{"id":5126,"date":"2013-07-19T19:16:11","date_gmt":"2013-07-19T19:16:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5126"},"modified":"2013-07-19T19:16:11","modified_gmt":"2013-07-19T19:16:11","slug":"o-estado-sionista-mantem-2000-refugiados-africanos-em-cadeia-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5126","title":{"rendered":"O ESTADO SIONISTA MANT\u00c9M 2.000 REFUGIADOS AFRICANOS EM CADEIA NO DESERTO"},"content":{"rendered":"\n<p>Na pris\u00e3o de Saharonim, que fica no deserto do Negev, no sul de Israel, se encontram homens, mulheres e crian\u00e7as do Sud\u00e3o e da Eritreia, que tentaram entrar no pa\u00eds a p\u00e9, atrav\u00e9s da pen\u00ednsula eg\u00edpcia do Sinai.<\/p>\n<p>Desde que Israel concluiu a constru\u00e7\u00e3o da cerca que separa o Sinai do sul do pa\u00eds, em 2012, houve uma queda de mais de 99% no n\u00famero de refugiados africanos que conseguem entrar no territ\u00f3rio israelense.<\/p>\n<p>Os poucos que conseguem ultrapassar a cerca (desde o inicio de 2013 foram apenas 34) s\u00e3o imediatamente levados para a pris\u00e3o de Saharonim.<\/p>\n<p>No entanto, de 2007 a 2012, cerca de 60.000 cidad\u00e3os da Eritreia e do Sud\u00e3o, que fugiram de seus pa\u00edses para salvar suas vidas, conseguiram entrar em Israel.<\/p>\n<p>Essas pessoas vivem no pa\u00eds sem qualquer reconhecimento de sua condi\u00e7\u00e3o de refugiados e sem que o Estado avalie as circunst\u00e2ncias nas quais deixaram seus pa\u00edses e entraram em Israel. &#8220;Se entrevistassem essas pessoas, se as ouvissem, descobririam que a grande maioria delas \u00e9 de refugiados pol\u00edticos e que merecem receber o status e os direitos de refugiados&#8221;, afirmou Sigal Rozen, da ONG israelense Hotline for Migrant Workers (centro de assist\u00eancia a trabalhadores estrangeiros, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>&#8220;Se verificassem a situa\u00e7\u00e3o delas, as autoridades seriam obrigadas, pela lei internacional, a conceder o status de refugiado a dezenas de milhares de pessoas, ent\u00e3o preferem nem avaliar&#8221;, acrescentou a <strong>Opera Mundi<\/strong>.<\/p>\n<p>A lei internacional pro\u00edbe que um pa\u00eds repatrie pessoas cujas vidas podem estar amea\u00e7adas em seu pa\u00eds de origem. Esse \u00e9 o caso do Sud\u00e3o, assolado por uma sangrenta guerra civil e da Eritreia, controlada por uma das ditaduras militares mais cru\u00e9is do planeta.<\/p>\n<p><strong>\u00d3dio racial<\/strong><\/p>\n<p>Sem documentos e sem direito de trabalhar legalmente, a popula\u00e7\u00e3o de refugiados africanos vive em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e se concentra principalmente na regi\u00e3o sul da cidade de Tel Aviv.<\/p>\n<p>Essa \u00e1rea da cidade, que \u00e9 a mais pobre da grande metr\u00f3pole israelense, virou cen\u00e1rio de \u00f3dio racial por parte dos habitantes locais contra os refugiados africanos.<\/p>\n<p>Esse \u00f3dio, parte em consequ\u00eancia do incitamento conduzido por pol\u00edticos de direita contra os refugiados africanos, e parte em decorr\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de vida nos bairros pobres e densos da cidade, vem se alastrando e, nos \u00faltimos dois anos, j\u00e1 causou algumas erup\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n<p>Em 2012, houve uma s\u00e9rie de ataques por parte de israelenses racistas contra casas e pequenos neg\u00f3cios de africanos, deixando v\u00e1rios lugares depredados e pessoas feridas.<\/p>\n<p>Entre os pol\u00edticos de direita que incitam contra os africanos est\u00e1 a deputada Miri Regev, do partido governista Likud e chefe da Comiss\u00e3o de Interior do Parlamento. Regev chegou a qualificar os refugiados africanos como &#8220;c\u00e2ncer no corpo da na\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Politica de avestruz&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>ONGs de direitos humanos acusam o governo israelense de conduzir uma &#8220;politica de avestruz&#8221; na quest\u00e3o dos refugiados africanos. &#8220;Em vez de enfrentar o problema e tentar resolv\u00ea-lo, simplesmente deixam os refugiados jogados nas \u00e1reas mais pobres de Tel Aviv, sem assist\u00eancia m\u00e9dica ou social&#8221;, disse Rozen.<\/p>\n<p>O governo israelense qualifica os refugiados africanos como &#8220;infiltrados&#8221;, ou seja, pessoas que &#8220;se infiltram&#8221; pela fronteira, supostamente para procurar trabalho no pa\u00eds, e n\u00e3o os reconhece como refugiados.<\/p>\n<p>O ministro do Interior, Gideon Saar, afirmou que &#8220;precisamos continuar agindo energicamente para barrar esse fen\u00f4meno, continuaremos com a pol\u00edtica do governo de repatriar infiltradores para seus pa\u00edses de origem ou para terceiros pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, porta-vozes oficiais v\u00eam afirmando que o governo est\u00e1 conduzindo negocia\u00e7\u00f5es com pa\u00edses africanos para que recebam os cidad\u00e3os eritreus e sudaneses que se encontram em Israel. Por\u00e9m ainda n\u00e3o se sabe se algum pa\u00eds se disp\u00f4s a receb\u00ea-los.<\/p>\n<p>De acordo com o ministro, Israel &#8220;\u00e9 o \u00fanico pa\u00eds ocidental que tem fronteira com a \u00c1frica e, se n\u00e3o agirmos de maneira clara e sem concess\u00f5es, o pa\u00eds ser\u00e1 inundado por infiltradores ilegais&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Endurecimento das leis<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Lei de Preven\u00e7\u00e3o de Infiltra\u00e7\u00e3o, aprovada pelo Parlamento de Israel em junho de 2012, qualquer refugiado africano que tente entrar sem documentos no pa\u00eds pode ser preso por um per\u00edodo de pelo menos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, o Parlamento tamb\u00e9m aprovou uma nova cl\u00e1usula \u00e0 mesma lei, que permite que qualquer imigrante sem papeis que for suspeito de contraven\u00e7\u00f5es seja imediatamente enviado \u00e0 pris\u00e3o de Saharonim.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/saharonim-hotline.jpg?w=747\" border=\"0\"  align=\"right\" \/><\/p>\n<p>&#8220;De acordo com a nova cl\u00e1usula, se um imigrante eritreu \u00e9 suspeito de roubar uma bicicleta, pode ser enviado a Saharonim por tempo indeterminado, nem \u00e9 necess\u00e1rio um julgamento, basta a suspeita&#8221;, afirmou Sigal Rozen.<\/p>\n<p>Rozen conseguiu entrar na pris\u00e3o de Saharonim juntamente com alguns advogados da ONG e p\u00f4de ver de perto as condi\u00e7\u00f5es no local.<\/p>\n<p>Segundo o relato da organiza\u00e7\u00e3o, trata-se de um complexo que inclui constru\u00e7\u00f5es e barracas. &#8220;As mulheres e crian\u00e7as ficam nas constru\u00e7\u00f5es, a maioria dos homens fica nas barracas&#8221;, disse Rozen, que acrescentou que a temperatura no deserto do Negev pode chegar a mais de 40 graus.<\/p>\n<p>O governo israelense continua endurecendo as condi\u00e7\u00f5es dos refugiados para &#8220;desestimular&#8221; esse tipo de migra\u00e7\u00e3o. Em junho deste ano, o Parlamento aprovou mais uma lei proposta pelo governo, proibindo que os &#8220;infiltradores&#8221; enviem dinheiro para o exterior at\u00e9 deixarem o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo um comunicado do governo, o objetivo da nova lei \u00e9 &#8220;reduzir o n\u00famero de infiltradores&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Sequestro e estupro no caminho<\/strong><\/p>\n<p>A reportagem de\u00a0<strong>Opera Mundi<\/strong> tamb\u00e9m conversou com Shahar Shoham, respons\u00e1vel pelo departamento de refugiados na ONG M\u00e9dicos pelos Direitos Humanos\/ Israel.<\/p>\n<p>A ONG entrou com um recurso junto \u00e0 Suprema Corte de Justi\u00e7a exigindo que haja atendimento ginecol\u00f3gico para as mulheres africanas presas em Saharonim.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas dessas mulheres passaram por experi\u00eancias terr\u00edveis no caminho para c\u00e1&#8221;, disse Shoham, &#8220;houve muitos casos de sequestro e estupro, por gangues de bedu\u00ednos no Sinai, e na pris\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos ginecologistas&#8221;.<\/p>\n<p>O recurso foi apresentado \u00e0 Corte h\u00e1 dois anos, por\u00e9m at\u00e9 agora ainda n\u00e3o h\u00e1 ginecologistas em Saharonim. &#8220;Nossa ONG e todas as outras organiza\u00e7\u00f5es que trabalham pelos direitos dos refugiados africanos, exigimos que seja feita uma avalia\u00e7\u00e3o transparente e justa da situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas, e que aqueles que merecem recebam o status e todos os direitos de refugiados&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Para a ativista, Israel deve conceder aos refugiados do Sud\u00e3o e da Eritreia o direito de &#8220;resid\u00eancia social&#8221;. &#8220;Enquanto essas pessoas se encontram aqui, elas devem receber assist\u00eancia m\u00e9dica e social, al\u00e9m do direito de trabalhar legalmente para que possam se sustentar&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para que os refugiados sejam mantidos na pris\u00e3o, eles n\u00e3o cometeram crime algum, apenas fugiram de seus pa\u00edses para se salvar&#8221;.<\/p>\n<p>POSTADO:\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/reportagens\/29834\/israel+mantem+2.000+refugiados+africanos+em+cadeia+no+deserto.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/reportagens\/29834\/israel+mantem+2.000+refugiados+africanos+em+cadeia+no+deserto.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5126\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1kG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}