\u00e9rica Latina, ao Haiti ocupado, a Cuba socialista, que continua sofrendo os embargos econ\u00f4micos impostos pelos EEUU, aos lutadores da Col\u00f4mbia, que buscam a paz com igualdade social. Estendemos especial solidariedade aos homens e mulheres da Venezuela, neste momento de extrema como\u00e7\u00e3o popular pela morte de Hugo Ch\u00e1vez, mant\u00eam-se alertas em defesa da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 preciso aten\u00e7\u00e3o para com a vaga reacion\u00e1ria em curso no mundo, de car\u00e1ter fascista, que criminaliza os movimentos sociais, que pratica a homo e a lesbofobia, que age com discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra os imigrantes expulsos de seus pa\u00edses em fun\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter exckudente do capitalismo. Tamb\u00e9m presente no Brasil, a onda conservadora traduz-se no aumento da humilha\u00e7\u00e3o e do ass\u00e9dio \u00e0s mulheres no trabalho (a exemplo das operadoras de telemarketing), na reviv\u00eancia do trabalho escravo (no norte do pa\u00eds e, em S\u00e3o Paulo, com as mulheres bolivianas na ind\u00fastria e com\u00e9rcio de roupas; em canteiros de obras e no campo, em propriedades do latif\u00fandio assassino). Definitivamente: o capitalismo n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00e3o aos problemas da humanidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As feministas do PCB queremos a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre da explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, em um estado laico. Na luta de classes, levamos em conta as demandas espec\u00edficas das mulheres: direito a uma vida sem viol\u00eancia, com pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas de n\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher, com moradia digna e reforma agr\u00e1ria, fim da mercantiliza\u00e7\u00e3o do corpo da mulher, preven\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade integral da mulher com a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, garantia de trabalho, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial, n\u00e3o demiss\u00e3o imotivada, n\u00e3o ao ACE (acordo coletivo especial pelo qual o negociado prevalece sobre o legislado), socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico com a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os como restaurantes e lavanderias p\u00fablicas e creches de qualidade, medidas que promovam a conscientiza\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres, ensino p\u00fablico, laico, de qualidade, n\u00e3o sexista, n\u00e3o racista e n\u00e3o lesbof\u00f3bico, desmascaramento dos processos de higieniza\u00e7\u00e3o social que ocorrem no pa\u00eds ditados pelos interesses capitalistas (escondidos sob falsas campanhas gigantescas, como shows pirot\u00e9cnicos, copas esportivas, lutas contra as drogas ou simplesmente especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria), nos quais o Estado afasta de forma brutal e violenta as mulheres de suas casas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Queremos e formaremos com as feministas revolucion\u00e1rias um bloco hist\u00f3rico, a partir da unidade de a\u00e7\u00e3o, respeitando os ritmos e cultura de cada organiza\u00e7\u00e3o, buscando avan\u00e7ar na realiza\u00e7\u00e3o do poder popular, na constru\u00e7\u00e3o de uma hegemonia econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural, filos\u00f3fica e moral socialista, enfim, uma verdadeira contra-hegemonia ao modo de produ\u00e7\u00e3o e de vida capitalista, criando condi\u00e7\u00f5es de luta pelo fim da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sobre as mulheres e sobre a humanidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Ousar lutar, ousar vencer!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coletivo Ana Montenegro<\/strong><\/p>\n<p><strong>08. 03.2013<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/coletivomulheranamontenegro.blogspot.com.br\/\">http:\/\/coletivomulheranamontenegro.blogspot.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCMAM\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4425\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-4425","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-19n","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4425\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}