{"id":4508,"date":"2013-03-21T18:11:52","date_gmt":"2013-03-21T18:11:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4508"},"modified":"2013-03-21T18:11:52","modified_gmt":"2013-03-21T18:11:52","slug":"crescente-militarizacao-da-ue-uma-ameaca-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4508","title":{"rendered":"Crescente militariza\u00e7\u00e3o da UE \u2013 uma amea\u00e7a \u00e0 paz"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde a sua origem que a UE foi, pelo menos em parte, um projecto militar. O objectivo real da primeira organiza\u00e7\u00e3o internacional, a Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o de 1951, foi facilitar o rearmamento germ\u00e2nico no in\u00edcio da guerra fria e ao mesmo tempo tranquilizar os receios franceses sobre o ressurgimento do militarismo germ\u00e2nico. Acima de tudo, os EUA queriam uma Alemanha Ocidental rearmada no interior da NATO. As revis\u00f5es seguintes do tratado, especialmente os tratados de Amsterd\u00e3o e de Lisboa, refor\u00e7aram sistematicamente o papel militar da UE.<\/p>\n<p>O mito popular sobre a Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 o de que se trata de uma organiza\u00e7\u00e3o internacional benigna que une os povos da Europa num bloco comercial comum onde todos beneficiam, promovendo uma identidade pan-europeia numa esp\u00e9cie de internacionalismo regional e ajudando a manter a paz, a seguran\u00e7a e o bem-estar na Europa. O que faltar\u00e1 ent\u00e3o para que n\u00e3o se goste dela?<\/p>\n<p>Bom, de facto falta bastante. Na UE, as \u00fanicas regras para a economia s\u00e3o as do thatcherismo. Est\u00e3o escritas na constitui\u00e7\u00e3o e s\u00e3o aplicadas em cada pa\u00eds membro em virtualmente todos os sectores da economia. As decis\u00f5es da UE s\u00e3o tomadas pela Comiss\u00e3o, pelo Conselho de Ministros, pelo Banco Central Europeu e pelo Tribunal de Justi\u00e7a Europeu. Nenhum deles \u00e9 eleito ou fiscalizado pelo povo.<\/p>\n<p>O parlamento europeu \u00e9 eleito, mas tem poucos poderes e apenas pode melhorar a legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o promov\u00ea-la. O d\u00e9fice democr\u00e1tico da UE n\u00e3o \u00e9 um acaso. Foi cuidadosamente preparado para tornear a democracia dos estados-membros, servindo os interesses das maiores empresas transnacionais europeias.<\/p>\n<p>Desde a sua origem que a UE foi, pelo menos em parte, um projecto militar. O objectivo real da primeira organiza\u00e7\u00e3o internacional, a Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o de 1951, foi facilitar o rearmamento germ\u00e2nico no in\u00edcio da guerra fria e ao mesmo tempo tranquilizar os receios franceses sobre o ressurgimento do militarismo germ\u00e2nico. Acima de tudo, os EUA queriam uma Alemanha Ocidental rearmada no interior da NATO.<\/p>\n<p>As revis\u00f5es seguintes do tratado, especialmente os tratados de Amsterd\u00e3o e de Lisboa, refor\u00e7aram sistematicamente o papel militar da UE. Tem agora uma Pol\u00edtica de Defesa e Seguran\u00e7a Comum (PDSC) e um Alto Representante para os Neg\u00f3cios Estrangeiros e Seguran\u00e7a, actualmente a baronesa Ashton. V\u00ea como principais amea\u00e7as o terrorismo, a prolifera\u00e7\u00e3o nuclear (ainda que n\u00e3o a pr\u00f3pria), os conflitos regionais e os ciberataques.<\/p>\n<p>O tratado de Lisboa estabelece claras obriga\u00e7\u00f5es militares por parte dos estados membros da EU no sentido de \u201ctornar dispon\u00edvel capacidade civil e militar da uni\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica de Defesa e Seguran\u00e7a Comum \u2026 Os estados membros empenhar-se-\u00e3o progressivamente na promo\u00e7\u00e3o das suas capacidades militares.\u201d Este \u00e9 um problema particular para aqueles estados com uma pol\u00edtica de neutralidade, como a Finl\u00e2ndia, a Irlanda, a \u00c1ustria e a Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>A capacidade militar da UE consiste de 13 grupos de combate, for\u00e7as com a dimens\u00e3o de batalh\u00e3o com 1500 elementos, dois dos quais de preven\u00e7\u00e3o a qualquer instante e podendo ser despachados em poucos dias.<\/p>\n<p>Desde 2003 que a UE tem estado envolvida em miss\u00f5es militares em mais de 19 pa\u00edses de tr\u00eas continentes: B\u00f3snia, Maced\u00f3nia, Ucr\u00e2nia, Mold\u00f3via, Ge\u00f3rgia, Palestina, Kosovo, Guin\u00e9-Bissau, Som\u00e1lia, Sud\u00e3o, Chade, Rep\u00fablica Central Africana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Uganda, L\u00edbia, Iraque, Indon\u00e9sia, Afeganist\u00e3o e Mali.<\/p>\n<p>Estas miss\u00f5es v\u00e3o desde as \u201ctarefas Petersberg\u201d (lista de prioridades militares e de seguran\u00e7a no \u00e2mbito da PDSC \u2013 N.T.) que incluem opera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, de resgate, de manuten\u00e7\u00e3o da paz e de pacifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de treino militar e guerra em toda a escala, nada de benigno possuindo essas miss\u00f5es. Existem para apoio da pol\u00edtica externa da UE quando a diplomacia n\u00e3o chega e para p\u00f4r em pr\u00e1tica as pol\u00edticas neoliberais de com\u00e9rcio livre, privatiza\u00e7\u00e3o, desregula\u00e7\u00e3o e austeridade fora da Europa de forma t\u00e3o agressiva como s\u00e3o impostas internamente.<\/p>\n<p>Contudo, a inten\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da UE \u00e9 complementarem e n\u00e3o substitu\u00edrem a NATO. De facto, h\u00e1 uma nova \u00eanfase na interoperacionalidade e na integra\u00e7\u00e3o com a NATO.<\/p>\n<p>A UE apenas interv\u00e9m onde a NATO optar por n\u00e3o intervir. Apesar do seu tamanho e for\u00e7a econ\u00f3mica, a UE tem limitada capacidade de combate fora da sua \u00e1rea pr\u00f3pria, excepto em escala reduzida. Faltam-lhe recursos chave para opera\u00e7\u00f5es mais extensas, como bombas inteligentes, reabastecimento em voo, informa\u00e7\u00f5es, reconhecimento, drones e capacidade de voo pesado.<\/p>\n<p>O mesmo n\u00e3o se passa com a NATO. \u00c9 uma miniatura dos EUA como for\u00e7a militar e tem-lhe preced\u00eancia na maior parte das ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Existe evidentemente uma consider\u00e1vel sobreposi\u00e7\u00e3o entre a NATO e a perten\u00e7a \u00e0 UE. Vinte e um dos estados s\u00e3o membros de ambas as organiza\u00e7\u00f5es, mas de longe a maior diferen\u00e7a \u00e9 a NATO ser claramente transatl\u00e2ntica e incluir e ser dominada pela \u00fanica superpot\u00eancia militar mundial: os EUA.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a foi concebida nos primeiros anos da guerra fria para ostensivamente conter a \u201camea\u00e7a\u201d sovi\u00e9tica \u00e0 Europa ocidental. No entanto, a sua expans\u00e3o regular para oriente e para o sul mais de vinte anos ap\u00f3s a guerra fria revela o seu verdadeiro objectivo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de conter qualquer amea\u00e7a vis\u00edvel \u00e0 Europa ou \u00e0 Am\u00e9rica do Norte. O Conceito Estrat\u00e9gico da NATO aceita que este risco \u00e9 \u201cbaixo\u201d. Trata-se sim de veicular a liga\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses membros no apoio \u00e0 pol\u00edtica externa dos EUA e para uma interven\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>Em Novembro de 2010, foi reafirmado o conceito de \u201cdissuas\u00e3o\u201d nuclear e de primeiro uso da arma nuclear. Al\u00e9m disso, foi proposta a cria\u00e7\u00e3o de um novo e desestabilizador sistema de m\u00edsseis defensivo cobrindo o continente europeu e dando novo alento \u00e0 corrida \u00e0s armas nucleares.<\/p>\n<p>Hoje, do Afeganist\u00e3o ao Kosovo e do Mediterr\u00e2neo ao Corno de \u00c1frica, est\u00e3o envolvidos em ac\u00e7\u00e3o militar \u00e0 volta do mundo 138.000 militares da NATO.<\/p>\n<p>Contudo, a NATO n\u00e3o \u00e9 um bloco monol\u00edtico. H\u00e1 10 anos surgiram importantes diferen\u00e7as sobre a guerra no Iraque entre a \u201cvelha Europa\u201d da Fran\u00e7a e da Alemanha e a \u201cnova Europa\u201d de leste apoiada pela Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Mais recentemente, apareceram diferen\u00e7as sobre quem combate e quem n\u00e3o combate no Afeganist\u00e3o e sobre o recrutamento de novos membros para a alian\u00e7a, como a Ge\u00f3rgia. O eixo franco-alem\u00e3o ainda gostaria de promover a UE a contrapeso militar do imperialismo rival dos EUA, mas de momento est\u00e1 em minoria.<\/p>\n<p>A Europa e a Am\u00e9rica, paralisadas pela d\u00edvida e pela recess\u00e3o, s\u00e3o imp\u00e9rios em decl\u00ednio. A NATO e as for\u00e7as armadas da UE continuar\u00e3o a amea\u00e7ar a paz e a estabilidade \u00e0 volta do mundo. Por\u00e9m, representam o passado, n\u00e3o o futuro.<\/p>\n<p><em>*O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.morningstaronline.co.uk\/news\/content\/view\/full\/129704\" target=\"_blank\">http:\/\/www.morningstaronline.co.uk\/news\/content\/view\/full\/129704<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Alan MacKinnon\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4508\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4508","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1aI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4508\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}