{"id":4707,"date":"2013-04-27T16:46:33","date_gmt":"2013-04-27T16:46:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4707"},"modified":"2013-04-27T16:46:33","modified_gmt":"2013-04-27T16:46:33","slug":"ira-e-israel-a-dupla-face-da-midia-e-do-conselho-de-seguranca-da-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4707","title":{"rendered":"Ir\u00e3 e Israel: A dupla face da m\u00eddia e do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a do que aconteceu em rela\u00e7\u00e3o ao Iraque com as mentiras fabricadas de que Saddam Hussein (1) possu\u00eda instala\u00e7\u00f5es com armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a; (2) que n\u00e3o queria deixar entrar os inspetores da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA); (3) de que o ditador teria sido correspons\u00e1vel pelos ataques \u00e0s torres g\u00e9meas; a imprensa e os c\u00edrculos de opini\u00e3o de refer\u00eancia internacionais e portugueses t\u00eam vindo a intensificar o enredo de suspens\u00e3o e de medo em torno das popula\u00e7\u00f5es ocidentais em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Se atentarmos \u00e0s palavras-chave de Obama proferidas na confer\u00eancia da AIPAC\u00a0<strong>[1]<\/strong> , a 4 de Mar\u00e7o de 2012, notamos que estas aglutinam um padr\u00e3o de ideias-chave, de discursos que v\u00eam sendo reproduzidos constantemente pela imprensa nacional e internacional, partilhados por c\u00edrculos de opini\u00e3o, que t\u00eam diabolizado o Ir\u00e3o e legitimado san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, acusa\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as de interven\u00e7\u00e3o militar (dos Estados Unidos e Israel) que t\u00eam vindo a aumentar cada vez mais de intensidade:\u00a0<em>&#8220;amea\u00e7am varrer Israel do mapa&#8221;; &#8220;apoiam grupos terroristas empenhados na destrui\u00e7\u00e3o de Israel&#8221;; &#8220;terrorismo&#8221;; &#8220;programa nuclear do Ir\u00e3o&#8221;; &#8220;amea\u00e7a&#8221;; as &#8220;armas mais perigosas do mundo&#8221;; &#8220;armas nucleares&#8221;; &#8220;Ir\u00e3o n\u00e3o cumpre as suas obriga\u00e7\u00f5es&#8221;; &#8220;regime iraniano&#8221;; &#8220;caminho que os vai levar a uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias se eles n\u00e3o cumprirem&#8221; <\/em><strong>[2]<\/strong><\/p>\n<p>Os c\u00edrculos de forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o veiculam atualmente o Ir\u00e3o como o perigo n\u00famero 1 para a ordem mundial, e importa dissecar e compreender o alcance destas express\u00f5es alusivas \u00e0s &#8220;amea\u00e7as&#8221; iranianas:<\/p>\n<p><strong><em>&#8220;Varrer Israel do mapa&#8221; <\/em><\/strong><\/p>\n<p>A verdadeira vers\u00e3o do que disse Ahmadinejad \u2013\u00a0<em>&#8220;Este regime que ocupa Jerusal\u00e9m deve ser eliminado das p\u00e1ginas da hist\u00f3ria&#8221; <\/em>\u2013 aparentemente foi eliminada da face do planeta da imprensa de refer\u00eancia e resta a inquestionada e repetida mentira do que Ahmadinejad nunca disse: que\u00a0<em>&#8220;Israel deve ser varrido do mapa&#8221;. <\/em>A cita\u00e7\u00e3o verdadeira de Ahmadinejad, j\u00e1 assumida pelo pr\u00f3prio, fez refer\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a de regime em Israel que das palavras passa \u00e0s a\u00e7\u00f5es de, com os tanques e buld\u00f3zeres da Caterpillar, apagar do mapa inteiras aldeias de Palestina, de matar e\/ou expulsar os seus moradores para construir colonatos. Ainda assim, as pr\u00e1ticas de Israel n\u00e3o s\u00e3o dignas de san\u00e7\u00f5es nem da aten\u00e7\u00e3o da generalidade dos\/as comentadores\/as e ag\u00eancias noticiosas.<\/p>\n<p><strong>O pseudo programa nuclear militar do Ir\u00e3o e a vista grossa ao armamento nuclear israelense <\/strong><\/p>\n<p>Tal como aconteceu com o Iraque a partir de 2001, o Ir\u00e3o \u00e9 mencionado pela imprensa de refer\u00eancia (incluindo a portuguesa) como um\u00a0<em>&#8220;regime perigoso&#8221; <\/em>para o Ocidente porque as reservas de energia nuclear est\u00e3o a ser utilizadas para fins militares. O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu continua a pressionar os Estados Unidos para, provavelmente em alian\u00e7a, atuarem militarmente. \u00c9 uma das vozes mais acusat\u00f3rias de que o Ir\u00e3o possui instala\u00e7\u00f5es que t\u00eam como objetivo a produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares:<\/p>\n<p><em>&#8220;Continua, sem interfer\u00eancia, a obter capacidade de produzir armas nucleares e, portanto, bombas nucleares&#8221; <\/em>e h\u00e1 que colocar uma linha vermelha\u00a0<em>(red line) <\/em>no programa nuclear iraniano:\u00a0<em>&#8220;Esperar por qu\u00ea? Esperar at\u00e9 quando?&#8221; <\/em><strong>[3]<\/strong><\/p>\n<p>Diz ainda Netanyahu:<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 inaceit\u00e1vel que um pa\u00eds que viola de forma flagrante as resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a e da AIEA (&#8230;) possa beneficiar dos frutos da energia nuclear&#8221; <\/em><strong>[4]<\/strong><\/p>\n<p>As diaboliza\u00e7\u00f5es de Israel e EUA em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3o no que diz respeito \u00e0 energia nuclear dividem-se em duas ordens de quest\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o controversas, e que importa serem esclarecidas: (1) a legitimidade que o Ir\u00e3o tem em produzir energia nuclear e (2) os relat\u00f3rios da AIAE.<\/p>\n<p>1. O Ir\u00e3o tem toda a legitimidade em produzir energia nuclear para fins pac\u00edficos. Dentro dos termos do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TPN), de acordo com o artigo IV, todos signat\u00e1rios, incluindo o Ir\u00e3o que o assinou em 1969, tal como os Estados Unidos e outros pa\u00edses signat\u00e1rios, t\u00eam todo o direito em desenvolver energia nuclear para fins civis, portanto para fins pac\u00edficos. Dentro tratado de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o a energia nuclear \u00e9, ent\u00e3o, um \u00f3bvio direito de qualquer pa\u00eds. Todos os Estados que assinaram o TPN t\u00eam o dever de cumprir com o artigo IV.1 que declara:<\/p>\n<p><em>&#8220;Nada neste tratado deve ser interpretado como algo que afete o direito inalien\u00e1vel de todas as Partes do Tratado desenvolverem pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e uso de energia nuclear para fins pac\u00edficos sem discrimina\u00e7\u00e3o e em conformidade com os artigos I e II deste Tratado.&#8221; <\/em><strong>[5]<\/strong><\/p>\n<p>Neste contexto, Israel, enquanto pa\u00eds n\u00e3o signat\u00e1rio do TNP, n\u00e3o tem qualquer direito legal a desenvolver energia nuclear sem a supervis\u00e3o da AIEA. Adicionalmente, ao contr\u00e1rio do que fez o Ir\u00e3o e outros Estados da regi\u00e3o, Israel nunca abriu as suas instala\u00e7\u00f5es aos inspetores da AIEA. As infra\u00e7\u00f5es de Israel neste \u00e2mbito, juntamente com o n\u00e3o escrut\u00ednio dos principais meios noticiosos, aumentam de gravidade a partir do momento em que existem inequ\u00edvocas instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o nuclear para fins militares em Dimona (Israel) tal como foram detalhadas pelo ex. t\u00e9cnico nuclear israelense Mordechai Vanunu (em 1986).<\/p>\n<p>Disse Vanuno, em 2005, a Eileen Fleming:<\/p>\n<p><em>&#8220;Nixon parou com as inspe\u00e7\u00f5es e concordou em ignorar a situa\u00e7\u00e3o. Como resultado, Israel aumentou a produ\u00e7\u00e3o. Em 1986, existiam mais de duzentas bombas. Hoje [2005], pode haver plut\u00f3nio suficiente para produzir dez bombas por ano&#8221; <\/em><strong>[6]<\/strong><\/p>\n<p>O sacrif\u00edcio de Vanuno da sua pr\u00f3pria liberdade em nome da verdade foi em v\u00e3o porque as suas descobertas t\u00eam muito pouco retorno da imprensa e dos c\u00edrculos de opini\u00e3o ocidentais. O &#8220;estatuto&#8221; de Israel de produtor de armamento nuclear nem sequer \u00e9 amb\u00edguo, ou especulativo (como pelos vistos \u00e9 no caso do Ir\u00e3o). \u00c9 reconhecido internacionalmente e desde cedo logo ap\u00f3s a constitui\u00e7\u00e3o de Israel enquanto Estado que, por David Ben-Gurion, instituiu um programa de armamento nuclear, em meados da d\u00e9cada de 1950, como parte da sua\u00a0<em>&#8220;pol\u00edtica ativista de defesa&#8221; <\/em><strong>[7]<\/strong> . Para al\u00e9m de no passado terem vendido clandestinamente armas nucleares a \u00c1frica do Sul, mesmo neste ano de 2012, Israel vendeu m\u00edsseis nucleares para a Alemanha para armar submarinos cujos oficiais alem\u00e3es, como Hans R\u00fchle, chegaram a admitir a dimens\u00e3o nuclear da transa\u00e7\u00e3o designada de\u00a0<em>&#8220;Opera\u00e7\u00e3o Samson&#8221;: <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Eu assumi desde o in\u00edcio que os submarinos teriam capacidade nuclear.&#8221; <\/em><strong>[8]<\/strong><\/p>\n<p>As cerca de 200 bombas nucleares que Israel detinha em 1986, aumentando para um n\u00famero atual situado entre 300 a 400, n\u00e3o tiveram nem t\u00eam o mediatismo, nem mereceram, ou merecem, qualquer san\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas. E qual a raz\u00e3o? Simplesmente porque Israel tem o apoio incondicional (militar, pol\u00edtico, econ\u00f3mico e diplom\u00e1tico)\u00a0<strong>[9]<\/strong> dos Estados Unidos que armam e apoiam a aquisi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de armamento israelense que \u00e9 utilizado, por exemplo, para cometer flagrantes atentados contra os direitos humanos na Palestina com o fim de\u00a0<em>&#8220;conquistar territ\u00f3rio pela guerra&#8221;. <\/em>Adicionalmente, os Estados Unidos, Israel e aliados passam inc\u00f3lumes a cr\u00edticas dos seus n\u00e3o cumprimentos da lei internacional e s\u00e3o constantemente representados como v\u00edtimas, paladinos dos bons valores e guardi\u00f5es da seguran\u00e7a global.<\/p>\n<p><strong>Os relat\u00f3rios da AIEA <\/strong><\/p>\n<p>2. Ao contr\u00e1rio de Israel, o Ir\u00e3o permitiu que os inspetores da IAEA visitassem as instala\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o foram encontradas quaisquer provas de desenvolvimento de energia at\u00f3mica para fins militares. Os pr\u00f3prios servi\u00e7os de intelig\u00eancia dos EUA, como a CIA, tamb\u00e9m n\u00e3o encontraram provas que o Ir\u00e3o produz armamento nuclear. Mas quais s\u00e3o, afinal, os pontos cr\u00edticos revelados no \u00faltimo relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA) de 31\/Agosto\/2012?<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s\u00a0<em>&#8220;Atividades relacionadas com o Enriquecimento&#8221; <\/em>o relat\u00f3rio confirma que\u00a0<em>&#8220;o Ir\u00e3o n\u00e3o suspendeu as suas atividades de enriquecimento (\u2026) e todas estas atividades est\u00e3o sob a supervis\u00e3o da Ag\u00eancia, assim como todo o material nuclear, instalado em cascata e a alimenta\u00e7\u00e3o e as esta\u00e7\u00f5es de retirada\/evacua\u00e7\u00e3o nessas instala\u00e7\u00f5es est\u00e3o sujeitas \u00e0 vigil\u00e2ncia e confinamento.&#8221; <\/em><strong>[10]<\/strong><\/p>\n<p>O documento assinala (na al\u00ednea 39) que o Ir\u00e3o poder\u00e1\u00a0<em>&#8220;eventualmente&#8221; <\/em>continuar com as atividades cessadas em finais de 2003 para o<em>&#8220;desenvolvimento de aparelhos nucleares explosivos&#8221; <\/em><strong>[11]<\/strong> . A capacidade de fabricar armamento militar nuclear \u00e9 aplic\u00e1vel a qualquer pa\u00eds que produza energia nuclear e tenha alguma tecnologia.<\/p>\n<p>Por fim, o relat\u00f3rio afirma, inequivocamente, (na al\u00ednea 52.) que a AIEA admite n\u00e3o ter encontrado atividade de material nuclear para fins militares e que,\u00a0<em>&#8220;portanto, conclui que todo o material nuclear do Ir\u00e3o \u00e9 para atividades pac\u00edficas.&#8221; <\/em><strong>[12]<\/strong><\/p>\n<p><strong>A associa\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica do Ir\u00e3o ao terrorismo internacional e a vitimiza\u00e7\u00e3o de Israel <\/strong><\/p>\n<p>A outra grande amea\u00e7a veiculada por Obama, Netanyahu e seguidores\/as \u00e9 o apoio do Ir\u00e3o ao\u00a0<em>&#8220;terrorismo&#8221; <\/em><strong>[13]<\/strong> . De acordo com Obama e seguidores\/as, o apoio do Ir\u00e3o \u00e9 bipartido entre Hezbollah e Hamas. O &#8220;terrorismo&#8221; do Hezbollah \u00e9 celebrado com um feriado a cada 25 de Maio no L\u00edbano, e exalta a expuls\u00e3o dos invasores israelenses do territ\u00f3rio liban\u00eas em 2000. Israelenses que, at\u00e9 ent\u00e3o, durante 22 anos, havam cometido terror e tortura permanecendo em flagrante viola\u00e7\u00e3o das ordens do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas e da lei internacional. O agora celebrado Dia de Liberta\u00e7\u00e3o Liban\u00eas, proporcionado pelo Hezbollah, marca assim a expuls\u00e3o dos ocupadores israelenses e a liberta\u00e7\u00e3o do L\u00edbano, sendo que os\u00a0<em>mass media <\/em>e comentadores\/as residentes invertem a realidade caracterizando os israelenses-ocupadores como agredidos, v\u00edtimas, e o grupo pol\u00edtico\/militar do Hezbollah como terrorista.<\/p>\n<p>O outro apoio do Ir\u00e3o ao\u00a0<em>&#8220;terrorismo internacional&#8221; <\/em>\u00e9 o Hamas \u2013 que se tornou numa s\u00e9ria amea\u00e7a (terrorista) quando os palestinianos cometeram o crime (em 2006) de votarem neste movimento no que viriam a ser as primeiras elei\u00e7\u00f5es a ocorrerem na Palestina. A imprensa de refer\u00eancia refere-se ao Hamas como uma das grandes for\u00e7as terroristas a n\u00edvel mundial por lan\u00e7ar de Gaza uns rockets artesanais que atingiram as fronteiras israelenses como rea\u00e7\u00e3o aos 7,700 rockets disparados (em Junho de 2006) pelas for\u00e7as militares israelenses contra civis e alvos civis palestinianos\u00a0<strong>[14]<\/strong> . Ainda que o massacre resultante da\u00a0<em>Opera\u00e7\u00e3o Chumbo Fundido <\/em>(2007\/2008), levado a cabo por Israel com apoio militar e diplom\u00e1tico dos Estados Unidos, tenha originado a morte de mais 1600 civis palestinianos\/as e 13 israelenses (4 mortos pelas pr\u00f3prias for\u00e7as IDF), a destrui\u00e7\u00e3o de alvos civis (escolas, hospitais, mesquitas, esquadras de pol\u00edcia) \u2013 este n\u00e3o foi uma \u00e9poca de morte e sofrimento suficientemente digna para que a imprensa internacional de refer\u00eancia designasse Israel, ou os EUA apoiantes, como Estados terroristas que n\u00e3o respeitam a lei internacional e os direitos humanos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Israel e Estados Unidos, o Ir\u00e3o n\u00e3o cometeu qualquer ato de terrorismo internacional pelo simples facto de n\u00e3o amea\u00e7ar, invadir e\/ou atacar um pa\u00eds h\u00e1 mais de duzentos anos. Todavia, os c\u00edrculos de opini\u00e3o mencionam que \u00e9 o Ir\u00e3o que devemos recear apesar de o Iraque ter sido destru\u00eddo, tal como se determinou por nenhuma das raz\u00f5es anunciadas pelo governo de George Bush. Nem importa que o Ir\u00e3o esteja sob amea\u00e7a constante dos Estados Unidos e Israel, que violam o ponto 4. (do art. 2) da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas:<\/p>\n<p><em>&#8220;Os <\/em>[Estados]\u00a0<em>membros dever\u00e3o abster-se nas suas rela\u00e7\u00f5es internacionais de recorrer \u00e0 amea\u00e7a ou ao uso da for\u00e7a, quer seja contra a integridade territorial ou a independ\u00eancia pol\u00edtica de um Estado, quer seja de qualquer outro modo incompat\u00edvel com os objetivos das Na\u00e7\u00f5es Unidas&#8221; <\/em><strong>[15]<\/strong><\/p>\n<p>Manter as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas contra o Ir\u00e3o porque este tem tecnologia nuclear \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 hip\u00f3crita como tamb\u00e9m ilegal \u00e0 luz do direito internacional, logo constitui-se como um crime. Mas estes dois pa\u00edses t\u00eam um estatuto especial porque n\u00e3o respondem perante direito internacional, pois os seus crimes n\u00e3o contam como tal.<\/p>\n<p><strong>O estatuto de amea\u00e7a do Ir\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Apesar do zumbido da propaganda, a amea\u00e7a do Ir\u00e3o n\u00e3o \u00e9 militar. Quando comparada com o resto da regi\u00e3o (inclusivamente com Israel) a capacidade militar do Ir\u00e3o \u00e9 relativamente mais baixa; \u00e9 praticamente metade do que gasta a Ar\u00e1bia Saudita (cliente dos EUA, o pa\u00eds mais fundamentalista da regi\u00e3o do M\u00e9dio Oriente); e \u00e9 quase impercet\u00edvel equivalendo a 2% da capacidade militar dos Estados Unidos\u00a0<strong>[16]<\/strong> .<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o chegou a ser aliado das grandes pot\u00eancias ocidentais quando (em 1953) os EUA e Gr\u00e3-Bretanha derrubaram o governo legitimamente eleito e apoiaram o ditador Shah e os seus programas nucleares. Foi a partir de 1979, quando a popula\u00e7\u00e3o iraniana expulsou o ditador do poder, que os EUA t\u00eam vindo a tentar estrangular o Ir\u00e3o: tentaram o golpe militar, apoiaram militarmente Saddam Hussein (1980-88) na invas\u00e3o ao Ir\u00e3o que matou centenas de milhares de pessoas, e, desde ent\u00e3o, o Ir\u00e3o sofreu san\u00e7\u00f5es por n\u00e3o aceitar ser cliente dos EUA e manter o seu &#8220;regime&#8221; democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A verdadeira amea\u00e7a do Ir\u00e3o \u00e9 o seu peso no M\u00e9dio Oriente como parceiro comercial de outros pa\u00edses, como a Fran\u00e7a, a Alemanha, a It\u00e1lia, a Espanha, a R\u00fassia, a China, o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul; a partir da d\u00e9cada de 1990 com a S\u00edria, a \u00cdndia, Cuba, Venezuela e a \u00c1frica do Sul, e que vem expandindo seus la\u00e7os comerciais com a Turquia e o Paquist\u00e3o. Os principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o s\u00e3o o petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, produtos qu\u00edmicos e petroqu\u00edmicos, mas tamb\u00e9m frutas, nozes e tapetes. O estatuto do Ir\u00e3o \u00e9 representado, pela propaganda ocidental, como desestabilizador para a regi\u00e3o; mas quando os Estados Unidos e aliados invadem e bombardeiam os pa\u00edses vizinhos \u2013 j\u00e1 s\u00e3o representados como os agentes que pretendem criar &#8220;estabiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O regime democr\u00e1tico iraniano \u00e9 hostilizado pelos EUA simplesmente porque n\u00e3o admitem que os iranianos controlem os seus recursos. Mas quando os governantes ditadores s\u00e3o clientes dos EUA\u00a0<strong>[17]<\/strong> , mesmo que bloqueiem o crescimento do pr\u00f3prio pa\u00eds, que oprimam as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es, ou cometam atrocidades em s\u00e9rie \u2013 passam geralmente despercebidos perante os media de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>O facto de os media comentarem o Ir\u00e3o com tanta intensidade denota a b\u00e1sica assun\u00e7\u00e3o que os Estados Unidos, Israel e alguns aliados europeus t\u00eam o direito de utilizar as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, que estrangulam as exporta\u00e7\u00f5es iranianas, de amea\u00e7ar ou ainda invadir militarmente \u00e0 revelia da lei internacional.<\/p>\n<p>Em suma, o que est\u00e1 em causa \u00e9 uma intensa doutrina\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica que tem vindo a proteger a agenda dos respons\u00e1veis imperialistas que prosseguem os seus planos de conquista sem serem responsabilizados por terrorismo e por diversos crimes internacionais pelas entidades competentes, que s\u00e3o reguladas pelos interesses dos que mais importam.<\/p>\n<p>Setembro\/2012<\/p>\n<p>[1]\u00a0<em>American Israel Public Affairs Committee, ou America&#8217;s pro-Israel lobby <\/em><\/p>\n<p>[2] Na confer\u00eancia da AIPAC, a 4\/Mar\u00e7o\/2012,\u00a0<em>&#8220;President Obama, Diplomacy still an option in Iran&#8221;, <\/em>CNN,\u00a0www.youtube.com\/watch?v=ex-ie1UUKUg&amp;feature=related<\/p>\n<p>[3] Benjamin Netanyahu,\u00a0<em>&#8220;Those that refuse to set Red lines for Iran; can&#8217;t give Israel Red light&#8221; <\/em>(Sept 12, 2012),\u00a0www.youtube.com\/watch?v=BZV-Ul9a5Kc&amp;feature=related<\/p>\n<p>[4] Benjamin Netanyahu,\u00a0www.tvi24.iol.pt\/internacional\/nuclear-israel-irao-tvi24\/1186238-4073.html<\/p>\n<p>[5]\u00a0<em>Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares. <\/em>Vers\u00e3o do documento em ingl\u00eas, assinado em Washington, Londres e Moscovo a 1 de Julho de 1968. Este documento foi ratificado a 5 de Mar\u00e7o de 1970 e proclamado por Richad Nixon a 1970\u00a0http:\/\/www.fas.org\/nuke\/control\/npt\/text\/npt2.htm<\/p>\n<p>[6] &#8220;Mordechai Vanunu, Whistle Blower on Israel&#8217;s Nuclear Weapons Program, Jailed\u00a0Again&#8221; 23 May, 2010,\u00a0&#8211; por Eileen Fleming, Countercurrents.org\u00a0revolutionaryfrontlines.wordpress.com\/&#8230;<\/p>\n<p>[7] Cf.\u00a0<em>The Nuclear Threat Initiative <\/em>em\u00a0www.nti.org\/country-profiles\/israel\/nuclear\/<\/p>\n<p>[8] Israel&#8217;s Deployment of Nuclear Missiles on Subs from Germany, em\u00a0<em>Der Spiegel <\/em>, 6\/June 2012\u00a0www.spiegel.de\/&#8230;<\/p>\n<p>[9] Por exemplo, isoladamente do resto do mundo, os EUA t\u00eam vetado indiscriminadamente as mais de 35 propostas de resolu\u00e7\u00e3o sobre Israel e Palestina nas sess\u00f5es anuais da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Os EUA continuam abertamente a apoiar a militariza\u00e7\u00e3o, coloniza\u00e7\u00e3o israelense em\u00a0<em>&#8220;territ\u00f3rio palestiniano ocupado&#8221;. <\/em><\/p>\n<p>[10] Alinea 10 do documento\u00a0<em>Implementation of the NPT Safeguards agreement and relevant provision of Security Council resolutions in the Islamic Republic of Iran <\/em>\u2013 Report by the Director General, 30 Agosto 2012 IAEA\u00a0www.nytimes.com\/&#8230;<\/p>\n<p>[11] Alinea 39,\u00a0<em>Idem <\/em><\/p>\n<p>[12] Alinea 52, Idem<\/p>\n<p>[13] Dentro de uma conce\u00e7\u00e3o imperialista, portanto desconexa da lei internacional, \u00e9 que este \u00e9 apenas cometido sempre pelos &#8220;outros&#8221;, e nunca pelas pot\u00eancias do ocidente.<\/p>\n<p>[14] Cf. Noam Chomsky,\u00a0<em>&#8220;U.S. Savage Imperialism The U.S. Empire, the Mideast, and the world&#8221; <\/em>, part I 2010,\u00a0www.zcommunications.org\/u-s-savage-imperialism-by-noam-chomsky<\/p>\n<p>[15] Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Cap\u00edtulo 1, n\u00ba 4 do art. 2:\u00a0www.un.org\/spanish\/Depts\/dpi\/portugues\/charter\/chapter1.htm<\/p>\n<p>[16] List of countries by military expenditures:\u00a0en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_countries_by_military_expenditures<\/p>\n<p>[17] S\u00f3 para citar alguns exemplos da longa lista de ditadores apoiados pelos Estados Unidos: Gen. Ibrahim Babangida, Anwar El-Sadat, Hosni Mubaral, Pieter Willem Botha, Mohamed Suarto, Saparmirad Atayevich Niyazov, Syngman Rhee, Anastasio Somosa Garcia, Gen. Jose Efrain Rios Montt, Gen. Manuel Antonio Morena Noriega, Augusto Pinochet, Gerardo Machado Morales, Saddam Hussein, etc. Mais em\u00a0tinfoilpalace.eamped.com\/2011\/01\/29\/dictators-supported-by-the-us\/<\/p>\n<p><strong>[*] Investigador, Instituto de Sociologia da FLUP. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fresistir.info%2F&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNEJWNcGxukTWPrAsSuZUXDjhvZa8A\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Rui Pedro Fonseca\u00a0[*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4707\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4707","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1dV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4707\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}