{"id":4860,"date":"2021-07-17T01:09:51","date_gmt":"2021-07-17T04:09:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4860"},"modified":"2021-07-17T01:09:51","modified_gmt":"2021-07-17T04:09:51","slug":"mulherada-na-rua-desde-o-elenao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4860","title":{"rendered":"Mulherada na rua desde o #EleN\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/anamontenegro.org\/cfcam\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WhatsApp-Image-2021-07-14-at-19.16.58-1024x683.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Ac\u00famulos do movimento feminista para construir a derrota de Bolsonaro, Mour\u00e3o e seus aliados neoliberais<\/p>\n<p>Por Marianna Rodrigues*<\/p>\n<p>H\u00e1 algo muito importante acontecendo no Brasil, apesar das atrocidades do governo genocida de Bolsonaro-Mour\u00e3o: trata-se do fortalecimento do movimento feminista com vi\u00e9s socialista.<\/p>\n<p>Os protestos de massa que ocorreram nas \u00faltimas semanas tiveram um protagonismo fundamental n\u00e3o s\u00f3 de mulheres, mas de movimentos que defendem abertamente uma agenda feminista, antirracista, assim como de diversidade sexual e de g\u00eanero. Este \u00e9 um importante momento para lembrar que, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es de 2018, foram justamente esses mesmos movimentos que foram em peso \u00e0s ruas nos primeiros protestos de massa contra Bolsonaro, naquele momento sob a consigna #EleN\u00e3o. Isso n\u00e3o se deu \u00e0 toa, pois como eixos centrais das bases ideol\u00f3gicas de Bolsonaro-Mour\u00e3o, alistou-se uma coaliza\u00e7\u00e3o neoconservadora reivindicando a \u201ccura gay\u201d, o \u201cfim da ideologia de g\u00eanero\u201d, o \u201cestupro corretivo\u201d das feministas e um conjunto de ideais mis\u00f3ginos, transf\u00f3bicos e heteropatriarcais, al\u00e9m da retomada do mito da democracia racial.<\/p>\n<p>Sem uma agenda \u00fanica de reivindica\u00e7\u00f5es, os movimentos #EleN\u00e3o foram marcados por uma pluralidade muito grande, envolvendo desde setores da direita liberal, at\u00e9 partidos da esquerda socialista. Por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, aquelas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o obtiveram a vit\u00f3ria mais esperada naquele momento, que seria a n\u00e3o elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro e Mour\u00e3o. O que faltou? O que mudou de l\u00e1 at\u00e9 aqui? Enfim, hoje, justamente por termos muitas quest\u00f5es em aberto, analisarmos com maior aten\u00e7\u00e3o as nuances da atual conflu\u00eancia de amplos setores para um objetivo comum imediato (a queda de Bolsonaro-Mour\u00e3o) \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o impreter\u00edvel para decidirmos os rumos das manifesta\u00e7\u00f5es nas pr\u00f3ximas semanas. At\u00e9 porque, em paralelo \u00e0 queda, precisaremos dizer algo sobre o nosso futuro ou, mais precisamente, trazer para o centro do debate qual \u00e9 o projeto de pa\u00eds que queremos defender como uma alternativa a tudo isso que estamos vivendo.<\/p>\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de contribuir para essa discuss\u00e3o, este texto parte de tr\u00eas argumentos principais: I. a massifica\u00e7\u00e3o do feminismo no Brasil e na Am\u00e9rica Latina; II. o fortalecimento do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e das mulheres no PCB; e III. a possibilidade de uma coaliz\u00e3o da classe trabalhadora e dos movimentos populares por um programa pol\u00edtico comum para o Brasil.<\/p>\n<p>As feministas e os movimentos de massa<\/p>\n<p>Desde o #ForaCunha de 2015, houve uma crescente muito significativa nos atos de rua constru\u00eddos pelo movimento feminista, com destaque para o 8 de mar\u00e7o \u2013 Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras \u2013 de 2017. Nesse ano, impulsionadas pela primeira paralisa\u00e7\u00e3o nacional de mulheres na Argentina, algumas organiza\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as feministas tentaram construir uma greve internacional de mulheres.<\/p>\n<p>No Brasil, al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es de rua in\u00e9ditas em termos num\u00e9ricos, de fato foram constru\u00eddas paralisa\u00e7\u00f5es em mar\u00e7o de 2017 \u2013 como fizeram as dezenas de milhares de mulheres sem-terra contra a Reforma da Previd\u00eancia. A mulherada deu a largada para a hist\u00f3rica greve geral de abril, quando mais de 40 milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros paralisaram suas atividades.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, no ano seguinte, a vit\u00f3ria eleitoral de Bolsonaro-Mour\u00e3o colocou esses movimentos em uma esp\u00e9cie de ressaca que, recentemente, aprofundada pela situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica, enfraqueceu bastante as lutas, principalmente nas ruas. Bolsonaro e seus aliados souberam muito bem aproveitar essa ressaca, e mantiveram uma popularidade razoavelmente alta atrav\u00e9s de uma agenda de manifesta\u00e7\u00f5es populares que n\u00e3o parou mesmo em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, as contradi\u00e7\u00f5es da classe dominante rapidamente voltaram \u00e0 tona, e a posi\u00e7\u00e3o de classe de Bolsonaro-Mour\u00e3o, capachos do imperialismo, entreguistas e corruptos, foram suficientes para reavivar a indigna\u00e7\u00e3o na classe trabalhadora. Foi o que vimos com os atos massivos contra o governo nas \u00faltimas semanas, em torno de demandas por vacina j\u00e1, emprego e aux\u00edlio digno.<\/p>\n<p>Nesses atos pudemos notar, novamente, a forte presen\u00e7a das mulheres e das organiza\u00e7\u00f5es feministas, mobilizadas tanto por meio de Partidos, sindicatos e entidades estudantis, quanto de forma aut\u00f4noma. Levando em considera\u00e7\u00e3o o hist\u00f3rico extremamente patriarcal da pol\u00edtica brasileira, esse feito n\u00e3o \u00e9 pouca coisa: deve ser celebrado, e certamente \u00e9 um efeito daquele ciclo de mobiliza\u00e7\u00f5es recentes.<\/p>\n<p>Apenas em nosso continente, para termos uma ideia, temos outros exemplos para demonstrar o patamar de massas que atingiu nosso movimento: Chile e Col\u00f4mbia est\u00e3o vivenciando uma ascens\u00e3o de movimentos populares que det\u00eam um forte protagonismo das feministas. [1][2] Chile avan\u00e7a em uma Constituinte que pode derrubar as nefastas pol\u00edticas da ditadura, e a Col\u00f4mbia constroi uma grande greve geral para estagnar as reformas neoliberais.<\/p>\n<p>Se \u00e9 bem verdade que a ascens\u00e3o neoconservadora n\u00e3o retirou o car\u00e1ter de massas que o feminismo adquiriu no Brasil e internacionalmente, certamente deve servir de li\u00e7\u00e3o para orientar as nossas tarefas nesta conjuntura. Afinal, \u00e9 um fato que, mesmo em meio aos sucessivos ciclos de manifesta\u00e7\u00f5es, sofremos muitas derrotas, especialmente no \u00e2mbito das pol\u00edticas sociais, o que escancara os limites do nosso movimento.<\/p>\n<p>Portanto, apesar do ineg\u00e1vel crescimento que extrapola as nossas fronteiras, a massifica\u00e7\u00e3o traz desafios incontorn\u00e1veis para nossa luta, tema que abordaremos no t\u00f3pico seguinte. Em s\u00edntese, o que quero dizer \u00e9 que se tornar um movimento de massas \u00e9 tornar-se tamb\u00e9m alvo de todo tipo de captura, isto \u00e9, assim como o movimento de massas pode ser a guinada para um futuro revolucion\u00e1rio, pode ser tamb\u00e9m sua mais dura amarra.<\/p>\n<p>Fortalecer o feminismo classista<\/p>\n<p>Este \u00e9 um momento em que precisamos ir para as ruas muito conscientes daquilo que acreditamos teoricamente e do que queremos construir na pr\u00e1tica, tanto quanto precisamos conhecer nossas advers\u00e1rias e combat\u00ea-las com qualidade. Para isso, antes de mais nada, precisamos entender que a jornada de lutas que se iniciou no dia 29 de maio \u00e9, na verdade, muito mais do que uma tarefa de agita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, precisamos destacar o trabalho que temos feito atrav\u00e9s do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM), com atua\u00e7\u00e3o em todas as regi\u00f5es do Brasil, ao defender a estrat\u00e9gia socialista do PCB e ao trabalhar as media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas necess\u00e1rias para as disputas no interior do movimento feminista nos mais diversos locais de atua\u00e7\u00e3o. Para citar apenas um exemplo, toda militante do CFCAM tem consci\u00eancia de que, muitas vezes, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o pessoal de machismo vivenciado particularmente que vai motivar algu\u00e9m a tornar-se militante org\u00e2nica, e \u00e9 nossa tarefa elevar essa particularidade a uma t\u00e1tica coletiva e a uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria que vai ser praticada no dia a dia. O crescimento do n\u00famero de militantes feministas nas fileiras do PCB e seus coletivos partid\u00e1rios \u00e9 um term\u00f4metro relevante para sabermos que este trabalho tem avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>A massifica\u00e7\u00e3o do feminismo, contudo, torna nossas tarefas muito mais complexas. Por um lado, porque atualmente existe toda uma agenda de organismos internacionais \u2013 como a ONU \u2013 que implementa programas ao lado de grandes empresas para difundir um determinado tipo de feminismo. Esse feminismo, de car\u00e1ter empresarial ou neoliberal, est\u00e1 ancorado em princ\u00edpios de concorr\u00eancia, empoderamento individual, e imp\u00f5e o recha\u00e7o a quaisquer a\u00e7\u00f5es coletivas classistas, uma vez que sua estrat\u00e9gia \u00e9 consolidar pol\u00edticas de mercado. J\u00e1 pensou se a maioria das trabalhadoras deixarem de se ver como consumidoras e passarem a se ver como prolet\u00e1rias? Pois \u00e9, para essas feministas, uma organiza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria \u00e9 um terror! J\u00e1 por outro lado, porque a massifica\u00e7\u00e3o do feminismo tamb\u00e9m estimula uma rea\u00e7\u00e3o \u2013 que aqui denominei de \u201ccoaliza\u00e7\u00e3o neoconservadora\u201d -, cuja estrat\u00e9gia \u00e9, precisamente, o aniquilamento desse movimento.<\/p>\n<p>Em alguns momentos da conjuntura, especialmente ao fazer avan\u00e7ar determinadas reformas, privatiza\u00e7\u00f5es e retiradas de direitos em prol dos interesses do grande capital, ambas as fra\u00e7\u00f5es da classe dominante golpeiam juntas sobre a classe trabalhadora e sustentam a j\u00e1 popular contradi\u00e7\u00e3o de serem \u201cliberais na economia, e conservadores nos costumes\u201d. J\u00e1 em outros momentos, como agora, aparecem sinais de uma pequena ruptura nesse grande bloco, que pode ser notada atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o de nomes requerendo o impeachment de Bolsonaro, da presen\u00e7a de PSDBistas no \u00faltimo ato em S\u00e3o Paulo e da divulga\u00e7\u00e3o de atos do MBL pelo Fora Bolsonaro.<\/p>\n<p>Diante de um contexto de elevados \u00edndices de viol\u00eancia sexual e de g\u00eanero, parece fazer todo o sentido que tenhamos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie e as sucessivas tentativas de aniquilamento de todo tipo de feminismo e diversidade sexual e de g\u00eanero. Ademais, historicamente, fracionar a classe dominante \u00e9 uma t\u00e1tica que pode ser muito \u00fatil para abrir espa\u00e7o para alternativas revolucion\u00e1rias. Por esses e outros motivos, importaria menos quem est\u00e1 indo para as ruas contra Bolsonaro-Mour\u00e3o, e mais como vamos derrot\u00e1-lo e que alternativa queremos construir.<\/p>\n<p>Por isso, organizar paralisa\u00e7\u00f5es, greves ou a\u00e7\u00f5es de solidariedade que tragam consigo uma forte den\u00fancia aos ataques do capital s\u00e3o importantes, porque s\u00e3o ferramentas espec\u00edficas da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o ser\u00e3o endossadas pela classe dominante ou quem se alia a ela. Pelo contr\u00e1rio, ser\u00e3o duramente combatidas, inclusive mediante imposi\u00e7\u00e3o de multas aos sindicatos, demiss\u00f5es de trabalhadoras\/es, persegui\u00e7\u00f5es, assassinatos de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Devido ao grande poder de desmobiliza\u00e7\u00e3o que det\u00e9m a classe dominante e as suas tentativas de captura, fortalecer o feminismo classista vai bastante al\u00e9m das tarefas de agita\u00e7\u00e3o e propaganda. Para as pr\u00f3ximas semanas, al\u00e9m da mobiliza\u00e7\u00e3o massiva, nossa tarefa ser\u00e1 construir as condi\u00e7\u00f5es para que a derrota de Bolsonaro, Mour\u00e3o e seus aliados se d\u00ea pelas vias da luta da classe trabalhadora, e n\u00e3o por acordos no interior da classe dominante.<\/p>\n<p>Derrot\u00e1-los com um programa contundente<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo aprendido pelos ac\u00famulos hist\u00f3ricos do movimento feminista internacional, \u00e9 que precisamos desenvolver nossa autonomia para enfrentar as duras batalhas do dia a dia \u2013 e a nossa autonomia se desenvolve sempre que caminhamos distantes das amarras de quem imp\u00f5e a domina\u00e7\u00e3o. Em palavras mais simples, se, quando nosso agressor est\u00e1 em casa, o primeiro passo para interromper o ciclo de viol\u00eancias \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es para sair de casa (ter onde abrigar-se, o que comer, com quem conversar) ou, ainda, faz\u00ea-lo sair, qual \u00e9 o passo que devemos dar quando batemos de frente com uma quest\u00e3o estrutural, tal qual o grande capital e seus m\u00faltiplos agentes?<\/p>\n<p>Bem, nesse caso, temos uma longa hist\u00f3ria de movimento oper\u00e1rio que desenvolveu como principais ferramentas a greve geral e o movimento de massas. Com muitas dificuldades, o segundo parece estar avan\u00e7ando, mas e o primeiro?<\/p>\n<p>Tivemos experi\u00eancias recentes no Brasil, como citamos acima, de paralisa\u00e7\u00f5es massivas que levaram o nome de greve geral. No entanto, essas experi\u00eancias n\u00e3o foram sustentadas por tempo suficiente para derrotar o programa econ\u00f4mico dos patr\u00f5es. Geralmente, sob o comando das grandes centrais sindicais e de parlamentares, as mobiliza\u00e7\u00f5es foram desestimuladas no primeiro acordo poss\u00edvel \u2013 mesmo quando o acordo se tratava de uma expl\u00edcita derrota. Por\u00e9m, a hist\u00f3ria tem mostrado que essa posi\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria n\u00e3o reduziu os impactos nas vidas do povo trabalhador brasileiro, at\u00e9 porque v\u00e1rias vezes os acordos foram rompidos pela pr\u00f3pria classe dominante.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, uma greve geral precisa ser sustentada por meio de um programa pol\u00edtico contundente (com reivindica\u00e7\u00f5es inegoci\u00e1veis, que n\u00e3o seja apenas um programa eleitoral), ainda que m\u00ednimo. Caso contr\u00e1rio, a derrota imediata estar\u00e1 dada, e teremos pela frente um longo futuro de trabalho de base para reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e novas ferramentas de luta. Agora, se junto \u00e0 queda de Bolsonaro-Mour\u00e3o estiver um amplo movimento de massas, impulsionando uma agenda de lutas que culmine em uma greve geral, certamente retiraremos o poder de negocia\u00e7\u00e3o das m\u00e3os dos patr\u00f5es e poderemos interferir minimamente no futuro do pa\u00eds. A prop\u00f3sito, n\u00e3o guardemos ilus\u00f5es: aguardar as elei\u00e7\u00f5es de 2022 para inverter concretamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 um equ\u00edvoco de an\u00e1lise que vai transformar qualquer governo eleito em um grande curral da classe dominante.<\/p>\n<p>H\u00e1 medidas em curso muito duras contra a classe trabalhadora brasileira, seja no \u00e2mbito dos servi\u00e7os p\u00fablicos, seja no \u00e2mbito privado. Da reforma administrativa ao aumento do desemprego; dos retrocessos na previd\u00eancia \u00e0 inexist\u00eancia de carteiras de trabalho assinadas; do aumento dos alugu\u00e9is \u00e0s remo\u00e7\u00f5es urbanas; da carestia dos alimentos ao fim de programas sociais de alimenta\u00e7\u00e3o; da privatiza\u00e7\u00e3o da eletricidade e da \u00e1gua ao aumento do pre\u00e7o do g\u00e1s\u2026 A lista de retrocessos \u00e9 imensa e os usurpadores organizam-se em um mesmo bloco, portanto nada justifica que continuemos agindo de forma setorializada em nossos movimentos, pois isso enfraquece em muito a nossa autonomia de classe. Existem demandas muito expl\u00edcitas para construirmos uma coaliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em torno de um programa comum. O que tem nos impedido?<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que o nosso movimento feminista, como importante organizador de amplas unidades de a\u00e7\u00e3o no \u00faltimo per\u00edodo, pode e deve levar seus ac\u00famulos para o conjunto de assembleias, plen\u00e1rias e reuni\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo articuladas. Tenho certeza de que temos muitas respostas para v\u00e1rias das quest\u00f5es em aberto atualmente no Brasil, mas para disputar os rumos desse movimento nacional vamos precisar de coragem para enfrentar o medo das falas em p\u00fablico, de organiza\u00e7\u00e3o para dividir o trabalho e achar brechas no tempo para militar\/elaborar nossos pr\u00f3prios materiais, bem como de coes\u00e3o para trabalharmos juntas para assumir o fronte de nossas entidades de representa\u00e7\u00e3o e demais locais de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo j\u00e1 descobriu que n\u00f3s, feministas, nunca fomos comportadas, e que a paci\u00eancia j\u00e1 perdemos faz muito tempo. \u00c9 hora de transformar esse sentimento de revolta em energia para formula\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o coletiva organizada. N\u00e3o tem sido f\u00e1cil, mas precisamos persistir.<\/p>\n<p>Desse modo, com revolta e criatividade, a vit\u00f3ria chegar\u00e1.<\/p>\n<p>Para continuar lendo:<\/p>\n<p>[1] https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/05\/27\/chile-e-preciso-integrar-demandas-das-feministas-e-povos-originarios-na-constituicao<\/p>\n<p>[2] https:\/\/jacobin.com.br\/2021\/06\/na-colombia-movimento-desencadeado-pela-greve-geral-esta-colocando-a-classe-dominante-de-joelho\/<\/p>\n<p>*Marianna Rodrigues \u00e9 secret\u00e1ria pol\u00edtica do PCB no RS e integra a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4860\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[226],"class_list":["post-4860","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1go","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4860\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}