{"id":4874,"date":"2013-05-28T15:47:13","date_gmt":"2013-05-28T15:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4874"},"modified":"2013-05-28T15:47:13","modified_gmt":"2013-05-28T15:47:13","slug":"por-que-estadio-joao-saldanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4874","title":{"rendered":"Por que est\u00e1dio Jo\u00e3o Saldanha"},"content":{"rendered":"\n<p>A coluna &#8216;Deixa Falar: Megafone do Esporte&#8217; manifesta aqui apoio ao projeto de lei propondo que o Engenh\u00e3o passe a ser Est\u00e1dio Ol\u00edmpico Jo\u00e3o Saldanha. Haver\u00e1 audi\u00eancia p\u00fablica sobre o tema nesta segunda (27), no RJ. A campanha \u201cSai Havelange, entra Jo\u00e3o Saldanha\u201d foi lan\u00e7ada pelo N\u00facleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania.<\/p>\n<p>Raul Milliet Filho<\/p>\n<p>O \u201cMegafone do Esporte\u201d vem a p\u00fablico manifestar seu apoio ao projeto de lei apresentado pelos vereadores do Rio de Janeiro Paulo Pinheiro, Renato Cinco e Eliomar Coelho, do PSOL, propondo que o Engenh\u00e3o passe a ser Est\u00e1dio Ol\u00edmpico Jo\u00e3o Saldanha, e convida todos para a audi\u00eancia p\u00fablica e debate no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Vereadores \u2013 RJ, no dia 27 de maio, \u00e0s 18 horas.<\/p>\n<p>A campanha \u201cSai Havelange, entra Jo\u00e3o Saldanha\u201d foi lan\u00e7ada pelo N\u00facleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania (embri\u00e3o do \u201cMegafone do Esporte\u201d), em 13 de julho de 2012, com apoio do blog do Juca Kfouri. E os seus frutos est\u00e3o sendo colhidos agora.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Saldanha, em toda a sua vida, n\u00e3o foi apenas o jornalista esportivo com atua\u00e7\u00e3o em r\u00e1dio, jornal e televis\u00e3o. Como diretor de futebol e t\u00e9cnico campe\u00e3o do Botafogo em 1957, foi o maior respons\u00e1vel pela montagem do time que vive at\u00e9 hoje na mem\u00f3ria de cariocas e brasileiros, do qual faziam parte Nilton Santos, Didi, Man\u00e9 Garrincha e Quarentinha. Uma equipe que foi a base do bicampeonato mundial conquistado pelo Brasil em 1958 e 1962. Fato que poucos sabem \u00e9 que, nessas duas jornadas, o preparador f\u00edsico da sele\u00e7\u00e3o brasileira foi tamb\u00e9m do Botafogo: Paulo Amaral.<\/p>\n<p>Em 1969, Jo\u00e3o resgatou a autoestima do futebol brasileiro como t\u00e9cnico e comandante da sele\u00e7\u00e3o que viria a ser tricampe\u00e3 no M\u00e9xico. Escalou e definiu as \u201cferas do Saldanha\u201d: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Gerson, Jairzinho, Tost\u00e3o e Pel\u00e9. At\u00e9 ser demitido por n\u00e3o aceitar interfer\u00eancias diretas da ditadura militar, atrav\u00e9s do ent\u00e3o presidente M\u00e9dici, e por ter denunciado torturas e assassinatos no Brasil a jornais e revistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>No link a seguir, uma entrevista de Saldanha em Porto Alegre, 20 dias antes de sua demiss\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X3gRDhJYX2w\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X3gRDhJYX2w<\/a><\/p>\n<p>Ao lado de outros grandes jornalistas esportivos, inovou com seu estilo coloquial a cultura e a linguagem da imprensa especializada.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Saldanha tinha no humor seu principal ponto de apoio. Um humor onde a alegria e o sorriso maroto de Jo\u00e3o, extens\u00e3o de sua pr\u00f3pria vida, n\u00e3o eram inventados, mas vividos, gostados e praticados. O humor de Jo\u00e3o pode ser situado na linha do historiador e linguista russo Bakhtin. Um humor que se transmuta em riso como forma de bater no f\u00edgado do discurso oficial, impedindo que o s\u00e9rio se imponha com a prepot\u00eancia de gala dos dominadores.<\/p>\n<p>Uma pequena amostra desse esp\u00edrito irreverente, durante o jogo Brasil x Venezuela, nas eliminat\u00f3rias da Copa de 1970, pode ser visto no link:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C_uky9BMNoI\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C_uky9BMNoI<\/a><\/p>\n<p>Em contrapartida, tinha um temperamento explosivo, um pavio curto, o que lhe trouxe muitos problemas, como no epis\u00f3dio da invas\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o do Flamengo, para tomar satisfa\u00e7\u00f5es do t\u00e9cnico Yustrich, que o ofendera em algumas entrevistas. Situa\u00e7\u00f5es como essas o prejudicaram ao longo da vida, servindo de pretexto para seus advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ainda jovem, atuou em S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1 defendendo e organizando oper\u00e1rios em greve e camponeses amea\u00e7ados de expuls\u00e3o de suas terras.<\/p>\n<p>Quando do planejamento do Aterro do Flamengo, foi o respons\u00e1vel, junto com Raphael de Almeida Magalh\u00e3es, pela inclus\u00e3o dos campos de pelada, esquecidos no projeto original. Mesmo sendo advers\u00e1rio pol\u00edtico do lacerdismo, representado naquela conjuntura por Raphael, n\u00e3o hesitou em estabelecer essa parceria pontual, que redundou na constru\u00e7\u00e3o de uma das maiores \u00e1reas para a pr\u00e1tica esportiva na cidade.<\/p>\n<p>Em 1985, convocado por Marco Maciel, primeiro ministro da Educa\u00e7\u00e3o da Nova Rep\u00fablica, a apresentar um projeto de pol\u00edtica de esporte para o pa\u00eds, formou uma comiss\u00e3o composta por Juca Kfouri, Fernando Menezes, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Gerheim, com a assessoria do N\u00facleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania,<\/p>\n<p>Logo na primeira reuni\u00e3o, Saldanha, Juca e Jos\u00e9 Ant\u00f4nio decidem assumir como seu o documento \u201cUma Pol\u00edtica de Estado para o Esporte no Brasil\u201d, formulado pelo N\u00facleo Esporte e Cidadania, fruto de um longo trabalho de pesquisa e de projetos implantados na periferia do Rio de Janeiro nos anos 70.<\/p>\n<p>As linhas gerais do documento s\u00e3o mais atuais do que nunca: \u201cem um pa\u00eds como o Brasil, o esporte deve ser mais um instrumento na resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o social, articulando-se com a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e pol\u00edtica alimentar\u201d.<\/p>\n<p>E vai adiante o documento: \u201cuma pol\u00edtica de esportes no pa\u00eds deve priorizar investimentos de pequeno e m\u00e9dio porte, mais condizentes com o perfil de uma sociedade cuja maior tarefa \u00e9 diminuir as dist\u00e2ncias que separam a mis\u00e9ria e a pobreza do fausto arrogante de projetos suntuosos, de um Brasil que antes de pretender transformar-se em pot\u00eancia ol\u00edmpica, deve almejar garantir o acesso de sua popula\u00e7\u00e3o a padr\u00f5es m\u00ednimos de vida, sem os quais torna-se imposs\u00edvel construir uma pol\u00edtica de esportes democr\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que Marco Maciel engavetou o projeto. Foi preciso que o N\u00facleo Esporte e Cidadania articulasse com o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia para por em pr\u00e1tica essas diretrizes, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel com a press\u00e3o e o apoio aberto de Jo\u00e3o Saldanha, como pode ser constatado nas cr\u00f4nicas abaixo, de 1985 e 1986.<\/p>\n<p>Da\u00ed surgiu o Programa Recrian\u00e7a, que atendeu a mais de 500 mil crian\u00e7as e adolescentes em todo o pa\u00eds. Uma iniciativa que, realizada pelo Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia em parceria com prefeituras, deixou frutos em dezenas de munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Saldanha e seus parceiros acreditavam que, em uma pol\u00edtica de esporte e cidadania, o esporte social \u2013 o esporte cidad\u00e3o, voltado ao atendimento das camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, praticado em escolas, clubes e bairros populares \u2013 e o esporte de alto rendimento \u2013 o que busca desempenho e conquista de medalhas e campeonatos \u2013 n\u00e3o s\u00e3o excludentes, ao contr\u00e1rio, se complementam.<\/p>\n<p>Entendiam que o poder p\u00fablico em um pa\u00eds como o Brasil tinha obriga\u00e7\u00e3o de investir a maior parte de seus recursos no Esporte Social.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a experi\u00eancia do Programa Recrian\u00e7a, ficou patente que investimentos no esporte social t\u00eam uma capacidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego cinco vezes maior (custo per capita) do que no alto rendimento. Nesse caso, os recursos devem ser investidos quase que exclusivamente em custeio: pessoal (professores, estagi\u00e1rios, pedagogos etc.), material esportivo e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os levantamentos realizados apontam para uma subutiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas esportivas existentes, que, em sua maioria, demandam, quando muito, pequenas reformas, solucion\u00e1veis com investimentos locais insignificantes.<\/p>\n<p>Pois bem, s\u00f3 com o dinheiro gasto no Maracan\u00e3, no est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha e em Manaus, seria poss\u00edvel atender 1,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens, tr\u00eas vezes por semana, em articula\u00e7\u00e3o com as escolas, em um programa esportivo, cultural, profissionalizante, oferecendo uma segunda merenda escolar.<\/p>\n<p>E o governador S\u00e9rgio Cabral Filho sabe disso muito bem, pois conheceu de perto os resultados positivos do Programa Recrian\u00e7a.<\/p>\n<p>Dar ao Engenh\u00e3o o nome de Jo\u00e3o Saldanha n\u00e3o significa apenas firmar uma postura \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o a um importante est\u00e1dio p\u00fablico, mas deixar claro uma oposi\u00e7\u00e3o frontal a esta pol\u00edtica dos megaeventos (Copa e Olimp\u00edadas), que distancia o esporte da educa\u00e7\u00e3o, elitiza o acesso aos est\u00e1dios e dificulta a democratiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica esportiva.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Saldanha combateria enfaticamente esse estado de coisas, desancando a privatiza\u00e7\u00e3o do Maracan\u00e3 entregue a interesses contr\u00e1rios \u00e0queles que ele sempre defendeu em vida.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Cabral Filho, Eduardo Paes, Eike Batista, Marin e Nuzman n\u00e3o escapariam de suas cr\u00edticas afiadas e contundentes.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel entregar de bandeja a interesses poderosos um est\u00e1dio que custou 1,2 bilh\u00f5es de reais? Como \u00e9 poss\u00edvel espalhar pelo Brasil uma manada de elefantes brancos?<\/p>\n<p>O maior desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos reside exatamente na defini\u00e7\u00e3o equivocada de prioridades. E tudo isso teve in\u00edcio quando o governo federal elegeu como ponto central de sua pol\u00edtica de esportes a realiza\u00e7\u00e3o dos megaeventos, transformando a cidade e o esporte em mercadorias intercambi\u00e1veis, subtraindo o potencial greg\u00e1rio e educativo da pr\u00e1tica desportiva.<\/p>\n<p>O Est\u00e1dio Ol\u00edmpico Jo\u00e3o Saldanha \u00e9 uma bandeira fincada na luta pela \u00e9tica e democratiza\u00e7\u00e3o do esporte e n\u00e3o se restringe \u00e0s quatro linhas, a um clube ou a um partido pol\u00edtico. \u00c9 uma homenagem ao papel que a cultura popular representa na constru\u00e7\u00e3o da autoestima de um povo, de uma na\u00e7\u00e3o, ao potencial greg\u00e1rio e educativo do esporte.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conquista da Copa do Mundo do M\u00e9xico, Saldanha escreveu uma cr\u00f4nica, \u201cA Vitoria da Arte\u201d, onde dizia:<\/p>\n<p><em>\u201cantes de mais nada, quero dizer que a vit\u00f3ria extraordin\u00e1ria do Brasil foi a vit\u00f3ria do futebol&#8230; fazendo da arte de seus jogadores a sua for\u00e7a maior&#8230; \u00e9 pela vit\u00f3ria da arte, que continua sendo dentre as mais variadas concep\u00e7\u00f5es do futebol moderno, a verdadeira raz\u00e3o de se encherem os est\u00e1dios e a identifica\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida e decisiva do futebol do Brasil\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Pouco tempo antes escrevera outra cr\u00f4nica onde afirmava:<\/p>\n<p><em>\u201cMinha concep\u00e7\u00e3o para Copa do Mundo era de que poder\u00edamos bat\u00ea-los, aos grandalh\u00f5es, com arte e habilidade. Jamais na for\u00e7a f\u00edsica. Convoquei Z\u00e9 Carlos do Cruzeiro, pois j\u00e1 tinha ali no meio Pel\u00e9, Tost\u00e3o, Dirceu Lopes e Rivelino&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Pel\u00e9 e Tost\u00e3o demonstraram amplamente ser a dupla certa. Jogando bola no ch\u00e3o desde as eliminat\u00f3rias at\u00e9 as finais, fizemos cerca de 50 gols e s\u00f3 um de cabe\u00e7a. Tudo por baixo, como sabe jogar o futebol brasileiro.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Quando da inaugura\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua de Jo\u00e3o Saldanha no Maracan\u00e3, em dezembro de 2009, sua irm\u00e3 Elza Saldanha Milliet disse ao ex-presidente Lula diante de v\u00e1rios jornalistas: \u201cpresidente, se o Jo\u00e3o fosse vivo n\u00e3o gostaria nada de ver toda esta dinheirama gasta aqui no Maracan\u00e3. Tenho certeza que iria criticar.\u201d<\/p>\n<p>Vida que segue.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4874\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-4874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1gC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4874\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}