{"id":4767,"date":"2013-05-06T21:51:52","date_gmt":"2013-05-07T00:51:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4767"},"modified":"2017-08-25T00:01:44","modified_gmt":"2017-08-25T03:01:44","slug":"repressao-em-buenos-aires-e-no-rio-um-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4767","title":{"rendered":"REPRESS\u00c3O EM BUENOS AIRES E NO RIO: UM ALERTA"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"right\"><em>&#8230; a paz sem voz n\u00e3o \u00e9 paz \u00e9 medo &#8230;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\">O RAPPA<\/p>\n<p align=\"right\"><em> &#8230; n\u00e3o se brinca com o poder,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>que o poder do povo \u00e9 bem maior &#8230;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\">S\u00c9RGIO RICARDO<\/p>\n<p>Em Buenos Aires, o prefeito direitista Mauricio Macri criou, h\u00e1 4 anos, uma Pol\u00edcia Metropolitana. Para chefi\u00e1-la, convocou Fino Pal\u00e1cios, colaborador da Ditadura argentina. A press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 \u00e9poca, obrigou Pal\u00e1cios a renunciar, mas foi ele quem armou, treinou e motivou a nova for\u00e7a, como tropa de choque contra a parcela mais pobre da popula\u00e7\u00e3o, os moradores de rua e os que, de alguma maneira, realizam protestos p\u00fablicos. A tropa agia \u00e0s escondidas, na repress\u00e3o aos pobres, mas j\u00e1 agora atua abertamente contra eles ou para dissolver manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tr\u00eas epis\u00f3dios recentes e ilustrativos \u2013 do terceiro \u00e9 preciso falar mais, porque emblem\u00e1tico das atitudes fascistas do prefeito Macri.<\/p>\n<p>1. Durante a expuls\u00e3o de ocupantes dos terrenos do Parque Indoamericano, ordenada pela Justi\u00e7a, a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia foi t\u00e3o violenta que duas pessoas morreram. Jornalistas ficaram feridos.<\/p>\n<p>2. No bairro de classe m\u00e9dia Caballito, Macri mandou construir grades para limitar o acesso de pessoas \u00e0 noite e para reprimir o trabalho dos camel\u00f4s. Grande parte dos moradores aliou-se aos trabalhadores de rua. Houve resist\u00eancia \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das grades. Na repress\u00e3o, mais uma vez, manifestantes e jornalistas ficaram feridos por balas de borracha.<\/p>\n<p>Nos dois casos, Macri justificou a viol\u00eancia com seu mote xen\u00f3fobo. Culpou a imigra\u00e7\u00e3o descontrolada: esta traria \u201cdelinquentes de pa\u00edses vizinhos\u201d, que se aproveitariam das necessidades do povo argentino para provocar dist\u00farbios.<\/p>\n<p>3. Na semana passada, intentou-se destruir as oficinas dos pacientes do Instituto Psiqui\u00e1trico Jos\u00e9 T. Borda, para erguer em seu lugar um \u201ccentro c\u00edvico\u201d \u2013 na verdade, uma sub-sede da Prefeitura. No hospital, os internos aprendem a trabalhar com madeira e ferro; fabricam camas, cadeiras, arm\u00e1rios e demais objetos hospitalares; e operam uma r\u00e1dio, usada como ferramenta de tratamento atrav\u00e9s da palavra.<\/p>\n<p>O hospital j\u00e1 vinha sendo asfixiado pela falta de manuten\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7os b\u00e1sicos. Seus trabalhadores ainda protegiam a \u00faltima oficina, com barricadas de madeira, peda\u00e7os de ferro e alvenaria, cadeiras empilhadas e montes de livros velhos.<\/p>\n<p>Na madrugada de sexta-feira, 26 de abril, em frente ao hospital, concentravam-se em sil\u00eancio caminh\u00f5es de transporte das for\u00e7as de choque da Pol\u00edcia Municipal. Oito dias antes, a Pol\u00edcia, embora avisada, n\u00e3o aparecera para conter um grupo de\u00a0<em>barras bravas<\/em> (torcedores violentos) que amea\u00e7avam jogadores e o t\u00e9cnico do Hurac\u00e1n. Para o hospital Borda, entretanto, foram deslocados 300 policiais, com escudos e capacetes. Dois pesos e duas medidas.<\/p>\n<p>\u00c0 tentativa de desocupa\u00e7\u00e3o, pacientes, trabalhadores e m\u00e9dicos reagiram, apoiados por deputados de oposi\u00e7\u00e3o a Macri e na presen\u00e7a de jornalistas. A repress\u00e3o foi violent\u00edssima. A Pol\u00edcia do prefeito usou balas de borracha, cassetetes e g\u00e1s de pimenta contra resistentes (inclusive pacientes) e manifestantes. Pelo menos 50 pessoas ficaram feridas, v\u00e1rias foram internadas e houve deten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Convocado pela C\u00e2mara de Deputados e pressionado a renunciar, o secret\u00e1rio de seguran\u00e7a afirmou que n\u00e3o o faria porque a Pol\u00edcia agira \u201csegundo as normas\u201d para casos como aquele. Logo depois, foi revelada a exist\u00eancia de liminar que impedia a destrui\u00e7\u00e3o das oficinas. Al\u00e9m da repress\u00e3o criminosa, desrespeito a decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Para Macri, \u201ca Pol\u00edcia apenas se defendeu dos violentos que a agrediram\u201d. N\u00e3o surpreende que ningu\u00e9m tenha sido punido, ap\u00f3s a viol\u00eancia criminosa \u2013 como se ela tivesse virado rotina, em Buenos Aires. A grande m\u00eddia argentina oferece a Macri blindagem escandalosa, pelo simples motivo de que n\u00e3o h\u00e1 hoje ningu\u00e9m, al\u00e9m dele, que possa aglutinar as for\u00e7as de direita e os grupos de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Cristina Kirchner. Figura de grande visibilidade \u2013 prefeito da cidade mais importante do pa\u00eds e principal representante dos interesses afetados pelas pol\u00edticas do governo central \u2013 Macri fica imune aos desmandos que promove. \u00c9 o queridinho do Clar\u00edn e do resto da m\u00eddia negocista e reacion\u00e1ria, a maior aposta do conservadorismo e dos que est\u00e3o sob press\u00e3o do governo populista.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio do hospital Borda n\u00e3o deve ser tratado como \u201cexcesso\u201d do governo portenho, e sim como recado pol\u00edtico de grande simbolismo. A direita n\u00e3o se deter\u00e1 diante de nada para voltar ao poder, na Argentina.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">Alguns v\u00eddeos sobre a tropa de choque fascista de Macri.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HIkpQjqYF6o\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HIkpQjqYF6o<\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=do64tIuZsbM\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=do64tIuZsbM<\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F18aurqCvmE\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F18aurqCvmE<\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">(aten\u00e7\u00e3o para o policial de cavanhaque)<\/p>\n<p>Mas a popula\u00e7\u00e3o reagiu. No dia 30, milhares de portenhos foram \u00e0s ruas em rep\u00fadio a Macri. Sindicatos, trabalhadores da sa\u00fade e membros da sociedade civil fizeram uma grande passeata \u2013 que terminou na Plaza de Mayo, em frente \u00e0 sede do governo local \u2013 para pedir seu\u00a0<em>impeachment<\/em>e a ren\u00fancia do secret\u00e1rio de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cPara al\u00e9m das diferen\u00e7as pol\u00edticas, os trabalhadores dizemos ao prefeito Macri \u2018chega de repress\u00e3o\u2019, afirmou o secret\u00e1rio geral da Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores do Estado. \u201cA sociedade exige o fim da repress\u00e3o policial\u201d, disse um deputado nacional. \u201cEsta a\u00e7\u00e3o foi a gota d\u2019\u00e1gua que transbordou o copo. N\u00e3o podemos mais tolerar uma administra\u00e7\u00e3o que persegue trabalhadores e pobres com sua pol\u00edtica neoliberal\u201d, pronunciou-se uma trabalhadora da sa\u00fade. \u201cH\u00e1 responsabilidade pol\u00edtica em toda esta viol\u00eancia. Exigimos o\u00a0<em>impeachment<\/em> de Macri\u201d, eram as palavras dos manifestantes an\u00f4nimos.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia da Pol\u00edcia Metropolitana de Macri e a viol\u00eancia contra diversas\u00a0\u00a0 manifesta\u00e7\u00f5es recentes, no Rio de Janeiro? Aparentemente nenhuma \u2013 salvo o fato de tratar-se de viol\u00eancia contra o povo, em ambos os casos. Em Buenos Aires, viol\u00eancia filha do fascismo; no Rio, conseq\u00fc\u00eancia da omiss\u00e3o, do oportunismo e do eleitoralismo dos poderes pol\u00edticos estadual e municipal, e do jogo de interesses entre eles e o poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o mais profunda. Quando, no Rio, reprimem-se protestos contra o despejo do Museu do \u00cdndio e a tentativa de derrubar o pr\u00e9dio que o abrigava; quando alunos e professores da Escola Municipal Friendereich s\u00e3o reprimidos em sua manifesta\u00e7\u00e3o contra a demoli\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio para a constru\u00e7\u00e3o de um memorial; quando atletas e desportistas s\u00e3o amea\u00e7ados por protestar contra a demoli\u00e7\u00e3o do Parque Aqu\u00e1tico J\u00falio Delamare e do est\u00e1dio de atletismo C\u00e9lio de Barros; quando a PM joga bombas de efeito moral sobre 400 pessoas que do lado de fora do Maracan\u00e3 gritavam palavras de ordem contra S\u00e9rgio Cabral, Eike Batista, a FIFA e as empreiteiras, e protestavam contra a privatiza\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio, no dia de sua \u201creinaugura\u00e7\u00e3o\u201d; quando a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 impedida de se manifestar contra a remo\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de bairros pobres; quando a grande m\u00eddia escamoteia a for\u00e7a dos protestos e refor\u00e7a seu posicionamento de classe ao lado dos poderosos; quando tudo isso acontece e o Rio come\u00e7a a se parecer com Buenos Aires, sob o aspecto da repress\u00e3o \u00e0s lutas populares, \u00e9 porque os saudosos das trevas, l\u00e1 como c\u00e1, se agitam e agem.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso cortar esta tend\u00eancia pela raiz. Com o povo nas ruas, em Buenos Aires e no Rio.<\/p>\n<p><em>(Felipe Oiticica \u2013 militante do PCB-RJ)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4767\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-4767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1eT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}