{"id":5108,"date":"2013-07-16T23:49:43","date_gmt":"2013-07-16T23:49:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5108"},"modified":"2013-07-16T23:49:43","modified_gmt":"2013-07-16T23:49:43","slug":"origem-e-declinio-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5108","title":{"rendered":"Origem e decl\u00ednio do capitalismo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Retorno \u00e0 origem <\/strong><\/p>\n<p>Em certos rituais funer\u00e1rios de tempos remotos os mortos eram colocados em posi\u00e7\u00e3o fetal. Encontraram-se por exemplo restos de homens do neandertal sepultados dessa maneira com a cabe\u00e7a a apontar para o Oeste e os p\u00e9s para o Leste. Algumas hip\u00f3teses antropol\u00f3gicas sustentam que essa disposi\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver se relacionava com a cren\u00e7a no renascimento do morto. A civiliza\u00e7\u00e3o burguesa \u00e0 medida que avan\u00e7a a sua senilidade parece reiterar esses ritos. Preparando-se para o desenlace final aponta a cabe\u00e7a para a sua origem ocidental e vai acomodando o corpo degradado procurando recuperar as formas pr\u00e9-natais, tentando talvez assim conseguir uma vitalidade irremediavelmente perdida.<\/p>\n<p>O fim e a origem aparentam convergir, mas o anci\u00e3o n\u00e3o consegue voltar ao passado e sim, antes, reproduzi-lo de maneira grotesca e decadente. Rumo ao final do seu percurso hist\u00f3rico o capitalismo volta-se prioritariamente para as finan\u00e7as, o com\u00e9rcio e o militarismo no seu n\u00edvel mais aventureiro\u00a0<em>&#8220;copiando&#8221; <\/em>seu in\u00edcio quando o Ocidente conseguiu saquear recursos naturais,sobre-explorar popula\u00e7\u00f5es e realizar genoc\u00eddios acumulando desse modo riquezas desmesuradas em rela\u00e7\u00e3o ao seu tamanho. Isso lhe permitiu expandir seus mercados internos, investir em novas formas produtivas, desenvolver institui\u00e7\u00f5es, capacidade cient\u00edfica e t\u00e9cnica. Em suma, construir a &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; que levou Voltaire a dizer: \u00a0\u00a0<em>&#8220;a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o suprime a barb\u00e1rie, aperfei\u00e7oa-a&#8221;. <\/em><\/p>\n<p>A decad\u00eancia do mundo burgu\u00eas de certo modo imita a sua origem, mas n\u00e3o o faz a partir de um protagonista jovem e sim decr\u00e9pito e num contexto completamente diferente: \u00a0 o da gesta\u00e7\u00e3o era um planeta rico em recursos humanos e naturais dispon\u00edveis, virgem do ponto de vista dos apetites capitalistas. O actual \u00e9 um contexto saturado de capitalismo, com fortes espa\u00e7os resistentes ou pouco manej\u00e1veis na periferia, com numerosos recursos naturais decisivos em r\u00e1pido esgotamento e um meio ambiente global desarranjado.<\/p>\n<p><strong>Fim de ciclo. Decad\u00eancia: \u00a0 do capitalismo industrial ao parasitismo. <\/strong><\/p>\n<p>Toda a hist\u00f3ria do capitalismo \u00e9 atravessada por numerosas crises de curta, m\u00e9dia e longa dura\u00e7\u00e3o, de gesta\u00e7\u00e3o, de nascimento, de crescimento, de maturidade, de decad\u00eancia, sectorial, pluri-sectorial, geral, etc. A actual conjuntura global costuma ser descrita empregando o termo\u00a0<em>crise <\/em>(do neoliberalismo, financeira, sist\u00e9mica, do capitalismo, de civiliza\u00e7\u00e3o&#8230;). Trata-se realmente de uma crise ou de algo mais? Encontramo-nos perante uma turbul\u00eancia devastadora ou n\u00e3o t\u00e3o truculenta mas anunciadora de uma nova ordem mundial capitalista, ou seja, de uma regenera\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica ou antes do canto do cisne de uma civiliza\u00e7\u00e3o caduca? No primeiro caso cabia falar de crise de reconvers\u00e3o, de\u00a0<em>destrui\u00e7\u00e3o criadora <\/em>no sentido shumpeteriano, no segundo poderia em princ\u00edpio ser definida com uma s\u00f3 palavra: \u00a0 decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Os conceitos de\u00a0<em>crise <\/em>e\u00a0<em>decad\u00eancia <\/em>s\u00e3o amb\u00edguos, o seu uso n\u00e3o resolve completamente as interroga\u00e7\u00f5es que coloca a descri\u00e7\u00e3o da realidade actual. Em geral falamos de\u00a0<em>crise <\/em>quando enfrentamos uma turbul\u00eancia ou perturba\u00e7\u00e3o importante do sistema social. O conceito de\u00a0<em>decad\u00eancia<\/em>costuma ser associado \u00e0 ideia de irreversibilidade, de traject\u00f3ria inilud\u00edvel, de caminho mais ou menos lento, acidentado ou calmo, rumo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, rumo ao final. Contudo, a hist\u00f3ria mostra tanto longos processos de decl\u00ednio que culminam com o fim de uma sociedade ou civiliza\u00e7\u00e3o como fen\u00f3menos vistos como decad\u00eancias mas que em algum momento se convertem em renascimento, no in\u00edcio de uma segunda juventude. Sobretudo durante certos per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o cultural onde se combina o velho dominante mas ainda hegem\u00f3nico com o novo ascendente ainda que suportando derrotas, fracassos pr\u00f3prios das experi\u00eancias demasiado jovens, demasiado dependentes do\u00a0<em>&#8220;senso comum&#8221; <\/em>estabelecido pelas antigas verdades capazes de sobreviver durante muito tempo ao seu crescente div\u00f3rcio com a realidade.<\/p>\n<p>Muitas vezes uma crise prolongada atravessada por turbul\u00eancias que se v\u00e3o sucedendo umas ap\u00f3s as outras formando uma continuidade de calamidades surge como um mundo que se arru\u00edna quando pode chegar a ser a oficina de forja de uma nova era. A chamada\u00a0<em>&#8220;longa crise do s\u00e9culo XVII&#8221; <\/em>que afectou a Europa e que se foi convertendo gradualmente na base de lan\u00e7amento planet\u00e1rio da modernidade ocidental foi vista por boa parte dos seus contempor\u00e2neos mais l\u00facidos como uma \u00e9poca de desastres e decad\u00eancia universal.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o prolongou-se at\u00e9 estar bem avan\u00e7ado o s\u00e9culo XVIII, quando a emerg\u00eancia do\u00a0<em>iluminismo, <\/em>da ideologia do\u00a0<em>progresso, <\/em>do culto \u00e0<em>Raz\u00e3o, <\/em>combinaram-se nas elites do Ocidente com o fantasma da decad\u00eancia, simbolizado pelo decl\u00ednio do imp\u00e9rio romano. Em 1734 Montesquieu publicava suas\u00a0<em>&#8220;Considera\u00e7\u00f5es acerca das causas da grandeza e decad\u00eancia dos romanos&#8221; <\/em>e curiosamente, em 1776 na Inglaterra, onde come\u00e7ava a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial enquanto Adam Smith publicava a primeira edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>&#8220;A riqueza das na\u00e7\u00f5es&#8221; <\/em>estabelecendo as bases te\u00f3ricas do capitalismo liberal nascente, marcando o avan\u00e7o optimista do racionalismo burgu\u00eas, Edward Gibbon publicava a primeira edi\u00e7\u00e3o da sua<em>&#8220;Hist\u00f3ria da decad\u00eancia e queda do Imp\u00e9rio romano&#8221; <\/em>dilatando o espa\u00e7o das vis\u00f5es pessimistas das elites tradicionais da Europa angustiadas pelo decl\u00ednio do universo cultural e institucional das aristocracias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 excessivo recordar aquilo que poder\u00edamos qualificar como obsess\u00e3o e nostalgia plurisecular recorrente da cultura ocidental quanto \u00e0 grandeza da Roma imperial, da sua duradoura &#8220;pax romana&#8221; ou domina\u00e7\u00e3o &#8220;universal&#8221; (do &#8220;universo&#8221; colonial poss\u00edvel nessa \u00e9poca com centro no Mar Mediterr\u00e2neo). Desde a tentativa de restaura\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio v\u00e1rios s\u00e9culos depois do seu derrube com a proclama\u00e7\u00e3o em Roma de Carlos Magno no ano 800 (e em consequ\u00eancia do extinto\u00a0<em>Imp\u00e9rio Romano do Ocidente <\/em>), seguindo com o\u00a0<em>Sacro Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico <\/em>(o &#8220;Primeiro Reich&#8221;) no s\u00e9culo posterior, chegando aos del\u00edrios imperiais-romanos do imperador Napole\u00e3o, continuando com o\u00a0<em>Kaiserreich <\/em>(&#8220;Kaiser&#8221; derivado do C\u00e9sar romano) ou &#8220;Segundo Reich&#8221; da Alemanha a partir de 1871 radicalizado a seguir por Hitler como &#8220;Terceiro Reich&#8221;, a It\u00e1lia fascista proclamada por Mussolini como Terceira Roma (a\u00a0<em>&#8220;Terza Roma&#8221; herdeira da Roma Imperial e da Roma papal <\/em>) e naturalmente falangistas, nazi e fascistas a saudarem com o bra\u00e7o ao alto, a sauda\u00e7\u00e3o romano imperial, para chegar finalmente (por agora) \u00e0s elucubra\u00e7\u00f5es durante a d\u00e9cada passada acerca da\u00a0<em>Pax Americana <\/em>imaginada pelos falc\u00f5es de George W. Bush como uma esp\u00e9cie de reedi\u00e7\u00e3o em escala planet\u00e1ria do Imp\u00e9rio Romano tal como propuseram na altura textos influentes no primeiro c\u00edrculo do poder dos Estados Unidos autores como Robert Kaplan\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[1]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>Mas a nostalgia imperialista n\u00e3o pode prescindir do temor oculto que esconde por baixo da euforia, porque o esplendor escravocrata anunciava a sua decad\u00eancia, seus luxos parasit\u00e1rios que resultavam da incessante expans\u00e3o do sistema converteram-se no veneno mortal, a droga alentou a sua ru\u00edna. Como assinalava Juvenal: \u00a0\u00a0<em>&#8220;O luxo, mais insidioso que o inimigo estrangeiro, apoia-nos sua m\u00e3o pesada, vingando o mundo que conquist\u00e1mos&#8221; <\/em><a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[2]<\/strong><\/a> . A extravagante literatura que proliferou nos princ\u00edpios do s\u00e9culo XXI alentada pelo triunfalismo dos falc\u00f5es do Imp\u00e9rio desenvolvendo paralelos entre Roma (dos c\u00e9sares) e Washington (de Bush) f\u00ea-lo em paralelo com a apari\u00e7\u00e3o de numerosos textos relativos \u00e0 decad\u00eancia romana \u2013 muitos deles a estabelecerem semelhan\u00e7as com as pot\u00eancias ocidentais, principalmente os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A longo crise do s\u00e9culo XVII foi uma enorme trituradora hist\u00f3rica de velhas estruturas e mentalidades, gerando o declive das monarquias absolutistas do Ocidente e mais adiante favorecendo a ascens\u00e3o do capitalismo industrial a partir de uma\u00a0<em>crise de nascimento, <\/em>do parto turbulento, dram\u00e1tico, do mundo moderno, entre fins do s\u00e9culo XVIII e princ\u00edpios do XIX, marcado pela revolu\u00e7\u00e3o industrial na Inglaterra, pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, pelas guerras napole\u00f3nicas, pela Restaura\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Muito tempo depois a Europa viveu uma crise relativamente longa entre 1914 e 1945. Foi pensada pelos bolcheviques como o decl\u00ednio universal do capitalismo que abrir as portas \u00e0 sua supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, socialista-comunista. Na realidade, tratou-se de um processo complexo que combinava elementos incipientes de decad\u00eancia, significativos mas insuficientes para forma constituir uma avalancha global impar\u00e1vel, com outros de recomposi\u00e7\u00e3o, de rejuvenescimento como a interven\u00e7\u00e3o estatal na economia, a massa de inven\u00e7\u00f5es, de ideias t\u00e9cnicas que se foram transformando em inova\u00e7\u00f5es abrindo um novo horizonte social e sobretudo a presen\u00e7a dos aparelhos militares em expans\u00e3o conjugando pot\u00eancia e ac\u00e7\u00e3o destrutiva com multiplicadores do consumo, o investimento e a renova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o civil (keynesianismo militar).<\/p>\n<p>Os comunistas dos anos 1920 subestimavam a capacidade de recomposi\u00e7\u00e3o do mundo burgu\u00eas mas a extrema-direita, os fascistas dessa \u00e9poca, super-estimavam-na pois atribu\u00edam-lhe uma esperan\u00e7a de vida demasiado prolongada. \u00c9 assim que Mussolini proclamava triunfalista num artigo de Janeiro de 1921: \u00a0\u00a0<em>&#8220;o capitalismo est\u00e1 agora apenas no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria&#8221;, <\/em>cap\u00edtulo no qual o novo autoritarismo fascista projectava cumprir um papel decisivo, refundador, recuperando as ra\u00edzes mais brutais do sistema. O Duce assim o sintetizava perante a C\u00e2mara de Deputado italiana alguns meses depois: \u00a0\u00a0<em>&#8220;a verdadeira hist\u00f3ria do capitalismo come\u00e7a agora&#8230; h\u00e1 que abolir o Estado colectivista, tal como a guerra nos transmitiu pela necessidade das circunst\u00e2ncias e voltar ao estado manchesteriano&#8221; <\/em><a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[3]<\/strong><\/a> . Disciplinamento ditatorial da for\u00e7a de trabalho e liberdade total para os capitalistas.<\/p>\n<p>Contudo, o sistema n\u00e3o podia regressar ao s\u00e9culo XIX. Seus bloqueios estruturais obrigavam-no a utilizar a interven\u00e7\u00e3o estatal na economia para desenvolver novos espa\u00e7os de rentabiliza\u00e7\u00e3o como a ind\u00fastria de guerra e as grandes obras p\u00fablicas. O que se come\u00e7ava a instalar n\u00e3o era o velho capitalismo liberal do s\u00e9culo XIX e sim a sua t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o militarista, intervencionista, que na sua primeira etapa europeia durante os anos 1920-1930 assumiu a forma de muta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do liberalismo para o totalitarismo fascista sob o guarda-chuva legitimador da &#8220;comunidade nacional&#8221; esmagando os\u00a0<em>&#8220;interesses sectoriais&#8221; <\/em>dos de baixo. Como assinalava Horkheimer,\u00a0<em>&#8220;a ideia de comunidade nacional (a &#8220;Volksgemeinschaft&#8221; dos nazis), erguida como objecto de idolatria n\u00e3o podia em \u00faltima an\u00e1lise ser sustentada sen\u00e3o por meio do terror. Isto explica a tend\u00eancia do liberalismo a derivar rumo ao fascismo&#8221; <\/em><a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[4]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>A recomposi\u00e7\u00e3o estatista (keynesiana) do capitalismo central, emergida da Segunda Guerra Mundial, teve uma era dourada de apenas um quarto de s\u00e9culo (aproximadamente 1945-1970). A seguir iniciou-se uma sucess\u00e3o de turbul\u00eancias que duram at\u00e9 o presente.<\/p>\n<p>Mais adiante, a partir dos anos 1980, surgiu o que os meios de comunica\u00e7\u00e3o anunciavam como\u00a0<em>recomposi\u00e7\u00e3o neoliberal <\/em>do sistema. Contudo, os dados frios demonstram que para al\u00e9m do barulho medi\u00e1tico optimista se verificava uma deteriora\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica que se aprofundava com o decorrer dos anos. As taxas de crescimento produtivo global, principalmente nos pa\u00edses centrais, foram-se reduzindo em termos de tend\u00eancia a longo prazo, a economia mundial foi-se financiarizando at\u00e9 que em finais da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI a massa financeira global equivalia a vinte vezes do Produto Bruto Mundial. Os estados, as empresas e os consumidores dos pa\u00edses ricos endividavam-se vertiginosamente at\u00e9 ficarem esmagados pelas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Esta longa degrada\u00e7\u00e3o tem todas as caracter\u00edsticas de uma decad\u00eancia \u2013\u00a0<em>lenta <\/em>se a medirmos segundo os ritmos do s\u00e9culo XX. Trata-se de uma traject\u00f3ria de aproximadamente quatro d\u00e9cadas cujo arranque pode ser situado no per\u00edodo\u00a0<a href=\"tel:1968-1973%2F74\" target=\"_blank\">1968-1973\/74<\/a>. A partir da\u00ed a expans\u00e3o do capitalismo global combina-se com a deteriora\u00e7\u00e3o das suas componentes fundamentais que v\u00e3o sendo encobertas pelo parasitismo financeiro e consumista, por uma militariza\u00e7\u00e3o desestruturante e onde a din\u00e2mica tecnol\u00f3gica est\u00e1 no centro de uma depreda\u00e7\u00e3o sem precedentes dos recursos naturais. O percurso n\u00e3o atinge um\u00a0<em>ponto de regenera\u00e7\u00e3o <\/em>e sim, muito pelo contr\u00e1rio, por volta dos anos 2007-2008-2009 produz-se um verdadeiro salto qualitativo e a decad\u00eancia radicaliza-se convertendo-se num fen\u00f3meno de auto-destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Decad\u00eancia geral do sistema e n\u00e3o\u00a0<em>crise longa <\/em>nem\u00a0<em>de crescimento <\/em>como ocorreu na Europa no s\u00e9culo XVII e entre fins do s\u00e9culo XVIII e princ\u00edpios do XIX. T\u00e3o pouco aparecem, como no per\u00edodo 1914-1945, manifesta\u00e7\u00f5es de decl\u00ednio mescladas com outras de recomposi\u00e7\u00e3o marcadas pelo decl\u00ednio da Europa centro-ocidental e a ascens\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo \u00e9 necess\u00e1rio assinalar que do ponto de vista da din\u00e2mica do capitalismo mundial a China dos princ\u00edpios do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 o equivalente dos Estados Unidos da primeira metade do s\u00e9culo XX. A economia chinesa \u00e9 perif\u00e9rica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias centrais, seu desenvolvimento depende da sua estrutura industrial-exportadora atada aos seus principais clientes: \u00a0 os Estados Unidos, a Uni\u00e3o Europeia e o Jap\u00e3o, compradores do grosso das suas exporta\u00e7\u00f5es que constituem aproximadamente a metade da sua produ\u00e7\u00e3o industrial e em consequ\u00eancia cerca de 25% do seu Produto Interno Bruto.<\/p>\n<p>Ela o faz a partir da sua m\u00e3o-de-obra barata, o que permite a essas pot\u00eancias sobre-explorar de maneira directa e indirecta uns 230 milh\u00f5es de oper\u00e1rios industriais e um leque ainda mais vasto de trabalhadores chineses. Acumula mais de 3,5 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares de reservas, montanhas de papeis de valor futuro incerto, o endividamento estatal e empresarial cresce vertiginosamente e sua economia est\u00e1 plenamente integrada no emaranhado financeiro global que provoca impacto no seu interior, gerando bolhas especulativas, distor\u00e7\u00f5es inflacion\u00e1rias, corrup\u00e7\u00e3o institucional\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[5]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>O seu desinchar actual, em acordo com o estancamento dos centros imperiais, \u00e9 inevit\u00e1vel e as tentativas das autoridades para suaviz\u00e1-lo, cont\u00ea-lo dentro de limites manej\u00e1veis, chocam-se cada vez mais com uma configura\u00e7\u00e3o social elitista que bloqueia a expans\u00e3o do mercado interno. A isto acrescenta-se a rigidez de estruturas transnacionais transnacionalizadas, incorporadas a redes comerciais e financeiras globais, tecnologicamente modeladas pela procura dos pa\u00edses ricos cuja reconvers\u00e3o \u00e0 procura local constitui uma esp\u00e9cie de quadratura do c\u00edrculo.<\/p>\n<p>Enquanto isso a China saiu da exist\u00eancia marginal e miser\u00e1vel a que a havia condenado a decad\u00eancia do velho imp\u00e9rio e a coloniza\u00e7\u00e3o ocidental e hoje disp\u00f5e de um potencial industrial, cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, militar, etc (produto dos processos de desenvolvimento iniciados h\u00e1 pouco mais de seis d\u00e9cadas) que a converte num protagonista decisivo das futuras turbul\u00eancias internacionais.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o de uma China &#8221;\u00a0<em>mais desenvolvida&#8221; <\/em>pode ser estendida ao conjunto da periferia, em especial seus grandes pa\u00edses como a \u00cdndia, Brasil ou R\u00fassia e a outros de menor porte como a \u00c1frica do Sul, Argentina ou Venezuela, o que conduz inevitavelmente em direc\u00e7\u00e3o ao campo das ilus\u00f5es em torno da renova\u00e7\u00e3o do capitalismo global a partir da periferia, do seu arranque positivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 decad\u00eancia ocidental (e japonesa). Mas os dados sobre a China, \u00cdndia, Brasil, R\u00fassia, etc, mostram a integra\u00e7\u00e3o dessas economias \u00e0 rede financeira global centrada nos espa\u00e7os especulativos do Ocidente. E apesar de ser certo que as economias perif\u00e9ricas emergentes continuam a crescer, n\u00e3o \u00e9 menos certo que o seu crescimento se vai desinchando. Isso acontece com uma defasagem temporal que se vem sustentando durante o \u00faltimo lustro, mas que poderia ser corrigida proximamente de maneira abrupta.<\/p>\n<p>Ainda que este esclarecimento deva ser associado ao facto de que se verificou uma mudan\u00e7a significativa na geografia econ\u00f3mica mundial, sobretudo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Portanto, agora uma parte significativa da periferia apresenta n\u00edveis relativos de desenvolvimento industrial, militar, urbano, etc que a tornam menos submissa \u00e0 hierarquia global tradicional do capitalismo, mais independente do ponto de vista pol\u00edtico. Medida em\u00a0<em>&#8220;paridade de poder de compra&#8221;, <\/em>a soma dos PIB de tr\u00eas pa\u00edses perif\u00e9ricos \u2013 Brasil, \u00cdndia e China \u2013 hoje \u00e9 equivalente \u00e0 das grandes economias ocidentais (Inglaterra, Fran\u00e7a, Canad\u00e1, It\u00e1lia, Alemanha e Estados Unidos) e o com\u00e9rcio entre os pa\u00edses do Sul \u00e9 quase igual ao que existe entre os pa\u00edses do Norte.<\/p>\n<p>O futuro agravamento da deteriora\u00e7\u00e3o do capitalismo global abre portanto importantes espa\u00e7os de autonomia na periferia, que agora conta com bases produtivas e culturais que lhe poderiam permitir atravessar com maior facilidade as barreiras burguesas e defender-se de eventuais agress\u00f5es externas. Pensemos por exemplo na onda de movimentos sociais e nos crescimentos produtivos da Am\u00e9rica Latina na \u00faltima d\u00e9cada, na China passando de 50 milh\u00f5es para 230 milh\u00f5es de oper\u00e1rios industriais num quarto de s\u00e9culo, numa periferia onde as comunica\u00e7\u00f5es expandiram-se exponencialmente: \u00a0 a massifica\u00e7\u00e3o da Internet em princ\u00edpios da d\u00e9cada passada era uma marca caracter\u00edstica dos pa\u00edses centrais, mas actualmente na periferia os utilizadores de Internet superam as 1500 milh\u00f5es de pessoas contra pouco mais de 600 milh\u00f5es nos pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_23mai13_1.gif?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_23mai13_2.gif?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_23mai13_3.gif?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Isto nos leva ao primeiro indicador da decad\u00eancia global: \u00a0 o decl\u00ednio sem substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 vista do centro dominante (ocidental) do sistema. A integra\u00e7\u00e3o (pol\u00edtica, militar, financeira, etc) das grandes pot\u00eancias capitalistas em torno dos Estados Unidos moldou uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>imperialismo colectivo <\/em>que s\u00f3 um grau muito avan\u00e7ado da decad\u00eancia poderia chegar a desfazer. Por outro lado, nenhuma das economias importantes da periferia est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de ser converter em super-pot\u00eancia imperialista planet\u00e1ria. Fica colocada a possibilidade te\u00f3rica de um capitalismo mundial sem centro imperialista, ou seja, sem um amo capaz de impor regras de jogo ao conjunto do sistema diante do qual estas regras seriam o resultado de uma esp\u00e9cie de id\u00edlica harmonia universal. Desse modo, uma forma\u00e7\u00e3o social essencialmente autorit\u00e1ria conseguiria funcionar de modo democr\u00e1tico no plano internacional estabelecendo regras de jogo minimamente est\u00e1veis: \u00a0 um verdadeiro milagre hist\u00f3rico. A outra alternativa seria a do funcionamento do sistema sem regras de jogo est\u00e1veis a reproduzir-se positivamente em meio ao caos: um milagre hist\u00f3rico ainda maior.<\/p>\n<p>A este indicador decisivo \u00e9 poss\u00edvel acrescentar outros como a tend\u00eancia (desde os anos 1970 at\u00e9 o presente) \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento global, a hipertrofia (hegem\u00f3nica) as redes financeiras cuja expans\u00e3o entrou no n\u00edvel da met\u00e1stase invadindo-degradando a totalidade do sistema global, a evid\u00eancia de rendimentos produtivos decrescentes da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que submetida \u00e0 din\u00e2mica do capitalismo parasit\u00e1rio vai-se convertendo num factor de destrui\u00e7\u00e3o l\u00edquida de for\u00e7as produtivas, o estancamento ou decl\u00ednio na extrac\u00e7\u00e3o de recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis decisivos (como por exemplo o petr\u00f3leo), a decad\u00eancia do estado burgu\u00eas, sua transforma\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses centrais num aparelho manipulado por bandos mafiosos, a desintegra\u00e7\u00e3o social no centro, principalmente nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As diferentes &#8220;crises&#8221; das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas ficam portanto inscritas num processo de decad\u00eancia sist\u00e9mica de longa dura\u00e7\u00e3o. A \u00faltima crise iniciada em 2007-2008 inaugurou uma etapa em que a decad\u00eancia experimenta um gigantesco salto qualitativo. A tend\u00eancia iniciada nos anos 1970 para a redu\u00e7\u00e3o das taxas de crescimento econ\u00f3mico global come\u00e7a a bater no piso: \u00a0 o fat\u00eddico crescimento zero. Ele j\u00e1 chegou para a Uni\u00e3o Europeia, para o Jap\u00e3o que depois de atravess\u00e1-lo agora navega na recess\u00e3o e para os Estados Unidos, esgotam suas \u00faltimas artimanhas financeiras. As reactiva\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais custos e menos eficazes.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses centrais j\u00e1 se encontram a percorrer uma nova etapa em que o desemprego em grande escala, a concentra\u00e7\u00e3o acelerada de rendimentos e o desmantelamento de tecidos produtivos passam a ser aspectos\u00a0<em>&#8220;normais&#8221; <\/em>da sua vida econ\u00f3mica e onde os discursos acerca de uma futura recomposi\u00e7\u00e3o perderam toda a credibilidade. O que parecia ser uma fanfarronada de especialistas quando em Agosto de 2012 o banco franc\u00eas Natixis anunciava que\u00a0<em>&#8220;a crise na zona euro pode durar at\u00e9 vinte anos&#8221; <\/em>surge hoje como um progn\u00f3stico relativamente realista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[6]<\/strong><\/a> . O que n\u00e3o parece realista \u00e9 supor que a\u00a0<em>&#8220;zona euro&#8221; <\/em>poderia sobreviver como espa\u00e7o monet\u00e1rio comum durante duas d\u00e9cadas de contrac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica permanente, salvo se a refer\u00eancia futurista \u00e0 &#8220;zona euro&#8221; limitar-se ao espa\u00e7o geogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio ir mais al\u00e9m da economia integrando-a \u00e0 totalidade social, o que nos permite descrever estrat\u00e9gias, interac\u00e7\u00f5es perversas entre estruturas militares, financeiras, medi\u00e1ticas, religiosas, parlamentares, etc das pot\u00eancias centrais, ou seja, mecanismos de reprodu\u00e7\u00e3o do sistema cujos manipuladores submergem-se no p\u00e2ntano do desespero, da psicologia do n\u00e1ufrago sem esperan\u00e7a. O capitalismo global bloqueado do ponto de vista econ\u00f3mico elabora e p\u00f5e em execu\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gias pol\u00edtico-militares de rapina perif\u00e9rica destinadas a apropriar-se e explorar intensamente at\u00e9 ao esgotamento o conjunto de recursos naturais do planeta e espremer at\u00e9 a sua extin\u00e7\u00e3o os mercados perif\u00e9ricos compensando assim a redu\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios produtivos e dos mercados internos centrais. A apontar contra a maior parte do territ\u00f3rio global e uma popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de pessoas que o habitam, a referida estrat\u00e9gia amea\u00e7a provocar o maior desastre humano e ambiental da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Seria a liquida\u00e7\u00e3o a periferia, devorada numa poucas d\u00e9cadas. Mas a hist\u00f3ria do capitalismo, desde a sua origem, \u00e9 a da articula\u00e7\u00e3o imperialista entre centro e periferia. Sendo esta \u00faltima a base central na reprodu\u00e7\u00e3o ampliada da civiliza\u00e7\u00e3o burguesa, a sua destrui\u00e7\u00e3o integral equivaleria \u00e0 anula\u00e7\u00e3o de um pilar decisivo do sistema. Mais ainda: \u00a0 se visualizarmos o &#8220;centro&#8221; e a &#8220;periferia&#8221; como formas espec\u00edficas da totalidade capitalista mundial (n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento no centro sem subdesenvolvimento na periferia) a anula\u00e7\u00e3o do sub\u00farbio global, sua transforma\u00e7\u00e3o num caos n\u00e3o \u00e9 o esmagamento de uma\u00a0<em>realidade externa <\/em>e sim de um\u00a0<em>espa\u00e7o inferior interno <\/em>estreitamente inter-relacionado com os n\u00edveis superiores do sistema global atrav\u00e9s de um conjunto de redes vis\u00edveis e invis\u00edveis, de infinitas inter-penetra\u00e7\u00f5es. A destrui\u00e7\u00e3o [portanto] \u00e9 a auto-destrui\u00e7\u00e3o do mundo burgu\u00eas, da sua hist\u00f3ria, de subsistemas decisivos para a sua reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do Iraque, do Afeganist\u00e3o, da L\u00edbia, da S\u00edria, do M\u00e9xico e das pr\u00f3ximas v\u00edtimas pode chegar a ser pensada pelos membros mais duros das elites imperiais como uma auto-destrui\u00e7\u00e3o parcial, sacrif\u00edcio necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia do sistema. Nesse caso, encontramo-nos perante um pensamento delirante, uma profunda crise de percep\u00e7\u00e3o da realidade cindida artificialmente entre dois planetas: \u00a0 o pr\u00f3prio, humano, desenvolvido, e o\u00a0<em>outro, <\/em>simiesco, inferior, subdesenvolvido, condenado a perecer. Mas as estrat\u00e9gias imperiais n\u00e3o se limitam a circular pelo mundo imagin\u00e1rio, golpeiam o mundo real e ao faz\u00ea-lo desestruturam o sistema na sua totalidade: \u00a0 a destrui\u00e7\u00e3o da periferia converte-se em auto-destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo como totalidade universal.<\/p>\n<p><strong>As origens: \u00a0do parasitismo ao capitalismo industrial <\/strong><\/p>\n<p>O Ocidente iniciou sua corrida imperial com uma primeira arremetida que terminou em fracasso. Ao despertar o segundo mil\u00e9nio produziram-se paralelamente fen\u00f3menos cuja interac\u00e7\u00e3o criou as bases para uma grande transforma\u00e7\u00e3o social. As cruzadas foram a primeira tentativa s\u00e9ria, em grande escala, de ocupa\u00e7\u00e3o e saqueio colonial de um espa\u00e7o rico e o seu longo desenvolvimento engendrou mudan\u00e7as e amplia\u00e7\u00f5es significativas das actividades militares. Por outro lado, redes de mercadores e banqueiros come\u00e7aram a instalar-se implantando embri\u00f5es de capitalismo.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, impulsionado por um sector\u00a0<em>&#8220;modernizador&#8221; <\/em>da igreja, os monges cisterciences, desenvolveu-se um conjunto de inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que alguns historiadores qualificam como\u00a0<em>&#8220;primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial&#8221;. <\/em>Elas causaram transforma\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em espa\u00e7os limitados da Europa ocidental (introdu\u00e7\u00e3o do moinho hidr\u00e1ulico, do arado met\u00e1lico, difus\u00e3o de melhoras de sementes, etc). Tamb\u00e9m foram dados importantes passos estabelecendo elementos embrion\u00e1rios para futuros desenvolvimentos da ci\u00eancia moderna. Um dos seus cap\u00edtulos decisivos foi a dessacraliza\u00e7\u00e3o da &#8220;natureza&#8221;, sua percep\u00e7\u00e3o como realidade externa, hostil mas que podia ser racionalizada, controlada, explorada, base das grandes revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do capitalismo&#8230; e do desastre ambiental que agora experimentamos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[7]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>Encontramo-nos assim perante o desdobramento de uma grande transforma\u00e7\u00e3o cultural apoiada no militarismo colonial e em emerg\u00eancias comerciais e financeiras, engendrando desenvolvimentos t\u00e9cnico-produtivos, ideol\u00f3gicos, etc. A ascens\u00e3o do parasitismo colonial, militar, comercial e financeiro come\u00e7ava a produzir modernidade burguesa.<\/p>\n<p>Mas as cruzadas foram derrotadas. A expans\u00e3o colonial em direc\u00e7\u00e3o ao rico M\u00e9dio Oriente foi contrariada pela resist\u00eancia das v\u00edtimas, frustrando o saqueio. Por outro lado, os esfor\u00e7os e \u00eaxitos iniciais dos saqueadores havia desordenado a sua retaguarda: \u00a0 a\u00a0<em>cristandade <\/em>ocidental (o espa\u00e7o imperialista). A combina\u00e7\u00e3o desses processos gerou no Ocidente um retrocesso produtivo geral, lutas intestinas, a deteriora\u00e7\u00e3o do sistema alimentar e do estado de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Tudo isso culminou em meados do s\u00e9culo XIV com a\u00a0<em>&#8220;peste negra&#8221;, <\/em>epidemia que se expandiu facilmente numa sociedade fr\u00e1gil atravessada pela fome e causou uma gigantesca queda demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Esse mega desastre significou a sepultura do feudalismo que vinha sendo desestabilizado pela sua expans\u00e3o interna e externa. Isso incluiu o seu sistema militar: \u00a0 o ano 1348 \u00e9 o do in\u00edcio da\u00a0<em>peste negra <\/em>mas em 1346 verificou-se a batalha de Crecy onde a cavalaria francesa com as suas imponentes e pesadas armaduras, for\u00e7a blindada aparentemente invenc\u00edvel, foi derrotada pela infantaria inglesa assinalando o ocaso da velha configura\u00e7\u00e3o social\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[8]<\/strong><\/a> <a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#nt\" target=\"_blank\"><strong>[NT]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>Mas a segunda arremetida colonial teve \u00eaxito. A sucess\u00e3o de ondas de pilhagem e controle da periferia iniciada no s\u00e9culo XV culminou, quase quinhentos anos depois, com a domina\u00e7\u00e3o total do planeta. Os pilares sobre os quais se instalou a modernidade foram em primeiro lugar a depreda\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica que potenciou a expans\u00e3o comercial e financeira e, apoiado por esta \u00faltima, o desenvolvimento das estruturas militares, sua renova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, parte essencial do desenvolvimento de estados desp\u00f3ticos. Foi esse complexo colonial, estatal, militar, comercial e financeiro o pai da modernidade burguesa, acumulando riquezas, destruindo estruturas sociais internas e criando mercados pr\u00f3speros, a\u00e7ambarcando terras, expulsando camponeses para as cidades, formando desde fins do s\u00e9culo XVIII massas de pobres urbanos, m\u00e3o-de-obra barata do capitalismo industrial. Historicamente n\u00e3o foi o capitalismo produtivo (e a cultura burguesa em geral) o ber\u00e7o do estado moderno, do militarismo e das finan\u00e7as e sim exactamente o inverso.<\/p>\n<p>Com toda raz\u00e3o, Robert Kurz referia-se \u00e0s\u00a0<em>&#8220;origens destrutivas do capitalismo&#8221; <\/em>colocando o desenvolvimento militar como o disparador da modernidade\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[9]<\/strong><\/a> . O\u00a0<em>&#8220;Arsenal de Veneza&#8221;, <\/em>f\u00e1brica militar avan\u00e7ada do s\u00e9culo XVI sem cuja exist\u00eancia \u00e9 imposs\u00edvel explicar o resultado da batalha de Lepanto, ou seja, a vit\u00f3ria estrat\u00e9gica do Ocidente sobre o Imp\u00e9rio Otomando, foi uma das escolas mais importantes de organiza\u00e7\u00e3o industrial. Suas inova\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de divis\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o do trabalho assentaram as bases da produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Mas junto ao senhor da guerra, \u00e0 monarquia desp\u00f3tica, encontrava-se o banqueiro, por sua vez ligado a neg\u00f3cios comerciais. Exemplo: \u00a0 a\u00a0<em>Casa Fugger, <\/em>facilitando fundos ao imperador Carlos I e seu descendente Felipe II, titulares de um vasto sistema colonial.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o industrial chegar\u00e1 mais de dois s\u00e9culos depois, disposta sobre um enorme\u00a0<em>excedente (surpl\u00fas) hist\u00f3rico <\/em><a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/beinstein_23mai13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[10]<\/strong><\/a> que foi n\u00e3o s\u00f3 acumula\u00e7\u00e3o de riquezas coloniais como tamb\u00e9m disciplinamento social por parte do estado e do seu dispositivo militar.<\/p>\n<p>Desta vez o parasitismo p\u00f4de parir capitalismo com tanto \u00eaxito que conseguiu ocultar a mem\u00f3ria das suas origens e desse modo instalar armadilhas ideol\u00f3gicas destinadas n\u00e3o s\u00f3 a construir legitimidade produtivista como tamb\u00e9m para confundir tanto os seus partid\u00e1rios como os seus inimigos.<\/p>\n<p><strong>Ur\u00f3boros. <\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/uroboros.jpg?w=747\" border=\"0\" align=\"right\" \/>O\u00a0<em>mito de ur\u00f3boros, <\/em>da serpente que se devora a si mesma atravessa v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es desde a Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica at\u00e9 o Antigo Egipto, chegando ao Ocidente medieval. Fundamenta-se na ilus\u00e3o conservadora de que a serpente come\u00e7a devorando sua cauda e ao faz\u00ea-lo vai regenerando seu pr\u00f3prio corpo num jogo infinito onde o come\u00e7o \u00e9 ao mesmo tempo o fim e vice-versa, consumando-se o eterno retorno, a imortalidade do mundo. O mito pareceria encontrar uma refer\u00eancia concreta em casos observ\u00e1veis desse animal a alimentar-se e suicidar-se ao mesmo tempo. O espect\u00e1culo \u00e9 aterrador.<\/p>\n<p>A confronta\u00e7\u00e3o entre o mito e a sua refer\u00eancia real sugere a reflex\u00e3o em torno do que poderia ser qualificado como &#8220;armadilha de ur\u00f3boros&#8221;: \u00a0 a civiliza\u00e7\u00e3o burguesa, tal como outras civiliza\u00e7\u00f5es anteriores em decad\u00eancia, considera que devorar uma parte mais long\u00ednqua, menos pr\u00f3xima da cabe\u00e7a imperial, recupera for\u00e7as e dinamiza seu funcionamento. N\u00e3o experimenta nenhuma sensa\u00e7\u00e3o de horror, n\u00e3o se angustia e sim, muito pelo contr\u00e1rio, provisoriamente sente-se melhor, melhora a sua auto-estima fundada no esmagamento e pilhagem dos fracos. Para que se ponha em marcha e avance o processo de suic\u00eddio \u00e9 necess\u00e1rio que o suicida realize uma esp\u00e9cie de ruptura psicol\u00f3gica com a parte do seu corpo que est\u00e1 a ser sacrificada. A cauda deixa de ser cauda ou, talvez, passa a ser a cauda de outro animal. A periferia deixa de ser periferia do sistema e converte-se em outro universo, seus habitantes deixam de ser seres humanos. A realidade afasta-se da cabe\u00e7a, a crise de percep\u00e7\u00e3o converte-se em loucura suicida.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno tem antecedentes na hist\u00f3ria do sistema, nos seus mecanismos de reprodu\u00e7\u00e3o desde as suas origens mais long\u00ednquas, atravessando suas etapas mais pr\u00f3speras.<\/p>\n<p>Dito de outro modo, debaixo das revolu\u00e7\u00f5es culturais e produtivas da modernidade, do\u00a0<em>progresso <\/em>no seu sentido mais amplo, podemos encontrar pistas que nos conduzem ao actual processo de auto-destrui\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica global. A dissocia\u00e7\u00e3o homem-natureza, fundamento das revolu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da modernidade, converte-se finalmente em degrada\u00e7\u00e3o ambiental planet\u00e1ria. A explora\u00e7\u00e3o imperialista da periferia, interac\u00e7\u00e3o desenvolvimento-subdesenvolvimento como motor hist\u00f3rico da expans\u00e3o global de for\u00e7as produtivas tende agora ao exterm\u00ednio de sociedade e recursos naturais, as finan\u00e7as impulsionadoras de mercados e investimentos industriais transforma-se em devoradora de tecidos produtivos e capacidades de consumo, etc.<\/p>\n<p>O mito de\u00a0<em>ur\u00f3boros <\/em>exprimiu-se na tradi\u00e7\u00e3o europeia-n\u00f3rdica como\u00a0<em>J\u00f6rmungander, <\/em>uma gigantesca serpente cujo crescimento, numa das vers\u00f5es do tema, leva-a a rodear completamente o planeta at\u00e9 chegar \u00e0 sua pr\u00f3pria cauda iniciando-se a autofagia apresentada como o resultado inevit\u00e1vel do \u00eaxito do processo expansivo. Este encontra o limite superior, o m\u00e1ximo n\u00edvel de expans\u00e3o, n\u00e3o como fronteira externa ao monstro e sim como auto-bloqueio. A solu\u00e7\u00e3o para a trag\u00e9dia n\u00e3o passa por persuadir a serpente, totalmente decidida a seguir o rumo escolhido inscrito na sua din\u00e2mica de desenvolvimento, e sim na metamorfose \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o radical da besta num ser diferente. N\u00e3o h\u00e1 outro capitalismo poss\u00edvel, o que abre a perspectiva do p\u00f3s-capitalismo e instala dramaticamente a sua necessidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong><a name=\"13fe8fdf19420c56_13f534bb7c99cbba_13f5344fa5e655e6_notas\"><\/a>(1) Robert Kaplan, &#8221;\u00a0<em>El retorno de la Antig\u00fcedad&#8221; <\/em>, Ediciones B, Barcelona, 2002. <\/strong><\/p>\n<p><strong>(2) Juvenal, Satiras, Editorial Gredos, Madrid, 1991, Satira VI. <\/strong><\/p>\n<p><strong>(3) Angelo Tasca, &#8220;El nacimiento del fascismo&#8221;, pp. 152-153, Cr\u00edtica, Barcelona, 2000. <\/strong><\/p>\n<p><strong>4)\u00a0<em>Max Horkheimer, &#8220;\u00c9clipse de la Raison&#8221;, <\/em>pp. 29-30, Payot, Par\u00eds, 1974. <\/strong><\/p>\n<p><strong>(5) Os dados estat\u00edsticos aqui assinalados apoiam-se em n\u00fameros dos anos 2011 e 2012. <\/strong><\/p>\n<p><strong>(6) Natixis, &#8221;\u00a0<em>The euro-zone crisis may last 20 years <\/em>&#8220;, Flash Economics-Economic Research, August 16th 2012 &#8211; N\u00ba 534 <\/strong><\/p>\n<p><strong>(7) Jean Gimpel, &#8220;La r\u00e9volution industrielle du Moyen Age&#8221;, \u00c9ditions du Seuil, Paris, 1975. <\/strong><\/p>\n<p><strong>(8) A batalha de Crecy constituiu um acontecimento decisivo mas n\u00e3o foi a primeira da s\u00e9rie. Em 1302 as mil\u00edcias populares de Courtrai (B\u00e9lgica) haviam derrotado a p\u00e9, com chu\u00e7os e lan\u00e7as, a cavalaria feudal do Conde de Artois. A cavalaria feudal foi-se desmoronando gradualmente, golpeada por uma realidade social em transforma\u00e7\u00e3o. Em 1415, a batalha de Agincourt, onde novamente a cavalaria francesa foi aniquilada pela infantaria inglesa, encerra definitivamente o ciclo militar do feudalismo. O processo desenvolveu-se ao longo do espa\u00e7o europeu durante algo mais de um s\u00e9culo. Exemplo: a infantaria su\u00ed\u00e7a derrotou a golpes de machado (uma\u00a0<em>alabarda <\/em>com mais dois metros de comprimento) a cavalaria austr\u00edaca em Morgarten (1315), Laupen (1339), Sempach (1386). <\/strong><\/p>\n<p><strong>(9) Robert Kurz,\u00a0<em>&#8220;Los or\u00edgenes destructivos del capitalismo&#8221;, <\/em>1997, <\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.oocities.org\/pimientanegra2000\/kurz_origen_destructivo_capitalismo.htm\" target=\"_blank\">www.oocities.org\/pimientanegra2000\/kurz_origen_destructivo_capitalismo.htm<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>(10) Anouar Abdel Malek, &#8220;Political Islam&#8221;, Socialism in the World, Number 2, Beograd 1978. <\/strong><\/p>\n<p><strong><a name=\"13fe8fdf19420c56_13f534bb7c99cbba_13f5344fa5e655e6_nt\"><\/a>[NT] Caso an\u00e1logo ao da batalha de Aljubarrota, em que a infantaria portuguesa derrotou a cavalaria castelhana. Ver artigo do General Vasco Gon\u00e7alves: \u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/portugal\/aljubarrota_vg.html\" target=\"_blank\">A Revolu\u00e7\u00e3o de 1383-85<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a name=\"13fe8fdf19420c56_13f534bb7c99cbba_13f5344fa5e655e6_asterisco\">[*]<\/a> Professor da Universidade de Buenos Aires. Comunica\u00e7\u00e3o apresentada na jornada internacional &#8220;CHAVEZ SIEMPRE&#8221; Crisis mundial y agresiones imperialistas: \u00a0 Venezuela y las luchas emancipadoras en Nuestra Am\u00e9rica. Jueves 23 mayo, Auditorio Alcald\u00eda Girardot, Maracay. Tradu\u00e7\u00e3o de JF. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este ensaio encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Jorge Beinstein*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5108\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ko","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}