{"id":4447,"date":"2013-03-10T23:29:22","date_gmt":"2013-03-10T23:29:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4447"},"modified":"2013-03-10T23:29:22","modified_gmt":"2013-03-10T23:29:22","slug":"chavez-o-desafio-e-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4447","title":{"rendered":"CH\u00c1VEZ, O DESAFIO E A ESPERAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"\n<p>Tudo come\u00e7ou a mudar em Roma com J\u00falio Cesar, na opini\u00e3o de Theodor Mommsen. N\u00e3o exagerou o historiador alem\u00e3o, premio Nobel de Literatura.<\/p>\n<p>Num contexto civilizacional muito diferente, poderia afirmar-se o mesmo de Hugo Chavez, tomando como refer\u00eancia a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A breve e tempestuosa passagem pela vida deste venezuelano deixa marcas inapag\u00e1veis n\u00e3o apenas na hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, mas na atitude perante o futuro dos povos a sul do Rio Bravo. Nada vai permanecer igual ao que era antes de Chavez.<\/p>\n<p>Desde a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana que o Hemisf\u00e9rio n\u00e3o era fustigado por um<em>tsunami<\/em> social e pol\u00edtico compar\u00e1vel ao desencadeado pelo soldado que retomou o desafio da unidade latino-americana de Bol\u00edvar. Mas qualquer analogia seria descabida. Ele n\u00e3o repetiu, inovou.<\/p>\n<p>Hugo Chavez apareceu de repente na Hist\u00f3ria como uma infloresc\u00eancia. O obscuro oficial de paraquedistas que acompanhara enojado a repress\u00e3o do\u00a0<em>Caracazo <\/em>saiu do anonimato em 1992 como l\u00edder de uma rebeli\u00e3o militar contra o governo de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez. A tentativa de golpe de Estado foi esmagada e Chavez cumpriu dois anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>O c\u00e1rcere foi para ele um tempo de estudo e reflex\u00e3o. A sua admira\u00e7\u00e3o por Bol\u00edvar, o her\u00f3i quase m\u00edtico das guerras de liberta\u00e7\u00e3o e pioneiro da unidade latino-americana, encaminhou-o para um projeto ambicioso: libertar a Venezuela da domina\u00e7\u00e3o imperialista e levar \u00e0 vit\u00f3ria, pela via institucional, uma revolu\u00e7\u00e3o que fizesse do povo o sujeito da Hist\u00f3ria. O sonho parecia ut\u00f3pico porque a Venezuela era ent\u00e3o uma semicol\u00f3nia dos EUA que controlavam n\u00e3o somente o petr\u00f3leo como os mecanismos do poder.<\/p>\n<p>Mas ocorreu o que os partidos da oligarquia e Washington tinham por imposs\u00edvel. O tenente-coronel mesti\u00e7o, desprezado pela oligarquia, fundou o Movimento V Rep\u00fablica e um m\u00eas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es legislativas apresentou-se como candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais. O seu discurso surpreendeu e empolgou as massas por diferente de tudo o que se ouvia dos pol\u00edticos desde os tempos de Ezequiel Zamora, o \u00fanico general revolucion\u00e1rio posterior a Bolivar.<\/p>\n<p>Parecia imposs\u00edvel mas aconteceu: Hugo Chavez foi eleito presidente da Rep\u00fablica em dezembro de l998.<\/p>\n<p>Rapidamente tomou consci\u00eancia de uma realidade enunciada por Lenine ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro: a conquista da Presid\u00eancia fora uma tarefa muito mais f\u00e1cil do que aquela que se propunha a empreender: a transi\u00e7\u00e3o do capitalismo dependente, hegemonizado pelos EUA, para uma Venezuela soberana, rumo a uma revolu\u00e7\u00e3o de contornos ainda por definir.<\/p>\n<p>Dois golpes de Estado, montados e financiados pelos EUA, confrontaram Chavez com crises inesperadas.<\/p>\n<p>O primeiro, em 2002, foi um golpe militar que contou com a participa\u00e7\u00e3o activa de generais e dezenas de altas patentes das For\u00e7as Armadas. O Presidente, salvo pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular, compreendeu que, afinal, o corpo de oficiais era perme\u00e1vel \u00e0 ofensiva ideol\u00f3gica do imperialismo e da grande burguesia.<\/p>\n<p>Uma segunda intentona, o\u00a0<em>lock<\/em>-out,\u00a0<em>quase<\/em> paralisou o pa\u00eds e demonstrou que a PDVESA, a gigantesca empresa petrol\u00edfera s\u00f3 nominalmente era nacional, pois os seus dirigentes e muitos quadros estavam identificados com a oposi\u00e7\u00e3o e o grande capital financeiro internacional.<\/p>\n<p>Em ambos os golpes estiveram envolvidos generais que haviam sido companheiros de Chavez.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entre os civis, logo nos primeiros anos, foram numerosas as deser\u00e7\u00f5es. O caso mais expressivo ter\u00e1 sido o de Miquilena, o ex-ministro do Interior, inicialmente visto como conselheiro \u00edntimo do Presidente.<\/p>\n<p>Uma deser\u00e7\u00e3o chocante, posterior, foi a do general Baduel, cuja atitude firme como comandante de uma unidade de paraquedistas contribu\u00edra para a derrota do golpe de 2002.<\/p>\n<p>No Parlamento, logo na primeira legislatura, muitos deputados mudaram de campo, passando \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aprovada e promulgada uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, Chavez venceu sucessivas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas apercebeu-se de uma evid\u00eancia: sem organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que lhe assuma os objectivos e com eles se identifique n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o que possa atingir as metas propostas.<\/p>\n<p>Mas qual o rumo da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana? No terreno da ideologia a defini\u00e7\u00e3o tardou. Era uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional, anti-imperialista.<\/p>\n<p>Creio que foi em 2004, pela primeira vez, que Hugo Chavez, dirigindo-se em Caracas a um Encontro de Intelectuais em Defesa da Humanidade, deixou impl\u00edcita a op\u00e7\u00e3o pelo socialismo.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o fora muito cauteloso na abordagem de temas ideol\u00f3gicos, consciente de que no chavismo cabiam tend\u00eancias muito diferenciadas e at\u00e9 incompat\u00edveis.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um partido da Revolu\u00e7\u00e3o tornou-se uma necessidade quando a op\u00e7\u00e3o pelo socialismo foi oficializada.<\/p>\n<p>O Partido Socialista Unido da Venezuela &#8211;<\/p>\n<p>PSUV &#8211; nasceu por\u00e9m numa atmosfera pol\u00e9mica, criado de cima para baixo. O n\u00famero de filiados atingiu rapidamente um total impressionante. Nele entraram cidad\u00e3os que, embora declarando ser chavistas n\u00e3o querem que o pa\u00eds se encaminhe para o socialismo.<\/p>\n<p>O Presidente exigiu que todos os partidos que apoiavam a revolu\u00e7\u00e3o se dissolvessem, integrando-se no PSUV.<\/p>\n<p>N\u00e3o atendeu a esse apelo o Partido Comunista da Venezuela. Reiterando o seu apoio total \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e ao seu presidente, o PCV esclareceu que n\u00e3o faria sentido dissolver-se para se integrar num partido no qual muitos dirigentes consideravam obsoleto o marxismo-leninismo, e, invocando o Socialismo do S\u00e9culo XXI, criticavam com dureza princ\u00edpios e valores insepar\u00e1veis do seu combate como comunistas.<\/p>\n<p>Ao regressar de Caracas, do VIII Encontro de Intelectuais em Defesa da Humanidade, escrevi ent\u00e3o: \u00abA f\u00f3rmula do Socialismo no s\u00e9culo XXI \u00e9 equ\u00edvoca e enganadora. Lembra um bal\u00e3o vazio. O n\u00facleo te\u00f3rico e program\u00e1tico n\u00e3o existe praticamente. O mal est\u00e1 no ataque irrespons\u00e1vel aos cl\u00e1ssicos do marxismo, desencadeado sobretudo por alguns intelectuais latino americanos. Para eles, o pensamento de Marx, Engels e Lenine, toda a obra te\u00f3rica sobre o socialismo cient\u00edfico tornou-se uma velharia cuja supera\u00e7\u00e3o se apresentaria como exig\u00eancia da Hist\u00f3ria\u00bb.<\/p>\n<p>Cabe lembrar que a funda\u00e7\u00e3o do PSUV coincidiu com o auge da campanha de apologia do chamado Socialismo do S\u00e9culo XXI, apresentado como alternativa ao capitalismo neoliberal, alternativa que estaria j\u00e1 a tomar forma na Venezuela e na Bol\u00edvia e dai irradiaria para todo o mundo.<\/p>\n<p>Nesse contexto de insensatez, acad\u00e9micos de prest\u00edgio afirmaram no encontro citado que a Venezuela se encontraria numa fase avan\u00e7ada da transi\u00e7\u00e3o para o socialismo e a Bol\u00edvia de Evo Morales teria iniciado essa etapa.<\/p>\n<p>POL\u00cdTICA EXTERNA<\/p>\n<p>Com excep\u00e7\u00e3o dos efeitos da complexa rela\u00e7\u00e3o com a Col\u00f4mbia e os elogios a governantes liberais europeus, inclusive a S\u00f3crates e Sarkozy, a pol\u00edtica externa de Chavez foi desde o inicio muito positiva, sobretudo pela firmeza e coragem que caracterizaram a confronta\u00e7\u00e3o com o imperialismo estadounidense.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0 America Latina, a sua estrat\u00e9gia, sempre inspirada em Bolivar, visou o refor\u00e7o da solidariedade entre pa\u00edses irm\u00e3os com regimes pol\u00edticos diferentes. Foi decisiva a sua interven\u00e7\u00e3o no debate que findou com o fim do projecto recolonizador da ALCA que os EUA pretendiam impor. A Alternativa Bolivariana para as Americas, ALBA, bem como a cria\u00e7\u00e3o da UNASUL, do Banco do Sul e da Petrocaribe assinalaram avan\u00e7os da estrat\u00e9gia anti-imperialista. Transparente foi tamb\u00e9m a sua atitude internacionalista, manifestada na solidariedade permanente com governos como o do Ir\u00e3o que n\u00e3o se submetem \u00e1 domina\u00e7\u00e3o imperial dos EUA.<\/p>\n<p>Palavras e atitudes que lhe valeram ferozes cr\u00edticas \u2013 chamou \u00abdiabo\u00bb a George Bush ao discursar na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 expressaram \u00edmpetos da sua personalidade. Mas, contrariamente ao que afirma a oposi\u00e7\u00e3o interna e externa, actuou sempre com frieza e serenidade quando tomou decis\u00f5es de significado estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>A TRANSI\u00c7\u00c3O DIF\u00cdCIL<\/p>\n<p>Era inevit\u00e1vel que a decis\u00e3o de romper gradualmente com o capitalismo seria fonte de grandes problemas num pa\u00eds como a Venezuela que era quase um feudo dos EUA.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es que os\u00a0<em>media<\/em> ocidentais estabelecem com Cuba s\u00e3o absurdas. Tudo est\u00e1 a ser muito mais dif\u00edcil na Venezuela.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o em 1959, a burguesia cubana emigrou maci\u00e7amente para Miami. Na Venezuela ela ficou no pa\u00eds e n\u00e3o foi expropriada. Durante muito tempo manteve o controlo do Poder Judicial, da central sindical reaccion\u00e1ria pr\u00e9 existente, e de importantes sectores do estado. A absolvi\u00e7\u00e3o dos militares golpistas foi esclarecedora da mentalidade de um amplo leque da magistratura.<\/p>\n<p>Distorcem a realidade os\u00a0<em>media <\/em>que insistem em apresentar um panorama alarmante da economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Num contexto hist\u00f3rico muito desfavor\u00e1vel, hostilizada pelos governos de Bush e Obama, a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana realizou sob uma ofensiva permanente da oligarquia crioula, conquistas muito importantes. O que surpreende n\u00e3o \u00e9 aquilo que n\u00e3o foi poss\u00edvel realizar; mas sim o terem conseguido tanto numa atmosfera de guerra n\u00e3o declarada, em cen\u00e1rio de uma luta de classes que somente ter\u00e1 um precedente no Chile de Allende.<\/p>\n<p>O analfabetismo, antes elevad\u00edssimo, foi praticamente erradicado. Nas escolas p\u00fablicas o ensino \u00e9 gratuito. Num pa\u00eds onde o sector editorial era quase inexistente, o Estado distribuiu gratuitamente desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o dezenas de milh\u00f5es de livros de autores nacionais e estrangeiros. Somente do D.Quijote de la Mancha, de Cervantes, foram distribu\u00eddos mais de um milh\u00e3o de exemplares. Novas universidades foram criadas e o total de estudantes nas p\u00fablicas ronda os 2 milh\u00f5es, com maioria de jovens de origem n\u00e3o burguesa.<\/p>\n<p>A assist\u00eancia m\u00e9dica gratuita, antes inexistente, abrange hoje a totalidade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa pol\u00edtica humanista, as\u00a0<em>Misiones,<\/em> programas sociais, desempenham um papel fundamental. A\u00a0<em>Mision Mercal, <\/em>por exemplo, atende a pre\u00e7os subsidiados 10 milh\u00f5es de pobres em 1500 lojas do Estado e mercados abertos. A\u00a0<em>Mision Barrio Adentro<\/em>desenvolve um trabalho insubstitu\u00edvel no campo da sa\u00fade. Mais de vinte cinco mil m\u00e9dicos e enfermeiros cubanos levaram Sa\u00fade a milh\u00f5es de trabalhadores que a ela n\u00e3o tinham acesso.<\/p>\n<p>O governo estimulou os\u00a0<em>Consejos Locales de Planificacion <\/em>e os\u00a0<em>Consejos Comunales<\/em>concebidos para estimular a participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Numa das minhas passagens por Caracas passei uma manh\u00e3 no\u00a0<em>Nucleo de Desarrollo Endogeno Fabricio Ojeda, <\/em>na Paroquia de Gramoven. Ali funciona uma cooperativa que produz vestu\u00e1rio, cal\u00e7ado, cer\u00e2mica, legumes, e vende alimentos subsidiados, dispondo ainda de um centro cultural e de uma cl\u00ednica que \u00e9 um pequeno hospital.<\/p>\n<p>Em Maracaibo e Maturin tive a oportunidade em 2011 de visitar Projectos Urban\u00edsticos \u2013 aut\u00eanticas Cidades Comunit\u00e1rias &#8211; constru\u00eddas no \u00e2mbito de um acordo com a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3o. Nessas jornadas convivi com os moradores, homens e mulheres empenhados em construir a Venezuela socialista.<\/p>\n<p>DESAFIOS<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a ofensiva contra revolucion\u00e1ria da oposi\u00e7\u00e3o, agora liderada pelo milion\u00e1rio Henrique Capriles, a situa\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds est\u00e1 controlada. As reservas oficiais aumentaram muito apesar das flutua\u00e7\u00f5es do pre\u00e7o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>As reservas de hidrocarbonetos s\u00e3o das maiores do mundo.<\/p>\n<p>Mas a insist\u00eancia de alguns ministros e dirigentes do PSUV em apresentar a Venezuela como pa\u00eds em transi\u00e7\u00e3o acelerada para o socialismo, deturpa a realidade.<\/p>\n<p>Com excep\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, a contribui\u00e7\u00e3o do sector privado para o PIB \u00e9 amplamente maiorit\u00e1ria. \u00c9 ele que controla o com\u00e9rcio e quatro quintos das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Conforme os economistas Remy Herrera, de Fran\u00e7a e Paulo Nakatamy, do Brasil, salientaram num importante ensaio, o aparelho do Estado permanece capitalista; o Banco Central \u00e9 aut\u00f3nomo e a sa\u00edda ilegal de capitais atinge um volume consider\u00e1vel. O mercado negro estimula o a\u00e7ambarcamento e a escassez peri\u00f3dica de produtos essenciais. O sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 o mais elevado da Am\u00e9rica Latina, mas como o custo de vida \u00e9 alt\u00edssimo n\u00e3o satisfaz as necessidades b\u00e1sicas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O sistema medi\u00e1tico \u00e9 hegemonicamente controlado pela oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada o peso do sector mercantil privado aumentou, enquanto o do p\u00fablico caiu. A percentagem correspondente \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o do trabalho tamb\u00e9m diminuiu, enquanto a relativa \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o do capital cresceu.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para o socialismo \u00e9, portanto, ainda incipiente num contexto em que o modo de produ\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e as estruturas econ\u00f3micas continuam a ser fundamentalmente capitalistas.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es de Caracas, um desumanizado polvo urbano de 4 milh\u00f5es de habitantes, ajudaram-me a compreender as tremendas dificuldades que o processo revolucion\u00e1rio enfrenta na sua lenta marcha rumo ao socialismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante os governos de Hugo Chavez terem reduzido drasticamente os \u00edndices da pobreza, apesar da melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida de milh\u00f5es de trabalhadores, a heran\u00e7a do passado pesa muito. A Venezuela \u00e9 ainda um pa\u00eds onde subsiste uma desigualdade social afrontosa da condi\u00e7\u00e3o humana. Contrastando com o espet\u00e1culo degradante dos casebres que emolduram a cintura de morros de Caracas, a exibi\u00e7\u00e3o insolente de riqueza nas urbaniza\u00e7\u00f5es de luxo da grande burguesia excede o que vi no M\u00e9xico, em S\u00e3o Paulo, em Buenos aires e no Rio, em condom\u00ednios fechados que s\u00e3o o para\u00edso de multimilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Chavez anunciou com o seu desafio humanista o homem novo sonhado pelos revolucion\u00e1rios marxistas. Mas o contacto com as angustiantes contradi\u00e7\u00f5es da Venezuela bolivariana fortaleceram a minha convic\u00e7\u00e3o de que o homem novo somente pode tornar-se realidade ap\u00f3s a erradica\u00e7\u00e3o do capitalismo e do imperialismo.<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>Como definir e situar o revolucion\u00e1rio Hugo Chavez?<\/p>\n<p>N\u00e3o e f\u00e1cil a resposta porque ele n\u00e3o se ajusta a qualquer figurino conhecido.<\/p>\n<p>Optou pelo Socialismo, imprimindo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o um rumo que poucos esperavam.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi um marxista, nem um socialista ut\u00f3pico. Nunca escondeu a for\u00e7a do seu sentimento crist\u00e3o cat\u00f3lico, mesmo entrando em choque quase permanente com a hierarquia da Igreja do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo companheiros que sempre o admiraram atribuem-lhe um excesso de voluntarismo. N\u00e3o lhes faltar\u00e1 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Se ele apresenta afinidades idiossincr\u00e1ticas na sua trajet\u00f3ria de revolucion\u00e1rio carism\u00e1tico e humanista, com grandes personagens da Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o creio que seja com Bolivar, o seu g\u00e9nio tutelar. Como l\u00edder de massas que fascinou os oprimidos do seu povo e por eles foi amado e compreendido, ele me faz pensar em grandes caudilhos como o uruguaio Artigas, os mexicanos Pancho Villa e Emiliano Zapata.<\/p>\n<p>Quando me perguntam para onde se encaminha a Venezuela, \u00f3rf\u00e3 de Chavez, recuso o tema. N\u00e3o cultivo os exerc\u00edcios de futurologia nem a especula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>\u00c9 imprevis\u00edvel o amanh\u00e3 do seu povo, mas n\u00e3o duvido de que a Hist\u00f3ria avan\u00e7ar\u00e1 se a obra sobreviver ao seu criador.<\/p>\n<p>Hugo Chavez restituiu a esperan\u00e7a n\u00e3o apenas aos seus compatriotas. Restituiu-a aos povos da Am\u00e9rica Latina, humilhada e imperializada.<\/p>\n<p>Desaparecido fisicamente, j\u00e1 deu entrada no pante\u00e3o dos her\u00f3is do Continente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nOperamundi\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4447\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-4447","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-19J","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4447\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}