{"id":500,"date":"2010-05-30T07:08:15","date_gmt":"2010-05-30T07:08:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=500"},"modified":"2017-11-19T10:56:04","modified_gmt":"2017-11-19T13:56:04","slug":"a-mais-heroica-de-todas-as-batalhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/500","title":{"rendered":"A mais her\u00f3ica de todas as batalhas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/espacoacademico.files.wordpress.com\/2013\/03\/red-army-stalingrad-women-soldiers.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Meus caros e queridas,<\/p>\n<p>Neste m\u00eas de maio, comemora-se o 65\u00ba anivers\u00e1rio da derrota da Alemanha na 2\u00aa GM. Esta derrota significou para a humanidade uma vit\u00f3ria sobre um dos mais b\u00e1rbaros regimes que o mundo j\u00e1 viu, o regime nazista de Adolf Hitler.<\/p>\n<p>Falar desta vit\u00f3ria magn\u00edfica sobre uma das mais poderosas m\u00e1quinas de guerra jamais vistas na hist\u00f3ria \u00e9 falar da her\u00f3ica resist\u00eancia do povo sovi\u00e9tico em Stalingrado. Durante quase 7 meses o ex\u00e9rcito vermelho, sozinho, travou uma baltalha terr\u00edvel contra nada menos que 2\/3 de todo o ex\u00e9rcito nazista representado por mais de 3\/4 das tropas mais bem treinadas, melhor equipadas e experientes das tropas alem\u00e3es. Lembro que com menos de 1\/3 de suas tropas, este mesmo ex\u00e9rcito alem\u00e3o ocupava a Fran\u00e7a, o Norte da \u00c1frica, quase toda a Europa e, at\u00e9 6 junho de 1944, a \u00fanica for\u00e7a que os enfrentava numa luta desigual era a URSS. Depois de travar a mais feroz batalha da hist\u00f3ria, o ex\u00e9rcito vermelho derrotou as tropas do Marechal Von Paulus em fevereiro de 1943. Foi o come\u00e7o do fim para o odioso regime nazista.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que, ao contr\u00e1rio do que a hist\u00f3ria oficial nos diz, a liberta\u00e7\u00e3o da Europa foi fundamentalmente obra do ex\u00e9rcito vermelho, pois j\u00e1 em finais de 1943 havia destru\u00eddo o grosso das tropas alem\u00e3es e estava \u00e0s portas da Alemanha. A t\u00e3o esperada 2\u00aa frente s\u00f3 foi aberta em junho de 1944.<\/p>\n<p>Para quem ainda duvida de que a f\u00faria nazista era dirigida principalmente contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, basta lembrar que mais de 20 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos pereceram na luta contra a Alemanha Nazista. Este foi o maior holocausto perpetrado pelos Nazistas na 2\u00aa GM.<\/p>\n<p>Ao final da batalha de Stalingrado mais de 2 milh\u00f5es de pessoas haviam morrido. Na cidade , antes conhecida por ser pr\u00f3spera e moderna, j\u00e1 n\u00e3o havia mais nenhuma constru\u00e7\u00e3o de p\u00e9. Mas de p\u00e9 estavam os her\u00f3icos defensores de Stalingrado. Ali\u00e1s, jamais se curvaram, jamais se renderam, jamais deixaram de encarar de frente o pior inimigo que se poderia ter e a pior das barb\u00e1ries que pode se abater sobre um povo. Tinham por tr\u00e1s de si a maior obra que o proletariado consegui construir em toda a sua hist\u00f3ria de lutas at\u00e9 hoje: A Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Nestes tempos obscuros, onde a derrota do proletariado parece um fato consumado, onde a realidade perversa da superexplora\u00e7\u00e3o do trabalhador, do desespero, da inseguran\u00e7a, da falta de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o, se imp\u00f5e \u00e0s massas trabalhadores como algo eterno e imut\u00e1vel, voltar algumas p\u00e1ginas na hist\u00f3ria e ver que diante da nuvem de escurid\u00e3o nazista que cubriu a Europa com destrui\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria e desesperan\u00e7a, o povo sovi\u00e9tico, e em particular os seus her\u00f3is de Stalingrado, se levantou e mostrou que a vit\u00f3ria do proletariado sobre a barb\u00e1rie \u00e9 poss\u00edvel, nos ensina que uma nova hist\u00f3ria para a humanidade pode come\u00e7ar a ser escrita, basta que o protelariado se levante novamente, assim como se levantou em Stalingrado e escreveu uma das mais gloriosas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p><strong>Viva a her\u00f3ica resist\u00eancia do povo sovi\u00e9tico em Stalingrado!!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva o Socialismo!!<\/strong><\/p>\n<p><strong>O capitalismo \u00e9 a desgra\u00e7a dos povos!!<\/strong><\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es comunistas,<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Lavinas<\/p>\n<p>PS: Este poema abaixo \u00e9 uma justa homenagem aos her\u00f3is de Stalingrado.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Carta a Stalingrado*<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade<\/p>\n<p>Stalingrado&#8230;<br \/>\nDepois de Madri e de Londres, ainda h\u00e1 grandes cidades!<br \/>\nO mundo n\u00e3o acabou, pois que entre as ru\u00ednas<br \/>\noutros homens surgem, a face negra de p\u00f3 e de p\u00f3lvora,<br \/>\ne o h\u00e1lito selvagem da liberdade<br \/>\ndilata os seus peitos, Stalingrado,<br \/>\nseus peitos que estalam e caem,<br \/>\nenquanto outros, vingadores, se elevam.<\/p>\n<p>A poesia fugiu dos livros, agora est\u00e1 nos jornais.<br \/>\nOs telegramas de Moscou repetem Homero.<br \/>\nMas Homero \u00e9 velho. Os telegramas cantam um mundo novo<br \/>\nque n\u00f3s, na escurid\u00e3o, ignor\u00e1vamos.<br \/>\nFomos encontr\u00e1-lo em ti, cidade destru\u00edda,<br \/>\nna paz de tuas ruas mortas mas n\u00e3o conformadas,<br \/>\nno teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,<br \/>\nna tua fria vontade de resistir.<\/p>\n<p>Saber que resistes.<br \/>\nQue enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.<br \/>\nQue quando abrimos o jornal pela manh\u00e3 teu nome (em ouro oculto) estar\u00e1 firme no alto da p\u00e1gina.<br \/>\nTer\u00e1 custado milhares de homens, tanques e avi\u00f5es, mas valeu a pena.<br \/>\nSaber que vigias, Stalingrado,<br \/>\nsobre nossas cabe\u00e7as, nossas preven\u00e7\u00f5es e nossos confusos pensamentos distantes<br \/>\nd\u00e1 um enorme alento \u00e0 alma desesperada<br \/>\ne ao cora\u00e7\u00e3o que duvida.<\/p>\n<p>Stalingrado, miser\u00e1vel monte de escombros, entretanto resplandecente!<br \/>\nAs belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e sil\u00eancio.<br \/>\nD\u00e9beis em face do teu pavoroso poder,<br \/>\nmesquinhas no seu esplendor de m\u00e1rmores salvos e rios n\u00e3o profanados,<br \/>\nas pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,<br \/>\naprendem contigo o gesto de fogo.<br \/>\nTamb\u00e9m elas podem esperar.<\/p>\n<p>Stalingrado, quantas esperan\u00e7as!<br \/>\nQue flores, que cristais e m\u00fasicas o teu nome nos derrama!<br \/>\nQue felicidade brota de tuas casas!<br \/>\nDe umas apenas resta a escada cheia de corpos;<br \/>\nde outras o cano de g\u00e1s, a torneira, uma bacia de crian\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas f\u00e1bricas,<br \/>\ntodos morreram, estropiaram-se, os \u00faltimos defendem peda\u00e7os negros de parede,<br \/>\nmas a vida em ti \u00e9 prodigiosa e pulula como insetos ao sol,<br \/>\n\u00f3 minha louca Stalingrado!<\/p>\n<p>A tamanha dist\u00e2ncia procuro, indago, cheiro destro\u00e7os sangrentos,<br \/>\napalpo as formas desmanteladas de teu corpo,<br \/>\ncaminho solitariamente em tuas ruas onde h\u00e1 m\u00e3os soltas e rel\u00f3gios partidos,<br \/>\nsinto-te como uma criatura humana, e que \u00e9s tu, Stalingrado, sen\u00e3o isto?<br \/>\nUma criatura que n\u00e3o quer morrer e combate,<br \/>\ncontra o c\u00e9u, a \u00e1gua, o metal, a criatura combate,<br \/>\ncontra milh\u00f5es de bra\u00e7os e engenhos mec\u00e2nicos a criatura combate,<br \/>\ncontra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,<br \/>\ne vence.<\/p>\n<p>As cidades podem vencer, Stalingrado!<br \/>\nPenso na vit\u00f3ria das cidades, que por enquanto \u00e9 apenas uma fuma\u00e7a subindo do Volga.<br \/>\nPenso no colar de cidades, que se amar\u00e3o e se defender\u00e3o contra tudo.<br \/>\nEm teu ch\u00e3o calcinado onde apodrecem cad\u00e1veres,<br \/>\na grande Cidade de amanh\u00e3 erguer\u00e1 a sua Ordem.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>*<\/strong><strong>Extra\u00eddo do livro<\/strong> <strong><em>A Rosa do Povo (poemas escritos entre 1943 e 1945)<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 1987<\/strong><\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina encontra-se em<strong> <a href=\"http:\/\/www.cecac.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.cecac.org.br<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.cecac.org.br\nStalingrado em fevereiro de 1943\n\u00a0\n\n\n\nMeus caros e queridas,\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/500\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[],"class_list":["post-500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-84","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}