{"id":4791,"date":"2021-07-17T01:04:50","date_gmt":"2021-07-17T04:04:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4791"},"modified":"2021-07-17T01:04:50","modified_gmt":"2021-07-17T04:04:50","slug":"ode-de-amor-a-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4791","title":{"rendered":"Ode de amor a Cuba"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2021\/07\/cuba.png\"\/><!--more-->BLOG DA BOITEMPO<\/p>\n<p>Por Mauro Iasi<br \/>\n\u201cA desencanto, op\u00f3ngase deseo.<br \/>\nSuperen el erre de revoluci\u00f3n.<br \/>\nRestauren lo decr\u00e9pto que veo<br \/>\nPero d\u00e9janme el brazo de Maceo<br \/>\nY, para conducirlo, su raz\u00f3n.\u201d<br \/>\nSilvio Rodriguez<\/p>\n<p>Minha gera\u00e7\u00e3o aprendeu a amar Cuba por um motivo muito simples. Para n\u00f3s, Cuba representa a consci\u00eancia da possibilidade de vit\u00f3ria, como dizia Che Guevara. Nosso comandante afirmava que, uma vez dadas as condi\u00e7\u00f5es objetivas (a mis\u00e9ria, a fome, o latif\u00fandio e o dom\u00ednio imperialista), faltavam em nosso continente as chamadas \u201ccondi\u00e7\u00f5es subjetivas\u201d e, entre elas, \u201ca mais importante, que \u00e9 a consci\u00eancia da possibilidade de vit\u00f3ria atrav\u00e9s da viol\u00eancia contra os poderes imperialistas e seus aliados internos\u201d (GUEVARA, 1981, p.47). O dom\u00ednio sobre nossos povos se reveste na forma da impossibilidade contra classes economicamente poderosas, que controlam as formas pol\u00edticas e meios militares de aniquila\u00e7\u00e3o, de maneira que a a\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios que imp\u00f5e derrotas a este inimigo t\u00e3o poderoso acaba por abrir a possibilidade da consci\u00eancia de que podemos enfrent\u00e1-los e, em certas condi\u00e7\u00f5es, venc\u00ea-los.<\/p>\n<p>Nosso continente, que sofreu sempre de massacres di\u00e1rios e derrotas sangrentas, viu como um alento de esperan\u00e7a jovens al\u00e7ando a bandeira da dignidade e da rebeli\u00e3o. Catarticamente, vivemos essa vit\u00f3ria como nossa. A corajosa e improv\u00e1vel vit\u00f3ria dos revolucion\u00e1rios cubanos contra a brutal ditadura de Batista e os interesses imperialistas com todo seu enorme poder. Como costuma acontecer, vivemos esse primeiro momento com paix\u00e3o e, como nas paix\u00f5es, idealizamos o ser amado, potencializando seus tra\u00e7os positivos e relativizando aquilo que n\u00e3o nos agrada. Para n\u00f3s, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana era fruto de uma enorme ousadia e coragem, mas desconhec\u00edamos as condi\u00e7\u00f5es que permitiram a essa ousadia se efetivar como vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria. Para muitos desta gera\u00e7\u00e3o, bastava ter vontade, deixar crescer as barbas e subir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 serra mais pr\u00f3xima para dirigir as massas at\u00e9 a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Desconhec\u00edamos o sacrif\u00edcio e o empenho na organiza\u00e7\u00e3o do Movimento 26 de julho, a resist\u00eancia nas cidades e a luta clandestina, tudo se ofuscava diante da imagem luminosa do guerrilheiro heroico que descia dos montes para castigar os poderosos e libertar os oprimidos. Por isso, conhecemos e admiramos primeiro Fidel, Che, Camilo, mas muitas vezes desconhec\u00edamos por completo a import\u00e2ncia de Frank Pa\u00eds Garc\u00eda, C\u00e9lia Sanches e Vilma Esp\u00edn. Assim como se exaltava Antonio Maceo, general da primeira guerra de independ\u00eancia de Cuba, mas se esquecia da mulher corajosa que lutou e criou seus filhos, incluindo Maceo, para lutar pela liberdade, a companheira Mariana Grajales Cuello, que depois emprestou seu nome para o batalh\u00e3o de mulheres que lutaram na guerrilha, as chamadas \u201cMarianas\u201d.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, idealizamos os m\u00e9todos e estrat\u00e9gias de luta, esquematizados grosseiramente na teoria dos focos guerrilheiros e da luta armada sem o necess\u00e1rio conhecimento das condi\u00e7\u00f5es de seu desenvolvimento e complexidade de sua opera\u00e7\u00e3o. As apar\u00eancias enganam aos que odeiam e aos que amam, j\u00e1 dizia o poeta, e desta maneira os inimigos de Cuba a atacaram transformando-a em uma caricatura de terror e desumanidade, centro do chamado \u201cperigo vermelho\u201d no continente americano e inimiga da liberdade. N\u00f3s, que amamos Cuba, corremos o risco de transform\u00e1-la em uma caricatura da mesma forma, como uma esp\u00e9cie de para\u00edso de princ\u00edpios e virtude. Sabemos que o anticomunismo se funda em mentiras e manipula\u00e7\u00f5es grosseiras e nosso amor, em grande medida, em fatos. No entanto, devemos compreender que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \u00e9 bela n\u00e3o por n\u00e3o apresentar contradi\u00e7\u00f5es e erros, mas pela forma como os enfrenta e busca super\u00e1-los. Acredito mesmo que \u00e9 ainda mais bela por causa disso do que pela idealiza\u00e7\u00e3o abstrata de um processo revolucion\u00e1rio imaculado.<\/p>\n<p>Foi assim nas diversas tentativas de buscar um caminho pr\u00f3prio para o desenvolvimento econ\u00f4mico na ilha revolucion\u00e1ria, primeiro diminuindo a depend\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira, seguido das tentativas de industrializa\u00e7\u00e3o e depois a volta \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e a busca da safra recorde. Foi diante do fracasso dessa \u00faltima e das consequ\u00eancias para a popula\u00e7\u00e3o que Fidel, dirigindo-se diretamente \u00e0s massas, fez um de seus mais  emocionantes discursos, uma autocr\u00edtica profunda e p\u00fablica. Foi tamb\u00e9m este esp\u00edrito que levou Che, como ministro da economia, a defender o que se chamou de economia \u201cpressupost\u00e1ria\u201d, criando um \u00fanico sistema integrado de empresas estatais que n\u00e3o utilizariam em suas trocas o dinheiro como equival\u00eancia, assim como sua convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se poderia desenvolver a economia socialista com os meios legados pela ordem do capital.<\/p>\n<p>Cuba buscou seu caminho e, muitas vezes, errou nesta busca. Na fala que marca a funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista de Cuba, em 1965, dirigindo-se aos seus camaradas que naquele momento se envolviam acaloradamente na disputa sobre os caminhos da revolu\u00e7\u00e3o e os modelos (sovi\u00e9tico, chin\u00eas, etc.) que deveriam seguir, Fidel alerta que:<\/p>\n<p>A diversidade das situa\u00e7\u00f5es conduzir\u00e1 inevitavelmente a uma infinidade de interpreta\u00e7\u00f5es. Aqueles que derem interpreta\u00e7\u00f5es corretas poder\u00e3o dizer-se revolucion\u00e1rios; aqueles que derem interpreta\u00e7\u00f5es exatas e que as apliquem de uma forma consequente triunfar\u00e3o; aqueles que se iludam ou n\u00e3o se mostrem consequentes com o pensamento revolucion\u00e1rio fracassar\u00e3o, ser\u00e3o substitu\u00eddos e suplantados, porque o marxismo n\u00e3o \u00e9 uma propriedade privada, inscrita em qualquer registro fundi\u00e1rio \u2013 \u00e9 a doutrina dos revolucion\u00e1rios, escrita por revolucion\u00e1rios, desenvolvida por outros revolucion\u00e1rios, apenas para revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, os revolucion\u00e1rios cubanos lutaram contra desvios pol\u00edticos. No momento da distribui\u00e7\u00e3o de casas e apartamentos na reforma urbana, alguns dirigentes escolhiam para si as melhores moradias. Che n\u00e3o apenas os fez devolver como pediu que se imprimisse na carteirinha partid\u00e1ria os seguintes dizeres: o comunista \u00e9 o primeiro a morrer e o \u00faltimo a comer. Deve ser o primeiro a se oferecer para as atividades mais dif\u00edceis e o \u00faltimo a recolher seus benef\u00edcios. Certa vez, discutindo com os CDRs (Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o) sobre o sectarismo, avaliava que a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria, necess\u00e1ria no auge da luta, corria o risco de se tornar o caminho de acerto de contas e autoritarismos de alguns dirigentes. Em suas palavras, \u201ca forma de resolver problemas concretos estava sujeita ao livre arb\u00edtrio de cada um dos dirigentes\u201d. Quando tratava desses desvios, afirmava que era uma ilus\u00e3o imaginar que eles acontecessem sem que o povo soubesse. Para enfatizar seu ponto de vista sobre as tarefas de defesa da revolu\u00e7\u00e3o, nosso comandante afirmou no mesmo texto, a respeito de contra quem se luta para defender a revolu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Contrarrevolucion\u00e1rio \u00e9 aquele que luta contra a revolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 aquele senhor que, valendo-se de sua influ\u00eancia, consegue uma casa, consegue depois dois carros, viola o racionamento e obt\u00e9m depois tudo o que o povo n\u00e3o tem; pode ostentar seu bem ou n\u00e3o, mas de qualquer maneira ele o possui. Este \u00e9 um contra revolucion\u00e1rio, esse sim tem que ser denunciado imediatamente; aquele que utiliza de influ\u00eancias boas ou ruins em proveito pessoal ou no de seus amigos, \u00e9 contra revolucion\u00e1rio e tem que ser perseguido com raiva, perseguido e aniquilado. (GUEVARA, 1981, p. 157)<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, em pleno per\u00edodo da chamada \u201cretifica\u00e7\u00e3o\u201d, um jornal da Juventude Rebelde inaugurou um suplemento exclusivamente destinado a charges, que abriu uma campanha contra o que denominava de \u201chumor de redund\u00e2ncia\u201d, isto \u00e9, os batidos desenhos de um guerrilheiro chutando a bunda do Tio Sam ou qualquer coisa parecida. No lugar, aparecia um humor cr\u00edtico, como o verdadeiro humor deve ser, apontando desvios e erros na constru\u00e7\u00e3o da ilha socialista, pr\u00e1ticas e desvios que denominavam de \u201csociolismo\u201d (referente ao privil\u00e9gio que depende de quem voc\u00ea conhece). Em um desses desenhos, h\u00e1 um funcion\u00e1rio em sua escrivaninha cheia de pap\u00e9is e carimbos e uma goteira que cai bem no meio de sua mesa. O funcion\u00e1rio diz: \u201c\u00e9s malo, pero ven de arriba!\u201d. Em outra charge, v\u00ea-se uma sala repleta de produtos importados: whisky americano, TV e v\u00eddeo cassete, aparelhos de som. Na porta ao fundo da sala h\u00e1 uma mulher lavando os pratos na cozinha e um homem, sentado em uma poltrona com um bon\u00e9 do Mickey Mouse, lendo um livro de Marx de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n<p>Vejam, n\u00e3o deixei de amar Cuba por isso, muito pelo contr\u00e1rio, amei ainda mais. Gente muito parecida com a gente, cheia de problemas e contradi\u00e7\u00f5es, que sabe rir de suas mazelas, mas tamb\u00e9m um povo com uma dignidade e firmeza que n\u00e3o vi em nenhuma outra parte.<\/p>\n<p>Cuba tem muitos e enormes problemas, n\u00e3o qualquer problema, mas daquele tipo que acaba chegando at\u00e9 a vida cotidiana e imediata das pessoas, car\u00eancias naquilo que \u00e9 b\u00e1sico. A lista dos m\u00e9ritos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \u00e9 conhecida e reconhecida mesmo por advers\u00e1rios (na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, na cultura, na ci\u00eancia e em muitas \u00e1reas), mas n\u00e3o devemos esquecer que Cuba \u00e9 um pa\u00eds pobre e com poucos recursos, agravado por um criminoso bloqueio imposto pela maior pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar do planeta. \u00c9 verdade, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o bloqueio n\u00e3o produz apenas desvios econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m pol\u00edticos e \u00e9ticos. Pequenas ou grandes injusti\u00e7as e insatisfa\u00e7\u00f5es que, vez por outra, afloram como agora.<\/p>\n<p>O imperialismo est\u00e1 sempre pronto para tentar provocar e manipular os descontentamentos na esperan\u00e7a sempre presente de varrer do mapa a m\u00e1 influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Faz isso atrav\u00e9s do bloqueio e de uma variada gama de sabotagens que conhecemos: financiando largamente grupos contrarrevolucion\u00e1rios, sabotagem, atentados, manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e contrapropaganda. A pergunta \u00e9: por que, diferente de outras sociedades, Cuba persiste e segue seu caminho?<\/p>\n<p>N\u00e3o creio que o imperialismo compreenda verdadeiramente este fen\u00f4meno, pois toda ideologia implica em um autoengano. Eles est\u00e3o convencidos de sua pr\u00f3pria caricatura. Para eles, trata-se de uma ditadura brutal e cruel que se mant\u00e9m s\u00f3 pela for\u00e7a e repress\u00e3o, portanto, n\u00e3o conseguem entender que em meio a tantas dificuldades ainda exista um povo digno e rebelde, que defende a Revolu\u00e7\u00e3o e persiste. Lamentavelmente, alguns companheiros equivocados partilham da mesma caricatura, ainda que com esperan\u00e7as distintas.<\/p>\n<p>Nosso autoengano pode ser acreditar que este sentimento e esta persist\u00eancia podem seguir se n\u00e3o forem alimentados de forma justa e adequada, que \u00e9 eterno porque corresponde \u00e0 alguma natureza ou ess\u00eancia inalter\u00e1vel, o que sabemos n\u00e3o \u00e9 verdade. Nunca devemos esquecer, dizia ainda Che Guevara, \u201cpara fazer uma autocr\u00edtica sadia, que a dire\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte dos males burocr\u00e1ticos\u201d, que o sucesso ou fracasso dos caminhos econ\u00f4micos escolhidos s\u00e3o sentidos pela popula\u00e7\u00e3o e esta reage. A transi\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 a dif\u00edcil jornada que nos leva da velha sociedade at\u00e9 o comunismo. Nessa transi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m afirmava Che, \u201ca velha sociedade pesa e seus conceitos pesam constantemente na consci\u00eancia dos homens\u201d. Podemos e devemos esperar, daqueles que constituem uma vanguarda revolucion\u00e1ria, que enfrentem altivamente as dificuldades, mas \u00e9 ilus\u00e3o descabida exigir das massas que n\u00e3o reajam a priva\u00e7\u00f5es. As contradi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e seus efeitos nas massas n\u00e3o derivam apenas de ideias e valores da velha ordem n\u00e3o superados, mas da objetividade da transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Che sabia muito bem disso. Dizia nosso comandante:<\/p>\n<p>A nova sociedade em forma\u00e7\u00e3o deve competir muito duramente com o passado. Isto se faz sentir n\u00e3o apenas na consci\u00eancia individual, na qual pesam res\u00edduos de uma educa\u00e7\u00e3o sistematicamente orientada para o isolamento do indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m pelo pr\u00f3prio car\u00e1ter desse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, onde permanecem as rela\u00e7\u00f5es mercantis. A mercadoria \u00e9 a c\u00e9lula econ\u00f4mica da sociedade capitalista; enquanto existir, seus efeitos se far\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e, em consequ\u00eancia, na consci\u00eancia. (GUEVARA, 1981, p. 179)<\/p>\n<p>Algo se plantou nestes anos de transi\u00e7\u00e3o em Cuba, algo que se expressa em sua contraditoriedade como uma nova consci\u00eancia em constru\u00e7\u00e3o, mas como toda forma de consci\u00eancia est\u00e1 irremediavelmente presa \u00e0 objetividade da qual emana. Tal objetividade \u00e9 a base material tanto para o avan\u00e7o da consci\u00eancia como para determinar seus limites. Como sempre, o resultado depende da luta de classes. N\u00f3s, que amamos Cuba e seu povo, esperamos que sigam na rota da emancipa\u00e7\u00e3o e do futuro, mas a hist\u00f3ria pode impor derrotas. Diante dos riscos de recuo, respondemos como o mestre S\u00edlvio Rodriguez:<\/p>\n<p>Me vienen a convidar a arrepentirme<br \/>\nMe vienen a convidar a que no pierda<br \/>\nMe vienen a convidar a indefinirme<br \/>\nMe vienen a convidar a tanta mierda<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Dir\u00e1n que paso de moda la locura<br \/>\nDir\u00e1n que la gente es mala y no merece<br \/>\nMas, yo partir\u00e9 so\u00f1ando travesuras<br \/>\nAcaso multiplicar panes y peces<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Dicen que me arrastraran por sobre rocas<br \/>\nCuando la revoluci\u00f3n se venga abajo<br \/>\nQue machacar\u00e1n mis manos y mi boca<br \/>\nQue me arrancar\u00e1n los ojos y el badajo<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Yo no s\u00e9 lo que es el destino<br \/>\nCaminando fui lo que fui<br \/>\nAll\u00e1 Dios que ser\u00e1 divino<br \/>\nYo me muero como viv\u00ed<br \/>\nYo me muero como viv\u00ed<br \/>\nYo me muero como viv\u00ed<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<br \/>\nGUEVARA, Ernesto Che. Cuba: excepici\u00f3n hist\u00f3rica o vanguardia en la lucha anticolonialista. In: SADER, Eder; FERNANDES, Florestan (Orgs.). Che Guevara. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1981.<\/p>\n<p>Mauro Iasi \u00e9 professor adjunto da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comit\u00ea Central do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4791\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[77],"tags":[234],"class_list":["post-4791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c90-solidariedade-a-cuba","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1fh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4791\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}