{"id":4582,"date":"2013-04-04T00:10:43","date_gmt":"2013-04-04T00:10:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4582"},"modified":"2013-04-04T00:10:43","modified_gmt":"2013-04-04T00:10:43","slug":"91-anos-de-pcb-e-de-luta-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4582","title":{"rendered":"91 anos de PCB e de luta dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"\n<p>O historiador Jo\u00e3o Victor Nunes Leite, fiscal de transporte coletivo e membro do Comit\u00ea Regional do PCB em Goi\u00e1s, comenta a trajet\u00f3ria de 91 anos do PCB.<\/p>\n<p>No dia 25 de mar\u00e7o, o PCB completa seus 91 anos de exist\u00eancia e muita luta pelo socialismo. Afinal, de que valeria um Partido Comunista se n\u00e3o estiver organizando os trabalhadores para o enfrentamento contra o capitalismo e a sua classe dominante, a burguesia? E assim fez o PCB, chamado carinhosamente pela classe trabalhadora de \u201cPartid\u00e3o\u201d. Do seu nascimento, em 1922, na cidade de Niter\u00f3i (RJ), o Partid\u00e3o enfrentou as mais duras batalhas ao longo da hist\u00f3ria do Brasil no s\u00e9culo 20. A primeira delas, de 1922 a 1930, consistia em introduzir no Brasil uma cultura socialista de pensar e agir sobre o mundo. Os escritos de Marx e de L\u00eanin passam a ser estudados, traduzidos e publicizados entre as massas oper\u00e1rias rec\u00e9m estabelecidas no Pa\u00eds, a fim de criar as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para que os trabalhadores lutem para quebrar as correntes que lhes aprisionam. Ao mesmo tempo, em Goi\u00e1s, a chamada revolu\u00e7\u00e3o de 30 traz, al\u00e9m dos ares da moderniza\u00e7\u00e3o conservadora, o calor do novo operariado carioca e paulista que dialoga entre si com um novo linguajar e se organiza de uma nova maneira: o marxismo enquanto vis\u00e3o de mundo e o leninismo como forma de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1935, j\u00e1 contando em suas fileiras com Luiz Carlos Prestes \u2014 o dirigente mais conhecido do Partid\u00e3o \u2014, o PCB organiza uma ampla frente nacional e luta contra o nazi-fascismo, apresentando ao povo brasileiro a necessidade de luta por um projeto democr\u00e1tico, anti-imperialista e antilatifundi\u00e1rio. A Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL) \u00e9 organizada e logo em seguida posta na clandestinidade. Estoura a insurrei\u00e7\u00e3o armada de 1935. Tomando os quart\u00e9is do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro, a insurrei\u00e7\u00e3o padeceu pela falta das massas oper\u00e1rias e camponesas no processo. Greg\u00f3rio Bezerra categoricamente afirma: \u201cEm 1935 t\u00ednhamos armas e n\u00e3o t\u00ednhamos massas&#8230;\u201d. O resultado n\u00e3o era outro: a clandestinidade. Contudo, ao contr\u00e1rio de que todos imaginam, o Partid\u00e3o passa a ganhar mais militantes para as suas fileiras. Em Goi\u00e1s o partido ganha envergadura, sendo organizado nas cidades de Goianira, Pires do Rio e An\u00e1polis. Toda essa organiza\u00e7\u00e3o em Goi\u00e1s impulsionada pela luta democr\u00e1tica do Pa\u00eds e contra o nazi-fascismo e o latif\u00fandio.<\/p>\n<p>Com o fim da 2\u00aa Guerra Mundial e a participa\u00e7\u00e3o fundamental da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para a derrota do fascismo alem\u00e3o, os Partidos Comunistas em todo o mundo ganham nova envergadura. O Partid\u00e3o sai da clandestinidade nos anos seguintes e se torna um partido de massa. Mais de 200 mil filiados em todo o territ\u00f3rio nacional. Nas elei\u00e7\u00f5es burguesas, Prestes se torna senador. Muitos militantes entram na C\u00e2mara dos Deputados, Assembleias Legislativas e C\u00e2maras de Vereadores. Na Assembleia Legislativa de Goi\u00e1s, Afr\u00e2nio de Azevedo e Abra\u00e3o Isaac Neto s\u00e3o os deputados do PCB. Toda uma rede de imprensa comunista se organiza e chama a aten\u00e7\u00e3o dos intelectuais da sociedade. Bernardo \u00c9lis se torna comunista por este contato com as publica\u00e7\u00f5es do Partid\u00e3o. Mais uma vez, em 1947, o partido rapidamente \u00e9 posto na clandestinidade. Essa foi a resposta da burguesia nacional. \u00c9 nesse per\u00edodo uma das mais importantes lutas camponesas em nosso pais, a Revolta de Trombas e Formos, em Goi\u00e1s. Jos\u00e9 Porf\u00edrio, militante do Partido Comunista, \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima desta revolta pela terra, demonstrando que a inser\u00e7\u00e3o dos comunistas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no meio sindical e urbano.<\/p>\n<p>De 1947 at\u00e9 o inicio dos anos 60 o partido vive uma luta interna sem precedentes, resultado do impacto do 20\u00ba Congresso da PCUS (Partido Comunista da URSS). Muitos dirigentes do Comit\u00ea Central do PCB deixam o partido e v\u00e3o para outras organiza\u00e7\u00f5es. A cis\u00e3o mais significativa foi a sa\u00edda de Jo\u00e3o Amazonas e Maur\u00edcio Grabois. Estes, ap\u00f3s a sa\u00edda do Partid\u00e3o, organizam o conhecido Partido Comunista do Brasil, ou PCdoB, em 1962. Mesmo neste conturbado processo, a orienta\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central do Partido \u00e9 a de lutar pela volta do Partido \u00e0 legalidade. De 1960 a 1964 o Partid\u00e3o, de volta a legalidade, amplia ainda mais sua inser\u00e7\u00e3o no movimento sindical e popular, atraindo os mais importantes intelectuais para suas fileiras. O apoio em momentos conjunturais a Jango, numa alian\u00e7a de classes com a burguesia nacional, leva de certo modo, ao conhecido Golpe de 64, colocando o PCB na clandestinidade. Em solo goiano, o PCB acompanha o ritmo nacional do partido. Presente nos munic\u00edpios mais importantes do Estado, o PCB floresce na ainda jovem Goi\u00e2nia, tendo forte presen\u00e7a na juventude, organizada pela UJC (Uni\u00e3o da Juventude Comunista), no meio sindical \u2014 estando presente no Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil de An\u00e1polis \u2014 e dirigindo um importante jornal, \u201cO Estado de Goi\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Com o golpe empresarial-militar de 64, a ca\u00e7a aos comunistas estava aberta. Muitas organiza\u00e7\u00f5es surgem por grupos de ex-militantes do PCB, que s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 nova linha pol\u00edtica do partido. Naquele momento, o Comit\u00ea Central orientava a milit\u00e2ncia a n\u00e3o reagir de forma armada ao golpe militar, pois a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e o enfrentamento armado iria dizimar os lutadores populares. Mais uma vez, Greg\u00f3rio Bezerra resume este per\u00edodo: \u201cEm 64, tinha massa e n\u00e3o tinha arma.\u201d Os anos ap\u00f3s o golpe deixam claro o acerto do PCB em n\u00e3o travar uma luta armada. A violenta repress\u00e3o do regime sobre o PCB dizima fisicamente centenas de quadros do Partido. O ge\u00f3grafo e militante do PCB em Goi\u00e1s Horieste Gomes foi brutalmente torturado nos por\u00f5es do Batalh\u00e3o do Ex\u00e9rcito em Goi\u00e2nia. Na clandestinidade, o Partid\u00e3o se organiza com dificuldade no MDB, para uma a\u00e7\u00e3o parlamentar e institu\u00edda e em atividades de agita\u00e7\u00e3o e propaganda contra o regime.<\/p>\n<p>Em 1979, com o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, boa parte dos dirigentes do PCB que estavam no ex\u00edlio come\u00e7am a voltar ao Brasil. O clima de festejo se espalha em muitas capitais para a recep\u00e7\u00e3o dos dirigentes. Em 1982, \u00e9 convocado o 7\u00ba Congresso do PCB, a fim de delinear uma an\u00e1lise da sociedade brasileira e redefinir sua linha pol\u00edtica. O que n\u00e3o esperavam era a verdadeira luta ideol\u00f3gica que come\u00e7ava neste momento. Boa parte dos dirigentes nacionais do partido, quando no ex\u00edlio, entram em contato com o eurocomunismo (que propunha a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os na democracia burguesa, tirando de centro a luta de classes). Um novo racha ocorre no Partid\u00e3o. Talvez a sa\u00edda mais dolorosa para o partido: Prestes e um grupo importante de militantes deixam o PCB, discordando da nova linha pol\u00edtica, que exclui a luta de classes. O partido deixa de ter inser\u00e7\u00e3o no movimento de massa e passa a dar prefer\u00eancia as lutas da institucionalidade burguesa. O 9\u00ba Congresso Nacional, em 1991, deixa bastante claro a dualidade dentro do partido. De um lado, aqueles que, de olho na queda do Muro de Berlim, veem como vitoriosa e se deixam cooptar pelo avan\u00e7o do neoliberalismo, e aqueles que ainda acreditavam no socialismo como \u00fanica sa\u00edda a humanidade.<\/p>\n<p>Em 1992, o 10\u00ba Congresso Nacional \u00e9 convocado. A crise explode no interior do Partid\u00e3o. Convocado de forma extraordin\u00e1ria, a maioria do Comit\u00ea Central naquele momento, apresenta a milit\u00e2ncia a necessidade de acabar com o PCB, deixando de lado seus s\u00edmbolos (foice e martelo) e toda a sua hist\u00f3ria de luta. Ainda, apontavam que o socialismo deixa o horizonte dos trabalhadores, tendo a disputa institucional do Parlamento como central. Como resultado, boa parte dos dirigentes e militantes deixam o PCB e fundam o PPS, de Roberto Freire. Em Goi\u00e1s o partido deixa de existir, tendo seus materiais e sede entregues ao PPS. Aqueles que bravamente decidiram ficar no PCB empreenderam uma importante campanha nacional para a reconstru\u00e7\u00e3o do PCB. O Movimento Nacional em Defesa do PCB percorre todo o Pa\u00eds, reorganizando o Partido. Em Goi\u00e1s, teremos o PCB reestruturado no ano de 2000, tendo a frente os ent\u00e3o estudantes Paulo Win\u00edcius, o \u201cMaskote\u201d, e Fer\u00adnando Viana e os professores Robson de Moraes e Marta Jane.<\/p>\n<p>Em 2009, no Rio de Janeiro, o PCB, em seu 14\u00ba Congresso Nacional, consolida o Partid\u00e3o. Com uma linha pol\u00edtica clara, apresenta que a revolu\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o ser\u00e1 por etapas, como o Partido pensava nas d\u00e9cadas de 50 e 60, ou seja, desenvolve-se o capitalismo e a democracia, para que depois tiv\u00e9ssemos as condi\u00e7\u00f5es objetivas estabelecidas e cheg\u00e1ssemos ao socialismo. A partir de 2009, o PCB afirma: a revolu\u00e7\u00e3o brasileira ser\u00e1 socialista! Com esta leitura, o Partid\u00e3o de Prestes, Niemeyer, Olga, Portinari, Jorge Amado, Bernardo \u00c9lis, Jos\u00e9 Porf\u00edrio, Vladimir Herzog, Hor\u00e1cio Macedo, Ziraldo e tantos outros comunistas volta a se encontrar com os trabalhadores e organizar a luta contra o capitalismo. Em Goi\u00e1s, os comunistas passam a estar presente no movimento estudantil da UFG e da PUC\u2013GO, no movimento de professores e entre os trabalhadores rodovi\u00e1rios. Aqueles que pensaram que o Partid\u00e3o tinha morrido se enganaram.<\/p>\n<p>Neste ano de 2013, mais do que celebrar 91 anos do partido mais antigo do Brasil, comemoram-se 91 anos de marxismo no Brasil. Comemoramos 91 anos de lutas fundamentais dos trabalhadores que conquistaram a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho nos anos 40, que mantiveram a Petrobr\u00e1s como patrim\u00f4nio do povo brasileiro, que permitiu \u00e0s mulheres participarem da vida pol\u00edtica nacional, que frearam as diversas tentativas de venda da nossa educa\u00e7\u00e3o, que permitiu a liberdade de cren\u00e7a e religi\u00e3o, enfim, in\u00fameras conquistas ao longo destes 91 anos de PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4582\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-4582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1bU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}