{"id":447,"date":"2010-05-07T15:43:45","date_gmt":"2010-05-07T15:43:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=447"},"modified":"2010-05-07T15:43:45","modified_gmt":"2010-05-07T15:43:45","slug":"192-anos-de-nascimento-de-karl-marx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/447","title":{"rendered":"192 anos de nascimento de Karl Marx"},"content":{"rendered":"\n<p>O Capital de Karl Marx<\/p>\n<p>Friedrich Engels<\/p>\n<p>13 de Mar\u00e7o 1868<\/p>\n<p>Desde que h\u00e1 capitalistas e trabalhadores no mundo, n\u00e3o apareceu livro de t\u00e3o grande import\u00e2ncia para os trabalhadores como este. As rela\u00e7\u00f5es entre o Capital e o Trabalho, eixo em torno do qual rota todo o nosso sistema social do tempo presente s\u00e3o aqui, pela primeira vez, desenvolvidos cientificamente, com uma profundidade e com uma clareza s\u00f3 poss\u00edveis para um alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais preciosos que sejam e ficar\u00e3o como tais os escritos dum Owen, dum Saint-Simon, dum Fourier, foi reservado a um alem\u00e3o al\u00e7ar-se \u00e0 altura desde a que se pudesse enxergar com claridade e panoramicamente o dom\u00ednio inteiro das rela\u00e7\u00f5es sociais modernas, de igual modo que aparecem aos olhos do espectador, situado no mais alto cimo, os s\u00edtios montanhosos menos altos.<\/p>\n<p>A economia pol\u00edtica ensina-nos at\u00e9 agora que o trabalho \u00e9 a fonte de toda a riqueza e a medida de todos os valores, de tal jeito que dos objetos cuja produc\u00e7\u00e3o custou o mesmo tempo de trabalho t\u00eam tamb\u00e9m o mesmo valor e devem tamb\u00e9m ser necessariamente trocados uns pelos outros em vista que somente valores equivalentes podem ser trocados entre si.<\/p>\n<p>Mas ensina, ao mesmo tempo, que existe uma esp\u00e9cie de trabalho acumulado a que se chama capital; que este capital, gra\u00e7as \u00e0s possibilidades que cont\u00e9m, multiplica por cem e por mil a produtividade do trabalho vivo e reivindica por isso uma certa compensa\u00e7\u00e3o a que se chama lucro ou benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Percebemos todos n\u00f3s que as coisas s\u00e3o, na realidade, assim: os lucros do trabalho morto, acumulado, formam uma massa cada vez maior, os capitais dos capitalistas tomam propor\u00e7\u00f5es cada vez mais colossais, enquanto o sal\u00e1rio do trabalho vivo torna-se cada vez menor, e a massa dos oper\u00e1rios que vive unicamente do sal\u00e1rio, \u00e9 cada vez maior e mais pobre. Como resolver esta contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"font-size:10px;text-align: left;\" width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/karlmarx1.jpg\" border=\"0\" alt=\"imagem\" width=\"170\" align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/marxists.org\/portugues\/index.htm\" target=\"_blank\">Marxists.org<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Como pode ter um lucro o capitalista se o trabalhador recebe o valor total do trabalho que amplia ao produto? E, no entanto, visto que apenas valores iguais s\u00e3o troc\u00e1veis, tem de ser assim.<\/p>\n<p>Por outro lado, como valores iguais podem ser trocados, como o trabalhador pode receber o valor inteiro do seu produto, se, como imaginam muitos economistas, este produto \u00e9 partilhado entre ele e os capitalistas? A economia encontra-se at\u00e9 hoje perplexa face esta contradi\u00e7\u00e3o, escreve ou balbucia f\u00f3rmulas confusas e v\u00e1cuas.<\/p>\n<p>Mesmo os cr\u00edticos socialistas da economia n\u00e3o foram capazes at\u00e9 aqu\u00ed de fazer outra coisa do que sublinhar esta contradi\u00e7\u00e3o; nenhum a resolveu at\u00e9 o momento em que, finalmente, Marx, perseguindo o processo da forma\u00e7\u00e3o deste lucro at\u00e9 o lugar onde nasce, clareou totalmente o assunto.<\/p>\n<p>No desenvolvimento do capital, Marx parte do fato simples e not\u00f3rio que os capitalistas valorizam o seu capital atrav\u00e9s da troca; compram mercadoria por dinheiro e a seguir revendem-na por uma soma mais elevada do que lhes custar. Um capitalista compra, por exemplo, algod\u00e3o por 1000 francos e revende-o por 1100, ganhando assim 100 francos. \u00c9 a este excedente de 100 francos sobre o capital inicial que Marx chama mais-valor.<\/p>\n<p>De onde surge este mais-valor? Segundo a hip\u00f3tese dos economistas, s\u00f3 os valores iguais s\u00e3o troc\u00e1veis e, no dom\u00ednio da teoria abstracta, isto \u00e9 certo. A compra do algod\u00e3o e a sua revenda n\u00e3o pode, ent\u00e3o, fornecer mais valor do que a troca de uma quilograma de prata contra uma soma e uma nova troca desta moeda contra uma quilograma de prata, opera\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o se enriquece nem empobrece. Mas o mais-valor tamb\u00e9m n\u00e3o pode sair do fato de os vendedores trocarem as suas mercadorias acima do seu valor, ou de os compradores as obterem acima do seu valor, porque sendo cada um deles tanto vendedor como comprador, h\u00e1, conseq\u00fcentemente, compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m n\u00e3o pode surgir do fato de os compradores e os vendedores encarecerem uns com outros o produto, porquanto isso n\u00e3o produziria novo valor ou mais-valor, mas ao contr\u00e1rio, repartiria-se de outra forma o capital existente entre os capitalistas.<\/p>\n<p>Ora, a pesar de que o capitalista compra e revende as mercadorias polo seu valor, tira mais valor do que investiu. Como \u00e9 que isto pode acontecer?<\/p>\n<p>Nas atuais condi\u00e7\u00f5es sociais, o capitalista acha no mercado uma mercadoria que possui esta propriedade peculiar, que o seu consumo \u00e9 fonte de um novo valor, cria novo valor, e esta mercadoria \u00e9 a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o valor da for\u00e7a de trabalho? O valor de cada mercadoria \u00e9 determinado polo trabalho que reclama a sua produ\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a de trabalho existe sob a forma do oper\u00e1rio vivo que precisa, para viver, assim como para sustentar a sua fam\u00edlia que garante a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho depois da sua morte, duma soma determinada de meios de subsist\u00eancia. \u00c9, conseguintemente, o tempo de trabalho necess\u00e1rio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o destes meios de subsist\u00eancia que representa o valor da for\u00e7a de trabalho. O capitalista paga ao oper\u00e1rio \u00e0 semana e compra assim o emprego do seu trabalho por uma semana. Os senhores economistas estar\u00e3o, at\u00e9 aqu\u00ed, de acordo conosco sobre o valor da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Nesse momento, o capitalista p\u00f5e o trabalhador a trabalhar. Durante um tempo determinado, o oper\u00e1rio ter\u00e1 fornecido tanto trabalho quanto o representado pelo sal\u00e1rio semanal. Aceitando que o sal\u00e1rio semanal de um oper\u00e1rio representa tr\u00eas dias de trabalho, o oper\u00e1rio que in\u00edcia na segunda-feira restituiu ao capitalista na quarta-feira \u00e0 tarde o valor total do sal\u00e1rio pago.<\/p>\n<p>Mas de seguida para de trabalhar? Muito pelo contr\u00e1rio. O capitalista comprou o seu trabalho por uma semana, e \u00e9 necess\u00e1rio que o trabalhador trabalhe ainda os outros tr\u00eas dias da semana. Este mais-trabalho do trabalhador, para al\u00e9m do tempo necess\u00e1rio para restituir o seu sal\u00e1rio, \u00e9 a fonte do mais-valor, do lucro, do aumento sempre crescente do capital.<\/p>\n<p>N\u00e3o se diga que \u00e9 esta uma suposi\u00e7\u00e3o gratuita quando se afirmar que o oper\u00e1rio produz em tr\u00eas dias o sal\u00e1rio que recebeu e que nos outros tr\u00eas dias trabalha para o capitalista. Ali\u00e1s, que precise exatamente tr\u00eas dias para devolver o seu sal\u00e1rio, ou de dois, ou de quatro, \u00e9 aqu\u00ed uma coisa totalmente irrelevante que n\u00e3o muda segundo as circunst\u00e2ncias; pois a coisa principal \u00e9 que o capitalista, al\u00e9m do trabalho que paga, consegue ainda trabalho que n\u00e3o paga, e n\u00e3o se trata de uma suposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, visto que como no dia em que o capitalista n\u00e3o recebesse continuamente do oper\u00e1rio o trabalho que ele paga em sal\u00e1rio, esse dia, fecharia a sua f\u00e1brica porque todo o lucro se esfumaria.<\/p>\n<p>Eis que nos resolvemos todas estas contradi\u00e7\u00f5es. A produ\u00e7\u00e3o de mais-valor (de que o lucro do capitalista se constitue) \u00e9 agora totalmente clara e natural. O valor da for\u00e7a de trabalho \u00e9 pago, mas este valor \u00e9 muito menor do que aquele que o capitalista tira da for\u00e7a de trabalho, e a diferen\u00e7a, o trabalho que n\u00e3o \u00e9 pago, constitue precisamente a parte do capitalista, ou mais exatamente, da classe capitalista.<\/p>\n<p>\u00c9 assim porque o lucro que, no exemplo citado mais acima, o comerciante de algod\u00e3o tira do seu algod\u00e3o, necessariamente deve consistir em trabalho n\u00e3o pago se os pre\u00e7os do algod\u00e3o n\u00e3o aumentaram. Foi necess\u00e1rio que o comerciante vendesse a um fabricante de tecidos de algod\u00e3o que, al\u00e9m dos cem francos, possa obter ainda um benef\u00edcio pela sua fabrica\u00e7\u00e3o e que distribue com ele o trabalho n\u00e3o pago que ele, por conseq\u00fc\u00eancia, obteve.<\/p>\n<p>\u00c9 este trabalho n\u00e3o pago que, em geral, mant\u00e9m todos os membros da sociedade que n\u00e3o trabalham. \u00c9 com ele que s\u00e3o pagos os impostos do Estado e dos concelhos na medida em que estes atingem a classe capitalista, as rendas dos grandes propriet\u00e1rios da terra, etc. \u00c9 sobre ele que descansa todo o estado social existente.<\/p>\n<p>Mesmo assim, seria rid\u00edculo supor que o trabalho n\u00e3o pago s\u00f3 se formou nas condi\u00e7\u00f5es atuais, em que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada, por um lado, por capitalistas e por outro pelos assalariados. Ao contr\u00e1rio, desde sempre a classe oprimida teve que efetuar trabalho n\u00e3o pago. Durante todo o longo per\u00edodo em que a escravid\u00e3o foi a forma dominante de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, os escravos foram obrigados a trabalhar muito mais do que lhes era dado sob a forma de meios de subsist\u00eancia. Sob a domina\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o e at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o das corveias, sucedeu-se o mesmo; e at\u00e9 mesmo aqu\u00ed aparecia, de maneira tang\u00edvel, a diferen\u00e7a entre o tempo em que o lavrador trabalhava para si e a mais-valia que realizava para o senhor, visto que estas duas forma de trabalho se faziam separadamente. A forma \u00e9 hoje diferente, mas a coisa n\u00e3o mudou,<\/p>\n<p>&#8220;<em>uma parte da sociedade possuir o monop\u00f3lio dos meios de produ\u00e7\u00e3o , o trabalhador, livre ou n\u00e3o, \u00e9 for\u00e7ado a acrescentar ao tempo de trabalho necess\u00e1rio para a sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia um mais-valor destinado a sustentar o possuidor dos meios de produ\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;<\/p>\n<p>(Marx, O Capital, Livro I).<\/p>\n<p>No artigo anterior, reparamos que cada oper\u00e1rio que est\u00e1 ao servi\u00e7o do capitalista executa um duplo trabalho: durante uma parte do seu tempo de trabalho, restitui o sal\u00e1rio que lhe adiantara o capitalista, e esta parte do seu trabalho \u00e9 denominado por Marx trabalho necess\u00e1rio. Mas, em seguida, deve continuar a trabalhar ainda e produzir durante este tempo o mais-valor para o capitalista, do que o lucro constitue uma parte importante. Esta parte do trabalho chama-se mais-trabalho.<\/p>\n<p>Suponhamos que o trabalhador trabalha tr\u00eas dias da semana para devolver o seu sal\u00e1rio e outros tr\u00eas para produzir o mais-valor para o capitalista. Isto quer dizer, noutros termos, que trabalha, numa jornada de doze horas, seis di\u00e1rias para o seu sal\u00e1rio e seis horas para criar o mais-valor. Mas uma semana n\u00e3o tem mais de seis dias, e contando o domingo, sete t\u00e3o s\u00f3, assim que cada dia pode ter seis, oito, dez, doze e at\u00e9 quinze ou mais horas de trabalho. O trabalhador vendeu pelo seu sal\u00e1rio uma jornada de trabalho ao capitalista. Mas, o que \u00e9 um dia de trabalho? Oito horas ou dezoito?<\/p>\n<p>O capitalista tem interesse em fazer a jornada de trabalho t\u00e3o prolongada quanto poss\u00edvel. Quanto mais ampla for, mais mais-valor ter\u00e1 criado. O oper\u00e1rio tem a verdadeira sensa\u00e7\u00e3o de que cada hora de trabalho feita para al\u00e9m da restitui\u00e7\u00e3o do seu sal\u00e1rio, lhe \u00e9 roubada; \u00e9 no seu pr\u00f3prio corpo que sente o que significa trabalhar muito tempo seguido. O capitalista briga pelo seu lucro, o trabalhador pela sua sa\u00fade, por algumas horas de repouso quotidiano, para poder fornecer ainda uma outra atividade humana, fora das horas de trabalho, do sono e da comida. Notemos de passagem que n\u00e3o depende da boa vontade dos capitalistas tomados isoladamente, que queiram ou n\u00e3o comprometer-se nesta luta, a concorr\u00eancia obriga o mais filantropo dentre eles a aliar-se com os seus colegas e a fazer cumprir uma jornada de trabalho como a daqueles.<\/p>\n<p>A luita pela limita\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho data do primeiro surgimento dos trabalhadores livres na hist\u00f3ria e dura at\u00e9 hoje. Nas v\u00e1rias ind\u00fastrias existem normas diversas \u00e0 jornada de trabalho; mas na realidade, s\u00e3o raramente observadas. \u00c9 somente nos casos em que a lei determina a jornada de trabalho e verifica a sua observa\u00e7\u00e3o, que se pode falar verdadeiramente de uma jornada de trabalho normal. E at\u00e9 hoje unicamente nos distritos industriais da Inglaterra. Aqu\u00ed, a jornada de trabalho de dez horas (10 horas e meia durante cinco horas dias e sete horas e meia ao S\u00e1bado) foi fixada para todas as mulheres e para os jovens entre os 13 e os 18 anos, e como os homens n\u00e3o podem trabalhar sem estes \u00faltimos, ficam, tamb\u00e9m eles, sujeitos \u00e0 lei da jornada de dez horas.<\/p>\n<p>Esta lei foi uma conquista dos oper\u00e1rios das f\u00e1bricas da Inglaterra atrav\u00e9s de longos anos de persist\u00eancia, pela luta mais tenaz e obstinada contra os fabricantes, pela liberdade de imprensa, pelo direito de associa\u00e7\u00e3o e de reuni\u00e3o, ademais de aproveitar as divis\u00f5es no seio da pr\u00f3pria classe dominante. A lei transformou-se na salvaguarda dos oper\u00e1rios ingleses, e alargada pouco a pouco a todos os ramos da ind\u00fastria e, no ano passado, a quase todos os of\u00edcios, ou pelo menos a todos aqueles empregados por mulheres e meninos. Sobre a hist\u00f3ria desta regulamenta\u00e7\u00e3o legal da jornada de trabalho na Inglaterra, a obra possui uma documenta\u00e7\u00e3o extremamente pormenorizada.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo &#8220;Reichstag da Alemanha do Norte&#8221; ir\u00e1 igualmente discutir uma lei industrial, e consequentemente, ajustar o trabalho nas f\u00e1bricas. Aguardamos que nenhum dos deputados que deve a sua elei\u00e7\u00e3o aos trabalhadores alem\u00e3es, ir\u00e1 para a discuss\u00e3o sem se ter familiarizado antes com o livro de Marx.<\/p>\n<p>Podem obter muito. As divis\u00f5es nas classes reinantes s\u00e3o mais favor\u00e1veis aos trabalhadores do que nunca foram na Inglaterra, pois o sufr\u00e1gio universal compele as classes dominantes a procurar o favor dos oper\u00e1rios. Nestas circunst\u00e2ncias, quatro ou cinco representantes do proletariado s\u00e3o uma pot\u00eancia se souberem aproveitar a sua situa\u00e7\u00e3o, se sobretudo souberem do que se trata, coisa que os burgueses n\u00e3o percebem. E, por isso, o livro de Marx fornece-lhes a documenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 elaborada.<\/p>\n<p>Deixaremos de lado uma s\u00e9rie de outras investiga\u00e7\u00f5es espl\u00eandidas, de interesse mais te\u00f3rico, e contentar-nos-emos abordando o cap\u00edtulo final que trata da acumula\u00e7\u00e3o do capital. Demonstra-se que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, \u00e9 dizer, realizado pelos capitalistas, por um lado, e poeos assalariados por outro, n\u00e3o s\u00f3 reproduz sempre o capital ao capitalista, mas produz sempre, simultaneamente tamb\u00e9m, a mis\u00e9ria dos trabalhadores, e que isto faz de forma a reproduzir sempre, de um lado os capitalistas, que s\u00e3o os propriet\u00e1rios de todos os meios de subsist\u00eancia, de todas as mat\u00e9rias-primas e de todos os instrumentos de trabalho, por outro, a grande massa dos oper\u00e1rios que s\u00e3o constrangidos a vender a sua for\u00e7a de trabalho a estes capitalistas por uma certa quantidade de meios de subsist\u00eancia apenas suficientes, no melhor dos casos, para os conservar em estado de trabalhar e para fazer crescer uma nova gera\u00e7\u00e3o de prolet\u00e1rios aptos para o trabalho.<\/p>\n<p>Mas o capital n\u00e3o se limita apenas a ser reproduzido: est\u00e1 continuamente se multiplicado e ampliando, e com ele, o seu poder sobre a classe dos trabalhadores, privados de propriedade. E enquanto se reproduz em propor\u00e7\u00f5es cada vez mais grandes, o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista moderno reproduz assim mesmo, em propor\u00e7\u00f5es cada vez mais grandes e em n\u00famero sempre crescente, a classe dos oper\u00e1rios privados de propriedade.<\/p>\n<p>&#8220;<em>A acumula\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o faz mais que reproduzir as rela\u00e7\u00f5es do capital numa escala mais alargada, com mais capitalistas ou mais grandes capitalistas por um lado, mais assalariados por outro\u2026 A acumula\u00e7\u00e3o do capital \u00e9, ent\u00e3o, ao mesmo tempo, aumento do proletariado<\/em>&#8221; (Marx, O Capital, Tomo 3) .<\/p>\n<p>Mas, como para produzir todavia a mesma quantidade de produtos, precisam-se cada vez menos trabalhadores, gra\u00e7as ao progresso do maquinismo, \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, etc., como este aperfei\u00e7oamento, isto \u00e9, este excedente de trabalhadores, aumenta mais rapidamente que o capital crescente, o que \u00e9 que se faz com este sempre crescente de oper\u00e1rios? Formam um ex\u00e9rcito industrial de reserva que, durante os momentos de maus neg\u00f3cios ou mediocres, \u00e9 pago abaixo do valor do seu trabalho e ocupado irregularmente ou cai ainda na assist\u00eancia p\u00fablica, mas \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio \u00e0 classe capitalista para os momentos de actividade particularmente viva dos neg\u00f3cios, como se viu de modo tang\u00edvel na Inglaterra, mas que, de qualquer maneira, vale para desbaratar a resist\u00eancia dos oper\u00e1rios ocupados regularmente e manter os seus sal\u00e1rios a baixo n\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Quanto mais a riqueza social crescer\u2026 mais numerosa \u00e9 a sobrepopula\u00e7<\/em><em>\u00e3o comparativamente ao ex\u00e9rcito de reserva industrial. Quanto mais este ex\u00e9rcito de reserva aumenta comparativamente ao ex\u00e9rcito ativo do trabalho e mais massiva \u00e9 a sobrepopula\u00e7\u00e3o permanente, mais estas camadas compartem a sorte de L\u00e1zaro e quanto o ex\u00e9rcito de reserva \u00e9 mais crescente, mais grande \u00e9 a pauperiza\u00e7\u00e3o oficial. Esta \u00e9 a lei geral, absoluta da acumula\u00e7\u00e3o capitalista<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>(Marx, O Capital, Tomo 3)<\/p>\n<p>Esta s\u00e3o, certificadas de uma maneira rigorosamente cient\u00edfica \u2014 que os economistas oficiais evitam quando n\u00e3o tentam refut\u00e1-las \u2014 algumas das leis principais do sistema capitalista moderno. E logo assim dissemos tudo? Disso nada. Com a mesma clareza com que Marx sublinha o lado nocivo da produ\u00e7\u00e3o capitalista, prova, tamb\u00e9m de modo claro, que esta forma\u00e7\u00e3o social era necess\u00e1ria para desenvolver as for\u00e7as produtivas da sociedade at\u00e9 ao grau tal que permitisse o mesmo desenvolvimento verdadeiramente humano para todos os membros da sociedade. Todas as forma\u00e7\u00f5es sociais anteriores foram demasiadamente pobres para isso. S\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o capitalista cria as riquezas e as for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias, mas cria simultaneamente, com a massa dos trabalhadores oprimidos, a classe social que cada vez mais \u00e9 obrigada a exigir o uso dessas riquezas e for\u00e7as produtivas em favor de toda a sociedade e n\u00e3o, tal como hoje \u00e9, para uma classe monopolista.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/marxists.org\/portugues\/marx\/1868\/03\/28-ga.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/marxists.org\/portugues\/marx\/1868\/03\/28-ga.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Marxists.org\n\n\n\n\nComemorado o anivers\u00e1rio de 192 anos de nascimento de Karl Marx, O PCB o homenageia nas palavras de Engels.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/447\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-447","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-marxismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7d","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}