{"id":4498,"date":"2013-03-20T17:30:09","date_gmt":"2013-03-20T17:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4498"},"modified":"2013-03-20T17:30:09","modified_gmt":"2013-03-20T17:30:09","slug":"uma-multinacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4498","title":{"rendered":"Uma multinacional*"},"content":{"rendered":"\n<p>Como \u00e9 que uma estrutura profundamente formatada &#8211; segundo a observa\u00e7\u00e3o de Gramsci &#8211; pelo papel dos eclesi\u00e1sticos enquanto intelectuais org\u00e2nicos do mundo feudal, e que mant\u00e9m a hierarquia (com os seus \u201cpr\u00edncipes\u201d) estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a \u201cmultinacional de maior sucesso\u201d na fase imperialista do capitalismo?<\/p>\n<p>Toda a gente opina sobre a quest\u00e3o do novo Papa. Para quem est\u00e1 de fora, suscita uma certa perplexidade que a generalidade das opini\u00f5es seja acerca de quest\u00f5es que n\u00e3o pareceriam propriamente ser do foro de uma institui\u00e7\u00e3o religiosa: actividades banc\u00e1rias obscuras, esc\u00e2ndalos de diverso tipo, intrigalhada de todo o g\u00e9nero.<\/p>\n<p>\u00c9 tal a predomin\u00e2ncia desses temas que os textos mais interessantes s\u00e3o aqueles que n\u00e3o est\u00e3o com rodeios, mesmo que o fa\u00e7am com ironia. \u00c9 o caso de um (\u201cPope, CEO\u201d,\u201cThe Economist\u201d, 9.03.2013) que come\u00e7a com o seguinte e lapidar par\u00e1grafo: \u201cA igreja cat\u00f3lica romana \u00e9 a mais antiga multinacional do mundo. \u00c9 tamb\u00e9m, em muitos aspectos, a de maior sucesso, com 1,2 mil milh\u00f5es de clientes, dezenas de milh\u00f5es de volunt\u00e1rios, uma rede de distribui\u00e7\u00e3o global, um logotipo universalmente reconhec\u00edvel, um polimento sem rival no lobbying e, suscitando os melhores ausp\u00edcios para o futuro, uma actua\u00e7\u00e3o de sucesso junto dos mercados emergentes\u201d.<\/p>\n<p>Para o autor do artigo esta multinacional, se tem problemas, s\u00f3 precisa de seguir o exemplo das outras multinacionais para os ultrapassar. Se est\u00e3o a bra\u00e7os com esc\u00e2ndalos, montam uma campanha de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para convencer os seus clientes e empregados de que os est\u00e3o a resolver. Se h\u00e1 a quest\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias obscuras, \u00e9 subcontratar as actividades como fazem a IBM e a Ford, em vez de ter um banco pr\u00f3prio (\u201co \u00fanico no mundo que tem m\u00e1quinas multibanco com instru\u00e7\u00f5es em latim\u201d). E se querem consolidar o sucesso nos mercados emergentes, t\u00eam que instalar quart\u00e9is-generais nos locais, como fez por exemplo a Cisco criando uma nova sede em Bangalore.<\/p>\n<p>Este artigo, sob a sua inteligente ironia, coloca reflex\u00f5es bem interessantes. Uma delas \u00e9 como \u00e9 que uma estrutura ainda profundamente formatada &#8211; segundo a observa\u00e7\u00e3o de Gramsci &#8211; pelo papel dos eclesi\u00e1sticos enquanto intelectuais org\u00e2nicos do mundo feudal, e que mant\u00e9m a sua hierarquia (com os seus \u201cpr\u00edncipes\u201d) estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a \u201cmultinacional de maior sucesso\u201d na fase imperialista do capitalismo? A resposta talvez esteja exactamente a\u00ed: esse sucesso n\u00e3o resulta das suas formas organizativas, mas de uma milenar alian\u00e7a hist\u00f3rica com as classes dominantes.<\/p>\n<p><em>*Este artigo foi publicado no \u00abAvante!\u00bb n.\u00ba 2050, 14.03.2013<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2804\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2804<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nodiario.infoB\n\n\n\n\n\n\n\n\nFilipe Diniz\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4498\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ay","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4498\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}