{"id":4724,"date":"2013-04-30T00:23:10","date_gmt":"2013-04-30T00:23:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4724"},"modified":"2013-04-30T00:23:10","modified_gmt":"2013-04-30T00:23:10","slug":"portugal-2013-o-direito-a-rebeliao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4724","title":{"rendered":"Portugal 2013, o direito \u00e0 rebeli\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O desemprego galopante, a mis\u00e9ria de centenas de milhares de fam\u00edlias, numa sociedade onde a fome j\u00e1 \u00e9 uma realidade, a converg\u00eancia de uma multiplicidade de sofrimentos numa ang\u00fastia colectiva anunciam a proximidade de uma situa\u00e7\u00e3o de ruptura, num desembocar da indigna\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n<p>A Assembleia da Republica, no dia 25 de Abril, tornou-se cen\u00e1rio de um espet\u00e1culo que foi ofensa ao povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Para comemorar a data, Cavaco Silva e a presidente da Assembleia pronunciaram ali discursos que foram exerc\u00edcios de hipocrisia.<\/p>\n<p>Assun\u00e7\u00e3o Esteves, numa fala rid\u00edcula, com pretens\u00f5es acad\u00e9micas e liter\u00e1rias, ao evocar a jornada de Abril fez a apologia da liberdade e da democracia para ligar ambas ao momento que se vive hoje em Portugal. Na contrarrevolu\u00e7\u00e3o identifica progresso, continuidade do processo libertador.<\/p>\n<p>Cavaco Silva excedeu-a no cinismo. Em tom grandiloquente abriu com uma ode a Abril para fechar, sob os aplausos fren\u00e9ticos das bancadas do PSD e do CDS, com a justifica\u00e7\u00e3o e a defesa da pol\u00edtica do governo. Fez recordar, pelo farisa\u00edsmo, discursos de Salazar.<\/p>\n<p>No final, de cravo ao peito, os coveiros de Abril, cantaram Gr\u00e2ndola Vila Morena.<\/p>\n<p>Numa manh\u00e3 de pesadelo, o anfiteatro do pal\u00e1cio que faz de Parlamento foi transformado em palco de um teatro de absurdo.<\/p>\n<p>Horas depois, nas ruas de Lisboa, descendo a Avenida da Liberdade, uma multid\u00e3o representativa do povo portugu\u00eas respondeu \u00e0 farsa reacion\u00e1ria, exigindo a demiss\u00e3o da camarilha que oprime e desgoverna o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O protesto das massas n\u00e3o ter\u00e1 por ora for\u00e7a para varrer do poder Passos e seus ministros.<\/p>\n<p>Utilizando os mecanismos de um sistema institucional controlado pela classe dominante, o Primeiro-ministro prepara-se mesmo para anunciar e aplicar novas medidas contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>Elas configuram mais um desafio ao povo. Mas o desemprego galopante, a mis\u00e9ria de centenas de milhares de fam\u00edlias, numa sociedade onde a fome j\u00e1 \u00e9 uma realidade, a converg\u00eancia de uma multiplicidade de sofrimentos numa ang\u00fastia coletiva anunciam a proximidade de uma situa\u00e7\u00e3o de ruptura, num desembocar da indigna\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria ensina que na vida dos povos v\u00edtimas de uma opress\u00e3o intoler\u00e1vel, as grandes lutas fermentam por tempo vari\u00e1vel ate que eles se levantam em explos\u00f5es sociais vitoriosas. Ent\u00e3o exercem o\u00a0<strong>direito de resist\u00eancia e \u00e0 rebeli\u00e3o<\/strong> &#8211; direito que \u00e9 antiqu\u00edssimo e consta do artigo 2\u00ba da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o promulgada pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789. \u00c9 o direito \u00e0 resist\u00eancia contra a\u00a0<strong>opress\u00e3o econ\u00f3mica e social<\/strong>, direito que, ap\u00f3s os horrores da segunda guerra mundial, foi inclu\u00eddo na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem (artigos 22 a 25). A Constitui\u00e7\u00e3o da Republica Portuguesa menciona-o no artigo 21,um direito que o PSD e o CDS, em sucessivas revis\u00f5es, n\u00e3o conseguiram eliminar da nossa Lei Fundamental.<\/p>\n<p>Repito: a opress\u00e3o econ\u00f3mica e social ultrapassou em Portugal os n\u00edveis do suport\u00e1vel. Mas no pa\u00eds n\u00e3o existem ainda as condi\u00e7\u00f5es subjectivas para o exerc\u00edcio pleno e eficaz do\u00a0<strong>direito \u00e0 resist\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p>Contribuir para a sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje um dever dos comunistas. A manifesta\u00e7\u00e3o do Primeiro de Maio dar\u00e1 continuidade ao protesto do 25 de Abril. Expressar\u00e1, certamente, a indigna\u00e7\u00e3o popular numa atmosfera de combatividade crescente das massas. Ser\u00e1 um avan\u00e7o.<\/p>\n<p>Em grandes momentos da nossa Historia o exerc\u00edcio do\u00a0<strong>direito \u00e0 resist\u00eancia <\/strong>desembocou na<strong> rebeli\u00e3o popular<\/strong>. Isso aconteceu nas revolu\u00e7\u00f5es de 1383 e 1640. E no levantamento nacional de 25 de Abril de 1974.<\/p>\n<p>Serpa, 28 de Abril de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Miguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4724\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[],"class_list":["post-4724","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ec","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4724\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}