{"id":4914,"date":"2013-06-03T14:57:01","date_gmt":"2013-06-03T14:57:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4914"},"modified":"2013-06-03T14:57:01","modified_gmt":"2013-06-03T14:57:01","slug":"a-solida-perseveranca-das-farc-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4914","title":{"rendered":"A s\u00f3lida perseveran\u00e7a das FARC-EP"},"content":{"rendered":"\n<p>A ideologia das classes dominantes nunca bradou com tanta soberba como ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Lan\u00e7a em riste, pol\u00edticos, acad\u00eamicos, intelectuais, militares e at\u00e9\u00a0comunistas arrependidos se bateram contra o pensamento revolucion\u00e1rio, alegando que carecia de lugar, pretendendo ridicularizar seus defensores e celebrando missas por sua morte intempestiva.<\/p>\n<p>Absurdas elabora\u00e7\u00f5es sem a menor sustenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ou cient\u00edfica passaram a ser publicadas, o que chamaram com desprezo de fim da hist\u00f3ria, choque das civiliza\u00e7\u00f5es, onda democratizadora e sucessivamente emergiram nov\u00edssimas interpreta\u00e7\u00f5es da realidade, aben\u00e7oadas imediatamente pelo grande capital e universalizadas com loas pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pior ainda foi a avalanche desatada contra os revolucion\u00e1rios em armas. No tempo em que os marines norte-americanos armados com o arsenal mais moderno, amparados por sofisticada artilharia, naves de guerra e avi\u00f5es de alta tecnologia destrutiva, humilhavam o Ex\u00e9rcito iraquiano na opera\u00e7\u00e3o Tormenta do Deserto, diziam que nada justificava mais agora as rebeli\u00f5es armadas.<\/p>\n<p>Sem importar o lugar, as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, nem a natureza das contradi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, pol\u00edticas ou culturais que particularizavam\u00a0a situa\u00e7\u00e3o das distintas lutas dos oprimidos, um decreto expedido nas alturas imperiais, e aplicado de imediato por seus capangas em cada pa\u00eds, sentenciava que s\u00f3 tinham algum sentido os meios pac\u00edficos.<\/p>\n<p>Mesmo que em\u00a0muitas partes existam as condi\u00e7\u00f5es plenas para o exerc\u00edcio de tal express\u00e3o da luta popular. E partiram da premissa de que todas as manifesta\u00e7\u00f5es, armadas e n\u00e3o armadas, de inconformidade e rebeldia, haviam tido origem exclusivamente no interesse sovi\u00e9tico por ampliar seu dom\u00ednio no mundo. Morta a m\u00e3e, havia que sacrificar os filhos.<\/p>\n<p>Se todas as formas da luta contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista eram\u00a0estimuladas pelo comunismo russo, se as pressupostas injusti\u00e7as e opress\u00f5es contra as que se al\u00e7avam os povos n\u00e3o eram mais do que inven\u00e7\u00f5es da propaganda subversiva promovida por Moscou, se o capitalismo era o escal\u00e3o mais alto e insuper\u00e1vel alcan\u00e7ado pela humanidade, n\u00e3o havia mais rem\u00e9dio do que a rendi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, porque com a derrubada do paradigma se pretendia provar a impossibilidade\u00a0de uma alternativa distinta. Todos os meios e discursos repetiram incessantemente que a salva\u00e7\u00e3o buscada n\u00e3o existia, como acabava de ser demonstrado, mas sobretudo porque t\u00e3o pouco o perigo havia existido. O capitalismo nunca havia sido um monstro, mas uma ben\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Canalhas, miser\u00e1veis, dinossauros depreci\u00e1veis e est\u00fapidos, m\u00famias congeladas no tempo, pe\u00e7as descart\u00e1veis de museu, cegos sem cajados e surdos sem rem\u00e9dio, tudo isso foi dito dos que perseveramos na luta contra as injusti\u00e7as. A f\u00faria reunida de todos os furac\u00f5es era pequena perante o tem\u00edvel tsunami que caiu sobre os revolucion\u00e1rios e rebeldes.<\/p>\n<p>Muitos cederam, \u00e9\u00a0verdade. Beberam da nova fonte da sabedoria e ficaram perplexos,\u00a0intimidados pelo descomunal gigantismo do poder \u00fanico. Resignaram suas ideias e seus esfor\u00e7os por transformar o todo e construir sua verdade. N\u00e3o merecem uma palavra mais que se refira a eles. N\u00f3s n\u00e3o, n\u00f3s seguimos apostando na causa e seguros do triunfo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o todas as iras imperiais e olig\u00e1rquicas ca\u00edram sobre\u00a0nossas cabe\u00e7as; n\u00e3o houve inf\u00e2mia que n\u00e3o se atribu\u00edsse a nossa organiza\u00e7\u00e3o. Perseverar na luta se converteu em estigma, opera\u00e7\u00f5es exemplares se ergueram para executar-nos com sev\u00edcia, os c\u00edrculos do poder celebraram em un\u00edssono uma e outra vez cada golpe que receb\u00edamos: converteram-nos em malditos.<\/p>\n<p>Ainda assim seguimos adiante. Inspirados entre outras coisas pela dignidade do povo de Cuba, essa na\u00e7\u00e3o de tit\u00e3s que iluminados pelas palavras de Fidel e Che, levanta invenc\u00edvel nas barbas do Imp\u00e9rio. Animados pela claridade di\u00e1fana do pensamento de nossos fundadores, reivindicando o sangue e a honra daqueles que tombaram lutando.<\/p>\n<p>Mas sobretudo conscientes de que, n\u00e3o porque a repetiram milh\u00f5es de vezes, a mentira institucionalizada ia a converte-se em verdade absoluta. Enquanto a fome e a injusti\u00e7a afetaram uma imensa maioria de nossos compatriotas, enquanto a viol\u00eancia sanguin\u00e1ria do Estado continuara cerceando milhares de vidas em nosso solo, nossas raz\u00f5es se mantinham vivas.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque conseguiram impor-se pela for\u00e7a das armas e o medo, se tornaram v\u00e1lidos os argumentos do grande capital para saquear sem tr\u00e9gua as riquezas do nosso pa\u00eds, para cortar de uma vez os direitos conquistados pelos trabalhadores em um s\u00e9culo de lutas, para redistribuir a propriedade da terra a seu favor mediante a gera\u00e7\u00e3o de massacre e o desterro.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque nos chamaram da pior maneira, porque asseguraram que carec\u00edamos de ideias e s\u00f3\u00a0nos alentavam as motiva\u00e7\u00f5es vis, porque seus cantos de sereia nos convidaram \u00e0\u00a0rendi\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que nos despejavam toneladas de explosivos, n\u00f3s, as FARC-EP, \u00edamos deixar de alentar nosso povo \u00e0 luta e jogar a dec\u00eancia no lado do caminho.<\/p>\n<p>Somos revolucion\u00e1rios, cremos na possibilidade de que o povo colombiano\u00a0arrebente as correntes com que ataram sua soberania nacional, apostamos sem duvidar que, ao abrirem-se os espa\u00e7os para a express\u00e3o livre do pensamento e o exerc\u00edcio da atividade pol\u00edtica, sem risco para a vida e para a liberdade, as pessoas honradas do nosso pa\u00eds, essa grande maioria, alcan\u00e7aremos as mudan\u00e7as necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sempre soubemos que n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0mediante a for\u00e7a solit\u00e1ria das armas que vamos conseguir o poder para nosso povo. Por\u00e9m, sabemos que nas condi\u00e7\u00f5es violentas e desvantajosas em que a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9\u00a0obrigada a atuar em nosso pa\u00eds, apenas as vias pac\u00edficas resultar\u00e3o insuficientes. A hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica demonstra isso.<\/p>\n<p>Na particular situa\u00e7\u00e3o em que o povo da Col\u00f4mbia \u00e9\u00a0obrigado a viver, o emprego revolucion\u00e1rio das armas tem sido necess\u00e1rio para sustentar a resist\u00eancia e manter acesa a possibilidade de abrir o caminho para uma verdadeira democracia. H\u00e1 sido a oligarquia do nosso pa\u00eds, servil ao imperialismo, a que sempre promoveu a guerra. N\u00f3s apenas lhe fazemos frente.<\/p>\n<p>Que tudo isso mude \u00e9\u00a0nossa aspira\u00e7\u00e3o ao dialogar com o governo em Havana. Para alcan\u00e7ar essa Mesa tivemos que suportar a mais demente arremetida que j\u00e1 sofreu algum povo em toda a hist\u00f3ria do nosso continente. Durante 49 anos cont\u00ednuos, milhares de mulheres e homens temos entregado o melhor das nossas vidas sem receber um centavo em troca.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o nos confere o direito de nos considerarmos superiores a ningu\u00e9m. Tamb\u00e9m somos conscientes disso. Mas sem d\u00favidas que tanto esfor\u00e7o, tantas vidas regadas no caminho, tantos m\u00e1rtires sacrificados na tortura e nas masmorras, nos outorgam o direito a chamarmo-nos revolucion\u00e1rios e a ocupar o lugar que merecemos na constru\u00e7\u00e3o do novo pa\u00eds. E isso, ningu\u00e9m pode negar.<\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia, 25 de maio de 2013.<\/p>\n<p>FARC-EP<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: PCB Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4914\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-4914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1hg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}