{"id":4556,"date":"2013-03-31T00:00:16","date_gmt":"2013-03-31T00:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4556"},"modified":"2017-11-19T09:53:29","modified_gmt":"2017-11-19T12:53:29","slug":"ostalgia-1-horror-global-e-renovacao-das-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4556","title":{"rendered":"\u201cOstalgia\u201d (1), horror global e renova\u00e7\u00e3o das lutas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/JeanSalem_01.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917<\/strong><\/p>\n<p>Jean Salem<\/p>\n<p>\u201cPodemos dizer que a quest\u00e3o do balan\u00e7o do per\u00edodo hist\u00f3rico iniciado com a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica e com a chegada de Lenine ao poder continua a estar manifestamente em aberto. Podemos dizer que regressar\u00e1 em breve uma reabilita\u00e7\u00e3o mais que parcial de Outubro de 1917 e do \u201csocialismo real\u201d com a renova\u00e7\u00e3o das lutas e a restaura\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>No seu livro publicado em 1994 \u201cA Era dos Extremos\u201d, Eric Hobsbawm evoca o exemplo de um casal de jovens alem\u00e3es, durante algum tempo namorados, a quem a revolu\u00e7\u00e3o b\u00e1vara dos sovietes mudou a vida: Olga Ben\u00e1rio, filha de um pr\u00f3spero advogado de Munique, e Otto Braun, maestro. Olga chegou a consagrar a sua vida \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o\u2026 no hemisf\u00e9rio ocidental. Nada menos. Esteve ligada e depois casada com Lu\u00eds Carlos Prestes, que tinha encabe\u00e7ado uma longa marcha insurreccional atrav\u00e9s das selvas do interior do Brasil. Em 1935, a tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o fracassou e as autoridades brasileiras entregaram Olga \u00e0 Alemanha hitleriana, onde encontrou a morte num campo de concentra\u00e7\u00e3o. Otto, com mais sorte, prop\u00f4s-se na mesma altura participar na revolu\u00e7\u00e3o no outro lado do mundo, na qualidade de perito militar do Komintern na China. Foi o \u00fanico estrangeiro a tomar parte na \u201cLonga Marcha\u201d dos comunistas chineses, antes de voltar a Moscovo e finalmente \u00e0 RDA. Pergunta Hobsbawm \u201cQuando, sen\u00e3o na primeira metade do s\u00e9culo XX, poderiam estas vidas interligadas ter seguido uma traject\u00f3ria assim?\u201d (2)<\/p>\n<p>O s\u00e9culo, que praticamente tinha come\u00e7ado com os massacres da primeira guerra mundial e com a boa nova da revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia, tinha efectivamente distribu\u00eddo o jogo de uma maneira realmente muito simples: ser revolucion\u00e1rio era cada vez mais ser partid\u00e1rio de Lenine e da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917, quer dizer, ser membro ou \u201ccompanheiro de estrada\u201d de algum partido comunista no seio de um movimento mundial cujo centro se encontrava em Moscovo. Os melhores, os \u201cprofissionais\u201d deste movimento revolucion\u00e1rio internacional, como dizia Bertolt Brecht num poema que lhes dedicou, \u201cmudavam de pa\u00eds como quem muda de sapatos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um pouco de hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>No s\u00e9c. XIX, o estado russo (gosudarstvo) ainda estava representado como assunto do soberano (gosudar\u2019) e todos os russos tinham de prestar juramento de fidelidade ao czar desde o momento da sua chegada ao poder. O imperador n\u00e3o era um simples c\u00e9sar civil, era al\u00e9m disso o \u201cdefensor e guardi\u00e3o\u201d, uma esp\u00e9cie de \u201cpapa\u201d da religi\u00e3o ortodoxa. \u00c9 verdade que em 19 de Fevereiro (3 de Mar\u00e7o) de 1861 foi promulgado finalmente pelo czar Alexandre II o \u201cEstatuto geral dos camponeses libertos da servid\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, nos anos seguintes, sobretudo a partir da chegada de Alexandre III em 1881, a pol\u00edtica interior russa esteve quase exclusivamente marcada pelo triunfo da reac\u00e7\u00e3o\u201d (3).<\/p>\n<p>Pode-se observar, a este respeito, uma constante na hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es: at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria v\u00e9spera de eclodirem, tudo se passa como se os privilegiados, em vez de fazerem algumas concess\u00f5es, mesmo que pequenas, o que poderia pelo menos atrasar o inevit\u00e1vel desenlace, se tornassem cada vez mais intransigentes perante a ideia de lhes ser retirado o mais \u00ednfimo dos privil\u00e9gios. Sob este ponto de vista, a \u00e9poca que estamos vivendo poderia parecer rica em promessas! Porque, se esquecermos ainda que por um instante as exibi\u00e7\u00f5es caritativas e as palha\u00e7adas do pretenso \u201ccom\u00e9rcio justo\u201d, mal se v\u00ea quem, de entre os senhores da guerra econ\u00f3mica mundializada, se vai preocupar seriamente com limitar os colossais lucros das grandes empresas internacionais ou com redistribuir menos desigualmente os fabulosos benef\u00edcios que acumulam. E \u00e9 curioso verificar com que encarni\u00e7amento a nobreza russa no reinado de Alexandre III (1881-1894) e inclusivamente no de Nicolau II (1894-1917) tentou restabelecer a sua situa\u00e7\u00e3o material e insistir naquilo que os seus ide\u00f3logos denunciavam, depois da aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o, como uma intoler\u00e1vel \u201cfus\u00e3o de castas\u201d. Do mesmo modo, na Fran\u00e7a do s\u00e9c. XVIII, a capita\u00e7\u00e3o (do latim caput \u2013 imposto \u2018por cabe\u00e7a\/pessoa\u2019, imposto estabelecido desde 1701 e que teoricamente abrangia todos os franceses) foi rapidamente eludida pelo clero e pelos nobres, que dela ficaram isentos. De igual modo, com a talha (outro imposto directo), que acabou por recair unicamente sobre os plebeus. E tamb\u00e9m em 1786, quando a d\u00edvida amea\u00e7ava as finan\u00e7as reais e Calonne ministro de Lu\u00eds XVI tentou debelar a crise tornando o imposto menos injusto e chocou tamb\u00e9m ele com uma verdadeira revolta da nobreza, uma reac\u00e7\u00e3o aristocrata que anunciava e deu impulso \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p><strong>1905-1907: o \u00abensaio geral\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 nos nossos dias quem fale de bom grado de uma \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o incompleta\u201d, de uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o perdida\u201d, de uma R\u00fassia que teria estado em plena muta\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do s\u00e9c. XX e cuja evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica teria sido revertida, ou quase, pela revolu\u00e7\u00e3o bolchevique! De um czar que bem o teria querido, mas que, por falta de tempo, n\u00e3o conseguiu. De promessas de amplia\u00e7\u00e3o do papel concedido a uma assembleia (a Duma) at\u00e9 ent\u00e3o condenada a ser ou o traseiro, ou\u2026 dissolvida. A eclos\u00e3o desde finais do s\u00e9c. XIX de uma burguesia que inclu\u00eda desde os simples comerciantes at\u00e9 aos novos \u201creis do caminho-de-ferro\u201d, passando pela intelectualidade urbana, o esbo\u00e7o de um aut\u00eantico proletariado (mais de 3 milh\u00f5es de oper\u00e1rios desde 1900) e simplesmente o largo rio tranquilo da hist\u00f3ria, tudo isso teria bastado, segundo dizem, para fazer a R\u00fassia entrar sem demasiados sobressaltos na modernidade compar\u00e1vel \u00e0 de outros pa\u00edses europeus do ocidente. Falando claramente, o poder comunista teria matado no ovo as melhores das inten\u00e7\u00f5es, que como se sabe apenas aguardam que as levem a cabo\u2026 Vivemos, afinal de contas, uma \u00e9poca de contra-revolu\u00e7\u00e3o, uma \u00e9poca de Restaura\u00e7\u00e3o e este tipo de contraverdades n\u00e3o deve surpreender-nos. S\u00e3o por\u00e9m dif\u00edceis de acreditar quando lemos, por exemplo, o Di\u00e1rio do pr\u00edncipe Metchtcherski, confidente do czar Alexandre III: \u201cO que o povo mais teme \u00e9 o chicote\u201d, escrevia este grande liberal. \u201cOnde existir o l\u00e1tego reina a ordem, desaparece o alcoolismo, o filho respeita o pai e nota-se grande prosperidade\u201d. Quanto aos fuzilamentos e outras execu\u00e7\u00f5es em massa praticadas correntemente sob o minist\u00e9rio de Stolypin (1906-1911), n\u00e3o parece que tal seja t\u00edpico do que normalmente se entende por \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um pa\u00eds essencialmente rural<\/strong><\/p>\n<p>Nas v\u00e9speras da 1\u00aa guerra mundial, a civiliza\u00e7\u00e3o urbana era ainda um artigo de importa\u00e7\u00e3o. As reformas de Pedro o Grande (que reinou de 1682 a 1725) tinham-na imposto e foi depois sendo aperfei\u00e7oada com uma R\u00fassia oficial europeizada, concentrada em Moscovo e em Petersburgo, que dominavam de longe um pa\u00eds predominantemente rural. Tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio russo dedicavam-se directamente \u00e0 agricultura. Tradicionalmente, a propriedade individual da terra n\u00e3o existia a n\u00e3o ser para os nobres e alguns comerciantes. O solo cultiv\u00e1vel pertencia \u00e0s comunas camponesas (no ocidente fala-se do mir [comunidade agr\u00edcola na R\u00fassia czarista], os russos preferem dizer obchtchina, \u201ca comuna\u201d). Cada fam\u00edlia possu\u00eda a t\u00edtulo perp\u00e9tuo a sua casa, assim como o recinto onde se levantava o est\u00e1bulo, o armaz\u00e9m e uma pequena horta, mas os campos e os prados eram comunais. Na condi\u00e7\u00e3o de que provessem o ex\u00e9rcito de recursos, pagassem os seus impostos e fornecessem os servi\u00e7os que lhes eram requeridos, os camponeses geriam-se e julgavam-se entre si. As nossas costas pertencem ao senhor, dizia um antigo prov\u00e9rbio russo, mas a terra \u00e9 nossa. As comunas repartiam as parcelas ar\u00e1veis entre as fam\u00edlias proporcionalmente \u00e0s necessidades e \u00e0 capacidade de trabalho de cada uma. Redistribu\u00edam-nas regularmente com o objectivo de manter a igualdade constantemente amea\u00e7ada pelo aumento ou diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de bocas a alimentar em cada lar. Marx interessou-se muito de perto por este sistema t\u00e3o peculiar. Para Herzemy, mais tarde, para os populistas russos do s\u00e9c. XIX, havia a\u00ed inclusivamente todas as possibilidades para um socialismo russo original. Por\u00e9m, a penetra\u00e7\u00e3o do capitalismo no campo teve como primeiro efeito decompor o mir igualit\u00e1rio e permitiu a um pequeno grupo de camponeses mais favorecidos, os kulaks, escaparem \u00e0 pauperiza\u00e7\u00e3o da maioria. Por isso, Lenine, como marxista, considerava que num pa\u00eds como a R\u00fassia, apesar deste predom\u00ednio do elemento campon\u00eas, a alian\u00e7a dos oper\u00e1rios e camponeses devia fazer-se sob a direc\u00e7\u00e3o do proletariado. De um proletariado por certo notavelmente menos numeroso, mas mais organizado e menos desarmado frente ao poder do dinheiro, que acabava de cair com todo o seu peso sobre um mujique todavia meio servo.<\/p>\n<p><strong>24 de Outubro \u2013 2 de Novembro de 1917: dez dias que abalaram o mundo<\/strong><\/p>\n<p>Dez anos depois do \u201censaio geral\u201d de 1905-1907 (em 1905, Dezembro, tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o afogada em sangue e metralha, em Moscovo), dez anos depois desta primeira revolu\u00e7\u00e3o russa que tinha surgido quando o ex\u00e9rcito imperial sofria derrota atr\u00e1s de derrota na guerra que o governo de Nicolau II tinha desencadeado contra os \u201cmacacos\u201d japoneses (o mesmo mote foi aplicado ao czar), apenas dez anos mais tarde, a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917 teve tamb\u00e9m como marco e como causa imediata a guerra, a guerra desta vez mundial, a guerra esse incompar\u00e1vel \u201cacelerador da hist\u00f3ria\u201d, segundo a f\u00f3rmula de Lenine.<\/p>\n<p>Por duas vezes, o ex\u00e9rcito russo se lan\u00e7ou prematuramente na ofensiva para aliviar o ex\u00e9rcito franc\u00eas, primeiro na sua retirada da B\u00e9lgica e depois quando da batalha do Marne. Foi um duplo desastre. A campanha de 1915 n\u00e3o foi menos desastrosa: depois da queda de Vars\u00f3via, os alem\u00e3es penetraram na R\u00fassia branca, assim como nos pa\u00edses b\u00e1lticos. At\u00e9 Petrogrado se viu amea\u00e7ada. Bloqueada pelo B\u00e1ltico e pelo Mar Negro, obrigada a abastecer-se por Vladivostok e por Murmansk, a R\u00fassia estava submetida a um verdadeiro bloqueio. Em finais de 1916, a alta de pre\u00e7os alcan\u00e7ava conforme os sectores de 300 a 600% e os soldados \u201cvotavam com os p\u00e9s\u201d: nos \u00faltimos meses da guerra, um milh\u00e3o tinha desertado! Para melhor apoiar a ideia de que, fosse como fosse, havia que assinar uma paz ainda que humilhante com a Alemanha (Brest-Litovsk, 3 de Mar\u00e7o de 1918), ou, dito de outra maneira, para convencer que se se queria salvar a incipiente revolu\u00e7\u00e3o era vital perder provisoriamente espa\u00e7o para ganhar tempo, Lenine repetir\u00e1 insistentemente esta f\u00f3rmula-choque: o sangue afoga os soldados (4). A guerra tinha que acabar o mais rapidamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Entretanto, tiveram lugar uma s\u00e9rie de acontecimentos absolutamente extraordin\u00e1rios. O regime do czar afundou-se quando uma manifesta\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios por ocasi\u00e3o do dia internacional da mulher a 23 de Fevereiro [8 de Mar\u00e7o] e uma paragem de trabalho massiva nas f\u00e1bricas Putilov desembocaram numa greve geral seguida por 90% dos 400.000 oper\u00e1rios de Petrogrado. A tropa recusou-se a disparar contra as pessoas e acabou por amotinar-se. Nicolau II teve que abdicar a 3 de Mar\u00e7o e dar lugar a um \u201cgoverno provis\u00f3rio\u201d. Este governo (ou melhor, esta sucess\u00e3o de governos) dominado primeiro pela figura do pr\u00edncipe Lvov e depois, a partir de Julho de 1917, pela de Kerenski, vai ver-se obrigado de facto a partilhar o poder at\u00e9 \u00e0 sua pr\u00f3pria queda com uma quantidade de conselhos (soviets) surgidos espontaneamente. Os bolcheviques n\u00e3o obtiveram neles de imediato a maioria. A timidez da pol\u00edtica social posta em marcha pelo governo provis\u00f3rio, os apelos de Kerenski para uma \u201cofensiva revolucion\u00e1ria\u201d contra\u2026 os alem\u00e3es e o desmembramento absolutamente fict\u00edcio dos grandes latif\u00fandios em benef\u00edcio de fantoches e testas-de-ferro, n\u00e3o tardaram a tornar imensamente popular o slogan dos bolcheviques que pedia \u201cP\u00e3o, Paz e Terra!\u201d. No campo, os inc\u00eandios, as pilhagens e as ocupa\u00e7\u00f5es dos grandes latif\u00fandios multiplicaram-se: os camponeses puseram-se a cultivar, a semear e a segar sob a aprova\u00e7\u00e3o dos comit\u00e9s agr\u00e1rios locais. Depois, o fracasso do golpe do general faccioso Kornilov acelerou as coisas. A 23 de Outubro, o governo tentou p\u00f4r fim pela for\u00e7a \u00e0 agita\u00e7\u00e3o bolchevique. Em vez disso, o que conseguiu foi uma insurrei\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 tomada do Pal\u00e1cio de Inverno (26 de Outubro) e aos primeiros decretos promulgados pelo novo poder sovi\u00e9tico: o decreto sobre a paz e o decreto sobre a terra (\u201ca grande propriedade foi imediatamente abolida sem qualquer indemniza\u00e7\u00e3o\u2026\u201d).<\/p>\n<p>Enquanto Staline considerava, tal como os mencheviques, n\u00e3o estar a situa\u00e7\u00e3o ainda madura, a \u201cposi\u00e7\u00e3o leninista\u201d foi como escreveu Slavoj Zizek a \u201cde se lan\u00e7ar, precipitar-se sobre o paradoxal da situa\u00e7\u00e3o, aproveitar a oportunidade e intervir, inclusive podendo a situa\u00e7\u00e3o ser \u2018prematura\u2019\u201d (5). \u201cEsperar para actuar, \u00e9 a morte\u201d, \u201ch\u00e1 que encontrar solu\u00e7\u00e3o a todo o custo para esta quest\u00e3o, esta mesma tarde ou esta noite\u201d: foi o que Lenine disse e repetiu na noite de 24 para 25 de Outubro de 1917, quando lan\u00e7ou do Instituto Smolny a palavra de ordem da insurrei\u00e7\u00e3o contra um governo provis\u00f3rio que pairava no vazio (6). Aos que lhe censuravam o \u201caventureirismo\u201d, poderia ter respondido remetendo para Marx: \u201cSeria evidentemente muito c\u00f3modo fazer hist\u00f3ria se s\u00f3 se tivesse que lan\u00e7ar a luta com a sorte infalivelmente a favor\u201d (7).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 ideia de revolu\u00e7\u00e3o, tentei formular a partir de um exame sistem\u00e1tico das Obras Completas de V.I. Lenine seis teses fundamentais que durante o \u00faltimo quarto de s\u00e9culo muitas esquerdas \u201crespeit\u00e1veis\u201d calmamente apagaram, inclusivamente desautorizaram com viol\u00eancia ou simplesmente censuraram:<\/p>\n<p>1\u00ba\/ A revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma guerra e a pol\u00edtica \u00e9, de maneira geral, compar\u00e1vel \u00e0 arte militar.<\/p>\n<p>2\u00ba\/ Uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 tamb\u00e9m e sobretudo uma revolu\u00e7\u00e3o social, uma altera\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o das classes em que se divide uma sociedade.<\/p>\n<p>3\u00ba\/ Uma revolu\u00e7\u00e3o faz-se de uma s\u00e9rie de batalhas. \u00c9 ao partido de vanguarda que compete conferir uma palavra de ordem adaptada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o objectiva em cada etapa e cabe-lhe reconhecer o momento oportuno da insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4\u00ba\/ Os grandes problemas da vida dos povos nunca s\u00e3o resolvidos a n\u00e3o ser pela for\u00e7a.<\/p>\n<p>5\u00ba\/ Os revolucion\u00e1rios n\u00e3o devem renunciar \u00e0 luta em favor das reformas.<\/p>\n<p>6\u00ba\/ Na era das massas, a pol\u00edtica come\u00e7a onde se encontram milh\u00f5es de homens, incluso dezenas de milh\u00f5es. H\u00e1 que notar al\u00e9m disso o deslocamento tendencial dos focos de revolu\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses dominados.<\/p>\n<p><strong>Defesa e consolida\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>1917: n\u00e3o se trata de um trono que simplesmente se desmorona, n\u00e3o \u00e9 um regime mon\u00e1rquico que vai ser substitu\u00eddo por um regime parlamentar, n\u00e3o s\u00e3o estas ou aquelas reformas que se v\u00e3o levar a cabo, para o povo russo foi, como escreveu Pierre Pascal, \u201cuma imensa revolta contra todas as iniquidades, as opress\u00f5es, as crueldades, as hipocrisias, contra o grande esc\u00e2ndalo da guerra, uma imensa aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade de todos os homens. Os poderosos ser\u00e3o arrancados das suas sedes e os pobres ser\u00e3o exaltados!\u201d (8). Paz para todo o universo! \u201cAlegrai-vos\u201d, escrevia j\u00e1 em Abril de 1917 o poeta Serguey Esenin. \u201cA terra prepara-se para um novo baptismo!\u201d (9).<\/p>\n<p>O novo regime manteve-se gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de um partido comunista centralizado e disciplinado, integrado por 600.000 membros. Era al\u00e9m disso o \u00fanico que podia evitar a desintegra\u00e7\u00e3o de uma R\u00fassia amea\u00e7ada de perder o essencial da sua coes\u00e3o, como aconteceu com outros antigos imp\u00e9rios multinacionais (Austro-h\u00fangaro, Turquia). Por outro lado, a revolu\u00e7\u00e3o permitiu ao campesinato tomar posse da terra. E as interven\u00e7\u00f5es externas (brit\u00e2nica, americana, japonesa, polaca, etc.) e a contra-revolu\u00e7\u00e3o branca? Conseguiu resistir-lhes vitoriosamente, n\u00e3o sem a ajuda da formid\u00e1vel onda revolucion\u00e1ria que nessa altura varria o planeta (em Berlim, na Hungria, mas tamb\u00e9m no M\u00e9xico e, em menor grau, na Argentina, na Indon\u00e9sia\u2026). Foi suficientemente s\u00f3lida para conseguir repelir e finalmente esmagar, 25 anos mais tarde, a invas\u00e3o dos ex\u00e9rcitos nazis, que cometeram espantosos massacres e causaram a morte a 30 milh\u00f5es de cidad\u00e3os sovi\u00e9ticos.<\/p>\n<p><strong>Alcance da Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Este 90\u00ba anivers\u00e1rio confirma-o: vivemos numa \u00e9poca de dupla impostura. A primeira consiste em apresentar o anticomunismo como uma an\u00e1lise da URSS. Alain Besan\u00e7on, antigo comunista e \u201csoviet\u00f3logo\u201d como tantos outros, dizia: \u201cO problema do especialista em quest\u00f5es sovi\u00e9ticas n\u00e3o \u00e9 principalmente, como acontece noutros dom\u00ednios, actualizarconhecimentos. A grande dificuldade est\u00e1 em considerar verdadeiro o que alguns t\u00eam como inveros\u00edmil, em acreditar no inacredit\u00e1vel\u201d (10). A segunda das imposturas consiste, na express\u00e3o de Moshe Lewin, em \u201cestalinizar\u201d o conjunto do fen\u00f3meno, o qual, n\u00e3o teria sido mais do princ\u00edpio ao fim que um imenso gulag, uniforme e cont\u00ednuo (11). Mais um passo e chega-se a assimilar comunismo e nazismo utilizando a muito grosseira no\u00e7\u00e3o de \u201ctotalitarismo\u201d, do que resulta nas cabe\u00e7as de galinha norte-americanas que 40% dos jovens estejam convencidos segundo se diz que a segunda guerra mundial op\u00f4s os EUA\u2026 \u00e0 URSS! Em nome desta ideia rasteira, deste tosco espantalho, um antigo comunista avisou-me, muito a s\u00e9rio, que t\u00ednhamos de desconfiar do Movimento dos Sem Terra\u2026 Criminaliza\u00e7\u00e3o do ideal comunista, autofobia de antigos comunistas que n\u00e3o v\u00eaem inconveniente em se julgarem atores de uma hist\u00f3ria da qual o menos que se pode sentir \u00e9\u2026 vergonha: s\u00e3o estas entre outras as consequ\u00eancias do desaparecimento do campo socialista e a inaudita arrog\u00e2ncia dos vencedores do momento. Esta farsa sinistra tem consistido em fazer passar pela mesma mistifica\u00e7\u00e3o os mais generosos sonhos de dezenas e dezenas de milh\u00f5es de homens e mulheres atrav\u00e9s do planeta, sonhos que, durante d\u00e9cadas, acompanharam a exist\u00eancia do \u201csocialismo real\u201d, em reduzi-los ao mesmo n\u00edvel dos obscenos arrebatamentos daquelas multid\u00f5es que os fascistas s\u00f3 galvanizaram \u00e0 custa de apelos ao \u00f3dio e incitamento \u00e0 selvajaria, e em fazer-nos admitir que a vulgaridade neoliberal \u00e9 um mal menor e que portanto deve ser este o \u00fanico horizonte.<\/p>\n<p>Quer isto dizer que n\u00e3o se passou nada? Que n\u00e3o se cometeu nenhum crime? Que Evguenia Guinzbourg n\u00e3o descreveu em p\u00e1ginas pungentes a loucura da vida num regime de concentra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a fez mudar de ideal? Que o terror n\u00e3o pesou sobre o pa\u00eds durante pelo menos largos anos como uma esmagadora chapa de chumbo? De modo nenhum. Apenas pergunto se, \u00e0 for\u00e7a de pretender que \u00e9 indecente fazer contas ao Grande Comandante quanto ao terror, haver\u00e1 fundamento para proferir acusa\u00e7\u00f5es mais desmedidas que qualquer n\u00famero determin\u00e1vel e assim banalizar os montes de dentes de ouro armazenados nos campos de exterm\u00ednio nazis, as cabe\u00e7as ressequidas de prisioneiros utilizadas como pisa-pap\u00e9is pelos senhores das SS, os quebra-luzes de pele humana, as diab\u00f3licas experi\u00eancias de m\u00e9dicos sa\u00eddos do inferno, etc. Exijo, antes de como muitos fizeram me entregar sem mais \u00e0 autoflagela\u00e7\u00e3o dos vencidos, n\u00f3s que do comunismo conhecemos sobretudo a rectid\u00e3o, as esperan\u00e7as luminosas e o hero\u00edsmo que caracterizava os nossos maiores, exigimos que se nos diga de forma algo mais precisa de qu\u00ea nos est\u00e3o a falar, qual a escala dos crimes em quest\u00e3o. Porque, quando tinha 15 anos, em 1968, quer dizer 45 anos depois dos factos, os historiadores falavam de 3 ou 4 milh\u00f5es de mortos nas duas grandes vagas de repress\u00e3o dos anos 30 (anos 1930-33 e 1935-38), ao passo que a partir de 1975 come\u00e7aram a circular os n\u00fameros mais demenciais (100 ou mesmo 140 milh\u00f5es de v\u00edtimas!).<\/p>\n<p><strong>Um mundo sem Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>No plano internacional, tal como escreve A.Badiou, os Estados socialistas provocaram suficiente medo aos Estados imperialistas para \u201cos obrigar, tanto externa como internamente, a cautelas cuja falta tanto sentimos hoje\u201d (13). Evid\u00eancia cada dia mais clara: a simples exist\u00eancia desse campo de enfrentamento, isso a que um presidente norte-americano n\u00e3o teve vergonha de chamar \u201cimp\u00e9rio do mal\u201d, impediu durante mais de 70 anos o \u201cmundo livre\u201d de revelar t\u00e3o abertamente como o faz hoje as suas verdadeiras normas: guerras, mis\u00e9ria, desemprego em massa, prostitui\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de droga e armas, empobrecimento absoluto e lobotomiza\u00e7\u00e3o generalizada das grandes massas, etc. O dom\u00ednio absoluto do capitalismo vem trazendo grandes sofrimentos a centenas de milh\u00f5es de pessoas, tanto no interior como no exterior dos pa\u00edses ex-socialistas. Como nos parecem distantes aquelas incr\u00edveis declara\u00e7\u00f5es dos anos 91-92, segundo as quais o desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica constitu\u00eda uma oportunidade para os revolucion\u00e1rios do mundo inteiro! Uma hipoteca menos para os \u201cpuros\u201d, aquelas almas nobres que, ao fim e ao cabo, tinham desejado a revolu\u00e7\u00e3o mas\u2026 sem prejudicar nem ofender ningu\u00e9m, o progresso social mas sem essa Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, sempre demasiado \u201cbranda\u201d ou demasiado \u201cdura\u201d aos seus olhos altaneiros, para todos aqueles que clamavam e ainda hoje clamam por uma revolu\u00e7\u00e3o\u2026 sem revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De facto, ao contr\u00e1rio do que se pensa, a URSS em 1991, por muito \u201cbloqueada\u201d ou ofegante que estivesse, n\u00e3o \u201ccaiu por si\u201d! N\u00e3o ter\u00e3o o princ\u00edpio da \u201cguerra fria\u201d e o seu desfecho final, depois do intermezzo de tr\u00e9gua da \u201cdistens\u00e3o\u201d dos anos 72-80, estado marcados por dois avisos militares dos mais expl\u00edcitos? Foram amea\u00e7as n\u00e3o apenas de guerra, mas de guerra total ou aniquilamento: a destrui\u00e7\u00e3o de Hiroshima e Nagasaki decidida por Truman e o programa da \u201cguerra das estrelas\u201d lan\u00e7ado por Ronald Reagan (14). Ningu\u00e9m, ou quase ningu\u00e9m dos que descreveram o fim da URSS como uma simples \u201cdesintegra\u00e7\u00e3o\u201d, como um simples falhan\u00e7o, como uma avaria mec\u00e2nica, se ter\u00e1 dado conta de que um dos objectivos da Iniciativa de Defesa Estrat\u00e9gica (IDS), lan\u00e7ada em 1983 pela equipa de Reagan, era \u201cp\u00f4r de joelhos a pot\u00eancia sovi\u00e9tica\u201d, quebr\u00e1-la para depois a arruinar atrav\u00e9s do relan\u00e7amento desenfreado da corrida aos armamentos. Por isso, nos parece absolutamente evidente o car\u00e1cter mistificador das categorias que pretendem definir como processo puramente espont\u00e2neo e interno uma crise que n\u00e3o se pode separar da formid\u00e1vel press\u00e3o exercida pelo campo contr\u00e1rio. E a categoria de \u201cimplos\u00e3o\u201d ou de \u201ccolapso\u201d, assim como todos os seus suced\u00e2neos enumerados acima, poderia portanto participar perfeitamente de uma mitologia apolog\u00e9tica do capitalismo e do imperialismo. Conforme escreve Losurdo, j\u00e1 n\u00e3o serve para mais do que \u201ccoroar os vencedores\u201d (15).<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Concluamos. Talvez se tenha notado que nada dissemos at\u00e9 agora sobre uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais empobrecida, humilhada, for\u00e7ada a recorrer ao plano B para sobreviver, nem sobre a diminui\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de vida na R\u00fassia, nem sobre o facto do pequeno ecr\u00e3 ter chegado a ser \u00f3cio predominante nesse pa\u00eds coberto at\u00e9 nas mais afastadas aldeias por uma vasta rede de teatros e cinemas, associa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e desportivas, conjuntos musicais e bibliotecas.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, o desemprego, a pilhagem capitalista das enormes riquezas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (nada se soube disto durante d\u00e9cadas) s\u00e3o os sinais mais tang\u00edveis da situa\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 contra-revolu\u00e7\u00e3o e afundamento da URSS. Nada dissemos sobre essa ineg\u00e1vel nostalgia (ost-algia, dizem os alem\u00e3es referindo-se \u00e0 Alemanha de Leste) sentida por muitos de entre os menos jovens pelos tempos passados. O direito a um trabalho fixo, a jornada de 7 horas, ou mesmo 6 horas (instaurada em 1956), assim como a semana de 5 dias, o direito a ensino gratuito, aos cuidados sanit\u00e1rios e \u00e0 protec\u00e7\u00e3o social, a alugueres de baixo custo, a reforma fixada aos 55 anos para as mulheres e aos 60 para os homens, tudo isto resulta da revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. O regime que saiu de Outubro de 1917 estabeleceu al\u00e9m disso os fundamentos da aboli\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o das mulheres. Aliviou-as de numerosas responsabilidades familiares, criando um sistema gratuito de servi\u00e7os sociais geridos pelo Estado. Desde o primeiro momento da sua cria\u00e7\u00e3o, tentou fazer recuar preconceitos, alguns milenares. O poder sovi\u00e9tico soube gerir o seu imenso territ\u00f3rio praticando uma esp\u00e9cie de \u201cinternacionalismo interno\u201d como nunca o fez nenhuma outra pot\u00eancia com as suas col\u00f3nias, levantar um sistema internacional atrav\u00e9s dos primeiros planos quinquenais de antes da guerra e, quando era o caso, reformar-se. S\u00e3o outros tantos factores que testemunham avan\u00e7os muito espectaculares em rela\u00e7\u00e3o com a antiga R\u00fassia.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Podemos dizer que a quest\u00e3o do balan\u00e7o do per\u00edodo hist\u00f3rico iniciado com a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica e com a chegada de Lenine ao poder continua a estar manifestamente em aberto. Podemos dizer que regressar\u00e1 em breve uma reabilita\u00e7\u00e3o mais que parcial de Outubro de 1917 e do \u201csocialismo real\u201d com a renova\u00e7\u00e3o das lutas e a restaura\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>1 Parafraseando o termo nostalgia, os alem\u00e3es referem-se \u00e0 Alemanha oriental dizendo \u201costalgia\u201d (Ost significa leste em alem\u00e3o \u2013 N.T.)<\/em><\/p>\n<p><em>2 E. J. Hobsbawm, \u201cL\u2019\u00c2ge des extr\u00eames. Le Court XXe si\u00e8cle, 1914-1991\u201d, \u00c9ditions Complexe \/ Le Monde diplomatique, p. 109 (tradu\u00e7\u00e3o portuguesa \u201cA Era dos Extremos\u201d, Editorial Presen\u00e7a, 1996 &#8211; N.T.)<\/em><\/p>\n<p><em> 3 Tomo esta express\u00e3o de um livro j\u00e1 muito antigo de B. Mouravieff : \u201cLa Monarchie russe [A monarquia russa]\u201d, Paris, Payot, 1962, p. 186.<\/em><\/p>\n<p><em>4 V. I. Lenine, \u201cRelat\u00f3rio \u00e0 sess\u00e3o do Comit\u00e9 executivo central da R\u00fassia de 23 de Fevereiro de 1918.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em> 5 S. Zizek, \u201cVous avez dit totalitarisme?\u201d [Disse totalitarismo?], Paris, \u00c9ditions Amsterdam, 2005 ; r\u00e9\u00e9d. 2007 : p. 120.<\/em><\/p>\n<p><em>6 V. I. Lenine, \u201cCarta aos membros do Comit\u00e9 central\u201d, Outubro (6 de Nov.) de 1917.<\/em><\/p>\n<p><em>7 Cf. V. I. Lenine, Pr\u00f3logo \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o russa das cartas de K. Marx a L. Kugelmann [1907], igualmente a carta de Marx a Kugelmann de 17 de Abril de 1871<\/em><\/p>\n<p><em> 8 P. Pascal, \u201cCivilisation paysanne en Russie\u201d [Civiliza\u00e7\u00e3o camponesa na R\u00fassia], Lausanne, L\u2019\u00c2ge d\u2019homme, 1969, p. 121.<\/em><\/p>\n<p><em>9 S. Essenin, \u201cApelo cantando:<\/em><\/p>\n<p><em>\u0420\u0430\u0434\u0443\u0439\u0442\u0435\u0441\u044c !<\/em><\/p>\n<p><em>\u0417\u0435\u043c\u043b\u044f\u043f\u0440\u0435\u0434\u0441\u0442\u0430\u043b\u0430<\/em><\/p>\n<p><em>\u041d\u043e\u0432\u043e\u0439 \u043a\u0443\u043f\u0435\u043b\u0438 !<\/em><\/p>\n<p><em>10 A. Besan\u00e7on, \u201cCourt trait\u00e9 de sovi\u00e9tologie \u00e0 l\u2019usage des autorit\u00e9s civiles, militaires et religieuses\u201d [Breve tratado de sovietologia para uso das autoridades civis, militares e religiosas] (Pr\u00e9face de R. Aron), Paris, Hachette, 1976, p. 19.<\/em><\/p>\n<p><em> 11 Cf. M. Lewin, \u00abDix ans apr\u00e8s la fin du communisme. La Russie face \u00e0 son pass\u00e9 sovi\u00e9tique\u00bb [Dez anos ap\u00f3s o fim do comunismo. A R\u00fassia face ao seu passado sovi\u00e9tico], in Le Monde diplomatique, d\u00e9cembre 2001.<\/em><\/p>\n<p><em>12 Cf. GINZBURG, E.S., \u201cEl v\u00e9rtigo\u201d [A vertigem], Barcelona. Galaxia Gutenberg, 2005 y El Cielo de Siberia, Barcelona, Argos Vergara, 1980<\/em><\/p>\n<p><em> 13 BADIOU (A.), \u201cDe quoi Sarkozy est-il le nom?\u201d [Sarkozy \u00e9 nome de qu\u00ea?], Paris, Lignes, 2007, p. 125.<\/em><\/p>\n<p><em>14 Cf. LOSURDO (D.), \u201cFuir l\u2019histoire?\u201d [Fugir da hist\u00f3ria?], Paris, Le Temps des cerises, 2000 ; r\u00e9\u00e9d. Paris, Delga, 2007 : p. 31.<\/em><\/p>\n<p><em> 15 Ibid., p. 32.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2808<\/a><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o espanhola: Jorge Vasconcelos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nSobre a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4556\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[],"class_list":["post-4556","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1bu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4556\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}