{"id":5112,"date":"2013-07-17T00:00:13","date_gmt":"2013-07-17T00:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5112"},"modified":"2013-07-17T00:00:13","modified_gmt":"2013-07-17T00:00:13","slug":"conflito-colombiano-so-sera-superado-com-mudancas-politicas-economicas-e-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5112","title":{"rendered":"Conflito colombiano s\u00f3 ser\u00e1 superado com mudan\u00e7as pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrevista exclusiva de\u00a0Carlos Lozano ao Tribuna Popular (jornal do Partido Comunista Venezuelano)<\/p>\n<p>A classe dominante ataca o conflito restringindo a democracia. \u00c9\u00a0preciso erradicar as causas que originaram o conflito. As garantias democr\u00e1ticas devem ser tamb\u00e9m para a esquerda e para os setores democr\u00e1ticos. \u00c9 necess\u00e1rio que se abra caminho para a Constituinte. \u00c9 fundamental a press\u00e3o popular e internacional para que Santos permane\u00e7a na mesa. O processo de paz n\u00e3o pode ser ref\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es. A Marcha Patri\u00f3tica se formula como op\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>Tribuna Popular.- No marco de uma visita realizada a Caracas, por convite do Comit\u00ea de Solidariedade Internacional (COSI) da Venezuela, para promover o apoio ao processo dos di\u00e1logos de paz na Col\u00f4mbia, Carlos Lozano Guill\u00e9n \u2013 Membro do Comit\u00ea Executivo Central do Partido Comunista Colombiano (PCC), Diretor do seman\u00e1rio VOZ e porta-voz do movimento Marcha Patri\u00f3tica \u2013, de 20 a 22 de junho, cumpriu uma intensa agenda de trabalho.<\/p>\n<p>Um momento especial na viagem foi sua visita \u00e0\u00a0Sede Nacional do Partido Comunista da Venezuela (PCV), onde, por cerca de quatro horas, se reuniu com uma ampla delega\u00e7\u00e3o do Bir\u00f4\u00a0Pol\u00edtico, encabe\u00e7ada por Oscar Figuera, Secret\u00e1rio Gera do PCV, numa profunda e fraternal troca de impress\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de nossos pa\u00edses e as iniciativas para o estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre os dois Partidos.<\/p>\n<p>Carlos Lozano Guill\u00e9n concedeu uma entrevista exclusiva ao Tribuna Popular, \u00f3rg\u00e3o do Comit\u00ea Central do PCV, na qual detalha a an\u00e1lise e a vis\u00e3o do PCC sobre o conflito colombiano e o processo de paz, que reproduzimos adiante na \u00edntegra:<\/p>\n<p>TP: \u2013No povo colombiano e na Am\u00e9rica Latina existe muita expectativa pelos di\u00e1logos que est\u00e3o se desenvolvendo em Havana pelo processo de paz na Col\u00f4mbia. Qual \u00e9 o significado destes novos di\u00e1logos?<\/p>\n<p>CLG:\u00a0\u2013T\u00eam um duplo significado, o que \u00e9 muito importante para a Col\u00f4mbia. Porque os di\u00e1logos de paz significam a busca de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, democr\u00e1tica, do longo conflito colombiano, de colocar um ponto final \u00e0 guerra de mais de seis d\u00e9cadas, que deixou imensas trag\u00e9dias e que, \u00e9 claro, se converteu numa esp\u00e9cie de espada de D\u00e2mocles para nosso pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 pelo drama da confronta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela precariedade da democracia, cada vez mais restrita, na medida que a classe dominante colombiana acredita que a melhor forma de atacar o conflito \u00e9 restringindo a democracia, precarizando as condi\u00e7\u00f5es e as liberdades p\u00fablicas\u00a0do povo colombiano.<\/p>\n<p>\u2013As for\u00e7as revolucion\u00e1rias vem caracterizando o conflito colombiano como social e pol\u00edtico. Os di\u00e1logos de paz apontam a solu\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es que deram origem ao conflito social e pol\u00edtico?<\/p>\n<p>\u2013Tem que ser assim. Ou seja, o conflito colombiano n\u00e3o \u00e9 apenas militar. Possui sua origem econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. Por isso, para superar o conflito, \u00e9 preciso que se erradique as causas da origem do mesmo. \u00c9 preciso consistir numa abertura da democracia e para as melhores condi\u00e7\u00f5es do povo colombiano. Por isso \u00e9 que n\u00f3s falamos de paz com democracia e com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>\u2013Estes di\u00e1logos est\u00e3o avan\u00e7ando com base numa agenda que foi acordada pelo governo de Juan Manuel Santos e as FARC-EP, em agosto do ano passado. Nesta agenda se encontra condensada a solu\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos do povo colombiano?<\/p>\n<p>\u2013Existe um acordo geral que cont\u00e9m uma agenda que apresenta seis pontos, entre eles o tema agr\u00e1rio, o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o tema das v\u00edtimas, o marco jur\u00eddico que se chama de justi\u00e7a transicional, o tema do cessar fogo, os direitos humanos. No segundo tema, sobre participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cujas negocia\u00e7\u00f5es come\u00e7aram agora, as FARC fizeram dez propostas que contemplam temas fundamentais pol\u00edticos, para poder avan\u00e7ar rumo \u00e0 melhores condi\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de liberdades p\u00fablicas, do estatuto da oposi\u00e7\u00e3o, dos direitos de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e das garantias, n\u00e3o somente para as insurg\u00eancias que se beneficiam com os processos de paz, mas para a esquerda e os setores democr\u00e1ticos, de que v\u00e3o ter um tratamento de igualdade ante a lei para efeitos dos espa\u00e7os pol\u00edticos e eleitorais.<\/p>\n<p>Os temas econ\u00f4micos e sociais t\u00eam que estar contemplados. De fato, uma parte deles j\u00e1\u00a0o est\u00e3o, no tema agr\u00e1rio. Por\u00e9m, o tema de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e os temas superiores relacionados \u00e0 agenda, ser\u00e3o aprofundados, por exemplo, o modelo econ\u00f4mico, o tema dos direitos trabalhistas. Sem d\u00favida que, na estreita rela\u00e7\u00e3o com o modelo, tem que se incluir o tema da sa\u00fade, que est\u00e1 totalmente\u00a0privatizada e est\u00e1 precarizando as condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, esses temas est\u00e3o na agenda, possuem rela\u00e7\u00e3o com o conflito, est\u00e3o reconhecidos no pre\u00e2mbulo e no contexto do acordo geral que fala de que o conflito colombiano s\u00f3\u00a0pode ser superado se existirem mudan\u00e7as de natureza pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. Isso foi acordado pelo governo que, no entanto, agora diz que esses pontos n\u00e3o est\u00e3o na agenda, porque separa a agenda do pre\u00e2mbulo e do contexto. Por\u00e9m, sem d\u00favida, isso tem que ser levado em considera\u00e7\u00e3o e, se querem a paz, t\u00eam que incluir os temas sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edtico que possuem espa\u00e7o na agenda. O que acontece \u00e9 que o governo, em sua vis\u00e3o estreita, acredita que tudo pode ser resolvido dizendo \u00e0 guerrilha que seus dirigentes poder\u00e3o ser senadores, congressistas, que poder\u00e3o aspirar aos cargos de elei\u00e7\u00e3o popular&#8230;<\/p>\n<p>\u2013Uma barganha?<\/p>\n<p>\u2013Sim, uma barganha. E, certamente, isso \u00e9 importante, pois se as FARC e o ELN, as guerrilhas, conquistam a paz, aspirar\u00e3o um espa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o. No entanto, eles dizem que isso n\u00e3o \u00e9 o fundamental, porque o que ser\u00e1 resolvido em Havana s\u00e3o problemas da sociedade colombiana, de todo o pa\u00eds e, por isso, caso se queira a paz, a paz com democracia e com justi\u00e7a social, s\u00e3o fundamentais as mudan\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>\u2013O Estado colombiano e o governo t\u00eam uma identidade capitalista e as FARC, historicamente, se reivindicam como marxistas-leninistas. Portanto, possuem um projeto socialista. Como podem se acordar for\u00e7as que possuem projetos de pa\u00eds absolutamente antag\u00f4nicos?<\/p>\n<p>\u2013A\u00ed, o importante \u00e9 que tanto as FARC como o governo saibam colocar os limites existentes nessa mesa de di\u00e1logo. Porque n\u00e3o se pode aspirar uma revolu\u00e7\u00e3o por contrato, n\u00e3o se pode fazer isso numa mesa de di\u00e1logo. As revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pelos povos, s\u00e3o feitas pelas massas populares e creio que isso \u00e9 perfeitamente compreendido pela guerrilha das FARC.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ali na mesa de di\u00e1logos de Havana, o alcance das mudan\u00e7as \u00e9\u00a0relacionado aos problemas que originaram o conflito, que s\u00e3o os que est\u00e3o contemplados nessa agenda contida no acordo geral. Ou seja, n\u00e3o s\u00e3o marximalistas, s\u00e3o mudan\u00e7as muito concretas e, por isso insisto, do que se fala \u00e9 de paz com democracia e com justi\u00e7a social, n\u00e3o estamos falando de paz com socialismo ou paz sem capitalismo. Isso n\u00e3o se est\u00e1 negociando.<\/p>\n<p>Uma vez que se conquiste a paz com democracia e justi\u00e7a social, o desafio para a esquerda, incluindo as for\u00e7as insurgentes que se beneficiam com o processo de paz, \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para a constru\u00e7\u00e3o de caminhos para uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade colombiana. Isso est\u00e1 claro, ou seja, a esquerda unit\u00e1ria deve converter-se numa op\u00e7\u00e3o real de poder popular na Col\u00f4mbia. Uma abertura democr\u00e1tica pode ajudar esse projeto, justamente, por conta do fato de que a esquerda n\u00e3o ter avan\u00e7ado o suficiente na Col\u00f4mbia n\u00e3o se deve apenas aos erros \u2013 porque eles existem, \u00e9 claro \u2013, por\u00e9m n\u00e3o se deve s\u00f3 e exclusivamente aos erros da esquerda. O fundamental foi o vazio da democracia, a guerra suja, a intimida\u00e7\u00e3o, as campanhas de exterm\u00ednio, a estigmatiza\u00e7\u00e3o da esquerda, que \u00e9 o que conseguiu enfraquec\u00ea-la, quase aniquil\u00e1-la em muitos epis\u00f3dios tr\u00e1gicos da hist\u00f3ria colombiana.<\/p>\n<p>Aqui se trata \u00e9\u00a0de ganhar um espa\u00e7o democr\u00e1tico suficiente para que essa esquerda e os setores democr\u00e1ticos possam atuar no cen\u00e1rio pol\u00edtico em p\u00e9 de igualdade, sem intimida\u00e7\u00f5es, sem que se afete a vida e a exist\u00eancia dessas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, de tal maneira que possam atuar no espa\u00e7o pol\u00edtico, no panorama nacional com op\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>\u2013Tanto as FARC como outras organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ressaltaram que o di\u00e1logo de paz n\u00e3o pode resumir-se \u00e0 mesa de Havana e estimulam F\u00f3runs, Encontros, espa\u00e7os de debate e discuss\u00e3o, elaborando propostas para o estudo das partes em di\u00e1logo. Este chamado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o \u00e9 para o conjunto da sociedade ou para uma parte dela?<\/p>\n<p>\u2013\u00c9 justamente gerar o espa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o. Como diz\u00edamos antes, em Havana n\u00e3o se v\u00e3o resolver os problemas da guerrilha ou do governo, mas problemas da sociedade. Ent\u00e3o, essa sociedade, que \u00e9 heterog\u00eanea, tem que garantir esse espa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o. Um deles s\u00e3o os F\u00f3runs nacionais convocados pela mesa, que s\u00e3o organizados pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e pela Universidade Nacional, as mesas regionais, que s\u00e3o organizadas pelo Congresso. Por\u00e9m, al\u00e9m disso, as pr\u00f3prias iniciativas das organiza\u00e7\u00f5es populares, democr\u00e1ticas tamb\u00e9m est\u00e3o ocorrendo. A\u00a0Marcha Patri\u00f3tica, por exemplo, est\u00e1 promovendo as Constituintes Regionais, Territoriais e Tem\u00e1ticas em todo o pa\u00eds, que s\u00e3o express\u00f5es da vontade do povo de construir uma op\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para respaldar o processo de Havana e, tamb\u00e9m, de fazer suas pr\u00f3prias propostas, apresentar quais s\u00e3o suas iniciativas, que enriquecem o debate de Havana.<\/p>\n<p>\u2013Essa iniciativa de Constituintes Regionais est\u00e1 inserida na proposta feita pelas FARC sobre a necessidade de uma Assembleia Nacional Constituinte?<\/p>\n<p>\u2013Sim. De fato, as Constituintes Regionais est\u00e3o, porque s\u00e3o propostas pela Marcha Patri\u00f3tica e convocam todas as organiza\u00e7\u00f5es populares. De toda a maneira tratam-se de exerc\u00edcios pedag\u00f3gicos do que pode ser uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e t\u00eam como objetivo principal promover a ANC, j\u00e1 que a mesma precisa ser um acordo entre as partes, legitimado e legalizado pelo pr\u00f3prio Congresso da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as Constituintes Regionais s\u00e3o um peso real na vida nacional, na medida que contribuem para abrir caminho \u00e0 ANC, que \u00e9 a vontade do eleitorado, que \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, com o entendimento de que \u00e9 m\u00faltipla. Ou seja, a\u00ed estar\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es populares, democr\u00e1ticas, os sindicatos, os Partidos pol\u00edticos de direita ou de esquerda, os diferentes estamentos que comp\u00f5em a sociedade, por alguns chamada de \u201csociedade civil\u201d.<\/p>\n<p>\u2013Na Col\u00f4mbia, legalmente, como se pode convocar uma ANC?<\/p>\n<p>\u2013A\u00a0ANC \u00e9 convocada pelo Congresso da Rep\u00fablica, como proposta do governo nacional ou de um grupo representativo de cidad\u00e3os. Neste caso, certamente seria uma proposta do governo ao Congresso como parte do acordo da mesa de Havana.<\/p>\n<p>\u2013As FARC preveem que o governo fa\u00e7a a proposta ao Congresso e que este fa\u00e7a essa convocat\u00f3ria e estabele\u00e7a a forma de integra\u00e7\u00e3o da ANC?<\/p>\n<p>\u2013Prev\u00ea isso ou sua alternativa, que um grupo numeroso, conforme dito na Constitui\u00e7\u00e3o, de cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, o solicite, mediante um documento p\u00fablico. Ou seja, caso o governo se negue a faz\u00ea-lo, seria poss\u00edvel utilizar essa alternativa. Claro, como \u00e9 uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o, o que se pretende \u00e9 que o governo a aceite e a apresente ao Congresso, tendo em vista que o governo possui a maior quantidade de parlamentares. Atrav\u00e9s de sua coalis\u00e3o de governo, chamada \u201cUnidade Nacional\u201d, tem 92% do Congresso. Portanto, n\u00e3o pode dizer que n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a suficiente para isso.<\/p>\n<p>\u00c9 um pouco o que dizia um dos dirigentes das FARC, Pablo Catatumbo, numa entrevista em que falava que o governo necessita de capacidade de manobra, governabilidade. Porque, na realidade, o que se v\u00ea \u00e9 que, apesar de controlar o Congresso, existem demasiadas fissuras, inclusive no pr\u00f3prio governo, pois enquanto Santos diz uma coisa, o Ministro de Defesa diz outra. Ent\u00e3o, quando reclamamos ao governo e ao presidente que fa\u00e7a coes\u00e3o no governo, o que Santos explica \u00e9: \u201cah, \u00e9 que existem uns Ministros que saem da linha do governo\u201d. N\u00e3o, um governo n\u00e3o pode ter duas linhas e a solu\u00e7\u00e3o ele tem. Para que exista apenas uma linha, aqueles que n\u00e3o se submeterem, t\u00eam de sair.<\/p>\n<p>\u2013O PCC \u00e9 otimista sobre as possibilidades reais deste di\u00e1logo?<\/p>\n<p>\u2013O Partido Comunista \u00e9 moderadamente otimista. N\u00e3o somos pessimistas, mas tampouco exageradamente otimistas. Somos conscientes das contradi\u00e7\u00f5es do presidente Santos, de suas veleidades, de suas vacila\u00e7\u00f5es, das concess\u00f5es que faz ao militarismo. Ent\u00e3o, esse vaiv\u00e9m pode levar a um determinado momento em que adote uma linha distinta da que vem mantendo at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Santos n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma pessoa de confian\u00e7a. N\u00f3s o reconhecemos como uma pessoa audaz, para cham\u00e1-lo de alguma maneira, por ter se sentado numa mesa de di\u00e1logo com as FARC, mas tamb\u00e9m reconhecemos suas profundas debilidades. Uma delas \u00e9 que ele \u00e9 indeciso, faz concess\u00f5es, se deixa levar pelas mudan\u00e7as de \u00e2nimo, pelas pesquisas. Quando as pesquisas mostram sua popularidade muito baixa, ele busca uma maneira de subi-la, fortalecendo, \u00e0s vezes, a linha militar para aproximar-se da direita ou promovendo qualquer outro tipo de concess\u00e3o. Ent\u00e3o, numa dessas veleidades dele, repentinamente, pode terminar rompendo o processo. Essa \u00e9 uma possibilidade. Certamente, aqui \u00e9 fundamental a press\u00e3o popular na Col\u00f4mbia, a press\u00e3o internacional, para que este senhor fique na mesa, pois ele nunca se comprometeu em permanecer ali, qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o que se d\u00ea. Em contrapartida, a delega\u00e7\u00e3o das FARC sempre disse: daqui n\u00e3o nos levantamos. Se vai romper, que rompa o governo.<\/p>\n<p>\u2013Para 2014, est\u00e3o previstas, na Col\u00f4mbia, as elei\u00e7\u00f5es legislativas em mar\u00e7o e presidenciais em maio. As FARC apresentaram a ideia de que se adiem as elei\u00e7\u00f5es. Santos e o governo imediatamente responderam negativamente a essa possibilidade. Ajudaria aos di\u00e1logos de paz adiar as elei\u00e7\u00f5es por um ano?<\/p>\n<p>\u2013N\u00f3s somos partid\u00e1rios de discutir o assunto. Acreditamos que est\u00e1 fundamentado, a delega\u00e7\u00e3o de paz das FARC apresentou a proposta com argumentos, com argumentos orientados a continuar pressionando o governo quanto aos tempos fatais, que s\u00e3o os tempos eleitorais, e aos tempos de mandato, dizendo: o tempo da atual legislatura se esgotar\u00e1 e n\u00e3o ser\u00e3o introduzidas mudan\u00e7as que requeridas no pa\u00eds&#8230;<\/p>\n<p>\u2013O processo de paz deve ser ligado aos per\u00edodos eleitorais?<\/p>\n<p>\u2013O processo de paz n\u00e3o pode ser ref\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es e nem do tempo de mandato. O processo de paz possui sua din\u00e2mica. \u00c9 que estamos falando de um conflito de seis d\u00e9cadas, de profundas contradi\u00e7\u00f5es. \u00c9, justamente, por isso que est\u00e3o sentados, negociando, porque s\u00e3o partes que n\u00e3o pensam igual e que, sobre alguns temas, pensam de maneira diametralmente oposta. Construir acordos sobre essa base n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: requer tempo, requer a busca de consensos. Aqui tem que ser com base em consensos, \u00e9 a forma como v\u00e3o se definir os caminhos. Ent\u00e3o, o processo de paz n\u00e3o pode depender de prazo. A proposta das FARC foi orientada um pouco nesse sentido: bom, se esse \u00e9 o problema, prolonguemos o tempo. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o agrada o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, n\u00e3o sei, a partir do ponto de vista legal, o qu\u00e3o fat\u00eddico seria, o qu\u00e3o ajustado \u00e0 lei e \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Seria necess\u00e1rio analisar, falar com os especialistas nestes temas. Ainda que na Col\u00f4mbia os advogados, eu tamb\u00e9m o sou, s\u00e3o especialistas em buscar brechas&#8230; se diz \u201cfeita a lei, feita a armadilha\u201d.<\/p>\n<p>\u2013O processo de paz colombiano e estes di\u00e1logos em particular, n\u00e3o t\u00eam prazo, n\u00e3o se sabe o quanto v\u00e3o durar?<\/p>\n<p>\u2013O governo vem violando o acordo geral, pois o acordo geral n\u00e3o contempla tempo, o acordo geral fala de um tempo razo\u00e1vel. O que \u00e9 um tempo razo\u00e1vel? O tempo que n\u00e3o \u00e9 indefinido, que n\u00e3o \u00e9 eterno, mas que \u00e9 estritamente indispens\u00e1vel para resolver um assunto, um problema. \u00c9 disso que se trata, que o processo de di\u00e1logo tenha o tempo estritamente indispens\u00e1vel para ele. Al\u00e9m disso, o acordo agrega uma metodologia e diz a cada per\u00edodo \u00e9 necess\u00e1rio apresentar um balan\u00e7o quanto o andamento do di\u00e1logo, a fim de dinamizar o processo, de fazer os ajustes que sejam necess\u00e1rios. Em nenhuma parte se defende que tais acordos transcorram de maneira lenta. Ent\u00e3o, o governo pode romper. N\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio. Quando se diz que \u00e9 preciso fazer um balan\u00e7o para dinamizar o di\u00e1logo, o objetivo \u00e9 que, se descoberto que o mesmo n\u00e3o segue num bom ritmo, seja colocado o ritmo e n\u00e3o para romper. Ent\u00e3o, o governo incorre em duas viola\u00e7\u00f5es do acordo: a primeira, estabelece um tempo arbitrariamente, o que, de fato, n\u00e3o consta no acordo. A segunda, amea\u00e7a com a ruptura, quando n\u00e3o est\u00e1 tampouco prevista a ruptura no acordo. No acordo, o que se diz \u00e9 que o objetivo \u00e9 a paz est\u00e1vel e duradoura, n\u00e3o a ruptura.<\/p>\n<p>\u2013Justamente, falando sobre essas possibilidades de ruptura e de a\u00e7\u00f5es que sabotam os di\u00e1logos, o presidente Santos recebeu em Bogot\u00e1 o ex-candidato presidencial Capriles Radonski. Qual \u00e9 a aprecia\u00e7\u00e3o do PCC com respeito a esta a\u00e7\u00e3o e o impacto do papel que o governo venezuelano tem jogado no processo de paz?<\/p>\n<p>\u2013O Partido Comunista repudiou essa reuni\u00e3o, al\u00e9m de qualific\u00e1-la como um ato de inimizade e desleal do presidente Santos com o governo bolivariano da Venezuela, porque Capriles n\u00e3o \u00e9 o chefe da oposi\u00e7\u00e3o simplesmente. Como explica Santos: \u201ca qualquer pa\u00eds que v\u00e1, eu me re\u00fano com a oposi\u00e7\u00e3o\u201d, e alguns dizem: ah, Piedad C\u00f3rdoba ia \u00e0 Venezuela, se reunia com Ch\u00e1vez e agora se re\u00fane com Maduro. Por\u00e9m, esse n\u00e3o \u00e9 o ponto. O senhor Capriles n\u00e3o \u00e9 um l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um l\u00edder dos golpistas, dos que querem minar a democracia na Venezuela e que desconhece os resultados leg\u00edtimos, constitucionais, democr\u00e1ticos de um processo eleitoral, desconhece o governo bolivariano. Ent\u00e3o, \u00e9 um ato no qual se est\u00e1 favorecendo n\u00e3o a um chefe da oposi\u00e7\u00e3o, mas a um perturbado, a um golpista.<\/p>\n<p>E o outro \u00e9\u00a0o ato de deslealdade com quem serviu \u00e0 causa da paz na Col\u00f4mbia. O presidente Ch\u00e1vez foi definitivo para que funcionasse a mesa de di\u00e1logo e, hoje, o \u00e9 o presidente Maduro. Isso foi dito pelo pr\u00f3prio chefe da delega\u00e7\u00e3o do governo, o Doutor de la Calle Lombana: a Venezuela foi fundamental para que possamos chegar a um final feliz. O mesmo foi repetido por Iv\u00e1n M\u00e1rquez, representante da delega\u00e7\u00e3o de paz das FARC. Aqui Santos se equivocou. Eu n\u00e3o acredito que t\u00e3o de boa f\u00e9, n\u00e3o acredito que tenha sido ing\u00eanuo nisto, porque essa decis\u00e3o de Santos resultou depois da visita do Vice-presidente dos EUA \u00e0 Col\u00f4mbia. Foi ent\u00e3o que recebeu Capriles e quando anunciou, inclusive, o ingresso \u00e0 OTAN, que \u00e9 um pacto militarista, agressivo.<\/p>\n<p>\u2013A OTAN protagonizou invas\u00f5es e agress\u00f5es imperialistas em distintos pa\u00edses. Qual \u00e9 a opini\u00e3o do PCC sobre a proposta de Santos de incorporar a Col\u00f4mbia nessa organiza\u00e7\u00e3o militarista?<\/p>\n<p>\u2013Essa \u00e9 a quest\u00e3o: o que tem a ver a Col\u00f4mbia com um pacto agressivo-militarista como a OTAN?\u00a0Inclusive, os pr\u00f3prios europeus que fazem parte da OTAN disseram que, geograficamente, a Col\u00f4mbia n\u00e3o cabe na organiza\u00e7\u00e3o. Os EUA disseram que eles poderiam ajudar para que a Col\u00f4mbia estivesse no Pacto da OTAN, porque t\u00eam interesse no territ\u00f3rio colombiano para instalar suas bases militares, amea\u00e7ando todo o continente e, certamente, intervindo mais diretamente no conflito colombiano, mais do que vem fazendo n\u00e3o ao longo destes \u00faltimos anos, mas ao longo de todo o conflito colombiano.<\/p>\n<p>\u2013Durante os dois mandatos presidenciais de Uribe, se dizia muito no mundo que o governo colombiano era o Israel da Am\u00e9rica Latina.\u00a0E com Santos, continua sendo assim?<\/p>\n<p>\u2013Claro, \u00e9 o Caim da Am\u00e9rica. N\u00e3o \u00e9 um problema de presidentes, \u00e9 um problema da classe dominante colombiana. Concordemos que foi em Bogot\u00e1 onde se fundou a OEA, o minist\u00e9rio de col\u00f4nias ianques, como dizia o comandante Fidel Castro em seu tempo, e o primeiro Secret\u00e1rio Geral foi o Chanceler Lleras Camago, que era um s\u00edmbolo dos norte-americanos, uma personalidade colombiana. A classe dominante colombiana, a oligarquia colombiana sempre foi servil, submissa aos interesses do imperialismo. Para eles o tempo n\u00e3o passou, continuam sem a dignidade de se colocarem em sintonia com as novas realidades que existem hoje na Am\u00e9rica Latina, de se colocarem pr\u00f3ximos \u00e0 CELAC, \u00e0 UNASUL e \u00e0 ALBA. N\u00e3o, a Col\u00f4mbia continua olhando pelos olhos de Washington e, por isso, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que Mister Biden chegue a Bogot\u00e1 e que, tr\u00eas dias depois, Santos receba Capriles e fa\u00e7a o an\u00fancio da OTAN, que \u00e9 um velho sonho dos EUA: converter a Col\u00f4mbia num territ\u00f3rio de Bases norte-americanas.<\/p>\n<p>\u2013Em abril do ano passado lan\u00e7ou-se um movimento denominado\u00a0Marcha Patri\u00f3tica, do qual faz parte o PCC. O que \u00e9 a\u00a0Marcha Patri\u00f3tica e qual \u00e9 sua perspectiva?<\/p>\n<p>\u2013 A\u00a0Marcha Patri\u00f3tica \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que \u00e9 integrada fundamentalmente por organiza\u00e7\u00f5es de base, agr\u00e1rias, sindicais, estudantis, de mulheres, de trabalhadores, de pessoas ligadas \u00e0 cultura, de todos que representam o espectro da sociedade colombiana \u00e1vida de mudan\u00e7as, de transforma\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 isso que representa a\u00a0Marcha Patri\u00f3tica.\u00a0E, portanto, tamb\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como o Partido Comunista, como o grupo liberal Poder Cidad\u00e3o, de Piedad C\u00f3rdoba, outros grupos menores que sa\u00edram do Polo e que fazem parte da\u00a0Marcha Patri\u00f3tica.<\/p>\n<p>A\u00a0Marcha Patri\u00f3tica tem uma dupla finalidade dentro de sua premissa fundacional, que \u00e9: 1 \u2013 trabalhar pela paz, defender o processo de paz de Havana, construir um caminho para a sa\u00edda pol\u00edtica, democr\u00e1tica, do conflito colombiano; 2 \u2013 a Unidade, a unidade da esquerda e dos setores democr\u00e1ticos. N\u00e3o s\u00f3 a unidade revolucion\u00e1ria, mas a unidade democr\u00e1tica tamb\u00e9m, para formular uma op\u00e7\u00e3o de poder, que \u00e9 a que pode consolidar a paz. Um poder popular e democr\u00e1tico na Col\u00f4mbia pode iniciar a mudan\u00e7a para o Socialismo. N\u00e3o podemos aspir\u00e1-lo na mesa de Havana. Em Havana, ocorrer\u00e1 uma abertura democr\u00e1tica para que se alcance o objetivo final, que \u00e9 o que desejamos. Por\u00e9m, isso tem que ser complementado com um movimento muito amplo, muito forte, influente, alternativo no pa\u00eds. Um movimento de movimentos populares que possa capturar o poder para produzir as mudan\u00e7as e abrir caminho para o Socialismo, para uma nova realidade de uma Col\u00f4mbia nova, poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u2013Para o PCC continuam vigentes os postulados do fundamentais do marxismo-leninismo na luta pelos Socialismo e o Comunismo?<\/p>\n<p>\u2013Disso\u00a0n\u00e3o resta a menor d\u00favida. N\u00f3s fizemos nosso Congresso Nacional no ano passado, onde reafirmamos o car\u00e1ter marxista-leninista do Partido Comunista e nossa concep\u00e7\u00e3o socialista e comunista para uma nova sociedade. Para isso trabalhamos. Portanto, dentro desse conceito, adotamos nossa t\u00e1tica e tudo isto que estamos fazendo hoje, de construir um conceito de unidade popular, muito amplo, com op\u00e7\u00e3o de poder, vai na dire\u00e7\u00e3o de gerar as condi\u00e7\u00f5es para que possamos avan\u00e7ar rumo esse desafio socialista, rumo esse desafio revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2013Nesse contexto, qual \u00e9 o papel que est\u00e1 cumprindo o seman\u00e1rio VOZ?<\/p>\n<p>\u2013O\u00a0VOZ cumpre o papel de ser uma ferramenta ideol\u00f3gica no campo da comunica\u00e7\u00e3o e da batalha de ideias. O VOZ, \u00e9 claro, \u00e9 um meio de comunica\u00e7\u00e3o expressamente ligado \u00e0 vida e \u00e0 exist\u00eancia do Partido Comunista Colombiano, por\u00e9m vai mais al\u00e9m do Partido Comunista. \u00c9 uma esp\u00e9cie de ponte entre o PCC e o movimento popular, o movimento sindical, os setores mais avan\u00e7ados. Por isso, nos preocupamos muito que nosso discurso, nossa mensagem, interprete essa realidade, sem abandonar nossos princ\u00edpios, sem abandonar nossa condi\u00e7\u00e3o militante e comunista. No entanto, tamb\u00e9m devemos entender que nossa mensagem transcende os limites do Partido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nesse sentido, o peri\u00f3dico \u00e9\u00a0uma ferramenta para a luta ideol\u00f3gica, para a luta popular, para a luta de massas e, por isso, insistimos. O peri\u00f3dico expressa a plena vig\u00eancia do conceito leninista de ser um organizador, um educador, um agitador, um propagandista, um organizador da luta popular, nossa mensagem tem que ser muito direto e tem que ir nessa dire\u00e7\u00e3o.\u00a0Reclamamos sempre o direito que temos de faz\u00ea-lo. N\u00e3o ca\u00edmos na hipocrisia da imprensa burguesa de dizer que somos neutros. N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o somos neutros.\u00a0N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, estamos alinhados com uma pol\u00edtica, com uma concep\u00e7\u00e3o, com uma ideologia revolucion\u00e1ria e com ela trabalhamos e n\u00e3o a ocultamos e n\u00e3o a negamos.<\/p>\n<p>A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o que colocamos para tornar mais eficaz nosso trabalho \u00e9 nos apoiarmos na verdade, isso sim.\u00a0N\u00e3o inventamos nada.\u00a0N\u00e3o descontextualizamos as propostas que fazemos, nos baseamos em conceitos reais, ver\u00eddicos, em coisas que existiram, em fatos hist\u00f3ricos que se d\u00e3o e que nos auxiliam na formula\u00e7\u00e3o de nossos projetos te\u00f3ricos, nossos projetos ideol\u00f3gicos e que s\u00e3o parte de nossa contribui\u00e7\u00e3o a esta luta revolucion\u00e1ria na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/prensapcv.wordpress.com\/2013\/06\/23\/el-conflicto-colombiano-solo-se-superara-con-cambios-politicos-economicos-y-sociales\/\" target=\"_blank\">http:\/\/prensapcv.wordpress.com\/2013\/06\/23\/el-conflicto-colombiano-solo-se-superara-con-cambios-politicos-economicos-y-sociales\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5112\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-5112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ks","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}