{"id":5095,"date":"2013-07-15T16:15:38","date_gmt":"2013-07-15T16:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5095"},"modified":"2013-07-15T16:15:38","modified_gmt":"2013-07-15T16:15:38","slug":"documentario-retrata-territorios-palestinos-como-laboratorio-para-industria-belica-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5095","title":{"rendered":"Document\u00e1rio retrata territ\u00f3rios palestinos como laborat\u00f3rio para ind\u00fastria b\u00e9lica de Israel"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>&#8220;The Lab&#8221;, do diretor Yotam Feldman, mostra como guerras ajudam no aumento das vendas de armamentos do pa\u00eds. Um dos maiores importadores da ind\u00fastria militar israelense \u00e9 o Brasil. De acordo com Feldman, o Brasil compra avi\u00f5es n\u00e3o tripulados, m\u00edsseis e programas de treinamentos especializados de empresas israelenses, tanto privadas como estatais.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O document\u00e1rio <em>The Lab<\/em> (O Laborat\u00f3rio, em tradu\u00e7\u00e3o livre), do diretor israelense Yotam Feldman, exp\u00f5e a alta lucratividade dos &#8220;testes&#8221; realizados pelo Ex\u00e9rcito de Israel nos territ\u00f3rios palestinos, para a ind\u00fastria militar do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o filme, realizado com o apoio do canal 8 da TV israelense, a cada opera\u00e7\u00e3o militar, novas armas s\u00e3o testadas, gerando um aumento direto das vendas no mercado internacional.<\/p>\n<p>Feldman, de 32 anos, trabalhou tr\u00eas anos e meio para produzir o filme, de 58 minutos, no qual entrevista figuras-chave da ind\u00fastria b\u00e9lica israelense.<\/p>\n<p>Alguns dos personagens s\u00e3o militares da reserva e outros s\u00e3o exportadores e empres\u00e1rios. Todos falam abertamente sobre seu ramo de trabalho e exp\u00f5em vis\u00f5es de mundo diversas.<\/p>\n<p>&#8220;Quis fazer um filme sobre esse assunto, que \u00e9 duro, mas sem cair nos clich\u00eas&#8221;, disse Feldman a <strong>Opera Mundi<\/strong>. &#8220;Escolhi os personagens que me pareceram mais sinceros e que foram capazes de falar com mais desenvoltura sobre seus neg\u00f3cios.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o diretor, durante a pesquisa para fazer o filme, ele se convenceu de que &#8220;a prosperidade da economia israelense n\u00e3o ocorre apesar das guerras, mas sim, em grande parte, em decorr\u00eancia das guerras&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na minha pesquisa descobri que, do ponto de vista econ\u00f4mico, as guerras n\u00e3o s\u00e3o uma carga, mas uma fonte de lucro.\u201d<\/p>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Feldman explica que n\u00e3o h\u00e1 necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre a motiva\u00e7\u00e3o para as guerras e os lucros econ\u00f4micos, ou seja, ele n\u00e3o afirma que Israel inicia guerras supostamente para obter benef\u00edcios financeiros.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas constato que, ap\u00f3s cada guerra, na qual s\u00e3o testadas novas armas, as vendas dessas armas aumentam e os lucros s\u00e3o muito grandes&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Hipocrisia&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Um dos personagens principais do document\u00e1rio, o general Yoav Galant, aponta o que chama de &#8220;hipocrisia&#8221; da comunidade internacional.<\/p>\n<p>&#8220;Eles denunciam as opera\u00e7\u00f5es militares de Israel, mas depois todos v\u00eam aqui comprar nossas armas&#8221;, afirma Galant, que foi chefe do Comando Sul do Ex\u00e9rcito de Israel e um dos principais planejadores da chamada Opera\u00e7\u00e3o Chumbo Fundido, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos na Faixa de Gaza e 13 mortos do lado israelense.<\/p>\n<p>Depois dessa ofensiva, que come\u00e7ou em dezembro de 2008 e terminou em janeiro de 2009, as exporta\u00e7\u00f5es de armas israelenses para dezenas de pa\u00edses aumentaram em 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Hoje em dia as vendas do setor b\u00e9lico s\u00e3o calculadas em 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que representa cerca de 20% do total das exporta\u00e7\u00f5es israelenses.<\/p>\n<p>De acordo com Ehud Barak, que foi ministro da Defesa de 2007 a 2013, cerca de 150.000 fam\u00edlias em Israel (quase 1 milh\u00e3o dos 8 milh\u00f5es de habitantes) se sustentam da ind\u00fastria militar.<\/p>\n<p>&#8220;De certa forma, toda a sociedade israelense sai ganhando com a exporta\u00e7\u00e3o militar, que, por sua vez, ganha credibilidade com os &#8216;testes&#8217; realizados nas guerras&#8221;, afirma Feldman, que tamb\u00e9m menciona o fato de muitos dos fundos de pens\u00e3o no pa\u00eds investirem nas a\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas de empresas militares.<\/p>\n<p>Em um dos trechos do filme, o ex-ministro da Defesa Binyamin Ben Eliezer afirma que outros pa\u00edses &#8220;gostam de comprar armas que j\u00e1 foram testadas, nossa experi\u00eancia traz bilh\u00f5es de d\u00f3lares para Israel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se algum dia tivermos paz e perdermos o &#8216;laborat\u00f3rio&#8217; em Gaza e na Cisjord\u00e2nia, com certeza esses lucros v\u00e3o se reduzir significativamente&#8221;, disse Feldman.<\/p>\n<p>Segundo a revista brit\u00e2nica especializada em assuntos militares, a<em> Jane&#8217;s IHS<\/em>, Israel \u00e9 o sexto exportador de armas do mundo e, desde 2008, o volume de neg\u00f3cios do pa\u00eds nesse setor aumentou em 74%.<\/p>\n<p><strong>Filosofia militar<\/strong><\/p>\n<p>Outro personagem do document\u00e1rio \u00e9 o fil\u00f3sofo militar Shimon Naveh. Naveh colabora no planejamento estrat\u00e9gico &#8220;filos\u00f3fico&#8221; do Ex\u00e9rcito de Israel e foi um dos autores do que chamou de t\u00e1tica &#8220;fractal&#8221; na ocupa\u00e7\u00e3o da Kasbah (centro hist\u00f3rico) da cidade palestina de Nablus, na Cisjord\u00e2nia, em 2002.<\/p>\n<p>Em abril daquele ano, depois de uma onda de atentados suicidas nas grandes cidades israelenses, o governo, ent\u00e3o chefiado pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, resolveu reocupar todas as cidades palestinas que haviam sido entregues \u00e0 Autoridade Palestina, comandada por Yasser Arafat.<\/p>\n<p>O plano &#8220;fractal&#8221; do fil\u00f3sofo Naveh consistiu em ocupar o centro antigo de Nablus, com suas ruelas estreitas, por interm\u00e9dio da invas\u00e3o das casas palestinas, sendo que a passagem de uma casa a outra foi feita atrav\u00e9s de buracos detonados por explosivos nas paredes.<\/p>\n<p>Segundo Naveh, com essa t\u00e1tica o Ex\u00e9rcito israelense conseguiu surpreender e derrotar os combatentes palestinos que haviam se preparado para uma invas\u00e3o pelas ruas.<\/p>\n<p>&#8220;Viramos o jogo&#8221;, disse Naveh, &#8220;deixamos as ruas vazias e entramos pelas paredes&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com Naveh, esse e muitos outros m\u00e9todos s\u00e3o ensinadas por treinadores israelenses a oficiais de muitos ex\u00e9rcitos do mundo que v\u00eam aprender em Israel.<\/p>\n<p><strong>Treinamento israelense para o BOPE<\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores importadores da ind\u00fastria militar israelense \u00e9 o Brasil. De acordo com Feldman, o Brasil compra avi\u00f5es n\u00e3o tripulados, m\u00edsseis e programas de treinamentos especializados de empresas israelenses, tanto privadas como estatais.<\/p>\n<p>Um dos principais exportadores para o Brasil \u00e9 o israelense-argentino Leo Gleser, que esteve envolvido no treinamento do BOPE antes da pacifica\u00e7\u00e3o das favelas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;A semelhan\u00e7a f\u00edsica entre as Kasbas (centros hist\u00f3ricos) das cidades palestinas e as favelas brasileiras \u00e9 muito grande&#8221;, disse Feldman. \u201cOs campos de refugiados palestinos, com suas ruelas estreitas, tamb\u00e9m s\u00e3o muito parecidos com as favelas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, a experi\u00eancia de Israel nos territ\u00f3rios palestinos \u00e9 relevante para o BOPE&#8221;.<\/p>\n<p>Parte do filme se passa no Complexo do Alem\u00e3o, onde Leo Gleser \u00e9 visto sendo calorosamente recebido por oficiais brasileiros que confirmam ter sido treinados por empresas israelenses.<\/p>\n<p>Em uma das cenas, o exportador toma uma caipirinha com Feldman em um bar no Rio de Janeiro. \u00a0O diretor lhe pergunta se ele n\u00e3o sente alguma contradi\u00e7\u00e3o entre seu duro ramo de neg\u00f3cios, &#8220;que mata muita gente&#8221;, e seu car\u00e1ter simp\u00e1tico, &#8220;como pai e av\u00f4 carinhoso&#8221;.<\/p>\n<p>Gleser retruca com perguntas: &#8220;Voc\u00ea acha que a vida \u00e9 uma caixa de bombons? Quando voc\u00ea era pequeno sua m\u00e3e n\u00e3o limpava seu coc\u00f4?&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o crio a merda, apenas trabalho para transform\u00e1-la em um pacote menor e menos fedorento&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Postado: <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/29695\/documentario+retrata+territorios+palestinos+como+laboratorio+para+industria+belica+de+israel.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/operamundi.uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5095\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5095","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1kb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}