{"id":4696,"date":"2013-04-25T19:47:57","date_gmt":"2013-04-25T19:47:57","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4696"},"modified":"2017-08-25T00:58:33","modified_gmt":"2017-08-25T03:58:33","slug":"indios-foram-roubados-por-agentes-do-governo-depois-de-massacre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4696","title":{"rendered":"\u00cdndios foram roubados por agentes do governo depois de massacre"},"content":{"rendered":"\n<p>Relat\u00f3rio da d\u00e9cada de 1960 sobre barb\u00e1ries em tribos brasileiras mostra que terras e riquezas de aldeias foram saqueadas por agentes do governo que deviam proteg\u00ea-las<\/p>\n<p><a href=\"mailto:felipecanedo.mg@diariosassociados.com.br\" target=\"_blank\">Felipe\u00a0Can\u00eado<\/a><\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00e3o:\u00a021\/04\/2013 06:00Atualiza\u00e7\u00e3o:\u00a021\/04\/2013 08:16<\/p>\n<p>Documento revelado pelo Estado de Minas aponta uso de notas frias para arrendar \u00e1reas no interior do pa\u00eds<\/p>\n<p>Passados 50 anos de uma batalha sangrenta entre fazendeiros locais e \u00edndios\u00a0cadiu\u00e9us\u00a0do Sul do Mato Grosso, uma pergunta inquietante ressuscita com o\u00a0rec\u00e9m-redescobertoRelat\u00f3rio Figueiredo, que apurou em 1968 chacinas de tribos e torturas em \u00edndios de todo o pa\u00eds: o que aconteceu naquele conflito? Documento produzido pela Associa\u00e7\u00e3o de Criadores do Sul do Mato Grosso, em 5 de janeiro de 1963, e anexado \u00e0 extensa investiga\u00e7\u00e3o feita pelo procurador Jader de Figueiredo para o Minist\u00e9rio do Interior relata pedido do mais famoso l\u00edder da repress\u00e3o da ditadura de Get\u00falio Vargas, o ent\u00e3o senador\u00a0Filinto\u00a0M\u00fcller, que rogava para que o general comandante da 9\u00aa Regi\u00e3o Militar fosse informado do conflito armado. M\u00fcller afirmou que trataria pessoalmente da situa\u00e7\u00e3o com a dire\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI), reportadamente suspeito, segundo Figueiredo em seu relat\u00f3rio, revelado pelo Estado de Minas.<\/p>\n<p>Saiba mais&#8230;<\/p>\n<p>As terras dos\u00a0cadiu\u00e9us, 374 mil hectares em um local chamado\u00a0Nabileque, foram usurpadas, assim como ocorreu com diversas outras tribos. Segundo aponta o inqu\u00e9rito de 7 mil p\u00e1ginas, que era tido como destru\u00eddo em um inc\u00eandio no Minist\u00e9rio da Agricultura, os terrenos foram dados a eles por dom Pedro II, pela participa\u00e7\u00e3o decisiva que tiveram na Guerra do Paraguai. No entanto, ele diz em outro trecho do texto que elas \u201cforam invadidas por poderosos fazendeiros e \u00e9 muito dif\u00edcil retir\u00e1-los um dia\u201d.<\/p>\n<p>Mat\u00e9rias publicadas sexta-feira e ontem no Estado de Minas revelaram a surpreendente hist\u00f3ria do documento que estava em caixas do Museu do \u00cdndio, no Rio de Janeiro, desde 2008, e passou mais de 40 anos com o paradeiro desconhecido. Somente no fim do ano passado um pesquisador paulista se deu conta de que as mais de 7 mil p\u00e1ginas guardadas entre um grande volume de papelada eram, na verdade, o inqu\u00e9rito e o relat\u00f3rio de 62 p\u00e1ginas produzidos a pedido do ministro do Interior, Albuquerque Lima. O \u00fanico registro que se tinha desse material, que denuncia ca\u00e7adas humanas de ind\u00edgenas feitas com metralhadoras e dinamites atiradas de avi\u00f5es, trabalho escravo de \u00edndios, torturas, prostitui\u00e7\u00e3o e incont\u00e1veis crueldades contra tribos brasileiras, eram mat\u00e9rias publicadas em mar\u00e7o de 1968, quando o ministro concedeu entrevista que teve repercuss\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas amareladas pelo tempo, al\u00e9m das barbaridades recorrentes que indicam que o \u00edndio n\u00e3o era tratado como ser humano, uma preocupa\u00e7\u00e3o constante do advogado que liderou as investiga\u00e7\u00f5es \u00e9 a usurpa\u00e7\u00e3o indiscriminada de terras e riquezas ind\u00edgenas, feita, inclusive, pelo pr\u00f3prio SPI. \u201cAbatem-se florestas, vendem-se gados, arrendam-se terras, exploram-se min\u00e9rios. Tudo \u00e9 feito em verdadeira orgia predat\u00f3ria porfiando cada um em estabelecer novos recordes de rendas hauridas \u00e0 custa da destrui\u00e7\u00e3o das reservas do \u00edndio\u201d, escreveu Figueiredo perplexo. \u201cBasta citar a atitude do diretor major-aviador Luis Vinhas Neves\u201d, ele prossegue, se referindo ao coordenador do SPI, que teria autorizado todas as inspetorias a vender madeira e gado, e a arrendar terras. \u201cAli\u00e1s, esse militar pode ser apontado como padr\u00e3o de p\u00e9ssimo administrador, dif\u00edcil de ser imitado, mesmo pelos seus piores auxiliares e protegidos\u201d, acrescenta o procurador.<\/p>\n<p>Nova pe\u00e7a do quebra-cabe\u00e7a<\/p>\n<p>Telegrama anexado ao inqu\u00e9rito e assinado pelo ent\u00e3o secret\u00e1rio do Conselho Nacional de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios, Jos\u00e9 Maria da Gama\u00a0Malcher, endere\u00e7ado ao deputado Val\u00e9rio Caldas Magalh\u00e3es, que presidia uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito sobre abusos contra ind\u00edgenas, datado de 14 de maio de 1963, pode ser mais uma pe\u00e7a-chave no quebra-cabe\u00e7a que busca desvendar as crueldades cometidas na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds contra tribos brasileiras. Jos\u00e9 Maria pede ao deputado que solicite \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica o Processo 22.755\/61, que estava arquivado desde outubro de 1961 e que seria de interesse dos \u00edndios. \u201c\u00c9 curioso que o segundo volume do relat\u00f3rio, onde essa documenta\u00e7\u00e3o poderia estar anexada, sumiu\u201d, afirma o vice-presidente do Tortura Nunca Mais de S\u00e3o Paulo, Marcelo Zelic, que foi quem descobriu o paradeiro do Relat\u00f3rio Figueiredo. Dos 30 tomos originais que compunham o documento, 29 foram encontrados quase intactos.<\/p>\n<p>A coordenadora do n\u00facleo da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos relacionados \u00e0 luta pela terra, Maria Rita\u00a0Kehl, sustenta que h\u00e1 tempo h\u00e1bil para examinar todas as den\u00fancias contidas no inqu\u00e9rito e que o papel da comiss\u00e3o \u00e9 procurar casos exemplares. Ela comemorou a recupera\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio e o considerou um divisor de \u00e1guas nas pol\u00edticas indigenistas do pa\u00eds, pois pouco depois o antigo SPI foi extinto e foi criada a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).<\/p>\n<p>Maria Rita informou que a comiss\u00e3o ainda aguarda a conclus\u00e3o do trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o da papelada para ent\u00e3o come\u00e7ar a estud\u00e1-la. \u201cN\u00e3o posso falar sobre o relat\u00f3rio porque ainda n\u00e3o o conhe\u00e7o, mas \u00e9 um documento oficial importante. Posso adiantar que \u00e9 imposs\u00edvel pesquisar todas as acusa\u00e7\u00f5es contidas nele.\u201d J\u00e1 Marcelo Zelic, que colabora com os trabalhos da comiss\u00e3o, defende que todas as den\u00fancias devem ser investigadas. \u201cSe n\u00e3o temos tempo, vamos pedir a prorroga\u00e7\u00e3o do prazo. Vamos pedir mais estrutura para a apura\u00e7\u00e3o de todos esses casos, e n\u00e3o s\u00f3 os exemplares. Investigar casos exemplares n\u00e3o vai resolver. Imagine dizer isso para a fam\u00edlia de um desaparecido pol\u00edtico\u201d, provoca.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/politica\/2013\/04\/21\/interna_politica,374291\/indios-foram-roubados-por-agentes-do-governo-depois-de-massacre.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/politica\/2013\/04\/21\/interna_politica,374291\/indios-foram-roubados-por-agentes-do-governo-depois-de-massacre.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4696\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-4696","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1dK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}