{"id":5153,"date":"2021-07-17T01:13:35","date_gmt":"2021-07-17T04:13:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5153"},"modified":"2021-07-17T01:13:35","modified_gmt":"2021-07-17T04:13:35","slug":"reflexoes-sobre-a-acao-direta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5153","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre a a\u00e7\u00e3o direta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.standard.co.uk\/2021\/04\/22\/09\/2021-04-22T064605Z_2026083185_RC2U0N9954IA_RTRMADP_3_CLIMATE-CHANGE-BRITAIN.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Agita\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica ou t\u00e1tica revolucion\u00e1ria?<\/p>\n<p>LavraPalavra<\/p>\n<p>Por Matheus Miranda<\/p>\n<p>No \u00faltimo ato de rua pelo Fora Bolsonaro (3J), autonomistas quebraram vidra\u00e7as de estabelecimentos privados, pontos de \u00f4nibus e tapumes de obra, inclusive assustando um trabalhador que estava em seu turno de seguran\u00e7a em um dos terrenos. Deixo claro aqui: n\u00e3o tenho pena de vidra\u00e7a e de patrim\u00f4nio privado. Querem quebrar coisas e chamar de a\u00e7\u00e3o direta? Quebrem. N\u00e3o \u00e9 esse o tema central da discuss\u00e3o. Cada organiza\u00e7\u00e3o, grupo de pessoas, adota as t\u00e1ticas que acha mais coerente e depois lida com as consequ\u00eancias, colhe os frutos disso. Sejam bons ou ruins. S\u00f3 vale lembrar aqui que as empresas t\u00eam seguro para essas coisas que foram quebradas e que o preju\u00edzo para eles \u00e9 de quase zero. Sigamos.<\/p>\n<p>O que quero tratar aqui \u00e9 da conduta das pessoas que estavam ali naquelas a\u00e7\u00f5es. S\u00e3o em maioria jovens ativistas que rejeitam a organiza\u00e7\u00e3o coletiva, rejeitam os espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular, da democracia popular, deliberam por conta pr\u00f3pria quais ser\u00e3o as t\u00e1ticas utilizadas nos atos e outros espa\u00e7os, e depois querem ser reconhecidos como representantes leg\u00edtimos do povo. Esse \u00e9 o primeiro ponto. As a\u00e7\u00f5es desses grupos n\u00e3o ajudam em nada na constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia coletiva, da consci\u00eancia de classe contra os exploradores do povo. E ainda por cima d\u00e1 muni\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as de repress\u00e3o do Estado para atacar os manifestantes e \u00e0 m\u00eddia para criminalizar as manifesta\u00e7\u00f5es e tornar nosso trabalho muito mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Lenin, em sua obra \u201cQue Fazer?\u201d de 1902, comenta sobre as dificuldades do movimento revolucion\u00e1rio de realizar um trabalho constante na sociedade russa da \u00e9poca por causa da criminaliza\u00e7\u00e3o e das seguidas pris\u00f5es dos militantes e do desmonte das estruturas de jornais populares e da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, no geral. Esse texto segue atual, pois n\u00e3o \u00e9 como se a pol\u00edcia precisasse de motivos para reprimir e prender, mas com \u201ca\u00e7\u00e3o direta\u201d desordenada e sem prop\u00f3sito para al\u00e9m de si, eles passam a ter motivos concretos, e se aproveitam disso para criminalizar todos os manifestantes de esquerda presentes.<\/p>\n<p>Devemos nos lembrar que agora estamos tendo que lidar com a presen\u00e7a desse ou daquele grupo de direita nos atos, e que esse tipo de a\u00e7\u00e3o fortalece a despolitiza\u00e7\u00e3o dos atos e incentiva o bloco burgu\u00eas a disput\u00e1-los conosco, pois agora tem a m\u00eddia com argumentos ao seu favor. No que nos toca, tivemos no ato de s\u00e1bado (3 de julho) a pris\u00e3o de alguns integrantes do dito \u201cbloco combativo\u201d, entre eles, Matheus Machado, que segue preso por falsas alega\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra um seguran\u00e7a da linha amarela do metr\u00f4 e de furto de seu capacete. \u00c9 inquestion\u00e1vel a urg\u00eancia de exigirmos a soltura do companheiro preso injustamente, mas que sirva de li\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s o que pode acontecer quando nos expomos demais em nossas redes sociais. Eu mesmo conversei algumas vezes com esse companheiro sobre o qu\u00e3o impr\u00f3prio \u00e9 o uso que faz de suas redes, e muitos outros camaradas fizeram o mesmo. Ficou claro em sua deten\u00e7\u00e3o que os policiais o conheciam, fizeram quest\u00e3o de prend\u00ea-lo e ainda disseram que sua pris\u00e3o era \u201cquest\u00e3o de honra\u201d. N\u00e3o somos Marighella, Fidel, Angela Davis. N\u00e3o temos (ainda) milh\u00f5es ao nosso lado e organiza\u00e7\u00f5es com verba e estrutura para fazer nossa defesa em corte e agitar a opini\u00e3o p\u00fablica massivamente por nossa liberdade. N\u00e3o lutamos para sermos m\u00e1rtires, lutamos para sermos LIVRES DE TODA EXPLORA\u00c7\u00c3O. Liberdade para Matheus J\u00c1! Mas sem hero\u00edsmo, saudosismo e fetiche derrotista por m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9: s\u00e3o pessoas que n\u00e3o entendem o crit\u00e9rio para o sacrif\u00edcio. Estamos em luta contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, contra toda forma de opress\u00e3o, contra o imperialismo e o massacre do nosso povo, e devemos lutar sem medo de sacrif\u00edcio. Mas sacrif\u00edcio \u00e9 quando voc\u00ea se entrega, se prejudica individualmente, p\u00f5e a cara a tapa, por uma conquista coletiva infinitamente maior do que voc\u00ea ou sua dor ou o perigo que correu. Sacrif\u00edcio \u00e9 se colocar \u00e0 servi\u00e7o do coletivo por um objetivo CONCRETO. Quebrar coisas e sair correndo N\u00c3O \u00c9 SACRIF\u00cdCIO, \u00e9 molecagem pseudo-revolucion\u00e1ria, \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da cultura pequeno-burguesa do individualismo e do hero\u00edsmo est\u00e9tico que se inculca nas mentes da nossa juventude a partir dos aparelhos de hegemonia cultural (cinema, televis\u00e3o, etc.). \u00c9 sintoma do isolamento ao qual estamos submetidos desde muito antes da pandemia, que nos sequestra pelas telas dos celulares, computadores e videogames, que inunda nossas mentes a partir de programas policialescos de TV e da dissemina\u00e7\u00e3o do medo entre n\u00f3s. O medo \u00e9 um afeto isolante, nos faz esquecer que n\u00e3o estamos sozinhos.<\/p>\n<p>Mas nossos amigos autonomistas, bem no fundo, sabem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. Pois no s\u00e1bado (03\/07), quando come\u00e7ou a rea\u00e7\u00e3o policial \u00e0s a\u00e7\u00f5es do bloco combativo, os indiv\u00edduos que estavam participando da \u201ca\u00e7\u00e3o direta\u201d se abrigaram justamente no bloco do PCB \u2013 diga-se de passagem, o bloco com a melhor organiza\u00e7\u00e3o e esquema de seguran\u00e7a de todos os atos, at\u00e9 agora \u2013 para se misturarem \u00e0s mais de 900 pessoas que se encontravam ali, blocadas, em fileiras e protegidas pelo cord\u00e3o humano dos camaradas da comiss\u00e3o de seguran\u00e7a (esses, sim, prontos para se sacrificarem em nome da seguran\u00e7a coletiva do bloco e de todos que nele estavam). Me recuso a entrar nas falsas pol\u00eamicas daqueles que gritaram contra o PCB momentos antes da repress\u00e3o. Esse grupo n\u00e3o \u00e9 digno de aten\u00e7\u00e3o, estava desde o princ\u00edpio das a\u00e7\u00f5es diretas buscando criar animosidade entre seu bloco e o bloco do PCB, inclusive tendo um integrante seu entrando em nosso bloco para nos provocar. Portanto, n\u00e3o discutirei aqui motivos de entrarem no bloco do PCB durante a repress\u00e3o, sen\u00e3o o instinto de autoprote\u00e7\u00e3o e de buscarem seguran\u00e7a dentro da coletividade, assim mantemos o debate dentro das linhas da honestidade e fora da especula\u00e7\u00e3o e polemiza\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria.<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o do autonomismo \u00e9 colocada em exposi\u00e7\u00e3o justamente em momentos como esse, em que essas pessoas est\u00e3o no auge da realiza\u00e7\u00e3o de seus fetiches pequeno-burgueses e se deparam com a realidade concreta, com a repress\u00e3o estatal e com o risco de vida, e de imediato buscam seguran\u00e7a no coletivo, abandonando seus princ\u00edpios autonomistas sem pensar duas vezes. A\u00ed n\u00e3o tem autoritarismo, horizontalismo, nada disso. \u00c9 a bala ou o bloco. \u00c9 gritante a vacila\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos diante do poder concreto, da repress\u00e3o policial, do poder organizativo de um bloco bem constru\u00eddo. Se colocam contra a repress\u00e3o estatal, se dizendo her\u00f3is, marginais, pessoas \u201cterrivelmente revolucion\u00e1rias\u201d, como diria Lenin. Ao mesmo tempo que se colocam contra o PCB e outros partidos, se prostrando como os \u00fanicos revolucion\u00e1rios de fato, as pessoas que t\u00eam coragem, que n\u00e3o se entregam nem se vendem \u00e0 ningu\u00e9m. Mas na primeira bomba da pol\u00edcia, foram se esconder no bloco dos \u201celeitoreiros\u201d, \u201crevisionistas\u201d e \u201cpacifistas\u201d. Destru\u00edram um tapume de obras e atearam fogo no entulho dentro do terreno. Se s\u00e3o revolucion\u00e1rios e estavam fazendo \u201ca\u00e7\u00e3o direta\u201d, por que n\u00e3o tomaram o terreno para si, n\u00e3o fizeram uma forma\u00e7\u00e3o de defesa nos limites do terreno e o defenderam da rea\u00e7\u00e3o estatal? O objetivo n\u00e3o \u00e9 a tomada do poder?<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o que fizessem como foi feito em Seattle ano passado, que cercassem o per\u00edmetro com seus mais bravos companheiros e proclamassem a \u201cZona Livre da Rua Consola\u00e7\u00e3o\u201d. Mas n\u00e3o foi o que ocorreu, buscaram prote\u00e7\u00e3o no PCBloco, para depois se aproximarem do metr\u00f4 e se engajarem em um conflito sem sentido com os seguran\u00e7as da linha amarela, gerando uma situa\u00e7\u00e3o de caos em que alguns integrantes do bloco foram furtados e muitos outros quase foram atropelados por um carro de som que trocou rispidamente de faixa ap\u00f3s ser atacado pelos mesmos autonomistas. N\u00e3o entrarei na pol\u00eamica desse carro de som, que tamb\u00e9m errou do come\u00e7o ao fim.<\/p>\n<p>Terceiro ponto: precisamos demarcar bem a diferen\u00e7a entre a\u00e7\u00e3o direta como recurso est\u00e9tico e a\u00e7\u00e3o direta como t\u00e1tica revolucion\u00e1ria. A primeira forma elencada \u00e9 a que se enquadra na atua\u00e7\u00e3o de nossos amigos do bloco combativo. Como j\u00e1 disse, por se tratarem de integrantes de uma pequena-burguesia culta, letrada e por vezes bem versada em teoria, mas muito distante (na sua grande maioria, salvo exce\u00e7\u00f5es) da pr\u00e1tica cotidiana e do trabalho de base, se utiliza da chamada a\u00e7\u00e3o direta como recurso est\u00e9tico, como agita\u00e7\u00e3o e propaganda. Fazem isso por recha\u00e7arem a organiza\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o aceitarem o verdadeiro sacrif\u00edcio do militante de aprender errando, dentro do centralismo democr\u00e1tico, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 uma milit\u00e2ncia que \u00e9 mais ativismo do que milit\u00e2ncia, orientada pelo calor das vontades e sonhos dos indiv\u00edduos. Nesses espa\u00e7os se ganha no grito, se organiza no susto e n\u00e3o existe uma coletividade de fato, apenas na apar\u00eancia, o que inclusive justifica a busca por um ente coletivo que lhes d\u00ea seguran\u00e7a quando o bicho pega com a pol\u00edcia. Seu bloco n\u00e3o est\u00e1 preparado para o confronto, n\u00e3o compreende o que \u00e9 recuo t\u00e1tico, forma\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o coordenada, em bloco. Sequer possui uma comiss\u00e3o de seguran\u00e7a pr\u00f3pria. Todos \u201cfazem\u201d a seguran\u00e7a, todos \u201cagitam\u201d, todos \u201cpropagandeiam\u201d. Mas sabemos desde os prim\u00f3rdios da organiza\u00e7\u00e3o da luta prolet\u00e1ria que cachorro com muito dono acaba por morrer de fome.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia ser diferente com a organiza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o direta. Essas pessoas compreendem que a\u00e7\u00e3o direta \u00e9 qualquer ato de viol\u00eancia contra o patrim\u00f4nio p\u00fablico ou privado em qualquer ato de rua, a qualquer momento. Muito diferente da a\u00e7\u00e3o direta como t\u00e1tica revolucion\u00e1ria, essa do ato de s\u00e1bado serviu para atrair a aten\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia para n\u00f3s, e n\u00e3o como t\u00e1tica diversionista, de distrair as for\u00e7as de repress\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o de um recuo t\u00e1tico por parte dos trabalhadores diante de um avan\u00e7o da repress\u00e3o. At\u00e9 porque, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o havia repress\u00e3o! Fica muito clara a desorienta\u00e7\u00e3o de nossos amigos quanto ao prop\u00f3sito da a\u00e7\u00e3o direta, pois uma t\u00e1tica que deveria servir \u00e0 n\u00f3s vem servindo ao inimigo. Seja \u00e0 m\u00eddia burguesa oportunista em sua campanha pela infiltra\u00e7\u00e3o direitista nos atos, seja aos c\u00e3es raivosos da tropa de choque, que se n\u00e3o fosse por outro oportunista, o governador Jo\u00e3o D\u00f3ria, estariam todo ato na rua nos violentando,e que amam de paix\u00e3o quando nos colocamos a praticar \u201ca\u00e7\u00e3o direta\u201d, pois assim eles podem dizer que t\u00eam motivo para avan\u00e7ar contra n\u00f3s, seja aos verdadeiros oportunistas eleitoreiros da esquerda autorizada, limpinha, que sempre que v\u00eaem a a\u00e7\u00e3o dos autonomistas, se prontificam a soar o apito da matilha de choque do alto de seus carros som (e que os autonomistas em quest\u00e3o raramente denunciam, pois costumam estar ocupados denunciando o PCB por seja l\u00e1 qual for o pseudo-fato da vez). A t\u00e1tica n\u00e3o deve nos servir para extravasar sentimentos vazios de revolta e apenas quebrar algumas coisas e atear fogo em outras. A t\u00e1tica \u00e9 o movimento que fazemos para pegar o inimigo de cal\u00e7a curta, e n\u00e3o para que n\u00f3s sejamos pegos assim. Barricada se faz diante de um inimigo que est\u00e1 na sua frente, e n\u00e3o quando se est\u00e1 cercado. E \u00e9 sempre bom lembrar que panfletagem no transporte p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 a\u00e7\u00e3o direta, que entrega de cestas b\u00e1sicas tamb\u00e9m \u00e9 a\u00e7\u00e3o direta, que fazer ocupa\u00e7\u00e3o e lutar por ela tamb\u00e9m \u00e9 a\u00e7\u00e3o direta, e todas essas, infinitamente mais radicais do que p\u00f4r fogo em entulho e chamar isso de barricada, ainda facilitando para a pol\u00edcia na pris\u00e3o de um companheiro de luta.<\/p>\n<p>Sejamos her\u00f3is, mas, acima de tudo, sejamos inteligentes e dedicados em nossa constru\u00e7\u00e3o, sejamos abnegados de todo e qualquer princ\u00edpio individualista que nos jogue para o hero\u00edsmo vazio dos filmes de a\u00e7\u00e3o hollywoodianos, sejamos impec\u00e1veis na assimila\u00e7\u00e3o da teoria revolucion\u00e1ria para que nossa pr\u00e1tica nas ruas seja ainda mais impec\u00e1vel, para que quando for o momento da verdadeira a\u00e7\u00e3o direta, \u2013 das verdadeiras barricadas e bloqueios \u2013 o povo olhe para n\u00f3s e veja em n\u00f3s n\u00e3o a express\u00e3o de uma sociedade adoecida por fetiches com viol\u00eancia, derrota e hero\u00edsmo, mas verdadeiros defensores da causa prolet\u00e1ria, os mais fi\u00e9is soldados do povo, que n\u00e3o pensam duas vezes na hora de fazer sacrif\u00edcios necess\u00e1rios, mas que tamb\u00e9m possuem o discernimento para reconhec\u00ea-los e diferenci\u00e1-los de sacrif\u00edcios que na primeira curva da estrada se provam em v\u00e3o. Ser her\u00f3i s\u00f3 pode significar uma coisa para n\u00f3s: n\u00e3o tolerar o hero\u00edsmo individualista, se opondo a ele por meio da organiza\u00e7\u00e3o e do trabalho coletivo, fazendo do povo o seu pr\u00f3prio her\u00f3i.<\/p>\n<p>Nota do editor: Nunca \u00e9 demais lembrar que essa teoria do \u201cterrorismo excitativo\u201d \u00e9 t\u00e3o velha quanto a crise do velho terrorismo revolucion\u00e1rio, cujas a\u00e7\u00f5es visavam n\u00e3o agitar as massas, mas efetivamente debilitar os poderes estabelecidos. Com a palavra, L\u00eanin:<\/p>\n<p>\u201cTodas as discuss\u00f5es e diverg\u00eancias ulteriores entre os sociais-democratas russos est\u00e3o contidas, como a planta na semente, nessas duas perspectivas. A partir da\u00ed concebe-se que o Rab\u00f3tcheie Dielo n\u00e3o tenha resistido \u00e0 espontaneidade do \u201ceconomicismo\u201d, nem tenha podido resistir \u00e0 espontaneidade do terrorismo. \u00c9 interessante notar a argumenta\u00e7\u00e3o original com que a Svoboda apoia o terrorismo. Nega completamente o papel de intimida\u00e7\u00e3o do terror (Renascimento do Revolucionismo, p. 64); mas por outro lado valoriza seu \u201ccar\u00e1ter excitativo\u201d. Isto \u00e9 caracter\u00edstico, em primeiro lugar, como uma das fases da desagrega\u00e7\u00e3o e da decad\u00eancia desse c\u00edrculo tradicional de ideias (pr\u00e9-social-democrata) que fazia com que se mantivesse a liga\u00e7\u00e3o com o terrorismo. Admitir que agora \u00e9 imposs\u00edvel \u201cintimidar\u201d e, por conseguinte, desorganizar o governo atrav\u00e9s do terrorismo, significa, no fundo, condenar completamente o terrorismo como m\u00e9todo de luta, como esfera de atividade consagrada por um programa.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o que ainda \u00e9 mais caracter\u00edstico, como exemplo de incompreens\u00e3o de nossas tarefas prementes no que diz respeito a \u201ceduca\u00e7\u00e3o da atividade revolucion\u00e1ria das massas\u201d. A Svoboda prega o terrorismo como meio de \u201cexcitar\u201d o movimento oper\u00e1rio, de imprimir-lhe impulso vigoroso. Seria dif\u00edcil imaginar uma argumenta\u00e7\u00e3o que se refutasse a si pr\u00f3pria com mais evid\u00eancia! Pergunta-se: haveria, portanto, t\u00e3o poucos fatos escandalosos na vida russa para ser preciso inventar meios especiais de \u201cexcita\u00e7\u00e3o\u201d? Por outro lado, \u00e9 evidente que aqueles que n\u00e3o se excitam, nem s\u00e3o excit\u00e1veis mesmo pela arbitrariedade russa, observar\u00e3o da mesma forma, \u201ccruzando os bra\u00e7os\u201d, o duelo do governo com um punhado de terroristas. Ora, exatamente as massas oper\u00e1rias est\u00e3o bastante excitadas pelas inf\u00e2mias da vida russa, mas n\u00e3o sabemos recolher, se \u00e9 poss\u00edvel falar assim, e concentrar todas as gotas e os pequenos c\u00f3rregos da efervesc\u00eancia popular, que a vida russa verte em quantidade infinitamente maior do que imaginamos ou acreditamos, e que \u00e9 preciso reunir em uma \u00fanica torrente gigantesca. Que isso \u00e9 realiz\u00e1vel, prova-o incontestavelmente o impulso prodigioso do movimento oper\u00e1rio e a sede, j\u00e1 assinalada anteriormente, que os oper\u00e1rios manifestam pela literatura pol\u00edtica. Por isso, os apelos ao terrorismo, bem como, os apelos para conferir \u00e0 pr\u00f3pria luta econ\u00f4mica um car\u00e1ter pol\u00edtico, s\u00e3o apenas pretextos diferentes para se fugir ao dever mais imperioso dos revolucion\u00e1rios russos: organizar a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sob todas as suas formas. A Svoboda quer substituir a agita\u00e7\u00e3o pelo terrorismo, reconhecendo abertamente que \u201cdesde que uma agita\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica e intensa atraia as massas, o papel excitativo do terror ter\u00e1 fim\u201d (p. 68 do Renascimento do Revolucionismo). Isto mostra precisamente que terroristas e \u201ceconomicistas\u201d subestimam a atividade revolucion\u00e1ria das massas, a despeito do testemunho evidente dos acontecimentos da primavera(. Uns lan\u00e7am-se \u00e0 procura de \u201cexcitantes\u201d artificiais, outros falam de \u201creivindica\u00e7\u00f5es concretas\u201d. Tanto uns como outros n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o suficiente ao desenvolvimento de sua pr\u00f3pria atividade em mat\u00e9ria de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de organiza\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. E n\u00e3o h\u00e1 nada que possa substituir isso, nem agora, nem em qualquer outro momento.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5153\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[224],"class_list":["post-5153","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1l7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5153\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}