{"id":4488,"date":"2013-03-18T18:15:43","date_gmt":"2013-03-18T18:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4488"},"modified":"2013-03-18T18:15:43","modified_gmt":"2013-03-18T18:15:43","slug":"endividamento-global-aumenta-em-us-30-trilhoes-desde-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4488","title":{"rendered":"Endividamento global aumenta em US$ 30 trilh\u00f5es desde 2007"},"content":{"rendered":"\n<p>O endividamento de governos, empresas n\u00e3o financeiras e fam\u00edlias aumentou em US$ 30 trilh\u00f5es globalmente desde 2007, quando come\u00e7ou a crise econ\u00f4mica. O incremento representa cerca de 40% do PIB mundial.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 do Banco Internacional de Compensa\u00e7\u00f5es (BIS), banco central dos bancos centrais, que utiliza a cifra para alertar para os riscos do descompasso entre o otimismo atual nos mercados financeiros e a persistente debilidade da economia real.<\/p>\n<p>O banco nota que a fragilidade econ\u00f4mica tem proporcionado uma forte flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e certa modera\u00e7\u00e3o no rigor fiscal nos pa\u00edses, alimentando a percep\u00e7\u00e3o de que o pior j\u00e1 passou e encorajando investidores para ativos de maior risco.<\/p>\n<p>Ao diminuir os fluxos para mercados considerados portos seguros, essa situa\u00e7\u00e3o aumentou os investimentos em renda vari\u00e1vel e instrumentos de d\u00edvida de maior rentabilidade, incluindo os ativos de emergentes e da periferia da zona do euro.<\/p>\n<p>Para Stephen Cecchetti, economista-chefe do BIS, seguramente \u00e9 bom que as a\u00e7\u00f5es adotadas tenham reduzido riscos e &#8220;naturalmente isso vai estimular valores de ativos, melhorando condi\u00e7\u00f5es financeiras e, no \u00faltimo caso, empurrando o crescimento&#8221;.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que preocupa o BIS \u00e9 que a din\u00e2mica dos mercados tenha se tornado mais e mais dependente de est\u00edmulos de bancos centrais e de governos. Para o BIS, as pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal est\u00e3o chegando ao seu limite. &#8220;Pol\u00edtica expansionista, especialmente a acomoda\u00e7\u00e3o de bancos centrais, n\u00e3o pode resolver problemas estruturais&#8221;, alerta Cecchetti.<\/p>\n<p>Para o BIS, uma raz\u00e3o para ser c\u00e9tico sobre a efic\u00e1cia de maior est\u00edmulo fiscal ou afrouxamento monet\u00e1rio, que continuam no radar de v\u00e1rios pa\u00edses, \u00e9 o n\u00edvel da &#8220;d\u00edvida muito alta e que continua a aumentar&#8221; desde 2007.<\/p>\n<p>&#8220;A composi\u00e7\u00e3o (da d\u00edvida) varia de pa\u00eds para pa\u00eds. Em alguns lugares a alta \u00e9 concentrada no governo, em outros em empresas n\u00e3o financeiras, mas, no geral, a d\u00edvida aumentou em cada pa\u00eds de que temos dados&#8221;, afirmou Cecchetti, ao apresentar o relat\u00f3rio trimestral com uma fotografia das finan\u00e7as internacionais.<\/p>\n<p>&#8220;O que isso significa para a capacidade das autoridades em fazer crescimento? Indiferente do que voc\u00ea pensa sobre isso, expans\u00e3o geralmente exige mesmo mais empr\u00e9stimos, pela autoridade fiscal ou pelo setor privado. Mas as fam\u00edlias ou firmas j\u00e1 sobrecarregadas (de d\u00edvidas) podem n\u00e3o querer, nem deveriam, pegar mais empr\u00e9stimos, e o mesmo vale para o governo&#8221;, acrescentou o economista-chefe do BIS.<\/p>\n<p>Cecchetti chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, enquanto os pre\u00e7os de ativos sobem e as firmas emitem mais t\u00edtulos de d\u00edvida, os investimentos nas grandes economias n\u00e3o foram retomados. Para o BIS, est\u00e1 mais do que na hora de iniciar uma longa lista de reformas estruturais. &#8220;O retorno dessas reformas s\u00f3 vem com o tempo. Aumentar d\u00edvida p\u00fablica e privada at\u00e9 que n\u00e3o consigamos mais financiar isso n\u00e3o \u00e9 substituto para as reformas&#8221;, defende o economista.<\/p>\n<p>Segundo o BIS, os bancos brasileiros reduziram em US$ 7,9 bilh\u00f5es sua exposi\u00e7\u00e3o no exterior no terceiro trimestre de 2012, com queda de 59,3% na Argentina. A exposi\u00e7\u00e3o declinou de US$ 105,9 bilh\u00f5es no segundo semestre para US$ 98 bilh\u00f5es no terceiro. Os bancos tiraram US$ 3 bilh\u00f5es da Europa e aumentaram o mesmo montante nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas sugerem, porem, que a alta exposi\u00e7\u00e3o dos bancos brasileiros na Argentina entre abril-junho tinha sido algo excepcional. Em setembro de 2011, os bancos brasileiros tinham apenas US$ 3,7 bilh\u00f5es no pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Consumo e cr\u00e9dito em alta<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Mais investidores est\u00e3o apostando nos setores de consumo e cr\u00e9dito este ano. Dados da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (Bovespa) mostram que as aplica\u00e7\u00f5es em fundos lastreados de empresas dos dois segmentos da atividade econ\u00f4mica foram as que mais cresceram nos dois primeiros meses de 2013. No per\u00edodo, o total movimentado no fundo CSMO11, que representa uma cesta de a\u00e7\u00f5es de companhias da \u00e1rea do consumo e \u00e9 negociado no preg\u00e3o, j\u00e1 corresponde a um ter\u00e7o de todo o montante de R$ 29,4 milh\u00f5es registrado em 2012 \u2014 em 2011, foram R$ 27 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem motivo. Entre os 15 fundos de \u00edndices negociados na Bovespa, o de consumo \u2014 com pap\u00e9is da Ambev, do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, das Lojas Americanas e da Renner, entre outros \u2014 foi o que mais se valorizou no ano passado. Ele teve ganho de 40,4% (ou de 39,65%, descontada a taxa de administra\u00e7\u00e3o), batendo todas as aplica\u00e7\u00f5es financeiras. Superou at\u00e9 o pr\u00f3prio Ibovespa, \u00edndice mais conhecido \u2014 correspondente a mais de 80% dos pap\u00e9is mais negociados no preg\u00e3o brasileiro \u2014, que fechou 2012 com alta de apenas 7,4% (veja gr\u00e1ficos). Isso depois de passar tr\u00eas trimestres no campo negativo e estar, este ano, no vermelho.<\/p>\n<p>O total negociado no FIND11 \u2014 que re\u00fane institui\u00e7\u00f5es financeiras listadas em bolsa, como o Bradesco, o Banco do Brasil e o Ita\u00fa Unibanco \u2014, por sua vez, \u00e9 mais expressivo ainda, de R$ 12,7 milh\u00f5es, praticamente a metade de todo o montante registrado em 2012, que foi de R$ 22,5 milh\u00f5es. Ele rendeu 12,7% no ano passado, menos que o ligado ao consumo, por\u00e9m quase o dobro do Ibovespa.<\/p>\n<p>Conforme reportagem do Correio publicada na \u00faltima segunda-feira, embora o Ibovespa seja o indicador mais divulgado para representar o desempenho da bolsa, que n\u00e3o anda muito bem nos \u00faltimos anos, h\u00e1 outros \u00edndices e pap\u00e9is que est\u00e3o com valoriza\u00e7\u00f5es mais altas por estarem acompanhando a mudan\u00e7a do cen\u00e1rio econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Como o peso de a\u00e7\u00f5es das empresas exportadoras como Petrobras, Vale e sider\u00fargicas \u00e9 maior em sua composi\u00e7\u00e3o, o Ibovespa acaba tendo um resultado pior do que apresentado pela maioria dos pap\u00e9is negociados. \u00c9 que essas companhias de commodities t\u00eam sofrido fortes desvaloriza\u00e7\u00f5es em virtude da crise internacional, da diminui\u00e7\u00e3o da demanda externa e das interfer\u00eancias do governo, caso da estatal do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>J\u00e1 os \u00edndices que t\u00eam em sua composi\u00e7\u00e3o a\u00e7\u00f5es voltadas ao mercado interno t\u00eam tido valoriza\u00e7\u00e3o bem maior. Rog\u00e9rio Oliveira, analista da Icap do Brasil, e Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, acreditam que, para este ano, as oportunidades de ganhos est\u00e3o com essas empresas novamente, destacando as de consumo e as de bancos.<\/p>\n<p>&#8220;O bom mix \u00e9 ter uma carteira focada na economia interna&#8221;, afirma Oliveira. Pedro Azzam, economista da RJ Investimentos, escrit\u00f3rio afiliado \u00e0 XP Investimentos, avalia que o setor de consumo tende a continuar se valorizando, mas n\u00e3o tanto como no ano passado. O investimento em a\u00e7\u00f5es \u00e9 de alto risco, por isso, o pequeno investidor deve destinar, no m\u00e1ximo, 25% das suas economias para esse mercado.<\/p>\n<p>Como aplicar<\/p>\n<p>Qualquer poupador pode investir em um desses fundos lastreados em \u00edndices baseados em uma cesta de a\u00e7\u00f5es de companhias de determinado setor da atividade econ\u00f4mica ou que t\u00eam caracter\u00edsticas comuns, como companhias que pagam melhores dividendos ou as que t\u00eam menos negocia\u00e7\u00e3o na bolsa (caso das chamadas smallcaps).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o investidor n\u00e3o aplica diretamente nos \u00edndices e, sim, em fundos fechados, que replicam a sua composi\u00e7\u00e3o \u2014 o tipo de a\u00e7\u00e3o e a quantidade dos quais o indicador \u00e9 formado. Conhecidos como ETFs (Exchange Trade Funds), eles s\u00e3o negociados diretamente no preg\u00e3o da bolsa. Para cada um, existe apenas um fundo, ambos regulados pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM). Alguns fundos imobili\u00e1rios s\u00e3o do tipo ETF e est\u00e3o listados na Bovespa.<\/p>\n<p>Assim, o pequeno investidor pode comprar ou vender uma cota ou um lote de um ETF tal como uma outra a\u00e7\u00e3o qualquer, at\u00e9 mesmo por meio da plataforma homebroker dispon\u00edvel nos portais das corretoras, em vez de adquirir pap\u00e9is separadamente por conta pr\u00f3pria. Os ETFs v\u00eam ganhando o gosto dos investidores desde que come\u00e7aram a invadir a bolsa, em 2008. De l\u00e1 para c\u00e1, o volume negociado j\u00e1 cresceu 160%. No ano passado, enquanto o montante movimentado por todos os ativos aumentou apenas 10%, o dos ETFS teve salto de 134%, pulando de R$ 1,7 bilh\u00e3o para R$ 28,5 bilh\u00f5es no per\u00edodo. O Ibovespa tamb\u00e9m tem o seu ETF, \u00e9 o de c\u00f3digo BOV11.<\/p>\n<p>Alternativa<\/p>\n<p>O pequeno investidor ainda tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o os tradicionais fundos de a\u00e7\u00f5es oferecidos pelos bancos, que podem seguir a composi\u00e7\u00e3o do Ibovespa ou de algum setor espec\u00edfico. Nesse caso, \u00e9 a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o que a estabelece e administra o momento de comprar e vender os pap\u00e9is, promovendo altera\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas para tentar melhorar o desempenho caso alguma a\u00e7\u00e3o da carteira esteja indo mal. A taxa de administra\u00e7\u00e3o cobrada \u2014 em geral, de 1,6% a 3% ao ano \u2014 \u00e9 maior que a dos ETFs (entre 0,38% e 0,69% ao ano), o que come uma parte maior do ganho bruto.<\/p>\n<p>J\u00e1 a carteira dos ETFs n\u00e3o pode ser alterada. Uma vez definida a composi\u00e7\u00e3o com a quantidade especificada de cada papel, n\u00e3o muda mais. Sua rentabilidade vai refletir aquela composi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es fixa e pode ser conferida diariamente no portal da Bovespa ou em sites de investimentos.<\/p>\n<p>&#8220;A vantagem de aplica\u00e7\u00e3o em fundos de a\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es financeiras depender\u00e1 da efici\u00eancia do gestor, pois ele poder\u00e1 mexer na carteira, comprando e vendendo, para adequ\u00e1-la aos pap\u00e9is que estejam melhores em determinado momento&#8221;, afirma Pedro Azzam, da RJ Investimentos.<\/p>\n<p>No ano passado, entre os principais fundos de a\u00e7\u00f5es do segmento de consumo das institui\u00e7\u00f5es financeiras, apenas o da XP Investimentos superou o ganho do CSMO11 listado na bolsa. Tantos os fundos de a\u00e7\u00f5es oferecidos nas ag\u00eancias banc\u00e1rias como os ETFs pagam Imposto de Renda de 15% sobre o ganho obtido.<\/p>\n<p>Novo indicador<\/p>\n<p>De olho no crescimento expressivo dos fundos de \u00edndices negociados na Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo, a Gradual Investimentos lan\u00e7a na pr\u00f3xima quinta-feira um novo indicador, o IGB-30, que listar\u00e1 30 a\u00e7\u00f5es de empresas ligadas \u00e0 atividade interna, excluindo as de siderurgia, minera\u00e7\u00e3o, agroneg\u00f3cio e demais exportadoras, que t\u00eam sentido mais a crise externa. A corretora fez uma simula\u00e7\u00e3o e concluiu que, se o \u00edndice existisse desde 2010, teria acumulado ganho de 70% at\u00e9 fevereiro, enquanto o Ibovespa teve perdas de 16% no mesmo per\u00edodo. Far\u00e3o parte do IGB-30 pap\u00e9is de empresas de varejo, constru\u00e7\u00e3o papel e celulose, e bancos. &#8220;O investidor ficar\u00e1 comprado (em a\u00e7\u00f5es) no Brasil&#8221;, resume o economista-chefe da Gradual, Andr\u00e9 Perfeito, sobre a depend\u00eancia externa das empresas de commodities que dominam o Ibovespa. Por enquanto, s\u00f3 ser\u00e1 criado o \u00edndice. O fundo para que investidores possam aplicar nele ser\u00e1 institu\u00eddo mais para frente, ainda sem data definida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BID recomenda reformas para o crescimento da Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Para atingir um n\u00edvel de crescimento maior, levando em conta as estimativas de um crescimento mundial menor nos pr\u00f3ximos cinco anos, a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe dever\u00e1 implementar reformas estruturais, principalmente relacionadas ao mercado de trabalho e aos investimentos. A recomenda\u00e7\u00e3o faz parte do Informe Macroecon\u00f4mico daAm\u00e9rica Latina e Caribe de 2013, divulgado pelo Banco In-teramericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) \u00e9 de que o crescimento m\u00e9dio da regi\u00e3o de 2013a2017 seja0,9 ponto por-centual menor que de 2003 a 2007, quando foi de 4,8%. Um dos fatores que explicam essa poss\u00edvel desacelera\u00e7\u00e3o \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o das commodities.<\/p>\n<p>O informe tamb\u00e9m aponta certa preocupa\u00e7\u00e3o com o ritmo de investimentos e prev\u00ea uma desacelera\u00e7\u00e3o de 10% para 5% ao ano.<\/p>\n<p>Essa queda, segundo o documento, vai impedir que a regi\u00e3o consiga reduzir sua lacuna de infraes-trutura. H\u00e1 ainda temor com a persist\u00eancia dos ventos contr\u00e1rios que atingem os principais blocos econ\u00f4micos globais.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos do BID apontam que, se as reformas reduzissem o atual n\u00edvel m\u00e9dio de m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o de recursos dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe para o mesmo n\u00edvel dos EUA, poderia haver, em dez anos, um crescimento adicional de 1% ao ano, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>As reformas do mercado de trabalho, segundo o informe, t\u00eam potencial para fomentar o crescimento na regi\u00e3o gra\u00e7as ao impacto na produtividade e na aloca\u00e7\u00e3o de recursos. J\u00e1 o fator mais importante no caso dos investimentos em infraestrutura \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o dos projetos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do BID \u00e9 que, se todos os pa\u00edses da regi\u00e3o realizarem um esfor\u00e7o de reformas similar, o crescimento regional passariade uma alta de 1% ao ano para cerca de 2,3%. &#8220;Isso elevaria o crescimento da regi\u00e3o de menos de 4% ao ano para at\u00e9 mais de 6% nos pr\u00f3ximos anos.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;A guerra cambial j\u00e1 foi declarada&#8217;<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A guerra cambial global j\u00e1 est\u00e1 em andamento e os pa\u00edses que se recusarem a entrar na disputa ser\u00e3o derrotados, diz o economista americano Michael Pettis, que v\u00ea o Brasil pouco equipado para o enfrentamento, em raz\u00e3o do impacto que a eventual desvaloriza\u00e7\u00e3o acentuada da moeda teria sobre a infla\u00e7\u00e3o e o endividamento externo.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o problema das guerras cambiais. N\u00e3o h\u00e1 escolha. Uma vez que elas come\u00e7am, voc\u00ea tem de participar&#8221;, disse em entrevista ao Estado na quarta- feira, em seu escrit\u00f3rio na capital chinesa.<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Pequim, Pettis acaba de lan\u00e7ar o livro The Great Rebalancing: Trade, Conflict, and the Per\u00edlons Road Ahead for the World Economy (O Grande Rebalanceamento: Com\u00e9rcio, Conflito e o Perigoso Caminho Diante da Economia Mundial), no qual sustenta que o mundo ainda tem de corrigir os problemas que estiveram na origem da crise global.<\/p>\n<p>Para ele, os elevados \u00edndices de poupan\u00e7a e consumo que representam os extremos desses desequil\u00edbrios n\u00e3o s\u00e3o reflexo de tra\u00e7os culturais, mas de pol\u00edticas econ\u00f4micas cujo impacto ultrapassa as fronteiras de cada pa\u00eds. A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>\u2022 Na origem da crise financeira estava o desequil\u00edbrio entre o alto consumo dos Estados Unidos e a elevada poupan\u00e7a da China. O mundo retornou a um cen\u00e1rio de equil\u00edbrio?<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. Nos EUA, o n\u00edvel de endividamento diminuiu e o de poupan\u00e7a, aumentou, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para que haja reequil\u00edbrio. Mas est\u00e1 sendo dolorido e lento. Na Europa, n\u00e3o houve re- balanceamento. Eles se reequilibraram ao custo de desemprego extremamente alto, o que n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, e o problema da d\u00edvida se agravou.<\/p>\n<p>\u2022 Na China, houve um pouco de rebalanceamento no ano passado, mas ele foi revertido. O mundo n\u00e3o se reequilibrou. O que falta ser feito?<\/p>\n<p>A Europa tem de resolver seus problemas econ\u00f4micos e h\u00e1 tr\u00eas maneiras poss\u00edveis de isso ocorrer. Uma \u00e9 que os alem\u00e3es aumentem sua demanda dom\u00e9stica de maneira significativa e tenham d\u00e9ficit em conta corrente, o que permitiria que os pa\u00edses europeus perif\u00e9ricos tivessem os super\u00e1vits correspondentes necess\u00e1rios para pagar suas d\u00edvidas. Se os alem\u00e3es n\u00e3o fizerem isso, os pa\u00edses perif\u00e9ricos da Europa continuar\u00e3o a ter elevadas taxas de desemprego por muitos anos. A terceira possibilidade \u00e9 a de os pa\u00edses perif\u00e9ricos deixarem o euro. No caso da China, \u00e9 preciso reduzir o \u00edndice de poupan\u00e7a e elevar o de consumo. A \u00fanica maneira de aumentar o consumo \u00e9 expandir a fatia da renda das fam\u00edlias no PIB, mas isso significa reduzir a fatia do governo, o que enfrenta resist\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u2022 No seu livro, o sr. defende a ideia de que o governo americano deveria restringir a possibilidade de estrangeiros terem ativos em d\u00f3lar. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Muitos dizem que o fato de que todo o mundo compra d\u00f3lares permite que os americanos consumam mais do que eles produzem. Eu digo que o fato de que todo o mundo compra d\u00f3lares for\u00e7a os americanos a consumirem mais do que eles produzem. Se um pa\u00eds acumula reservas em d\u00f3lares e exporta capital para os EUA, esse pa\u00eds tem de ter super\u00e1vit (em conta corrente) e os EUA, d\u00e9ficit. N\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual os pa\u00edses acumulam d\u00f3lares. Quando a China come\u00e7a a acumular iene, os japoneses ficam extremamente insatisfeitos. O mesmo ocorre com a Coreia ou a Europa. Ningu\u00e9m quer o suposto benef\u00edcio de ter uma moeda que \u00e9 usada como reserva de valor.<\/p>\n<p>\u2022 \u00c9 a teoria do saving glut (excesso de poupan\u00e7a)?<\/p>\n<p>Sim. China, Jap\u00e3o e Alemanha adotaram pol\u00edticas que elevaram o \u00edndice de poupan\u00e7a. As pessoas n\u00e3o poupam porque gostam de poupar, mas porque h\u00e1 pol\u00edticas que for\u00e7am o aumento da poupan\u00e7a. E o excesso de poupan\u00e7a em um pa\u00eds requer excesso de consumo em outro. Tem de ser assim, porque a poupan\u00e7a e os investimentos devem ter equil\u00edbrio em \u00e2mbito global. Na d\u00e9cada de 90, a Alemanha tinha d\u00e9ficit em conta corrente. No fim daquela d\u00e9cada, o governo adotou pol\u00edticas para limitar o crescimento dos sal\u00e1rios. De 2000 a 2008, a renda das fam\u00edlias cresceu mais lentamente do que o PIB. Com isso, o n\u00edvel de poupan\u00e7a da Alemanha automaticamente subiu. N\u00e3o foi porque os alem\u00e3es ficaram mais frugais. Eles n\u00e3o tinham escolha. Se o n\u00edvel de poupan\u00e7a dos alem\u00e3es automaticamente subiu, o n\u00edvel de poupan\u00e7a de alguns outros pa\u00edses automaticamente caiu. It\u00e1lia, Espanha, Irlanda, Gr\u00e9cia, Portugal tinham grandes super\u00e1vits nos anos 90. Todos tiveram grandes d\u00e9ficits na d\u00e9cada que antecedeu a crise.<\/p>\n<p>\u2022 Se os desequil\u00edbrios ainda n\u00e3o foram corrigidos, a perspectiva para a economia mundial continua negativa?<\/p>\n<p>Sim. Os desequil\u00edbrios s\u00e3o insustent\u00e1veis e sempre s\u00e3o corrigidos. Normalmente, isso ocorre em condi\u00e7\u00f5es bastante dif\u00edceis. Se todo o mundo chegasse a um acordo sobre o reequil\u00edbrio menos dolorido, isso seria \u00f3timo. Mas a probabilidade de que isso ocorra \u00e9 muito baixa.<\/p>\n<p>\u2022 Qual \u00e9 o risco de uma guerra cambial global, que voltou a ficar em evid\u00eancia com a pol\u00edtica monet\u00e1ria expansionista do Jap\u00e3o?<\/p>\n<p>Guerras cambiais e comerciais s\u00e3o inevit\u00e1veis. \u00c9 uma consequ\u00eancia necess\u00e1ria desses grandes desequil\u00edbrios. \u00c9 muito tolo esperar que isso n\u00e3o ocorra. N\u00e3o h\u00e1 demanda suficiente no mundo e h\u00e1 excesso de capacidade instalada. Todo mundo quer ter uma fatia maior da demanda global e essa \u00e9 a raz\u00e3o das guerras cambiais e comerciais.<\/p>\n<p>\u2022 Como um pa\u00eds como o Brasil pode se defender?<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil. Uma das limita\u00e7\u00f5es da habilidade de um pa\u00eds de jogar a guerra cambial \u00e9 a exist\u00eancia de elevado endividamento externo, porque quanto : mais a moeda se desvaloriza,<\/p>\n<p>: maior a d\u00edvida se torna. A outra limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o risco de aumento na infla\u00e7\u00e3o. Infelizmente, as : duas condi\u00e7\u00f5es se aplicam ao Brasil. Um pa\u00eds como o Brasil ; tem capacidade muito mais limitada de iniciar uma guerra cambial do que muitos outros, o que significa que o Brasil pode terminar entre os perdedores.<\/p>\n<p>\u2022 A guerra cambial j\u00e1 foi declarada?<\/p>\n<p>Sim. Todos os pa\u00edses est\u00e3o tentando aumentar sua fatia da demanda global. Douglas Irwin publicou um livro no ano passado no qual ele reexamina a guerra cambial dos anos 30. O que ele disse \u00e9 que na d\u00e9cada de 30 a guerra cambial n\u00e3o foi feita para tirar vantagens comerciais. Isso est\u00e1 ocorrendo de novo. Os japoneses n\u00e3o est\u00e3o expandindo a oferta de dinheiro para desvalorizar o iene, mas para gerar crescimento dom\u00e9stico, e isso tem como consequ\u00eancia a desvaloriza\u00e7\u00e3o do iene. Os EUA n\u00e3o est\u00e3o engajados em expans\u00e3o monet\u00e1ria quantitativa porque est\u00e3o tentando desvalorizar o d\u00f3lar, mas porque acreditam que isso \u00e9 necess\u00e1rio para evitar uma crise financeira. Mas, n\u00e3o importa a inten\u00e7\u00e3o, isso vai ter impacto no com\u00e9rcio. Uma vez que isso come\u00e7a, os pa\u00edses que n\u00e3o jogam o jogo terminam sendo os perdedores.<\/p>\n<p>\u2022 A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se o Brasil quer ou n\u00e3o jogar o jogo, mas se tem armas para isso?<\/p>\n<p>Sim, e isso \u00e9 o que aconteceu nos anos 30. A Fran\u00e7a desvalorizou sua moeda em 1926 e muitos dizem que eles come\u00e7aram o problema. Por causa da desvaloriza\u00e7\u00e3o, eles come\u00e7aram a acumular ouro e se recusaram a desvalorizar de novo, at\u00e9 1936. Eles tentaram ser respons\u00e1veis. Havia o bloco do ouro e esses pa\u00edses disseram que n\u00e3o jogariam o jogo da desvaloriza\u00e7\u00e3o. Mas suas economias foram ficando cada vez piores at\u00e9 que todos foram for\u00e7ados (a desvalorizar). Esse \u00e9 o problema das guerras cambiais. N\u00e3o h\u00e1 escolha. Uma vez que elas come\u00e7am, voc\u00ea tem de participar.<\/p>\n<p>\u2022 E h\u00e1 o risco de todos perderem?<\/p>\n<p>O que \u00e9 mais prov\u00e1vel \u00e9 que os pa\u00edses diversificados com d\u00e9ficit em conta corrente ganhem e os pa\u00edses com super\u00e1vit em conta corrente percam. Todos est\u00e3o lutando por uma fatia maior da demanda global. Os pa\u00edses com d\u00e9ficit t\u00eam produ\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 sua demanda. Portanto, quando interv\u00eam no com\u00e9rcio, eles podem aumentar sua participa\u00e7\u00e3o na demanda global com a recupera\u00e7\u00e3o de sua fatia (que era suprida por produtos importados). S\u00e3o os pa\u00edses com super\u00e1vit que s\u00e3o vulner\u00e1veis, porque sua produ\u00e7\u00e3o total atende \u00e0 toda sua demanda e mais parte da demanda externa. Se os pa\u00edses entram em guerra comercial, eles v\u00e3o perder essa demanda externa. Os Estados Unidos provavelmente se beneficiariam de uma guerra comercial. Alemanha e China seriam prejudicados.<\/p>\n<p>\u2022 O sr. diz que o crescimento chin\u00eas foi subsidiado com juros baixos, conten\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e moeda desvalorizada. Qual o impacto disso para o restante do mundo?<\/p>\n<p>Isso significa que as exporta\u00e7\u00f5es chinesas s\u00e3o muito competitivas e todos no Brasil sabem disso. A China tem sido muito boa para os produtores de commodities, mas ruim para a ind\u00fastria manufatureira. Mas isso vai mudar. Rebalancear significa, por defini\u00e7\u00e3o, que esses subs\u00eddios ter\u00e3o de ser eliminados. A moeda tem de se valorizar, os juros t\u00eam de ser elevados e sal\u00e1rios t\u00eam de subir. Se eles fizeram isso, a competitividade do setor de produtos comercializ\u00e1veis vai diminuir, o que seria muito bom para a ind\u00fastria brasileira. Mas, para o setor de commodities minerais, o impacto seria negativo. Se h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de investimentos, a demanda por commodities minerais tamb\u00e9m vai diminuir.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dilma deve vetar parte dos novos setores desonerados<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo pode vetar boa parte dos 33 setores inclu\u00eddos pelo Congresso Nacional na lista dos beneficiados pela desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. Encaminhada em setembro de 2012 com 15 segmentos econ\u00f4micos, a Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 582, aprovada em fevereiro pelos deputados e senadores, ampliou o benef\u00edcio para mais 33 setores. A presidente tem at\u00e9 2 de abril para sancionar a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Se a \u00e1rea econ\u00f4mica atendesse todos os pedidos do Congresso, a substitui\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o previd\u00eancia de 20% sobre a folha de pagamento por um percentual sobre o faturamento passaria a contemplar 75 setores &#8211; j\u00e1 considerando o setor varejista e de constru\u00e7\u00e3o civil que a partir de abril ser\u00e3o contemplados com a medida.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo de incerteza com rela\u00e7\u00e3o ao crescimento da economia e, consequentemente sobre o comportamento da arrecada\u00e7\u00e3o de tributos, os t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Fazenda querem, com o veto de boa parte da lista do Congresso Nacional, ganhar mais tempo para avaliar caso a caso os setores inclu\u00eddos e o impacto efetivo para o ganho de competitividade. Al\u00e9m disso, a concess\u00e3o do benef\u00edcio para mais segmentos implica em ren\u00fancia fiscal. Com a inclus\u00e3o do com\u00e9rcio varejista e da constru\u00e7\u00e3o civil, 42 setores est\u00e3o sendo beneficiados com a desonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios neste ano. Somente com esse incentivo, o governo vai deixar de recolher R$ 16 bilh\u00f5es em 2013.<\/p>\n<p>Entre os novos segmentos inseridos na MP n\u00ba 582 est\u00e3o empresas de transporte ferrovi\u00e1rio e metrovi\u00e1rio de passageiros, servi\u00e7os de infraestrutura aeroportu\u00e1ria, empresas que recolhem e recuperam res\u00edduos s\u00f3lidos, transporte a\u00e9reo de passageiros e de carga n\u00e3o regular (taxi-a\u00e9reo), empresas jornal\u00edsticas, entre outros. Se algum desses for atendido, provavelmente, dever\u00e1 ser o de transporte de passageiros.<\/p>\n<p>O veto n\u00e3o significa, contudo, que novos setores da economia deixar\u00e3o de ser atendidos neste ano. A Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 601, que trata dentre outros pontos da desonera\u00e7\u00e3o da folha para o setor de com\u00e9rcio varejista e constru\u00e7\u00e3o civil, j\u00e1 recebeu 124 emendas, sendo que boa parte delas insistem na amplia\u00e7\u00e3o da medida para, pelo menos, 10 segmentos da economia j\u00e1 citados na MP n\u00ba 582.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio governo vem ressaltando que pretende desonerar todos os setores interessados, por\u00e9m, tudo depende de margem fiscal. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Fernando Pimentel, refor\u00e7ou, que, se poss\u00edvel, o governo vai desonerar toda a ind\u00fastria manufatureira at\u00e9 o final do mandato da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Neste ano, o Executivo poder\u00e1 deduzir at\u00e9 R$ 20 bilh\u00f5es em desonera\u00e7\u00f5es da meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio. A desonera\u00e7\u00e3o da folha tem sido um instrumento da \u00e1rea econ\u00f4mica para reduzir custos trabalhistas e ajudar no aumento do n\u00famero de postos de trabalho e no controle da infla\u00e7\u00e3o. Para uma fonte da \u00e1rea econ\u00f4mica, &#8220;a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos deve implicar em um ganho de caixa para as empresas investirem mais, formalizarem mais a m\u00e3o-de-obra e, claro, pressiona menos eventuais reajustes regulares do setor&#8221;.<\/p>\n<p>A possibilidade da ades\u00e3o \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o da folha ser facultativa para as empresas, inclu\u00edda no texto encaminhado \u00e0 presidente, tamb\u00e9m dever\u00e1 ser vetada. A justificativa da \u00e1rea econ\u00f4mica \u00e9 de que dificultaria a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atualiza\u00e7\u00e3o da receita bruta das empresas para que possam optar pelo lucro presumido (regime simplificado de tributa\u00e7\u00e3o) tamb\u00e9m foi inserida na MP n\u00ba 582. O teto de faturamento, congelado h\u00e1 10 anos, foi atualizado de R$ 48 milh\u00f5es para R$ 72 milh\u00f5es pelos parlamentares. A Receita Federal est\u00e1 calculando o impacto da medida para a arrecada\u00e7\u00e3o de tributos. A partir da\u00ed, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidir\u00e1 sobre a atualiza\u00e7\u00e3o dos valores.<\/p>\n<hr \/>\n<p>S\u00f3 o Brasil perde na Argentina entre maiores exportadores<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Ceder \u00e0 Argentina o t\u00edtulo de pa\u00eds natal do novo papa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o da Provid\u00eancia divina e at\u00e9 motivo de al\u00edvio no governo brasileiro, que temia um Sumo Pont\u00edfice pr\u00f3ximo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o no Brasil, capaz de influenciar assuntos terrenos em per\u00edodo eleitoral. Problema, com o vizinho, \u00e9 o Brasil perder espa\u00e7o naquele mercado para outros s\u00f3cios comerciais: a queda nas importa\u00e7\u00f5es argentinas e no super\u00e1vit comercial com o pa\u00eds foi maior para o Brasil que para todos os outros principais s\u00f3cios em 2012, segundo estudo conclu\u00eddo pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), com dados da consultoria argentina Abeceb.com. As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras ao vizinho ca\u00edram 18% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, e o saldo encolheu 65%.<\/p>\n<p>S\u00f3 as importa\u00e7\u00f5es provenientes do Canad\u00e1 ca\u00edram na mesma propor\u00e7\u00e3o da retra\u00e7\u00e3o brasileira (embora a queda seja bem menor, em termos absolutos). E, entre os cinco maiores s\u00f3cios comerciais da Argentina, todos os outros tiveram melhoria em seu saldo de com\u00e9rcio &#8211; de 52% para a Alemanha, 29% para os EUA e 14% para a China. A Argentina, enquanto reduzia compras do Brasil, aumentou em 160% as da Holanda, 9% as dos EUA, 7% as do Jap\u00e3o e 2% da Alemanha.<\/p>\n<p>O aumento de compras de energia el\u00e9trica pelo Brasil, a import\u00e2ncia do pa\u00eds, que representa cerca de 20% do total de importa\u00e7\u00f5es no mercado argentino, e as caracter\u00edsticas do com\u00e9rcio, com forte influ\u00eancia dos autom\u00f3veis e bens de capital, explicam boa parte do mau desempenho brasileiro. Mas os n\u00fameros levantam desconfian\u00e7as de excessos contra o Brasil.<\/p>\n<p>Brasil perde espa\u00e7o no com\u00e9rcio com a Argentina<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que a Argentina leva governos e empres\u00e1rios vizinhos a cair na tenta\u00e7\u00e3o de rever as bases do acordo que criou o Mercosul como uni\u00e3o aduaneira &#8211; onde, na teoria, bens e servi\u00e7os circulariam sem limita\u00e7\u00f5es. Na semana passada, o presidente do Uruguai, Jos\u00e9 Mujica, repetiu um velho cantoch\u00e3o uruguaio e declarou aos jornais que os s\u00f3cios do Mercosul estariam melhor sem o voto de obedi\u00eancia ao bloco. Empres\u00e1rios brasileiros tamb\u00e9m se queixam de que \u00e9 mais f\u00e1cil fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha que atravessar as alf\u00e2ndegas platinas com certas mercadorias.<\/p>\n<p>Em 2004, menos de 4% das vendas brasileiras \u00e0 Argentina sofriam algum tipo de restri\u00e7\u00e3o na alf\u00e2ndega. Em 2008, esse percentual j\u00e1 havia subido a 13,5% e, em 2011, a 20%, conforme levantamento da CNI. Em 2012, chegou-se ao inferno dos 100%, com a imposi\u00e7\u00e3o de um verdadeiro purgat\u00f3rio burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Nos preparativos para o encontro marcado entre as presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, e Dilma Rousseff, do Brasil (adiado sem data certa ap\u00f3s a morte do presidente da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez), as autoridades brasileiras chegaram a pedir que os argentinos eliminassem, pelo menos para s\u00f3cios do Mercosul, a famigerada Declara\u00e7\u00e3o Juramentada Antecipada de Informa\u00e7\u00f5es (Djai), penit\u00eancia alfandeg\u00e1ria exigida de todos os produtos que atravessam a fronteira. Os negociadores argentinos lavaram as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Criada no ano passado, como parte do esfor\u00e7o argentino para garantir folga nas contas externas, a Djai \u00e9 o principal mecanismo heterodoxo de controle sobre importa\u00e7\u00f5es. Atrasando ou simplesmente brecando a emiss\u00e3o das Djai, o governo argentino administra sua balan\u00e7a comercial, que, em 2012, teve um saldo comercial de quase US$ 12,7 bilh\u00f5es, gra\u00e7as, principalmente, ao calv\u00e1rio imposto aos importadores no pa\u00eds. As exporta\u00e7\u00f5es argentinas, ali\u00e1s, ca\u00edram 7% em 2012.<\/p>\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o do pedido brasileiro confirma a suspeita de que o controle informal das importa\u00e7\u00f5es incorporou-se definitivamente ao credo argentino em mat\u00e9ria de com\u00e9rcio. O Observat\u00f3rio de Defesa Comercial da CNI definiu o ano de 2012, como um &#8220;ponto de inflex\u00e3o&#8221; nas heresias comerciais do vizinho, pelo volume de medidas: al\u00e9m da Djai, a Argentina, em 2012, criou uma &#8220;Djas&#8221;, para os servi\u00e7os; passou a atrasar a emiss\u00e3o de licen\u00e7as de importa\u00e7\u00e3o (medida suavizada nos \u00faltimos meses, ap\u00f3s queixas dos principais parceiros comerciais); criou &#8220;valores-crit\u00e9rio&#8221;, pre\u00e7os m\u00ednimos para produtos importados; e os planos &#8220;uno por uno&#8221;, em que, para liberar os pap\u00e9is de importa\u00e7\u00e3o, o governo passou a exigir que se exportassem mercadorias no mesmo valor.<\/p>\n<p>Consideradas blasf\u00eamia grave no sistema multilateral, essas iniciativas argentinas foram contestadas na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), onde Uni\u00e3o Europeia, Jap\u00e3o e Estados Unidos abriram pain\u00e9is contra as medidas do governo Cristina Kirchner. O M\u00e9xico amea\u00e7ou, mas abandonou a disputa em troca de cotas de exporta\u00e7\u00e3o de carros na Argentina &#8211; que, como o Brasil, havia decidido rever o com\u00e9rcio administrado com os mexicanos.<\/p>\n<p>Para o economista Dante Sica, da consultoria Abeceb.com, a balan\u00e7a comercial ser\u00e1 o principal impulso para a economia argentina, com a ben\u00e7\u00e3o da melhoria no cen\u00e1rio externo, de maiores pre\u00e7os de commodities e melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas nos maiores mercados. No campo da rela\u00e7\u00e3o bilateral, o com\u00e9rcio Brasil-Argentina tem pouco espa\u00e7o para melhorar, mas \u00e9 nos investimentos de um pa\u00eds no outro que est\u00e3o as principais oportunidades de preparar os s\u00f3cios do Mercosul para um relacionamento maduro com a regi\u00e3o da \u00c1sia e do Pac\u00edfico, que promete ser o polo mais din\u00e2mico da economia mundial nos pr\u00f3ximos anos, avalia Sica.<\/p>\n<p>H\u00e1 consenso entre os dois governos de que \u00e9 preciso seguir esse caminho e incentivar a integra\u00e7\u00e3o produtiva entre os s\u00f3cios do Mercosul. Cabe a\u00ed, por\u00e9m, um velho chav\u00e3o: o diabo est\u00e1 nos detalhes. O futuro dessas dif\u00edceis conversas sobre integra\u00e7\u00e3o depender\u00e1 da sinaliza\u00e7\u00e3o emitida pelos pa\u00edses aos potenciais investidores &#8211; como, por exemplo, a forma como o governo argentino administrar a recente decis\u00e3o da Vale de suspender seus investimentos no bilion\u00e1rio projeto Rio Colorado, de extra\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio no pa\u00eds. Por enquanto, o governo Kirchner proibiu demiss\u00f5es, amea\u00e7ou confiscar a mina onde a Vale enterrou US$ 2,2 bilh\u00f5es e trata a quest\u00e3o como uma afronta nacional.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria deve investir menos<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Apesar de todos os esfor\u00e7os do governo, a ind\u00fastria brasileira de transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o ganhou confian\u00e7a para desengavetar novos projetos de investimento em 2013. Ao contr\u00e1rio, o setor pretende investir este ano 9,5% menos que em 2012. O valor dever\u00e1 cair de R$ 218 bilh\u00f5es para R$ 197,3 bilh\u00f5es, de acordo com uma pesquisa de inten\u00e7\u00e3o de investimento que acaba de ser tabulada pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp).<\/p>\n<p>Para chegar a esses n\u00fameros, a entidade ouviu mais de 1,2 mil empresas com f\u00e1bricas em todo o Pa\u00eds, entre os dias 22 de janeiro e 23 de fevereiro deste ano.<\/p>\n<p>O resultado surpreendeu o diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp, Jos\u00e9 Ricardo Roriz Coelho, respons\u00e1vel pela pesquisa. Tanto que mandou auditar os dados. Ele esperava alguma retomada do investimento depois de o governo Dilma Rousseff ter lan\u00e7ado 15 pacotes de medidas para incentivar o setor produtivo. O \u00faltimo, anunciado quinta feira, liberou R$ 33 milh\u00f5es para financiar projetos de empresas privadas na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento.<\/p>\n<p>&#8220;O governo fez muitas coisas corajosas no ano passado, como o corte na taxa b\u00e1sica de juros, a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos, a redu\u00e7\u00e3o do custo da energia el\u00e9trica e mesmo com o c\u00e2mbio&#8221;, cita Roriz Coelho. &#8220;Mesmo assim, a pesquisa est\u00e1 indicando que ainda existem muitas d\u00favidas do empres\u00e1rio em investir, em aumentar a capacidade de sua f\u00e1brica e depois n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es competitivas para vender a produ\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O diretor da Fiesp n\u00e3o foi o \u00fanico a ser surpreendido pela resposta das ind\u00fastrias. &#8220;\u00c9 uma ducha de \u00e1gua fria nas expectativas de dez entre dez economistas&#8221;, diz J\u00falio S\u00e9rgio Gomes de Almeida, ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda e&#8221; professor da Unicamp. &#8220;N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que os economistas acreditam em uma coisa e os empres\u00e1rios, em outra&#8221;, acrescentou, bem humorado.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que a ind\u00fastria est\u00e1 definhando j \u00e1 faz algum tempo. Em 2012, por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica caiu 2,8%, depois de ter ficado estagnada em 2011. Al\u00e9m disso, a balan\u00e7a comercial (diferen\u00e7a entre a exporta\u00e7\u00e3o e a importa\u00e7\u00e3o) do setor apresentou em 2012 o maior d\u00e9ficit da sua hist\u00f3ria, de US$ 50,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que o setor passou a representar s\u00f3 13,3% do Produto Interno Bruto (PIB), sua menor participa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de riqueza do Pa\u00eds dos \u00faltimos 50 anos. Em 1985, o n\u00famero foi bem maior, de 27%.<\/p>\n<p>&#8220;Essa retra\u00e7\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de investimento faz todo sentido com o clima que percebemos nesse come\u00e7o de ano nas empresas&#8221;, diz Sergio Valle, economista-chefe da MB Associados. &#8220;H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que haver\u00e1 dificuldade de recupera\u00e7\u00e3o este ano.&#8221; Parte disso, segundo ele, se d\u00e1 pela baixa competitividade da ind\u00fastria, que n\u00e3o incentiva as empresas a exportar. Outra parte se d\u00e1 &#8220;pelas incertezas regulat\u00f3rias que o governo coloca e que sustam os investimentos&#8221;.<\/p>\n<p>Confus\u00e3o<\/p>\n<p>O economista observa, no entanto, que os dados de investimento que s\u00e3o divulgados periodicamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (ENDES) podem causar contus\u00e3o, j\u00e1 que o banco acena com expans\u00e3o para 2013. Os n\u00fameros, no entanto, referem-se ao investimento global\/ incluindo infraestrutura, \u00f3leo e g\u00e1s e agricultura, por exemplo, que v\u00e3o bem, e n\u00e3o apenas industrial. &#8220;Al\u00e9m disso, caminh\u00f5es entram em bens de capital e h\u00e1 apenas um efeito estat\u00edstico por causa da retra\u00e7\u00e3o que tivemos no ano passado pela mudan\u00e7a do motor para euro 5, mais cara que o anterior.&#8221;<\/p>\n<p>As empresas entrevistadas pela Fiesp mostraram que a elevada carga tribut\u00e1ria continua como principal limitante ao investimento! Contudo, o peso dos tributos perdeu import\u00e2ncia (em resposta m\u00faltipla, foi citado por 56% dos entrevistados, ante 75% em 2012) porque outros fatores ganharam relev\u00e2ncia. \u00c9 o caso da baixa taxa de crescimento da economia, apontada por 36% dos entrevistados. Na pesquisa anterior, foram s\u00f3 26%.<\/p>\n<p>Arrependimento. O empres\u00e1rio Corrado Vallo, s\u00f3cio da Omel Bombas e Compressores Ltda, que fornece equipamentos para a ind\u00fastria petroqu\u00edmica, sentiu isso na pele. H\u00e1 dois anos, a empresa investiu R$ 6 milh\u00f5es na compra de m\u00e1quinas e ainda tinha planos de investir outros R$ 6 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma nova unidade.<\/p>\n<p>&#8220;Desistimos desse projeto porque simplesmente n\u00e3o tem demanda&#8221;, conta o empres\u00e1rio. &#8220;At\u00e9 nos arrependemos um pouco de ter comprado aquelas m\u00e1quinas, avan\u00e7ad\u00edssimas, de comando num\u00e9rico para usinar pe\u00e7as de tr\u00eas eixos, que n\u00e3o existiam no Brasil, porque elas deveriam trabalhar em tr\u00eas turnos e s\u00f3 estamos conseguindo rodar um turno por falta de servi\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa da Fiesp, o investimento industrial em m\u00e1quinas e equipamentos \u00e9 o que dever\u00e1 apresentar maior queda este ano, de 16,4%. Enquanto em 2012 foram investidos R$ 160 bilh\u00f5es, agora se espera que sejam investidos s\u00f3 R$ 133,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 caro investir no Brasil&#8221;, queixa-se Luiz Aubert Neto, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq). &#8220;\u00c9 muito mais f\u00e1cil trazer o produto pronto de fora, porque o retorno sobre o investimento \u00e9 demorado demais, em raz\u00e3o das altas taxas de juros e do peso dos impostos que temos aqui.&#8221;<\/p>\n<p>Um \u00fanico setor dever\u00e1 receber mais dinheiro este ano. Os investimentos em gest\u00e3o dever\u00e3o crescer de R$ 17,2 bilh\u00f5es, em 2012, para R$ 27,3 bilh\u00f5es, um salto de 58,4%.<\/p>\n<p>&#8220;Esse aumento significativo deve-se \u00e0 estrat\u00e9gia de efici\u00eancia produtiva adotada pelas empresas, que visa a reduzir custos e a substituir m\u00e1quinas obsoletas por vers\u00f5es modernas&#8221;, explica Roriz Coelho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4488\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ao","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4488\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}