{"id":4495,"date":"2013-03-20T02:00:36","date_gmt":"2013-03-20T02:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4495"},"modified":"2013-03-20T02:00:36","modified_gmt":"2013-03-20T02:00:36","slug":"alexandre-vannucchi-leme-40-anos-depois-entrevista-especial-com-aldo-vannucchi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4495","title":{"rendered":"Alexandre Vannucchi Leme. 40 anos depois. Entrevista especial com Aldo Vannucchi"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201cEssa informa\u00e7\u00e3o de que ele havia sido morto fugindo da pol\u00edcia \u00e9 falsa, porque colegas de c\u00e1rcere e testemunhas do tribunal militar, algumas vivas ainda hoje, que estavam em celas cont\u00edguas, ouviram, no dia 16 de mar\u00e7o, os gritos dele dizendo: \u2018Eu me chamo Alexandre Vannucchi Leme, sou da ALN e n\u00e3o disse o nome de ningu\u00e9m\u2019\u201d, afirma tio de estudante morto durante a ditadura militar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista. <\/strong><img border=\"0\" width=\"270\" \/><\/p>\n<p>\u201cDepois de ter passado 40 anos, estamos felizes de prover que a morte do\u00a0<strong>Alexandre<\/strong> \u00e9 n\u00e3o apenas uma lembran\u00e7a de luto, mas uma proposta renovada de luta, luta pac\u00edfica pela aut\u00eantica democratiza\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds\u201d. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a0<strong>Aldo Vannucchi (foto abaixo)<\/strong>, tio de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anterio%20res\/1%202657-a-historia-de-uma-morte-sem-explicacao-ha-35-anos-alexandre-vannucchi-leme-morria-em-uma-cela-da-repressao\" target=\"_blank\"><strong>Alexandre Vannucchi Leme<\/strong><\/a>, estudante da USP, que foi torturado e morto pelo regime militar brasileiro em 1973, e se tornou um dos s\u00edmbolos do movimento estudantil no combate \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p><strong>Vannucchi<\/strong> <strong>Leme <\/strong>participava da\u00a0<strong>A\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria Nacional \u2013 ALN<\/strong>, que reunia tanto cat\u00f3licos como n\u00e3o cat\u00f3licos, marxistas e n\u00e3o marxistas. \u201c<strong>Alexandre<\/strong> n\u00e3o era marxista; era cat\u00f3lico de fam\u00edlia cat\u00f3lica, mas viu na\u00a0<strong>ALN <\/strong>um caminho v\u00e1lido de afirmar a sua vontade de liberta\u00e7\u00e3o do povo naquela altura da nossa hist\u00f3ria\u201d, relata\u00a0<strong>Vannucchi<\/strong>. O jovem foi preso pela\u00a0<strong>Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes<\/strong> em 16 de mar\u00e7o de 1973, e em seguida torturado at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong> por telefone,<strong> Aldo Vannucchi <\/strong>relembra a trajet\u00f3ria do sobrinho no enfrentamento \u00e0 ditadura militar e comenta o trabalho da<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/cepat\/cepat-conjuntura\/509987-conjuntura-da-semana-comissao-da-verdade-uma-comissao-da-verdade-e-da-memoria-mas-ainda-nao-da-justica\" target=\"_blank\"><strong> Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/a>: \u201cN\u00e3o queremos mandar ningu\u00e9m para a cadeia, mas queremos que o Brasil conhe\u00e7a os nomes dos envolvidos, quais pessoas praticaram atos de terror nos por\u00f5es da ditadura, quem foram os m\u00e9dicos legistas que homologaram falsos atestados de \u00f3bito, quais foram os militares que atuaram no regime, quais foram os delegados da Pol\u00edcia Civil, quais foram os \u2018paus-mandados\u2019 que praticaram tanta barb\u00e1rie. S\u00f3 isso e tudo isso \u00e9 o que n\u00f3s queremos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0s 12h da manh\u00e3 de hoje, 15 de mar\u00e7o, a\u00a0<strong>Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a<\/strong> e a\u00a0<strong>66\u00aa Car avan a da Anistia<\/strong>reconhecer\u00e3o, num ato oficial,\u00a0<strong>Alexandre Vannucchi Leme<\/strong> como anistiado pol\u00edtico, no Instituto de Geoci\u00eancias da USP. \u00c0s 18h ser\u00e1 celebrada uma missa na Catedral da S\u00e9, recordando a que foi presidida por D.\u00a0<strong>Paulo Evaristo Arns<\/strong>, em mar\u00e7o de 1973, em mem\u00f3ria de\u00a0<strong>Alexandre Vanucchi Leme<\/strong>. A missa, na catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, celebrada sob intensa repress\u00e3o do aparato militar, foi o primeiro ato massivo, depois do AI-5 de 1968, de contestata\u00e7\u00e3o contra a ditadura militar.<\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>(foto) \u00e9 ex-reitor da Universidade de Sorocaba &#8211; Uniso. Cursou mestrado em Teologia e Filosofia, e lecionou na Faculdade de Filosofia Ci\u00eancias e Letras de Sorocaba.<\/p>\n<p><strong>Foto<\/strong>:\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ZQZMLK\" target=\"_blank\">http:\/\/bit.ly\/ZQZMLK<\/a><\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Pode nos contar a trajet\u00f3ria de Alexandre Vannucchi Leme, enquanto estudante e militante do movimento estudantil durante a ditadura militar brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013\u00a0<strong>Alexandre Vannucchi Leme<\/strong>, meu sobrinho, \u00e9 natural de\u00a0<strong>Sorocaba<\/strong>-SP, onde cursou os estud<strong><img border=\"0\" width=\"250\" \/><\/strong>os iniciais, a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o cient\u00edfico (ensino m\u00e9dio), e o curso normal (magist\u00e9rio): pela manh\u00e3 ele cursava o ensino m\u00e9dio e \u00e0 noite, o magist\u00e9rio. Com 18 anos prestou vestibular para o curso de Geologia, da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP, passando em primeiro lugar. Era um jovem muito talentoso, estudioso, amava ler e j\u00e1 dominava o ingl\u00eas com perfei\u00e7\u00e3o. No movimento estudantil, distinguiu-se por ser uma lideran \u00e7a intelectual e afetiva: era muito simples n os seus contatos, no jeito de se vestir, tinha facilidade de brincar com os colegas, haja vista o apelido que recebeu dos amigos: minhoca. Isso porque era franzido de corpo, mas tamb\u00e9m porque gostava da terra, do ch\u00e3o, da rocha. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que queria ser ge\u00f3logo. No movimento estudantil, destacava-se por essa \u201cfome\u201d de aprender e pela grande facilidade de relacionamento e de conquistar amigos em Sorocaba e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Ele tamb\u00e9m recebeu alguma influ\u00eancia pol\u00edtica da fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013 Sem d\u00favida. Os pais dele eram professores e ele, para mim, era o filho que eu ainda n\u00e3o tinha. \u00c0 \u00e9poca, eu era padre e ele participava comigo de muitas reuni\u00f5es seja no mundo universit\u00e1rio, porque eu era diretor da Faculdade de Filosofia, embri\u00e3o da atual\u00a0<strong>Uniso<\/strong>, seja na Igreja, porque eu era assistente eclesi\u00e1stico da\u00a0<strong>Juventude Oper\u00e1r ia Cat\u00f3lica \u2013 JOC<\/strong>.\u00a0<strong>Alexan dre<\/strong> participava dessas reuni\u00f5es, sabia do meu envolvimento na luta contra a ditadura, porque eu tamb\u00e9m fui preso logo nos primeiros dias do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/515268-comissao-da-verdade-vai-investigar-golpe-de-1964\" target=\"_blank\"><strong>Golpe de 64<\/strong><\/a>. Ele morava pertinho do Semin\u00e1rio Diocesano, onde eu lecionava e, ent\u00e3o, desde pequeno estava na minha companhia e recebeu essa influ\u00eancia de toda a fam\u00edlia, que sempre foi muito atenta \u00e0 realidade nacional e, no meu caso, de grande participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o partid\u00e1ria, mas de muita atua\u00e7\u00e3o em favor do pobre, do oper\u00e1rio e em valoriza\u00e7\u00e3o do jovem universit\u00e1rio em\u00a0<strong>Sorocaba<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como aconteceu o envolvimento dele com a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional \u2013 ALN?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013 Em S\u00e3o Paulo, assim como no Brasil todo, havia v\u00e1rios movimentos revolucion\u00e1r ios num leque muito variado, seja de extrema esquerda, apelando para a viol\u00eancia e para o uso de armas, at\u00e9 outras alas mais atentas a um processo hist\u00f3rico que aconteceria com a atua\u00e7\u00e3o intelectual, com transforma\u00e7\u00e3o progressiva das estruturas. Assim, por exemplo, havia a<strong> A\u00e7\u00e3o Popular<\/strong>, liderada pela\u00a0<strong>Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica \u2013 JUC<\/strong>, e a\u00a0<strong>A\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria Nacional \u2013 ALN<\/strong>, que reunia tanto cat\u00f3licos como n\u00e3o cat\u00f3licos, marxistas e n\u00e3o marxistas.\u00a0<strong>Alexandre <\/strong>n\u00e3o era marxista; era cat\u00f3lico de fam\u00edlia cat\u00f3lica, mas viu na\u00a0<strong>ALN <\/strong>um caminho v\u00e1lido de afirmar a sua vontade de liberta\u00e7\u00e3o do povo naquela altura da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como acontecia o di\u00e1logo entre marxistas e cat\u00f3licos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi<\/strong> \u2013 Nessa \u00e9poca havia um encontro muito comum na tentativa de jovens cat\u00f3licos beberem no marxismo n\u00e3o, evidentement e, a seiva materialista, mas o processo de den\u00fancia do status quo e, ao mesmo tempo, de liberta\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e de todo o proletariado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c0 \u00e9poca da ditadura, os jornais publicaram que Alexandre havia sido atropelado. Como aconteceu a investiga\u00e7\u00e3o da morte dele at\u00e9 se confirmar a not\u00edcia de que havia sido morto pelos militares? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013\u00a0<strong>Alexandre<\/strong> estudava em S\u00e3o Paulo e vinha a\u00a0<strong>Sorocaba <\/strong>a cada 15 dias. Depois, houve uma temporada em que ele n\u00e3o voltou para casa e ficamos preocupados. Na ocasi\u00e3o recebemos um telefonema an\u00f4nimo, talvez de algum amigo dele, dizendo que ele havia sido preso. Isso aconteceu no dia 17 de mar\u00e7o, precisamente o dia em que foi assassinado. Com essa not\u00edcia de que ele havia sido preso, tanto eu quanto o pai dele, meu cunhado, come\u00e7amos uma peregrina\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo procurando-o em delegacias, hospitais, pres\u00eddios, sem conseguir informa\u00e7\u00f5es. At\u00e9 que, no dia 23 de mar\u00e7o, os jornais publicaram a not\u00edcia, segundo a \u00f3tica oficial da ditadura, de que\u00a0<strong>Alexandre <\/strong>hav ia sido morto fugindo da pol\u00edcia, atingido por um caminh\u00e3o. Novamente, meu cunhado e eu voltamos a S\u00e3o Paulo para procurar informa\u00e7\u00f5es, as quais n\u00e3o eram dadas de jeito nenhum. Somente conseguimos os ossos dele 10 anos depois da morte.<\/p>\n<p>Mas essa informa\u00e7\u00e3o de que ele havia sido morto fugindo da pol\u00edcia \u00e9 falsa, porque colegas de c\u00e1rcere dele e testemunhas do tribunal militar, algumas vivas ainda hoje, que estavam em celas cont\u00edguas, ouviram, no dia 16 de mar\u00e7o, os gritos dele dizendo: \u201cEu me chamo\u00a0<strong>Alexandre Vannucchi Leme<\/strong>, sou da ALN e n\u00e3o disse o nome de ningu\u00e9m\u201d. No dia seguinte, ap\u00f3s muitas torturas, os carrascos pediram que os outros presos se colocassem de costas para as grades, sem olhar para os corredores, enquanto arrastavam o corpo de\u00a0<strong>Alexandre<\/strong>. Depois, os outros presos viram sangue nos corredores. Ent\u00e3o, ele morreu por causa das torturas. Tanto \u00e9 assim que a fam\u00edlia entrou h\u00e1 pouco tempo com um processo pedindo a corre\u00e7\u00e3o do atestado de \u00f3bito dele, n\u00e3o de traumatismo craniano, mas de morte causada por torturas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 E conseguiram alterar o atestado de \u00f3bito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi<\/strong> \u2013 N\u00e3o, ainda n \u00e3o. O que conseguimos \u2013 e ser\u00e1 anunciado hoje, no encontro em S\u00e3o Paulo \u2013 \u00e9 um documento dizendo que ele n\u00e3o era um<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/518286-morto-ha-40-anos-vannuchi-deixara-de-ser-terrorista\" target=\"_blank\"> terrorista<\/a>, um subversivo, mas sim um anistiado pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Houve, ao longo desses quarenta anos, alguma declara\u00e7\u00e3o do Estado ou dos militares em rela\u00e7\u00e3o ao caso de Alexandre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013 N\u00e3o. Logo ap\u00f3s o seu falecimento, a fam\u00edlia entrou com um processo, mas ele foi obstru\u00eddo, porque todos os processos acabavam caindo no Tribunal Militar, onde havia sempre um voto a favor, digamos assim, da verdade e os nove outros votos eram negados. O \u00fanico voto a favor da verdade naquela altura era do general\u00a0<strong>Rodrigo Jord\u00e3o<\/strong>, tanto assim que chegou um momento em que ele pediu dispensa daquele tribunal e se afastou.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em 30 d e mar\u00e7o de 1973, dom Paulo Evaristo Arns realizou uma missa em mem\u00f3ria de Alexandre, com a presen\u00e7a massiva de estudantes, colegas e militantes. Como o senhor avalia a atua\u00e7\u00e3o da Igreja nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013 Quando\u00a0<strong>Alexandre<\/strong> foi morto, os estudantes da USP tentaram fazer um grande movimento de den\u00fancia de toda aquela mentira, de toda aquela viol\u00eancia e recorreram a dom\u00a0<strong>Paulo Evaristo Arns<\/strong>. Eles queriam uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica dele, da Igreja, at\u00e9 porque o\u00a0<strong>Alexandre<\/strong>, dias antes, havia participado de um debate na PUC-SP sobre a posi\u00e7\u00e3o da Igreja naquele momento hist\u00f3rico da vida e da hist\u00f3ria do Brasil.\u00a0<strong>Alexandre<\/strong> foi um dos estudantes que fez perguntas para dom\u00a0<strong>Evaristo <\/strong>e participou daquele debate. Dom<strong> Evaristo<\/strong> atendeu aos estudantes e falou que, em vez de um movimento p\u00fablico, iriam celebrar uma\u00a0<a>missa na S\u00e9<\/a>, e foi o que aconteceu: uma missa com milhares de pessoas, missa envolvida por grande perigo de novas pris\u00f5es, mas que foi celebrada com muita seriedade, muita devo\u00e7\u00e3o, marcando profundamente n\u00e3o s\u00f3 os presentes como tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da Igreja perante aquela ditadura da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dom\u00a0<strong>Evaristo Arns<\/strong>, havia tamb\u00e9m a atua\u00e7\u00e3o de dom\u00a0<strong>C\u00e2ndido Padin<\/strong>, que era bispo auxiliar de S\u00e3o Paulo. Evidentemente havia dom<strong> Helder C\u00e2mara<\/strong>, do Nordeste, e outros bispos, n\u00e3o muitos, porque infelizmente a ditadura teve apoio de parte significativa do clero e da hierarquia brasileira. Mas dom<strong> Evaristo<\/strong> e outros marcaram posi\u00e7\u00e3o especialmente a partir deste caso do\u00a0<strong>Alexandre<\/strong>, denunciando a ditadura, a viol\u00eancia, a censura, a tortura. Dom\u00a0<strong>Evaristo<\/strong> m arcou muito, especialmente por ter lembrado que os militares haviam negado \u00e0 fam\u00edlia de<strong> Alexandre<\/strong> aquilo que n\u00e3o foi negado ao pr\u00f3prio Cristo: a entrega do cad\u00e1ver para sua m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como avalia a atua\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade no sentido de rever a historiografia desse per\u00edodo? H\u00e1 alguma expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho que ainda pode ser desempenhado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi <\/strong>\u2013 A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/517947--comissao-da-verdade-50-mil-pessoas-tiveram-direitos-violados-durante-a-ditadura\" target=\"_blank\"><strong>Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/a> chegou tarde, mas merece todo cr\u00e9dito, todo apoio e esperamos que ela chegue a bom termo. Est\u00e1 havendo muita resist\u00eancia por parte de grupos que ainda hoje acham que naquele tempo havia disciplina, ordem e at\u00e9 milagre econ\u00f4mico, mas a Comiss\u00e3o da Verdade est\u00e1 fazendo um bel\u00edssimo trabalho. Ela est\u00e1 atuando n\u00e3o apenas em \u00e2mbit o nac ional, mas tamb\u00e9m nos estados, e espero que chegue a bom termo, porque \u00e9 quest\u00e3o de justi\u00e7a e de direito: o direito \u00e0 verdade, \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 justi\u00e7a hist\u00f3rica. Tamb\u00e9m gostaria de lembrar que, no caso do<strong> Alexandre<\/strong>, n\u00f3s estamos esperando essa declara\u00e7\u00e3o de que ele, dentro de toda a verdade hist\u00f3rica, n\u00e3o foi um terrorista, at\u00e9 porque o acusavam de atos terroristas em uma temporada na qual ele estava hospitalizado em\u00a0<strong>Sorocaba<\/strong>. Naqueles dias em que acusam atos de terror praticados por ele, na realidade ele estava hospitalizado aqui na cidade (Sorocaba), porque havia feito uma cirurgia de ap\u00eandice, uma apendicectomia. Ent\u00e3o, a mentira fica escancarada. Essa\u00a0<strong>Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong> est\u00e1 terminando os seus trabalhos, e n\u00e3o queremos mandar ningu\u00e9m para a cadeia, mas, sim, que o Brasil conhe\u00e7a os nomes dos envolvidos, quais pessoas praticaram atos de terror nos por\u00f5es da ditadura, quem foram os m\u00e9dicos legi stas q ue homologaram falsos atestados de \u00f3bito, quais foram os militares que atuaram no regime, quais foram os delegados da Pol\u00edcia Civil, quais foram os \u201cpaus-mandados\u201d que praticaram tanta barb\u00e1rie. S\u00f3 isso e tudo isso \u00e9 o que n\u00f3s queremos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Gostaria de acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Vannucchi<\/strong> \u2013 Simplesmente dizer que depois de dez anos conseguimos, atrav\u00e9s do molde da arcada dent\u00e1ria dele, identificar seus ossos e trazer a urna contendo-os para enterr\u00e1-la no jazigo da fam\u00edlia, em\u00a0<strong>Sorocaba<\/strong>. Depois de ter se passado 40 anos, estamos felizes de prover que a morte do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/518287-apos-polemica-obra-e-entregue-sem-alarde\" target=\"_blank\"><strong>Alexandre<\/strong><\/a> \u00e9 n\u00e3o apenas uma lembran\u00e7a de luto, mas uma proposta renovada de luta, luta pac\u00edfica pela aut\u00eantica democratiza\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Nota<\/strong>: A imagem acima \u00e9 de\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ZR0gBE\" target=\"_blank\">http:\/\/bit.ly\/ZR0gBE<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4495\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-4495","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1av","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4495\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}