{"id":4527,"date":"2013-03-24T21:41:56","date_gmt":"2013-03-24T21:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4527"},"modified":"2013-03-24T21:41:56","modified_gmt":"2013-03-24T21:41:56","slug":"baby-abrao-e-o-apoio-a-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4527","title":{"rendered":"Baby Abr\u00e3o e o apoio \u00e0 Palestina"},"content":{"rendered":"\n<p>O Portal do PCB publica entrevista feita pela equipe de reportagem do\u00a0<strong>Imprensa Popular<\/strong> com a militante da causa palestina Baby Siqueira Abr\u00e3o. Entre outras afirma\u00e7\u00f5es, Baby &#8211; que \u00e9 jornalista &#8211; afirma que &#8220;acordo militar entre Brasil e Israel \u00e9 de uma viol\u00eancia sem tamanho, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos como a n\u00f3s, por tornar part\u00edcipes involunt\u00e1rios de crimes como limpeza \u00e9tnica, genoc\u00eddio, assassinatos, torturas, destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica de seres humanos&#8221;.<\/p>\n<p>Confira a \u00edntegra:<\/p>\n<p><strong>&#8211; As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es em Israel alteram o quadro local em algum aspecto?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de entrar nas elei\u00e7\u00f5es propriamente ditas \u00e9 importante dizer que o eleitor m\u00e9dio israelense, manipulado desde seu nascimento pela ideologia sionista, faz suas escolhas baseado naquilo que lhe \u00e9 ensinado ao longo de sua exist\u00eancia. Nesse sentido, n\u00e3o se pode esperar dele sen\u00e3o apoio incondicional aos sionistas linha-dura, aqueles que defendem o uso da viol\u00eancia como solu\u00e7\u00e3o para os problemas do pa\u00eds. A an\u00e1lise feita pela professora doutora Nurit Peled-Elhanam, da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, por meio de uma an\u00e1lise detalhada nos livros did\u00e1ticos de Israel, mostra como o racismo e o desprezo ao outro, ao diferente (o n\u00e3o judeu, o gentio, o\u00a0<em>goym<\/em>) est\u00e3o na base do sistema sionista de educa\u00e7\u00e3o e conduzem o estudante a entender o mundo, em particular o mundo \u00e1rabe, como inimigo que precisa ser vencido e, em muitos casos, exterminado. E como vencer e exterminar o inimigo sen\u00e3o pelas armas? \u00c9 essa ideologia belicosa que fundamenta a educa\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o israelense, tanto na escola como fora dela, e na m\u00eddia. As escolas recebem visitas regulares de oficiais do ex\u00e9rcito, em palestras e programas destinados a refor\u00e7ar tal ideologia; al\u00e9m disso, o ex\u00e9rcito mant\u00e9m espa\u00e7os para crian\u00e7as para que elas possam conhecer e experimentar ve\u00edculos, equipamentos e muni\u00e7\u00e3o de guerra. No primeiro caso, s\u00e3o projetados filmes e v\u00eddeos dos conflitos provocados por Israel no Oriente M\u00e9dio, e neles o pa\u00eds \u00e9 apresentado como v\u00edtima, como obrigado a guerrear para defender-se de inimigos que o atacam \u2013 e que consegue vit\u00f3rias. Vende-se, portanto, uma imagem distorcida e heroica dos conflitos e dos oficiais que deles participam. No segundo caso, as crian\u00e7as, acompanhadas dos pais e orientadas por soldadas e soldados, t\u00eam um aprendizado b\u00e1sico do funcionamento das armas e dos ve\u00edculos militares israelenses. Trata-se de uma educa\u00e7\u00e3o pela viol\u00eancia, de uma ind\u00fastria de viol\u00eancia, da viol\u00eancia vista como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es pol\u00edticas (um exemplo disso pode ser observado no v\u00eddeo realizado pelo israelense Itamar Rose: <a href=\"http:\/\/youtu.be\/Qp67KehlVGU\" target=\"_blank\">http:\/\/youtu.be\/Qp67KehlVGU<\/a>).<\/p>\n<p>Terminado o ciclo escolar fundamental e m\u00e9dio, o cidad\u00e3o (e a cidad\u00e3) israelense \u00e9 convocado para servir o ex\u00e9rcito, em que, durante tr\u00eas anos, exerce controle e repress\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o palestina \u2013 que para eles \u00e9 composta apenas por \u201c\u00e1rabes\u201d que vivem n\u00e3o na Palestina, mas em territ\u00f3rios que, por \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d, pertencem a Israel. (Em Israel, a Tor\u00e1 \u2013 o Antigo Testamento dos crist\u00e3os \u2013 \u00e9 considerada relato de fatos hist\u00f3ricos e ensinada nas escolas como se fosse um documento da hist\u00f3ria, n\u00e3o um conjunto de narrativas religiosas; nesse sentido, como supostos \u201cdescendentes\u201d de uma personagem m\u00edtica, Abrah\u00e3o, os judeus teriam direito \u00e0quela regi\u00e3o, que segundo a Tor\u00e1 lhes foi dada pelo deus judaico. Desde o s\u00e9culo XIX os sionistas v\u00eam usando essa justificativa falaciosa para roubar a Palestina e praticar limpeza \u00e9tnica contra o povo palestino.)<\/p>\n<p>S\u00e3o cidad\u00e3s e cidad\u00e3os m\u00e9dios assim, moldados desde a inf\u00e2ncia para servir aos prop\u00f3sitos do sionismo, que v\u00e3o \u00e0s urnas. Por isso n\u00e3o h\u00e1 nenhuma surpresa nos resultados: a coliga\u00e7\u00e3o de extrema direita entre o Likud, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyau, e o Yisrael Beiteinu [Israel Nossa P\u00e1tria], do ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores Avigdor Lieberman, ganhou a maioria dos assentos no Parlamento, seguido pelo Yesh Atid [H\u00e1 um futuro], partido do jornalista Yair Lapid, a estrela em ascens\u00e3o da pol\u00edtica israelense. E, se algu\u00e9m esperava que Lapid fosse representar alguma novidade, acabou frustrado assim que foram anunciados os resultados das elei\u00e7\u00f5es: ele declarou que seu partido daria total apoio a Netanyhau \u2013 que deve ser reconduzido ao posto de primeiro-ministro \u2013 e a seu governo.<\/p>\n<p>A \u00fanica surpresa nas elei\u00e7\u00f5es foi a pouca vota\u00e7\u00e3o recebida pelo partido Lar Judaico, de extrema direita, composto e apoiado pelos colonos ultraortodoxos que vivem ilegalmente em terras tomadas da Cisjord\u00e2nia. Naftali Bennett, l\u00edder e ide\u00f3logo do Lar, disparou nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto e chegou a amea\u00e7ar Netanyhau e o Likud, que despencavam. Esperava-se que o partido viesse a se tornar o segundo maior de Israel, mas as elei\u00e7\u00f5es mostraram que o apelo de parte da popula\u00e7\u00e3o \u2013 os colonos \u2013 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte como o da solu\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos da\u00a0<em>maioria<\/em> dos israelenses, plataforma que levou o Yesh Atid, de Yair Lapid, ao posto de segundo maior partido de Israel.<\/p>\n<p>Para os palestinos, o resultado das elei\u00e7\u00f5es significa ainda mais repress\u00e3o, pois os tr\u00eas partidos vencedores n\u00e3o t\u00eam nenhum interesse em permitir o estabelecimento do Estado palestino. Na verdade, at\u00e9 mesmo os partidos ditos \u201cde esquerda\u201d t\u00eam dificuldade de aceitar a Palestina nos limites anteriores \u00e0 Guerra dos Seis Dias \u2013 a campanha militar lan\u00e7ada por Israel para tomar a Cisjord\u00e2nia, Gaza e Jerusal\u00e9m Oriental, al\u00e9m de Gol\u00e3, na S\u00edria, e do Sinai, depois devolvido ao Egito \u2013, de junho de 1967. E a repress\u00e3o, o apartheid, t\u00eam o apoio da maioria da popula\u00e7\u00e3o de Israel, como comprovou pesquisa realizada pelos instituto israelense Maagar Mohot em dezembro de 2012 e publicada no jornal\u00a0<em>Maariv<\/em>: 66% dos israelenses op\u00f5em-se ao Estado palestino, mesmo desmilitarizado.<\/p>\n<p>Em resumo, tudo continua como antes: os palestinos contam apenas com suas pr\u00f3prias for\u00e7as e a de seus apoiadores na sociedade civil internacional.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o acordo Brasil-Israel no com\u00e9rcio de armamentos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um acordo inaceit\u00e1vel, em especial porque assinado no contexto de um governo de centro-esquerda, para o qual uma presidenta que participou da luta contra a ditadura fora rec\u00e9m-eleita. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que o acordo foi negociado por Nelson Jobim e a chefia do Estado-Maior do ex\u00e9rcito brasileiro, sem o conhecimento ou o apoio do governo, que se viu diante do fato consumado. Mas \u00e9 dif\u00edcil confirmar esse tipo de informa\u00e7\u00e3o. Precisar\u00edamos de um Bradley Manning dentro do Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p>Israel testa suas armas, seus equipamentos, sua muni\u00e7\u00e3o, seus compostos qu\u00edmicos militares e suas tecnologias de guerra no povo palestino. E utiliza esse fato como marketing para a venda dos produtos de sua ind\u00fastria b\u00e9lica \u2013 do ponto de vista dos neg\u00f3cios militares, os testes feitos em campo, em cobaias vivas (no caso, os palestinos), \u00e9 um diferencial decisivo para o sucesso das vendas num mercado altamente competitivo e lucrativo. Mas penso que n\u00e3o foi esse fator que levou o governo brasileiro a assinar o acordo militar com Israel \u2013 e isso \u00e9 muito preocupante, pois significa que o lobby sionista, muito ativo em todo o mundo, t\u00eam absoluto controle sobre um setor estrat\u00e9gico para o pa\u00eds. \u00c9 fundamental, para a esquerda brasileira, saber a que \u00e1reas esse controle se estende e como \u00e9 feito, pois \u00e9 urgente neutraliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>E essa urg\u00eancia, al\u00e9m de dever-se ao respeito e \u00e0 solidariedade ao povo palestino, est\u00e1 ligada \u00e0 firme oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos direitos b\u00e1sicos de seres humanos (tamb\u00e9m no caso, os palestinos) e sua sujei\u00e7\u00e3o ao regime de apartheid; ao chamamento das organiza\u00e7\u00f5es palestinas por boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es a Israel (a campanha BDS, que vem crescendo em todo o mundo e que no Brasil \u00e9 organizada pela Frente em Defesa do Povo Palestino); ao chamamento, desde 2011, por boicote militar ao Estado sionista. Para mim, \u00e9 doloroso saber que o dinheiro dos meus impostos vai parar em m\u00e3os sionistas, que o utilizam para custear as atrocidades cometidas contra o povo palestino. Cada um de n\u00f3s, no Brasil, \u00e9 obrigado a dar sua cota para a limpeza \u00e9tnica de uma popula\u00e7\u00e3o inteira, juntamente com a crueldade que isso implica no cotidiano dessa popula\u00e7\u00e3o. Para quem viveu l\u00e1, como eu, participando do dia a dia da comunidade de um vilarejo agr\u00e1rio e valente, Bil\u2019in, o acordo militar entre Brasil e Israel \u00e9 de uma viol\u00eancia sem tamanho, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos como a n\u00f3s, por tornar part\u00edcipes involunt\u00e1rios de crimes como limpeza \u00e9tnica, genoc\u00eddio, assassinatos, torturas, destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica de seres humanos, ass\u00e9dio a crian\u00e7as, uso de subst\u00e2ncias proibidas em tratados internacionais (que v\u00e3o muito al\u00e9m do f\u00f3sforo branco, incluindo at\u00e9 ur\u00e2nio), destrui\u00e7\u00e3o dos meios de vida de um povo, confisco de sua cultura e de sua hist\u00f3ria, entre muitos outros.<\/p>\n<p>Precisamos nos organizar mais e melhor para pressionar o governo brasileiro, tanto nas ruas, buscando ampliar o apoio \u00e0 causa, como nos corredores pol\u00edticos de Bras\u00edlia. Precisamos criar urgentemente um lobby de defesa dos direitos das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Como avalia a solidariedade que o PCB vem prestando ao povo palestino?<\/strong><\/p>\n<p>Todo apoio \u00e0 causa palestina \u00e9 bem-vindo, e o do PCB tem ajudado muito no crescimento dessa causa no Brasil. Se voc\u00eas permitirem, eu gostaria de fazer uma sugest\u00e3o. H\u00e1 necessidade urgente de informa\u00e7\u00e3o correta sobre a hist\u00f3ria da Palestina e sobre o que \u00e9 realmente o sionismo, e o risco que esse movimento representa a todas e todos n\u00f3s, cidad\u00e3s e cidad\u00e3os do mundo. Crises econ\u00f4micas, guerras, desestabiliza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses, fome, mis\u00e9ria, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tudo \u00e9 resultado do capitalismo, que alimenta os sionistas e \u00e9 alimentado por eles. O sistema banc\u00e1rio internacional, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, o complexo industrial militar, os principais grupos de m\u00eddia est\u00e3o nas m\u00e3os de sionistas ou t\u00eam neles s\u00f3cios com poder de decis\u00e3o. Eles dominam o governo dos Estados Unidos e, em menor mas n\u00e3o menos preocupante escala, os de Inglaterra, Fran\u00e7a, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1. Financiam congressistas, conseguem postos-chave na administra\u00e7\u00e3o estatal, fazem leis \u2013 e isso n\u00e3o \u00e9 segredo algum; eu mesma consegui v\u00e1rias dessas informa\u00e7\u00f5es em sites sionistas, como o do AIPAC, dispon\u00edveis na internet para quem tiver a paci\u00eancia de os consultar.<\/p>\n<p>Tudo isso precisa ser discutido em semin\u00e1rios populares nacionais e internacionais, visando a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias eficientes de resist\u00eancia e de neutraliza\u00e7\u00e3o crescente do poder dos sionistas e de seus s\u00f3cios formais e informais ao redor do mundo. N\u00e3o podemos esperar mais. O cen\u00e1rio mundial est\u00e1 cada dia mais preocupante. Tenho algumas informa\u00e7\u00f5es \u2013 que infelizmente ainda n\u00e3o posso divulgar \u2013 de arrepiar os cabelos das cidad\u00e3s e dos cidad\u00e3os mais c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cbondade natural\u201d dos seres humanos, como queria o sonhador Rousseau. Nem Hobbes poderia imaginar o Leviat\u00e3 que est\u00e1 sendo criado. Precisamos nos organizar internacionalmente para impedir que ele vire realidade. Nesse sentido, minha sugest\u00e3o \u00e9 que o PCB convide outros partidos para debates nesse sentido, e que os movimentos sociais sejam tamb\u00e9m protagonistas. Enquanto permanecemos parados, eles avan\u00e7am. Manifesta\u00e7\u00f5es de rua, como no Egito, na Espanha, na Gr\u00e9cia, s\u00e3o fundamentais, mas n\u00e3o bastam para deter o monstro.<\/p>\n<p>Outra sugest\u00e3o \u00e9 que o PCB ou\u00e7a mais a popula\u00e7\u00e3o palestina e menos seus governantes, obviamente comprometidos com a solu\u00e7\u00e3o que o mundo imp\u00f4s \u00e0 Palestina, de dois Estados. O povo palestino quer um Estado \u00fanico, secular e democr\u00e1tico, com direitos iguais para todos, liberdade religiosa, volta dos refugiados. Um Estado sem sionismo, que \u00e9 a fonte da trag\u00e9dia palestina e do Oriente M\u00e9dio. Para eles, a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, al\u00e9m de ser imposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o lhes faz justi\u00e7a. E eles t\u00eam toda raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>O que mudou depois da aprova\u00e7\u00e3o da entrada da Palestina na ONU?<\/strong><\/p>\n<p>Mudou a intensidade e a quantidade dos atos praticados contra os palestinos pelo ex\u00e9rcito sionista, a mando do governo de Israel. A constru\u00e7\u00e3o de novas unidades residenciais nas col\u00f4nias exclusivamente judaicas constru\u00eddas ilegalmente em territ\u00f3rio palestino \u00e9 um plano antigo, mas seu an\u00fancio foi feito depois do reconhecimento da Palestina como Estado observador das Na\u00e7\u00f5es Unidas para parecer repres\u00e1lia ao \u00eaxito diplom\u00e1tico da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Em 2011, quando vivi l\u00e1, obtive informa\u00e7\u00f5es de que o projeto \u00e9 construir 10 mil unidades, em dez anos, s\u00f3 na parte oriental de Jerusal\u00e9m, que seria a capital da Palestina. Isso \u00e9 t\u00edpico dos sionistas. Eles elaboram seus planos e engavetam quando o quadro internacional lhes \u00e9 desfavor\u00e1vel, e ent\u00e3o aguardam, ou provocam, ocasi\u00e3o prop\u00edcia para desengavet\u00e1-los, dando a impress\u00e3o de que foram pensados como rea\u00e7\u00e3o a essas ocasi\u00f5es prop\u00edcias, quando eles podem responsabilizar os palestinos por alguma a\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, inclusive armada \u2013 que \u00e9 legal e justificada pelo direito internacional, mas apresentada ao mundo pela m\u00eddia sionista como terrorista e de \u201cdeslegitimiza\u00e7\u00e3o\u201d de Israel (um Estado ileg\u00edtimo, diga-se, por ter sido criado unilateralmente, \u00e0 margem da Carta da ONU e da legisla\u00e7\u00e3o internacional). \u00c9 o caso do muro, que come\u00e7ou a ser constru\u00eddo em 2002, supostamente, para impedir a entrada de grupos armados em Israel, mas que j\u00e1 estava previsto desde antes da Guerra dos Seis Dias como projeto de expans\u00e3o colonial israelense, e o objetivo era o confisco de terras palestinas, como a pr\u00e1tica comprovou.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0s mudan\u00e7as, aumentou o n\u00famero de ordens de demoli\u00e7\u00e3o de casas palestinas, agora espalhadas em toda a Cisjord\u00e2nia, e de tomada de terras dos palestinos sob a justificativa de que as \u00e1reas onde elas se situam v\u00e3o se transformar em campos de exerc\u00edcio militar. Aumentaram as incurs\u00f5es do ex\u00e9rcito de Israel nas vilas palestinas e aumentou a viol\u00eancia dos soldados. Intensificou-se ou reiniciou-se o uso de muni\u00e7\u00e3o letal at\u00e9 mesmo em locais onde ela n\u00e3o era mais utilizada, como Bil\u2019in. Thiago, um amigo que recentemente esteve l\u00e1, testemunhou e fotografou: balas mortais est\u00e3o sendo atiradas na popula\u00e7\u00e3o desarmada. Aumentaram o n\u00famero e a viol\u00eancia dos ataques dos colonos, que agora invadem p\u00e1tios e casas palestinas para amea\u00e7ar e atemorizar seus moradores, al\u00e9m de queimar planta\u00e7\u00f5es, arrancar oliveiras \u2013 isto \u00e9, destruir os meios de vida da popula\u00e7\u00e3o das vilas, predominantemente agr\u00e1rias \u2013, agredir e atirar pedras em crian\u00e7as e adultos, sempre sob a prote\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de Israel, que os acompanha para garantir que seus crimes sejam plenamente executados.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de terror cotidiano e absoluto. Os palestinos ficam \u00e0 merc\u00ea da sorte, porque, pelos acordos de Oslo, a seguran\u00e7a nas \u00e1reas B e C \u2013 que correspondem \u00e0s zonas urbanas e rurais dos vilarejos palestinos, mais de 60% da Cisjord\u00e2nia \u2013 \u00e9 responsabilidade de Israel. Ent\u00e3o a ANP, mesmo que quisesse, n\u00e3o poderia proteger o povo palestino que habita essas regi\u00f5es. Os ativistas internacionais, as c\u00e2maras fotogr\u00e1ficas e de v\u00eddeo s\u00e3o o \u00fanico escudo daquela popula\u00e7\u00e3o, porque os colonos e os soldados n\u00e3o querem ser filmados nem fotografados nem reconhecidos porque sabem que, quando esse pesadelo terminar, eles ter\u00e3o de enfrentar o Tribunal Penal Internacional (TPI).<\/p>\n<p>Por outro lado, a ANP teme levar Israel ao TPI. J\u00e1 podia ter feito isso, mas ainda nem aderiu ao Estatuto de Roma, que criou o TPI, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para denunciar o Estado sionista na corte internacional. As organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos da Palestina iniciaram uma campanha nesse sentido, e contam com advogados e juristas trabalhando para verificar a melhor maneira de fazer com que os criminosos de Israel sejam responsabilizados e punidos por genoc\u00eddio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade \u2013 porque tudo isso acontece na Palestina. Mas a ANP permanece na imobilidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo ela amea\u00e7ou ir ao TPI caso Israel constru\u00edsse casas e pr\u00e9dios na zona conhecida como E1, em Jerusal\u00e9m. Se esse plano sionista for executado, os palestinos da Cisjord\u00e2nia n\u00e3o ter\u00e3o mais acesso a Jerusal\u00e9m. Al\u00e9m disso, a Cisjord\u00e2nia ficar\u00e1 dividida em duas partes, a norte e a sul, e algumas vilas ser\u00e3o quase totalmente bloqueadas, formando pequenas \u201cGazas\u201d, pris\u00f5es a c\u00e9u aberto. Por a\u00ed se v\u00ea que a ANP pretendeu usar o TPI como moeda de barganha contra Israel, o que \u00e9 no m\u00ednimo vergonhoso.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>O novo governo eg\u00edpcio vem ajudando mais na solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Apesar das expectativas nesse sentido, o governo eg\u00edpcio est\u00e1 cada vez mais comprometido com Israel (leia-se EUA) e isolado pela popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia. Recentemente Morsi, o presidente, quase caiu: abandonou o pal\u00e1cio, cercado por populares, e bastava que eles o tomassem para criar uma crise enorme l\u00e1. Eles n\u00e3o fizeram isso, por\u00e9m. Permaneceram do lado de fora.<\/p>\n<p>A passagem para o Egito, na cidade de Rafah, sul de Gaza, continua fechada para grande parte da popula\u00e7\u00e3o palestina. Para passar por ela a pessoa precisa preencher determinadas exig\u00eancias, que incluem idade, sexo, profiss\u00e3o, filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Ou seja, o controle continua existindo, agora sob a apar\u00eancia de uma pequena \u201cliberdade de movimento\u201d. Outro ponto negativo, que nem mesmo o governo de Mubarak ousou, \u00e9 p\u00f4r fim aos t\u00faneis subterr\u00e2neos que ligam Gaza ao Egito e pelos quais os gazenses conseguem ter acesso a alimentos, algum material de constru\u00e7\u00e3o, eletrodom\u00e9sticos, bens b\u00e1sicos. Tamb\u00e9m \u00e9 por eles que entram os componentes das armas usadas pelas brigadas de Gaza, inclusive dos foguetes que foram atirados em Jerusal\u00e9m e Tel Aviv como rea\u00e7\u00e3o ao ataque militar israelense a Gaza, no final do ano passado, e que derrubaram ao menos dois avi\u00f5es israelenses que atiravam contra a popula\u00e7\u00e3o da faixa costeira palestina. Destaque-se que esses foguetes foram decisivos para que Israel buscasse o cessar-fogo, articulado pelo governo eg\u00edpcio a pedido de Barack Obama. Sem eles, como o pessoal de Gaza poder\u00e1 se defender? Sem os alimentos que entram pelos t\u00faneis, como ter\u00e1 o suficiente para comer?<\/p>\n<p>Por outro lado, a Irmandade Mu\u00e7ulmana, organiza\u00e7\u00e3o a que pertencem Morsi e seu partido, vem mudando de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, procurando aproxima\u00e7\u00e3o com o Catar, a Ar\u00e1bia Saudita e seus parceiros, as pot\u00eancias ocidentais. Isso se reflete na postura do Ham\u00e1s, filhote da Irmandade, hoje bem mais moderada, e sua a\u00e7\u00e3o sobre as brigadas independentes de Gaza, que t\u00eam respeitado o cessar-fogo \u2013 exceto pelo foguete lan\u00e7ado no sul de Israel como protesto pela morte do prisioneiro Arafat Jadarat, em 23 de fevereiro. Mas Israel n\u00e3o respeita o cessar-fogo: j\u00e1 cometeu mais de uma centena de viola\u00e7\u00f5es ao acordo.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o do governo eg\u00edpcio soma-se aos demais motivos que o levam ao isolamento total, a ponto de uma cidade eg\u00edpcia ter se declarado \u201cterrit\u00f3rio independente\u201d, onde \u201ca Irmandade n\u00e3o manda\u201d. No Egito as coisas est\u00e3o bem complicadas, mas seu governo, definitivamente, n\u00e3o ousa nem ousar\u00e1 opor-se a Israel.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Como est\u00e1 se dando o debate entre as propostas de dois Estados na Regi\u00e3o &#8211; Israel e Palestina &#8211; e a de um estado \u00fanico, laico, multi\u00e9tnico, onde viveriam palestinos, \u00e1rabes, judeus e pessoas de outras origens?<\/strong><\/p>\n<p>Os intelectuais de esquerda palestinos e israelenses defendem a solu\u00e7\u00e3o do Estado \u00fanico, secular e democr\u00e1tico \u2013 ODS, One Democratic State \u2013 em toda a Palestina. Esse projeto \u00e9 antigo e ganhou for\u00e7a em 2007, quando, num encontro nos Estados Unidos, foi elaborado um documento nesse sentido. Em 2011, na Palestina, esses intelectuais come\u00e7aram a organizar a base do Estado, com planos de debates nas vilas, da escrita de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o de um site, enfim, a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Em dois dias, mais de quatrocentos intelectuais palestinos (da Palestina e da di\u00e1spora) e israelenses haviam assinado o novo documento de apoio ao ODS. Escrevi mat\u00e9ria sobre isso para o Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Mas ativistas da Europa silenciaram esse debate ao organizar a campanha \u201cBem-Vindo \u00e0 Palestina\u201d, cujo objetivo era desafiar o governo israelense no aeroporto de Tel Aviv, o Ben Gurion, mostrando ao mundo que, al\u00e9m do bloqueio a Gaza, tamb\u00e9m havia bloqueio na Cisjord\u00e2nia. Par\u00eanteses: voc\u00ea s\u00f3 entra em Israel se esconder o fato de que ir\u00e1 \u00e0 Palestina. Se disser a verdade, ter\u00e1 de voltar para casa. Os ativistas resolveram que iriam dizer a verdade e Israel montou uma opera\u00e7\u00e3o de guerra para receb\u00ea-los, prend\u00ea-los e deport\u00e1-los. Tudo isso exigiu um grande esfor\u00e7o da parte dos intelectuais palestinos envolvidos no ODS e o trabalho se perdeu. \u00c9 a mania de os ativistas internacionais tomarem decis\u00f5es sem consultar os palestinos e sem respeitar o\u00a0<em>timing<\/em> local&#8230;<\/p>\n<p>Logo depois disso houve a intensifica\u00e7\u00e3o do movimento rumo \u00e0 ONU, para o reconhecimento do Estado da Palestina pela entidade, e mais uma vez o ODS foi sacrificado. Mas o movimento est\u00e1 se reorganizando. Al\u00e9m dos intelectuais, a maioria dos palestinos \u00e9 a favor do Estado \u00fanico. Eu j\u00e1 tinha sentido isso nas conversas que mantive nas vilas, nas ruas, nos \u00f4nibus, nos mercados. Em julho de 2011 uma pesquisa realizada em Gaza e na Cisjord\u00e2nia comprovou que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o quer o Estado \u00fanico. Um documento de um intelectual de esquerda que daria palestra no F\u00f3rum Social Mundial Palestina Livre, e que foi impedido de vir porque s\u00f3 ganhou passagem quem recebeu a aprova\u00e7\u00e3o da ANP \u2013 a esquerda ficou de fora, empobrecendo o debate e as propostas no f\u00f3rum \u2013 prop\u00f5e que os palestinos se encarreguem da \u201cquest\u00e3o judaica\u201d, o que significa n\u00e3o s\u00f3 compartilhar a Palestina com os judeus como estar ao lado deles e defend\u00ea-los se estiverem sob risco \u2013 algo que os palestinos j\u00e1 faziam antes de os sionistas aparecerem por l\u00e1, no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Quanto a dois Estados, na pr\u00e1tica \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o invi\u00e1vel. O territ\u00f3rio palestino est\u00e1 recortado, fragmentado, quase todo tomado por col\u00f4nias e estradas exclusivas para judeus, com postos militares de controle, muros&#8230; Enfim, n\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de contiguidade de territ\u00f3rio. E para ir de um cant\u00e3o a outro \u00e9-se obrigado a passar por territ\u00f3rio confiscado e anexado por Israel \u2013 isto \u00e9, em territ\u00f3rio estrangeiro, inimigo, que n\u00e3o permite a passagem de palestinos por ele.<\/p>\n<p>Parte da direita israelense tamb\u00e9m quer o Estado \u00fanico, mas controlado por sionistas. Pol\u00edticos do Knesset j\u00e1 elaboraram projetos de lei para continuar no comando quando Israel anexar oficialmente a Cisjord\u00e2nia e s\u00f3 aguardam ocasi\u00e3o prop\u00edcia para apresent\u00e1-los. Um deles cria conselhos pol\u00edticos locais nas cidades de maioria palestina, e os palestinos s\u00f3 poder\u00e3o votar para esses conselhos. Nas elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias, apenas os israelenses votariam, garantindo o poder para o sionismo. Ou seja: as leis de Israel, que j\u00e1 estabelecem o apartheid, seriam complementadas por outras, para evitar que, como maioria \u2013 hoje o n\u00famero de palestinos na Palestina hist\u00f3rica (o que inclui Israel) supera o de israelenses \u2013, a popula\u00e7\u00e3o palestina n\u00e3o ameace o dom\u00ednio sionista.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Como v\u00ea o conflito que se desenvolve na S\u00edria?<\/strong><\/p>\n<p>O conflito na S\u00edria faz parte do projeto de dom\u00ednio imperialista naquela regi\u00e3o do planeta, da configura\u00e7\u00e3o do que os especialistas do imp\u00e9rio chamam de Novo Oriente M\u00e9dio. A desestabiliza\u00e7\u00e3o vem obedecendo ao cronograma tra\u00e7ado desde os anos 1990 pelos\u00a0<em>neocons<\/em> dos EUA: L\u00edbia e S\u00edria eram os primeiros da lista, seguidos do L\u00edbano, de alguns pa\u00edses africanos-chave para o controle das \u00e1guas do Nilo e do Ir\u00e3. O objetivo \u00e9 o dom\u00ednio dos recursos naturais (\u00f3leo, g\u00e1s, min\u00e9rios e mat\u00e9ria-prima da ind\u00fastria de drogas), da \u00e1gua e, recentemente, das terras agricultur\u00e1veis da \u00c1sia e da \u00c1frica, que v\u00eam sendo compradas em grandes extens\u00f5es por gigantes como Bunge, Cargill, Monsanto.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como protesto popular n\u00e3o violento por liberdades e direitos, na S\u00edria, transformou-se numa guerra patrocinada pelas superpot\u00eancias, que financiam mercen\u00e1rios e armas. Supor que uma popula\u00e7\u00e3o reprimida e desorganizada politicamente pode manter dois anos de luta armada incessante \u00e9 ingenuidade, para dizer o m\u00ednimo. Mas alguns grupos defendem que est\u00e1 em curso uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d na S\u00edria. Mais do que ilus\u00e3o, esse \u00e9 um desservi\u00e7o \u00e0 resist\u00eancia ao imperialismo.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>Qual tem sido o papel dos Comit\u00eas pela Palestina? Qual o saldo do \u00faltimo encontro nacional?<\/strong><\/p>\n<p>Em algumas vilas os comit\u00eas est\u00e3o divorciados da popula\u00e7\u00e3o, enquanto em outras eles a representam e contam com apoio popular. Viajei muito pela Palestina, estive nas vilas e procurei ouvir ao m\u00e1ximo seus habitantes. Percebi um distanciamento crescente dos moradores em rela\u00e7\u00e3o aos comit\u00eas. H\u00e1 todo tipo de cr\u00edticas, de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a desvios de verbas recebidas da ANP e de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, passando por decis\u00f5es unilaterais. Minha tentativa era mostrar a esse pessoal que, sem participa\u00e7\u00e3o popular, os comit\u00eas continuariam agindo sozinhos e a causa palestina ficaria comprometida. Mas n\u00e3o convenci ningu\u00e9m. Senti as pessoas muito c\u00e9ticas, muito desesperan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Fiz essas coloca\u00e7\u00f5es no grupo que integro com o pessoal dos comit\u00eas populares palestinos e com ativistas internacionais que os apoiam, e eles ficaram de discutir isso no encontro. Mas ainda n\u00e3o tive contato com os l\u00edderes, com tempo e calma suficiente, para saber como a discuss\u00e3o foi encaminhada. Prometo trazer a informa\u00e7\u00e3o assim que a tiver, completa e detalhada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4527\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4527","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1b1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4527\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}