{"id":5062,"date":"2013-07-06T20:59:22","date_gmt":"2013-07-06T20:59:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5062"},"modified":"2013-07-06T20:59:22","modified_gmt":"2013-07-06T20:59:22","slug":"a-presidenta-esta-nua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5062","title":{"rendered":"A presidenta est\u00e1 nua"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>CORREIO DA CIDADANIA<\/strong><\/p>\n<p>Desta vez, foram multid\u00f5es, e n\u00e3o uma crian\u00e7a, que gritaram, impiedosas, o \u201crei est\u00e1 nu\u201d, pondo fim \u00e0s constru\u00e7\u00f5es fantasmag\u00f3ricas sobre o sucesso social do modo de governar petista. Conto da carochinha divulgado pela grande m\u00eddia no pa\u00eds e no mundo, j\u00e1 que celebrava o sucesso de administra\u00e7\u00e3o convertida ao social-liberalismo. Apesar dos gritos populares crescentes sobre sua impudic\u00edcia, Dilma manteve-se quietinha, fazendo-se de morta, rezando para que acreditassem que a luta contra o aumento das passagens n\u00e3o lhe dizia respeito.<\/p>\n<p>As multid\u00f5es desbordantes\u00a0<em>puteavam<\/em> os aumentos dos transportes e os est\u00e1dios fara\u00f4nicos, apontando para a indecente degrada\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas. Muito logo, registraram em forma desorganizada a insatisfa\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es gerais de exist\u00eancia, sobretudo nas grandes metr\u00f3poles. Rolaram pelo ralo das elucubra\u00e7\u00f5es marqueteiras as propostas do Brasil pot\u00eancia, pa\u00eds onde dominaria majoritariamente pujante nova classe m\u00e9dia, que entrava garbosamente no mercado consumidor, arrancada da pen\u00faria pelos doze anos de reino petista.<\/p>\n<p>A sustenta\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o nacional por meio de consumo financiado, sem expans\u00e3o substantiva do valor dos sal\u00e1rios, tencionara a economia popular e o tecido metropolitano, atulhado de autom\u00f3veis, com meios de transporte caros e deficientes e popula\u00e7\u00e3o trabalhadora enviada \u00e0s periferias distantes. As popula\u00e7\u00f5es urbanas levantavam-se contra a proposta social perversa de que pagassem o transporte, o col\u00e9gio privado, o plano de sa\u00fade, a seguran\u00e7a e os\u00a0<em>cambaus<\/em>, com seus magros sal\u00e1rios, para a alegria de insaci\u00e1veis interesses privados.<\/p>\n<p><strong>Reelei\u00e7\u00e3o garantida<\/strong><\/p>\n<p>Para reeleger-se, Dilma Rousseff apostou todas as suas fichas na interpreta\u00e7\u00e3o dos interesses privados dominantes, nacionais e internacionais. Construiu mega-minist\u00e9rio de quase quarenta picaretas e base parlamentar de centenas de outros roedores. Seguiu privatizando, sem pena, bens p\u00fablicos, como aeroportos, portos, petr\u00f3leo, estradas, ferrovias.. Fez do BNDES sucursal do grande capital, patrocinando em primeira pessoa aventureiros como Eike Baptista, o inacredit\u00e1vel senhor das empresas X.<\/p>\n<p>A presidente fechou a cara para os anseios populares e nacionais. No altar do agroneg\u00f3cio, sob os ausp\u00edcios da bruxa de Abreu, sacrificou as reivindica\u00e7\u00f5es dos, e, se preciso, os sem-terra, quilombolas e nativos. Seduziu os fundamentalistas, vestindo as pudicas vestes de primeira carola nacional. Pisoteou sem d\u00f3 o laicismo e direitos c\u00edvicos nacionais: interrup\u00e7\u00e3o da gravidez; criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia; casamento homoafetivo; isen\u00e7\u00e3o fiscal, direitos e privil\u00e9gios legislativos e de Estado para lideran\u00e7as fundamentalistas etc. Liquidou o pouco de independ\u00eancia que mantinha a pol\u00edtica externa brasileira. Cria sua reelei\u00e7\u00e3o certa e segura.<\/p>\n<p>Tudo inutilmente. Ao explodir, o desgosto popular farejou culpados subalternos para terminar apontando para o governo federal, respons\u00e1vel maior pelo destino da na\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, das elevadas alturas, as avalia\u00e7\u00f5es de Dilma Rousseff despencaram ladeira abaixo. Pior ainda, no calor da crise, a presidenta exp\u00f4s seu enorme despreparo para enfrentar semelhantes conjunturas. A lembran\u00e7a de Lula da Silva como eventual candidato em 2014 confirmou a cabotinice do ex-presidente em designar substituta pouco qualificada para posto ao qual sonha retornar.<\/p>\n<p>Surpreendida em pleno abandono da orienta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>neodesenvolvimentista<\/em>, Dilma Rousseff prosseguiu, sem corre\u00e7\u00e3o de rumo, a orienta\u00e7\u00e3o autista e conservadora de sua administra\u00e7\u00e3o. No dia 24, monologou com a na\u00e7\u00e3o, propondo cinco pactos nacionais. Iniciou pelo fiscal, ou seja, pela promessa ao grande capital de conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos e cortes de investimentos. Portanto, deixou\u00a0de sa\u00edda\u00a0claro que eram ret\u00f3ricas as promessas referentes \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e transportes ..<\/p>\n<p>Com enorme sem-cerim\u00f4nia, limitou-se a reafirmar projetos anteriores sobre a educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Relembrou as propostas de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos estrangeiros, de amplia\u00e7\u00e3o das vagas nas escolas de medicina, de desonera\u00e7\u00f5es de impostos do transporte p\u00fablico, de emprego de 100% dos royalties do petr\u00f3leo para a educa\u00e7\u00e3o \u2500 ou seja, bem menos de 10% da renda petrol\u00edfera entregue ao grande capital privado.<\/p>\n<p><strong>Pega-bobo eleitoral<\/strong><\/p>\n<p>De novo, apenas a proposta retirada do bolso do colete de seus marqueteiros de plebiscito sobre constituinte restrita que abordasse a &#8230; reforma pol\u00edtica, eterna preocupa\u00e7\u00e3o das classes dominantes, necess\u00e1ria ao reequil\u00edbrio da express\u00e3o de suas for\u00e7as e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da desprestigiada democracia representativa. Paradoxalmente, quest\u00e3o com alguma resson\u00e2ncia nos setores sociais atrasados, incorporados \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es ap\u00f3s sua massifica\u00e7\u00e3o, setores sob a influ\u00eancia da m\u00eddia e dos partidos da direita tradicional.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o exige passagem livre e hospitais, farm\u00e1cias, escolas, universidades, postos de sa\u00fade p\u00fablicos de qualidade. A presidenta oferece a discuss\u00e3o das coliga\u00e7\u00f5es; listas eleitorais; voto distrital puro ou misto etc. Pega-bobo lan\u00e7ado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o enfarada com a representa\u00e7\u00e3o parlamentar burguesa, que sonha, ingenuamente, como meio de reforma social, a redu\u00e7\u00e3o radical do n\u00famero, sal\u00e1rios e privil\u00e9gios de parlamentares, secret\u00e1rios, ministros, caso n\u00e3o possa fazer mais.<\/p>\n<p>A reforma pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 pauta popular. \u00c9 enorme o consenso que,\u00a0<em>mutatis mutandis<\/em>, tudo permanecer\u00e1, no essencial, como \u201cdantes, em nosso triste quartel de Abrantes\u201d! Sequer o financiamento p\u00fablico das campanhas, proposta querida dos partidos de esquerda seduzidos pela integra\u00e7\u00e3o parlamentar ao Estado, conta com largo apoio. Com raz\u00e3o, teme-se financiamento p\u00fablico milion\u00e1rio de partidos, reais e bi\u00f4nicos, associado ao financiamento privado direto ou indireto, por de baixo do poncho!<\/p>\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o da constituinte seletiva para a reforma pol\u00edtica pelos \u00f3rg\u00e3os m\u00e1ximos das classes dominantes nacionais ensejou que fosse substitu\u00edda por proposta ainda mais acanhada e esdr\u00faxula, de pronunciamento plebiscit\u00e1rio sobre quest\u00f5es apresentadas pelos picaretas no congresso e no governo! Tudo feito logo, logo, para que a presidenta chegue em 2014 com algo nas m\u00e3os, al\u00e9m dos previstos aumentos do juro b\u00e1sico e super\u00e1vit prim\u00e1rio; cortes nos gastos p\u00fablicos; arrocho do sal\u00e1rio m\u00ednimo; interrup\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria; descumprimento da agenda civil nacional etc.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 inoc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se creia que a manipula\u00e7\u00e3o plebiscit\u00e1ria seja iniciativa despida de car\u00e1ter performativo. As manifesta\u00e7\u00f5es fluviais redefiniram a correla\u00e7\u00e3o social de for\u00e7as no Brasil, comprovando a capacidade popular de pautar a vida pol\u00edtico-social e de arrancar conquistas substanciais \u00e0s classes dominantes. Entretanto, entraram j\u00e1 no inevit\u00e1vel ciclo regressivo, sobretudo devido \u00e0 inexist\u00eancia de pauta program\u00e1tica exequ\u00edvel, por al\u00e9m da conquistada redu\u00e7\u00e3o do valor das passagens nas grandes e m\u00e9dias metr\u00f3poles, e de dire\u00e7\u00e3o aut\u00eantica centralizadora.<\/p>\n<p>Inexist\u00eancia de pauta program\u00e1tica unificada devido, sobretudo, \u00e0 paradoxal aus\u00eancia da classe oper\u00e1ria organizada. Aus\u00eancia para a qual contribuiu substantivamente a a\u00e7\u00e3o da venal dire\u00e7\u00e3o governista da CUT, que reina monopolicamente sobre a grande central, sobretudo ap\u00f3s a multiplica\u00e7\u00e3o oportunista e interessada de centrais, que registraram na presente conjuntura sua total inoper\u00e2ncia social e pol\u00edtica \u2013 For\u00e7a Sindical, UGT, CTB e Nova Central, al\u00e9m de CSP-Conlutas, CSB e CGTB.<\/p>\n<p>Vendo minimizado seu poder de barganha, quando j\u00e1 se chamavam greves gerais pelo facebook, a dire\u00e7\u00e3o da CUT disp\u00f4s-se a ingressar com barulho no coliseu da luta social. Desde que os gladiadores e os le\u00f5es tivessem se retirado da arena, \u00e9 claro. Preocupada em n\u00e3o qualificar o movimento popular com o ingresso dos trabalhadores organizados, chamou suas tropas \u201cpara dia nacional de luta\u201d, e n\u00e3o para greve geral, marcado para o ent\u00e3o distante 11 de julho. Esperam realizar parada prestigiosa e certamente n\u00e3o combativa mobiliza\u00e7\u00e3o para a\u00a0luta.<\/p>\n<p>Uma aposta cuidadosa, que comporta grandes riscos. Se for demasiadamente t\u00edmida e n\u00e3o se aproximar da dimens\u00e3o das passadas concentra\u00e7\u00f5es populares, a demonstra\u00e7\u00e3o enfatizar\u00e1 a recente marginaliza\u00e7\u00e3o do movimento sindical organizado. Se for grande a ades\u00e3o de trabalhadores e populares, o \u201cdia nacional de protesto\u201d dar\u00e1 um novo impulso \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es anti-governamentais e antissistema. Ainda mais que a popula\u00e7\u00e3o pode se servir da respeitosa pauta de reivindica\u00e7\u00e3o da CUT para armar-se de real programa para a\u00a0luta social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No seu respeito canino ao governo federal, a burocracia cutista sequer integrou \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es do dia 11 o aumento imediato do miser\u00e1vel sal\u00e1rio m\u00ednimo, cancelamento das concess\u00f5es petrol\u00edferas, nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bens\u00a0p\u00fablicos privatizados e dos meios de transporte. Para n\u00e3o falar da luta pela convoca\u00e7\u00e3o de Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, ampla, geral e irrestrita, com direito democr\u00e1tico de elei\u00e7\u00e3o dos constituintes, que entregue \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nacional enfarada com as atuais institui\u00e7\u00f5es elitistas o direito soberano de decidir seus destinos \u00ad\u2013 pagamento da d\u00edvida, nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, estatiza\u00e7\u00e3o do transporte etc.<\/p>\n<p><strong>Novo per\u00edodo<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos em junho as mais poderosas mobiliza\u00e7\u00f5es jamais conhecidas no Brasil. Por sua autonomia e seu car\u00e1ter combativo e antissistema, superam qualitativamente as marchas pelas Diretas J\u00e1, de 1983-84, sob o total controle dos partidos oposicionistas, ou as de Fora Collor, de 1992, dirigidas pelos partidos e, sobretudo, pela grande m\u00eddia, com destaque para a\u00a0<em>pentida<\/em> Rede Globo, em momento em que o\u00a0<em>impeachment<\/em> era inevit\u00e1vel. Essas jornadas registram importantes modifica\u00e7\u00f5es na consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o brasileira concentrada nas grandes metr\u00f3poles, ensejadas pela amplia\u00e7\u00e3o do assalariamento e instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fortaleceu-se enormemente o movimento social, que depois de d\u00e9cadas pautou novamente as classes dominantes, obrigando a m\u00eddia conservadora a contor\u00e7\u00f5es verdadeiramente indecorosas. Fortaleceu-se tamb\u00e9m a capacidade de interven\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o conservadora, atrav\u00e9s principalmente das redes sociais e de segmentos sociais m\u00e9dios. O que permitiu que o petismo e o governismo iniciassem a velha gritaria de \u201cSocorro! Olha o lobo\u201d, sobre poss\u00edvel golpe direitista. Algo talvez compreens\u00edvel, j\u00e1 que habituados a manter o grosso da direita brasileira, legal ou ilegalmente, como aliados assalariados de sua base parlamentar. Proliferaram as propostas de frente, de alian\u00e7a e de pactos de esquerda contra a direita fascista, procurando desviar os golpes do governo do capital de turno.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer perigo de golpe de Estado. Como Lula da Silva, Dilma Rousseff foi escolhida como representante da ditadura\u00a0<em>democr\u00e1tica <\/em>do capital no Brasil, e permanece como tal. Que proporia o novo governo direitista: a privatiza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo; o pagamento disciplinado do capital financeiro; a prote\u00e7\u00e3o canina do agroneg\u00f3cio? O descontrole do petismo sobre as grandes massas urbanas abre, isto sim, espa\u00e7o para que partidos da direita tradicional proponham-se como melhores defensores do capital e da propriedade. Como permite que eventualmente se expandam as exig\u00eancias de fac\u00e7\u00f5es do capital para manter seu apoio ao governo, como j\u00e1 ocorre.<\/p>\n<p>O novo per\u00edodo fortalece tamb\u00e9m propostas concorrentes ao petismo, como a ensaiada pela Rede, de Marina da Silva, sob o patroc\u00ednio do capitalismo verde, ou de cunho populista-autorit\u00e1rio, como eventual composi\u00e7\u00e3o eleitoral organizada em torno do histri\u00f4nico Joaquim Barbosa, pela grande m\u00eddia burguesa. Ou seja, um Collor bis. Esta \u00faltima menos prov\u00e1vel, mas n\u00e3o imposs\u00edvel, no contexto de eventual perda de controle do capital da pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es apresentaram fortes li\u00e7\u00f5es para as organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam da esquerda revolucion\u00e1ria. Naufragam espetacularmente as alimentadas ilus\u00f5es da autoproclamada vanguarda de conquistar, apoiada em consignas e programas iluminados, a dire\u00e7\u00e3o das massas em marcha. As popula\u00e7\u00f5es apoiam-se nas lideran\u00e7as, organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia que possuem, ao iniciarem sua marcha. Quem n\u00e3o conquistar representa\u00e7\u00e3o substantiva do movimento social, antes de ele p\u00f4r-se em movimento, ser\u00e1 mantido \u00e0 sua margem ou arrasado por seu impulso.<\/p>\n<p>Acima de tudo, milh\u00f5es e milh\u00f5es de brasileiros foram atra\u00eddos para a pol\u00edtica, mesmo quando a desqualificavam, ao participarem direta e indiretamente nas mobiliza\u00e7\u00f5es de junho. Rompeu-se poderosamente o comodismo, a descren\u00e7a, o individualismo, a despolitiza\u00e7\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o, cultivados carinhosamente pelas classes dominantes atrav\u00e9s de seus administradores, parlamentares, partidos, universidades e grandes meios de divulga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estamos na v\u00e9spera ou antev\u00e9spera da revolu\u00e7\u00e3o social. Mas abre-se diante de n\u00f3s um campo fertil\u00edssimo para o cultivo do futuro.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Maestri, 65,\u00a0\u00e9 historiador e professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UPF. 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