{"id":5079,"date":"2013-07-12T18:56:12","date_gmt":"2013-07-12T18:56:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5079"},"modified":"2013-07-12T18:56:12","modified_gmt":"2013-07-12T18:56:12","slug":"pela-livre-manifestacao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5079","title":{"rendered":"Pela livre manifesta\u00e7\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"\n<p>O Grupo Tortura Nunca Mais\/RJ &#8211; GTNM\/RJ que, h\u00e1 28 anos, luta pela mem\u00f3ria hist\u00f3rica do per\u00edodo da ditadura (1964-1985), pelo esclarecimento das circunst\u00e2ncias de morte e desaparecimento dos militantes pol\u00edticos daquele per\u00edodo, e contra todas as formas da viol\u00eancia atual, principalmente a estatal, participa do grande movimento popular que se alastra pelo Brasil contra todas as suas mazelas, e se pronuncia contra a trucul\u00eancia policial que se abate sobre os manifestantes.<\/p>\n<p>O movimento que se iniciou em junho tomou uma grande dimens\u00e3o e atravessa toda a sociedade brasileira S\u00e3o milh\u00f5es de pessoas, de norte a sul do pa\u00eds, em passeatas pac\u00edficas nas ruas, que est\u00e3o se manifestando por melhorias na mobilidade urbana, na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, exigindo maior transpar\u00eancia no uso do dinheiro p\u00fablico, entre outras reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O aspecto que mais deve ser destacado \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias e das for\u00e7as militares inclusive com o apoio de seus sistemas de informa\u00e7\u00e3o a esses eventos. Em todos os contextos, a viol\u00eancia ultrapassou qualquer n\u00edvel de aceitabilidade por parte de sociedade.<\/p>\n<p>O exemplo da cidade do Rio de Janeiro, no dia 20 de junho, onde tivemos, certamente, a maior manifesta\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos tempos, \u00e9 estarrecedor: Sobre os manifestantes, constituiu-se uma a\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o em larga escala, que utilizou todos os meios para, sistematicamente, agredir a popula\u00e7\u00e3o. Podemos falar tranquilamente numa suspens\u00e3o de qualquer norma ou garantia individual ou coletiva que pudesse oferecer qualquer limite para essa a\u00e7\u00e3o. Mais parecia um Estado de S\u00edtio, ou de Exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o declarado, sobre regi\u00f5es inteiras do Centro da Cidade e de Bairros da Zona Sul. Os relatos colhidos informam ataques com bombas contra transeuntes em hospitais, bares e restaurantes, ou mesmo contra pessoas em pra\u00e7as a quil\u00f4metros das manifesta\u00e7\u00f5es, assim como, pris\u00f5es praticadas aleatoriamente. Assistimos ainda a dois casos estarrecedores, em que a pol\u00edcia sitiou pessoas em pr\u00e9dios federais da UFRJ, e em restaurantes, em que foi preciso a interven\u00e7\u00e3o de advogados da OAB\/RJ para que essas pessoas pudessem retornar com seguran\u00e7a para suas casas.<\/p>\n<p>Vale ressaltar tamb\u00e9m a desastrosa incurs\u00e3o no Complexo da Mar\u00e9, ap\u00f3s uma manifesta\u00e7\u00e3o na Av. Brasil\/RJ, nos dias 24 e 25 de junho, por policiais militares do Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Policiais Especiais (Bope), Batalh\u00e3o de A\u00e7\u00f5es com C\u00e3es (BAC) e Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia de Choque (BPChoque). A a\u00e7\u00e3o resultou na morte de nove moradores e um sargento do Bope. A popula\u00e7\u00e3o ficou aterrorizada, as aulas foram suspensas nas escolas da regi\u00e3o, o com\u00e9rcio local foi fechado, moradores ficaram sitiados em seus lares, casas e ruas ficaram \u00e0s escuras e v\u00e1rias pessoas feridas. A justificativa oficial, como sempre, foi o combate ao tr\u00e1fico e pris\u00e3o de criminosos. Nada justifica esse massacre, com total desrespeito aos moradores da Mar\u00e9.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o tamb\u00e9m tem nos estarrecido: a presen\u00e7a de elementos nitidamente fascistas nessas manifesta\u00e7\u00f5es. Podemos chamar de um fascismo difuso e desorganizado, que atinge manifestantes de partidos e movimentos sociais. Eles t\u00eam sofrido agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais, assim como t\u00eam de lutar fisicamente para manter erguidas suas bandeiras e portarem suas identifica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Casos mais graves foram noticiados em abund\u00e2ncia nas cidades de Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Cabe ao GTNM-RJ denunciar a atitude absolutamente inaceit\u00e1vel do aparato repressivo do Estado. Entendemos que essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel, n\u00e3o pode jamais se repetir e deve ser seguida de uma ampla responsabiliza\u00e7\u00e3o de todos os agentes envolvidos nessa a\u00e7\u00e3o coordenada de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Denunciamos e repudiamos tamb\u00e9m o papel da grande m\u00eddia que de todas as formas tenta adjetivar os movimentos de forma negativa e caracteriz\u00e1-los como criminosos. Em muitos momentos, as bandeiras e demandas dos movimentos sociais foram distorcidas ou parcialmente apresentadas.<\/p>\n<p>Consideramos de fundamental import\u00e2ncia que os movimentos sociais se incluam nestas manifesta\u00e7\u00f5es com as suas reivindica\u00e7\u00f5es e, nesse sentido, o GTNM\/RJ j\u00e1 est\u00e1 participando e percebendo a mobiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores organizados da sociedade.<\/p>\n<p><strong>Pela abertura de todos os arquivos da ditadura<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pelo cumprimento integral das decis\u00f5es da OEA contra o Estado brasileiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo a viol\u00eancia policial contra os manifestantes<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela Vida, Pela Paz, Tortura Nunca Mais!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rio de Janeiro, julho de 2013<\/strong><\/p>\n<p><strong>Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Abaixo a trucul\u00eancia policial\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5079\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-5079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1jV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}