{"id":4854,"date":"2013-05-22T16:34:00","date_gmt":"2013-05-22T16:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4854"},"modified":"2013-05-22T16:34:00","modified_gmt":"2013-05-22T16:34:00","slug":"ex-agente-diz-que-militar-envolvido-no-ataque-do-riocentro-executou-casal-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4854","title":{"rendered":"Ex-agente diz que militar envolvido no ataque do Riocentro executou casal paulista"},"content":{"rendered":"\n<p>O\u00a0ex-militar\u00a0Valdemar Martins de Oliveira afirmou nesta quinta-feira (16), durante audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo, que militares envolvidos no ataque a bomba do Riocentro, em 1981, s\u00e3o os mesmos que torturam, anos antes, um casal paulista. Um deles foi autor do tiro de execu\u00e7\u00e3o que causou a morte dos presos. As v\u00edtimas s\u00e3o Catarina\u00a0Abi-E\u00e7ab\u00a0e Jo\u00e3o Ant\u00f4nio dos Santos\u00a0Abi-E\u00e7ab, mortos em 1968 em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti (RJ).<\/p>\n<p>Oliveira tamb\u00e9m declarou ter sido injustamente acusado de desertor pela Justi\u00e7a Militar por ter se recusado a participar de torturas durante a ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p>As v\u00edtimas eram estudantes de Filosofia da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e aliadas \u00e0 ALN (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional) e VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria). \u00c0 \u00e9poca, os dois foram apontados como autores do assassinato do capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito norte-americano Charles Rodney Chandler. Segundo Oliveira, o casal foi pego de bode expiat\u00f3rio. \u201cFuturamente foi descoberto que eles n\u00e3o tinham nada a ver com isso, mas com a \u00e2nsia de dar respostas aos EUA, muita gente pagou com a vida\u201d, disse o\u00a0ex-militar.<\/p>\n<p>De acordo com Oliveira, o casal foi localizado em uma resid\u00eancia de uma rua em Vila Isabel, perto do Maracan\u00e3, por uma equipe encabe\u00e7ada por um militar identificado apenas como Miro, pelo sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio e pelo capit\u00e3o Fred Pereira Perdig\u00e3o &#8211; os dois \u00faltimos envolvidos no atentado ao Riocentro, em 1981. O ataque a bomba, realizado em 30 de abril daquele ano no Rio de Janeiro, foi planejado por militares terroristas insatisfeitos com a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e resultou na morte do sargento Ros\u00e1rio, quando uma bomba que eles pretendiam detonar durante um show musical no Riocentro explodiu acidentalmente dentro do carro em que ele estava.<\/p>\n<p>Os dois estudantes teriam sido retirados do local, amorda\u00e7ados com fita isolante, algemados e jogados no porta-malas de um carro usado pelos agentes. O ve\u00edculo, segundo ele, foi do Rio rumo a S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti. Antes, eles teriam parado na estrada da Cascatinha, onde Jo\u00e3o Ant\u00f4nio teria sido desembarcado para ser espancado. Sua mulher, Catarina, seguiu viagem rumo a um s\u00edtio da cidade do destino final.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 tinha uma pia e um lat\u00e3o de 200 litros cheio de \u00e1gua. Tinha um cano e fizeram um pau de arara. Deram choques e bateram bastante na mo\u00e7a. At\u00e9 que, em dado\u00a0moment,o ela n\u00e3o respondia mais&#8221;, relatou Oliveira. &#8220;Quem viu um absurdo desse sabe o que \u00e9. A tiraram de l\u00e1 e ela estava sem rea\u00e7\u00e3o. Depois chegou o rapaz, que tinha apanhado muito e estava sem condi\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Tendo em vista o est\u00e1gio de fragilidade e inconsci\u00eancia das v\u00edtimas, que neste momento foram colocadas uma ao lado da outra, o capit\u00e3o Fred Perdig\u00e3o decidiu mat\u00e1-los, segundo Oliveira. \u201cO capit\u00e3o viu que eles n\u00e3o respondiam mais \u00e0s agress\u00f5es e disse \u2018eles n\u00e3o servem pra nada\u2019. Depois disso, deu um tiro na cabe\u00e7a de cada um\u201d.<\/p>\n<p>Chocado com a cena, o ent\u00e3o soldado afirmou ter dito ao agente Miro que n\u00e3o havia sido treinado para torturar pessoas \u2013 ele era locado no 27\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria Paraquedista, do Rio de Janeiro. Com a declara\u00e7\u00e3o, foi insultado, agredido fisicamente e chamado de \u201cesquerdista\u201d e \u201ccomunista\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMe mandaram de volta pro quartel. A partir daquele dia, minha situa\u00e7\u00e3o tinha ficado dif\u00edcil por causa da desconfian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Persegui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Oliveira relatou que foi afastado do quartel e encaminhado para o interior de S\u00e3o Paulo, por volta de 1970, para fazer &#8220;servi\u00e7o secreto&#8221;. A partir da\u00ed, sua rotina foi fazer rondas em passeatas estudantis, infiltrar-se em reuni\u00f5es de igrejas com padres progressistas e fotografar \u201csuspeitos de subvers\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m entregava documentos confidenciais para militares. Nesse per\u00edodo, diz ele, foi dado como desertor e passou a ser remunerado por recebidos, e n\u00e3o com holerites.<\/p>\n<p>Cansado dessa situa\u00e7\u00e3o e querendo voltar \u00e0 carreira militar, entrou, segundo relata, em contato com Miro, que prop\u00f4s uma reuni\u00e3o na casa da m\u00e3e de Oliveira, em S\u00e3o Paulo. Acompanhado da m\u00e3e e da irm\u00e3, Oliveira ouviu de Miro que, para voltar ao Ex\u00e9rcito, teria de fotografar comunistas suspeitos na capital e ajudar nos espancamentos e torturas de militantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed eu disse que n\u00e3o faria isso e come\u00e7aram a me agredir. Quebraram meu bra\u00e7o, agrediram a minha m\u00e3e e minha irm\u00e3, que sofreu um aborto\u201d, relembra, emocionado. \u201cQuando eu tive alta sa\u00ed [do pa\u00eds] porque eles me disseram que as coisas iriam se complicar pra mim\u201d.<\/p>\n<p>Oliveira disse que foi morar no Chile, a convite de um amigo. L\u00e1, segundo ele, exerceu atividades de sobreviv\u00eancia, sem liga\u00e7\u00e3o com o servi\u00e7o secreto militar.<\/p>\n<p>Deser\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>De volta ao Brasil, ele afirma que voltou \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de quartel, mas no interior de S\u00e3o Paulo. Na d\u00e9cada de 1990, depois de 30 anos do primeiro processo de deser\u00e7\u00e3o \u2013 ele diz que sofreu cinco &#8211; voltou a ser processado pelo mesmo crime, mesmo sem ter sido exclu\u00eddo de servi\u00e7o ativo.<\/p>\n<p>Em 1997, entrou com um habeas corpus na Justi\u00e7a Militar para ser isento do crime. \u201cFazia 30 anos que eu<em> tava<\/em>fora do Ex\u00e9rcito. No outro dia, me inseriram no servi\u00e7o ativo, com 45 anos j\u00e1, como soldado recruta&#8221;, conta. &#8220;Fui o mais velho do Brasil. Fiquei aquartelado por dois anos fazendo servi\u00e7os internos\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo com o retorno oficial, desde ent\u00e3o Oliveira diz tentar remover a deser\u00e7\u00e3o de seu curr\u00edculo militar &#8211; e sem sucesso.<\/p>\n<p>Vejam v\u00eddeo:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZWj-YALnsl4\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZWj-YALnsl4<\/a><\/p>\n<p>Leia a reportagem:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.advivo.com.br\/node\/1375494\" target=\"_blank\">http:\/\/www.advivo.com.br\/node\/1375494<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nM\u00f4nica Ribeiro e Ribeiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4854\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-4854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1gi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}