{"id":503,"date":"2010-05-30T17:00:07","date_gmt":"2010-05-30T17:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=503"},"modified":"2010-05-30T17:00:07","modified_gmt":"2010-05-30T17:00:07","slug":"fundo-do-poco-israel-foi-parceiro-ate-do-apartheid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/503","title":{"rendered":"FUNDO DO PO\u00c7O: ISRAEL FOI PARCEIRO AT\u00c9 DO APARTHEID"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio a temas palpitantes como o do acordo Brasil\/Turquia\/Ir\u00e3 que os EUA estimularam e agora torpedeiam, est\u00e1 passando quase despercebida a relevante informa\u00e7\u00e3o de que Israel n\u00e3o s\u00f3 possui bombas at\u00f4micas aos montes, sem qualquer controle por parte de organismos internacionais, como andou tentando vender algumas ao regime segregacionista da \u00c1frica do Sul, em 1975.<\/p>\n<p>E, no fundo, os dois assuntos se completam: que direito tem os EUA de exigirem que o Ir\u00e3 se submeta a uma daquelas revistas policiais em que at\u00e9 os orif\u00edcios do corpo s\u00e3o verificados, enquanto um pa\u00eds useiro e vezeiro em barbarizar vizinhos n\u00e3o s\u00f3 disp\u00f5e de armamentos que amea\u00e7am a humanidade, como aceita negoci\u00e1-los com qualquer um?<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das novas gera\u00e7\u00f5es, que identificam os judeus com as caracter\u00edsticas odiosas que seu estado incorporou, eu conhe\u00e7o bem os belos sonhos de outrora, dos kibutzim ao Bund.<\/p>\n<p>O primeiro era uma experi\u00eancia na linha do chamado socialismo ut\u00f3pico: o cultivo da terra em bases igualit\u00e1rias, sem patr\u00e3o, sem privil\u00e9gios, sem desigualdade.<\/p>\n<p>Tive jovens amigos de ascend\u00eancia judaica que falavam maravilhas dos kibutzim, mas, pacifistas, relutavam em ir para um pa\u00eds onde poderiam ser convocados a qualquer instante para batalhas.<\/p>\n<p>O socialismo revolucion\u00e1rio, por sua vez, era representado pelo Bund, a Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores Judeus na Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia e R\u00fassia, que estava entre as for\u00e7as fundadoras do Partido Social-Democrata, tendo participado ativamente das revolu\u00e7\u00f5es russas de 1905 e 1917.<\/p>\n<p>O M\u00c9DICO SE TORNOU MONSTRO<\/p>\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo passado, entretanto, Israel viveu sua transi\u00e7\u00e3o de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lan\u00e7a do imperialismo no Oriente M\u00e9dio, respons\u00e1vel por genoc\u00eddios e atrocidades que lhe valeram dezenas de condena\u00e7\u00f5es in\u00f3cuas da ONU.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegar ao que \u00e9 hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melanc\u00f3lico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.<\/p>\n<p>Ter, ademais, oferecido-se para dotar o apartheid de artefatos at\u00f4micos supera a pior imagem que j\u00e1 t\u00ednhamos de Israel.<\/p>\n<p>\u00c9 a p\u00e1 de cal, a comprova\u00e7\u00e3o gritante de que o humanismo n\u00e3o tem mais espa\u00e7o nenhum no estado judeu. O povo que nos deu Marx, Freud e Einstein hoje produz mas \u00e9 novos \u00c1tilas, Gengis Khans e Pinochets.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 not\u00edcia publicada h\u00e1 poucos dias pelo Guardian londrino e que tantos preferem ignorar, \u00e9 a seguinte: documentos secretos da \u00c1frica do Sul obtidos pelo acad\u00eamico estadunidense Sasha Palakow-Suransky, al\u00e9m de exporem essa parceria pol\u00edtica nauseabunda, constituem prova documental insofism\u00e1vel do programa nuclear israelense, que se sabia existir mas o estado judeu insistia em negar.<\/p>\n<p>O Guardian divulgou inclusive um memorando do ent\u00e3o chefe das For\u00e7as Armadas da \u00c1frica do Sul, general R. Armstrong, escrito no dia de um encontro entre os respectivos ministros da Defesa, Shimon Peres e Pieter Botha. Nele, o militar diz, de forma cifrada mas nem tanto, que, \u201cconsiderando os m\u00e9ritos do sistema de armas oferecido [por Israel], algumas interpreta\u00e7\u00f5es podem ser feitas, como a de que os m\u00edsseis ser\u00e3o armados com ogivas nucleares produzidas na \u00c1frica do Sul [grifo meu] ou em outro lugar\u201d.<\/p>\n<p>O NOME DOS M\u00cdSSEIS \u00c9 &#8220;JERIC\u00d3&#8221;<\/p>\n<p>Em entrevista publicada nesta 6\u00aa feira (28) pela Folha de S\u00e3o Paulo, o acad\u00eamico Palakow-Suransky rebate a alega\u00e7\u00e3o de Shimon Peres, de que sua assinatura n\u00e3o consta das minutas das reuni\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8220;&#8230;mas ela aparece no documento que garante sigilo para a negocia\u00e7\u00e3o sobre a venda de m\u00edsseis Jeric\u00f3. Os documentos mostram acima de qualquer d\u00favida que o tema foi discutido em uma s\u00e9rie de encontros em 1975. As frases usadas para descrever as ogivas s\u00e3o vagas, o que \u00e9 comum nesse tipo de negocia\u00e7\u00e3o. A confirma\u00e7\u00e3o de que o governo sul-africano viu a discuss\u00e3o como uma oferta nuclear expl\u00edcita est\u00e1 num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, que detalha as vantagens do sistema de m\u00edsseis Jeric\u00f3 para a \u00c1frica do Sul, mas s\u00f3 se os m\u00edsseis tivessem ogivas nucleares. \u00c9 a primeira vez que aparece um documento com a discuss\u00e3o sobre m\u00edsseis nucleares em termos concretos. O acordo nunca foi fechado, mas a discuss\u00e3o ocorreu, e o alto escal\u00e3o sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear&#8221;.<\/p>\n<p>O schoolar acrescentou que h\u00e1 outras evid\u00eancias de colabora\u00e7\u00e3o de Israel com o apartheid:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8220;As principais s\u00e3o a continua\u00e7\u00e3o do projeto dos m\u00edsseis Jeric\u00f3 na \u00c1frica do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir proj\u00e9teis de segunda gera\u00e7\u00e3o para carregar ogivas nucleares; e a venda de &#8216;yellow cake&#8217; [concentrado de ur\u00e2nio] da \u00c1frica do Sul para Israel em 1961&#8221;.<\/p>\n<p>E avalia que suas revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a principal evid\u00eancia dispon\u00edvel de que Israel possui arsenal at\u00f4mico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">&#8220;As fotos de Mordechai Vanunu [t\u00e9cnico nuclear israelense condenado por trai\u00e7\u00e3o] em 1986 s\u00e3o muito mais definitivas. O significado dos documentos n\u00e3o \u00e9 provar que Israel tem armas nucleares, o que o mundo todo sabe h\u00e1 d\u00e9cadas. A not\u00edcia aqui \u00e9 que a poss\u00edvel transfer\u00eancia de tecnologia nuclear foi debatida no alto escal\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>E, acrescento eu, a not\u00edcia \u00e9 que Israel se disp\u00f4s a transferir tecnologia nuclear para um dos regimes mais execr\u00e1veis e execrado do planeta. Dize-me com quem andas&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me chocou constatar que a apraz\u00edvel &#8220;cidade das palmeiras&#8221; do Velho Testamento, onde os judeus recompuseram suas for\u00e7as depois da escravid\u00e3o, agora serve para nomear as armas do Ju\u00edzo Final.<\/p>\n<p>\u00c9 um simbolismo bem apropriado para sua travessia negativa, que parece n\u00e3o ter fim, no sentido da desumanidade.<\/p>\n<p>*Jornalista e escritor, mant\u00e9m os blogues<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/naufrago-da-utopia.blogspot.com\/\">http:\/\/naufrago-da-utopia.blogspot.com\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/celsolungaretti-orebate.blogspot.com\/\">http:\/\/celsolungaretti-orebate.blogspot.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: naufrago-da-utopia.blogspot.com\n\u00a0\n\n\n\nCelso Lungaretti (*)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/503\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-87","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}