{"id":4813,"date":"2013-05-13T21:08:13","date_gmt":"2013-05-13T21:08:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4813"},"modified":"2013-05-13T21:08:13","modified_gmt":"2013-05-13T21:08:13","slug":"quando-a-negacao-israelense-da-existencia-palestina-se-converte-em-genocida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4813","title":{"rendered":"Quando a nega\u00e7\u00e3o israelense da exist\u00eancia palestina se converte em genocida"},"content":{"rendered":"\n<p>The Electronic Intifada<\/p>\n<p>Traduzido do Ingl\u00eas para Rebeli\u00f3n por J. M.<\/p>\n<p>\u201cLembro como tudo come\u00e7ou. Todo o estado de Israel \u00e9 um mil\u00edmetro do Oriente M\u00e9dio inteiro. Um erro estat\u00edstico, terra est\u00e9ril e decepcionante, os p\u00e2ntanos no norte, o deserto no sul, dois lagos, um morto e um rio supervalorizado. Sem recursos naturais, apenas a mal\u00e1ria. Aqui n\u00e3o existia nada. E agora, temos a melhor agricultura no mundo? Isto \u00e9 um milagre: uma terra constru\u00edda pela gente\u201d (Maariv, 14 de abril de 2013).<\/p>\n<p>Este relato inventado, escutado na voz do primeiro cidad\u00e3o e porta-voz israelense, coloca em evid\u00eancia at\u00e9 que ponto a narrativa hist\u00f3rica \u00e9 parte da realidade atual. Esta impunidade resume a realidade na v\u00e9spera da sexag\u00e9sima quinta comemora\u00e7\u00e3o da Nakba, a limpeza \u00e9tnica da Palestina hist\u00f3rica. O fato inquietante da vida, 65 anos mais tarde, n\u00e3o \u00e9 que o dirigente figurativo do chamado Estado judeu e, de fato quase todos no novo governo eleito e no Parlamento, subscrevem estes pontos de vista. A realidade preocupante e dif\u00edcil \u00e9 a impunidade com apoio mundial.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o de Peres aos nativos palestinos e a continuidade no ano de 2013 do mito da gente sem terra exp\u00f5e a disson\u00e2ncia cognitiva na qual se vive: nega a exist\u00eancia de aproximadamente doze milh\u00f5es de pessoas que vivem dentro e pr\u00f3ximo ao pa\u00eds que pertencem. A hist\u00f3ria demonstra que as consequ\u00eancias humanas s\u00e3o terr\u00edveis e catastr\u00f3ficas quando pessoas poderosas que encabe\u00e7am equipes poderosas como um Estado moderno, negaram a exist\u00eancia de um povo que est\u00e1 muito presente.<\/p>\n<p>Esta nega\u00e7\u00e3o estava ali, no princ\u00edpio do sionismo e levou \u00e0 limpeza \u00e9tnica em 1948. E continua ainda hoje, o que pode resultar em desastres similares no futuro, a menos que seja detido imediatamente.<\/p>\n<p><strong>Disson\u00e2ncia cognitiva<\/strong><\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pela limpeza \u00e9tnica de 1948 foram os colonos sionistas que vieram \u00e0 Palestina, assim como Shimon Peres, de origem polaca, antes da Segunda Guerra Mundial. Eles negaram a exist\u00eancia dos povos nativos, aqueles que ali viviam centenas de anos, sen\u00e3o mais. Os sionistas n\u00e3o possu\u00edam poder no momento para resolver a disson\u00e2ncia cognitiva que experimentaram: sua convic\u00e7\u00e3o de que a terra estava desabitada, apesar da presen\u00e7a de tantas pessoas residentes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quase resolveram a disson\u00e2ncia, expulsaram tantos palestinos quanto puderam em 1948 e ficaram com uma pequena minoria de palestinos dentro do Estado judeu.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a gan\u00e2ncia sionista pelo territ\u00f3rio e a convic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de que era necess\u00e1rio muito mais territ\u00f3rio palestino para a constru\u00e7\u00e3o de um Estado judeu vi\u00e1vel, deu lugar a considera\u00e7\u00f5es frequentes e, finalmente, \u00e0s opera\u00e7\u00f5es para ampliar o Estado.<\/p>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da \u201cGrande Israel\u201d, depois da conquista da Cisjord\u00e2nia e de Gaza em 1967, a disson\u00e2ncia retornou. No entanto, desta vez a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser facilmente alcan\u00e7ada pela for\u00e7a da limpeza \u00e9tnica. O n\u00famero de palestinos era maior, a assertividade e o movimento de liberta\u00e7\u00e3o estavam fortemente presentes no cen\u00e1rio e, inclusive os mais c\u00ednicos e os protagonistas tradicionalmente pr\u00f3-Israel da cena internacional reconheceram sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A disson\u00e2ncia se resolveu de uma maneira diferente. A terra sem povo era qualquer parte da grande Israel, o Estado desejado para judaizar nas fronteiras anteriores de 1967 ou para anexar os territ\u00f3rios ocupados em 1967. A terra com a popula\u00e7\u00e3o estava na Faixa de Gaza e alguns grupos na Cisjord\u00e2nia, assim como no interior de Israel. A terra sem povo est\u00e1 destinada a ampliar-se gradualmente no futuro, fazendo com que o n\u00famero de pessoas reduzidas seja maior, como uma consequ\u00eancia direta da invas\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Aumento da limpeza \u00e9tnica<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dar-se conta desta crescente limpeza \u00e9tnica, a menos que se contextualize em um processo hist\u00f3rico. A nobre inten\u00e7\u00e3o das pessoas e dos grupos mais conscientes no Ocidente e em Israel em centrar-se no aqui e agora \u2013 no que diz respeito \u00e0s pol\u00edticas de Israel \u2013 est\u00e1 condenada a ser enfraquecida pela contextualiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, n\u00e3o pela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Comparar a Palestina com outros lugares sempre foi um problema. Por\u00e9m, a realidade criminosa na S\u00edria, Iraque e outros lugares, \u00e9 convertida em um desafio ainda mais s\u00e9rio. A \u00faltima pris\u00e3o, a \u00faltima deten\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o \u00faltimo assassinato de um jovem, s\u00e3o crimes horr\u00edveis, por\u00e9m perdem for\u00e7a em compara\u00e7\u00e3o com os campos e \u00e1reas pr\u00f3ximas ou distantes onde se cometem atrocidades colossais.<\/p>\n<p><strong>Narrativa criminosa<\/strong><\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente quando se v\u00ea historicamente e \u00e9 neste contexto onde devemos levar em conta o car\u00e1ter criminoso da narrativa de Peres, que \u00e9 t\u00e3o horr\u00edvel quanto a ocupa\u00e7\u00e3o e potencialmente muito pior. Para ele, presidente de Israel, pr\u00eamio Nobel da Paz, nunca houve palestinos antes de iniciar, em 1993, o processo de Oslo, e quando os reconheceu, eram somente os que vivem em uma pequena parte da Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Em seu discurso, j\u00e1 tinha eliminado a maior parte dos palestinos. Se voc\u00ea n\u00e3o existia quando Peres chegou \u00e0 Palestina, voc\u00ea, definitivamente, tampouco existe em 2013, momento em que ele \u00e9 o presidente. Esta elimina\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto onde a limpeza \u00e9tnica se converte em genocida. Quando \u00e9 eliminado do livro de hist\u00f3ria e dos discursos dos pol\u00edticos do alto escal\u00e3o, sempre existe o perigo de que a tentativa seguinte seja sua elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>Aconteceu antes. Os primeiros sionistas, entre eles o atual presidente, falavam da transfer\u00eancia dos palestinos muito antes da efetivada em 1948. Estas vis\u00f5es de uma Palestina sem \u00e1rabes apareceram em cada jornal sionista, revista e conversa interna desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Falar do vazio em um lugar onde existe abund\u00e2ncia, pode se tratar de ignor\u00e2ncia volunt\u00e1ria. Por\u00e9m, falar do vazio como uma vis\u00e3o ou realidade ineg\u00e1vel, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de poder e oportunidade para que a vis\u00e3o se converta em realidade.<\/p>\n<p><strong>A nega\u00e7\u00e3o cont\u00ednua<\/strong><\/p>\n<p>A entrevista de Peres na v\u00e9spera da sexag\u00e9sima quinta comemora\u00e7\u00e3o da Nakba n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 assustadora porque tolera qualquer ato de viol\u00eancia contra os palestinos, mas porque os palestinos teriam desaparecido por completo de sua admira\u00e7\u00e3o autocomplacente pela vontade sionista na Palestina. \u00c9 desconcertante saber que os primeiros sionistas negaram a exist\u00eancia dos palestinos em 1882, quando chegaram. \u00c9 ainda mais chocante descobrir que negam sua exist\u00eancia, al\u00e9m das espor\u00e1dicas comunidades tipo guetos, em 2013.<\/p>\n<p>No passado, a nega\u00e7\u00e3o precedeu o crime, um delito que s\u00f3 em parte teve \u00eaxito, mas pelo qual seus autores nunca foram levados ante a justi\u00e7a. Provavelmente, esta \u00e9 a raz\u00e3o para a nega\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Contudo, desta vez n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de centenas de milhares de palestinos que est\u00e1 em jogo, mas a de quase seis milh\u00f5es de pessoas que vivem dentro da Palestina hist\u00f3rica e outros cinco milh\u00f5es e meio que vivem fora da Palestina.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m poderia pensar que s\u00f3 um louco pode passar por cima de milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas, muitas delas que vivem sob o regime militar ou o apartheid. Enquanto isso, esse louco, ativamente e sem piedade, impede o regresso dos demais a sua p\u00e1tria. Por\u00e9m, quando o louco recebe as melhores armas dos EUA, Pr\u00eamios Nobel da Paz de Oslo e tratamento preferencial por parte da Uni\u00e3o Europeia, algu\u00e9m se pergunta quando seriamente devemos tomar as refer\u00eancias ocidentais sobre os l\u00edderes do Ir\u00e3 e Coreia do Norte como loucos perigosos.<\/p>\n<p>Atualmente, a loucura est\u00e1 associada, ao que parece, com a possess\u00e3o de armas nucleares nas m\u00e3os dos dirigentes n\u00e3o ocidentais. Bom, inclusive nesse aspecto, o louco local do Oriente M\u00e9dio passa na prova. Quem sabe, talvez em 2014, n\u00e3o seria a disson\u00e2ncia cognitiva israelense que dever\u00e1 ser salva, mas a ocidental: como conciliar no Ocidente uma posi\u00e7\u00e3o universal dos direitos humanos e civis com uma postura favor\u00e1vel a Israel em geral e a Shimon Peres, em particular?<\/p>\n<p><em>Autor de numerosos livros, Ilan Pappe \u00e9 professor de hist\u00f3ria e diretor do Centro Europeu de Estudos Palestinos na Universidade de Exeter.<\/em><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=167369\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=167369<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nIlan Pappe\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4813\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-4813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1fD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}