{"id":4677,"date":"2013-04-22T16:32:14","date_gmt":"2013-04-22T16:32:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4677"},"modified":"2013-04-22T16:32:14","modified_gmt":"2013-04-22T16:32:14","slug":"paraguai-elege-presidente-acusado-de-narcotrafico-e-contrabando-de-cigarro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4677","title":{"rendered":"Paraguai elege presidente acusado de narcotr\u00e1fico e contrabando de cigarro"},"content":{"rendered":"\n<p>Com Cartes, um novato na pol\u00edtica, os colorados retomam sua hist\u00f3rica hegemonia sobre o poder paraguaio, dez meses ap\u00f3s a queda de Fernando Lugo. Segundo observadores internacionais, as elei\u00e7\u00f5es de ontem foram limpas. Ser\u00e1, portanto, sob governo colorado que Assun\u00e7\u00e3o retomar\u00e1 o status de membro pleno no Mercosul e na Unasul a partir do pr\u00f3ximo semestre. Cartes toma posse em agosto.<\/p>\n<p>\u201cO povo paraguaio falou e n\u00f3s respeitaremos\u201d, disse Alegre, reconhecendo sua derrota. \u201cN\u00e3o desanimem.\u201d<\/p>\n<p>A uma r\u00e1dio local, antes da divulga\u00e7\u00e3o dos resultados, Cartes afirmou que j\u00e1 esperava o triunfo sobre Alegre. Cartes afirmou que \u201ca participa\u00e7\u00e3o dos jovens desde as prim\u00e1rias do partido\u201d foi decisiva.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Pal\u00e1cio de L\u00f3pez, o Partido Colorado teria conquistado ainda a maioria do Congresso. Cartes, de 56 anos, foi o favorito desde o in\u00edcio da campanha, mas viu sua vantagem diminuir nos \u00faltimos meses. O bom momento de Alegre, por\u00e9m, n\u00e3o foi suficiente. Liberais amea\u00e7aram \u00e0 tarde n\u00e3o reconhecer o resultado da elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um coment\u00e1rio do vice-presidente do Tribunal Superior de Justi\u00e7a Eleitoral (TS-JE), Juan Manuel Morales. Seis horas antes do fechamento das urnas, o ministro disse que as primeiras informa\u00e7\u00f5es indicavam ampla vantagem de \u201cum dos candidatos\u201d. Em seguida, completou: \u201cE Efra\u00edn (Alegre) ter\u00e1 de reconhecer essa realidade\u201d, insinuando que o rival de Cartes estava prestes a ser derrotado. Morales, n\u00famero 2 da Justi\u00e7a Eleitoral, foi candidato \u00e0 prefeitura de Assun\u00e7\u00e3o, em 1992, pelo Partido Colorado e ministro da Justi\u00e7a no governo &#8211; tamb\u00e9m colorado &#8211; de Juan Carlos Wasmosy (1993-1998).<\/p>\n<p>Diego Abente Brun, chefe da campanha de Alegre, disse ao Estado que os coment\u00e1rios s\u00e3o \u201cdelitos flagrantes e absurdos\u201d cometidos para influenciar os resultados das urnas.<\/p>\n<p>Tranq\u00fcilidade. Houve den\u00fancias de compra de votos em regi\u00f5es afastadas da capital, mas, segundo observadores, os desvios \u201cn\u00e3o sa\u00edram do esperado\u201d para o Paraguai.<\/p>\n<p>Oficialmente, o chefe da miss\u00e3o eleitoral da OEA, o ex-presidente da Costa Rica e Nobel da Paz, Oscar \u00c1rias, disse n\u00e3o ter recebido nenhuma den\u00fancia. \u201cEstou muito contente em ver a tranq\u00fcilidade das pessoas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Apesar de as pesquisas de boca de urna serem proibidas no dia da elei\u00e7\u00e3o, diversas sondagens foram divulgadas, de hora em hora, pelos principais grupos de imprensa, trocando apenas os nomes dos candidatos por letras como \u201cX\u201d e \u201cY\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma lei clara contra esses levantamentos, mas ela foi ignorada\u201d, afirmou um dos coordenadores do grupo de observadores da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Ele se disse \u201cchocado\u201d com, a viola\u00e7\u00e3o, mas negou que ela possa ter interferido decisivamente no resultado final, considerando a ampla margem que obteve Cartes sobre seu rival<\/p>\n<p>Embora tenha sido enxotada, do poder em junho, a esquerda paraguaia aparentemente conseguiu ontem um resultado in\u00e9dito no Congresso: tornar-se a terceira maior for\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds. O objetivo agora, segundo disse ao Estado Mario Ferrero &#8211; o terceiro colocado na disputa presidencial \u00e9 unificar os grupos esquerdistas, os quais disputaram divididos a campanha.<\/p>\n<p>No Paraguai, o Legislativo tem amplos poderes sobre o Executivo, incluindo a capacida -de abrir \u201cjulgamentos pol\u00edticos\u201d contra presidentes &#8211; como ocorreu com Lugo. Ao contr\u00e1rio do ex-bispo, cujo partido era nanico no Congresso, Cartes governar\u00e1 com maioria.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BNDES abandona pol\u00edtica de apoio a &#8216;campe\u00e3s nacionais&#8217;<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) abandonou a controvertida pol\u00edtica de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;campe\u00e3s nacionais&#8221;. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do presidente da institui\u00e7\u00e3o, Luciano Coutinho, que n\u00e3o concorda com o uso desse termo. &#8220;A promo\u00e7\u00e3o da competitividade de grandes empresas de express\u00e3o internacional \u00e9 uma agenda que foi conclu\u00edda&#8221;, disse Coutinho, em entrevista exclusiva na sexta-feira, na sede do BNDES em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ele afirma que a pol\u00edtica tinha &#8220;m\u00e9ritos&#8221; e chegou &#8220;at\u00e9 onde podia ir&#8221;, porque o n\u00famero de setores em que o Pa\u00eds tem potencial para projetar empresas l\u00edderes \u00e9 &#8220;limitado&#8221;. O economista citou os segmentos de petroqu\u00edmica, celulose, frigor\u00edficos, siderurgia, suco de laranja e cimento. &#8220;N\u00e3o enxergo outros com o mesmo potencial&#8221;, frisou. Segundo ele, o BNDESPar, bra\u00e7o de investimentos do banco em empresas, est\u00e1 focado em setores inovadores, como tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, farmac\u00eautico e bens de capital.<\/p>\n<p>O incentivo \u00e0s &#8220;campe\u00e3s nacionais&#8221; come\u00e7ou h\u00e1 seis anos, no governo Lula, quando Coutinho j\u00e1 ocupava o cargo de presidente do BNDES. Com empr\u00e9stimos em condi\u00e7\u00f5es generosas e compras de participa\u00e7\u00e3o, o banco injetou cerca de R$ 18 bilh\u00f5es nos frigor\u00edficos JBS e Marfrig, na L\u00e1cteos Brasil (LBR), na Oi e na Fibria, conforme levantamento feito pelo Estado. Algumas dessas empresas est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o financeira delicada, como a LBR, que pediu recupera\u00e7\u00e3o judicial, e o Marfrig.<\/p>\n<p>Ele afirmou que &#8220;poucas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o transparentes quanto o BNDES&#8221; e garantiu que divulga todas as opera\u00e7\u00f5es, respeitando o sigilo banc\u00e1rio. Por isso, n\u00e3o comentou a exposi\u00e7\u00e3o do banco \u00e0s empresas de Eike Batista, que sofrem uma crise de confian\u00e7a. Disse apenas que est\u00e1 &#8220;tranquilo&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Medidas para incentivar investimento no setor qu\u00edmico devem sair logo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Preocupado com o elevado custo da produ\u00e7\u00e3o e com a invas\u00e3o dos produtos importados, o governo fecha os \u00faltimos detalhes para reduzir a incid\u00eancia de PIS\/Cofins sobre a mat\u00e9ria-prima da ind\u00fastria petroqu\u00edmica, assim como criar dois regimes especiais de tributa\u00e7\u00e3o para estimular o aumento dos investimentos no setor.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, o d\u00e9ficit comercial dos produtos qu\u00edmicos registrou um crescimento de 49%, passando de US$ 11,8 bilh\u00f5es para US$ 17,6 bilh\u00f5es, segundo n\u00fameros do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (Mdic). Somente no primeiro bimestre, o saldo negativo subiu 14,83% ante mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do governo, \u00e9 preciso dar condi\u00e7\u00f5es para que esse segmento amplie os investimentos e aumente a produ\u00e7\u00e3o para atender ao mercado interno que tem optado pelo produto importado. No caso da diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de PIS\/Cofins, ela deve contemplar, por exemplo, etanol, nafta, g\u00e1s liquefeito petr\u00f3leo (GLP), propano e hidrocarboneto leve de refinaria.<\/p>\n<p>A diretora t\u00e9cnica de economia e estat\u00edstica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica (Abiquim), F\u00e1tima Giovanna Ferreira, destacou que, nos primeiros dois meses do ano, continuou o enfraquecimento do setor com queda na produ\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras e das vendas internas. &#8220;N\u00e3o adianta estimular o aumento do consumo, \u00e9 preciso dar condi\u00e7\u00f5es para que as empresas n\u00e3o fiquem ref\u00e9m dos importados&#8221;, disse F\u00e1tima. Segundo ela, se nada for feito pelo governo, o d\u00e9ficit comercial do setor deve bater um novo recorde neste ano.<\/p>\n<p>O desenho do Regime Especial para a Ind\u00fastria Qu\u00edmica (Repequim) para desonerar de PIS\/Cofins e, em alguns casos, de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a compra de bens de capital e servi\u00e7os pelo setor est\u00e1 praticamente pronto, conforme fonte da \u00e1rea econ\u00f4mica. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que essa iniciativa vai baratear os investimentos.<\/p>\n<p>Foi com esse mesmo objetivo, que come\u00e7ou a vigorar neste ano, o Regime Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Infraestrutura da Ind\u00fastria de Fertilizantes (Reif). A expectativa \u00e9 de que alavanque investimentos de US$ 13 bilh\u00f5es. Com o Reif, a ind\u00fastria de fertilizante pode investir em nova planta fabril e ter suspens\u00e3o de pagamento de PIS\/Cofins, IPI e IPI vinculado \u00e0 importa\u00e7\u00e3o durante a execu\u00e7\u00e3o da obra. Essa suspens\u00e3o poder\u00e1 ser transformada em isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Sem o novo modelo, a empresa teria o cr\u00e9dito sobre imposto pago apenas no final de todo o processo.<\/p>\n<p>Segundo a Abiquim, para atendimento de toda a demanda interna, o setor de produtos qu\u00edmicos precisa realizar investimentos de US$ 167 bilh\u00f5es ao longo de 10 anos. Atualmente, esse investimento \u00e9 de US$ 4 bilh\u00f5es ao ano. Isso ajudaria a ampliar a capacidade instalada do setor, que est\u00e1 em 80%, um patamar considerado baixo. O percentual para atendimento da demanda do pa\u00eds \u00e9 ter uma eleva\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada para algo entre 92% e 95% (padr\u00e3o da ind\u00fastria qu\u00edmica). Isso, segundo c\u00e1lculos da entidade, permitiria reduzir as importa\u00e7\u00f5es em US$ 5 bilh\u00f5es. Mas tudo isso depende de investimentos.<\/p>\n<p>Para a diretora da Abiquim, com a crise econ\u00f4mica mundial h\u00e1 um excedente de produtos qu\u00edmicos, que acaba invadindo o mercado brasileiro por ser mais barato que o similar nacional. &#8220;\u00c9 preciso resolver gargalos para destravar a produ\u00e7\u00e3o e conseguir ampliar os investimentos para que seja poss\u00edvel substituir o importado&#8221;, explicou F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Independente das promessas de governo, o segmento qu\u00edmico pleiteia ainda a cria\u00e7\u00e3o de um regime espec\u00edfico para estimular investimentos em inova\u00e7\u00e3o. A empresa \u00e9 desonerada, mas dever\u00e1 se comprometer em realizar investimentos em Pesquisa &amp; Desenvolvimento (P&amp;D). Para a Abiquim, a iniciativa pode ajudar a aumentar os atuais n\u00edveis de investimentos em P&amp;D dos atuais 0,6% da receita l\u00edquida para 1,5% em 10 anos. Mesmo assim, esse valor ainda seria menor do que a m\u00e9dia internacional do setor qu\u00edmico que varia entre 2% e 2,5% da receita.<\/p>\n<p>Outra reivindica\u00e7\u00e3o do setor \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do custo do g\u00e1s natural no Brasil. O segmento qu\u00edmico sugere a realiza\u00e7\u00e3o de leil\u00e3o espec\u00edfico para o uso do g\u00e1s como mat\u00e9ria-prima no curto prazo. Para o longo prazo, na avalia\u00e7\u00e3o da Abiquim, \u00e9 preciso criar projetos estruturantes com a realiza\u00e7\u00e3o de leil\u00f5es aproveitando recursos de g\u00e1s provenientes dos campos existentes como pr\u00e9-sal.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desacelera\u00e7\u00e3o da China j\u00e1 afeta embarque de commodities<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o do crescimento da economia chinesa j\u00e1 se reflete na exporta\u00e7\u00e3o brasileira. No primeiro trimestre, o volume exportado em min\u00e9rio de ferro caiu 2,3% em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos meses de 2012. A queda chama a aten\u00e7\u00e3o, porque o volume de exporta\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio para a China perdeu ritmo no ano passado, mas n\u00e3o chegou a cair. Em 2012, a exporta\u00e7\u00e3o do produto para os chineses subiu 3,3% em volume. No primeiro trimestre de 2012, o crescimento de quantidade era de 5%.<\/p>\n<p>O volume embarcado de soja tamb\u00e9m caiu, mas nesse caso h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o de 24,3%. No ano passado houve antecipa\u00e7\u00e3o de embarques, fen\u00f4meno que n\u00e3o se repete este ano. A expectativa, portanto, \u00e9 que o volume de soja exportada supere o de 2012. Os pre\u00e7os, por\u00e9m, est\u00e3o abaixo do esperado, o que tamb\u00e9m \u00e9 reflexo de uma demanda aqu\u00e9m da expectativa. Isso pode limitar a contribui\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o para a balan\u00e7a comercial com a China.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo, que ao lado da soja e do min\u00e9rio de ferro est\u00e1 entre os tr\u00eas itens mais importantes da pauta de exporta\u00e7\u00e3o brasileira para a China, n\u00e3o promete melhorar o desempenho dos embarques ao pa\u00eds asi\u00e1tico. O volume de exporta\u00e7\u00e3o de \u00f3leo bruto caiu 6,6% no primeiro trimestre, acompanhando a tend\u00eancia de queda de volume na exporta\u00e7\u00e3o brasileira do produto, em raz\u00e3o da falta de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional, que tem se voltado cada vez mais para o abastecimento do mercado dom\u00e9stico. Juntos, min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo e soja representaram no primeiro trimestre 79% do valor total exportado pelo Brasil \u00e0 China.<\/p>\n<p>Apesar da queda de quantidade embarcada, o valor exportado em min\u00e9rio de ferro para a China no primeiro trimestre cresceu 4,2%, devido a uma pequena recupera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o no per\u00edodo. O menor volume embarcado para o pa\u00eds asi\u00e1tico, por\u00e9m, \u00e9 um reflexo do excedente de a\u00e7o no mundo e, com a menor demanda, o min\u00e9rio pode voltar a sofrer queda de pre\u00e7o, diz Jos\u00e9 Augusto de Castro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB). Para Welber Barral, ex-secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio Exterior, \u00e9 cedo para falar em queda de volume na exporta\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio. &#8220;A tend\u00eancia \u00e9 que n\u00e3o haja grande recupera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.&#8221;<\/p>\n<p>Durante o primeiro trimestre, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos do Com\u00e9rcio Exterior (Funcex), o pre\u00e7o m\u00e9dio das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras no segmento de minerais met\u00e1licos cresceu 4,2% em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos meses de 2012, enquanto a quantidade exportada caiu 1,5%. Rodrigo Branco, economista da Funcex, diz que a estimativa inicial do \u00f3rg\u00e3o era de eleva\u00e7\u00e3o de 20% do pre\u00e7o m\u00e9dio de exporta\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio de ferro este ano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de 2012. Atualmente, por\u00e9m, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de alta menor, de 15%.<\/p>\n<p>Ainda com perfil de produ\u00e7\u00e3o fortemente voltado para o mercado externo, a China sente os efeitos da falta de recupera\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, diz Fabio Silveira, diretor de pesquisa da GO Associados. Esse fato, ligado \u00e0 tend\u00eancia altista de estoques no complexo que inclui min\u00e9rio de ferro, metalurgia e siderurgia, deve reduzir a demanda internacional pelo insumo. Silveira estima que a exporta\u00e7\u00e3o brasileira de min\u00e9rio de ferro deve sofrer leve queda de volume, de cerca de 3% este ano, com pre\u00e7os est\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o a 2012.<\/p>\n<p>A soja tamb\u00e9m traz preocupa\u00e7\u00e3o semelhante em rela\u00e7\u00e3o a pre\u00e7o. Para Castro, os pre\u00e7os para o per\u00edodo est\u00e3o aqu\u00e9m da expectativa. Ele lembra que os meses de abril e maio s\u00e3o os mais importantes para o embarque de soja. No ano passado, afirma, houve antecipa\u00e7\u00e3o dos embarques e, al\u00e9m disso a produ\u00e7\u00e3o brasileira se beneficiou com a alta de pre\u00e7os do gr\u00e3o no segundo semestre, por conta da seca que atingiu a safra americana.<\/p>\n<p>Este ano, diz Silveira, h\u00e1 um receio de que o an\u00fancio das boas safras de soja no hemisf\u00e9rio Norte contribuam para pressionar o pre\u00e7o do gr\u00e3o para baixo. A desacelera\u00e7\u00e3o da China, diz Silveira, ainda continuar\u00e1 tendo forte influ\u00eancia na exporta\u00e7\u00e3o da soja brasileira. Apesar da produ\u00e7\u00e3o recorde de soja em 2013, o economista avalia que o valor exportado do complexo soja &#8211; gr\u00e3o, farelo e \u00f3leo &#8211; n\u00e3o deve acompanhar o mesmo ritmo de crescimento.<\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o do complexo soja, projeta Silveira, deve ficar em US$ 27 bilh\u00f5es no ano, US$ 1 bilh\u00e3o a mais que o embarcado em 2012. Apesar da expectativa de eleva\u00e7\u00e3o da quantidade de gr\u00e3os a serem embarcados, o economista prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o de 5% no pre\u00e7o m\u00e9dio da soja neste ano, na compara\u00e7\u00e3o com o ano passado.<\/p>\n<p>Branco afirma que h\u00e1, por enquanto, uma evolu\u00e7\u00e3o positiva do pre\u00e7o da soja no primeiro trimestre, em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Os meses de abril e maio, segundo ele, ir\u00e3o definir melhor a tend\u00eancia. &#8220;N\u00e3o creio em queda grande de pre\u00e7os, a menos que aconte\u00e7a algo imprevisto.&#8221;<\/p>\n<p>O per\u00edodo de exporta\u00e7\u00f5es puxadas pela alta de pre\u00e7os, seja para a China ou para os demais destinos,, por\u00e9m, ficou para tr\u00e1s, diz Branco. Para ele, a exporta\u00e7\u00e3o este ano ser\u00e1 comandada principalmente pelo desempenho das quantidades embarcadas. Dados da Funcex revelam que, no primeiro trimestre, a queda de 7,7% no valor exportado foi resultado principalmente da redu\u00e7\u00e3o de 6,6% no volume embarcado, enquanto os pre\u00e7os tiveram queda menor, de 0,9%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para FMI, Brasil tem baixo PIB potencial<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O crescimento potencial do Brasil parece mais baixo do que se pensava, diz o economista-chefe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), Olivier Blanchard, referindo-se ao ritmo de expans\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) que n\u00e3o acelera a infla\u00e7\u00e3o. Para ele, se a economia brasileira estivesse muito abaixo do potencial, o pa\u00eds veria a infla\u00e7\u00e3o cair mais. &#8220;Com isso, a margem de manobra para usar pol\u00edticas de est\u00edmulo \u00e0 demanda \u00e9 provavelmente limitada&#8221;, afirma Blanchard, lembrando que o FMI reduziu a previs\u00e3o de crescimento para a economia brasileira em 2013 de 3,5% para 3%. Gargalos de infraestrutura e no mercado de trabalho foram apontados pelos economistas da institui\u00e7\u00e3o como restri\u00e7\u00f5es de oferta importantes que afetam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O economista franc\u00eas diz ainda que o desempenho mais fraco do Brasil no passado recente tem grande rela\u00e7\u00e3o com o comportamento frustrante do investimento. &#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que um n\u00famero de distor\u00e7\u00f5es, assim como alguma incerteza sobre pol\u00edticas, tenham um papel nisso&#8221;, disse Blanchard ao Valor, em meio \u00e0 maratona de encontros e semin\u00e1rios da reuni\u00e3o de primavera do FMI e do Banco Mundial, realizada na semana passada em Washington.<\/p>\n<p>Blanchard diz ainda que pa\u00edses emergentes como o Brasil devem &#8220;ser livres&#8221; para suavizar movimentos de recursos externos mais vol\u00e1teis, usando &#8220;instrumentos de administra\u00e7\u00e3o de fluxos de capitais, medidas macroprudenciais e interven\u00e7\u00e3o no mercado de c\u00e2mbio&#8221;. Alguns desses capitais s\u00e3o desestabilizadores, afirma, observando, contudo, que parte do dinheiro que chega de fora vem por um bom motivo &#8211; aproveitar as perspectivas mais favor\u00e1veis dos mercados emergentes.<\/p>\n<p>Para ele, ali\u00e1s, o Brasil n\u00e3o abandonou o regime de c\u00e2mbio flutuante. &#8220;Eu chamaria de flutua\u00e7\u00e3o administrada. O real flutua, mas com o uso de controle de capitais&#8221;, diz Blanchard, um dos principais respons\u00e1veis pela ado\u00e7\u00e3o de ideias mais flex\u00edveis pelo FMI no p\u00f3s-crise, como o apoio a controles de capitais em determinadas circunst\u00e2ncias e a recomenda\u00e7\u00e3o para que alguns pa\u00edses n\u00e3o exagerem na dose da austeridade fiscal.<\/p>\n<p>Para Blanchard, a recupera\u00e7\u00e3o americana mostra sinais robustos, pelo lado do setor privado. O pa\u00eds vai crescer quase 2% mesmo com o ajuste fiscal equivalendo a uma contra\u00e7\u00e3o de 1,8% do PIB. O economista elogia tamb\u00e9m a pol\u00edtica monet\u00e1ria japonesa, e n\u00e3o a encara como uma medida voltada para produzir uma desvaloriza\u00e7\u00e3o competitiva do c\u00e2mbio, mas sim para de fato tirar o pa\u00eds da defla\u00e7\u00e3o. A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>Valor: A recupera\u00e7\u00e3o dos EUA \u00e9 sustent\u00e1vel, num cen\u00e1rio em que o setor privado parece em boa forma, mas a incerteza sobre a pol\u00edtica fiscal deve continuar elevada?<\/p>\n<p>Olivier Blanchard: Eu estou confiante que a retomada vai continuar. H\u00e1 muitos fatores que est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o certa. Primeiro, h\u00e1 a pol\u00edtica monet\u00e1ria. O Fed foi agressivo e tomou muitas medidas para ajudar a economia. Os investidores esperam que as taxas de juros v\u00e3o seguir baixas, o que \u00e9 bom para a demanda. \u00c9 bom que os juros b\u00e1sicos estejam baixos, mas as taxas que afetam a vida das pessoas \u00e9 aquela de hipotecas e empr\u00e9stimos. O sistema banc\u00e1rio nos EUA n\u00e3o est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o perfeita, ainda h\u00e1 riscos, mas ele est\u00e1 melhorando em termos de indicadores de capital, de funding. O mecanismo de transmiss\u00e3o est\u00e1 funcionando de novo. H\u00e1 juros baixos para quem quer tomar dinheiro emprestado. H\u00e1 tamb\u00e9m o que os economistas chamam de demanda reprimida. Quando h\u00e1 uma recess\u00e3o longa e poucos im\u00f3veis s\u00e3o constru\u00eddos, o que n\u00f3s vimos por algum tempo, ent\u00e3o o estoque de im\u00f3veis cai. Em algum ponto n\u00e3o h\u00e1 im\u00f3veis suficientes, e a constru\u00e7\u00e3o come\u00e7a de novo. \u00c9 a mesma coisa no mercado de autom\u00f3veis. Se as pessoas n\u00e3o compram carros por um tempo, em algum momento elas t\u00eam que trocar um autom\u00f3veis que n\u00e3o est\u00e1 funcionando bem. N\u00f3s vemos esse fen\u00f4meno no mercado imobili\u00e1rio, n\u00f3s vemos a mesma coisa em bens dur\u00e1veis. Todos esses s\u00e3o sinais de uma economia que est\u00e1 se recuperando. Se voc\u00ea olhar para a queda no crescimento [ no Brasil], ela parece vir em grande parte do investimento&#8221;<\/p>\n<p>Valor: Mas e a pol\u00edtica fiscal?<\/p>\n<p>Blanchard: A pol\u00edtica fiscal est\u00e1 de fato desacelerando a recupera\u00e7\u00e3o. A consolida\u00e7\u00e3o fiscal nos EUA \u00e9 muito forte neste ano. \u00c9 de 1,8% do PIB. Pode estar tirando de 1,5 a 2 pontos do crescimento. Eu espero que os EUA adotem uma trajet\u00f3ria melhor de ajuste fiscal. A ironia \u00e9 que o sequestro [corte autom\u00e1tico de US$ 85,3 bilh\u00f5es que entrou em vigor em mar\u00e7o], de algum modo, melhorou o panorama. Ele levou os investidores a concluir que o pior que pode acontecer \u00e9 que o sequestro continue, e ent\u00e3o o d\u00e9ficit ser\u00e1 menor. N\u00e3o \u00e9 o melhor modo de fazer o ajuste, que deveria ser feito mais lentamente e com mais intelig\u00eancia. Minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a consolida\u00e7\u00e3o fiscal vai desacelerar e a demanda privada vai continuar forte. Com isso, a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 razoavelmente forte.<\/p>\n<p>Valor: O sr. acredita que os EUA poder\u00e3o se tornar um competidor dos mercados emergentes nos pr\u00f3ximos anos, devido ao renascimento da manufatura, mais do que uma economia baseada no consumo?<\/p>\n<p>Blanchard: A maneira de pensar nisso \u00e9 em termos de cadeias de valor. Produtos manufaturados n\u00e3o ser\u00e3o inteiramente fabricados na China, no Brasil ou nos EUA. Algumas partes ser\u00e3o produzidas na China, outras no Brasil e outras nos EUA. Pelo menos por algum tempo, os Estados Unidos v\u00e3o continuar a ter vantagem em tecnologia de ponta, ent\u00e3o parte da produ\u00e7\u00e3o de manufaturados vai ocorrer no pa\u00eds. N\u00f3s vemos isso em biologia, em tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. No fim, produtos manufaturados ser\u00e3o feitos em todos os lugares do mundo. Nos casos em que \u00e9 muito importante o trabalho barato, ela ser\u00e1 feita nos pa\u00edses em que h\u00e1 esse fator. Nos segmentos em que for importante o trabalho especializado, ser\u00e1 feita nos pa\u00edses em que ele existe. Quando for necess\u00e1rio basicamente estar pr\u00f3ximo da pesquisa e desenvolvimento, os manufaturados ser\u00e3o feitos em pa\u00edses mais avan\u00e7ados, como os EUA.<\/p>\n<p>Valor: Os bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos, especialmente o Federal Reserve [Fed, o banco central americano] e o Banco do Jap\u00e3o, t\u00eam adotado pol\u00edticas monet\u00e1rias extremamente expansionistas. Como elas afetam os mercados emergentes? Eles devem manter ou intensificar controles de capitais para lidar com esses fluxos?<\/p>\n<p>Blanchard: H\u00e1 v\u00e1rios motivos pelos quais os capitais est\u00e3o indo para os mercados emergentes, e \u00e9 importante fazer distin\u00e7\u00f5es entre elas. A principal n\u00e3o tem a ver com a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ela tem a ver com o fato de que os pa\u00edses em desenvolvimento simplesmente parecerem bem. Em termos de fluxos de investimentos estrangeiros diretos, os mercados emergentes, com forte potencial de crescimento, s\u00e3o muito atraentes. Em termos de investimento em carteira, os mercados de a\u00e7\u00f5es desses pa\u00edses parecem boas apostas, ainda que arriscadas. Esses fatores refletem a for\u00e7a dos mercados emergentes. Essa parte dos fluxos de capitais \u00e9 boa. Outra for\u00e7a por tr\u00e1s dos fluxos de capitais s\u00e3o os diferenciais de juros. Como as economias avan\u00e7adas t\u00eam um desempenho fraco e os mercados emergentes est\u00e3o indo melhor em termos de atividade c\u00edclica, h\u00e1 juros mais baixos nos pa\u00edses desenvolvidos e mais elevados nos pa\u00edses em desenvolvimento. Isso faz do investimento nos t\u00edtulos dos mercados emergentes algo atraente. Esse diferencial de juros deve continuar por muito tempo e vai levar a fluxos de capitais para os emergentes. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o ruins, mas s\u00e3o menos importantes do que os do primeiro tipo. A terceira for\u00e7a por tr\u00e1s dos fluxos de capitais s\u00e3o epis\u00f3dios de aumento e redu\u00e7\u00e3o de risco. Os investidores gostam de riscos, depois n\u00e3o gostam, o que faz os fluxos de capitais entrarem e sa\u00edrem. Esses s\u00e3o desestabilizadores e pa\u00edses que os recebem, como o Brasil, devem ser livres para tentar suaviz\u00e1-los por meio de instrumentos de administra\u00e7\u00e3o de fluxos de capitais, medidas macroprudenciais e interven\u00e7\u00e3o no mercado de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Valor: O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, diz que h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o de meio termo entre pa\u00edses desenvolvidos e emergentes sobre esse assunto. Os primeiros adotam pol\u00edticas monet\u00e1rias expansionistas e os segundos usam eventualmente medidas de controle de capitais e macroprudenciais para lidar com eles. O sr. concorda?<\/p>\n<p>Blanchard: Eu n\u00e3o gosto do termo solu\u00e7\u00e3o de meio termo [compromise, em ingl\u00eas]. Eu prefiro a palavra acordo. Acho que h\u00e1 acordo amplo de que as economias avan\u00e7adas precisam usar pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o convencional porque n\u00e3o sobrou nenhuma pol\u00edtica monet\u00e1ria convencional para ajudar na recupera\u00e7\u00e3o. Eles precisam fazer tudo o que podem. Eles n\u00e3o podem usar a pol\u00edtica fiscal, uma vez que precisam de consolida\u00e7\u00e3o fiscal. Ao mesmo tempo, os pa\u00edses avan\u00e7ados entendem que essas pol\u00edticas monet\u00e1rias v\u00e3o produzir movimentos nos fluxos de capitais. Como eles s\u00e3o vol\u00e1teis, o acordo \u00e9 que os pa\u00edses que os recebem devem ser livres para suaviz\u00e1-los e usar quaisquer ferramentas que tenham \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o acordo impl\u00edcito. Ele n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas n\u00e3o \u00e9 ruim, e talvez seja o melhor que pode ser feito.<\/p>\n<p>Valor: Daqui a alguns anos, os bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos v\u00e3o come\u00e7ar a elevar os juros. O FMI espera que, no caso do Fed, isso ocorra no come\u00e7o de 2016, mas considera que possa ser antes, se o crescimento for mais forte. Como isso afetaria emergentes como o Brasil e como esses pa\u00edses devem se preparar para esse cen\u00e1rio?<\/p>\n<p>Blanchard: Quando isso ocorrer, \u00e9 provavelmente porque o crescimento voltou, e essa parte \u00e9 uma boa not\u00edcia para os mercados emergentes. Isso significa que as exporta\u00e7\u00f5es v\u00e3o aumentar. \u00c9 algo que vai ocorrer com juros mais altos e, com isso, vai levar uma revers\u00e3o parcial dos fluxos de volta para onde os juros est\u00e3o mais atraentes, que seriam os EUA. Alguns fluxos de capitais provavelmente v\u00e3o mudar de sinal.<\/p>\n<p>Valor: O Banco do Jap\u00e3o adotou uma pol\u00edtica monet\u00e1ria muito agressiva. Ela pode dar in\u00edcio a um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o competitiva ou \u00e9 uma resposta a um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o competitiva que j\u00e1 estava ocorrendo?<\/p>\n<p>Blanchard: Nenhuma das duas coisas. O Jap\u00e3o \u00e9 um caso especial. Ele est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dif\u00edcil h\u00e1 muito tempo. J\u00e1 tentou muitas coisas. Um dos problemas do Jap\u00e3o \u00e9 a defla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma grande defla\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 defla\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio fazer alguma coisa para estimular a infla\u00e7\u00e3o. Acho que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, que \u00e9 um dos efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria, n\u00e3o tem como objetivo aumentar a competitividade, mas aumentar os pre\u00e7os. Se ela for bem sucedida, veremos mais infla\u00e7\u00e3o. Com isso, no fim, a taxa real de c\u00e2mbio (que considera a infla\u00e7\u00e3o) n\u00e3o vai se mover muito. E a pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o vai fazer a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida pior. \u00c9 uma tentativa de fazer a economia andar, e um modo de reduzir a rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida e PIB \u00e9 aumentando o PIB, e \u00e9 isso o que eles est\u00e3o tentando fazer. N\u00f3s desejamos sorte a eles.<\/p>\n<p>Valor: O real oscila hoje num intervalo estreito, depois de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o significativa no ano passado. O Brasil abandonou o regime de c\u00e2mbio flutuante?<\/p>\n<p>Blanchard: Eu n\u00e3o acho que o Brasil tenha abandonado o regime de c\u00e2mbio flutuante. O real ainda \u00e9 uma moeda que flutua. Manter a flexibilidade da taxa de c\u00e2mbio \u00e9 claramente importante para o Brasil. Eu chamaria de flutua\u00e7\u00e3o administrada. Ela flutua, mas com o uso de controle de capitais. Nesse sentido n\u00e3o \u00e9 flutua\u00e7\u00e3o pura.<\/p>\n<p>Valor: O Banco Central brasileiro reduziu agressivamente os juros, o c\u00e2mbio teve uma desvaloriza\u00e7\u00e3o expressiva no ano passado, o governo fez uma s\u00e9rie de desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, mas a economia teve crescimento fraco em 2012 e a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece forte. Por que a economia n\u00e3o reagiu de modo mais vigoroso a todos esses est\u00edmulos?<\/p>\n<p>Blanchard: Deixe-me fazer pontos. O primeiro \u00e9 que o crescimento potencial talvez seja menor do que n\u00f3s pens\u00e1vamos antes. O outro \u00e9 que, se voc\u00ea olhar para a queda no crescimento, ela parece vir em grande parte do investimento. \u00c9 prov\u00e1vel que um n\u00famero de distor\u00e7\u00f5es, assim como alguma incerteza sobre pol\u00edticas, tenham um papel a\u00ed.<\/p>\n<p>Valor: O Brasil cresceu 0,9% no ano passado e a infla\u00e7\u00e3o ficou pr\u00f3xima de 6%. O Brasil est\u00e1 preso num equil\u00edbrio ruim de baixo crescimento e infla\u00e7\u00e3o elevada?<\/p>\n<p>Blanchard: N\u00e3o acredito nisso. Para mim, isso sugere que o Brasil pode n\u00e3o estar longe do crescimento potencial. Se estivesse muito abaixo do PIB potencial, a infla\u00e7\u00e3o cairia. O fato de que n\u00e3o vemos a infla\u00e7\u00e3o cair muito sugere que talvez o crescimento potencial seja menor do que pens\u00e1vamos. N\u00f3s revisamos a previs\u00e3o de crescimento para 2013 de 3,5% para 3%. A margem de manobra para usar pol\u00edticas de est\u00edmulo \u00e0 demanda \u00e9 provavelmente limitada.<\/p>\n<p>Valor: Na quarta-feira, o Banco Central brasileiro elevou os juros em 0,25 ponto percentual. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima do teto da meta, de 6,5%, mas a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ainda forte. \u00c9 uma boa ideia come\u00e7ar a elevar os juros num mundo com grande liquidez?<\/p>\n<p>Blanchard: Eu n\u00e3o conhe\u00e7o os motivos exatos por tr\u00e1s da decis\u00e3o, ent\u00e3o vou fazer um coment\u00e1rio mais geral. Voc\u00ea n\u00e3o quer aumentar os juros no \u00faltimo minuto, numa grande magnitude. \u00c9 perturbador e como leva tempo para o aumento dos juros afetar a atividade, pode ser tarde demais. Ent\u00e3o voc\u00ea quer faz\u00ea-lo antes, e lentamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nO Estado de S. Paulo\nAcusado de envolvimento com narcotr\u00e1fico, lavagem de dinheiro e de ser o maior contrabandista de cigarros para o Brasil, o multimilion\u00e1rio Horacio Cartes, do Partido Colorado, ser\u00e1 o pr\u00f3ximo presidente do Paraguai, indicavam ontem resultados oficiais preliminares. Com 54% dos votos apurados, ele obtinha 45,98 . das prefer\u00eancias. Seu principal rival, Efra\u00edn Alegre, do Partido Liberal, tinha 36,93%.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4677\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1dr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}