{"id":486,"date":"2010-05-20T17:35:25","date_gmt":"2010-05-20T17:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=486"},"modified":"2010-05-20T17:35:25","modified_gmt":"2010-05-20T17:35:25","slug":"debate-estrategia-da-uniao-europeia-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/486","title":{"rendered":"Debate \u201cEstrat\u00e9gia da Uni\u00e3o Europeia 2020\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Permitam-me come\u00e7ar por saudar e valorizar a presen\u00e7a e os contributos de todos para esta iniciativa do Grupo Unit\u00e1rio da Esquerda \/ Esquerda Verde N\u00f3rdica e do PCP e agradecer, em particular, aos camaradas que acederam ao convite para se deslocarem a Portugal e participarem nesta reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Entendemos a vossa presen\u00e7a n\u00e3o apenas como uma express\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o que os nossos Partidos mant\u00eam no seio do Grupo Parlamentar do Parlamento Europeu &#8211; e para a qual o PCP tem dado e ir\u00e1 continuar a dar o seu contributo &#8211; mas tamb\u00e9m como uma demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade para com a luta do nosso povo e para com o nosso Partido. Solidariedade que &#8211; num momento de especial exig\u00eancia e complexidade para a luta dos trabalhadores e povos e para o movimento oper\u00e1rio, os comunistas e outras for\u00e7as progressistas da Europa &#8211; queremos retribuir.<\/p>\n<p>Camaradas,<\/p>\n<p>J\u00e1 hoje aqui muito foi dito sobre a natureza, os reais objectivos e os conte\u00fados da Estrat\u00e9gia 2020. Trata-se de um documento estrat\u00e9gico para o grande capital europeu, que escamoteando as nefastas consequ\u00eancias da sua predecessora \u2013 a Estrat\u00e9gia de Lisboa \u2013 reafirma e aprofunda o rumo neoliberal das pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia nos mais diversos campos e insiste na estrat\u00e9gia chamada \u201cde sa\u00edda da crise\u201d por via do aumento da explora\u00e7\u00e3o e dos apoios ao grande capital. Uma Estrat\u00e9gia que aprofundar\u00e1 &#8211; se posta em pr\u00e1tica &#8211; todas as ra\u00edzes e causas da profunda crise que estamos a viver.<\/p>\n<p>V\u00e1rios camaradas referiram-se aqui ao falhan\u00e7o da Estrat\u00e9gia de Lisboa e t\u00eam raz\u00f5es para o fazer. Aqui mesmo, em Lisboa, aquando do Conselho Europeu de Mar\u00e7o de 2000, alert\u00e1mos que a Estrat\u00e9gia de Lisboa n\u00e3o criaria mais emprego com direitos, n\u00e3o erradicaria a pobreza e a exclus\u00e3o social e dificilmente asseguraria um forte crescimento que fizesse da Europa \u2013 e passo a citar \u2013\u201ca economia do conhecimento mais competitiva e mais din\u00e2mica do mundo, caracterizada por um crescimento econ\u00f3mico dur\u00e1vel, pleno emprego e uma maior coes\u00e3o econ\u00f3mica e social\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, sempre que recordamos esta sonante frase de propaganda, uns esbo\u00e7am sorrisos e outros disfar\u00e7am a sua responsabilidade assobiando para o lado. \u00c9 natural. \u00c9 hoje a pr\u00f3pria Comiss\u00e3o Europeia que afirma que a produ\u00e7\u00e3o industrial est\u00e1 ao n\u00edvel dos anos 90; que o desemprego afecta 10% da popula\u00e7\u00e3o activa ou seja 23 milh\u00f5es de pessoas; que 21% dos jovens n\u00e3o t\u00eam direito ao trabalho; que existem 85 milh\u00f5es de pobres na Uni\u00e3o Europeia e que o PIB do conjunto dos Estados membros da Uni\u00e3o Europeia caiu 4% s\u00f3 no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>H\u00e1 de facto raz\u00f5es de sobra para afirmar que a Estrat\u00e9gia de Lisboa falhou. Falhou nos seus proclamados objectivos, embora saibamos que n\u00e3o falhou na concretiza\u00e7\u00e3o dos seus objectivos de classe, como afirmou o camarada do Die Linke. \u00c9 que a Estrat\u00e9gia de Lisboa tinha, de facto, outros objectivos. Objectivos de classe, de uma classe e que denunci\u00e1mos na altura: aumentar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores adoptando as exig\u00eancias do patronato europeu; reduzir aquilo a que chamam \u201ccustos do trabalho\u201d legalizando e generalizando a desregulamenta\u00e7\u00e3o, a precariedade e a mobilidade laboral; garantir chorudos lucros aos grandes grupos econ\u00f3micos (nomeadamente na \u00e1rea das novas tecnologias e dos servi\u00e7os) e ao capital financeiro; entregar ao capital privado sectores estrat\u00e9gicos da economia e avan\u00e7ar na sua desregulamenta\u00e7\u00e3o; atacar seriamente os servi\u00e7os p\u00fablicos que interessam ao capital em \u00e1reas como a sa\u00fade, seguran\u00e7a social, educa\u00e7\u00e3o, cultura e justi\u00e7a e avan\u00e7ar na liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio em nome da sacrossanta competitividade e livre concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o f\u00e1cil de concluir que, desse ponto de vista &#8211; de classe, insisto &#8211; a Estrat\u00e9gia de Lisboa foi um sucesso. Bastaria, para tal, passar em revista o que foi a evolu\u00e7\u00e3o dos lucros dos grandes grupos econ\u00f3micos em sectores como o financeiro, o energ\u00e9tico, dos transportes, das novas tecnologias e comunica\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os. Bastaria ver como as directivas Bolkenstein e do tempo de trabalho (apenas para referir dois exemplos) foram ao encontro dos interesses do patronato europeu, ou ainda ver como evoluiu a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza com clara e constante vantagem para o capital em detrimento dos rendimentos do trabalho.<\/p>\n<p>E \u00e9 igualmente f\u00e1cil concluir que, se n\u00e3o for derrotada pela luta, a Estrat\u00e9gia 2020 significar\u00e1 ainda mais sucessos para o capital \u00e0 custa da destrui\u00e7\u00e3o do que resta das fun\u00e7\u00f5es sociais dos Estados, \u00e0 custa da destrui\u00e7\u00e3o dos aparelhos produtivos da economias mais fragilizadas pela depend\u00eancia econ\u00f3mica, \u00e0 custa de mais desemprego, mais baixos sal\u00e1rios, menos direitos sociais e laborais, mais pobreza e outras chagas sociais que alastram por esta Europa fora como a fome.<\/p>\n<p>Estamos portanto no terreno da antiga e t\u00e3o actual luta de classes na Europa. E estando nesse campo n\u00e3o podemos, obviamente, isolar este ou aquele aspecto das pol\u00edticas e orienta\u00e7\u00f5es que presidem ao processo de integra\u00e7\u00e3o capitalista europeia. Se se justifica a pergunta \u201cpara que serve e a quem serve\u201d a Estrat\u00e9gia 2020, a mesma pergunta se imp\u00f5e tamb\u00e9m relativamente ao Pacto de Estabilidade, \u00e0 Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria, ao Euro, ao BCE, \u00e0 chamada pol\u00edtica externa da Uni\u00e3o Europeia e aos Tratados \u2013 como o de Maasctricht ou de Lisboa. Em suma, a pergunta imp\u00f5e-se relativamente a esta Uni\u00e3o Europeia neoliberal, federalista e militarista. E a resposta encontramo-la tamb\u00e9m nesta Estrat\u00e9gia 2020: serve cada vez mais interesses alheios aos trabalhadores e povos da Europa<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o que estamos a viver demonstra muito bem aquilo que acab\u00e1mos de afirmar. Um a um, os dogmas da Uni\u00e3o Europeia e os instrumentos destinados a impor a acelerada integra\u00e7\u00e3o capitalista na Europa s\u00e3o postos em causa pela realidade dos factos. Os mais recentes acontecimentos revelam bem o grau de falsidade dos discursos da solidariedade, da coes\u00e3o e da \u201cEuropa social\u201d e p\u00f5em em evid\u00eancia para que servem de facto os instrumentos contidos nos tratados, nas pol\u00edticas comuns e nas Estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p> Que o digam os trabalhadores v\u00edtimas do aut\u00eantico terrorismo social resultante da fuga para a frente do grande capital, da Uni\u00e3o Europeia e da esmagadora maioria dos Governos, face \u00e0 crise do capitalismo que se aprofunda.<\/p>\n<p>Que o digam os povos de v\u00e1rios pa\u00edses europeus confrontados com a especula\u00e7\u00e3o dirigida a partir dos centros de decis\u00e3o do grande capital. O mesmo capital financeiro que recebeu dos governos milh\u00f5es de milh\u00f5es de euros. Os mesmos governos e Partidos que agora perante a especula\u00e7\u00e3o n\u00e3o escondem a sua natureza de classe e estendem o tapete ao saque, transferindo para os trabalhadores a factura do roubo.<\/p>\n<p>Que o digam os trabalhadores e o povo da Gr\u00e9cia. Infelizmente as cinzas vulc\u00e2nicas impediram que o representante do Partido Comunista da Gr\u00e9cia aterrasse ontem \u00e0 noite em Lisboa. Mas n\u00e3o deixaremos de saudar muito fraternalmente os comunistas gregos e expressar a nossa firme solidariedade para com a luta que, lado a lado com as massas trabalhadoras e populares e com movimento sindical de classe est\u00e3o corajosamente a travar.<\/p>\n<p>Um povo inteiro v\u00edtima da chantagem do FMI, da Comiss\u00e3o, do Conselho, do BCE, das grandes pot\u00eancias como a Alemanha e do seu pr\u00f3prio governo, mas que n\u00e3o se verga. Um povo que percebeu o real significado de umas mal chamadas \u201cajudas\u201d, pagas com m\u00e3o de ferro e que ir\u00e3o direitinhas para os cofres do grande capital. \u00c9 caso para dizer: ajudas destas, os trabalhadores e o povo grego rejeitam! E foi por solidariedade com o povo da Gr\u00e9cia que o PCP, juntamente com o Partido Ecologista os Verdes, foram as \u00fanicas duas for\u00e7as pol\u00edticas a votar contra a proposta de Lei que ir\u00e1 desencadear a mal chamada \u201cajuda \u00e0 Gr\u00e9cia\u201d.<\/p>\n<p>A realidade, e estes \u201cempr\u00e9stimos\u201d comprovam-no, \u00e9 que os povos desta Europa est\u00e3o a ser v\u00edtimas de uma pol\u00edtica de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico, origem da depend\u00eancia e fragilidade econ\u00f3mica dos seus pa\u00edses. A verdade \u00e9 que est\u00e3o a ser v\u00edtimas da pol\u00edtica de competi\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias europeias e os EUA, nomeadamente em torno da quest\u00e3o monet\u00e1ria, uma express\u00e3o muito concreta do aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es e rivalidades inter-imperialistas quer entre Uni\u00e3o Europeia e EUA, quer dentro da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Est\u00e3o a ser v\u00edtimas da cl\u00e1ssica sa\u00edda do capitalismo para a sua crise, ou seja: aumento da taxa de explora\u00e7\u00e3o; mais desigualdades, mais e profundos ataques \u00e0 soberania dos pa\u00edses; crescentes amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es \u00e0 democracia e \u00e0s for\u00e7as que resistem \u00e0 voragem da explora\u00e7\u00e3o capitalista. A realidade \u00e9 que, neste quadro, a Uni\u00e3o Europeia com as suas pol\u00edticas, instrumentos e institui\u00e7\u00f5es est\u00e1 mais uma vez a funcionar como um instrumento de opress\u00e3o das classes dominantes.<\/p>\n<p>V\u00e1rios tentam atirar-nos areia para os olhos com os discursos da necessidade de sacrif\u00edcios para dar combate \u00e0 crise e para salvar o Euro, a Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria, salvar a Uni\u00e3o Europeia!<\/p>\n<p>A esses respondemos em primeiro lugar que no que toca a sacrif\u00edcios, os trabalhadores e os povos conhecem-nos melhor que ningu\u00e9m. S\u00e3o-nos pedidos para evitar a crise, s\u00e3o-nos pedidos para pagar a crise e j\u00e1 nos est\u00e3o a ser pedidos para \u201crecuperar da crise\u201d.<\/p>\n<p>Em segundo lugar respondemos que sabemos que esses tais sacrif\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o uma premeditada e consciente op\u00e7\u00e3o de classe, estrat\u00e9gica do ponto de vista dos interesses do capital, para assegurar os lucros no presente e garantir no futuro &#8211; com a chamada estrat\u00e9gia de sa\u00edda para a crise &#8211; uma ainda mais grave correla\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar retorquimos com uma pergunta: Sacrif\u00edcios para salvar o qu\u00ea e quem? Para salvar os grandes grupos econ\u00f3micos que continuam a registar lucros obscenos? Para salvar o capital financeiro que est\u00e1 a lucrar rios de dinheiro com esta crise? Para salvar as pol\u00edticas de retirada de direitos, de diminui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e dos povos e de destrui\u00e7\u00e3o dos aparelhos produtivos de pa\u00edses como Portugal? Para isso n\u00e3o contem connosco! Era a mesma coisa que pedir ao condenado para salvar o carrasco.<\/p>\n<p>E, em quarto lugar respondemos que &#8211; por sabermos bem onde est\u00e1 a origem desta profunda crise que afecta todo o mundo &#8211; temos ideias bem claras e propostas muito concretas para a combater.<\/p>\n<p>Respondemos que combater a crise na Uni\u00e3o Europeia passa pela ruptura com o seu rumo neoliberal e federalista, pela ruptura com as orienta\u00e7\u00f5es da sua pol\u00edtica econ\u00f3mica e monet\u00e1ria e pelo fim do mal chamado \u201cPacto de Estabilidade e Crescimento\u201d. Combater a crise passa pela total invers\u00e3o das pol\u00edticas anti-sociais da Uni\u00e3o Europeia bem patentes nesta proposta de Estrat\u00e9gia 2020. Combater a crise passa por respeitar a democracia, aprofundar os direitos laborais e sociais e incentivar a ac\u00e7\u00e3o e luta dos movimentos dos trabalhadores, nomeadamente do movimento sindical de classe e n\u00e3o combat\u00ea-lo. Combater a crise passa por defender uma real converg\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o. Uma coopera\u00e7\u00e3o fundada no progresso social, no apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional, no investimento p\u00fablico, no refor\u00e7o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, no emprego com direitos. Uma coopera\u00e7\u00e3o que acabe com a chamada \u201clivre\u201d circula\u00e7\u00e3o de capitais, decida do fim dos para\u00edsos fiscais e dos produtos financeiros derivados e assuma, de uma vez por todas, uma real linha de combate \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira e bolsista.<\/p>\n<p>Se este for o caminho, ent\u00e3o a\u00ed sim estaremos no caminho do combate \u00e0 crise.<\/p>\n<p>Crise que se manifesta em Portugal de forma dram\u00e1tica, ampliando todos os principais problemas com que o nosso pa\u00eds j\u00e1 se vinha confrontado. Crise que encontrou um pa\u00eds altamente debilitado em resultado de anos e anos de pol\u00edticas de direita. Crise que irrompeu quando Portugal caminhava, desde 2002, em acelerada diverg\u00eancia econ\u00f3mica e social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia europeia, enfrentando a mais prolongada estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica das \u00faltimas d\u00e9cadas e assistia a um dram\u00e1tico agravamento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es laboriosas.<\/p>\n<p> Em nome da Estrat\u00e9gia de Lisboa e da competitividade da economia promoveu-se a mais brutal ofensiva contra os direitos laborais e sociais dos trabalhadores. Com a ades\u00e3o \u00e0 moeda \u00fanica, a economia portuguesa foi n\u00e3o s\u00f3 confrontada com um novo factor de redu\u00e7\u00e3o da sua capacidade competitiva, pela vincula\u00e7\u00e3o ao Pacto de Estabilidade e Crescimento e aos seus crit\u00e9rios de converg\u00eancia nominal, como se congelaram as pol\u00edticas de crescimento econ\u00f3mico e o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Em nome do equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas deram-se passos, como antes n\u00e3o se n\u00e3o tinham dado, no ataque ao direito dos portugueses \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a social, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura e lan\u00e7ou-se uma brutal ofensiva global contra aspectos essenciais do nosso regime democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Estes \u00faltimos dois anos de aguda crise do capitalismo global e a ac\u00e7\u00e3o destruidora que a acompanha traduziram-se, assim, num acrescentar de crise \u00e0 crise interna que se vinha desenvolvendo e que conduziu a uma explosiva destrui\u00e7\u00e3o do aparelho produtivo do pa\u00eds, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho de largas massas, particularmente com o agravamento brutal do desemprego.<\/p>\n<p>S\u00e3o hoje bem vis\u00edveis no nosso pa\u00eds as consequ\u00eancias das pol\u00edticas que promoveram a desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira e a economia de casino, as privatiza\u00e7\u00f5es e a liberaliza\u00e7\u00e3o dos mercados, em detrimento da produ\u00e7\u00e3o real e das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n<p> Portugal \u00e9 hoje um pa\u00eds n\u00e3o s\u00f3 mais injusto e desigual no plano social e no desenvolvimento do territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m um pa\u00eds mais dependente, mais endividado, mais deficit\u00e1rio e mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o resultado de uma prolongada ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica orientada para promover uma escandalosa centraliza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o da riqueza a favor do grande capital monopolista. Pol\u00edtica que se preparam para continuar depois da farsa montada \u00e0 volta das condena\u00e7\u00f5es e da demarca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo e ao mercado \u201cem roda livre\u201d no auge dos esc\u00e2ndalos do sistema financeiro, dos discursos da \u201cregula\u00e7\u00e3o\u201d, do combate aos off-shores e \u00e0s actividades financeiras especulativas, quando se tornou necess\u00e1rio justificar o abrir dos cord\u00f5es \u00e0 bolsa das finan\u00e7as p\u00fablicas para salvar os especuladores e o capital financeiro.<\/p>\n<p>Quem se lembra da famosa reuni\u00e3o do G-20 a exigir supervis\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e fim dos off-shores? N\u00e3o passou duma manobra de divers\u00e3o e propaganda! J\u00e1 passou tempo suficiente para se ver que nada de novo ou diferente nasceu ou ocorreu sob o dom\u00ednio do mesmo poder pol\u00edtico que conduziu \u00e0 crise e deu cobertura, aqui e no resto da Europa, aos interesses dos grandes monop\u00f3lios financeiros. E n\u00e3o foi preciso esperar muito tempo para ver aqueles que absorveram incomensur\u00e1veis recursos p\u00fablicos a \u201csoltar os c\u00e3es\u201d da especula\u00e7\u00e3o financeira e da chantagem e a atirarem-se como predadores implac\u00e1veis aos recursos dos povos.<\/p>\n<p>Portugal vive, neste momento, sobre uma intensa e perigosa opera\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter especulativo e \u00e9 objecto de verdadeiro roubo, tal como outros pa\u00edses, mas a \u00fanica sa\u00edda que os poderes pol\u00edticos dominantes apresentam \u00e9 o da exig\u00eancia de mais sacrif\u00edcios aos povos.<\/p>\n<p>Poderes que n\u00e3o se limitam a aceitar a chantagem. Usam-na de forma concertada e coordenada para dobrar a parada na exig\u00eancia de sacrif\u00edcios. Isso est\u00e1 bem patente no Programa de Estabilidade e Crescimento elaborado pelo Governo portugu\u00eas e que foi presente a Bruxelas, viabilizado com a aprova\u00e7\u00e3o de uma resolu\u00e7\u00e3o negociada entre os dois partidos que t\u00eam liderado os governos do pa\u00eds nos \u00faltimos anos. Trata-se de um novo ataque que se prepara aos rendimentos do trabalho, pelo corte dos sal\u00e1rios e o aumentos dos impostos, mas tamb\u00e9m a todas as principais presta\u00e7\u00f5es sociais, aos servi\u00e7os e empresas p\u00fablicas e participadas, com novas privatiza\u00e7\u00f5es e um inaceit\u00e1vel congelamento do crescimento econ\u00f3mico e do emprego, acentuando e agravando ainda mais o atraso relativo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um Programa que \u00e9 simultaneamente a rendi\u00e7\u00e3o sem condi\u00e7\u00f5es aos ditames dos mercados financeiros e uma repeti\u00e7\u00e3o de agravadas receitas, medidas e orienta\u00e7\u00f5es que tantos sacrif\u00edcios, desigualdades, injusti\u00e7as, t\u00eam imposto \u00e0 maioria do povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>No momento em que se impunha dar prioridade \u00e0s pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico e do emprego o que se v\u00ea \u00e9 a completa claudica\u00e7\u00e3o e de um Governo que se diz socialista face \u00e0s exig\u00eancias do grande capital nacional e internacional.<\/p>\n<p>Ei-los, Governo\/PS e PSD, em privado, a acertarem os passos para dar novos golpes no investimento p\u00fablico, no imposto mais cego &#8211; o IVA &#8211; e nos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p>Ei-los, a fazer regressar a ditadura do d\u00e9fice das contas p\u00fablicas e sua redu\u00e7\u00e3o a mata-cavalos, pondo de lado o crescimento econ\u00f3mico e o emprego, secundarizando a resposta aquilo que \u00e9 a quest\u00e3o central &#8211; o d\u00e9fice externo global (p\u00fablico e privado), a necessidade de crescer, de criar riqueza, de desenvolver o aparelho produtivo e a produ\u00e7\u00e3o nacional!<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser s\u00e1bio ou perceber de economia para saber qual vai ser o resultado! Quem vai pagar a factura, quem nada paga e a quem nada se exige!<\/p>\n<p> V\u00e3o perder os trabalhadores, os reformados, os pequenos empres\u00e1rios. Vai perder o pa\u00eds. V\u00e3o ganhar os que muito ganham e ganharam ligados ao sistema que provocou a crise.<\/p>\n<p>Uma claudica\u00e7\u00e3o muitas vezes justificada com o lamento \u201cisto \u00e9 assim, n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d. Perante a hist\u00f3ria, eis que se repete o vergar de cerviz das classes dominantes e governantes sem qualquer rasgo patri\u00f3tico!<\/p>\n<p>N\u00f3s respondemos que sim, que h\u00e1 muito, que h\u00e1 tanto para fazer! N\u00e3o nos deixamos derrotar sejam quais forem as circunst\u00e2ncias em que desenvolvemos a nossa luta. Afirmamo-lo porque temos profunda confian\u00e7a nos trabalhadores, no nosso povo e na sua luta.<\/p>\n<p> Tamb\u00e9m na nossa hist\u00f3ria secular muitas vezes o povo foi enganado e por vezes tamb\u00e9m se enganou. Mas foi sempre o povo que reagiu, lutou e encetou um caminho novo.<\/p>\n<p>Confian\u00e7a sempre presente nas v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de lutadores. Nos que derrotaram o nazi-fascismo h\u00e1 65 anos; nos que h\u00e1 120 anos, desafiando a criminosa repress\u00e3o inauguraram essa jornada hist\u00f3rica mundial do 1\u00ba de Maio; nos que no nosso pa\u00eds resistiram meio s\u00e9culo ao fascismo e fizeram do 25 de Abril a mais bela data da nossa Hist\u00f3ria e, finalmente, confian\u00e7a presente naqueles que nos \u00faltimos anos vemos encher as ruas e avenidas das nossas cidades e vilas. Gente, povo, trabalhadores, dispostos a dizer sim. Gente, povo, trabalhadores que v\u00e3o estar nas ruas de Lisboa no dia 29 de Maio. Sim a um futuro de progresso, de igualdade, de justi\u00e7a, paz e coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses podem contar com este Partido Comunista e com todas as suas for\u00e7as. Assim como podem contar com este Partido os povos aqui representados neste nosso debate e especialmente os Partidos comunistas e progressistas aqui presentes. Transmitam aos vossos militantes e activistas uma mensagem de confian\u00e7a dos comunistas portugueses e a solidariedade do Partido Comunista Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.pcp.pt\/debate-%E2%80%9Cestrat%C3%A9gia-da-uni%C3%A3o-europeia-2020%E2%80%9D-jer%C3%B3nimo-de-sousa\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pcp.pt\/debate-%E2%80%9Cestrat%C3%A9gia-da-uni%C3%A3o-europeia-2020%E2%80%9D-jer%C3%B3nimo-de-sousa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.pcp.pt\n\n\n\n\n\nJer\u00f3nimo de Sousa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/486\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/486\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}