{"id":46,"date":"2009-12-27T23:27:48","date_gmt":"2009-12-27T23:27:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=46"},"modified":"2009-12-27T23:27:48","modified_gmt":"2009-12-27T23:27:48","slug":"eua-reconhecem-documento-que-cita-possibilidade-de-operacoes-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/46","title":{"rendered":"EUA reconhecem documento que cita possibilidade de opera\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o gosto do texto do acordo. Ele n\u00e3o fala explicitamente que opera\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito americano fora das fronteiras colombianas est\u00e3o proibidas. Ou seja, n\u00e3o pro\u00edbe explicitamente as opera\u00e7\u00f5es extraterritoriais. S\u00f3 estabelece que o acordo obedecer\u00e1 aos &#8220;princ\u00edpios de n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o em assuntos internos de outros Estados&#8221;, diz Isacson. Na pr\u00e1tica, isso significa que, se os EUA alegarem o direito de auto-defesa, por exemplo, poder\u00e3o operar em outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, a partir das bases colombianas.<\/p>\n<p>O acordo, entende Isacson, deveria detalhar melhor as restri\u00e7\u00f5es a serem impostas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as americanas nas bases colombianas. Mas o ponto que trata da inger\u00eancia de for\u00e7as estrangeiras no continente sul-americano, tema considerado crucial por l\u00edderes do Mercosul, inclusive pelo presidente brasileiro, Luiz In\u00e1cio da Silva, tem apenas duas linhas &#8211; no Artigo Terceiro, parte 4 &#8211; em um documento de 15 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Acho que h\u00e1 claramente um motivo para a ambiguidade do acordo, talvez para que ele possa ser favoravelmente interpretado, na eventualidade de ser necess\u00e1ria uma uma opera\u00e7\u00e3o mais abrangente dos EUA na regi\u00e3o &#8211; alega Isacson.<\/p>\n<p>Procurado pelo JB em Miami, o porta voz do Departamento de Estado americano, Gregory Adams, disse que, de fato, a \u00fanica parte do acordo a inibir opera\u00e7\u00f5es americanas no Mercosul seriam as duas linhas do Artigo Terceiro, parte 4.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 um acordo bilateral destinado a refor\u00e7ar a nossa coopera\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a na luta contra o tr\u00e1fico de drogas internacional e o terrorismo na Col\u00f4mbia. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra quest\u00e3o regional ou de abrang\u00eancia extraterritorial&#8221;, garantiu Adams.<\/p>\n<p>Mas a pol\u00eamica foi agu\u00e7ada a partir do documento oficial da For\u00e7a A\u00e9rea &#8211; apresentado por Genoino &#8211; datado maio de 2009. Elaborado antes do texto final do acordo, com o objetivo de fundamentar a destina\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento de US$ 46 milh\u00f5es para as opera\u00e7\u00f5es na Base A\u00e9rea de Palanquero, no centro da Col\u00f4mbia, o texto afirma que a base &#8220;fornece uma oportunidade para a realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito total da Am\u00e9rica do Sul&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda no documento da For\u00e7a A\u00e9rea americana, que justifica o or\u00e7amento j\u00e1 aprovado pelo Congresso, a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 chamada de &#8220;sub-regi\u00e3o cr\u00edtica&#8221;, onde a &#8220;seguran\u00e7a e a estabilidade est\u00e3o permanentemente amea\u00e7adas pelo narcotr\u00e1fico patrocinado por organiza\u00e7\u00f5es terroristas, governos antiamericanos, pobreza end\u00eamica e desastres naturais recorrentes&#8221;.<\/p>\n<p>Adams defende que o texto deveria ser interpretado apenas como uma proposta de or\u00e7amento, e n\u00e3o como um documento a definir a pol\u00edtica americana nas bases colombianas.<\/p>\n<p>&#8220;O or\u00e7amento da For\u00e7a A\u00e9rea foi elaborado no in\u00edcio deste ano e apresentado em maio de 2009, isto \u00e9, antes de Col\u00f4mbia e EUA assinarem o acordo de defesa, em 30 de outubro&#8221; &#8211; refor\u00e7a Adams.<\/p>\n<p>Mas para Isacson, o texto mostra, &#8220;no m\u00ednimo, como os EUA retrataram seu papel militar na Col\u00f4mbia para o Congresso americano, h\u00e1 poucos meses&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esse documento revela que a amplitude estrat\u00e9gica das bases \u00e9 muito maior que o simples combate ao narcotr\u00e1fico&#8221; &#8211; refor\u00e7a Jos\u00e9 Genoino. &#8220;O objetivo maior da utiliza\u00e7\u00e3o das bases \u00e9 permitir opera\u00e7\u00f5es em todo o continente sul-americano e controlar o espa\u00e7o a\u00e9reo da regi\u00e3o. O combate ao narcotr\u00e1fico \u00e9 apenas uma coisa a mais&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Latuff\n\n\n\n\nO Departamento de Estado dos EUA confirmou ontem ser verdadeiro o documento da For\u00e7a A\u00e9rea americana apresentado na quarta-feira, em Bras\u00edlia, pelo deputado federal Jos\u00e9 Genoino (PT-SP), que cita a base militar colombiana de Palanquero, a ser usada por Washington, como &#8220;uma oportunidade para a realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito total da Am\u00e9rica do Sul&#8221;. Baseado no documento, Genoino acredita que o pol\u00eamico acordo militar que garante o acesso dos EUA a sete bases no territ\u00f3rio colombiano poderia abrir caminho para as for\u00e7as armadas norte-americanas atuarem em outros pa\u00edses, al\u00e9m da Col\u00f4mbia. Opini\u00e3o semelhante tem o diretor do Programa de Seguran\u00e7a para a Am\u00e9rica Latina do Center for International Policy, em Washington, Adam Isacson, que analisou n\u00e3o s\u00f3 o documento da For\u00e7a A\u00e9rea, mas tamb\u00e9m o texto final do acordo, que veio a p\u00fablico em 5 de novembro no site do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Col\u00f4mbia, ao qual o JB teve acesso.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/46\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-46","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-K","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}