{"id":4620,"date":"2013-04-13T23:57:01","date_gmt":"2013-04-13T23:57:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4620"},"modified":"2013-04-13T23:57:01","modified_gmt":"2013-04-13T23:57:01","slug":"14-de-abril-a-ultima-grande-batalha-de-chavez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4620","title":{"rendered":"14 de Abril, a \u00faltima grande batalha de Ch\u00e1vez"},"content":{"rendered":"\n<p>Este domingo, dia 14, a Venezuela ter\u00e1\u00a0sua terceira elei\u00e7\u00e3o popular em menos de 7 meses. Esta elei\u00e7\u00e3o presidencial se realiza a menos de 39 dias do falecimento do l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, Comandante Hugo Ch\u00e1vez Fr\u00edas, em meio a um estado emocional de dor e compromisso com sua figura e projeto de transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais, que durante os \u00faltimos 14 anos mudaram a cara da Venezuela. Um projeto que desde os momentos mais iniciais, com a Assembleia Nacional Constituinte, representou uma virada na hist\u00f3ria deste pa\u00eds, dando origem a um marco novo e democr\u00e1tico de participa\u00e7\u00e3o popular, de democracia participativa e protag\u00f4nica, que foi avan\u00e7ando em profundidade e defini\u00e7\u00e3o de classe at\u00e9 se declarar uma revolu\u00e7\u00e3o anti-imperialista e socialista.<\/p>\n<p>Como j\u00e1\u00a0\u00e9\u00a0publico e not\u00f3rio em\u00a0Nuestra Am\u00e9rica, este projeto sofreu, desde seu nascimento, a press\u00e3o das oligarquias internas e externas, press\u00e3o que se transformou em ataques diretos conforme o processo ia tomando posi\u00e7\u00f5es mais radicais e rumando \u00e0 esquerda. Nisso as transnacionais da comunica\u00e7\u00e3o, tanto nacionais como estrangeiras, ocuparam o centro do palco, tomando parte ativa numa guerra psicol\u00f3gica dos meios de \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d massiva.<\/p>\n<p>A direita venezuelana chega a estas elei\u00e7\u00f5es vinda de duas derrotas consecutivas, a de 7 de outubro e a de 6 de dezembro. Na primeira, perderam para Ch\u00e1vez por 55 a 44 por cento; na segunda, s\u00f3\u00a0conseguiram quatro governos de um total de vinte e quatro. Dividida em dois blocos e por sua vez fragmentada em pequenos partidos e ONGs, a unidade da chamada Mesa da Unidade mant\u00e9m um equil\u00edbrio prec\u00e1rio e meramente instrumental. Em sua linha de frente est\u00e3o partidos tradicionais que governaram a Venezuela alternadamente durante a IV Rep\u00fablica, COPEI e AD, de tradi\u00e7\u00e3o respectivamente social-crist\u00e3 e social-democrata. Na segunda linha, uma s\u00e9rie de partidos novos de uma direita com um discurso menos duro, mas fundamentos mais neoliberais, como o Primeira Justi\u00e7a e o Novo Tempo. Capriles vem deste segundo grupo, com um discurso que apela \u00e0 confus\u00e3o, se definindo como centro-esquerda e admirador de Lula, o que contrasta com seu passado como membro do grupo Fam\u00edlia, P\u00e1tria e Propriedade, e participante ativo do Golpe de Estado de 2002. Estes grupos contam com os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o privados de r\u00e1dio, TV e jornais, somando mais de 60% dos meios de comunica\u00e7\u00e3o da Venezuela, al\u00e9m de uma ampla rede internacional de aliados da direita dirigida a partir dos EUA, que n\u00e3o teve nenhum escr\u00fapulo em financiar diretamente estes setores em prol da \u201cdemocracia\u201d, arma predileta da ultradireita norte-americana para recuperar sua inger\u00eancia no grande neg\u00f3cio do petr\u00f3leo e derivados.<\/p>\n<p>Nicol\u00e1s Maduro, candidato de Ch\u00e1vez e das for\u00e7as revolucion\u00e1rias agrupadas no Grande Polo Patri\u00f3tico (PSUV, PCV, MEP, REDES, UPV, TUPAMAROS, PPT, PODEMOS e outros coletivos revolucion\u00e1rios e anti-imperialistas), teria, segundo todas as pesquisas, uma vantagem folgada em termos de inten\u00e7\u00f5es de voto em rela\u00e7\u00e3o ao candidato antichavista Capriles, com pelo menos 10 a 20% \u00e0 frente, cifra que, segundo todos os institutos de pesquisa, pode variar de acordo com a capacidade de cada comando de levar seus partid\u00e1rios a sufragar no pr\u00f3ximo domingo. Se prev\u00ea que a percentagem de absten\u00e7\u00f5es pode rondar os 30%. Em 7 de outubro ficou em 20%, a mais baixa de toda a hist\u00f3ria venezuelana, e da\u00ed a grande import\u00e2ncia de que cada comando assegure a participa\u00e7\u00e3o de seus votantes. \u00c9 pertinente recordar que a \u00fanica elei\u00e7\u00e3o que o chavismo perdeu em sua hist\u00f3ria, a vota\u00e7\u00e3o do referendo sobre a Emenda Constitucional do ano de 2009, foi vencido exatamente pela absten\u00e7\u00e3o e\u00a0\u00a0n\u00e3o pelo voto majorit\u00e1rio de direita.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio se poderia argumentar que se est\u00e1 frente a um contexto favor\u00e1vel e sem grandes contratempos para obter uma nova e contundente vit\u00f3ria para o chavismo e as for\u00e7as progressistas venezuelanas. Entretanto, n\u00e3o podemos esquecer que este triunfo por\u00e1 a direita nacional e internacional frente a um novo beco sem sa\u00edda. Durante anos acalentaram a ideia de voltar ao poder com a desapari\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Ch\u00e1vez, dando por l\u00edquido e certo que com a morte do l\u00edder se abriria uma brecha na unidade e na tenacidade de seus partid\u00e1rios, sem que percebessem a capacidade e o n\u00edvel de consci\u00eancia alcan\u00e7ados pelo povo venezuelano, a transcend\u00eancia e profundidade da unidade civil e militar e a confian\u00e7a dos chavistas no projeto revolucion\u00e1rio para al\u00e9m de seu l\u00edder. O triunfo iminente de Maduro poria por terra a tese de que \u201co chavismo n\u00e3o funcionaria sem Ch\u00e1vez\u201d. Levando em conta isto tudo, temos de nos perguntar: quais s\u00e3o, ent\u00e3o, as sa\u00eddas visualizadas pela direita para este per\u00edodo? Porque disto dependem os cen\u00e1rios poss\u00edveis que teremos de enfrentar a partir do 14 de abril, t\u00e3o logo se tornem conhecidos os resultados eleitorais.<\/p>\n<p>Durante a campanha, os sinais dados pelo Comando antichavista n\u00e3o foram alentadores. Sua campanha vem sendo recheada de provoca\u00e7\u00f5es diretas, como se toda ela tivesse como grande objetivo criar um clima de confronta\u00e7\u00e3o incitando os chavistas a atirar a primeira pedra, fato diante do qual Nicol\u00e1s Maduro foi muito direto e claro em seu discurso, chamando seus partid\u00e1rios a n\u00e3o cair em provoca\u00e7\u00f5es que levem \u00e1gua ao moinho da estrat\u00e9gia da direita.<\/p>\n<p>Por outro lado, e como tem sido t\u00edpico nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, os estratos de classe dos grandes empres\u00e1rios jogam sem pudor produzindo escassez de produtos b\u00e1sicos em mais de 20%, aproveitando-se da incapacidade fiscalizadora do Estado de desarticular todos estes planos desestabilizadores. A sabotagem el\u00e9trica foi outra cara deste mesmo plano que busca gerar descontentamento entre os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Mais preocupante ainda \u00e9\u00a0a intercepta\u00e7\u00e3o, por grupos de intelig\u00eancia internacionais e venezuelanos, da entrada de dois grupos de mercen\u00e1rios centro-americanos, que respondem a militares da reserva do ex\u00e9rcito salvadorenho (criadores dos esquadr\u00f5es da morte que executaram, entre milhares de outros, ao Monsenhor Romero), que ingressaram na Venezuela no m\u00eas de mar\u00e7o com o objetivo de implementar a\u00e7\u00f5es de sabotagem, desestabiliza\u00e7\u00e3o e inclusive um poss\u00edvel assassinato do presidente.<\/p>\n<p>Tudo isto se soma \u00e0\u00a0guerra incessante de quarta gera\u00e7\u00e3o levada a cabo pelos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o massiva dentre os quais se destaca o grupo PRISA.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente, frente a todos estes fatos, que a oposi\u00e7\u00e3o, ou pelo menos parte dela, como vem fazendo nos \u00faltimos 14 anos, joga em dois campos, mantendo a todo momento, sob a m\u00e1scara de democratas, um jogo oculto onde sua aposta segue sendo, como em 2002, a derrubada do governo revolucion\u00e1rio de qualquer maneira poss\u00edvel&#8230; por bem ou por mal, tendo nisso como aliados os Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>A Venezuela n\u00e3o est\u00e1\u00a0sozinha, o que foi mais uma vez amplamente demonstrado dia 05 de mar\u00e7o quando, em centenas de cidades do mundo, homens e mulheres cheios de solidariedade, amor e compromisso demonstraram seu apoio, reconhecendo em Hugo Ch\u00e1vez o grande l\u00edder revolucion\u00e1rio latino-americano que deixou sua marca no continente e no planeta, entregando seu legado de unidade dos povos, de dignidade e esperan\u00e7a, na constru\u00e7\u00e3o de outro mundo poss\u00edvel e necess\u00e1rio, que rompa com a larga noite neoliberal. A encruzilhada hist\u00f3rica que vive este povo exige que hoje, mais do que nunca, n\u00e3o permitamos que a corja imperialista e olig\u00e1rquica ponha em risco aquilo que foi constru\u00eddo com a sabedoria heroica de um povo unido e consciente.<\/p>\n<p>Desde a terra de Guaicaipuro, Bol\u00edvar, Girardot, Zamora, Sucre, Miranda e Hugo Ch\u00e1vez conclamamos a unidade internacionalista a desmentir as matrizes midi\u00e1ticas difundindo as informa\u00e7\u00f5es divulgadas por meios alternativos n\u00e3o comprometidos com as transnacionais da comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0 solidariedade internacional mantendo um estado de alerta diante dos acontecimento durante os pr\u00f3ximos dias ou meses e, antes de tudo, ao compromisso com esta terra de homens e mulheres livres que iniciaram um caminho sem retorno em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo e \u00e0 conquista de sua verdadeira independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Com Ch\u00e1vez no cora\u00e7\u00e3o, mil vezes venceremos!<\/p>\n<p>M. Fernanda Cautivo Ahumada, Carlos Casanueva Troncoso<\/p>\n<p>Internacionalistas Chilenos na Venezuela<\/p>\n<p>Caracas, ter\u00e7a-feira, 09 de Abril de 2013<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nReflex\u00f5es sobre as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es na Venezuela.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4620\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-4620","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1cw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4620\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}