{"id":465,"date":"2010-05-14T18:14:24","date_gmt":"2010-05-14T18:14:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=465"},"modified":"2010-05-14T18:14:24","modified_gmt":"2010-05-14T18:14:24","slug":"1o-de-maio-e-um-dia-de-luta-contra-a-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/465","title":{"rendered":"1\u00ba de Maio \u00e9 um dia de luta contra a burguesia"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">Para os comunistas, o 1\u00ba de Maio \u00e9 um dia de luta e n\u00e3o de festa. Uma luta cuja meta n\u00e3o se resume a conquistas econ\u00f4micas que atenuem a explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, mas que apontem para a sua supera\u00e7\u00e3o rumo a uma sociedade socialista. Por tais raz\u00f5es, o 1\u00ba de Maio para os comunistas tem um car\u00e1ter de luta contra o capital, a burguesia e o seu Estado. Deve ser independente, portanto, dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Infelizmente no Brasil, nos \u00faltimos anos, tem se generalizado uma comemora\u00e7\u00e3o de 1\u00ba de Maio despolitizada e que passa longe do seu car\u00e1ter original. Alguns desses atos, principalmente os organizados pelas grandes centrais sindicais (CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, UGT e NCST), n\u00e3o passam de megaeventos que contam com pop-stars muito bem pagos e que chegam, inclusive, a sortear carros e im\u00f3veis. Muitos desses atos contam com patroc\u00ednio de empresas que exploram diariamente os trabalhadores.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As comemora\u00e7\u00f5es do 1\u00ba de Maio desse ano mantiveram a mesma caracter\u00edstica, mas com uma diferen\u00e7a: o grosso do financiamento coube a bancos e empresas estatais. A Petrobr\u00e1s repassou R$ 500 mil, sendo que a CUT e a For\u00e7a, unidas \u00e0 CGTB, levaram R$ 200 mil cada uma. J\u00e1 o BNDES pagou R$ 150 mil\u00e0 CUT, e a Caixa Econ\u00f4mica Federal repassou R$ 300 mil\u00e0 CUT e R$ 200 mil\u00e0 For\u00e7a-CGTB. Por sua vez, a CTB (central com presen\u00e7a marcante de sindicalistas do PCdoB), junto com a UGT e a NCST, organizaram um 1\u00ba de Maio unificado que recebeu R$ 100 mil da Petrobr\u00e1s. Justamente pelo compromisso que esse tipo de financiamento traz, ou seja, a subservi\u00eancia das centrais sindicais aos patr\u00f5es e ao governo, nos atos desse ano pode-se observar a presen\u00e7a de dirigentes do PCdoB, como no ato da CTB junto com a UGT e a NCST, dividindo palanque com pol\u00edticos oportunistas, anticomunistas e que h\u00e1 poucas semanas haviam organizado manifesta\u00e7\u00f5es contra o socialismo em Cuba, esquecendo que o internacionalismo prolet\u00e1rio \u00e9 um dever de todo comunista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com tanto dinheiro do Estado injetado nessas comemora\u00e7\u00f5es, o resultado n\u00e3o poderia ser outro. A marca do 1\u00ba de Maio de 2010 organizado pelas grandes centrais foi o de um governismo deslavado. Foram tr\u00eas atos diferentes, mas com um \u00fanico objetivo: montar tr\u00eas palanques para o governo e sua candidata. Os tr\u00eas atos acima referidos contaram com a presen\u00e7a de Lula e de Dilma Roussef, candidata petista \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O car\u00e1ter governista e de concilia\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho que tem marcado as comemora\u00e7\u00f5es de 1\u00ba de Maio no Brasil, nos \u00faltimos anos, reflete o atual est\u00e1gio da luta de classe e a hegemonia de um tipo de sindicalismo que passou a vicejar entre n\u00f3s. O sindicalismo classista e combativo que marcou a retomada da luta dos trabalhadores entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980 entrou na d\u00e9cada de 1990 em uma situa\u00e7\u00e3o defensiva. As causas para esse recuo foram a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e a aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais, com ambas levando a um aumento no desemprego e a uma mudan\u00e7a no perfil da classe trabalhadora. O recuo observado nas lutas levou, no caso da CUT, a uma substitui\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista e combativo por um sindicalismo crismado de \u201cpropositivo e cidad\u00e3o\u201d, de car\u00e1ter abertamente socialdemocrata e que prega a concilia\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho, cujos exemplos s\u00e3o as c\u00e2maras setoriais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No caso da For\u00e7a Sindical, desde a sua origem, por ter sido financiada pelo governo Collor e por grandes empresas, sempre cumpriu o papel de propagar entre os trabalhadores o chamado \u201csindicalismo de resultado\u201d, marcadamente economicista, al\u00e9m de chancelar todas as reformas neoliberais do governo FHC, incluindo a trabalhista. Quanto \u00e0s outras centrais, n\u00e3o passam de express\u00f5es do velho peleguismo, cujo tra\u00e7o marcante, al\u00e9m da concilia\u00e7\u00e3o de classe, \u00e9 o de sempre ficar de bem com o governo de turno.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A perda da perspectiva combativa, por parte dessas centrais sindicais, deve-se tamb\u00e9m ao constante movimento de coopta\u00e7\u00e3o que o governo faz junto ao movimento. Se por um lado se utiliza da reparti\u00e7\u00e3o do imposto sindical e do reconhecimento das centrais \u2013 velhas reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores \u2013 para tornar essas centrais instrumentos governistas de amortecimento da luta de classes, por outro, parte do pr\u00f3prio movimento sindical perdeu a perspectiva da luta a partir das bases dos sindicatos e prefere pressionar, em Bras\u00edlia, por migalhas aos trabalhadores, o que n\u00e3o deixa de ser outra forma cooptada de a\u00e7\u00e3o. Por isso tamb\u00e9m, o1\u00b0 de Maio n\u00e3o tem mais outro sentido, para essas centrais, sen\u00e3o se tornarem atos despolitizados e apenas festivos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Retomar as comemora\u00e7\u00f5es de massa do 1\u00ba de Maio independente dos patr\u00f5es e do governo, passa pela supera\u00e7\u00e3o do sindicalismo propositivo e governista, atualmente hegem\u00f4nico, bem como dos anacr\u00f4nicos pelegos. Uma supera\u00e7\u00e3o que requer uma luta ao mesmo tempo pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. Isso exige uma reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical classista e combativo em espa\u00e7os como a <strong>Intersindical (Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora)<\/strong>, cujo prop\u00f3sito \u00e9 o de organizar a luta dos trabalhadores contra a explora\u00e7\u00e3o a partir dos locais de trabalho. Foi motivada por essa proposta que a Intersindical, com apoio e presen\u00e7a ativa dos comunistas, organizou com outras entidades atos de 1\u00ba de Maio como em S\u00e3o Paulo e Campinas, independentes dos patr\u00f5es e do governo. Esse \u00e9 o embri\u00e3o do surgimento de um novo movimento sindical que se mant\u00e9m com o car\u00e1ter classista representando, assim, o 1\u00ba de Maio que respeita a luta dos trabalhadores contra a explora\u00e7\u00e3o, e de todos aqueles que na luta contra a burguesia tombaram defendendo os interesses dos explorados e oprimidos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Rio de Janeiro, maio de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Intersindical\n\n\n\n\n(Nota Pol\u00edtica do PCB)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/465\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7v","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=465"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/465\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}