{"id":4463,"date":"2013-03-14T02:43:33","date_gmt":"2013-03-14T02:43:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4463"},"modified":"2013-03-14T02:43:33","modified_gmt":"2013-03-14T02:43:33","slug":"aliancas-ineditas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4463","title":{"rendered":"Alian\u00e7as in\u00e9ditas"},"content":{"rendered":"\n<p>Jos\u00e9 Penido, da Fibria (E), ao lado do l\u00edder nacional do MST, M\u00e1rcio Matos: empresa abriu m\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e ter\u00e1 \u00e1rea desapropriada para investir em projeto agroecol\u00f3gico Foi um acontecimento hist\u00f3rico. O aroma da galinhada exalava na recep\u00e7\u00e3o aos convidados no Assentamento Jaci Rocha, munic\u00edpio do Prado (BA), quando chegaram as lideran\u00e7as dos dois lados em quest\u00e3o: o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Fibria, produtora de celulose e papel que det\u00e9m quase 170 mil hectares no Extremo-Sul da Bahia. N\u00e3o faz muito tempo, encontros do g\u00eanero s\u00f3 aconteciam nos corredores dos tribunais para a solu\u00e7\u00e3o litigiosa de conflitos. Desta vez, o motivo era de festa: a inaugura\u00e7\u00e3o de uma escola agroflorestal para jovens de assentamentos da regi\u00e3o e outras partes do Brasil, destinada a fomentar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e uma nova cultura no campo.<\/p>\n<p>Em negocia\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, a Fibria &#8211; propriet\u00e1ria da fazenda ocupada h\u00e1 12 anos pelos sem-terra &#8211; abriu m\u00e3o de novas a\u00e7\u00f5es de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e ter\u00e1 a \u00e1rea desapropriada para investir no projeto agroecol\u00f3gico durante cinco anos, encerrando o conflito e beneficiando 1,2 mil fam\u00edlias. &#8220;Muda-se a rela\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho&#8221;, analisa Paulo Kageyama, pesquisador da Esalq, da Universidade de S\u00e3o Paulo. Kageyama orienta os assentados na produ\u00e7\u00e3o de alimentos em sistemas agroflorestais, sem uso de agrot\u00f3xico e com a conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica &#8211; ambiente que fornece \u00e1gua e condi\u00e7\u00f5es de clima essenciais \u00e0 sustentabilidade futura do pr\u00f3prio eucalipto do entorno.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um marco no conv\u00edvio do agroneg\u00f3cio com a agricultura familiar&#8221;, afirma Jos\u00e9 Penido, presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa. A quest\u00e3o, diz ele, \u00e9 de consci\u00eancia, mas tamb\u00e9m de sobreviv\u00eancia do neg\u00f3cio. &#8220;A estrat\u00e9gia \u00e9 superar antagonismos e encarar os problemas historicamente agudos no Sul da Bahia&#8221;, ressalta o executivo. Ao seu lado, M\u00e1rcio Matos, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST, garante: &#8220;Chegamos a um novo paradigma de negocia\u00e7\u00e3o sobre passivos, di\u00e1logo que surgiu a partir de rela\u00e7\u00f5es conflituosas e se repetir\u00e1 junto \u00e0s demais empresas do setor&#8221;. A iniciativa ilustra a for\u00e7a das alian\u00e7as como estrat\u00e9gia de gest\u00e3o na transi\u00e7\u00e3o para &#8220;economia verde&#8221;. Diante das urg\u00eancias ambientais e sociais, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel depender apenas de governos ou de a\u00e7\u00f5es isoladas das empresas. &#8220;Caiu a ficha para a import\u00e2ncia da uni\u00e3o em torno de compromissos m\u00fatuos&#8221;, enfatiza Beto Mesquita, da ONG Conserva\u00e7\u00e3o Internacional, membro do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, do qual participam prefeituras, empresas, fazendas, sindicatos, centros de pesquisa e conglomerados empresariais.<\/p>\n<p>&#8220;Percebeu-se que o problema do bioma, mais que o desmatamento, \u00e9 a necessidade de sua recupera\u00e7\u00e3o como forma de se gerar neg\u00f3cios, conservar recursos e reduzir impactos futuros \u00e0s atividades econ\u00f4micas&#8221;, explica Mesquita. A partir de uma metodologia aprovada tecnicamente, a meta \u00e9 recompor 15 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;responsabilidade compartilhada&#8221; vira moda. No caso da soja, a cobran\u00e7a internacional for\u00e7ou o setor a se aliar a ONGs e governo para sair da in\u00e9rcia. &#8220;Passamos a ser proativos e declaramos ao mercado que n\u00e3o comprar\u00edamos gr\u00e3os produzidos em \u00e1reas desmatadas depois de julho de 2006&#8221;, diz Carlo Lovatelli, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de \u00d3leos Vegetais.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ada quando o desmatamento atingia recordes na Amaz\u00f4nia, a Morat\u00f3ria da Soja criou um sistema de monitoramento por sat\u00e9lite, sobrevoo e vistoria de campo, acompanhado por um comit\u00ea. &#8220;Descobrimos o ovo de Colombo&#8221;, diz o executivo, recordando-se do dia em que os ambientalistas pela primeira vez se sentaram \u00e0 mesa com os empres\u00e1rios do setor: &#8220;foi uma reuni\u00e3o dif\u00edcil e tensa, porque a rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o era litigiosa&#8221;.<\/p>\n<p>O modelo chega \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil. Ap\u00f3s nove meses de negocia\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o o governo federal assinou com sindicatos patronais e de trabalhadores um compromisso para a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Nove empreendimentos aderiram ao acordo, que obriga a qualifica\u00e7\u00e3o e a contrata\u00e7\u00e3o sem intermedi\u00e1rios que exploram a m\u00e3o de obra. &#8220;A iniciativa induz mudan\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o capital- trabalho em um dos setores que mais geram empregos no Brasil&#8221;, justifica Jos\u00e9 Lopez Feij\u00f3o, assessor da Secretaria Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Al\u00e9m do ganho social, diz, o resultado \u00e9 &#8220;aumento da produtividade e o diferencial de mercado para as empresas&#8221;. \u00d3rg\u00e3os do governo federal que licitam grandes obras planejam inserir a ades\u00e3o ao compromisso como condicionante nos contratos.<\/p>\n<p>Igual estrat\u00e9gia aplicou-se ao setor da cana-de-a\u00e7\u00facar, cujo acordo, assinado por 300 empresas com aval do governo federal, valer\u00e1 at\u00e9 o ano que vem, com auditorias de campo que conferir\u00e3o um selo de boas pr\u00e1ticas. A iniciativa complementa o protocolo sobre etanol verde, gerido pelo governo estadual de S\u00e3o Paulo com meta de eliminar a queima da cana at\u00e9 2014 para \u00e1reas mecaniz\u00e1veis e 2017 para as demais. Hoje 34,8% da colheita se d\u00e1 depois das queimadas &#8211; a metade do que era h\u00e1 quatro anos, quando o pacto foi lan\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>\u00a9 2000 \u2013 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econ\u00f4mico S.A. . 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