{"id":5105,"date":"2013-07-16T23:32:55","date_gmt":"2013-07-16T23:32:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5105"},"modified":"2013-07-16T23:32:55","modified_gmt":"2013-07-16T23:32:55","slug":"o-avanco-dos-setores-conservadores-e-as-lutas-populares-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5105","title":{"rendered":"O AVAN\u00c7O DOS SETORES CONSERVADORES E AS LUTAS POPULARES DE 2013"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma honra ter sido convidada para falar durante\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte. \u00c9 como professora (aposentada na UFMG e hoje na Miltom Campos) e militante social desde os anos 1960 que venho falar aqui.<\/p>\n<p>Desde a primeira manifesta\u00e7\u00e3o em BH no dia 15 de junho, quando tr\u00eas convoca\u00e7\u00f5es se unificaram: as mulheres contra o estatuto do nascituro, o COPAC e o Mov. Passe Livre, at\u00e9 a\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara pela redu\u00e7\u00e3o da tarifa e pela diminui\u00e7\u00e3o do ganho dos donos de empresas de \u00f4nibus,o movimento fez historia! Lembremos que\u00a0essas manifesta\u00e7\u00f5es integram as manifesta\u00e7\u00f5es populares em todo o Brasil<a>[1]<\/a>, que inicialmente surgiram para contestar os aumentos nas tarifas de transporte p\u00fablico, principalmente em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro (em algumas vezes reunindo mais de um milh\u00e3o de pessoas!).\u00a0Essas lutas, no entanto, ganharam forte apoio popular no pa\u00eds inteiro, depois da repress\u00e3o violenta e desproporcional promovida pelas pol\u00edcias dos governos estaduais e do governo federal contra as passeatas.<\/p>\n<p>Na verdade, estamos assistindo e vivenciando a um incr\u00edvel movimento popular de massas, que ocorre segundo uma l\u00f3gica inovadora de rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, de forma horizontal, com base em solidariedades diversas. Tudo isso com formas de express\u00e3o bastante simples, mas muito eficazes: pequenos cartazes com as\u00a0reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0mais diferenciadas! Partiu de lutas e reivindica\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes e com o uso massivo da internet como meio de qualificar e massificar as a\u00e7\u00f5es de rua. O que ent\u00e3o est\u00e1 nascendo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de novas formas organizadas de se fazer pol\u00edtica, ao contr\u00e1rio do que a grande m\u00eddia vem dizendo, ao afirmar que se trata de um movimento sem lideran\u00e7as e desorganizado.<\/p>\n<p>Ora, tais movimentos, sob a lideran\u00e7a de jovens, est\u00e3o recuperando a capacidade de sonhar, a capacidade de ir alem do que est\u00e1 dado, de querer mais, de querer o\u00a0imposs\u00edvel! Uma filosofa da Hungria (na Europa), chamada Agnes Heller, j\u00e1 dizia mesmo que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada mais real que o imposs\u00edvel!\u201d.\u00a0 A gera\u00e7\u00e3o dos anos 60 e 70, que foi para as ruas, lutou pela\u00a0puni\u00e7\u00e3o\u00a0para os torturadores que assassinaram militantes sociais durante a Ditadura Militar no Brasil (1964-1984); pelo direito de garantir as terras para quem nela trabalha; de garantir as terras para o povo que vivia neste pa\u00eds muito antes de ele ser invadido pela\u00a0expans\u00e3o\u00a0do capitalismo europeu. Sonhamos e lutamos pelo direito \u00e0\u00a0sa\u00fade,\u00a0\u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u00a0p\u00fablica gratuita e de qualidade; por transportes coletivos de qualidade e gratuitos; por melhores\u00a0sal\u00e1rios, por uma sociedade justa e igual. Para muitos, estas lutas inclu\u00edam o direito de fumar maconha; o direito das mulheres andarem vestidas como quisessem sem serem agredidas; ou pelo direito de escolherem fazer aborto ou\u00a0n\u00e3o\u00a0(imaginem quando ele \u00e9 fruto de um estupro?). O direito de vender nas ruas o artesanato. Enfim, houve muita luta para vermos nosso povo livre e vivendo com dignidade!!<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os atuais acampamentos, as manifesta\u00e7\u00f5es de massas nas ruas, o enfrentamento com a repress\u00e3o, atrapalharam o tr\u00e2nsito e a rotina de pessoas. E, em algumas vezes, tais a\u00e7\u00f5es incomodaram parte da sociedade. Mas acredito que estas manifesta\u00e7\u00f5es v\u00eam obrigando a muitos a olharem para dentro de suas\u00a0pr\u00f3prias\u00a0vidas e ver a \u201cpobreza e mediocridade de seu dia a dia\u201d. Ver uma vida com pouca qualidade e voltada para um consumo vazio, provocado pelas propagandas empresariais televisivas. Quem sabe o grande valor desses novos movimentos seja o de mostrar a muitas pessoas que elas desaprenderam a sonhar&#8230;..<\/p>\n<p>Outra importante conseq\u00fc\u00eancia pol\u00edtica foi incomodar a muitos que j\u00e1 lutaram, que est\u00e3o em partidos que se denominam de \u201cesquerda\u201d e que agora, nos governos federal, estaduais e\/ou municipais, est\u00e3o a servi\u00e7o de um poder que na verdade pertence aos capitalistas. Estes ex-representantes dos trabalhadores e do povo pobre t\u00eam como discurso \u201cos grandes avan\u00e7os como o crescimento\u00a0econ\u00f4mico, a\u00a0propaganda da redu\u00e7\u00e3o\u00a0das desigualdades, por meio, por exemplo, do bolsa\u00a0fam\u00edlia, da\u00a0 \u00a0expans\u00e3o\u00a0do consumo, da\u00a0redu\u00e7\u00e3o\u00a0do desemprego; ou da democratiza\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0educa\u00e7\u00e3o\u00a0b\u00e1sica, da\u00a0amplia\u00e7\u00e3o\u00a0do acesso ao ensino superior, da\u00a0cria\u00e7\u00e3o\u00a0de conselhos e conferencias sobre todos os assuntos.\u201d E propagandeiam que \u201cnunca antes neste pa\u00eds\u201d o povo esteve tao bem.<\/p>\n<p>Mas parece que a realidade da vida nua e crua foi sentida pela popula\u00e7\u00e3o jovem, o que fez com que enchessem as ruas do pa\u00eds.\u00a0\u00a0E n\u00e3o \u00e9 para menos. Estudo divulgado em 2012 pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e pela Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o<a>[2]<\/a> mostra que jovens de 15 a 17 anos\u00a0\u00a0representam 42% dos\u00a03,7 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o fora da escola no Brasil. E tamb\u00e9m se ufanam com a universaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica mesmo sabendo que o d\u00e9ficit de creches \u00e9 na ordem de 19 mil, que a Presidenta Dilma em campanha eleitoral prometeu construir 6 mil, e que, em dois anos de governo, construiu apenas 7 no pa\u00eds inteiro. E o \u00edndice alfabetismo funcional? E na educa\u00e7\u00e3o superior com o Prouni, financiando prec\u00e1rias escolas particulares. E, o Mapa da Viol\u00eancia no Brasil mostra\u00a0que os mortos de forma violenta s\u00e3o jovens, negros e de baixa renda. Temos tamb\u00e9m acompanhado as manifesta\u00e7\u00f5es dos ind\u00edgenas, quilombolas, sem terra, ribeirinhos atingidos violentamente pelas mega obras e pelo agro negocio.<\/p>\n<p>Apesar de toda a campanha midi\u00e1tica da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, ela tem ocorrido de forma tao lenta, que n\u00e3o melhora a classifica\u00e7\u00e3o mundial do Brasil pois os outros pa\u00edses tem melhorado de forma mais r\u00e1pida Assim, apesar de ser a 6\u00aa. Economia do mundo, na lista do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU,\u00a0 ocupa o 85 lugar muito atras da Argentina (45 lugar), ou do M\u00e9xico (61 lugar), ou da Venezuela (71). Direitos sociais, conquistados ao longo de nossa historia, foram retirados atingindo especialmente os idosos e mais jovens. E, como dizem os movimentos, tudo se transforma em mercadoria: sa\u00fade educa\u00e7\u00e3o, cultura com a piora da qualidade de vida. Piora os servi\u00e7os p\u00fablicos.\u00a0 \u00c9 hist\u00f3rico que a intensa desigualdade da renda em nosso pa\u00eds \u00e9 um fator determinante que vai ser agravado pela intensifica\u00e7\u00e3o do individualismo, transformando a vida em um vale tudo, estimulando a corrup\u00e7\u00e3o e a violencia.<\/p>\n<p>E, a \u201cesquerda\u201dque governa o pa\u00eds acreditaram que a governabilidade seria conseguida fazendo alian\u00e7as com os partidos fisiol\u00f3gicos e n\u00e3o com o povo. Ignoraram as lutas contra os\u00a0 avan\u00e7os do projeto neo desenvolvimentista sobre os direitos dos trabalhadores, sobre a condi\u00e7\u00f5es de vida do povo. Outro resultado tr\u00e1gico foi a perda dos valores coletivos e da solidariedade, crescendo o fundamentalismo religioso e politico. E, quando o povo vai para as ruas, com suas dezenas de reivindica\u00e7\u00f5es, acusam o movimento de estar apoiando a direita.<\/p>\n<p><strong>A \u201cesquerda\u201d no poder e o aumento do conservadorismo<\/strong><\/p>\n<p>Meu objetivo aqui neste ponto \u00e9 abrir uma\u00a0discuss\u00e3o\u00a0 buscando entender como \u00e9 poss\u00edvel que setores que se consideram esquerda, chegam ao poder no Governo Federal (a partir de 2002), realizam as pol\u00edticas sociais focalizadas e, ao mesmo tempo, aumenta o intensamente o\u00a0<em>conservadorismo<\/em> que \u00e9 contr\u00e1rio a mudan\u00e7as radicais ou revolucion\u00e1rias que contestem um determinado marco econ\u00f4mico e pol\u00edtico-institucional ou um sistema de cren\u00e7as, usos e costumes de uma sociedade.<\/p>\n<p>Nos anos 1960 e 1970 o inconformismo social\u00a0balan\u00e7a o mundo inteiro. No Brasil, ainda tivemos a luta contra a ditadura. Nos anos 1980 houve as lutas pelas Diretas\u00a0J\u00e1,\u00a0e a elei\u00e7\u00e3o\u00a0de uma assembl\u00e9ia constituinte, que\u00a0teve como fun\u00e7\u00e3o reformar a\u00a0Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira.\u00a0E, em 1989 o Brasil teve, ap\u00f3s a ditadura militar, a primeira\u00a0elei\u00e7\u00e3o\u00a0direta para presidente, quando ent\u00e3o se confrontam o projeto\u00a0\u201cdemocr\u00e1tico\u00a0popular\u201d<a>[3]<\/a> e o \u201cprojeto neoliberal\u201d<a>[4]<\/a>. Nesta\u00a0elei\u00e7\u00e3o\u00a0os\u00a0movimentos sociais\u00a0v\u00e3o\u00a0para as ruas na defesa de um projeto democr\u00e1tico popular e s\u00e3o\u00a0derrotados.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o\u00a0foi apenas uma vit\u00f3ria eleitoral do neoliberalismo no Brasil. Ele vai ganhar cora\u00e7\u00f5es\u00a0e mentes do povo brasileiro, a\u00a0vis\u00e3o\u00a0de que este \u00e9 o\u00a0\u00fanico\u00a0caminho. Temos de lembrar que\u00a0tamb\u00e9m\u00a0\u00e9 nesta\u00a0\u00e9poca\u00a0o fim do que se denominava como \u201csocialismo real\u201d no leste europeu.<a>[5]<\/a> Este processo foi tao avassalador que, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) chega ao governo em 2002,\u00a0tamb\u00e9m\u00a0j\u00e1 havia incorporado a l\u00f3gica da supremacia do mercado e da despolitiza\u00e7\u00e3o da economia. Ou seja, de acordo com Hayek \u201co ide\u00e1rio do neoliberalismo, que tem como ponto forte a diminui\u00e7\u00e3o do Estado (o \u201cEstado Minimo\u201d), promotor de liberdades individuais atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o da lei e da ordem\u201d, fomentando a liberdade e competitividade dos mercados\u201d.<a>[6]<\/a> At\u00e9 aqui, as for\u00e7as conservadoras n\u00e3o tinham espa\u00e7o para crescimento.<\/p>\n<p>Mas, para a sociedade em geral, com a elei\u00e7\u00e3o de Lula para a presid\u00eancia, houve a \u201cvit\u00f3ria da mudan\u00e7a\u201d. Entretanto, o PT e partidos aliados, assumindo o governo, aprofundam a l\u00f3gica do capitalismo neoliberal e continuam seguindo as\u00a0orienta\u00e7\u00f5es\u00a0dos organismos internacionais (como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional\/FMI e o Banco Mundial), que pretenderam ditar as normas para todo o mundo capitalista, atrav\u00e9s do Consenso de Washington (CW). Em 1998, em nova reuni\u00e3o do CW eles reavaliam e os efeitos da politica neoliberal no mundo e apresentam novas orienta\u00e7\u00f5es &#8211; o Estado tem de ser forte para garantir a\u00a0acumula\u00e7\u00e3o\u00a0de capital e\u00a0tamb\u00e9m\u00a0para fazer as pol\u00edticas sociais \u2013 orienta\u00e7\u00e3o que cai como uma luva para um governo do PT, que tinha o respaldo das dire\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais. Iniciam-se assim as chamadas\u00a0<em>pol\u00edticas sociais focalizadas, <\/em>com o intuito de amenizar (n\u00e3o disse acabar!) a pobreza. E, simultaneamente, amortecem as lutas sociais\u00a0reivindicat\u00f3rias, ao levar para dentro do estado sen\u00e3o os pr\u00f3prios movimentos sociais, mas pelo menos boa parte de suas lideran\u00e7as. Ao tamb\u00e9m ao financiar os movimentos, conseguem limitar as reivindica\u00e7\u00f5es e as lutas. E, as\u00a0contradi\u00e7\u00f5es entre as classes sociais antag\u00f4nicas (capitalistas e trabalhadores)\u00a0passam a ser tratadas com acordos e\u00a0negocia\u00e7\u00f5es\u00a0\u201cpor cima\u201d, por meio destas lideran\u00e7as, agora preocupadas em manter a governabilidade e n\u00e3o conquistar vitorias para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Elimina-se a necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o na l\u00f3gica de que o povo est\u00e1 no governo e que precisa de tempo. Quem\u00a0n\u00e3o\u00a0se lembra da\u00a0frase do Lula: \u201cquem corre muito come cru\u201d?<\/p>\n<p><strong>Sobre desenvolvimento\u00a0econ\u00f4mico\u00a0deste\u00a0per\u00edodo<\/strong><\/p>\n<p>O modelo chamado\u00a0<em>neo desenvolvimentista \u2013 <\/em>que \u00e9 o\u00a0<em>desenvolvimentismo<\/em> da \u00e9poca do capitalismo neoliberal<a>[7]<\/a><em>\u2013<\/em> com poucas diferen\u00e7as \u00e9 o que vem desde governo FHC e que Lula e Dilma mantiveram &#8211; se sustenta nos seguintes pilares:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>meta <\/em><em>infla\u00e7\u00e3o<\/em><em>, <\/em>o centro da politica econ\u00f4mica \u00e9 diminuir e manter a infla\u00e7\u00e3o em n\u00edveis baixos. E, para isto vai trabalhar fundamentalmente com a politica monet\u00e1ria e os juros.<\/p>\n<p><em>-taxa de juros<\/em> do governo, a taxa selic, que remunera os t\u00edtulos do governo e \u00e9 referencia para as taxas de juros bancarias. Neste caso, estabelecer a taxa b\u00e1sica de juros do governo alta, significa a garantia de que o sistema financeiro vai ter altos lucros.<\/p>\n<p><em>&#8211; c\u00e2mbio flutuante<\/em>, \u00e9 quando as compras e vendas das moedas internacionais, em especial o d\u00f3lar vai flutuar de acordo com a oferta e demanda do mercado, sem controle sistem\u00e1tico do governo.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>superavit prim\u00e1rio<\/em> <a>[8]<\/a>&#8211; em or\u00e7amento publico, o o super\u00e1vit significa uma receita maior que \u00e0 despesa em virtude de um aumento da arrecada\u00e7\u00e3o ou um arrefecimento dos gastos. Quando no inicio do per\u00edodo se define um superavit prim\u00e1rio de, por ex., 3% significa que o governo j\u00e1 definiu a priori que vai reservar 3% do PIB para pagamento dos juros. Portanto, \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o a priori. O que implica em cortar aplica\u00e7\u00f5es em outros setores para garantir prioritariamente o pagamento dos juros e servi\u00e7os da d\u00edvida.<\/p>\n<p>No governo Lula o crescimento da economia internacional, em especial o da China e da \u00cdndia, garantiu um superavit na balan\u00e7a de pagamentos, aumentando sua capacidade de negocia\u00e7\u00e3o devido ao aumento das reservas. O problema \u00e9 que isto foi conseguido com a exporta\u00e7\u00e3o\u00a0das\u00a0<em>commodities<\/em> (mercadoria)<a>[9]<\/a>, produtos que exigem pouca tecnologia. A pauta de exporta\u00e7\u00e3o volta ao perfil dos anos 50, usando a vantagem comparativa do Brasil: muita terra, da\u00ed a predomin\u00e2ncia do agro-negocio, com o passe livre para as sementes transg\u00eanicas da Monsanto e os agrot\u00f3xicos, bem como a exporta\u00e7\u00e3o de recursos naturais, com a minera\u00e7\u00e3o e seus graves danos ambientais e sociais, pela expuls\u00e3o de moradores tradicionais de suas terras. E, lan\u00e7am\u00a0m\u00e3o\u00a0de megas obras como a\u00a0transposi\u00e7\u00e3o\u00a0do Rio S\u00e3o Francisco e as constru\u00e7\u00f5es de\u00a0hidrel\u00e9tricas, deixando as empreiteiras felizes. As reivindica\u00e7\u00f5es do trabalhadores pelas minimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, s\u00e3o tratados como caso de policia (veja Belo Monte que tem acampamento de policia dentro do canteiro de obras) e os problemas das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, que s\u00e3o \u201cempurrados com a barriga\u201d com as tais pol\u00edticas focalizadas e o carisma do presidente (mesmo agora que ele \u00e9 ex-presidente).<\/p>\n<p>Apesar de todo esse quadro de conten\u00e7\u00e3o das lutas sociais, nascem novos movimentos de base e crescem outros, como a\u00a0resist\u00eancia dos atingidos pelas barragens, os indigenistas, os diversas lutas em defesa da terra, os movimentos\u00a0ecol\u00f3gicos, os movimentos da juventude de periferias na luta contra a selvagem explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo nos centros urbanos\u00a0tamb\u00e9m\u00a0ocorrem as grandes obras da Copa, os programas nas vilas e favelas, o programa Minha Casa Minha Vida.\u00a0Tais pol\u00edticas governamentais s\u00e3o impostas sob a mesma l\u00f3gica anterior: sem respeito e a\u00a0participa\u00e7\u00e3o\u00a0dos que ali j\u00e1 estavam. S\u00e3o programas que\u00a0d\u00e3o\u00a0\u201crios de dinheiro\u201d para o capital\u00a0\u00a0atrav\u00e9s de isen\u00e7\u00f5es fiscais e empr\u00e9stimos subsidiados a longo prazo pelo BNDES. E, atendem a alguma necessidade do povo, com as migalhas e sobre a forma de favores. Desta forma, todos ficam dependentes das benesses do estado. Alguns destes programas:<\/p>\n<p>&#8211; PROUNI \u2013 para estudantes pobres<\/p>\n<p>&#8211; REUNI \u2013 para as universidades federais<\/p>\n<p>&#8211; Projetos de pesquisas para professores<\/p>\n<p>&#8211; Bolsa\u00a0fam\u00edlia\u00a0para os muito pobres<\/p>\n<p>&#8211; Casas populares \u2013 Minha Casa Minha Vida<\/p>\n<p>&#8211; Projeto cegonha (o foco passa a ser a m\u00e3e e n\u00e3o a mulher)<\/p>\n<p>Para o empresariado, a\u00a0redu\u00e7\u00e3o\u00a0de impostos localizados em setores espec\u00edficos e o financiamento de grandes conglomerados. E, para completar, ha uma enorme sangria do setor publico, com o pagamento dos juros e servi\u00e7os da divida que em 2012 consumiu 43,98% do or\u00e7amento enquanto para a sa\u00fade foi\u00a0\u00a04,17%;\u00a0\u00a03,34% educa\u00e7\u00e3o e 3,15% assist\u00eancia social.<\/p>\n<p><strong>Por que criticamos estas politicas p\u00fablicas focalizadas?<\/strong><\/p>\n<p>Vou dar dois exemplos, o da educa\u00e7\u00e3o e o da gera\u00e7\u00e3o de emprego. No primeiro caso, cria-se o PROUNI que possibilitou o ingresso de milhares de jovens na universidade. A\u00ed, h\u00e1 uma grande armadilha montada contra esses jovens: a oferta de ensino de prec\u00e1ria qualidade, em faculdades com baixa avalia\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, os empres\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o foram salvos de sua situa\u00e7\u00e3o falimentar. Atende ao empresariado, atende aos jovens pobres, com uma educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. \u00c9 claro que isto gera contradi\u00e7\u00f5es As expectativas criadas nestes jovens e em suas fam\u00edlias s\u00e3o frustradas. Estes jovens, ao chegar no mercado de trabalho, percebem que sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o os qualifica a postos de melhor remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para as universidades p\u00fablicas, cria-se o REUNI, ampliando a entrada de novos alunos e novos cursos. Mas sem as m\u00ednimas\u00a0condi\u00e7\u00f5es\u00a0salariais para professores e funcion\u00e1rios e com uma prec\u00e1ria e \u00e0s vezes inexist\u00eancia infra-estrutura. Os professores\u00a0s\u00e3o\u00a0estimulados a correr atr\u00e1s de projetos e\/ou consultorias para tentar recompor seus sal\u00e1rios defasados. Simultaneamente, assiste-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da capacidade de\u00a0press\u00e3o\u00a0do movimento estudantil, pois a UNE entidade m\u00e1xima dos estudantes, faz agora parte da base do governo e, com acesso a recursos e projetos, retrae as suas lutas.<\/p>\n<p>Para a\u00a0gera\u00e7\u00e3o\u00a0de emprego o governo Lula e Dilma buscaram formas cl\u00e1ssicas da politica keynesiana. De um lado, estimula a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis,\u00a0 eletro dom\u00e9sticos por meio de isen\u00e7\u00e3o fiscal. De outro lado, d\u00e1 rios de dinheiro para as empreiteiras com as megas obras da Copa. Acreditavam que o povo, que adora o futebol, ficaria satisfeito e ainda colocaria o Brasil no topo do mundo. Este processo trouxe enormes contradi\u00e7\u00f5es: a privatiza\u00e7\u00e3o das agora \u201carenas\u201d, os pre\u00e7os elevados das entradas, a constru\u00e7\u00e3o de \u201celefantes brancos\u201d, a \u201chigieniza\u00e7\u00e3o\u201d das cidades retirando popula\u00e7\u00f5es inteiras de suas antigas moradias, para construir os acessos aos est\u00e1dios, etc. De outro lado, com o estimulo a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis com transportes coletivos prec\u00e1rios e caros, as cidades ficam ca\u00f3ticas. E, como \u00e9 muito dito \u201co bom transporte n\u00e3o \u00e9 o pobre andar de carro mas \u00e9 o rico andar de metr\u00f4.\u201d A qualidade de vida nos centros urbanos fica cada vez mais precarizada. \u00a0H\u00e1 um est\u00edmulo alienante ao consumo, ao individualismo. Ser\u00a0cidad\u00e3o\u00a0agora \u00e9 aquele que pode consumir.<\/p>\n<p><strong>Transporte publico: estopim das grandes <\/strong><strong>manifesta\u00e7\u00f5es<\/strong><strong> 2013<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse quadro, quando o movimento contra o reajuste dos pre\u00e7os das passagens em Sao Paulo \u00e9 violentamente reprimido que, para surpresa da maioria das pessoas e institui\u00e7\u00f5es tradicionais, eclodem os atuais movimentos nas ruas, denunciando a dura realidade social de milh\u00f5es, e mostrando um enorme descontentamento com a economia, a pol\u00edtica, e as cidades.<\/p>\n<p>O importante a destacar aqui \u00e9 o seguinte: sob o manto protetor do \u201ccrescimento com redu\u00e7\u00e3o das desigualdades\u201d(?) fermenta um modelo social que reproduz \u2013 agora em escala socialmente ampliada \u2013 o que h\u00e1 de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentat\u00f3ria e com pouco espa\u00e7o para a solidariedade. \u00a0Para os governantes de \u201cesquerda\u201d j\u00e1\u00a0n\u00e3o\u00a0importa a luta de classes e seus efeitos sociais. O que vai importar \u00e9 a cren\u00e7a no mercado que mobiliza\u00a0cora\u00e7\u00f5es\u00a0e mentes. \u00c9 neste fermento pol\u00edtico e cultural que se desenvolve a l\u00f3gica\u00a0<em>fundamentalista<\/em>.<\/p>\n<p><strong>O Fundamentalismo e o Estado Laico<\/strong><\/p>\n<p>Fundamentalismo\u00a0representa a atitude daquele que confere\u00a0car\u00e1ter\u00a0absoluto ao seu ponto de vista. Os fundamentalistas afirmam que a sua verdade \u00e9 a \u00fanica verdade.\u00a0Desta forma, podemos entender como fundamentalista a pessoa que se fecha em sua pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o da verdade, n\u00e3o se abrindo para o di\u00e1logo, nem para outras vis\u00f5es de mundo, nem para outras constru\u00e7\u00f5es de identidade.\u00a0\u00a0Quer impor sua maneira de compreender a \u201cverdade\u201d aos seus interlocutores.<\/p>\n<p>Entendido desta forma,\u00a0n\u00e3o\u00a0podemos dizer que o fundamentalismo seja apenas religioso. Vamos encontrar em v\u00e1rias \u00e1reas posturas fundamentalistas, pois fechadas em si mesmas. Vou discutir aqui os dois fundamentalismos que cresceram e t\u00eam afetado a todos nos: neoliberal e o religioso.<\/p>\n<p>O fundamentalismo neoliberal \u00e9 o\u00a0imp\u00e9rio\u00a0do pensamento\u00a0\u00fanico\u00a0 como a \u00fanica\u00a0sa\u00edda\u00a0para as sociedades. \u00c9 a l\u00f3gica de que as leis do mercado resolvem espontaneamente as contradi\u00e7\u00f5es sociais, de que se trata de um modelo\u00a0econ\u00f4mico\u00a0que pode ser aplicado em qualquer lugar e em qualquer\u00a0\u00e9poca. Que n\u00e3o depende das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas nem geogr\u00e1ficas.\u00a0\u00a0E tem vida\u00a0pr\u00f3pria.\u00a0 Quantas vezes\u00a0j\u00e1\u00a0ouvimos falar que o mercado est\u00e1 \u201cnervoso\u201d? E, quando aumenta a desigualdade, voltam afirmando ser necess\u00e1rio um \u201cchoque\u201d de mais mercado, onde as\u00a0quest\u00f5es\u00a0s\u00e3o\u00a0resolvidas de forma \u201cmais\u00a0democr\u00e1ticas\u201d\u00a0 j\u00e1 que \u201ctodos\u00a0s\u00e3o\u00a0iguais\u201d. E com o aumento da competitividade, ganha o mais capaz.\u00a0\u00a0O que vai diferenciar cada pessoa \u00e9 sua capacidade individual (m\u00e9rito pessoal). Neste sentido, leva ao paroxismo a competitividade e desestimula a solidariedade e a\u00a0coopera\u00e7\u00e3o.\u00a0 Assim, divulga-se a ideologia de que se\u00a0algu\u00e9m\u00a0n\u00e3o\u00a0consegue ter um bom emprego \u00e9 porque\u00a0\u00e9 incapaz. Esta l\u00f3gica da meritocracia \u00e9 artificialmente criada e extremamente perversa! E \u00e9 repetida durante todo o tempo pelos meios de\u00a0comunica\u00e7\u00e3o, ganhando\u00a0cora\u00e7\u00f5es\u00a0e mentes.<\/p>\n<p>Estamos vivendo assim sob um sistema pol\u00edtico de democracia formal, n\u00e3o participativo e economicamente ditatorial, que parte da falsa premissa: a igualdade formal. \u00a0O melhor exemplo deste fundamentalismo \u00e9 o governo do EUA que se coloca como detentor da verdadeira democracia se sente autorizado a impor a sua verdade ao resto do mundo, mesmo \u00e0 custa de bombas e\u00a0destrui\u00e7\u00e3o, ou penetrando em todos os meios de informa\u00e7\u00e3o Dois exemplos\u00a0emblem\u00e1ticos: as guerras do Vietn\u00e3 e do Iraque. E recentemente, impedindo que o avi\u00e3o do presidente da Bol\u00edvia usasse o espa\u00e7o a\u00e9reo de pa\u00edses da Europa devido a suspeita de que Snowdem, que denunciou a invas\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es em todo o mundo pelo Gov. EUA, estivesse a bordo.<\/p>\n<p>De outro lado, o fundamentalismo religioso tem sido mais enfatizado no Brasil, pela campanha midi\u00e1tica feita pelos EUA contra os regimes teocr\u00e1ticos do mundo isl\u00e2mico, ao enfatizar que os mesmos significam uma ruptura com a\u00a0vis\u00e3o\u00a0moderna do poder pol\u00edtico com o\u00a0\u00a0divino. E com isto, o governo dos EUA abstrai, o seu fundamentalismo. Por outro lado,\u00a0\u00a0o fundamentalismo religioso avan\u00e7a no Brasil, articulando religi\u00e3o e pol\u00edtica, fazendo acordos com o governo, ocupando representa\u00e7\u00f5es importantes. Buscam assim, uma forma de impor sua\u00a0concep\u00e7\u00e3o\u00a0teol\u00f3gica conservadora, que \u00e9 completamente avessa a uma sexualidade livre. Para esta\u00a0concep\u00e7\u00e3o\u00a0o sexo \u00e9 para gerar filhos. Da\u00ed avan\u00e7a sobre os direitos sexuais e reprodutivos,\u00a0afetando radicalmente os direitos das mulheres e dos setores\u00a0L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros\u00a0(LGBTT).<\/p>\n<p>Assim, tanto o fundamentalismo neoliberal quanto o fundamentalismo religioso\u00a0est\u00e3o\u00a0fundados em seus \u201ctextos sagrados\u201d: o mercado e os textos religiosos. O fundamentalismo neoliberal \u00e9 mais sutil, vai entremeando a sociedade civil, ganhando novos espa\u00e7os, procurando igualar a tudo e a todos com uma campanha trapaceira feita pela imprensa, pelas grandes empresas e pelo estado.<\/p>\n<p>J\u00e1 o fundamentalismo religioso \u00e9 mais\u00a0vis\u00edvel\u00a0e agressivo, e afronta um principio\u00a0hist\u00f3rico\u00a0das sociedades modernas, que foi a\u00a0separa\u00e7\u00e3o\u00a0entre Estado e as Igrejas, governo civil e as\u00a0religi\u00f5es,\u00a0para garantir a liberdade religiosa e proclamar a isonomia de toda a coletividade. \u00c9 o\u00a0Estado laico que deve garantir a liberdade religiosa. Nas sociedades modernas, a laicidade \u00e9\u00a0a forma institucional da rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre o cidad\u00e3o e o Estado e entre os pr\u00f3prios cidad\u00e3os. E no espa\u00e7o publico nenhum\u00a0cidad\u00e3o\u00a0ou grupo de cidad\u00e3os devem impor as suas convic\u00e7\u00f5es aos outros.<\/p>\n<p>Uma\u00a0quest\u00e3o\u00a0polemica \u00e9 dos s\u00edmbolos\u00a0religiosos. Isto para mim\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9 uma\u00a0quest\u00e3o\u00a0de principio como \u00e9 a laicidade. A laicidade do estado\u00a0n\u00e3o\u00a0se expressa na\u00a0elimina\u00e7\u00e3o\u00a0dos\u00a0s\u00edmbolos\u00a0religiosos. Estes\u00a0s\u00edmbolos\u00a0foram incorporados ao longo da hist\u00f3ria do Brasil, por mais criticas que tenhamos a esta hist\u00f3ria. Para mim, os s\u00edmbolos podem ou\u00a0n\u00e3o\u00a0existir. N\u00e3o devem incomodar. \u00a0O que a meu ver tem de ser combatido, e \u00e9\u00a0inaceit\u00e1vel,\u00a0\u00e9 a\u00a0discrimina\u00e7\u00e3o\u00a0religiosa, \u00e9 o desrespeito \u00e0 f\u00e9 de cada pessoa e at\u00e9 o seu direito de n\u00e3o professar nenhuma religi\u00e3o, o desrespeito a vis\u00e3o de mundo diferente.\u00a0 Fico pensando se este comportamento, de eliminar os\u00a0s\u00edmbolos religiosos, se levado ao extremo,\u00a0n\u00e3o\u00a0significaria eliminar os feriados religiosos, os nomes de ruas e de cidades. E, em tal eventualidade, n\u00e3o poder\u00edamos gerar \u00f3dios religiosos e sentimentos de vingan\u00e7a daqueles para quem estes s\u00edmbolos s\u00e3o sagrados, provocando desnecess\u00e1rias fraturas na combalida sociedade brasileira? Certamente, n\u00e3o \u00e9 isto que queremos quando lutamos por liberdade religiosa e estado laico.<\/p>\n<p><strong> A luta por direitos e por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os direitos\u00a0est\u00e3o sempre situados em uma determinada sociedade. N\u00e3o existem pairados abstratamente, mas somente quando as pessoas os exigem, ou se elas est\u00e3o conscientes de sua falta.\u00a0Nossa sociedade \u00e9 extremamente carente de direitos os mais elementares, que\u00a0s\u00e3o\u00a0ignorados e desprezados a todo instante. Por exemplo, os direitos dos trabalhadores a um sal\u00e1rio digno sempre foi negado.<\/p>\n<p>Os trabalhadores\u00a0das fabricas s\u00e3o\u00a0as pessoas mais desfavorecidas no capitalismo. Por isto, os movimentos oper\u00e1rios sempre tiveram de se preocupar com a exig\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o individual e social dos seus integrantes, desempenhando, com isso, um importante papel no desenvolvimento dos direitos humanos, individuais e coletivos.<\/p>\n<p>No\u00a0final dos anos 1960, e em especial, a partir da d\u00e9cada de 1980, os movimentos das chamadas minorias t\u00eam crescido e adquirido um progressivo reconhecimento. Nos anos mais recentes,\u00a0<strong>com o recuo dos movimentos sociais, o conservadorismo e o fundamentalismo\u00a0econ\u00f4mico\u00a0e religioso avan\u00e7am sobre os direitos e conquistas dos trabalhadores e dos setores discriminados.<\/strong><\/p>\n<p>E, tamb\u00e9m acaba repercutindo sobre o povo brasileiro, as mobiliza\u00e7\u00f5es pelo mundo contra\u00a0\u00a0as explora\u00e7\u00f5es e opress\u00f5es. Al\u00e9m disto, o\u00a0projeto\u00a0neo-desenvolvimentista brasileiro, vai encontrar limites nas duas pontas que o sustentavam: de um lado, a crise\u00a0econ\u00f4mica\u00a0que dificulta a continuidade das\u00a0concess\u00f5es\u00a0focalizadas; e, de outro lado, a\u00a0aus\u00eancia\u00a0da lideran\u00e7a\u00a0carism\u00e1tica\u00a0que centralizava todo o poder.<\/p>\n<p>Mesmo sem atividades massivas, os movimentos espalhados por todo o Brasil, continuaram se organizando de forma aut\u00f4noma estudando e denunciando o que os afetavam diretamente. \u00c9 a contradi\u00e7\u00e3o do projeto, levando \u00e0\u00a0organiza\u00e7\u00e3o popular.\u00a0 S\u00e3o lutas localizadas, e se vistas cada uma isoladamente, parecem fragmentadas: pelo metr\u00f4, pelo passe livre e meio passe; movimento estudantil com diversas\u00a0bandeiras; movimentos dos\u00a0 atingidos pela copa; atingidos por barragens; luta dos sem terra; dos sem teto; os\u00a0ecol\u00f3gicos\u00a0distribu\u00eddos\u00a0em dezenas de entidades a partir das\u00a0agress\u00f5es\u00a0locais ao meio ambiente; movimentos de mulheres; movimentos LGBTT; movimentos contra a viol\u00eancia policial; e\u00a0v\u00e1rios\u00a0outros. E, tamb\u00e9m os trabalhadores retomam suas lutas por sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es dignas, fazendo de 2012 o ano de maior numero de greve dos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0era\u00a0vis\u00edvel\u00a0em 2012 o crescimento da\u00a0participa\u00e7\u00e3o popular,\u00a0tanto em greves quanto em\u00a0manifesta\u00e7\u00f5es; e\u00a0que continuaram no inicio de 2013. E, em 2013, os acordos\u00a0pol\u00edticos do governo com sua base dos partidos do congresso, levam a presid\u00eancia da comiss\u00e3o de direitos humanos o deputado\u00a0Pastor Marco\u00a0<em>Feliciano<\/em> (PSC-SP), um fundamentalista pol\u00edtico religioso. Tamb\u00e9m\u00a0para exemplificar o avan\u00e7o do fundamentalismo no Congresso cito o andamento de dois projetos &#8211; o do estatuto do nascituro e o da \u201cCura Gay\u201d. O do estatuto do nascituro retira direitos\u00a0j\u00e1\u00a0conquistados e avan\u00e7a rumo a retomar o controle sobre a mulher, chegando ao limite de impor a ela o seu estuprador como \u201cgenitor\u201d. E o da Cura Gay, confronta a postura do Conselho Regional de Psicologia, e passa a impor aos profissionais tratar os Gays como uma doen\u00e7a. Tudo isto deixa a milit\u00e2ncia e todas as pessoas com o m\u00ednimo de consci\u00eancia, indignados.<\/p>\n<p>Os problemas v\u00eam h\u00e1 anos se acumulando! E a indigna\u00e7\u00e3o \u201cexplode\u201d nas manifesta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a\u00a0repress\u00e3o\u00a0aos movimentos contra o aumento das passagens em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. \u00c9 a\u00a0transforma\u00e7\u00e3o\u00a0da quantidade em qualidade. Os movimentos tomam as ruas, cada um trazendo toda a sua\u00a0indigna\u00e7\u00e3o\u00a0 nos milhares de cartazes estampados nas\u00a0manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo trabalho pol\u00edtico, na luta pela conquista de novos direitos, pela transforma\u00e7\u00e3o da realidade social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica que se estabelece as rela\u00e7\u00f5es de solidariedade. Limitando e construindo alternativas \u00e0 ideologia da\u00a0competitividade.\u00a0 \u00c9 neste relacionamento que o ser humano novo vai sendo gestado. \u00c9 nas lutas que as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o v\u00e3o construindo uma rela\u00e7\u00e3o mais igual e uma sociedade solidaria.<\/p>\n<p>Sigamos juntos, construindo a sociedade do futuro, a sociedade que as ruas j\u00e1 come\u00e7aram a erguer!<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p><a>[1]<\/a> Aqui h\u00e1 muitas informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o movimento:\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Protestos_no_Brasil_em_2013\" target=\"_blank\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Protestos_no_Brasil_em_2013<\/a><\/p>\n<p><a>[2]<\/a> Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/2012-08-31\/jovens-de-15-a-17-anos-sao-maioria-dos-excluidos-da-escola-brasileira.html\" target=\"_blank\">http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/educacao\/2012-08-31\/jovens-de-15-a-17-anos-sao-maioria-dos-excluidos-da-escola-brasileira.html<\/a><\/p>\n<p><a>[3]<\/a> Exemplo explicativo do termo pode ser visto aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enfpt.org.br\/node\/80\" target=\"_blank\">http:\/\/www.enfpt.org.br\/node\/80<\/a><\/p>\n<p><a>[4]<\/a> Para saber mais sobre neoliberalismo ver\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Neoliberalismo\" target=\"_blank\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Neoliberalismo<\/a> e para o caso do Brasil aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/dialnet.unirioja.es\/descarga\/articulo\/4060727.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/dialnet.unirioja.es\/descarga\/articulo\/4060727.pdf<\/a>.<\/p>\n<p><a>[5]<\/a> \u00c9 chamado de\u00a0<em>socialismo real<\/em> o socialismo posto em pr\u00e1tica na R\u00fassia, em pa\u00edses do Leste Europeu. Existe uma grande discussao sobre esta experiencia.<\/p>\n<p><a>[6]<\/a> Fonte e mais explica\u00e7\u00f5es aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.suapesquisa.com\/geografia\/neoliberalismo.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.suapesquisa.com\/geografia\/neoliberalismo.htm<\/a> e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.infopedia.pt\/$neoliberalismo;jsessionid=-Sh3U9dRUfesgLVvJLYrRQ__\" target=\"_blank\">http:\/\/www.infopedia.pt\/$neoliberalismo;jsessionid=-Sh3U9dRUfesgLVvJLYrRQ__<\/a><\/p>\n<p><a>[7]<\/a> Bem esclarecedor \u00e9 este artigo de Armando Boito Jr:\u00a0<a href=\"http:\/\/eesp.fgv.br\/sites\/eesp.fgv.br\/files\/file\/Painel%203%20-%20Novo%20Desenv%20BR%20-%20Boito%20-%20Bases%20Pol%20Neodesenv%20-%20PAPER.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/eesp.fgv.br\/sites\/eesp.fgv.br\/files\/file\/Painel%203%20-%20Novo%20Desenv%20BR%20-%20Boito%20-%20Bases%20Pol%20Neodesenv%20-%20PAPER.pdf<\/a><\/p>\n<p><a>[8]<\/a> Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/desafios\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2065:catid=28&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ipea.gov.br\/desafios\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2065:catid=28&amp;Itemid=23<\/a><\/p>\n<p><a>[9]<\/a> <em>Commodities<\/em> \u00e9 um termo de refer\u00eancia de produtos de base em estado bruto, considerado \u201c<strong>mat\u00e9ria-prima<\/strong>\u201d. Al\u00e9m do n\u00edvel de mat\u00e9ria-prima, \u00e9 aquele produto que apresenta grau m\u00ednimo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMaria Dirlene Trindade Marques\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5105\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-5105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1kl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}