{"id":4627,"date":"2013-04-14T00:46:56","date_gmt":"2013-04-14T00:46:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4627"},"modified":"2013-04-14T00:46:56","modified_gmt":"2013-04-14T00:46:56","slug":"obama-restabelece-o-rumo-no-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4627","title":{"rendered":"Obama restabelece o rumo no M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"\n<p>A miss\u00e3o de media\u00e7\u00e3o de Obama em Israel e o seu brilhante sucesso no tratamento da diverg\u00eancia turco-israelita restabelece o rumo da pol\u00edtica do M\u00e9dio Oriente. As pol\u00edticas regionais americanas regressam \u00e0 pureza dos seus fundamentos assentes na perpetua\u00e7\u00e3o da sua hegemonia no M\u00e9dio Oriente, com a Turquia e Israel actuando como agentes-chave locais. Para Obama n\u00e3o existe qualquer urg\u00eancia quanto ao processo de paz do M\u00e9dio Oriente. Na verdade, o que se espera s\u00e3o tempos turbulentos para o M\u00e9dio Oriente. Ainda mais do que at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o que foi dada \u00e0 visita do presidente dos EUA Barack Obama na passada semana a Israel foi a de que se poderia tratar de uma iniciativa de sedu\u00e7\u00e3o tendente a melhorar a qu\u00edmica pessoal de Obama junto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Se foi isso, a miss\u00e3o resultou. O elemento surpresa surgiu dramaticamente na parte final da visita, quando na sexta-feira Obama se preparava para entrar no avi\u00e3o presidencial no aeroporto de Tel Aviv.<\/p>\n<p>Ainda em cima de um improvisado reboque, ligou ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e ap\u00f3s uma breve troca de palavras bem-humoradas passou o telefone a Netanyahu, o qual prontamente deu seguimento e fazendo o que terminantemente se tinha recusado a fazer nos \u00faltimos dois anos: um pedido formal de desculpas pela morte de nove turcos que participavam numa flotilha em miss\u00e3o humanit\u00e1ria para o enclave de Gaza em 2010.<\/p>\n<p>\u00c9 provavelmente a primeira vez na hist\u00f3ria de Israel em que foram pedidas desculpas a um pa\u00eds estrangeiro por uma falta cometida.<\/p>\n<p>O incidente de Gaza cortou as rela\u00e7\u00f5es turco-israelitas. A rotura das liga\u00e7\u00f5es com a Turquia deixou Israel isolado e desprotegido numa regi\u00e3o tomada pelo furor de uma agita\u00e7\u00e3o nunca antes conhecida. A alian\u00e7a com a Turquia \u00e9 de import\u00e2ncia vital para Israel.<\/p>\n<p>Na sua declara\u00e7\u00e3o de congratula\u00e7\u00e3o pela reconcilia\u00e7\u00e3o turco-israelita, o secret\u00e1rio de estado dos EUA John Kerry salientou que isso \u201cajudar\u00e1 Israel a defrontar os v\u00e1rios desafios que encontra na regi\u00e3o\u201d e que uma normaliza\u00e7\u00e3o completa permitir\u00e1 a Tel Aviv e Ancara \u201ctrabalharem em conjunto para fazerem avan\u00e7ar os seus interesses comuns.\u201d<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a conversa telef\u00f3nica no aeroporto de Tel Aviv foi um gesto teatral premeditado que Obama quis que fosse testemunhado por toda a regi\u00e3o. Teve muito simbolismo o comandante do navio EUA faz\u00ea-lo desviar-se para novas direc\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O editor turco Murat Yetkin citou \u201cfontes altamente colocadas\u201d para revelar que Washington tinha contactado Ankara umas semanas antes com a proposta de Obama pretender trabalhar uma aproxima\u00e7\u00e3o entre Erdogan e Netanyahu, esperando utilizar a sua visita a Israel para o efeito. Escreveu Yetkin: \u201cTendo Ankara dito que podia aceitar os bons of\u00edcios dos EUA para um acordo com Israel com base num pedido de desculpas, a diplomacia arrancou. Antes do in\u00edcio da visita de Obama a 20 de Mar\u00e7o, come\u00e7aram a ser trocados entre Ankara e Jerusal\u00e9m notas diplom\u00e1ticas sobre os termos de um poss\u00edvel acordo sob os ausp\u00edcios da diplomacia dos EUA.\u201d<\/p>\n<p>Porque \u00e9 t\u00e3o terrivelmente importante a normaliza\u00e7\u00e3o turco-israelita para Obama e igualmente para Erdogan e Netanyahu? A resposta est\u00e1 no testemunho dado pelo chefe do comando euro-americano e comandante militar de topo da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte almirante James Stavridis perante o comit\u00e9 dos Servi\u00e7os Armados do Senado dos EUA na \u00faltima segunda-feira, v\u00e9spera da partida de Obama de Washington para Israel.<\/p>\n<p>Stavridis persuadiu os legisladores dos EUA de que uma postura mais agressiva dos EUA e seus aliados poderia ajudar a resolver o empate na S\u00edria. Tal como disse, \u201cA minha opini\u00e3o pessoal \u00e9 que seria \u00fatil para quebrar o impasse e derrubar o regime [s\u00edrio].\u201d<\/p>\n<p>O influente senador americano John McCain questionou Stavridis em particular sobre o papel da NATO numa interven\u00e7\u00e3o na S\u00edria. Stavridis respondeu que a NATO se prepara para uma vasta gama de conting\u00eancias. \u201cN\u00f3s [NATO] encaramos uma larga gama de opera\u00e7\u00f5es e estamos preparados se chamados para nos envolvermos como estivemos na L\u00edbia,\u201d disse.<\/p>\n<p>Stavridis prosseguiu explicando que os m\u00edsseis Patriot da NATO, agora ostensivamente posicionados na Turquia com o objectivo de defender o espa\u00e7o a\u00e9reo turco, t\u00eam tamb\u00e9m capacidade para atacar a for\u00e7a a\u00e9rea s\u00edria no seu espa\u00e7o a\u00e9reo e que uma tal opera\u00e7\u00e3o da NATO seria um \u201cpoderoso desincentivo\u201d para o regime s\u00edrio.<\/p>\n<p><strong>Sinais reveladores<\/strong><\/p>\n<p>Igualmente significativo \u00e9 o facto de os navios de guerra do Standing NATO Maritime Group 1 [SNMGI], que chegou ao Mediterr\u00e2neo oriental no fim de Fevereiro, terem visitado na \u00faltima quinzena a base naval turca de Aksaz (onde o Grupo de Miss\u00f5es do Sul da Turquia mant\u00e9m unidades especiais, como o \u201cataque submarino\u201d), a caminho de se juntar na passada semana ao US Strike Group constitu\u00eddo pelo Porta-avi\u00f5es USS Dwight D. Eisenhower e escoltas.<\/p>\n<p>O SNMGI forma parte da For\u00e7a de Reac\u00e7\u00e3o da NATO, que est\u00e1 permanentemente activada e mantida em alerta elevado de forma a responder a desafios de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim, o quadro que resulta, aliado a outros sinais reveladores, \u00e9 o de que poder estar em prepara\u00e7\u00e3o uma interven\u00e7\u00e3o militar ocidental na S\u00edria. Obama move-se cuidadosamente e o envolvimento de tropas dos EUA no terreno na S\u00edria est\u00e1 completamente fora de quest\u00e3o. Contudo, os EUA e a NATO (e Israel) podem fornecer valiosa cobertura a\u00e9rea e lan\u00e7ar devastadores ataques de m\u00edsseis sobre os centros de comando do governo s\u00edrio.<\/p>\n<p>As pot\u00eancias ocidentais concentrar-se-iam na elimina\u00e7\u00e3o do presidente Bashar al-Assad e n\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do pa\u00eds. Se em alguma fase for necess\u00e1ria a entrada de for\u00e7as terrestres no interior da S\u00edria, a Turquia encarregar-se-ia dessa miss\u00e3o, uma vez que \u00e9 um pa\u00eds mu\u00e7ulmano pertencente \u00e0 NATO.<\/p>\n<p>\u00c9 neste ponto que a reconcilia\u00e7\u00e3o Turquia-Israel entra em jogo. Espera-se que uma colabora\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a Turquia e Israel ao n\u00edvel operacional pulverize o regime s\u00edrio simultaneamente a norte e a sul.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a revitaliza\u00e7\u00e3o do eixo estrat\u00e9gico Turquia-Israel tem implica\u00e7\u00f5es importantes para a seguran\u00e7a regional. Erdogan aproveitou do ponto de vista pol\u00edtico, at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, a sua posi\u00e7\u00e3o contra Israel e o sionismo para promover a sua imagem no mundo \u00e1rabe no per\u00edodo dos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>Erdogan n\u00e3o perdeu tempo em gabar-se de que as desculpas israelitas significavam a crescente influ\u00eancia regional da Turquia. \u201cEstamos no in\u00edcio de um processo de eleva\u00e7\u00e3o da Turquia a uma posi\u00e7\u00e3o em que de novo ter\u00e1 uma palavra a dizer, e a iniciativa e o poder que tinha no passado\u201d, disse ele aludindo \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es da Turquia quanto \u00e0 media\u00e7\u00e3o entre Israel e os palestinianos.<\/p>\n<p>Anunciou planear visitar os territ\u00f3rios palestinianos, incluindo Gaza, no pr\u00f3ximo m\u00eas. Por\u00e9m, dito isto, Erdogan pode tamb\u00e9m contar com alguma ajuda oportuna de Israel. A quest\u00e3o \u00e9 que ele pressiona actualmente para um entendimento negociado com os militantes curdos pertencentes ao PKK. Na semana passada, o l\u00edder do PKK Abdullah Ocalan, que se encontra preso na Turquia, apelou \u00e0 mil\u00edcia curda para abandonar o solo turco.<\/p>\n<p><strong>Tempos turbulentos<\/strong><\/p>\n<p>A Turquia tem tradicionalmente dependido de Israel para o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es sobre os grupos militantes curdos. Obviamente, Erdogan espera renovar a partilha de informa\u00e7\u00f5es turco-israelita, que resultaria vantajosa para a Turquia.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o Turquia-Israel no Curdist\u00e3o podia comprar a paz para as for\u00e7as armadas turcas, que t\u00eam enfrentado um ressurgimento da revolta curda, e fazer por sua vez os pax\u00e1s concentrarem-se na frente s\u00edria. A um n\u00edvel mais vasto, a reconcilia\u00e7\u00e3o Turquia-Israel ajuda tamb\u00e9m o futuro papel da NATO no M\u00e9dio Oriente como providenciadora clara de seguran\u00e7a no Levante. Foram descobertas nos recentes anos reservas enormes de energia na Bacia do Levante.<\/p>\n<p>As tentativas da NATO nos passados quatro ou cinco anos para se coordenar com Israel no Mediterr\u00e2neo Oriental como pa\u00eds parceiro embateram contra o problema da diverg\u00eancia turco-israelita. A Turquia bloqueou obstinadamente as conversa\u00e7\u00f5es entre a NATO e Israel e impediu mesmo que a alian\u00e7a NATO convidasse Israel para a gala da cimeira em Chicago.<\/p>\n<p>Baste dizer-se que a reconcilia\u00e7\u00e3o Turquia-Israel tem impacto no equil\u00edbrio estrat\u00e9gico global do M\u00e9dio Oriente. A colabora\u00e7\u00e3o turco-israelita a n\u00edvel militar e de seguran\u00e7a tem implica\u00e7\u00f5es profundas para a quest\u00e3o iraniana. A Turquia v\u00ea o Ir\u00e3o como um rival no M\u00e9dio Oriente, enquanto Israel o v\u00ea como uma amea\u00e7a existencial. Ambos encaram o crescimento do Ir\u00e3o como um desafio \u00e0s suas ambi\u00e7\u00f5es regionais. Assim, o eixo turco-israelita est\u00e1 destinado a desempenhar um papel crucial caso os EUA decidam atacar o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resumo, a miss\u00e3o de media\u00e7\u00e3o de Obama em Israel e o seu brilhante sucesso no tratamento da diverg\u00eancia turco-israelita restabelece o rumo da pol\u00edtica do M\u00e9dio Oriente. As pol\u00edticas regionais americanas regressam \u00e0 pureza dos seus fundamentos assentes na perpetua\u00e7\u00e3o da sua hegemonia no M\u00e9dio Oriente, com a Turquia e Israel actuando como agentes-chave locais.<\/p>\n<p>Enquanto ainda em Israel, Obama n\u00e3o mostrou qualquer sentido de urg\u00eancia quanto ao processo de paz do M\u00e9dio Oriente. Na verdade, o que se espera s\u00e3o tempos turbulentos para o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p><em>M K Bhadrakumar serviu como diplomata de carreira nos Neg\u00f3cios Estrangeiros Indianos durante mais de 29 anos, com fun\u00e7\u00f5es que inclu\u00edram embaixador da \u00cdndia no Uzbequist\u00e3o (1995-1998) e na Turquia (1998-2001).<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2828\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2828<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nM K Bhadrakumar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4627\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4627","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1cD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4627\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}