{"id":4468,"date":"2013-03-14T04:39:22","date_gmt":"2013-03-14T04:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4468"},"modified":"2013-03-14T04:39:22","modified_gmt":"2013-03-14T04:39:22","slug":"marx-e-a-crise-os-fantasmas-agora-sao-eles1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4468","title":{"rendered":"Marx e a crise: os fantasmas, agora, s\u00e3o eles1"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\">\u201c<em><strong>Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a \u00c1sia, nossa Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" lang=\"pt-BR\"><strong>Mauro Lu\u00eds Iasi (membro do Comit\u00ea Central do PCB)<\/strong><\/p>\n<p>A atual crise do capitalismo mundial, al\u00e9m das graves consequ\u00eancias que traz para os trabalhadores, acabou por propiciar um efeito direto no debate te\u00f3rico e acad\u00eamico: uma retomada das ideias de Marx. Por que isso ocorre? Que tipo de previs\u00e3o foi realizada por Marx que o faz t\u00e3o maldito, perseguido e t\u00e3o renitente em nascer e renascer cada vez que o julgam morto em definitivo?<\/p>\n<p>Passamos, n\u00f3s marxistas, pelas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 resistindo no universo acad\u00eamico como se f\u00f4ssemos dinossauros anacr\u00f4nicos, insistindo em teses que desmoronam diante das \u201cevid\u00eancias\u201d p\u00f3s-modernas, que afirmavam o fim da validade da teoria do valor, o fim da centralidade do trabalho, das classes e, por consequ\u00eancia, das formas organizativas e dos projetos pol\u00edticos pr\u00f3prios da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Karl Offe<sup>2<\/sup> chegou a afirmar que, depois das ideias de Touraine, Foucault e Gorz, o pensamento marxista n\u00e3o teria mais muita \u201crespeitabilidade cient\u00edtico-social\u201d. O pr\u00f3prio Keynes, que alguns se preparam para resgatar como balsamo ben\u00edgno contra os males da desregula\u00e7\u00e3o, sobre <em>O Capital<\/em> de Karl Marx decretou:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cComo posso aceitar uma doutrina que estabelece como b\u00edblia, acima e al\u00e9m de qualquer cr\u00edtica, um manual econ\u00f4mico obsoleto que reconhe\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 como cient\u00edficamente err\u00f4neo, mas tamb\u00e9m sem interesse ou aplica\u00e7\u00e3o para o mundo moderno?\u201d<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Logo na sequ\u00eancia do mesmo texto, Keynes confirmar\u00e1 sua postura \u201ccient\u00edfica\u201d ao declarar preferir a burguesia que \u201capesar de suas falhas, representa a prosperidade\u201d e certamente leva as \u201csementes de todo avan\u00e7o humano\u201d, criticando aqueles que \u201cpreferem a lama ao peixe\u201d e \u201cexaltam o proletariado rude\u201d contra a burguesia.<\/p>\n<p>Parece que a burguesia continua, em sua incans\u00e1vel rota em dire\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o humano, cometendo \u201calgumas falhas\u201d, que amea\u00e7am a humanidade para garantir o avan\u00e7o do capital. O proletariado rude, imerso na lama na qual tem que viver, mais uma vez tenta compreender a natureza da vaga que ciclicamente o afoga e, mais uma vez, o velho Karl Marx se levanta de seu descanso no cemit\u00e9rio de Londres para assombrar os respeit\u00e1veis senhores da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Qual seria o elemento te\u00f3rico que encontramos em\u00a0<em>O Capital<\/em> que permite que Marx seja ainda t\u00e3o contempor\u00e2neo? Primeiro, poder\u00edamos dizer que Marx era, de certa forma, mais anacr\u00f4nico em sua \u00e9poca do que agora. Como pensa o capital como um conceito, um movimento do real que dialeticamente transita atrav\u00e9s de suas formas e, sendo hist\u00f3rico, nasceu, se desenvolveu e um dia ir\u00e1 ser superado, Marx projeta, pela an\u00e1lise precisa do ser do capital, aquilo que denomina de modo de produ\u00e7\u00e3o especificamente capitalista, ou seja, um mundo subsumido inteiramente ao metabolismo do capital, no qual reina a subordina\u00e7\u00e3o real do trabalho ao capital, no qual a mercadoria e o dinheiro s\u00e3o realidades universais, subordinando o valor de uso ao valor de troca.<\/p>\n<p>Ao projetar o capital maduro e completo \u00e9 que Marx pode avaliar o processo poss\u00edvel de sua supera\u00e7\u00e3o. Um procedimento que os antigos, antes que os p\u00f3s-modernos convencessem o mundo acad\u00eamico a aderir a um novo agnosticismo, chamavam de ci\u00eancia. Ora, este capital maduro estava longe de corresponder \u00e0 realidade de meados do s\u00e9culo XIX; no entanto, para desespero da respeit\u00e1vel <em>intelligentsia<\/em>, o capitalismo contempor\u00e2neo se parece muito mais com a previs\u00e3o de Marx do que com a proje\u00e7\u00e3o m\u00edtica anunciada pelos arautos do liberalismo e da economia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Apesar de autores como Boaventura de Souza Santos afirmarem que, considerando os tr\u00eas gigantes cl\u00e1ssicos do pensamento social (Marx, Durkheim e Weber), Marx teia sido entre eles o que \u201cerrou de forma mais espetacular\u201d<sup>4<\/sup>. Mas o desfecho do mundo burgu\u00eas no inicio do s\u00e9culo XXI se caracteriza inequivocamente por uma constata\u00e7\u00e3o: o mito liberal morreu!<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a ess\u00eancia do mito liberal e como Marx se contrap\u00f4s a ele? O fundamento do mito liberal pode ser resumido da seguinte maneira: o capitalismo \u00e9 um sistema virtuoso, pois permite que cada um, buscando seu pr\u00f3prio interesse ego\u00edsta, contribua para o estabelecimento do bem comum. Dessa maneira, \u00e9 o \u00fanico que pode articular de maneira eficiente os valores do indiv\u00edduo, da liberdade, da propriedade e da igualdade. O capitalista busca lucro, mas para obt\u00ea-lo produz mercadorias e para tanto gera emprego. O trabalhador quer pagar suas contas e viver e por isso vende sua for\u00e7a de trabalho. Com seu sal\u00e1rio compra as mercadorias oferecidas pelos capitalistas e assim se fecha o ciclo. O burgu\u00eas tem seu lucro, o trabalhador seu sal\u00e1rio e a sociedade cada vez mais mercadorias com que satisfazer suas necessidades.<\/p>\n<p>O sistema capitalista seria, ainda, virtuoso n\u00e3o apenas pelo equil\u00edbrio entre interesses individuais ego\u00edstas e interesse geral, mas por sua din\u00e2mica: quanto mais o capital produz mercadorias, mais contrataria, mais sal\u00e1rios distribu\u00eddos intensificariam o consumo, que levaria a nova produ\u00e7\u00e3o, mais contrata\u00e7\u00f5es e novos sal\u00e1rios que induziriam ao aumento do consumo e assim por diante, da melhor forma poss\u00edvel e no melhor dos mundos.<\/p>\n<p>Recentemente, o presidente Lula conjurou o mito com todas suas letras ao afirmar que diante da crise os trabalhadores em vez de pedir aumento deveriam fazer com que suas empresas produzissem mais, para aquecer o Mercado, atender as necessidades do mercado consumidor e da\u00ed garantir, n\u00e3o apenas empregos como a possibilidade futura de melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Apesar da f\u00e9 consagrada de muitos ao mito, Marx escreveu <em>O Capital<\/em> para comprovar a fal\u00e1cia deste argumento central do pensamento burgu\u00eas. Podemos resumir desta forma as principais conclus\u00f5es do pensador alem\u00e3o para contrapor uma vis\u00e3o cient\u00edfica \u00e0 ideologia liberal: a) quanto mais cresce a concorr\u00eancia entre os capitalistas, menor \u00e9 a livre concorr\u00eancia e maior \u00e9 a tend\u00eancia ao monop\u00f3lio; b) nas condi\u00e7\u00f5es de uma concorr\u00eancia entre monop\u00f3lios, os capitalistas tendem sempre a investir mais em capital constante (m\u00e1quinas, instala\u00e7\u00f5es, novas mat\u00e9rias primas, etc) para aumentar a produtividade do trabalho, do que em capital vari\u00e1vel (a compra da for\u00e7a de trabalho) alterando drasticamente a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital em favor do trabalho morto; c) o resultado aparentemente paradoxal desse processo \u00e9 uma tend\u00eancia \u00e0 queda na taxa de lucro, ou seja, quanto mais o capital cresce, maior \u00e9 a produtividade do trabalho pela aplica\u00e7\u00e3o consciente da t\u00e9cnica e da ci\u00eancia ao processo de trabalho, quanto mais o capital se torna monopolista e mundial, menor \u00e9 a taxa de lucro.<\/p>\n<p>Na verdade, a tautologia liberal afirma que quanto mais o capital cresce, mais ele cresce. O que Marx anunciou pela dial\u00e9tica do capital, compreendido pela minuciosa an\u00e1lise que se nega a permanecer na superf\u00edcie aparente dos fen\u00f4menos, \u00e9 que quanto mais o capital cresce, mais ele produz a crise que \u00e9 pr\u00f3pria \u00e0 sua natureza, ou seja, de ser valor em constante processo de valoriza\u00e7\u00e3o, ou seja, uma crise de superacumula\u00e7\u00e3o que se combina de forma explosiva com manifesta\u00e7\u00f5es de superprodu\u00e7\u00e3o, subconsumo e queda tendencial da taxa de lucro.<\/p>\n<p>O fato desconcertante para os adeptos dos planos de acelera\u00e7\u00e3o do crescimento, ou da irracionalidade exuberante como batizou Greenspan (ex-presidente do Banco Central norte-americano), \u00e9 que o que causa a crise n\u00e3o \u00e9 a car\u00eancia, mas a abund\u00e2ncia, a pletora. Um racioc\u00ednio t\u00edpico de Marx, isto \u00e9, n\u00e3o argumenta com o advers\u00e1rio te\u00f3rico pela nega\u00e7\u00e3o de sua tese, mas pela suposi\u00e7\u00e3o de sua plena realiza\u00e7\u00e3o. No caso concreto de nossa an\u00e1lise, afirma que a din\u00e2mica do capital leva \u00e0 aparente confirma\u00e7\u00e3o do mito liberal, levando a sociedade a uma espiral irresist\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, consumo e reinvestimento; no entanto este reinvestimento sempre se d\u00e1, pela pr\u00f3pria concorr\u00eancia, seja livre ou monop\u00f3lica, alterando a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica em favor do capital constante e, portanto, alimentando a queda tendencial da taxa de lucro.<\/p>\n<p>No momento agudo deste processo, o capital realizado ao final do ciclo, e que deveria voltar ao in\u00edcio como novo capital inicial, encontra todo o metabolismo do capital saturado de investimentos, muitos meios de produ\u00e7\u00e3o instalados, muitos trabalhadores empregados, muitas mercadorias produzidas, e tudo isso com taxas de lucro menores. Em momentos normais, o capital migra para outra \u00e1rea, seja para produzir outro tipo de mercadoria, seja para outra regi\u00e3o em busca de elementos que possam baratear seus custos com for\u00e7a de trabalho, mat\u00e9rias primas ou outros elementos do capital constante. No entanto, nas \u00e9pocas que antecedem \u00e0s crises, considerando o capital total, \u00e9 como se o capital n\u00e3o encontrasse onde aportar e come\u00e7a a parar.<\/p>\n<p>Como o capital \u00e9, antes de qualquer coisa, movimento do valor em constante processo de valoriza\u00e7\u00e3o, sua crise ocorre quando este movimento se paralisa em algum ponto do ciclo do capital: como dinheiro que n\u00e3o consegue virar cr\u00e9dito, como capacidade instalada e ociosa, como for\u00e7a de trabalho contratada e impedida de trabalhar, como mercadoria produzida e que n\u00e3o encontra o consumo na propor\u00e7\u00e3o de sua oferta, ou ainda pior, como consumo realizado que alimenta a fogueira da superacumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que possamos entender o desfecho da crise e, principalmente, os efeitos sobre a classe trabalhadora, \u00e9 necess\u00e1rio recorrer a um racioc\u00ednio essencial que Marx desenvolve ao tratar de sua tese sobre a queda tendencial da taxa de lucro no Livro III de\u00a0<em>O Capital<\/em>: as contratend\u00eancias.<\/p>\n<p>Marx precisava defender sua tese em um momento no qual o mito liberal esbanjava sa\u00fade. A primeira grande crise do capital, entre os anos 1870 e 1880, ofereceu para o autor os elementos centrais de sua afirma\u00e7\u00e3o. No entanto, o capital estava destinado a sair dessa crise e de outras. \u00c9 preciso n\u00e3o confundir a teoria de Marx sobre a crise com qualquer afirma\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica sobre uma crise final catastr\u00f3fica que levaria por si mesma ao fim do capitalismo<sup>5<\/sup>. Para o autor, o capital desenvolveria elementos contratendenciais que fariam da queda na taxa de lucro uma tend\u00eancia e das crises uma realidade c\u00edclica, ou seja, em outras palavras, n\u00e3o se trata de uma linha descendente que culmina no fim do po\u00e7o, mas de um movimento de crescimento, auge, crise e retomada at\u00e9 novo \u00e1pice que leva a uma nova crise.<\/p>\n<p>As chamadas contratend\u00eancias<sup>6<\/sup> seriam todas as a\u00e7\u00f5es empreendidas pelo capital no sentido de se contrapor \u00e0 queda na taxa de lucro. Podemos resumi-las da seguinte maneira: a) aumento do grau de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, seja pelo aumento da jornada de trabalho, seja pela intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho; b) redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios; c) redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos elementos do capital constante, tais como buscar mat\u00e9rias primas mais baratas, m\u00e1quinas mais eficientes, subs\u00eddios para insumos e servi\u00e7os essenciais como a\u00e7o, minera\u00e7\u00e3o, energia, armazenamento, transporte e outros; d) forma\u00e7\u00e3o de uma superpopula\u00e7\u00e3o relativa, ou seja, reunir um contingente de for\u00e7a de trabalho muito al\u00e9m das necessidades do capital e mesmo al\u00e9m do ex\u00e9rcito industrial de reserva como forma de pressionar o valor da for\u00e7a de trabalho para baixo; e) amplia\u00e7\u00e3o e abertura de mercado externo como forma n\u00e3o apenas de desovar o excedente produzido, como de encontrar fontes de mat\u00e9ria prima e recursos abundantes, barateando seus custos; d) o aumento do capital em a\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, buscando compensar a queda na taxa de lucro com juros oferecidos pelo mercado de pap\u00e9is oferecidos por empresas ou por t\u00edtulos do Estado.<\/p>\n<p>Notem que todas as contratend\u00eancias escondem um sujeito oculto. Trata-se, j\u00e1 no final de O Capital, de mais um embate, este decisivo, contra a ideologia liberal. Quem administra os limites da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, seja pelo tamanho da jornada, seja pelas condi\u00e7\u00f5es gerais da contrata\u00e7\u00e3o? Quem determina os limites legais da compra da for\u00e7a de trabalho e seu valor? Quem pode baratear os elementos do capital constante por meio de subs\u00eddios, cr\u00e9ditos facilitados, isen\u00e7\u00f5es e outros meios conhecidos? Quem assume o custo de administra\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e controle sobre uma superpopula\u00e7\u00e3o relativa cujo papel \u00e9 nunca entrar no mercado e trabalho? Quem representa os interesses das corpora\u00e7\u00f5es monop\u00f3licas na amplia\u00e7\u00e3o, conquista e manuten\u00e7\u00e3o de mercados em disputa com outros monop\u00f3lios? Finalmente, quem se presta ao papel de oferecer t\u00edtulos que remuneram com taxas de juros generosas sem se preocupar em perder dinheiro ou comprar de volta t\u00edtulos podres e sem valor?<\/p>\n<p>Esse sujeito, que mal se oculta, s\u00f3 pode ser o Estado! Eis que se desmorona a m\u00e3e de todos os mitos liberais: o Estado n\u00e3o deve intervir na livre concorr\u00eancia entre os indiv\u00edduos pela disputa de riquezas e propriedades, resumido na tese da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o estatal na economia. Para Marx, o Estado sempre foi um fator determinante no sociometabolismo do capital, em seu nascimento na acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capitais, na garantia das condi\u00e7\u00f5es gerais chamadas de extraecon\u00f4micas (garantia da propriedade, subordina\u00e7\u00e3o legal e institucional da for\u00e7a de trabalho ao capital, defesa da ordem, etc.) no per\u00edodo de ouro do liberalismo, na representa\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios na partilha e repartilha do mundo, fazendo dos interesses das corpora\u00e7\u00f5es o interesse nacional; e, por fim e mais importante, nos momentos de crise em que o custo da exuber\u00e2ncia irracional, que levou \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o indecente da riqueza socialmente produzida na forma de acumula\u00e7\u00e3o privada, tem que ser socializado por toda a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do evidente papel do Estado no comando e gerenciamento das contratend\u00eancias, fica evidente o car\u00e1ter de classe destes mecanismos, o que nos ajuda a entender os efeitos que recair\u00e3o sobre os trabalhadores. A intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, que leva ao aumento do desgaste da for\u00e7a de trabalho e \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o dos acidentes e das doen\u00e7as profissionais; a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, assim como a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o, com relativiza\u00e7\u00e3o e perda de direitos; o aumento da superpopula\u00e7\u00e3o relativa, que tem por base a intensifica\u00e7\u00e3o da expropria\u00e7\u00e3o dos camponeses e de todos que ainda conseguem manter seus meios diretos de trabalho, e que leva \u00e0 explos\u00e3o urbana com todas suas consequ\u00eancias conhecidas no campo da habita\u00e7\u00e3o, dos servi\u00e7os essenciais como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, mas tamb\u00e9m no que se refere a quest\u00e3o da viol\u00eancia e da criminalidade.<\/p>\n<p>Mesmo as a\u00e7\u00f5es que aparentemente n\u00e3o se relacionam diretamente com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores acabam por ter efeitos muito s\u00e9rios sobre a vida de quem trabalha. Os subs\u00eddios e isen\u00e7\u00f5es ao capital, para baratear os elementos do capital constante ou ajud\u00e1-los a manter seus patamares de venda, s\u00f3 podem sair do fundo comum do Estado e, portanto, \u00e0 custa de cortes dram\u00e1ticos em servi\u00e7os p\u00fablicos duramente conquistados. S\u00f3 em uma semana, o governo brasileiro gastou R$50 bilh\u00f5es para manter o valor do d\u00f3lar, enquanto durante todo o ano anterior foram gastos um pouco mais de R$ 20 bilh\u00f5es com a sa\u00fade, apenas para ficar em um exemplo. As fortunas gastas para manter bancos em funcionamento s\u00f3 podem sair do recurso p\u00fablico numa clara express\u00e3o de privatizar a pequena parte da produ\u00e7\u00e3o social da riqueza que ficou no espa\u00e7o publico, sem que em nenhum momento se questione o volume da riqueza que no ciclo de crescimento permaneceu na esfera da acumula\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>Talvez o mais grave quanto aos efeitos da a\u00e7\u00e3o do Estado na gest\u00e3o das contratend\u00eancias para os trabalhadores e a pr\u00f3pria humanidade seja um aspecto para o qual Marx n\u00e3o deu maior aten\u00e7\u00e3o: a expans\u00e3o do mercado externo. Quando Marx escrevia o \u00faltimo livro de <em>O Capital<\/em>, a ordem monopolista mal fazia sua estreia hist\u00f3rica. Para o autor, tratava-se apenas de encontrar mercados para os produtos e encontrar fontes de mat\u00e9rias primas. Ocorre que, com o pleno desenvolvimento dos monop\u00f3lios, passa a ser decisivo, como estudou mais tarde Lenin, a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, e da\u00ed a necessidade de controle das \u00e1reas de influ\u00eancia, levando a constante partilha e repartilha do globo, primeiro entre os monop\u00f3lios e depois entre as na\u00e7\u00f5es que os representam, levando \u00e0 Guerra.<\/p>\n<p>A fase imperialista e a pr\u00e1tica da guerra, que lhe \u00e9 insepar\u00e1vel, fizeram desta contratend\u00eancia quase que a s\u00edntese da a\u00e7\u00e3o do Estado em defesa do capital e da manuten\u00e7\u00e3o de suas taxas de lucro contra a tend\u00eancias das mesmas em cair. N\u00e3o apenas pela enorme destrui\u00e7\u00e3o material que a Guerra causa, abrindo campo para novas invers\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es de lucratividade retomada em patamares aceit\u00e1veis para o capital, como pelo pr\u00f3prio estabelecimento de um complexo industrial-militar que vende ao Estado mercadorias que ter\u00e3o que ser substitu\u00eddas quer sejam ou n\u00e3o usadas (como no caso do arsenal nuclear), como teorizou de forma precisa M\u00e9sz\u00e1ros.<\/p>\n<p>Podemos resumir, afirmando que, na din\u00e2mica das contratend\u00eancias, as v\u00edtimas s\u00e3o os trabalhadores, os benefici\u00e1rios a burguesia monopolista e o instrumento o Estado, n\u00e3o apenas como aparato t\u00e9cnico jur\u00eddico-adiministrativo, mas tamb\u00e9m e principalmente pela capacidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria de apresentar como universal um interesse que \u00e9 particular. Nesse campo, o da luta pol\u00edtica, a crise \u00e9 o momento de retirar da gaveta do arsenal da pol\u00edtica burguesa a tese do pacto social.<\/p>\n<p>No momento da crise se reapresentam todas as alternativas em disputa. Podemos resumi-las em tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es: a) a afirma\u00e7\u00e3o de que tudo n\u00e3o passa de um incidente, mais ou menos grave, mas de qualquer forma um incidente que n\u00e3o compromete a estrutura do mito, ou seja, basta voltar a crescer que os empregos voltam, o consumo cresce, e tudo volta ao c\u00edrculo virtuoso do capital; b) a retomada da cr\u00edtica keynesiana, que aparece simultaneamente como afirma\u00e7\u00e3o da ordem do capital com todos os elementos que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios (inclusive a livre concorr\u00eancia), mas que afirmar\u00e1 a necessidade de retomar mecanismos de regula\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o se trata de evitar a livre concorr\u00eancia, mas de regular certos aspectos para que suas consequ\u00eancias inevit\u00e1veis n\u00e3o gerem condi\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas que possam levar ao questionamento do sistema; c) a alternativa socialista, ou seja, aquela que se fundamenta na afirma\u00e7\u00e3o sobre a necessidade da produ\u00e7\u00e3o social da riqueza ser gerida tamb\u00e9m de forma social, levando \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o social da riqueza ser concebida como valor de uso e n\u00e3o mercadoria.<\/p>\n<p>No presente quadro, a primeira, um pouco na defensiva e sem a arrog\u00e2ncia que caracterizou o \u00faltimo ciclo, n\u00e3o desaparecer\u00e1. Ela se inscrever\u00e1 na afirma\u00e7\u00e3o que basta o Estado dar os elementos para que o capital volte a crescer, sem que interfira na disputa econ\u00f4mica direta, por exemplo, atrav\u00e9s das estatiza\u00e7\u00f5es. A segunda, de corte keynesiana, ser\u00e1 a mais ativa e, portanto, mais enganosa e perigosa para os trabalhadores. Sob o manto de uma necessidade comprovada de maior regula\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 se inscrever nos limites do mundo financeiro, pode chegar at\u00e9 a defender, como ali\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, algumas a\u00e7\u00f5es estatizantes. No entanto, esta op\u00e7\u00e3o mal esconde uma enorme luta pol\u00edtica que marcou o s\u00e9culo XX. Foi preciso ceder a determinadas demandas dos trabalhadores, por direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida, frente \u00e0 amea\u00e7a de supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da ordem, representada pelo advento da revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o keynesiana, que n\u00e3o se revestiu no s\u00e9culo XX necessariamente com a forma de um Welfare State social democrata de perfil europeu, nos EUA prevaleceu com o New Deal, mantendo a base de uma economia de mercado fundada na livre concorr\u00eancia, e na Am\u00e9rica Latina, por exemplo, a regula\u00e7\u00e3o estatal se deu na forma de ditaduras militares mais preocupadas com o Estado do que com o bem-estar. No quadro conjuntural atual, de inflex\u00e3o pol\u00edtica, de desmonte e isolamento das t\u00edmidas alternativas de transi\u00e7\u00e3o socialista iniciadas no s\u00e9culo XX, os regulacionistas tendem a se comportar mais como liberais contidos e respons\u00e1veis do que como social democratas.<\/p>\n<p>Aos trabalhadores cabe uma outra ordem de tarefas. Primeiro: resistir, n\u00e3o aceitando que o \u00f4nus da crise recai sobre o setor que mais se penalizou no ciclo de crescimento. N\u00e3o apenas lutando para que nenhum direito lhe seja retirado, como se recusando a proposta do tipo redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio ou qualquer precariza\u00e7\u00e3o de suas j\u00e1 prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de contrato e de trabalho. Segundo: for\u00e7ar o Estado para que se recuse a usar o recurso p\u00fablico para dirimir perdas ou incentivar produtividade de um setor da economia monopolizada, que lucrou fortunas e as acumulou privadamente. Enquanto o governo se regojiza com a informa\u00e7\u00e3o de que os 20% mais pobres passaram de U$ 1,00 por dia pra U$ 2,00 de maneira que sa\u00edram de uma posi\u00e7\u00e3o que os colocava abaixo da linha da mis\u00e9ria para uma condi\u00e7\u00e3o de dignidade duvidosa na linha da mis\u00e9ria, as 500 maiores empresas do Brasil, entre 2002 e 2007 viram seus lucros saltarem de R$ 2,9 bilh\u00f5es para R$43 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, est\u00e1 na hora de a classe trabalhadora deixar de optar entre qual \u00e9 a ortodoxia burguesa que mais lhe conv\u00e9m, se a liberal ou a keynesiana, e dizer a pleno pulm\u00f5es que as previs\u00f5es liberais ou regulacionistas, que prometiam que o crescimento econ\u00f4mico levaria a uma paulatina diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e a um mundo justo e equilibrado, naufragaram triunfalmente. Depois os marxistas \u00e9 que s\u00e3o acusados de \u201cdeterminismo econ\u00f4mico\u201d! O que \u00e9 a tese de que os problemas sociais s\u00f3 se resolver\u00e3o com o crescimento econ\u00f4mico de tipo capitalista sen\u00e3o a mais mec\u00e2nica afirma\u00e7\u00e3o economicista?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Brasil tinha como modelo os EUA e a Europa. Quer\u00edamos, na express\u00e3o de Galeano, ser como eles. Pois bem, j\u00e1 somos. Somos parte integrante do sistema capitalista mundial, no papel que nos cabe, como \u00e1rea de saque do imperialismo. Uma \u00e1rea especial que, devido ao grau de investimento imperialista dos grandes monop\u00f3lios, constitu\u00edmos como uma forma\u00e7\u00e3o social com um capitalismo moderno e completo que inclusive ensaia seus primeiros movimentos no sentido do imperialismo tupiniquim, como tem teorizado Virg\u00ednia Fontes, sem, contudo, nunca sair de baixo das asas dos centros hegem\u00f4nicos do imperialismo mundial.<\/p>\n<p>Devemos recusar o papel miser\u00e1vel de entrar no debate que busca \u201ccomo sair da crise\u201d. Devemos pautar o debate, o \u00fanico que interessa aos trabalhadores, sobre qual forma de sociabilidade atende os interesses reais dos trabalhadores e da humanidade e pode, de quebra, evitar que ciclicamente todo o esfor\u00e7o produtivo seja destru\u00eddo por uma nova crise que, para salvar o capital e suas taxas de lucro, destr\u00f3i produtos, f\u00e1bricas e seres humanos em uma escala genocida. Para n\u00f3s, marxistas, existe essa alternativa: \u00e9 necess\u00e1rio e urgente que a produ\u00e7\u00e3o social da vida liberte-se das rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o de tipo capitalista, superando a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e desenvolvendo as for\u00e7as produtivas materiais como recursos coletivos e patrim\u00f4nio da humanidade, e n\u00e3o propriedade dos monop\u00f3lios burgueses, de maneira que possamos caminhar para a supera\u00e7\u00e3o da forma mercadoria e afirmar a centralidade do valor de uso.<\/p>\n<p>Nossa meta socialista pode ser compreendida por aqueles que nos interessam que a compreendam? Em grande parte esta \u00e9 a arte da pol\u00edtica, como disse Bourdieu: a pol\u00edtica \u00e9 a arte de \u201cfazer crer que se pode fazer o que se diz\u201d<sup>7<\/sup>. N\u00f3s acreditamos que sim e que podemos expressar os fundamentos de nossa proposta atrav\u00e9s de tr\u00eas afirma\u00e7\u00f5es muito simples: 1) ningu\u00e9m pode se apropriar de recursos necess\u00e1rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es que garantem a exist\u00eancia coletiva da humanidade; 2) ningu\u00e9m pode se apropriar em car\u00e1ter privado da for\u00e7a de trabalho humana, pois ela \u00e9 a principal for\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o e o principal recurso comum da esp\u00e9cie para garantir sua exist\u00eancia, n\u00e3o podendo assumir a forma de uma mercadoria; e 3) a riqueza coletivamente produzida n\u00e3o pode ser acumulada privadamente.<\/p>\n<p>Como dizia Brecht, \u201cuma coisa muito simples, dific\u00edlima de ser feita\u201d. No entanto, nesse ponto a crise nos ajuda, Nunca ficou t\u00e3o did\u00e1tico o car\u00e1ter destrutivo da atual forma do capitalismo monopolista e imperialista, nunca ficou t\u00e3o evidente a fal\u00e1cia do mito liberal, nunca foi t\u00e3o urgente dotar a humanidade de uma alternativa para al\u00e9m da ordem do capital.<\/p>\n<p>Os liberais, velhos, neos e recentes; os p\u00f3s-modernos, p\u00f3s-industriais, p\u00f3s-socialistas; todos timidamente voltam ao \u201crefugo das livrarias vermelhas\u201d, ao qual Keynes havia condenado a leitura marxista como nada tendo de aplicabilidade pr\u00e1tica para os tempos modernos, para discretamente voltar a ler Marx e entender o que se passou e o que seus ide\u00f3logos n\u00e3o conseguem lhes explicar. <strong>Marx, hoje, volta a rondar a Europa, os EUA, a \u00c1sia, nossa Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o somos mais um mero espectro. Somos cada vez mais de carne, osso, sangue e sonhos, enquanto eles se transformam a cada dia em fantasmas.<\/strong><\/p>\n<p>1Apresentado inicialmente no Semin\u00e1rio sobre a Crise Econ\u00f4mica Mundial, promovido pelo PCB S\u00e3o Paulo em novembro de 2008 e modificado para a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2Offe, Claus. Capitalismo desorganizado. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1984, p. 195.<\/p>\n<p>3Keynes, John Maynard. <em>A short view of R\u00fassia<\/em> [1925]. Apud Mesz\u00e1ros, Istvan. <em>Para al\u00e9m do Capital<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2002, p. 16.<\/p>\n<p>4 \u201cMax Weber e Durkheim falharam menos estrondosamente que Marx nas suas previs\u00f5es\u201d. (Santos, Boaventura de Souza. <em>Pela m\u00e3o de Alice: o social e o pol\u00edtico na p\u00f3s\u2010modernidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1999, p. 34.) Do mesmo autor podemos citar a seguinte passagem: \u201cSe o marxismo \u00e9 uma ci\u00eancia tem que se submeter \u00e0 prova dos fatos e os fatos n\u00e3o v\u00e3o no sentido previsto por Marx\u201d (idem p. 25)<\/p>\n<p>5 Para uma an\u00e1lise cr\u00edtica sobre a tese da crise final, ver <em>O encontro da revolu\u00e7\u00e3o com a Hist\u00f3ria<\/em>, de Val\u00e9rio Arcary (S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3\/ Institue Rosa Sundermann, 2006)<\/p>\n<p align=\"LEFT\">6 Ver o cap\u00edtulo XIV, do livro III, volume 4 de\u00a0<em>O Capital <\/em>de Karl Marx.<\/p>\n<p>7Bourdieu, Pierre. <em>O poder simb\u00f3lico<\/em>. Rio de Janeiro: Bertran Brasil, 1998, p. 185.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nPCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4468\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-4468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-marxismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1a4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}