{"id":459,"date":"2010-05-11T17:02:34","date_gmt":"2010-05-11T17:02:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=459"},"modified":"2017-11-19T11:05:33","modified_gmt":"2017-11-19T14:05:33","slug":"os-65-anos-da-vitoria-sovietica-sobre-o-fascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/459","title":{"rendered":"Os 65 anos da vit\u00f3ria sovi\u00e9tica sobre o fascismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn4.img.sputniknews.com\/images\/102438\/63\/1024386300.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Rodrigo Juruc\u00ea Mattos Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>No dia 9 de maio de 2010 comemoram-se os 65 anos da vit\u00f3ria sovi\u00e9tica sobre o nazismo. De l\u00e1 para c\u00e1 muitos mitos foram criados: que Hitler pegou de surpresa os sovi\u00e9ticos ou que a vit\u00f3ria se deve ao imp\u00e9rio estadunidense. Quem assistiu o filme \u201cA vida \u00e9 bela\u201d, de Roberto Benigni, deve lembrar da crian\u00e7a judia recebendo uma \u201cd\u00e1diva\u201d \u2013 um chocolate fabricado nos EUA. Talvez o mito mais absurdo seja o que \u00e9 disseminado no Jap\u00e3o: a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) \u00e9 que teriam jogado as bombas at\u00f4micas em Hiroshima e Nagasaki! Sabe-se que foram os Estados Unidos. Toda esta ideologia anticomunista s\u00f3 pode ser entendida quando vemos as coisas historicamente, conforme ensinam Marx e Engels.<\/p>\n<p>O fascismo ascendeu na Europa durante os anos 1920 e 1930. Seus dois principais p\u00f3los foram na It\u00e1lia, quando Mussolini subiu ao poder em 1922, e na Alemanha, com os nazistas em 1933. O fascismo nasceu como uma ferramenta pol\u00edtica da burguesia para conter o movimento oper\u00e1rio, que reivindicava melhores condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0 classe trabalhadora e o socialismo. O fascismo foi um instrumento pol\u00edtico da contra-revolu\u00e7\u00e3o. Mas os governos fascistas, enquanto existiram, tiveram um poderoso opositor que nunca se rendeu: a URSS &#8211; o primeiro Estado socialista da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), a URSS foi o \u00fanico pa\u00eds a prestar ajuda aquele governo eleito democraticamente e derrubado por um golpe fascista. O filme \u201cTerra e liberdade\u201d, dirigido por Ken Loach, busca criar o mito de que teriam sido os comunistas que derrubaram os republicanos. Na verdade, comunistas do mundo inteiro lutaram contra os fascistas na Espanha; brasileiros como Dinarco Reis e Caio Prado Jr., militantes do PCB, estiveram l\u00e1 lutando pelo povo espanhol.<\/p>\n<p>Em 1938, somente a URSS se op\u00f4s \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o dos Sudetos (pertencentes a ent\u00e3o Tchecoslov\u00e1quia) pelo imperialismo alem\u00e3o. As pot\u00eancias capitalistas, como a Fran\u00e7a e a Inglaterra abaixaram a cabe\u00e7a para a sanha fascista.<\/p>\n<p>Em 1939, ano em que se iniciou a II Guerra Mundial, os sovi\u00e9ticos j\u00e1 sabiam desde pelo menos 1933 que seriam atacados pelo imperialismo. Sabiam que deveriam se preparar para a guerra. O marechal sovi\u00e9tico Gueorgui Jukov disse que se n\u00e3o fosse a ocupa\u00e7\u00e3o de parte do territ\u00f3rio polon\u00eas pelos sovi\u00e9ticos, talvez a Wehrmacht (as for\u00e7as armadas nazistas) poderia n\u00e3o ter sido derrotada. Assim, o pacto de n\u00e3o agress\u00e3o tratado com a Alemanha nazista foi uma grande jogada da diplomacia sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em 1941, come\u00e7ou a ofensiva nazista contra a URSS. Os sovi\u00e9ticos recuaram para que a linha de suprimentos da Wehrmacht ficasse bastante longa; uma vez cortada, as for\u00e7as nazistas se viram isoladas e muito distantes da Alemanha. As for\u00e7as alem\u00e3s n\u00e3o puderam impor a t\u00e1tica da blitzkrieg (a guerra rel\u00e2mpago). J\u00e1 a URSS lhes imp\u00f4s a t\u00e1tica da guerra de desgaste.<\/p>\n<p>A partir de 1943 veio o golpe fatal com a contraofensiva sovi\u00e9tica. Mais de 2\/3 das for\u00e7as nazistas se concentravam na URSS. Mas n\u00e3o foram suficientes. O Ex\u00e9rcito Vermelho era mais numeroso, tinha mais e melhores armas e contava com amplo apoio popular.<\/p>\n<p>Na batalha de Stalingrado, os nazistas encontraram a mais ferrenha resist\u00eancia dos sovi\u00e9ticos, que lutaram com dignidade para defender seu lar, suas crian\u00e7as, sua p\u00e1tria. Um oficial nazista da 24\u00aa Divis\u00e3o Panzer relatou que, para tomar uma \u00fanica casa, tiveram de lutar por 15 dias. Os c\u00f4modos da casa eram o <em>front<\/em> de batalha. Dos escombros de Stalingrado nunca cessaram de emergir soldados sovi\u00e9ticos que \u201cpresenteavam\u201d os nazistas com seus \u201clim\u00f5es\u201d (assim chamavam as suas granadas).<\/p>\n<p>O socialismo foi a ferramenta que permitiu \u00e0 humanidade derrotar da maneira mais implac\u00e1vel a barb\u00e1rie nazista. Apesar de toda destrui\u00e7\u00e3o causada pela guerra, 10 anos ap\u00f3s seu fim, os sovi\u00e9ticos j\u00e1 gozavam de grandes conquistas sociais, de estabilidade e conforto material. Gra\u00e7as ao socialismo.<\/p>\n<p>A URSS deixou uma li\u00e7\u00e3o para todos os povos do mundo, principalmente para classe trabalhadora de todos os pa\u00edses. Deixaram o ensinamento de que a sanha capitalista pode e deve ser derrotada. Li\u00e7\u00e3o imortalizada nos versos de Carlos Drummond Andrade. At\u00e9 hoje colhemos os frutos desta vit\u00f3ria; gra\u00e7as a ela, aqueles que queriam nos escravizar foram derrotados. Os 20 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos mortos pelos nazistas repousam vigilantes e esperam que humanidade tenha aprendido a li\u00e7\u00e3o. O 9 de maio, t\u00e3o pr\u00f3ximo do nosso 1\u00ba de maio, \u00e9 uma data que deve ser comemorada pela classe trabalhadora de todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>ABAIXO O IMPERIALISMO E A SANHA CAPITALISTA!<\/p>\n<p>VIVA OS 65 DA VIT\u00d3RIA SOVI\u00c9TICA!<\/p>\n<p>VIVA STALINGRADO!<\/p>\n<blockquote><p>\u201cStalingrado&#8230;<br \/>\nDepois de Madri e de Londres, ainda h\u00e1 grandes cidades!<br \/>\nO mundo n\u00e3o acabou, pois que entre as ru\u00ednas<br \/>\noutros homens surgem, a face negra de p\u00f3 e de p\u00f3lvora,<br \/>\ne o h\u00e1lito selvagem da liberdade<br \/>\ndilata os seus peitos, Stalingrado,<br \/>\nseus peitos que estalam e caem,<br \/>\nenquanto outros, vingadores, se elevam.<\/p>\n<p>A poesia fugiu dos livros, agora est\u00e1 nos jornais.<br \/>\nOs telegramas de Moscou repetem Homero.<br \/>\nMas Homero \u00e9 velho. Os telegramas cantam um mundo novo<br \/>\nque n\u00f3s, na escurid\u00e3o, ignor\u00e1vamos.<br \/>\nFomos encontr\u00e1-lo em ti, cidade destru\u00edda,<br \/>\nna paz de tuas ruas mortas mas n\u00e3o conformadas,<br \/>\nno teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,<br \/>\nna tua fria vontade de resistir.<\/p>\n<p>Saber que resistes.<br \/>\nQue enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.<br \/>\nQue quando abrimos o jornal pela manh\u00e3 teu nome (em ouro<br \/>\noculto) estar\u00e1 firme no alto da p\u00e1gina.<br \/>\nTer\u00e1 custado milhares de homens, tanques e avi\u00f5es, mas valeu<br \/>\na pena.<br \/>\nSaber que vigias, Stalingrado,<br \/>\nsobre nossas cabe\u00e7as, nossas preven\u00e7\u00f5es e nossos confusos<br \/>\npensamentos distantes<br \/>\nd\u00e1 um enorme alento \u00e0 alma desesperada<br \/>\ne ao cora\u00e7\u00e3o que duvida.<\/p>\n<p>Stalingrado, miser\u00e1vel monte de escombros, entretanto<br \/>\nresplandecente!<br \/>\nAs belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e sil\u00eancio.<br \/>\nD\u00e9beis em face do teu pavoroso poder,<br \/>\nmesquinhas no seu esplendor de m\u00e1rmores salvos e rios n\u00e3o<br \/>\nprofanados,<br \/>\nas pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues<br \/>\nsem luta,<br \/>\naprendem contigo o gesto de fogo.<br \/>\nTamb\u00e9m elas podem esperar.<\/p>\n<p>Stalingrado, quantas esperan\u00e7as!<br \/>\nQue flores, que cristais e m\u00fasicas o teu nome nos derrama!<br \/>\nQue felicidade brota de tuas casas!<br \/>\nDe umas apenas resta a escada cheia de corpos;<br \/>\nde outras o cano de g\u00e1s, a torneira, uma bacia de crian\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 mais livros para ler nem teatros funcionando nem<br \/>\ntrabalho nas f\u00e1bricas,<br \/>\ntodos morreram, estropiaram-se, os \u00faltimos defendem peda\u00e7os<br \/>\nnegros de parede,<br \/>\nmas a vida em ti \u00e9 prodigiosa e pulula como insetos ao sol,<br \/>\n\u00f3 minha louca Stalingrado!<\/p>\n<p>A tamanha dist\u00e2ncia procuro, indago, cheiro destro\u00e7os<br \/>\nsangrentos,<br \/>\napalpo as formas desmanteladas de teu corpo,<br \/>\ncaminho solitariamente em tuas ruas onde h\u00e1 m\u00e3os soltas e rel\u00f3gios partidos,<br \/>\nsinto-te como uma criatura humana, e que \u00e9s tu, Stalingrado, sen\u00e3o isto?<br \/>\nUma criatura que n\u00e3o quer morrer e combate,<br \/>\ncontra o c\u00e9u, a \u00e1gua, o metal, a criatura combate,<br \/>\ncontra milh\u00f5es de bra\u00e7os e engenhos mec\u00e2nicos a criatura combate,<br \/>\ncontra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura<br \/>\ncombate,<br \/>\ne vence.<\/p>\n<p>As cidades podem vencer, Stalingrado!<br \/>\nPenso na vit\u00f3ria das cidades, que por enquanto \u00e9 apenas uma<br \/>\nfuma\u00e7a subindo do Volga.<br \/>\nPenso no colar de cidades, que se amar\u00e3o e se defender\u00e3o<br \/>\ncontra tudo.<br \/>\nEm teu ch\u00e3o calcinado onde apodrecem cad\u00e1veres,<br \/>\na grande Cidade de amanh\u00e3 erguer\u00e1 a sua Ordem.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carta a Stalingrado, de Carlos Drummond de Andrade.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>* Rodrigo Juruc\u00ea Mattos Gon\u00e7alves \u00e9 militante do PCB no Paran\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\nCartaz sovi\u00e9tico de emula\u00e7\u00e3o \u00e0 luta contra a invas\u00e3o nazista.\nCr\u00e9dito: http:\/\/www.sovmusic.ru\n\n\n\n\n\n* Rodrigo Juruc\u00ea Mattos Gon\u00e7alves\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/459\"> 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