{"id":494,"date":"2010-05-25T23:18:30","date_gmt":"2010-05-25T23:18:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=494"},"modified":"2010-05-25T23:18:30","modified_gmt":"2010-05-25T23:18:30","slug":"sonho-e-realidade-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/494","title":{"rendered":"Sonho e realidade na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Este artigo \u00e9 escrito por um importante diplomata de carreira brasileiro, especializado em Am\u00e9rica Latina. Com conhecimento de causa e franqueza, o autor ajuda a compreender a an\u00e1lise do PCB sobre a pol\u00edtica externa do governo brasileiro.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>ANTONIO JOS\u00c9 FERREIRA SIM\u00d5ES<\/p>\n<p>UMA D\u00c9CADA se passou desde que o Brasil tomou a iniciativa de convocar, em Bras\u00edlia, a 1\u00aa Reuni\u00e3o de Presidentes da Am\u00e9rica do Sul, realizada no ano 2000. Quase oito anos depois, em maio de 2008, o presidente Lula recebeu os chefes de Estado da regi\u00e3o para a assinatura do tratado que fundou a Uni\u00e3o Sul-Americana de Na\u00e7\u00f5es (Unasul).<\/p>\n<p>Para quem hoje observa a intensidade da agenda regional, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que, at\u00e9 h\u00e1 pouco, os l\u00edderes do continente jamais tivessem se reunido. Dez anos atr\u00e1s, a articula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o passava de um sonho. Hoje, \u00e9 uma realidade concreta.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas comprovam o sucesso da integra\u00e7\u00e3o sul-americana. Desde o ano 2000, o com\u00e9rcio total do Brasil com a regi\u00e3o passou de US$ 22 bilh\u00f5es para US$ 63 bilh\u00f5es. Em 2002, nossas exporta\u00e7\u00f5es para os vizinhos somaram US$ 7,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2008, alcan\u00e7aram 38,4 bilh\u00f5es: um aumento de 412%. Em 2009, o \u00edndice de bens industrializados nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a regi\u00e3o alcan\u00e7ou cerca de 90% -vendemos, na nossa vizinhan\u00e7a, bens de alto valor agregado. Essas mercadorias geram renda e empregos com carteira assinada para milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das empresas brasileiras na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 crescente e tem transformado a infraestrutura de pa\u00edses vizinhos, com a constru\u00e7\u00e3o de estradas, aeroportos, hidrel\u00e9tricas, petroqu\u00edmicas. Para apoiar esse esfor\u00e7o, o Brasil financia parte dos projetos, sobretudo por meio do BNDES.<\/p>\n<p>O total de financiamentos em 2009 chegou a US$ 8 bilh\u00f5es para a Am\u00e9rica do Sul. Cerca de US$ 3,1 bilh\u00f5es referem-se a projetos em execu\u00e7\u00e3o ou j\u00e1 conclu\u00eddos, e outros US$ 4,9 bilh\u00f5es, a projetos j\u00e1 aprovados.<\/p>\n<p>S\u00e3o obras que ajudam a economia brasileira e contribuem para o desenvolvimento dos pa\u00edses da regi\u00e3o. Os investimentos diretos das empresas brasileiras tamb\u00e9m t\u00eam crescido.<\/p>\n<p>Na Argentina, por exemplo, o estoque total \u00e9 estimado em US$ 8 bilh\u00f5es. A Am\u00e9rica do Sul \u00e9 o espa\u00e7o primordial para a transnacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Nem ingenuidade nem ideologia explicam a vertente sul-americana da pol\u00edtica externa brasileira. Por ser o Brasil a maior e mais diversificada economia da regi\u00e3o, \u00e9 inevit\u00e1vel que o pa\u00eds exer\u00e7a o papel de propulsor da integra\u00e7\u00e3o. Solidariedade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de ingenuidade.<\/p>\n<p>Porque queremos abrir mercados na Am\u00e9rica do Sul, interessa-nos que nossos vizinhos tamb\u00e9m sejam cada dia mais pr\u00f3speros.<\/p>\n<p>O Brasil deseja que a prosperidade e a justi\u00e7a social se espalhem pela Am\u00e9rica do Sul. A pol\u00edtica solid\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a busca de nossos leg\u00edtimos interesses.<\/p>\n<p>Um Brasil que contribui para a prosperidade continental refor\u00e7a suas credenciais como fator de estabilidade e progresso no mundo. Junto com isso, avan\u00e7am a democracia e um sistema econ\u00f4mico aberto.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso, por\u00e9m, refor\u00e7ar a consci\u00eancia de nossos interesses comuns de longo prazo. Se franceses e alem\u00e3es tivessem optado, no final da 2\u00aa Guerra Mundial, pelos ganhos de curto prazo, perdendo-se na mesquinhez da contabilidade das repara\u00e7\u00f5es e no exerc\u00edcio das recrimina\u00e7\u00f5es, teria sido poss\u00edvel construir o edif\u00edcio que \u00e9 hoje a Uni\u00e3o Europeia?<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa brasileira para a Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o se pauta apenas por uma vis\u00e3o pragm\u00e1tica de viabiliza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios e investimentos mas tamb\u00e9m est\u00e1 imbu\u00edda de uma vis\u00e3o pol\u00edtica, estrat\u00e9gica, social e cultural de longo prazo.<\/p>\n<p>Aqui, idealismo e realismo se combinam: o primeiro nos inspira a buscar um futuro melhor; o segundo nos estimula a colocar as m\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>ANTONIO JOS\u00c9 FERREIRA SIM\u00d5ES \u00e9 subsecret\u00e1rio-geral da Am\u00e9rica do Sul, Central e do Caribe do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MRE). Foi embaixador do Brasil em Caracas (2008-2010), diretor do Departamento de Energia (2006-2008) e secret\u00e1rio de Planejamento Diplom\u00e1tico (2005-2006) do MRE.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: pbrasil\n\n\n\n\nNota do Secretariado Nacional do PCB:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/494\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-494","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Y","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}