{"id":5057,"date":"2013-07-04T21:38:23","date_gmt":"2013-07-04T21:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5057"},"modified":"2013-07-04T21:38:23","modified_gmt":"2013-07-04T21:38:23","slug":"25-verdades-sobre-o-caso-evo-moralesedward-snowden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5057","title":{"rendered":"25 verdades sobre o caso Evo Morales\/Edward Snowden"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Opera Mundi<\/em><\/p>\n<p><em>O caso Edward Snowden foi a origem de um grave incidente diplom\u00e1tico entre Bol\u00edvia e v\u00e1rios pa\u00edses europeus. Depois de uma ordem de Washington, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Portugal proibiram o avi\u00e3o presidencial de Evo Morales de sobrevoar seu territ\u00f3rio.<\/em><\/p>\n<p>1. Ap\u00f3s uma viagem oficial \u00e0 R\u00fassia para assistir a uma reuni\u00e3o de pa\u00edses produtores de g\u00e1s, o Presidente Evo Morales tomou seu avi\u00e3o para regressar \u00e0 Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>2. Os Estados Unidos, pensando que Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, autor das revela\u00e7\u00f5es sobre as opera\u00e7\u00f5es de espionagem de seu pa\u00eds, encontrava-se no avi\u00e3o presidencial, ordenou aos quatro pa\u00edses europeus, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e Portugal, que proibissem o sobrevoo de seu espa\u00e7o a\u00e9reo \u00e0 Evo Morales.<\/p>\n<p>3. Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autoriza\u00e7\u00e3o de sobrevoo de seu territ\u00f3rio, concedida \u00e0 Bol\u00edvia em 27 de junho de 2013, enquanto o avi\u00e3o presidencial encontrava-se a apenas uns quil\u00f4metros das fronteiras francesas.<\/p>\n<p>4. Assim, Paris colocou em perigo a vida do Presidente boliviano, que precisou fazer um pouso de emerg\u00eancia na \u00c1ustria, por falta de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>5. Desde 1945, nenhuma na\u00e7\u00e3o do mundo impediu um avi\u00e3o presidencial de sobrevoar seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>6. Paris, al\u00e9m de desatar uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplom\u00e1tica absoluta do qual goza todo chefe de Estado.<\/p>\n<p>7. O governo socialista de Fran\u00e7ois Hollande atentou gravemente ao prest\u00edgio da na\u00e7\u00e3o. A Fran\u00e7a aparece ante os olhos do mundo como um pa\u00eds servil e d\u00f3cil, que n\u00e3o vacila um s\u00f3 instante em obedecer \u00e0s ordens de Washington, contra seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>8. Ao tomar semelhante decis\u00e3o, Hollande desprestigiou a voz da Fran\u00e7a no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>9. Paris tamb\u00e9m se transformou em objeto de riso no mundo inteiro. As revela\u00e7\u00f5es feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espionava v\u00e1rios pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, entre os quais a Fran\u00e7a. Depois dessas revela\u00e7\u00f5es, Fran\u00e7ois Hollande pediu p\u00fablica e firmemente a Washington que parasse esses atos hostis. N\u00e3o obstante, na pr\u00e1tica, o Pal\u00e1cio do Elys\u00e9e seguiu fielmente as ordens da Casa Branca.<\/p>\n<p>10.\u00a0 Ap\u00f3s descobrir que se tratava de uma informa\u00e7\u00e3o falsa e que Snowden n\u00e3o se encontrava no avi\u00e3o, Paris decidiu anular a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>11.\u00a0 A It\u00e1lia, Espanha e Portugal tamb\u00e9m seguiram as ordens de Washington e proibiram Evo Morales de sobrevoar seu territ\u00f3rio, antes de mudarem de opini\u00e3o ao interarem-se de que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era ver\u00eddica e permitirem ao Presidente boliviano seguir sua rota.<\/p>\n<p>12.\u00a0 Antes disso, a Espanha at\u00e9 exigiu a revista do avi\u00e3o presidencial, violando todas as normas legais internacionais. \u201cIsto \u00e9 uma chantagem. N\u00e3o vamos permitir por uma quest\u00e3o de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necess\u00e1rio\u201d, replicou a Presid\u00eancia boliviana. \u201cN\u00e3o sou um criminoso\u201d, declarou Evo Morales.<\/p>\n<p>13.\u00a0 A Bol\u00edvia denunciou um atentado contra sua soberania e contra a imunidade de seu presidente. \u201cTrata-se de uma instru\u00e7\u00e3o do governo dos Estados Unidos\u201d, segundo La Paz.<\/p>\n<p>14.\u00a0 A Am\u00e9rica Latina condenou unanimemente a atitude da Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia e Portugal.<\/p>\n<p>15.\u00a0 A Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (UNASUL) convocou, em car\u00e1ter de urg\u00eancia, uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria ap\u00f3s este esc\u00e2ndalo internacional e expressou sua \u201cindigna\u00e7\u00e3o\u201d mediante seu Secret\u00e1rio Geral, Ali Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>16.\u00a0 A Venezuela e o Equador condenaram \u201ca ofensa\u201d e \u201co atentado\u201d contra o Presidente Evo Morales.<\/p>\n<p>17.\u00a0 O Presidente Nicol\u00e1s Maduro, da Venezuela, condenou \u201cuma agress\u00e3o grosseira, brutal, inadequada e n\u00e3o civilizada\u201d.<\/p>\n<p>18.\u00a0 O Presidente equatoriano Rafael Correa expressou sua indigna\u00e7\u00e3o: \u201cNossa Am\u00e9rica n\u00e3o pode tolerar tanto abuso!\u201d.<\/p>\n<p>19. A Nicar\u00e1gua denunciou uma \u201ca\u00e7\u00e3o criminosa e b\u00e1rbara\u201d.<\/p>\n<p>20. Havana criticou o \u201cato inadmiss\u00edvel, infundado e arbitr\u00e1rio, que ofende toda a Am\u00e9rica Latina e o Caribe\u201d.<\/p>\n<p>21. A Presidenta argentina Cristina Fern\u00e1ndez expressou sua consterna\u00e7\u00e3o: \u201cDefinitivamente est\u00e3o todos loucos. O chefe de Estado e seu avi\u00e3o t\u00eam imunidade total. N\u00e3o podemos permitir este grau de impunidade\u201d.<\/p>\n<p>22.\u00a0 Mediante a voz de seu Secret\u00e1rio Geral, Jos\u00e9 Miguel Insulza, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) condenou a decis\u00e3o dos pa\u00edses europeus: \u201cN\u00e3o existe circunst\u00e2ncia alguma para cometer tais a\u00e7\u00f5es em detrimento do presidente da Bol\u00edvia. Os pa\u00edses envolvidos devem dar uma explica\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es pelas quais tomaram esta decis\u00e3o, particularmente porque isso p\u00f4s em risco a vida do primeiro mandat\u00e1rio de um Pa\u00eds Membro da OEA\u201d.<\/p>\n<p>23.\u00a0 A Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos de Nossa Am\u00e9rica (ALBA) denunciou \u201cuma flagrante discrimina\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a \u00e0 imunidade diplom\u00e1tica de um Chefe de Estado\u201d.<\/p>\n<p>24.\u00a0 Ao inv\u00e9s de outorgar o asilo pol\u00edtico \u00e0 pessoa que permitiu descobrir que era v\u00edtima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a Fran\u00e7a, n\u00e3o vacilou em criar uma grave crise diplom\u00e1tica com o objetivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>25.\u00a0 Este caso ilustra que se a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, \u00e9 um an\u00e3o pol\u00edtico e diplom\u00e1tico, incapaz de adotar uma postura independente dos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>*Doutor em Estudos Ib\u00e9ricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani \u00e9 professor titular da Universidade de La Reuni\u00f3n e jornalista especialista das rela\u00e7\u00f5es entre Cuba e Estados Unidos. Seu \u00faltimo livro se intitula\u00a0<em>The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade<\/em>, New York, Monthly Review Press, 2013, com pr\u00f3logo de Wayne S. Smith e pref\u00e1cio de Paul Estrade.<\/strong><\/p>\n<p>Livro:\u00a0<a href=\"http:\/\/monthlyreview.org\/press\/books\/pb3409\/\" target=\"_blank\">http:\/\/monthlyreview.org\/press\/books\/pb3409\/<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/babel\/29786\/25+verdades+sobre+el+caso+evo+moralesedward+snowden.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/babel\/29786\/25+verdades+sobre+el+caso+evo+moralesedward+snowden.shtml<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nSalim Lamrani\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5057\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-5057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c55-bolivia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1jz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}