{"id":4719,"date":"2013-04-28T21:31:18","date_gmt":"2013-04-28T21:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4719"},"modified":"2013-04-28T21:31:18","modified_gmt":"2013-04-28T21:31:18","slug":"frias-ditadura-o-ministro-que-mercadeja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4719","title":{"rendered":"Frias, ditadura: o ministro que mercadeja"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando os\u00a0blogueiros\u00a0foram processados, pela Globo e pela Folha,\u00a0AloisioMercadante n\u00e3o apareceu para prestar solidariedade. Nem em p\u00fablico, nem em privado. Requi\u00e3o (PMDB-PR) foi \u00e0 tribuna. Paulo Pimenta (PT-RS) tamb\u00e9m foi. Outros tiveram a atitude (discreta, mas compreens\u00edvel pelo cargo que ocupam) de mandar mensagens por telefone ou internet, manifestando solidariedade.<\/p>\n<p>Mercadante n\u00e3o. Mercadeja. Fraqueja. Quando o governo Lula passou pela pior crise de sua hist\u00f3ria, durante a CPI do\u00a0Mensal\u00e3o, l\u00e1 estava ele \u2013 o corajoso senador petista, hist\u00e9rico, tentando salvar a pele (e a imagem) junto aos eleitores de classe m\u00e9dia em S\u00e3o Paulo. Quase chorou na tribuna. N\u00e3o defendeu Lula. E tampouco saiu do PT (como fizeram aqueles que consideraram o \u201cMensal\u00e3o\u201d inaceit\u00e1vel). Mercadante ficou no meio do caminho,\u00a0oportunisticamente.<\/p>\n<p>Agora,\u00a0<strong>Mercadante aparece para se dizer \u201cperplexo\u201d com as afirma\u00e7\u00f5es de que o dono da \u201cFolha\u201d era um colaborador estreito da ditadura<\/strong>. Mercadante. Penso nesse nome. Mercadante, mercador, comerciante. Aquele que mercadeja, troca\u2026<\/p>\n<p>Em busca de que est\u00e1 Mercadante? Ningu\u00e9m escreve uma carta pat\u00e9tica como essa (<a href=\"http:\/\/www.blogdacidadania.com.br\/2013\/04\/aloizio-mercadante-bajula-folha-e-esbofeteia-vitimas-da-ditadura\/\" target=\"_blank\"><strong><span style=\"color: #dd0000;\">leia aqui o texto de Edu Guimar\u00e3es, que reproduz a carta na \u00edntegra<\/span><\/strong><\/a>) \u00e0 toa. \u00c9 um recado do governo Dilma (afinal, ele assina como \u201cministro da Educa\u00e7\u00e3o\u201d) para a velha m\u00eddia? Algo assim: \u201cFiquem tranquilos, Dilma e a Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o ir\u00e3o atr\u00e1s dos pecados que Frias, Marinhos e outros cometeram, em sua associa\u00e7\u00e3o com a ditadura\u201d \u2013 \u00e9 isso? H\u00e1 gente que n\u00e3o aceitaria mandar um recado desses\u2026<\/p>\n<p>Ou seria um recado pessoal: \u201cturma da Folha, eu sou confi\u00e1vel, estou com voc\u00eas, lembrem-se disso quando eu for candidato a governador (ou a presidente, pois este \u00e9 o novo del\u00edrio a embalar as pretens\u00f5es do ministro, pelo que dizem em Bras\u00edlia).<\/p>\n<p>Seja como for, Mercadante ficou pequeno. Min\u00fasculo.<\/p>\n<p>Muitos na dire\u00e7\u00e3o do PT v\u00e3o-se afastando de sua hist\u00f3ria. O partido cedeu muito para governar. Compreens\u00edvel, trata-se de governo de coaliz\u00e3o. Foi-se entregando a pr\u00e1ticas comuns na pol\u00edtica brasileira. Era a busca pela tal \u201cgovernabilidade\u201d. Quem acompanha (e eu o fa\u00e7o) as entranhas de uma investiga\u00e7\u00e3o como a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Fratelli\u201d (realizada pela PF e o MPF em S\u00e3o Paulo) encontra deputados petistas confortavelmente pr\u00f3ximos de lobistas e empreiteiras. Tucanos e petistas, juntos.<\/p>\n<p>\u00c9 o percurso da\u00a0social-democracia\u00a0no mundo inteiro. Ceder para governar? Ou manter-se fiel aos princ\u00edpios, mas sem intervir na gest\u00e3o do aparato de Estado? PSOE na Espanha, PS franc\u00eas,\u00a0Labour\u00a0Party\u00a0ingl\u00eas e outros preferiram a primeira hip\u00f3tese. Avalio que o PT at\u00e9 cedeu menos do que os cong\u00eaneres europeus. N\u00e3o se entregou totalmente ao programa liberal. Fortaleceu o Estado, distribuiu renda, favoreceu a unidade latino-americana. E tem uma base (oper\u00e1ria, sindical, nos movimentos sociais) que empurra o partido um pouco pra esquerda \u2013 apesar de tudo.<\/p>\n<p>Mas na dire\u00e7\u00e3o, os sinais s\u00e3o de que os mercadores avan\u00e7am. H\u00e1 muitas exce\u00e7\u00f5es, h\u00e1 muita gente boa entre parlamentares e lideran\u00e7as petistas. Tenho certeza que a maioria absoluta, inclusive, n\u00e3o aprova a carta pat\u00e9tica de Mercadante. Mas essa carta \u00e9 mais um sintoma evidente da doen\u00e7a que vai minando o PT: a doen\u00e7a dos que mercadejam tudo para ficar de bem com os velhos donos do poder.<\/p>\n<p>Uma coisa, diga-se, \u00e9 fazer acordos para governar. Outra \u00e9 se lambuzar nas\u00a0ma\u00f5s\u00a0de empreiteiras e lobistas. E outra, ainda pior, \u00e9 mercadejar a Hist\u00f3ria, aceitando reescrever a Hist\u00f3ria para ficar de bem com dono de jornal. Pat\u00e9tico.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, uma observa\u00e7\u00e3o. Mercadante cometeu, parece-me, um ato falho na carta \u00e0 \u201cFolha\u201d. Ele diz, ao\u00a0mercadejarsolidariedade ao jornal, que a coluna de \u201cPerseu\u00a0Abramo\u201d era uma refer\u00eancia dos que lutavam contra a ditadura. Perseu, de fato, era uma refer\u00eancia. Jornalista, combativo, cr\u00edtico dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em que havia trabalhado: ele tem uma obra cl\u00e1ssica sobre a manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica (os petistas costumavam l\u00ea-la, nos velhos tempos). A Funda\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria mantida pelo PT foi batizada com o nome de Perseu.<\/p>\n<p>Mas a coluna na \u201cFolha\u201d que era \u201crefer\u00eancia\u201d (e de fato era) no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no Brasil (anos 70 e 80) trazia a assinatura de outro\u00a0Abramo: Cl\u00e1udio. Depois de afast\u00e1-lo da dire\u00e7\u00e3o do jornal (para satisfazer a sanha da linha-dura do regime, que n\u00e3o aceitava um \u201cesquerdista\u201d), Frias entregou a Claudio\u00a0Abramo\u00a0a coluna na p\u00e1gina 2. Pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o? Se foi, Cl\u00e1udio honrou o pr\u00eamio com textos inteligentes e combativos. Mercadante lembra-se disso? Eu lembro.<\/p>\n<p>Mercadante talvez tenha preferido esquecer que era petista &#8211; no momento de escrever a carta. Mas na forma de um ato falho cl\u00e1ssico, a condi\u00e7\u00e3o de petista brotou. Ele quis falar de\u00a0Cla\u00fadio, mas o nome de Perseu \u00e9 que veio \u00e0 tona. Mercadante mercadejou quase tudo. Mas o inconsciente pregou-lhe uma pe\u00e7a.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>A carta de Mercadante no painel do Leitor da \u201cFolha\u201d [<\/strong>registre-se que o jornal teve, ao menos, a dignidade de publicar a informa\u00e7\u00e3o &#8211; confirmada por v\u00e1rias fontes &#8211; de que Frias e a &#8220;Folha&#8221; tinham grande proximidade com a ditadura e os torturadores; Mercadante escreve para comentar o texto que leu sobre isso na pr\u00f3pria &#8220;Folha&#8221;<strong>]<\/strong><\/p>\n<p><em>A Folha publicou not\u00edcia de que o empres\u00e1rio Octavio Frias de Oliveira visitou frequentemente o Dops e era amigo pessoal do delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, um dos mais ativos agentes da repress\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>A den\u00fancia partiu do\u00a0ex-agente\u00a0da repress\u00e3o, Cl\u00e1udio Guerra. Recebi a informa\u00e7\u00e3o perplexo e incr\u00e9dulo. Especialmente porque militei contra a ditadura militar na dura d\u00e9cada de 70 e tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob o comando de \u201cseu Frias\u201d, na luta pelas liberdades democr\u00e1ticas.<\/em><\/p>\n<p><em>A coluna de Perseu\u00a0Abramo\u00a0sempre foi refer\u00eancia da luta estudantil nos dias dif\u00edceis de repress\u00e3o. A p\u00e1gina de \u201cOpini\u00e3o\u201d abriu espa\u00e7o para o debate democr\u00e1tico e pluralista. A Folha contribuiu decisivamente para a campanha das Diretas J\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao longo desses 40 anos de milit\u00e2ncia pol\u00edtica, mesmo com opini\u00f5es muitas vezes opostas \u00e0s da Folha, testemunho que o jornal sempre garantiu o debate e a pluralidade de ideias, que ajudaram a construir o Brasil democr\u00e1tico de hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>E \u201cseu Frias\u201d merece, por isso, meu reconhecimento. Acredito que falo por muitos da minha gera\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Aloizio Mercadante, ministro de Estado da Educa\u00e7\u00e3o (Bras\u00edlia, DF)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #b00047;\"><a href=\"http:\/\/www.rodrigovianna.com.br\/palavra-minha\/frias-ditadura-o-ministro-que-mercadeja.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rodrigovianna.com.br\/palavra-minha\/frias-ditadura-o-ministro-que-mercadeja.html<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>Eduardo Guimar\u00e3es: Na Folha, Mercadante afronta v\u00edtimas da ditadura<\/p>\n<p style=\"coloserif; font-size: 13px; line-height: 18.7pt;\">publicado em 26 de abril de 2013 \u00e0s 13:22<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.viomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Frias-pai.png?w=616\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><strong>por\u00a0<strong>Eduardo Guimar\u00e3es, no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.blogdacidadania.com.com.br\/\" target=\"_blank\">Blog da Cidadania<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Na semana que finda, o\u00a0ex-delegado\u00a0da Pol\u00edcia Civil Cl\u00e1udio Guerra delatou o comparsa de atrocidades durante a ditadura militar, o fundador do jornal\u00a0<strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, Octavio Frias de Oliveira (1912-2007). Revelou que ele visitava \u201cfrequentemente\u201d o Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), que, como se sabe, era um centro de torturas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A den\u00fancia foi feita ao vereador Gilberto\u00a0Natalini, presidente da Comiss\u00e3o da Verdade da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m dessa den\u00fancia, tamb\u00e9m revelou que a Folha emprestou carros e ajudou a financiar os \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o na \u00e9poca \u2013 den\u00fancia que n\u00e3o \u00e9 nova e que figura no livro\u00a0<strong>C\u00e3es de Guarda<\/strong>, da doutora em Hist\u00f3ria Social Beatriz\u00a0Kushnir.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras do denunciante: \u201cO Frias visitava o Dops constantemente. Isso est\u00e1 registrado.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sim, est\u00e1 registrado. Recentemente, a Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo recebeu o livro de visitas do DOPS, onde empres\u00e1rios como Frias parece que davam expediente, sendo \u201cinexplic\u00e1vel\u201d a raz\u00e3o para comparecerem a um centro de torturas e morte seguidas vezes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo a pr\u00f3pria\u00a0<strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, em mat\u00e9ria publicada na quinta-feira, \u201cGuerra disse tamb\u00e9m que o\u00a0publisher\u00a0da\u00a0<strong>Folha<\/strong> era \u2018amigo pessoal\u2019 do delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, um dos mais ativos agentes da repress\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O depoimento do cong\u00eanere de Frias durante a ditadura foi apresentado em v\u00eddeo na ter\u00e7a-feira em audi\u00eancia da Comiss\u00e3o da Verdade na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Verdade seja dita, a\u00a0<strong>Folha<\/strong> publicou as den\u00fancias contra si em sua edi\u00e7\u00e3o de quinta-feira. A coragem do jornal, por\u00e9m, contrasta com a covardia do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, que enviou carta ao Painel do Leitor da publica\u00e7\u00e3o a fim de bajul\u00e1-la. Fazendo isso, Mercadante envergonhou o PT e esbofeteou as v\u00edtimas da ditadura.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia, abaixo, o texto pat\u00e9tico de algu\u00e9m que \u00e9 fundador do PT e ministro da educa\u00e7\u00e3o do governo Dilma e que foi publicado na edi\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Folha<\/strong> desta sexta-feira.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A\u00a0<strong>Folha<\/strong> publicou not\u00edcia de que o empres\u00e1rio Octavio Frias de Oliveira visitou frequentemente o Dops e era amigo pessoal do delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, um dos mais ativos agentes da repress\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A den\u00fancia partiu do\u00a0ex-agente\u00a0da repress\u00e3o, Cl\u00e1udio Guerra. Recebi a informa\u00e7\u00e3o perplexo e incr\u00e9dulo. Especialmente porque militei contra a ditadura militar na dura d\u00e9cada de 70 e tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob o comando de \u201cseu Frias\u201d, na luta pelas liberdades democr\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A coluna de Perseu\u00a0Abramo\u00a0sempre foi refer\u00eancia da luta estudantil nos dias dif\u00edceis de repress\u00e3o. A p\u00e1gina de \u201cOpini\u00e3o\u201d abriu espa\u00e7o para o debate democr\u00e1tico e pluralista. A<strong>Folha<\/strong> contribuiu decisivamente para a campanha das Diretas J\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao longo desses 40 anos de milit\u00e2ncia pol\u00edtica, mesmo com opini\u00f5es muitas vezes opostas \u00e0s da\u00a0<strong>Folha<\/strong>, testemunho que o jornal sempre garantiu o debate e a pluralidade de ideias, que ajudaram a construir o Brasil democr\u00e1tico de hoje.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E \u201cseu Frias\u201d merece, por isso, meu reconhecimento. Acredito que falo por muitos da minha gera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aloizio Mercadante, ministro de Estado da Educa\u00e7\u00e3o (Bras\u00edlia, DF)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quem escreveu esse texto vergonhoso n\u00e3o foi um general de pijama nem um dos bar\u00f5es da m\u00eddia, foi um dos fundadores do PT em 1980, vice-presidente do partido entre 1991 e 1999, senador pelo estado de S\u00e3o Paulo entre 2003 e 2010, ministro da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do Brasil de 2011 a 2012 e que se tornou ministro da Educa\u00e7\u00e3o no ano passado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apesar de Mercadante ser filho de general do Ex\u00e9rcito, n\u00e3o parece que seja essa a sua motiva\u00e7\u00e3o para se fazer de desinformado e, assim, dar \u00e0 Folha o que ela precisava, um depoimento em defesa de Frias pai por parte de algu\u00e9m que, por ser petista, seria insuspeito de estar mentindo a favor dele \u2013 a\u00a0<strong>Folha<\/strong> parece reconhecer que est\u00e1 publicando o depoimento de um advers\u00e1rio pol\u00edtico.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mercadante apenas bajula a\u00a0<strong>Folha<\/strong> como tantos outros petistas que acham que podem ser menos pisoteados pelo jornal se rastejarem diante dele e se ajoelharem em seu altar de mentiras. Mas caso o ministro da educa\u00e7\u00e3o seja apenas um idiota que chegou aonde chegou sem conhecer a hist\u00f3ria de seu pa\u00eds, a\u00ed v\u00e3o alguns esclarecimentos a ele.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O homem fardado e a declara\u00e7\u00e3o na foto que encima este texto correspondem a Ot\u00e1vio Frias de Oliveira, o falecido fundador do jornal\u00a0<strong>Folha<\/strong> de S\u00e3o Paulo. Imagem e palavras pertencem a momentos distintos de sua vida. Todavia, unidas, explicam quem foi ele.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frias de Oliveira lutou na Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, que tentou dar um golpe de Estado contra Get\u00falio Vargas. Coerente com seu apre\u00e7o pelo militarismo e pela derrubada de governos dos quais n\u00e3o gostava, apoiou o golpe militar de 1964.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesse per\u00edodo, a\u00a0<strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong> serviu de voz e pernas para os ditadores que se sucederiam no poder ao exalt\u00e1-los e ao transportar para eles seus presos pol\u00edticos at\u00e9 os centros de tortura do regime.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No dia 21 de setembro de 1971, a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) incendiou camionetes da Folha que eram utilizadas para entregar jornais. Os respons\u00e1veis acusavam o dono do jornal de emprestar os ve\u00edculos para transporte de presos pol\u00edticos. Frias de Oliveira respondeu ao atentado publicando um editorial na primeira p\u00e1gina no dia seguinte, sob o t\u00edtulo \u201cBanditismo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eis um trecho do texto:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os ataques do terrorismo n\u00e3o alterar\u00e3o a nossa linha de conduta. Como o pior cego \u00e9 o que n\u00e3o quer ver, o pior do terrorismo \u00e9 n\u00e3o compreender que no Brasil n\u00e3o h\u00e1 lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial n\u00e3o h\u00e1 hoje, quando um governo s\u00e9rio, respons\u00e1vel, respeit\u00e1vel e com indiscut\u00edvel apoio popular est\u00e1 levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justi\u00e7a social-realidade que nenhum brasileiro l\u00facido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. [&#8230;] Um pa\u00eds, enfim, de onde a subvers\u00e3o \u2014 que se alimenta do \u00f3dio e cultiva a viol\u00eancia \u2013 est\u00e1 sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>(<strong>Editorial: Banditismo \u2013 publicado em 22 de setembro de 1971; Octavio Frias de Oliveira<\/strong>).<\/strong><\/p>\n<p><strong>O presidente da Rep\u00fablica de ent\u00e3o era Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici. Nomeado presidente pelos militares, comandou o per\u00edodo mais duro da ditadura militar. Foi a \u00e9poca do auge das pris\u00f5es, torturas e assassinatos de militantes pol\u00edticos de esquerda pelo regime.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apesar dos elogios de Frias de Oliveira \u00e0 ditadura, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas foi no governo M\u00e9dici que a mis\u00e9ria e a concentra\u00e7\u00e3o de renda ganharam impulso. O Brasil teve o 9\u00ba Produto Nacional Bruto do mundo no per\u00edodo, mas em desnutri\u00e7\u00e3o perdia apenas para \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Bangladesh, Paquist\u00e3o e Filipinas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que Aloizio Mercadante fez, n\u00e3o tem nome. Nem covardia e oportunismo definem seu ato. O petista, por\u00e9m, engana-se sobre a\u00a0<strong>Folha<\/strong>. Se for candidato a governador, ano que vem, ter\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o feroz do jornal. Sua bajula\u00e7\u00e3o foi in\u00fatil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Concluo este texto, portanto, com uma promessa: enquanto eu viver, esse pol\u00edtico nunca mais receber\u00e1 um voto meu. Al\u00e9m disso, exorto quem me l\u00ea e concorda com o que aqui foi dito a fazer o mesmo, pois quem age como o ministro Aloizio\u00a0Mercandante\u00a0agiu n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o merece confian\u00e7a, mas merece muita desconfian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p><strong>PS do\u00a0Viomundo:\u00a0O que as v\u00edtimas da ditadura e seus familiares t\u00eam a dizer sobre essa atitude de Mercadante? E o PT? Lembrando que o Eduardo Guimar\u00e3es n\u00e3o se lembrou de citar duas quest\u00f5es relevantes sobre a rela\u00e7\u00e3o da<strong> Folha<\/strong> com a ditadura: o empr\u00e9stimo do jornal<strong> Folha da Tarde<\/strong> para a repress\u00e3o, jornal que falsificava manchetes sobre morte de \u201cterroristas\u201d em confrontos fict\u00edcios; e a demiss\u00e3o da jornalista Rose Nogueira por abandono de emprego quando ela estava presa no pres\u00eddio Tiradentes. Clique nos\u00a0lnksabaixo para saber mais.<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.viomundo.com.br\/politica\/eduardo-guimaraes-mercadante-bajula-a-folha-e.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.viomundo.com.br\/politica\/eduardo-guimaraes-mercadante-bajula-a-folha-e.html<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor\u00a0Rodrigo Vianna\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4719\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-4719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1e7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}