{"id":4570,"date":"2013-04-02T14:47:30","date_gmt":"2013-04-02T14:47:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4570"},"modified":"2013-04-02T14:47:30","modified_gmt":"2013-04-02T14:47:30","slug":"dilma-cede-ao-pr-e-confirma-borges-nos-transportes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4570","title":{"rendered":"Dilma cede ao PR e confirma Borges nos Transportes"},"content":{"rendered":"\n<p>Presidente retira ministro &#8220;t\u00e9cnico&#8221; para acomodar escolhido por c\u00fapula do PR; reaproxima\u00e7\u00e3o tem como objetivo reelei\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em mais uma opera\u00e7\u00e3o para obter apoio \u00e0 campanha por um segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff cedeu ao comando do PR e trocou o titular dos Transportes. O novo ministro \u00e9 o ex-governador baiano C\u00e9sar Borges, que ocupava a vice-presid\u00eancia de Governo do Banco do Brasil. Borges substitui Paulo S\u00e9rgio Passos, que assumiu a pasta dos Transportes no rastro da &#8220;faxina&#8221; administrativa &#8211; demiss\u00f5es por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o e fraudes em minist\u00e9rios &#8211; promovida no primeiro ano do governo Dilma, em junho de 2011.<\/p>\n<p>Dilma resistiu o quanto p\u00f4de a trocar Passos. Depois de uma &#8220;novela&#8221; que durou mais de dois meses, por\u00e9m, ela avisou o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente do PR e ex-ministro da pasta, que s\u00f3 aceitaria a substitui\u00e7\u00e3o se o escolhido fosse Borges. A posse ser\u00e1 amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Apesar dos protestos da bancada na C\u00e2mara, que queria a indica\u00e7\u00e3o de um deputado federal, o ex-ministro Nascimento &#8211; que \u00a0foi defenestrado da pasta &#8211; fechou acordo com Dilma, provocando um racha no partido. Caso n\u00e3o fosse contemplada, a dire\u00e7\u00e3o do PR amea\u00e7ava apoiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), poss\u00edvel advers\u00e1rio de Dilma em 2014.<\/p>\n<p>Com a troca de ontem, sobe para quatro o n\u00famero de mudan\u00e7as no primeiro escal\u00e3o. No \u00faltimo dia 15, a presidente fortaleceu o PMDB no governo e, a exemplo do que fez com o PR, tamb\u00e9m cedeu ao grupo do PDT que havia sa\u00eddo da Esplanada na esteira da &#8220;faxina&#8221;.<\/p>\n<p>PMDB<\/p>\n<p>Na seara do PMDB, Dilma transferiu Wellington Moreira Franco da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos (SAE) para a Avia\u00e7\u00e3o Civil, um minist\u00e9rio poderoso em tempos de concess\u00f5es de aeroportos e obras para a Copa de 2014. Depois, para facilitar a montagem do palanque eleitoral em Minas, ela escalou o deputado Ant\u00f4nio Andrade, presidente do PMDB mineiro, para assumir o Minist\u00e9rio da Agricultura no lugar de Mendes Ribeiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pressionada pela c\u00fapula do PDT, nomeou o secret\u00e1rio-geral do partido, Manoel Dias, para a pasta do Trabalho, antes ocupado por Brizola Neto.<\/p>\n<p>Dilma se reuniu ontem com Borges e Nascimento, no Pal\u00e1cio do Planalto, e selou a mudan\u00e7a. O ex-governador e ex-senador baiano ficou apenas dez meses na vice-presid\u00eancia do Banco do Brasil. Agora, ele ter\u00e1 a miss\u00e3o de unir o partido para a campanha da reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PR tem a oferecer a Dilma iminios por bloco na propaganda pol\u00edtica. Em 2012, o partido n\u00e3o conseguiu substituir Passos e apoiou o ex-governador Jos\u00e9 Serra (PSDB) \u00e0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo, contra Fernando Haddad (PT). Desde que Nascimento caiu, em 2011, o PR se declarou &#8220;independente&#8221; nas vota\u00e7\u00f5es do Congresso.<\/p>\n<p>Passos \u00e9 filiado ao PR, mas nunca teve tr\u00e2nsito com a c\u00fapula partid\u00e1ria e era considerado da &#8220;cota&#8221; de Dilma. Ao anunciar a troca, a Presid\u00eancia disse que Passos prestou &#8220;grande contribui\u00e7\u00e3o ao governo e ao Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>IPI ficou menor, mas pre\u00e7o subiu<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ajudou a sustentar as vendas da ind\u00fastria automobil\u00edstica em 2012, levou milhares de consumidores \u00e0s revendas, mas pouco contribuiu para deixar os carros mais baratos. Levantamento da consultoria Oikonomia, especializada no mercado automotivo, revela que o pre\u00e7o m\u00e9dio dos carros subiu 10% entre 2009 e 2011. Em 2012, mesmo com o corte de at\u00e9 sete pontos percentuais no IPI, os pre\u00e7os recuaram s\u00f3 1,5%. E, entre dezembro e fevereiro, houve altas de at\u00e9 3,5%.<\/p>\n<p>&#8211; A ind\u00fastria aumentou continuamente os pre\u00e7os dos carros entre 2009 e 2011, ao ponto de os pre\u00e7os derrubarem as vendas. E, ent\u00e3o, se cortou o IPI. Os pre\u00e7os at\u00e9 ca\u00edram em 2012, mas pouco. O cr\u00e9dito mais farto, barato e com prazos maiores \u00e9 que faria diferen\u00e7a &#8211; diz Raphael Galante, da Oikonomia.<\/p>\n<p>Considerando os pre\u00e7os m\u00e9dios dos modelos de uma mesma marca nos \u00faltimos meses, a consultoria identificou altas expressivas: o pre\u00e7o m\u00e9dio dos modelos da Volkswagen vendidos em fevereiro chegou a R$ 39.075, 3,3% a mais que em dezembro. No caso da General Motors, o pre\u00e7o passou de R$ 40.928 para R$ 42.362, salto de 3,5%.<\/p>\n<p>Mesmo com a prorroga\u00e7\u00e3o do IPI e o mercado esbo\u00e7ando uma rea\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o &#8211; quando foram licenciados 268,3 mil autom\u00f3veis e comerciais leves, 20,6% mais que em fevereiro, segundo dados divulgados ontem pela Fenabrave, que re\u00fane as concession\u00e1rias -, especialistas e dirigentes do setor reconhecem que o efeito do IPI mais baixo nas vendas \u00e9 positivo, mas limitado.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Meneghetti, presidente da Fenabrave, aplaudiu a medida e disse que permitir\u00e1 avan\u00e7o de 3% nas vendas este ano. Mesmo com as vendas acumuladas do primeiro trimestre 2% acima das de igual per\u00edodo de 2012, apesar do IPI menor, a Anfavea, que re\u00fane as montadoras, aposta num crescimento de at\u00e9 4,5%. Para Cledorvino Belini, presidente da entidade, se a al\u00edquota do IPI n\u00e3o fosse mantida, dificilmente a meta seria atingida.<\/p>\n<p>Para o presidente do Sindipe\u00e7as (entidade que re\u00fane os fabricantes de autope\u00e7as), Paulo Butori, o imposto menor trar\u00e1 &#8220;um leve aumento&#8221; nas vendas, pois ainda h\u00e1 muita restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito no setor. Prazos mais longos e entradas menores, por\u00e9m, vir\u00e3o somente \u00e0 medida que o calote (em 6%) diminuir, observa Vadner Papa, da Consult Motors.<\/p>\n<p>O publicit\u00e1rio Ricardo Nascimento Lopes, que pesquisava pre\u00e7os ontem em uma revenda da Renault, em S\u00e3o Paulo, acredita que as montadoras s\u00e3o pouco transparentes no repasse do IPI menor.<\/p>\n<p>&#8211; Para as montadoras, que precisam vender mais, \u00e9 vantajoso. Para n\u00f3s, consumidores, n\u00e3o vejo vantagem, n\u00e3o sabemos se o desconto \u00e9 do mesmo tamanho da redu\u00e7\u00e3o do imposto.<\/p>\n<p>Quanto aos eletrodom\u00e9sticos, a desonera\u00e7\u00e3o do IPI ajudou a reduzir em 2012 o pre\u00e7o de geladeiras, fog\u00f5es, m\u00e1quinas de lavar autom\u00e1ticas e tanquinhos e turbinar as vendas da linha branca. Mas, \u00e0 medida que as al\u00edquotas retomam seus n\u00edveis normais, a ind\u00fastria de eletroeletr\u00f4nicos j\u00e1 sente as perdas estimadas em at\u00e9 10% nas vendas nos dois primeiros meses do ano, e seus representantes pretendem pedir ao governo que o imposto seja mantido como est\u00e1, em vez de retornar em junho aos patamares anteriores.<\/p>\n<p>&#8211; Gostar\u00edamos muito disso, e vamos esperar at\u00e9 o fim de abril para verificar o desempenho das vendas e ter argumentos para defender a manuten\u00e7\u00e3o dessa medida &#8211; disse o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletr\u00f4nicos, Lourival Ki\u00e7ula.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Espera de um novo C\u00f3digo bloqueia a minera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Bastaria uma assinatura para mudar radicalmente os planos da multinacional ArcelorMittal no Brasil. Desde novembro de 2011, a sider\u00fargica s\u00f3 aguarda uma canetada do ministro de Minas e Energia, Edison Lob\u00e3o, para iniciar a produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro em Serra Azul, no quadril\u00e1tero ferr\u00edfero de Minas Gerais.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, nada. Hoje a capacidade instalada do grupo chega a 3,6 milh\u00f5es de toneladas por ano, mas o atraso reduziu o volume produzido para 2 milh\u00f5es de toneladas, em 2012. Para este ano, a m\u00e9dia estimada \u00e9 de 1,5 milh\u00e3o de toneladas. &#8220;Ir\u00edamos construir uma unidade nova para explorar esse min\u00e9rio. O projeto estava praticamente aprovado&#8221;, lamenta Sebasti\u00e3o Costa Filho, diretor-presidente da ArcelorMittal Minera\u00e7\u00e3o Brasil. Sem a assinatura de Lob\u00e3o, o grupo deixou de contratar 350 pessoas para trabalhar na extra\u00e7\u00e3o do ferro.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Pelo menos 120 jazidas de minerais estrat\u00e9gicos j\u00e1 completaram todos os tr\u00e2mites necess\u00e1rios para iniciar a produ\u00e7\u00e3o, inclusive o licenciamento ambiental, mas a perspectiva de um novo conjunto de leis para o setor fez o governo suspender, desde novembro de 2011, todas as novas autoriza\u00e7\u00f5es \u00e0s atividades de mineradoras instaladas no pa\u00eds. No ano passado, o pr\u00f3prio Lob\u00e3o admitiu que ficaria tudo congelado at\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o de um novo c\u00f3digo mineral, substituindo as regras em vig\u00eancia desde 1967.<\/p>\n<p>A suspens\u00e3o de outorgas atinge n\u00e3o s\u00f3 as portarias de lavra, que permitem o in\u00edcio efetivo da extra\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios, mas tamb\u00e9m os alvar\u00e1s de pesquisa, passo fundamental para expandir a produ\u00e7\u00e3o futura. O Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM) acumula um estoque de 4,3 mil requerimentos praticamente aprovados, mas pendentes de uma autoriza\u00e7\u00e3o final. Na pr\u00e1tica, est\u00e3o sob embargo 10,3 milh\u00f5es de hectares do territ\u00f3rio nacional, \u00e1rea equivalente ao Estado de Santa Catarina.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivendo o momento mais dif\u00edcil e singular da ind\u00fastria brasileira da minera\u00e7\u00e3o em 317 anos&#8221;, diz Fernando Coura, presidente do Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o (Ibram), referindo-se ao marco zero da ind\u00fastria no pa\u00eds. A princ\u00edpio, a expectativa do setor era de que o embargo fosse um problema passageiro e tudo se resolvesse rapidamente, t\u00e3o logo o governo finalizasse o novo c\u00f3digo mineral. A quest\u00e3o acabou ganhando contornos dram\u00e1ticos com a demora &#8211; j\u00e1 s\u00e3o quatro anos de conversas inconclusivas &#8211; em tirar o c\u00f3digo do papel.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos perdendo a capacidade de planejamento no longo prazo&#8221;, afirma H\u00e9lcio Guerra, presidente da AngloGold Ashanti, uma multinacional que produziu 485 mil on\u00e7as de ouro (o padr\u00e3o de refer\u00eancia do metal) no Brasil, em 2012. &#8220;Sem alvar\u00e1s de pesquisa, n\u00e3o podemos alocar investimentos em novas frentes de explora\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Guerra n\u00e3o fala apenas em teoria. Segundo ele, a AngloGold tem US$ 30 milh\u00f5es prontos para desembolsar em atividades de pesquisa geol\u00f3gica, em quatro Estados: Minas Gerais, Goi\u00e1s, Par\u00e1 e Mato Grosso. Com a suspens\u00e3o das autoriza\u00e7\u00f5es, nada p\u00f4de ir adiante. O executivo adverte sobre o risco de o Brasil perder uma imagem ainda predominantemente positiva junto a investidores internacionais do setor.<\/p>\n<p>O Ibram calcula que o volume de investimentos represados j\u00e1 chega a R$ 20 bilh\u00f5es. Um mapeamento in\u00e9dito das portarias de lavra pendentes aponta que a produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro tem sido especialmente atingida.<\/p>\n<p>A Vale espera o aval para dar partida na explora\u00e7\u00e3o de seis jazidas localizadas em Mariana (MG), uma das quais teve processo iniciado em 1984, no DNPM. A Vetorial Minera\u00e7\u00e3o aguarda um sinal verde para levar adiante seus planos de extrair ferro em Corumb\u00e1 (MS). A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtica nos planos da Bahia Minera\u00e7\u00e3o (Bamin), que pretende investir US$ 1,5 bilh\u00e3o em suas minas de ferro em Caetit\u00e9 (BA). &#8220;J\u00e1 investimos US$ 300 milh\u00f5es at\u00e9 agora no Brasil e nem sequer temos autoriza\u00e7\u00e3o para implantar o projeto&#8221;, diz Jos\u00e9 Francisco de Viveiros, presidente da Bamin, empresa com origem no Cazaquist\u00e3o. &#8220;Esses problemas diminuem o entusiasmo pelo pa\u00eds, que est\u00e1 se transformando em um lugar complicado demais para se fazer investimento.&#8221;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o deliberada do governo de paralisar as autoriza\u00e7\u00f5es de pesquisa e portarias de lavra j\u00e1 leva muitas empresas aos tribunais, em busca de seus alvar\u00e1s. As primeiras a\u00e7\u00f5es julgadas at\u00e9 agora s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0s companhias e podem abrir um precedente para que milhares de liminares com igual teor cheguem ao DNPM. Em Minas Gerais, a empresa Ruby Red do Brasil Minera\u00e7\u00e3o obteve liminar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1\u00aa Regi\u00e3o, que deu prazo de 20 dias para que o DNPM se manifestasse sobre dois pedidos de pesquisa no Estado. Outra a\u00e7\u00e3o movida no Par\u00e1 trata de uma licen\u00e7a de pesquisa que aguarda resposta desde julho do ano passado. Por conta de &#8220;ofensa ao princ\u00edpio da efici\u00eancia administrativa e da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo&#8221;, a Justi\u00e7a Federal do Par\u00e1 deu prazo de dez dias para que o DNPM se manifeste sobre o pedido, sob risco de ser multado em R$ 1 mil diariamente em caso de descumprimento do prazo.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos vivendo hoje \u00e9 um verdadeiro apag\u00e3o miner\u00e1rio&#8221;, diz o especialista Bruno Feigelson, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Ribeiro Lima Advogados. &#8220;Veremos um aumento de judicializa\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou por empresas pequenas. As grandes companhias do setor j\u00e1 colocaram seus departamentos jur\u00eddicos para analisarem a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A promessa de Lob\u00e3o e da Casa Civil era encaminhar o novo c\u00f3digo mineral ao Congresso at\u00e9 o fim de mar\u00e7o, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fora do Mercosul, Paraguai eleva vendas ao Brasil e reduz compras<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil importou mais e exportou menos ao Paraguai ap\u00f3s o impeachment do presidente Fernando Lugo, no fim de junho do ano passado, que resultou no afastamento tempor\u00e1rio do Paraguai das inst\u00e2ncias de decis\u00e3o do Mercosul. Compras de trigo, soja e carne, principais produtos vendidos pelos paraguaios aos brasileiros, ganharam for\u00e7a, enquanto a exporta\u00e7\u00e3o brasileira de m\u00e1quinas e equipamentos, principalmente aqueles usados na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, ca\u00edram no per\u00edodo. Especialistas, contudo, atribuem a mudan\u00e7a a uma flutua\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A troca pol\u00edtica, segundo eles, n\u00e3o teria influ\u00eddo no rumo das rela\u00e7\u00f5es comerciais, que seguem favor\u00e1veis ao Brasil.<\/p>\n<p>De julho do ano passado a fevereiro deste ano, \u00faltimo m\u00eas em que foram divulgados dados pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, o Brasil exportou US$ 1,8 bilh\u00e3o ao Paraguai. O montante \u00e9 8% menor do que o verificado em igual per\u00edodo, 12 meses antes. A redu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em acordo com o recuo de 9% registrado nas exporta\u00e7\u00f5es globais brasileiras no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O que ficou de fora da tend\u00eancia do com\u00e9rcio exterior geral foram as importa\u00e7\u00f5es provenientes do pa\u00eds vizinho, que cresceram 33% e alcan\u00e7aram US$ 736 milh\u00f5es nos mesmos oito meses. Mesmo assim, o super\u00e1vit brasileiro, apesar de encolher, foi de US$ 1,1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, observa que o Brasil antecipou a venda de soja no come\u00e7o de 2012 em fun\u00e7\u00e3o do bom pre\u00e7o no mercado mundial, o que for\u00e7ou o pa\u00eds a comprar mais do Paraguai no fim do ano. Carne e trigo responderam a um aumento de demanda interna. &#8220;Temos uma complementariedade na cadeia agr\u00edcola com o Paraguai. \u00c9 nisso que se baseia a rela\u00e7\u00e3o comercial. A mudan\u00e7a de governo teve efeito nulo. A flutua\u00e7\u00e3o respondeu \u00e0 din\u00e2mica econ\u00f4mica, e n\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica&#8221;, disse Castro.<\/p>\n<p>A queda nas exporta\u00e7\u00f5es, por outro lado, ocorreu especialmente no segmento de m\u00e1quinas que o Brasil fornece para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria paraguaia. Em um ano, no per\u00edodo de julho a fevereiro, as vendas encolheram de US$ 85 milh\u00f5es para US$ 28 milh\u00f5es. &#8220;A l\u00f3gica seria aumentar as vendas, j\u00e1 que est\u00e1 havendo uma produ\u00e7\u00e3o maior por l\u00e1&#8221;, diz Castro. Segundo ele, o maquin\u00e1rio brasileiro perdeu espa\u00e7o para concorrentes asi\u00e1ticos, como a China.<\/p>\n<p>A san\u00e7\u00e3o do Mercosul ao Paraguai &#8211; o pa\u00eds foi suspenso das reuni\u00f5es e decis\u00f5es do bloco at\u00e9 abril deste ano, em raz\u00e3o do impeachment de Lugo, que foi substitu\u00eddo por Federico Franco &#8211; n\u00e3o afetou o com\u00e9rcio com o Brasil, na vis\u00e3o de Ricardo Sennes, coordenador do Grupo de An\u00e1lise Internacional, da USP. Ele v\u00ea uma certa in\u00e9rcia no com\u00e9rcio bilateral, em fun\u00e7\u00e3o das barreiras tarif\u00e1rias brasileiras.<\/p>\n<p>&#8220;O que ocorre na rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estagna\u00e7\u00e3o na integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que n\u00e3o vai ser impactada pela mudan\u00e7a pol\u00edtica. O que poderia ter acontecido, mas n\u00e3o se verificou, era algum tipo de san\u00e7\u00e3o ao financiamento brasileiro \u00e0s linhas de transmiss\u00e3o que levam a energia de Itaipu \u00e0 Assun\u00e7\u00e3o e est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o. As obras seguem em andamento com financiamento do BNDES &#8220;, diz ele.<\/p>\n<p>A soja, produto que mais integra comercialmente os dois lados, seguiu crescendo no com\u00e9rcio bilateral. &#8220;Os dois pa\u00edses s\u00e3o integrados nessa produ\u00e7\u00e3o. Tanto que h\u00e1 fazendeiros brasileiros que plantam l\u00e1 e trazem a soja para o Brasil. Essa din\u00e2mica n\u00e3o mudou&#8221;, avalia Sennes.<\/p>\n<p>O que aconteceu no Paraguai foi uma troca de grupos de poder, com o governo de centro-esquerda de Lugo, que n\u00e3o tinha maioria no Congresso, perdendo sustenta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s perder o apoio do Partido Liberal, considerado de centro. Os Colorados, mais conservadores, voltaram a ter proemin\u00eancia na pol\u00edtica e agora ensaiam uma reaproxima\u00e7\u00e3o, nas \u00e1reas de defesa e comercial, com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;O Lugo dava mais \u00eanfase a uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o com o Brasil, mas sempre fomos fechados ao Paraguai, fora o setor agr\u00edcola. H\u00e1 uma s\u00e9rie de produtos, como a\u00e7o, pl\u00e1sticos e certos tipos de m\u00e1quinas que enfrentam barreiras tarif\u00e1rias altas para entrar no Brasil, mesmo com o Paraguai fazendo parte do Mercosul&#8221;, diz Sennes.<\/p>\n<p>Castro, da AEB, tamb\u00e9m pondera que no c\u00e1lculo da balan\u00e7a comercial n\u00e3o entra o gasto brasileiro com a compra da parte paraguaia da energia el\u00e9trica produzida pela usina de Itaipu. Al\u00e9m de usar os 50% da produ\u00e7\u00e3o total a que tem direito, o Brasil compra mais 40% da parte do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil sempre teve bons super\u00e1vits com o Paraguai e devemos continuar nessa toada em fun\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio. Mas a energia, que aparece na balan\u00e7a com a Argentina e Venezuela, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 registrada com eles. Isso poderia at\u00e9 transformar o super\u00e1vit em d\u00e9ficit, pois o volume de compra \u00e9 muito grande&#8221;, afirmou Castro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>N\u00edvel de reservat\u00f3rios supera previs\u00e3o do ONS<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas do subsistema Sudeste-Centro-Oeste fecharam mar\u00e7o com \u00edndice de armazenamento de 54,1%, volume superior \u00e0 previs\u00e3o revisada do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), de 52%, e pr\u00f3ximo \u00e0 estimativa inicial (54,2%). Os dados s\u00e3o do informativo di\u00e1rio da opera\u00e7\u00e3o do sistema, divulgado pelo \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O ONS prev\u00ea que o n\u00edvel de armazenamento dos reservat\u00f3rios do Sudeste-Centro-Oeste alcance 57,7% no fim de abril, quando termina o per\u00edodo chuvoso. Apesar de significar aumento em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel atual, o indicador ainda est\u00e1 bem abaixo do n\u00edvel registrado em 30 de abril de 2012 (76,1%).<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Nordeste, o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios atingiu 42,9% no fim de mar\u00e7o, indicador acima da previs\u00e3o revisada do ONS, de 42,3%. A expectativa de armazenamento de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios do Nordeste para o fim de abril \u00e9 de 45%. Na mesma data do ano passado, os lagos das usinas da regi\u00e3o marcavam 78,3% de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os reservat\u00f3rios da regi\u00e3o Sul encerraram mar\u00e7o com 62,4% de acumula\u00e7\u00e3o, bem acima da \u00faltima estimativa do operador para o subsistema, de 50,6%.<\/p>\n<p>As hidrel\u00e9tricas do Norte tamb\u00e9m encerraram o m\u00eas passado com n\u00edvel de armazenamento superior \u00e0 previs\u00e3o. O operador trabalhava com uma expectativa de estoque de \u00e1gua de 93,2% em 31 de mar\u00e7o. Os reservat\u00f3rios da regi\u00e3o, no entanto, marcaram 94,2% no \u00faltimo dia do m\u00eas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es apontam recuo de 2,1% na produ\u00e7\u00e3o industrial<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Mesmo com a surpresa positiva ap\u00f3s a alta de 2,5% da produ\u00e7\u00e3o na abertura do ano, economistas avaliam que a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria segue moderada e sujeita a oscila\u00e7\u00f5es. A m\u00e9dia de 14 consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta para recuo de 2,1% em fevereiro sobre janeiro, feito o ajuste sazonal. Nas proje\u00e7\u00f5es para a Pesquisa Industrial Mensal &#8211; Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica, a ser divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a queda varia entre 1% e 2,7%.<\/p>\n<p>Perto das estimativas mais pessimistas, Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias, observa que todos os indicadores antecedentes analisados pela consultoria encolheram na passagem mensal, o que refor\u00e7a o perfil &#8220;err\u00e1tico&#8221; e pouco disseminado da retomada. De acordo com a Anfavea, entidade que re\u00fane as montadoras, a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos (autom\u00f3veis, comerciais leves, caminh\u00f5es e \u00f4nibus) recuou 17,9% ante janeiro, dado que, dessazonalizado pela economista, resultou em tombo de 19,4%.<\/p>\n<p>Alessandra acrescenta que a expedi\u00e7\u00e3o de papel ondulado, o consumo m\u00e9dio de energia, o fluxo pedagiado de ve\u00edculos pesados e a arrecada\u00e7\u00e3o do IPI tamb\u00e9m ca\u00edram em fevereiro segundo o ajuste da Tend\u00eancias, informa\u00e7\u00f5es que indicam contra\u00e7\u00e3o de 2,6% da produ\u00e7\u00e3o no per\u00edodo. Essa expectativa n\u00e3o anula o cen\u00e1rio de rea\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, mas imp\u00f5e ainda mais d\u00favidas quanto ao ritmo, afirma. &#8220;Numa economia que est\u00e1 se recuperando, o esperado seria que produ\u00e7\u00e3o mostrasse acomoda\u00e7\u00e3o depois de um resultado forte, e n\u00e3o devolvesse toda a alta&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Passado o efeito das &#8220;supervendas&#8221; de ve\u00edculos, a produ\u00e7\u00e3o ir\u00e1 crescer em velocidade mais modesta ao longo do ano, diz Igor Velecico, do Bradesco, para quem a atividade industrial caiu 2% entre janeiro e fevereiro. Se confirmada a proje\u00e7\u00e3o, ele calcula que o setor precisa avan\u00e7ar a uma m\u00e9dia mensal de 0,65% para acumular a expans\u00e3o de 3,5% esperada pelo banco em 2013. Segundo Velecico, ao adiar a volta integral do IPI sobre carros para o fim do ano, o governo n\u00e3o deve obter resultados muito diferentes em termos de atividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Antes zerada at\u00e9 dezembro, a al\u00edquota do IPI para ve\u00edculos populares subiu para 2% em janeiro e iria voltar a 7% depois de junho, mas ser\u00e1 mantida no n\u00edvel atual at\u00e9 o fim de 2013, assim como o imposto menor, de 7% a 8%, para autom\u00f3veis acima de mil a duas mil cilindradas.<\/p>\n<p>Alessandra, da Tend\u00eancias, afirma que a decis\u00e3o do governo pode reduzir a volatilidade nas s\u00e9ries de produ\u00e7\u00e3o e vendas, causada pela perspectiva de que o IPI suba no m\u00eas seguinte, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para aumentar suas previs\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o industrial e para o crescimento da economia referentes a este ano. &#8220;Esse tipo de pol\u00edtica tem cada vez menos efeito. As pessoas n\u00e3o trocam de carro a cada semestre&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Fabio Ramos, da Quest Investimentos, tamb\u00e9m n\u00e3o ir\u00e1 mudar sua estimativa de 3% para a alta da produ\u00e7\u00e3o em 2013 devido \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do desconto no imposto, medida que, segundo ele, j\u00e1 era esperada. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a isen\u00e7\u00e3o fiscal concedida no ano passado antecipou boa parte do consumo para 2012 e, por isso, o IPI menor por mais tempo n\u00e3o ser\u00e1 capaz de inflar as vendas e puxar a ind\u00fastria a reboque, mesmo com um processo de redu\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias em curso.<\/p>\n<p>Para fevereiro, a Quest trabalha com recuo de 1% da produ\u00e7\u00e3o frente a janeiro, varia\u00e7\u00e3o que, de acordo com Ramos, pode ser vista como uma corre\u00e7\u00e3o do salto expressivo do primeiro m\u00eas, ainda resultado de um \u00faltimo f\u00f4lego da ind\u00fastria em resposta ao IPI totalmente reduzido para carros. &#8220;\u00c9 normal que em fevereiro haja uma ressaca e, em mar\u00e7o a produ\u00e7\u00e3o deve ficar relativamente parada&#8221;, diz. O ritmo projetado para mar\u00e7o, na opini\u00e3o do analista, seria um &#8220;meio termo&#8221; entre a alta de janeiro e a queda do m\u00eas posterior e deve ser observado at\u00e9 o fim de 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Estado de S. 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