{"id":4512,"date":"2013-03-22T15:07:46","date_gmt":"2013-03-22T15:07:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4512"},"modified":"2013-03-22T15:07:46","modified_gmt":"2013-03-22T15:07:46","slug":"aborto-ate-3o-mes-reacende-debate-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4512","title":{"rendered":"Aborto at\u00e9 3\u00ba m\u00eas reacende debate no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Pela primeira vez, o Conselho Federal de Medicina (CFM) se posicionou sobre o aborto no Brasil. A autarquia defendeu ontem a libera\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica at\u00e9 o 3\u00ba m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. Atualmente, a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez s\u00f3 \u00e9 permitida em caso de estupro, anencefalia e risco de morte para a m\u00e3e. Em todas demais circunst\u00e2ncias, o aborto \u00e9 considerado crime, com pena de 1 a 3 anos de pris\u00e3o. O CFM enviar\u00e1 \u00e0 comiss\u00e3o especial do Senado que avalia a reforma do C\u00f3digo Penal um documento com a manifesta\u00e7\u00e3o formal da entidade. Entre as propostas da comiss\u00e3o est\u00e1, justamente, a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto. O projeto de lei em discuss\u00e3o autoriza o procedimento desde que a mulher tenha um laudo assinado por m\u00e9dico ou psic\u00f3logo constatando a falta de condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas de arcar com a maternidade. Mas o pr\u00e9-requisito, para o CFM, \u00e9 desnecess\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>A decis\u00e3o da autarquia foi tomada no in\u00edcio do m\u00eas, em um encontro dos 27 conselhos regionais de medicina do pa\u00eds. O posicionamento pr\u00f3-aborto contou com a aprova\u00e7\u00e3o de 80% dos representantes da categoria. Para o presidente do CFM, Roberto Luis d\u00b4\u00c1vila, a medida se baseia na preserva\u00e7\u00e3o da autonomia das mulheres e no ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica. \u201cH\u00e1 uma hipocrisia social. Quem tem condi\u00e7\u00f5es financeiras, faz o procedimento de maneira segura. Quem \u00e9 pobre faz em condi\u00e7\u00f5es erradas e enriquece as estat\u00edsticas de mortalidade inaceit\u00e1veis\u201d, avaliou o presidente.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto, financiada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, uma em cada cinco brasileiras, aos 40 anos, j\u00e1 fez ao menos um aborto na vida. E metade dessas mulheres teve que ser internada por complica\u00e7\u00f5es decorrentes da pr\u00e1tica clandestina. S\u00f3 no ano passado, 180 mil curetagens foram feitas na rede p\u00fablica de sa\u00fade, ao custo de R$ 40 milh\u00f5es. Apesar do posicionamento do CFM, D\u2019\u00c1vila n\u00e3o acredita que a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto v\u00e1 ocorrer em breve no pa\u00eds. \u201cO Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que menos avan\u00e7aram nesse debate. Portugal, extremamente cat\u00f3lico, j\u00e1 se decidiu por descriminalizar o procedimento\u201d, exemplificou o presidente da entidade.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m recha\u00e7a a ideia de que, caso se torne legal, a pr\u00e1tica do aborto ser\u00e1 mais recorrente. \u201cN\u00e3o acho que o n\u00famero aumentaria. \u00c9 uma decis\u00e3o sofrida e quem decide tom\u00e1-la faz o aborto independentemente de ser ilegal ou n\u00e3o.\u201d Para ele, a mudan\u00e7a na lei permitiria \u00e0s mulheres que optassem por n\u00e3o levar a gravidez adiante ser atendidas em ambientes seguros, limpos e com mais acesso a antibi\u00f3ticos, por exemplo.<\/p>\n<p>Crit\u00e9rio t\u00e9cnico<\/p>\n<p>O per\u00edodo de tr\u00eas meses para a mulher decidir abortar, sem qualquer puni\u00e7\u00e3o legal, obedece crit\u00e9rios m\u00e9dicos, segundo o presidente do CFM. Ele explica que o intervalo de 12 semanas \u00e9 considerado um tempo de gesta\u00e7\u00e3o seguro para o procedimento de limpeza da cavidade uterina. Depois disso, o aborto passa a representar alto risco para a mulher. Outro ponto esclarecido por d\u00b4\u00c1vila \u00e9 que geneticistas creem que, a partir do terceiro m\u00eas, j\u00e1 existe forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso central do embri\u00e3o. \u201cNesse momento, o feto j\u00e1 teria sensibildade suficiente para, caso fosse agredido, sentir tudo.\u201d<\/p>\n<p>Um dos conselhos regionais de medicina que n\u00e3o concordaram com o CFM foi o de Minas Gerais. \u201cA posi\u00e7\u00e3o do conselho \u00e9 contra o aborto da forma como a reforma do C\u00f3digo Penal prop\u00f5e, porque pensamos que h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o da vida j\u00e1 na fecunda\u00e7\u00e3o. E, a partir da\u00ed, a posi\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico \u00e9 de defend\u00ea-la\u201d, esclareceu o presidente do conselho mineiro, Jo\u00e3o Batista Gomes Soares. Ele entende que o pai tamb\u00e9m precisa ter o direito de opinar sobre a decis\u00e3o da mulher.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Apag\u00e3o log\u00edstico faz China cancelar compra de soja<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Gargalos enfrentados para escoar a produ\u00e7\u00e3o podem frustrar previs\u00f5es de que o complexo da soja &#8211; gr\u00e3o, \u00f3leo e farelo &#8211; se tornaria, este ano, o primeiro item da pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileira, desbancando o min\u00e9rio de ferro. Nas proje\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), com safra recorde e pre\u00e7os elevados, o trio atingiria US$ 32,5 bilh\u00f5es em vendas externas em 2013, contra US$ 30 bilh\u00f5es do min\u00e9rio de ferro. Se os cancelamentos de embarques de soja continuarem por causa dos crescentes atrasos no fornecimento, no entanto, a tend\u00eancia \u00e9 que a m\u00e9dia de pre\u00e7os do gr\u00e3o caia, comprometendo seu desempenho nas exporta\u00e7\u00f5es. A chinesa Sunrise, maior trading do pa\u00eds, j\u00e1 cancelou a compra de pelo menos dois milh\u00f5es de toneladas de soja, alegando atrasos na entrega por causa das longas filas nos portos. \u00c9 a primeira que uma empresa daquele pa\u00eds suspende contratos por problemas log\u00edsticos. A empresa diz que deveria ter recebido seis navios em fevereiro e outros seis em mar\u00e7o. E avalia a possibilidade de comprar da Argentina. A China \u00e9 o principal comprador da soja brasileira.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es da AEB consideram o pre\u00e7o anual m\u00e9dio da tonelada de soja a US$ 580 e embarques de 38 milh\u00f5es de toneladas em 2013. Dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior mostram, por\u00e9m, que a m\u00e9dia de pre\u00e7o entre janeiro e a terceira semana de mar\u00e7o est\u00e1 bem abaixo dessa proje\u00e7\u00e3o (US$ 530). Paralelamente, o min\u00e9rio de ferro est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o inversa. Nas estimativas da AEB, a m\u00e9dia de pre\u00e7o da commodity ficaria em US$ 95 este ano e o volume exportado, em torno de 320 milh\u00f5es de toneladas. Mas 2013 ano come\u00e7ou aquecido para o min\u00e9rio, cujo pre\u00e7o m\u00e9dio da tonelada exportada est\u00e1 em US$ 110.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda mantenho minhas previs\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel que os problemas que os produtores de soja est\u00e3o enfrentando atrapalhem o desempenho do setor. Esse apag\u00e3o da soja s\u00f3 mostra que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para crescer &#8211; afirma o vice-presidente da AEB, Jos\u00e9 Augusto de Castro.<\/p>\n<p>Para Castro, a alega\u00e7\u00e3o da Sunrise \u00e9 um pretexto para comprar o gr\u00e3o por um pre\u00e7o menor mais adiante. Independentemente das reais raz\u00f5es, o fato \u00e9 que o produtor que n\u00e3o honrar contratos devido a atrasos no suprimento vai ter preju\u00edzos, pois a tend\u00eancia \u00e9 que o pre\u00e7o da soja caia no segundo semestre, quando a produ\u00e7\u00e3o americana \u00e9 comercializada com for\u00e7a. Brasil e EUA s\u00e3o os principais exportadores mundiais de soja.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o engarrafamento de caminh\u00f5es nos portos de Santos e Paranagu\u00e1, os dois principais canais de escoamento da soja, tende a piorar nos pr\u00f3ximos meses com a estimativa de safra recorde do gr\u00e3o de cerca de 83 milh\u00f5es de toneladas. O pico da comercializa\u00e7\u00e3o da soja \u00e9 em abril e maio, quando a safra de a\u00e7\u00facar come\u00e7a a ser escoada. Em seguida, milho e algod\u00e3o tamb\u00e9m passam a disputar os mesmos caminhoneiros, inevitavelmente provocando mais congestionamentos.<\/p>\n<p>Ontem, a fila de caminh\u00f5es na rodovia C\u00f4nego Dom\u00eanico Rangoni, que leva ao porto de Santos, o maior da Am\u00e9rica Latina, chegava a 25 quil\u00f4metros, quase o dobro da extens\u00e3o da Ponte Rio-Niter\u00f3i ou a metade de todo o trajeto da avenida Brasil, principal art\u00e9ria da capital fluminense. J\u00e1 esteve pior: na ter\u00e7a-feira, de acordo com a concession\u00e1ria que administra a pista, eram 34 quil\u00f4metros de espera.<\/p>\n<p>Tempo parado nas estradas \u00e9 preju\u00edzo n\u00e3o s\u00f3 para os caminhoneiros, mas tamb\u00e9m aos produtores e exportadores. Em uma estimativa otimista, o Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima de S\u00e3o Paulo (Sindamar) disse que o preju\u00edzo com a manuten\u00e7\u00e3o de navios que aguardam para serem carregados de gr\u00e3os \u00e9 de US$ 150 milh\u00f5es por dia &#8211; os exportadores arcam com o valor.<\/p>\n<p>O presidente da entidade, Jos\u00e9 Roque, explica que essa conta considera duas situa\u00e7\u00f5es ainda sem solu\u00e7\u00e3o. A primeira diz respeito, efetivamente, \u00e0 demora para a chegada dos caminh\u00f5es at\u00e9 o porto. A outra raz\u00e3o \u00e9 a chuva. Chove na regi\u00e3o desde o domingo e, como n\u00e3o existem coberturas para abrigar o servi\u00e7o de desembarque\/embarque de gr\u00e3os, os navios n\u00e3o podem ser operados.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o adiante ter supersafra, se as empresas est\u00e3o perdendo na ponta, sem conseguir escoar a produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita ret\u00f3rica no governo e pouca a\u00e7\u00e3o. Estamos no fundo do po\u00e7o da infraestrutura.<\/p>\n<p>&#8220;Caminh\u00e3o parado \u00e9 sinal de inefici\u00eancia&#8221;<\/p>\n<p>Como resultado da demora, um navio de granel s\u00f3lido de 600 mil toneladas, que antes levava em m\u00e9dia dois dias para ser abastecido, agora precisa de at\u00e9 quatro dias para concluir o trabalho e navegar. A Codesp, que administra o porto, diz que o problema se deve \u00e0 falta de infraestrutura das estradas e que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atrapalharam muito nos \u00faltimos dias. De acordo com dados oficiais, existiam ontem 33 navios atracados no porto e outros 79 na barra, \u00e0 espera de uma vaga na ancoradouro. Mas os n\u00fameros do Sindamar s\u00e3o de at\u00e9 150 parados para serem carregados.<\/p>\n<p>Para o governo, as filas de caminh\u00f5es s\u00e3o uma prova da falta de capacidade da infraestrutura em atender a demanda. Segundo o ministro da Secretaria de Portos, Le\u00f4nidas Cristino, para amenizar o problema no porto de Santos \u00e9 preciso aumentar a quantidade de terminais, adotar equipamentos mais modernos, al\u00e9m de cobrir os terminais. Os problemas, diz, refor\u00e7am a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o da MP 595, que reformula o setor:<\/p>\n<p>&#8211; A fila revela a falta de capacidade dos portos. Muita chuva e safra recorde agravam o problema.<\/p>\n<p>O presidente da Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL), Bernardo Figueiredo, diz que a fila de caminh\u00f5es em Santos ocorre porque faltam armaz\u00e9ns e silos, um dos grandes problemas nos portos.<\/p>\n<p>&#8211; Os portos brasileiros s\u00e3o muito fatiados (pequenos terminais) e n\u00e3o operam em escala, outro fator de filas. Somente no Brasil, a carga sai do caminh\u00e3o e entra no navio. Caminh\u00e3o foi feito para rodar, parado \u00e9 sinal de inefici\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de 30 horas na fila, Pedro Martins, caminhoneiro h\u00e1 20 anos, puxou o freio de m\u00e3o e foi caminhar junto ao acostamento da pista. Queria &#8220;esticar as pernas&#8221; e matar o tempo at\u00e9 que a longa fila de caminh\u00f5es come\u00e7asse a se mover.<\/p>\n<p>&#8211; Fa\u00e7o esse percurso normalmente em tr\u00eas horas, mas estou parado desde as 8h de ontem (quarta-feira). E n\u00e3o tenho ideia de quanto tempo mais vou levar. Nunca vi isso antes &#8211; disse Martins, que transportava soja.<\/p>\n<p>Em outro trecho da rodovia, Djalma Mendes armou uma mesinha no meio da pista, com fogareiro a g\u00e1s e panelas. Almo\u00e7ou arroz, feij\u00e3o, ovo e lingui\u00e7a. Segundo ele, o atraso na entrega de sua carga vai gerar um preju\u00edzo de cerca de 15% em seu faturamento bruto mensal, que \u00e9 de R$ 15 mil.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vou cumprir a programa\u00e7\u00e3o que eu tinha para este m\u00eas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Balan\u00e7os mostram lenta recupera\u00e7\u00e3o das empresas<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As empresas de capital aberto mantiveram, no quarto trimestre, a tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o vista nos meses anteriores, com crescimento das vendas, dos resultados operacionais e dos lucros. Embora o cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico ainda seja uma barreira para um crescimento mais forte, o pessimismo dos analistas de investimentos parece ceder lugar \u00e0 expectativa de um ano um pouco melhor em 2013.<\/p>\n<p>N\u00fameros compilados pelo Valor Data, com base nos dados da consultoria Econom\u00e1tica de demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis de 133 empresas, mostram que a receita \u00e9 a maior em dois anos, mas cresceu em propor\u00e7\u00e3o semelhante aos custos &#8211; ou seja, eles tamb\u00e9m s\u00e3o os maiores da amostra. A chamada margem bruta &#8211; o que sobra das receitas depois de descontados os custos &#8211; foi de 28,3% no quarto trimestre, abaixo dos 28,9% do mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise dos dados, o Valor optou pela amostra que exclui Petrobras e Vale (os n\u00fameros com e sem os dois balan\u00e7os est\u00e3o na tabela desta p\u00e1gina), j\u00e1 que o tamanho desproporcional das duas empresas distorce o resultado geral.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas meses encerrados em dezembro, sem Petrobras e Vale, a receita de vendas e servi\u00e7os avan\u00e7ou 8,6% na compara\u00e7\u00e3o com julho a setembro e 18,6% sobre igual per\u00edodo do exerc\u00edcio anterior, para R$ 207 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os custos com produtos e servi\u00e7os (que, grosso modo, inclui mat\u00e9rias-primas, insumos e m\u00e3o de obra no ch\u00e3o de f\u00e1brica) avan\u00e7aram 8,7% e 19,6%, respectivamente, para R$ 148,41 bilh\u00f5es. O lucro l\u00edquido subiu 25,7% sobre tr\u00eas meses antes e 31,4% anualmente e somou R$ 16,22 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando Petrobras e Vale entram na conta, o lucro l\u00edquido cai 29% em bases anuais, para R$ 18,34 bilh\u00f5es, e a receita sobe 16,5%, para R$ 309,15 bilh\u00f5es. Os custos avan\u00e7am 22,2%.<\/p>\n<p>&#8220;A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que os neg\u00f3cios permaneceram rent\u00e1veis&#8221;, dizem os analistas Bruno Piagentini e Marco Aur\u00e9lio Barbosa, da Coinvalores, mas a recupera\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 &#8220;incipiente&#8221;.<\/p>\n<p>A efici\u00eancia, medida pela rela\u00e7\u00e3o entre receita de vendas e lucro antes de juros, impostos, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o (Ebitda) aumentou para 20% no quarto trimestre, ap\u00f3s manter-se em 18,7% nos quatro trimestre anteriores, o que mostra uma conten\u00e7\u00e3o das despesas operacionais com vendas, gerais e administrativas &#8211; gastos com publicidade e sal\u00e1rios de executivos, por exemplo, entram nessa conta.<\/p>\n<p>Mas a grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com os custos. Algumas empresas conseguiram repassar os aumentos aos clientes apenas neste in\u00edcio de ano, como as produtoras de papel Klabin e Suzano, as sider\u00fargicas Usiminas e CSN, e a Petrobras, que reajustou o pre\u00e7o do diesel por duas vezes desde janeiro.<\/p>\n<p>Entre os grupos que se empenharam em diminuir custos, mas ainda preocupam, est\u00e3o as produtoras de papel e celulose, a Vale e a sider\u00fargica Usiminas. Na contram\u00e3o, as empresas de sa\u00fade tiveram um crescimento relativamente baixo, &#8220;com um aumento da receita em linha com a infla\u00e7\u00e3o, enquanto os custos a superaram&#8221;, nota o analista Guilherme Assis, da Brasil Plural Corretora.<\/p>\n<p>Na Petrobras, os custos continuam em alta. A esperan\u00e7a \u00e9 que os repasses de pre\u00e7o diminuam uma parte da defasagem sobre os pre\u00e7os internacionais, pelos quais a companhia compra combust\u00edveis no exterior. No quarto trimestre, os custos com vendas da estatal subiram 18,5%, para R$ 56,8 bilh\u00f5es, o que, para se ter ideia da grandeza, representou um ter\u00e7o do faturamento de todas as empresas da amostra. A receita n\u00e3o subiu na mesma propor\u00e7\u00e3o, o que reduziu em quatro pontos percentuais a margem bruta para 23%.<\/p>\n<p>Os estoques, no entanto, deram um sinal positivo aos investidores. Ap\u00f3s nove meses de crescimento, as empresas conseguiram reduzir a linha do balan\u00e7o para R$ 77,65 bilh\u00f5es entre outubro e dezembro. Segundo os analistas da Coinvalores, a queda refletiu os ajustes de produ\u00e7\u00e3o e a estabiliza\u00e7\u00e3o da demanda.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel deu f\u00f4lego para o repasse de pre\u00e7os. Foi o caso da Usiminas, que reduziu os estoques para R$ 3,78 bilh\u00f5es no trimestre, em 95 mil toneladas de a\u00e7o, e em 482 mil toneladas em 2012. &#8220;Foi uma desestocagem intensa de a\u00e7o fabricado em 2011, com custos mais elevados, que sacrificou margens da empresa, por\u00e9m refor\u00e7ou seu caixa&#8221;, disse a companhia em nota que acompanha o balan\u00e7o.<\/p>\n<p>A Sondagem Industrial da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Industria (CNI) apontava em novembro a baixa dos estoques para um n\u00edvel pr\u00f3ximo ao planejado, de 50,5 pontos. O indicador n\u00e3o se situava neste patamar desde abril de 2011.<\/p>\n<p>Os setores com mais facilidade para o repasse de pre\u00e7os, como as empresas de alimentos e bebidas, cujos produtos s\u00e3o de consumo essencial, e concess\u00f5es e shoppings centers, com receita indexada \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, mostraram bons resultados, diz Leonardo Milane, estrategista do banco Santander.<\/p>\n<p>No acumulado de 2012, a receita l\u00edquida atingiu R$ 1,115 trilh\u00e3o, alta de 32,6% em bases anuais, e o lucro alcan\u00e7ou R$ 81,38 bilh\u00f5es, 30,7% inferior a 2011. Sem Petrobras e Vale, a receita subiria 36%, para R$ 740,17 bilh\u00f5es, e a \u00faltima linha do balan\u00e7o recuaria 4,3%, para R$ 51,87 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de 2012 n\u00e3o foram t\u00e3o fortes quanto o desejado, mas os balan\u00e7os sinalizam o bom desempenho em 2013. O in\u00edcio do ano pode continuar morno, na opini\u00e3o de analistas, mas o crescimento \u00e9 certo no segundo semestre at\u00e9 para os setores com mais dificuldades.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado tem olhado para 2013 com perspectivas positivas, sem se preocupar com aspectos pontuais do quarto trimestre&#8221;, afirmam Piagentini e Barbosa, da Coinvalores.<\/p>\n<p>No segmento de siderurgia, existe uma recupera\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os do a\u00e7o que pode trazer melhoras operacionais. A Vale \u00e9 muito dependente do pre\u00e7o do min\u00e9rio de ferro, mas o enfoque em efici\u00eancia \u00e9 o que mais vai importar, diz a analista Juliana Chu, da Votorantim Corretora.<\/p>\n<p>Em consumo, o ritmo de abertura de lojas tende a continuar forte neste ano, indicando a manuten\u00e7\u00e3o da perspectiva de crescimento, diz Luiz Cesta, do banco Votorantim.<\/p>\n<p>Em log\u00edstica, que teve bom desempenho em 2012, na opini\u00e3o do analista Gabriel de Gaetano, da Fator Corretora, as novas licita\u00e7\u00f5es de concess\u00f5es que acontecem neste ano podem trazer otimismo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tombini destaca atua\u00e7\u00e3o &#8216;serena&#8217; do BC para mitigar vulnerabilidades<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou ontem que h\u00e1 um potencial &#8220;enorme&#8221; de oportunidades para os bancos de pequeno e m\u00e9dio portes no pa\u00eds. Em evento para celebrar os 30 anos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (ABBC), entidade que representa os bancos pequenos e m\u00e9dios, Tombini preferiu n\u00e3o falar sobre juros e infla\u00e7\u00e3o, concentrando seu discurso no papel das institui\u00e7\u00f5es financeiras de menor porte dentro do sistema financeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Nos \u00faltimos dois anos, o BC atuou de forma serena, mas firme, para mitigar vulnerabilidades. Posso assegurar que temos hoje um sistema financeiro ainda mais s\u00f3lido&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Tombini afirmou que a expans\u00e3o na base de clientes pelos bancos contribuiu para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades nos \u00faltimos anos. Segundo o presidente do BC, os bancos pequenos e m\u00e9dios possuem papel de destaque na atua\u00e7\u00e3o em nichos n\u00e3o atendidos pelas institui\u00e7\u00f5es maiores ou na flexibilidade e no desenvolvimento de novos produtos.<\/p>\n<p>O executivo tamb\u00e9m destacou que os bancos m\u00e9dios hoje representam 18% dos ativos totais do sistema financeiro e que est\u00e3o capitalizados. Ainda segundo Tombini, a autoridade monet\u00e1ria trabalha continuamente para fortalecer os bancos pequenos e m\u00e9dios.<\/p>\n<p>&#8220;Observamos nos \u00faltimos anos avan\u00e7os estruturais significativos no pa\u00eds&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O presidente do BC afirmou ainda que cabe ao setor banc\u00e1rio e ao mercado de capitais atender \u00e0 demanda por solu\u00e7\u00f5es financeiras para a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos na economia. &#8220;O BC estar\u00e1 sempre presente para oferecer condi\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias para o desenvolvimento do sistema financeiro nacional&#8221;, ressaltou em discurso durante a cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>O presidente da ABBC, Renato Oliva, procurou minimizar o recente rebaixamento do rating de seis bancos m\u00e9dios brasileiros. Para ele, as ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco t\u00eam percep\u00e7\u00e3o muito voltada a aspectos conjunturais. &#8220;Elas fazem proje\u00e7\u00f5es em cima do crescimento das carteiras, mas olham o contexto econ\u00f4mico daquele momento&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Para ele, os bancos de menor porte est\u00e3o entre os setores produtivos brasileiros que mais investem em tecnologia e enfrentam naturalmente quest\u00f5es regulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m presente ao evento da ABBC, o vice-presidente da Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), M\u00e1rcio Percival, disse que os planos de capta\u00e7\u00e3o de recursos do banco no mercado externo est\u00e3o mantidos, apesar do rebaixamento do rating do banco pela ag\u00eancia Moody&#8221;s.<\/p>\n<p>Percival disse que o plano \u00e9 captar entre US$ 2 bilh\u00f5es e US$ 2,5 bilh\u00f5es em maio para o financiamento de projetos de infraestrutura. Ele disse que a Caixa vai esperar a divulga\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o do primeiro trimestre para mostrar os resultados e, somente ent\u00e3o, acessar o mercado externo.<\/p>\n<p>O vice-presidente do banco se disse surpreso com a decis\u00e3o da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco, mas que acredita que o corte na nota n\u00e3o afetar\u00e1 o custo de capta\u00e7\u00e3o do banco. &#8220;Estamos hoje com a mesma solidez de tempos atr\u00e1s. Crescemos com solidez e seguran\u00e7a&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo Percival, os pap\u00e9is do banco no mercado secund\u00e1rio sofreram pouco impacto no exterior com a not\u00edcia. Ele comentou, por\u00e9m, que recebeu v\u00e1rias liga\u00e7\u00f5es de investidores hoje. &#8220;Os pap\u00e9is v\u00e3o se recuperar.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Diplomata v\u00ea &#8216;momento de ouro&#8221; na rela\u00e7\u00e3o Brasil-EUA<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Brasil e Estados Unidos vive um momento favor\u00e1vel, com avan\u00e7os expressivos em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e energia, disse ontem Todd Chapman, ministro-conselheiro da embaixada americana em Bras\u00edlia. Ele v\u00ea um &#8220;momento de ouro&#8221; no relacionamento entre os dois pa\u00edses, discordando da avalia\u00e7\u00e3o de que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 morna.<\/p>\n<p>Em entrevista a jornalistas brasileiros em Washington, Chapman afirmou que a aprova\u00e7\u00e3o, pelo Senado brasileiro, do Acordo de Troca de Informa\u00e7\u00f5es Tribut\u00e1rias entre Brasil e Estados Unidos, no come\u00e7o do m\u00eas, \u00e9 &#8220;encorajadora&#8221;, e pode abrir espa\u00e7o para a negocia\u00e7\u00e3o de um tratado de bitributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chapman destacou a intensifica\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios entre os dois pa\u00edses. Citou a compra da Amil pela American Health, definida em outubro do ano passado, e a da Drogaria Onofre pela CVS, em fevereiro. S\u00e3o investimentos em novas \u00e1reas, ressaltou ele,que v\u00e3o al\u00e9m dos realizados por empresas americanas que h\u00e1 muito tempo t\u00eam presen\u00e7a no Brasil. Chapman disse ainda que empresas brasileiras tamb\u00e9m investem mais nos EUA.<\/p>\n<p>Outro ponto importante, segundo o diplomata americano, \u00e9 a presen\u00e7a da Embraer nos EUA, que venceu licita\u00e7\u00e3o para fornecer avi\u00f5es para a For\u00e7a A\u00e9rea americana. A parceria entre Embraer e EUA est\u00e1 muito bem estabelecida&#8221;, disse Chapman, segundo quem n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar num aeroporto no pa\u00eds em que n\u00e3o haja um avi\u00e3o fabricado pela empresa brasileira.<\/p>\n<p>Sobre as medidas protecionistas adotadas pelo governo brasileiro no ano passado, com a eleva\u00e7\u00e3o de tarifas de importa\u00e7\u00e3o de cerca de cem produtos industriais, o que desagradou ao governo americano, Chapman disse que &#8220;isso pertence mais ao USTR (a secretaria de Com\u00e9rcio dos EUA). Acho que o mais importante \u00e9 continuar ampliando o com\u00e9rcio entre EUA e Brasil, e trabalhar nos temas que v\u00e3o facilitar essa expans\u00e3o&#8221;, afirmou o conselheiro.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 medidas tarif\u00e1rias sobre as quais talvez n\u00e3o estejamos 100% de acordo, mas h\u00e1 maneiras de conversar sobre isso. O importante \u00e9 ter os mecanismos para discuti-los. Eles existem e est\u00e3o sendo utilizados&#8221;, disse Chapman. &#8220;N\u00f3s acabamos de ter o di\u00e1logo comercial em Washington, no fim de fevereiro, que foi muito construtivo. Vamos continuar conversando sobre esses temas.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Avan\u00e7a projeto de lei que beneficia mineradoras<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Ambientalistas de Minas Gerais est\u00e3o se mobilizando para tentar impedir a aprova\u00e7\u00e3o, pela Assembleia Legislativa do Estado, de um projeto que autoriza mineradoras a dragarem o fundo de rios de preserva\u00e7\u00e3o permanente. O projeto de lei 3.614\/12, j\u00e1 aprovado em primeiro turno, autoriza o &#8220;revolvimento de sedimentos para a lavra de recursos minerais&#8221; em rios como o S\u00e3o Francisco, o Jequitinhonha, o Cip\u00f3 e outros que integram a Bacia Hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco. O texto est\u00e1 pronto para ser votado em segundo turno e, se for aprovado, depender\u00e1 apenas de san\u00e7\u00e3o do governador Antonio Anastasia (PSDB) para entrar em vigor.<\/p>\n<p>O projeto, apresentado pelo deputado Lafayette de Andrada (PSDB) em dezembro, passou pelas comiss\u00f5es de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e, entre os dias 5 e 11, acabou aprovado em plen\u00e1rio. No dia seguinte, o deputado C\u00e9lio Moreira (PSDB), relator do projeto na Comiss\u00e3o de Meio Ambiente &#8211; que preside j\u00e1 deu parecer favor\u00e1vel \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o, mas a Casa entrou em recesso pouco depois.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o desse projeto no apagar das luzes, mesmo com parecer contr\u00e1rio da Secretaria de Meio Ambiente, pegou todo mundo de surpresa. Alguns desses trechos s\u00e3o importantes \u00e1reas de piracema&#8221;, observou Maria Dalce Ricas, superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Defesa do Ambiente (Amda). Ela contou que apelou at\u00e9 ao governador &#8211; que tem maioria no Legislativo. Mas o texto continua na pauta.<\/p>\n<p>O autor do projeto, por\u00e9m, afirmou que estaria disposto at\u00e9 a retirar a proposta. Lafayette de Andrada disse que o objetivo era permitir apenas a extra\u00e7\u00e3o artesanal, com autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os ambientais, de areia e cascalho, que eram exercidas em munic\u00edpios \u00e0 beira do Rio Grande antes de aprova\u00e7\u00e3o de lei, em 2004, vetar a atividade. Segundo o deputado, foram &#8220;inseridas&#8221; emendas que desvirtuaram o projeto.<\/p>\n<p>&#8220;Meu projeto tinha uma linha e agora tem duas p\u00e1ginas. Virou um carrapato carregando um boi. N\u00e3o sou a favor do monte de loucuras que est\u00e1 l\u00e1&#8221;, garantiu Andrada. O deputado C\u00e9lio Moreira n\u00e3o foi encontrado para falar sobre o caso.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercados est\u00e3o intranquilos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A sa\u00edda dos investidores estrangeiros do mercado ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos dias. Ontem, esse fluxo sustentou a forte valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar ante o real e colaborou para mais um dia de baixa na Bovespa, que atingiu o menor n\u00edvel do ano. A moeda americana superou o patamar dos R$ 2 e registrou a maior cota\u00e7\u00e3o desde 25 de janeiro, o que coloca em xeque a tese do mercado de que esse pre\u00e7o seria o teto da banda cambial informal do Banco Central. O descontentamento dos investidores com as frequentes interven\u00e7\u00f5es do governo no mercado, a deteriora\u00e7\u00e3o das contas internas e a maior atratividade de outras economias, especialmente a do M\u00e9xico, est\u00e3o por tr\u00e1s dessa sa\u00edda de estrangeiros do pa\u00eds, segundo profissionais do mercado.<\/p>\n<p>Na Bovespa j\u00e1 h\u00e1 sinais de que o estrangeiro est\u00e1 em retirada. Depois de aportar mais de R$ 8 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es brasileiras neste ano, esse investidor sacou cerca de R$ 700 milh\u00f5es entre sexta (15) e ter\u00e7a-feira. Sua posi\u00e7\u00e3o vendida em Ibovespa Futuro (uma aposta de baixa do mercado) alcan\u00e7ou na quarta-feira a marca hist\u00f3rica de 142 mil contratos. Na avalia\u00e7\u00e3o de um gestor, essa posi\u00e7\u00e3o elevad\u00edssima denota, no m\u00ednimo, uma prote\u00e7\u00e3o do estrangeiro contra poss\u00edveis novas baixas da bolsa. O d\u00f3lar subiu 1,06% ontem, fechando a R$ 2,011, enquanto o Ibovespa recuou 0,81%, para 55.576 pontos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma debandada mesmo entre os estrangeiros, que est\u00e3o demandando d\u00f3lar para sair do pa\u00eds&#8221;, disse Italo Abucater, especialista em c\u00e2mbio da Icap Brasil. Segundo ele, o movimento ganhou for\u00e7a com as declara\u00e7\u00f5es do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no in\u00edcio da tarde de ontem. &#8220;A declara\u00e7\u00e3o do Mantega, de que o c\u00e2mbio \u00e9 flutuante, deu seguran\u00e7a para o mercado romper o R$ 2, acreditando que esse n\u00e3o \u00e9 mais o teto&#8221;, comentou Abucater.<\/p>\n<p>Segundo informou o diretor de uma outra corretora de c\u00e2mbio, logo ap\u00f3s o d\u00f3lar superar a casa dos R$ 2, foram fechados mais de US$ 300 milh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os volumes negociados na Bovespa e no d\u00f3lar \u00e0 vista, segundo operadores, tamb\u00e9m s\u00e3o um ind\u00edcio da sa\u00edda de investidores estrangeiros. Na bolsa, o volume foi de R$ 6,504 bilh\u00f5es, abaixo da m\u00e9dia de R$ 7 bilh\u00f5es registrada nos preg\u00f5es de fevereiro e mar\u00e7o, enquanto no c\u00e2mbio \u00e0 vista o volume saltou, atingindo US$ 3,557 bilh\u00f5es, conforme dados da clearing da Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F), que registra cerca de 90% do giro no interbanc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Analistas e operadores aqui e no exterior t\u00eam a mesma percep\u00e7\u00e3o sobre quem est\u00e1 roubando o espa\u00e7o do Brasil: o M\u00e9xico. A inseguran\u00e7a provocada pelas medidas adotadas pelo governo brasileiro, como as mudan\u00e7as nas regras do setor el\u00e9trico, se contrap\u00f5e ao ambiente de neg\u00f3cios est\u00e1vel e a proximidade do M\u00e9xico com a economia americana, que est\u00e1 acelerando o seu crescimento. Isso torna o M\u00e9xico uma alternativa melhor para investidores que buscam economias emergentes nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Para o estrategista do BNP Paribas, Diego Donadio, a decis\u00e3o da Moody&#8221;s de rebaixar a nota de cr\u00e9dito de longo prazo da Caixa Econ\u00f4mica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social e da empresa de participa\u00e7\u00f5es desse banco, o BNDESPar, exemplifica a piora da percep\u00e7\u00e3o de risco da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo em geral. Isso explica, tamb\u00e9m, a piora adicional dos Credit Default Swaps (CDS) &#8211; contratos que medem o custo de prote\u00e7\u00e3o contra o risco de calote de um emissor &#8211; do Brasil. Segundo Donadio, o contrato de cinco anos avan\u00e7ou para 135 pontos-base, ampliando assim o spread (diferen\u00e7a) em rela\u00e7\u00e3o ao CDS do M\u00e9xico, negociado a 92 pontos-base.<\/p>\n<p>Um gestor de um banco estrangeiro contou que seus clientes costumam comparar pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina com a mesma nota de classifica\u00e7\u00e3o de risco, como Brasil, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Peru. Ele tamb\u00e9m destacou que a diferen\u00e7a entre os CDS de M\u00e9xico e Brasil aumentou consideravelmente.<\/p>\n<p>Outro especialista de uma institui\u00e7\u00e3o brasileira ressaltou que o desempenho da bolsa de um pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 um importante referencial para os investidores decidirem se v\u00e3o ou n\u00e3o aplicar no pa\u00eds. &#8220;Voc\u00ea entraria num pa\u00eds onde a bolsa est\u00e1 caindo 20% no ano? Eu pensaria duas vezes&#8221;, diz. Enquanto o Ibovespa acumula queda de 16,9% em 12 meses, a bolsa do M\u00e9xico sobe 10,6% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A elevada posi\u00e7\u00e3o vendida dos estrangeiros em contratos de Ibovespa futuro indica, no m\u00ednimo, que os estrangeiros est\u00e3o com o p\u00e9 atr\u00e1s. As fortes oscila\u00e7\u00f5es do mercado se tornaram frequentes, especialmente ap\u00f3s medidas de interven\u00e7\u00e3o do governo em setores como el\u00e9trico e banc\u00e1rio, e tamb\u00e9m na Petrobras, dizem operadores. O \u00faltimo cap\u00edtulo dessa novela foi a mudan\u00e7a na base de remunera\u00e7\u00e3o das tarifas da Cemig pela Aneel.<\/p>\n<p>O comportamento do mercado de juros tamb\u00e9m evidencia o sentimento negativo em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil que cresce entre os investidores estrangeiros. Pela segunda sess\u00e3o seguida, as taxas de juros na Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F) fecharam em alta, puxadas pela avers\u00e3o a risco na Europa e nos Estados Unidos e pelo rebaixamento da classifica\u00e7\u00e3o de risco de bancos estatais brasileiros pela Moody&#8221;s.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a com o Brasil contaminou inclusive o mercado de d\u00edvida local. Em leil\u00e3o de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de Notas do Tesouro Nacional s\u00e9rie F (NTN-F), ambos pap\u00e9is prefixados, investidores exigiram taxas mais elevadas que as da coloca\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Correio Braziliense\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4512\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1aM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}