{"id":5157,"date":"2013-07-28T00:12:14","date_gmt":"2013-07-28T00:12:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5157"},"modified":"2013-07-28T00:12:14","modified_gmt":"2013-07-28T00:12:14","slug":"israel-nuclear-a-arma-clandestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5157","title":{"rendered":"Israel nuclear: a arma clandestina"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">A posse por Israel da arma nuclear \u00e9 um segredo de polichinelo. A posi\u00e7\u00e3o continuada dos sucessivos governos de Israel tem sido at\u00e9 hoje a de n\u00e3o confirmar nem desmentir a posse por Israel da arma nuclear, ainda que amigos e inimigos do Estado israelita considerem h\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas que Israel \u00e9 um estado nuclear.<\/p>\n<p>Do arsenal da chamada For\u00e7a de Defesa Israelita (IDF) consta, de acordo com diversas fontes, um n\u00famero de explosivos nucleares pr\u00e9-operacionais avaliado em pelo menos oitenta unidades. Este n\u00famero \u00e9 da mesma ordem daqueles que s\u00e3o atribu\u00eddos a outros dois Estados n\u00e3o signat\u00e1rios do Tratado de N\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP), a saber, \u00cdndia e Paquist\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[1]<\/strong><\/a> . O sentido dado a &#8220;pr\u00e9-operacional&#8221; \u00e9 o de que se trata de dispositivos que requerem algum trabalho pr\u00e9vio de montagem ou de adapta\u00e7\u00e3o a sistemas de lan\u00e7amento do qual depende o serem considerados &#8220;operacionais&#8221;. \u00c9 naturalmente dif\u00edcil ter um conhecimento seguro sobre a complexidade e a demora desse trabalho pr\u00e9vio. Por isso mesmo \u00e9 grande a incerteza sobre as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares que efectivamente decorrem da posse desses dispositivos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos sistemas de lan\u00e7amento dos explosivos nucleares, seu tipo e alcance \u00e9 decisiva.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre armas nucleares t\u00e1cticas e estrat\u00e9gicas tem a ver, originariamente, com o alcance, o poder explosivo e a precis\u00e3o no ataque ao alvo. Com o passar do tempo, a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica das armas e dos sistemas de transporte tornaram, em boa medida, fluida aquela distin\u00e7\u00e3o. A arma nuclear t\u00e1ctica destina-se, em princ\u00edpio, a ser usada num teatro de guerra regional, ao passo que o conceito de arma nuclear estrat\u00e9gica est\u00e1 normalmente associado a um poder explosivo superior e a vectores (ou ve\u00edculos) de transporte de longo alcance, pelo menos, alguns milhares de quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>No caso de Israel, diversas fontes referem que a IDF disp\u00f5e de capacidade de lan\u00e7amento de bombas nucleares por gravidade, isto \u00e9, explosivos que s\u00e3o transportados em avi\u00f5es e largados sobre o alvo. Foi o que aconteceu em Hiroshima e Nagasaki. Cr\u00ea-se que os aparelhos preparados para transportar explosivos nucleares s\u00e3o ca\u00e7as-bombardeiros F16. A partir de 1980 at\u00e9 ao presente, estima-se que Israel adquiriu cerca de 300 a 400 destes aparelhos de fabrico americano. Ao longo dos anos, foram sendo adquiridas variantes aperfei\u00e7oadas do modelo inicial que disp\u00f5em de armamento variado e podem ser abastecidas de combust\u00edvel em voo. Julga-se que um pequeno n\u00famero destes aparelhos foi modificado em Israel com vista a transportar com seguran\u00e7a explosivos nucleares. Na &#8220;folha de servi\u00e7os&#8221; do F16 convencional inclui-se o ataque ao reactor nuclear iraquiano Osirak, em 1981, e diversas ac\u00e7\u00f5es na faixa de Gaza. O raio de ac\u00e7\u00e3o dos F16 \u00e9 de cerca de 1600 km.<\/p>\n<p>A partir de 1998, Israel adquiriu v\u00e1rios bombardeiros pesados F-15E (&#8220;Strike Eagle&#8221;) com um raio de ac\u00e7\u00e3o de 4450 km o que lhe confere capacidade estrat\u00e9gica. O aparelho \u00e9 fabricado nos EUA (Boeing) e, a\u00ed, tem capacidade nuclear. Ignora-se se foi modificado nessa perspectiva pelas For\u00e7as de Defesa Israelitas.<\/p>\n<p>Hoje em dia o sistema privilegiado de lan\u00e7amento de engenhos explosivos nucleares \u00e9 o m\u00edssil, em cuja cabe\u00e7a \u00e9 incorporado o explosivo. Cr\u00ea-se que a IDF disp\u00f5e de pelo menos 50 m\u00edsseis terra-terra do tipo Jericho II com um alcance estimado de mais de 1500 km. O m\u00edssil Jericho II foi desenvolvido em Israel a partir de uma primeira gera\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas menos evolu\u00eddas \u2014 o Jericho I \u2014 projectado pela empresa Dassault e adquirido aos franceses ainda nos anos 60. O Jericho II \u00e9 um m\u00edssil bal\u00edstico cujas caracter\u00edsticas levam alguns especialistas a considerar s\u00f3 ter sentido se destinado a transportar uma carga nuclear.<\/p>\n<p>Trilhando o caminho aberto pela realiza\u00e7\u00e3o do m\u00edssil Jericho II, Israel desenvolveu um foguet\u00e3o de tr\u00eas andares denominado Shavit com capacidade para colocar em \u00f3rbita terrestre um sat\u00e9lite de reconhecimento e vigil\u00e2ncia. Surge assim a fam\u00edlia de sat\u00e9lites denominados Ofek, progressivamente mais pesados e dotados de equipamento de maior sofistica\u00e7\u00e3o. O mais recente \u2014 o Ofek-9 \u2014 ter\u00e1 sido lan\u00e7ado em Junho de 2010, admitindo-se que possui uma capacidade de resolu\u00e7\u00e3o de imagem de objectos ao n\u00edvel do solo inferior a 50 cm. Os sat\u00e9lites Ofeq s\u00e3o projectados e constru\u00eddos pela empresa IAI (Israeli Aerospace Industries) para o Minist\u00e9rio Israelita da Defesa.<\/p>\n<p>No contexto do armamento nuclear, interessa assinalar que o foguet\u00e3o Shavit pode ser convertido num m\u00edssil bal\u00edstico de longo alcance, portanto com caracter\u00edsticas de arma estrat\u00e9gica, capaz de transportar uma carga at\u00e9 cerca de 7000 km de dist\u00e2ncia, conforme o peso do engenho explosivo colocado no &#8220;nariz&#8221; do foguet\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/palestina\/imagens\/sub_dolphin.jpg?w=747\" border=\"0\" alt=\".\" align=\"right\" \/>Israel disp\u00f5e tamb\u00e9m de submarinos de propuls\u00e3o h\u00edbrida (diesel-el\u00e9ctrica) convencional, isto \u00e9, n\u00e3o nuclear, com capacidade para o lan\u00e7amento de torpedos, minas e m\u00edsseis de cruzeiro. Sabe-se que se trata de submarinos da classe Dolphin, julga-se que em n\u00famero de tr\u00eas, fabricados na Alemanha, adquiridos para o &#8220;bra\u00e7o naval&#8221; da For\u00e7a Israelita de Defesa. O Dolphin possui 10 tubos de lan\u00e7amento de meio metro de di\u00e2metro. Os m\u00edsseis usados s\u00e3o americanos do tipo Harpoon projectados para o ataque a navios. Entretanto os Harpoon podem ser modificados para transportar cabe\u00e7as nucleares para ataque mar-terra. Essa modifica\u00e7\u00e3o envolveria o desenvolvimento de uma cabe\u00e7a nuclear pr\u00f3pria e um sistema de orienta\u00e7\u00e3o para o ataque a alvos terrestres. Desconhece-se se esse passo foi dado por Israel, mas sabe-se que o governo israelita tentou obter dos EUA o fornecimento de m\u00edsseis de cruzeiro de longo alcance, Tomahawk, para lan\u00e7amento por submarinos, de que existe uma vers\u00e3o capaz de transportar uma cabe\u00e7a nuclear. Embora se julgue saber que os EUA ter\u00e3o recusado o fornecimento, o epis\u00f3dio \u00e9 significativo quanto ao empenho da IDF em desenvolver uma capacidade nuclear operacional efectiva.\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>No que respeita \u00e0 posse de armas nucleares t\u00e1cticas n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es seguras. Entretanto h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que Israel possa ter desenvolvido e tenha em armaz\u00e9m, granadas de artilharia e minas terrestres equipadas com explosivos nucleares.<\/p>\n<hr width=\"10%\" \/>\n<p align=\"justify\">O Estado de Israel n\u00e3o possu\u00eda at\u00e9 meados do s\u00e9culo passado uma ind\u00fastria nuclear nem qualquer reactor nuclear. Em fins da d\u00e9cada de 50, no \u00e2mbito do chamado &#8220;Programa de \u00c1tomos para a Paz&#8221; lan\u00e7ado pelos EUA, recebeu um pequeno reactor do tipo piscina, para fins experimentais e de investiga\u00e7\u00e3o, que ainda hoje est\u00e1 em funcionamento, com uma pot\u00eancia de 5 MW t\u00e9rmicos \u2014 o Reactor IRR 1 instalado no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Nuclear de Sorek\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[3]<\/strong><\/a> . \u00c9 compar\u00e1vel na origem e caracter\u00edsticas ao reactor que funciona pr\u00f3ximo de Sacav\u00e9m, tamb\u00e9m obtido no quadro daquele programa, ainda que o reactor portugu\u00eas tenha uma pot\u00eancia de apenas 1 MW.<\/p>\n<p>Desde 1963, Israel disp\u00f5e de um segundo reactor \u2014 IRR 2 \u2014, classificado como de &#8220;teste&#8221;. Trata-se de um reactor moderado e arrefecido por \u00e1gua pesada, que \u00e9 uma das instala\u00e7\u00f5es principais e porventura o cora\u00e7\u00e3o do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Nuclear de Negev (CINN), pr\u00f3ximo de Dimona, no deserto de Negev. As actividades desenvolvidas no CINN, n\u00e3o s\u00e3o controladas pela AIEA e o centro est\u00e1 fechado \u00e0s inspec\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia. Inicialmente a pot\u00eancia t\u00e9rmica do IRR 2 era de 16 MW. Desconhece-se a pot\u00eancia actual mas alguns observadores admitem que poder\u00e1 ser superior a 100 MW.<\/p>\n<p>Um reactor nuclear com as caracter\u00edsticas do IRR 2 permite produzir quantidades importantes de plut\u00f3nio por convers\u00e3o do ur\u00e2nio natural que \u00e9 o combust\u00edvel nuclear em regra usado nos reactores moderados e arrefecidos por \u00e1gua pesada. A posse de plut\u00f3nio abre a porta \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de explosivos nucleares seguindo um caminho muito menos exigente nos planos t\u00e9cnico e financeiro do que se a escolha reca\u00edsse sobre o ur\u00e2nio\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[4]<\/strong><\/a> De qualquer modo, a via que, com toda a probabilidade, Israel ter\u00e1 seguido para fabricar explosivos nucleares, pressup\u00f5e a disponibilidade de ur\u00e2nio natural e de \u00e1gua pesada. Trata-se de uma exig\u00eancia incontorn\u00e1vel que, no caso de Israel, h\u00e1 poucas d\u00favidas de ter sido satisfeita gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de governos estrangeiros.<\/p>\n<p>Cr\u00ea-se que os EUA mantiveram uma posi\u00e7\u00e3o de passividade face ao desenvolvimento de uma ind\u00fastria nuclear militar israelita. N\u00e3o ter\u00e3o intervindo, n\u00e3o se ter\u00e3o oposto e n\u00e3o ter\u00e3o mesmo tido durante v\u00e1rios anos conhecimento dos esfor\u00e7os israelitas para se dotar de armamento nuclear. Quando se convenceram de que eles estavam em curso, n\u00e3o os aprovaram mas tamb\u00e9m n\u00e3o se lhes opuseram\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[5]<\/strong><\/a> . Nos anos 60, o Centro de Dimona foi visitado v\u00e1rias vezes por inspectores americanos que n\u00e3o encontraram sinais de actividades nucleares &#8220;n\u00e3o autorizadas&#8221;. As visitas eram anunciadas e os israelitas foram ao ponto de montar falsas salas de comado do reactor e obstruir com pain\u00e9is de tijolo as entradas de ascensores de acesso aos pisos inferiores onde se processavam as opera\u00e7\u00f5es de reprocessamento do plut\u00f3nio gerado no reactor IRR 2; entretanto, n\u00e3o escapou aos inspectores o facto de que a elevada pot\u00eancia do reactor e outras caracter\u00edsticas, n\u00e3o pareciam justificar-se unicamente para fins civis\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[6]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>O principal parceiro de Israel no seu prop\u00f3sito de se dotar dos meios necess\u00e1rios \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de explosivos nucleares foi a Fran\u00e7a. A parceria teve in\u00edcio ainda antes da chegada ao poder de Charles de Gaulle, como presidente da Fran\u00e7a, e manteve-se at\u00e9 1964.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/palestina\/imagens\/dimona2.jpg?w=747\" border=\"0\" alt=\"'.\" align=\"right\" \/>Em 1957 foi assinado um acordo entre a Fran\u00e7a e Israel em que a Fran\u00e7a se comprometia a construir um reactor do tipo do IRR 2 com uma pot\u00eancia de 24 MW. Os sistemas de arrefecimento e processamento de res\u00edduos eram todavia previstos para um valor de pot\u00eancia tr\u00eas vezes superior. Em protocolos adicionais n\u00e3o passados a escrito, o governo de Paris comprometia-se a construir uma instala\u00e7\u00e3o de reprocessamento do combust\u00edvel irradiado, isto \u00e9, de separa\u00e7\u00e3o do plut\u00f3nio. Tratava-se aqui de um complexo industrial constru\u00eddo em segredo, por t\u00e9cnicos franceses e israelitas, em Dimona no deserto do Negev, fora do sistema de inspec\u00e7\u00e3o da AIEA. Cerca de quatro toneladas de \u00e1gua pesada sem a qual o reactor n\u00e3o funcionaria foi adquirida pelos franceses na Noruega com o compromisso de n\u00e3o ser transferida para outro pa\u00eds. Na realidade a \u00e1gua pesada foi transportada secretamente para Israel pela For\u00e7a A\u00e9rea Francesa\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[7]<\/strong><\/a> . Quando os americanos, gra\u00e7as aos voos dos avi\u00f5es espi\u00e3o U2, repararam em que estava a surgir no deserto do Negev uma complexo industrial importante, receberam do ent\u00e3o primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, diferentes explica\u00e7\u00f5es sobre a sua natureza: falou-se que se trataria de uma f\u00e1brica t\u00eaxtil, de um centro de desenvolvimento agr\u00edcola, ou uma unidade de investiga\u00e7\u00e3o metal\u00fargica! Finalmente, em fins de 1960. Ben-Gurion afirmou que o complexo de Dimona era um centro de investiga\u00e7\u00e3o nuclear com &#8220;fins pac\u00edficos&#8221;\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[8]<\/strong><\/a> . A par de David Bem-Gurion, Shimon Peres foi o principal respons\u00e1vel pelo projecto de constru\u00e7\u00e3o do Complexo de produ\u00e7\u00e3o de armamento nuclear de Dimona\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[9]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p>A partir de Maio de 1960, o governo franc\u00eas, ent\u00e3o presidido por De Gaulle, viu conveni\u00eancia em alterar a sua pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o nuclear com Israel, por receio de ver comprometida a posi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a no contexto internacional sobretudo porque viria inevitavelmente a saber-se que Fran\u00e7a apoiara a constru\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o de reprocessamento de combust\u00edvel irradiado que permitiria a Israel constituir uma reserva de plut\u00f3nio utiliz\u00e1vel para fins militares. De Gaulle tentou convencer Ben-Gurion a n\u00e3o prosseguir a constru\u00e7\u00e3o usando como moeda de troca o fornecimento de avi\u00f5es de combate \u00e0s For\u00e7as Armadas Israelitas. Finalmente chegou-se a um compromisso cujos aspectos essenciais eram: de um lado, a promessa de que Israel n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de fabricar armas nucleares, n\u00e3o faria o reprocessamento de plut\u00f3nio e tornaria p\u00fablica a exist\u00eancia do reactor; do outro lado, a Fran\u00e7a forneceria os elementos de combust\u00edvel nuclear necess\u00e1rio ao arranque do IRR 2 e n\u00e3o insistiria em que o complexo nuclear fosse sujeito a inspec\u00e7\u00f5es internacionais. O reactor arrancou em 1964.<\/p>\n<p>Sem dispor de uma importante instala\u00e7\u00e3o para a separa\u00e7\u00e3o do plut\u00f3nio e sem uma fonte ou fontes de abastecimento de ur\u00e2nio natural, n\u00e3o seria poss\u00edvel a Israel desenvolver um programa nuclear militar. Conforme referido, a instala\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o do plut\u00f3nio foi secretamente constru\u00edda com o apoio franc\u00eas no subsolo do complexo de Dimona. No que respeita ao ur\u00e2nio, sabe-se que Israel tentou o processamento de minerais de fosfato de que existem importantes dep\u00f3sitos na regi\u00e3o, para extrair o ur\u00e2nio contido no mineral designado por fosforite. Da\u00ed, procuraria chegar a um \u00f3xido de ur\u00e2nio suscept\u00edvel de ser utilizado em elementos de combust\u00edvel nuclear.<\/p>\n<p>Entretanto esta via para a obten\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio \u00e9 demasiado cara quando comparada com o custo de extrac\u00e7\u00e3o a partir de min\u00e9rio de ur\u00e2nio em jazidas como as que foram exploradas em Portugal.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os israelitas orientaram-se ent\u00e3o para a compra de ur\u00e2nio em pa\u00edses estrangeiros que se prestassem a isso, sempre debaixo do maior segredo.<\/p>\n<p>Hoje sabe-se de fontes seguras que Israel comprou \u00e0 Argentina 80 a 100 toneladas do produto chamado &#8220;yellowcake&#8221;\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[10]<\/strong><\/a> que \u00e9 uma mistura de \u00f3xidos de ur\u00e2nio.\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[11]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Em meados de 1968, uma segunda compra &#8220;discreta&#8221; ter\u00e1 tido lugar. Desta feita tratar-se-ia de 200 toneladas de &#8220;yellowcake&#8221; adquiridos \u00e0 B\u00e9lgica no quadro de uma opera\u00e7\u00e3o clandestina complexa que teria envolvido uma empresa italiana controlada pelos servi\u00e7os secretos israelitas e a transfer\u00eancia em alto mar do ur\u00e2nio de um cargueiro europeu para um barco israelita\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[12]<\/strong><\/a> .<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/palestina\/imagens\/sep_plutonio.jpg?w=747\" border=\"0\" alt=\".\" align=\"right\" \/>A import\u00e2ncia do significado destas compras est\u00e1 no facto de que s\u00e3o, em si mesmo, um comprovativo forte da exist\u00eancia em Israel de uma instala\u00e7\u00e3o de reprocessamento de materiais radioactivos de grande porte, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel ao desenvolvimento de um programa nuclear militar. A exist\u00eancia de uma tal instala\u00e7\u00e3o foi denunciada em 1986 por Mordechai Vanunu, um judeu israelita formado na Universidade Ben-Gurion no Negev, que trabalhou como t\u00e9cnico nuclear no Complexo de Dimona.\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[13]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Segundo o\u00a0<em>Institute for Science and International Security <\/em>(Mass.,USA), em fins de 2003, o stock de plut\u00f3nio para fins militares, de Israel, atingia o montante de 560 kg, um pouco superior ao da Uni\u00e3o Indiana.<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[14]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Uma \u00faltima quest\u00e3o que se coloca e que tem muito a ver com a preocupa\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias nucleares em proibir a realiza\u00e7\u00e3o de ensaios nucleares e por essa via assegurar a n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o da arma at\u00f3mica, \u00e9 a de saber se Israel procedeu ou n\u00e3o ao ensaio de explosivos nucleares. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de ensaios poss\u00edveis sendo que alguns, ditos de &#8220;pot\u00eancia zero&#8221; ou de implos\u00e3o, s\u00e3o dificilmente detect\u00e1veis a grande dist\u00e2ncia. Algumas fontes admitem que um ensaio deste tipo ter\u00e1 tido lugar no deserto do Negev em 1966. H\u00e1 tamb\u00e9m quem admita que uma explos\u00e3o nuclear que se suspeita ter ocorrido em 1979 no \u00cdndico sul, tenha sido fruto de uma parceria entre Israel e a \u00c1frica do Sul (do apartheid).\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/israel_nuclear_09jul13.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[15]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>09\/Julho\/2013<\/p>\n<p><a name=\"1402267695a7a7e6_1401768535c885e9_14016fabd6cbd3b5_notas\"><\/a>1. Relativamente \u00e0 Coreia do Norte, outro estado que se mant\u00e9m fora do TNP, a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 muito escassa e n\u00e3o permite saber se disp\u00f5e armamento nuclear pr\u00e9-operacional e em que quantidade. Algumas fontes apontam como poss\u00edvel a exist\u00eancia de 6 a 8 engenhos explosivos nucleares.<\/p>\n<p>2. Os dois submarinos recentemente adquiridos para a Armada portuguesa s\u00e3o duas unidades da Classe Tridente, baseada no modelo alem\u00e3o U-214 que \u00e9 o mesmo adoptado nos Dolphin israelitas com adapta\u00e7\u00f5es acordadas com Israel. Os Trident disp\u00f5em de um sistema de lan\u00e7amento para 6 misseis Harpoon UGM 84 e 12 torpedos.<\/p>\n<p>3. O reactor IRR 1 arrancou em 1960; entre 1960 e 1975 os EUA exportaram para Israel 19 kg de combust\u00edvel nuclear de ur\u00e2nio de alto enriquecimento sendo a maior parte destinada ao IRR 1. O IRR 1 est\u00e1 integrado no sistema de salvaguardas da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA) com sede em Viena, \u00c1ustria.<\/p>\n<p>4. O ur\u00e2nio natural s\u00f3 pode ser utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de explosivos ap\u00f3s pr\u00e9vio enriquecimento no is\u00f3topo U-235, opera\u00e7\u00e3o que exige conhecimentos e infra-estruturas t\u00e9cnicas a que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil aceder nem criar e que, no presente, envolvem quest\u00f5es de relacionamento internacional, muito delicadas.<\/p>\n<p>5. Em 1975, o governo Americano desclassificou um grande n\u00famero de documentos, antes altamente secretos, que mostram que, por essa altura, os Estados Unidos estavam convencidos de que Israel dispunha de armas nucleares.<\/p>\n<p>6. Doc. da Federation of Atomic Scientists (USA) (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fas.org\/nuke\/guide\/israel\/nuke\/index.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.fas.org\/nuke\/guide\/israel\/nuke\/index.html<\/a> )<\/p>\n<p>7. Ver refer\u00eancia anterior.<\/p>\n<p>8. Idem, ibidem<\/p>\n<p>9. \u201cIsraeli Nuclear Program Pioneered by Shimon Peres\u201d, The Risk Report, Vol. 2 No.4 (July-August 1996), Wisconsin Project on Nuclear Arms Control (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wisconsinproject.org\/countries\/israel\/Israel-nuclear-peres.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.wisconsinproject.org\/countries\/israel\/Israel-nuclear-peres.html<\/a> )<\/p>\n<p>10. A subst\u00e2ncia designada por \u201cyellowcake\u201d \u00e9 um p\u00f3 constitu\u00eddo no essencial por uma mistura de \u00f3xidos de ur\u00e2nio, em que predomina o \u00f3xido de ur\u00e2nio com a f\u00f3rmula qu\u00edmica U3O8.. O \u201cyellowcake\u201d \u00e9 obtido do min\u00e9rio de ur\u00e2nio tal como existe na natureza, mediante uma sequ\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es de tratamento f\u00edsico (ou mec\u00e2nico) e qu\u00edmico. O produto final n\u00e3o \u00e9 amarelo, mas antes acastanhado ou preto.<\/p>\n<p>11. William Burr, Avner Cohen, \u201cIsrael&#8217;s Secret Uranium Buy. How Argentina fueled Ben-Gurion&#8217;s nuclear program\u201d, Foreign Policy, July 1, 2013<\/p>\n<p>12. Idem, ibidem<\/p>\n<p>13. Em 1986, Vanunu, na altura com 32 anos de idade, revelou informa\u00e7\u00e3o secreta e entregou imagens fotogr\u00e1ficas de instala\u00e7\u00f5es nucleares do Centro de Dimona, ao Sunday Times durante uma estadia em Londres. Da\u00ed foi levado para Roma sob falsos pretextos e depois, pelos servi\u00e7os secretos israelitas, de volta a Israel onde foi julgado e condenado por trai\u00e7\u00e3o. Esteve preso durante 18 anos dos quais 12, incomunic\u00e1vel. Foi libertado em 2004 e vive em Israel sob vigil\u00e2ncia, limita\u00e7\u00e3o de movimentos e contactos, e proibi\u00e7\u00e3o de deixar o pa\u00eds. \u00c9 um \u201clan\u00e7a-alerta\u201d (whistleblower) da maior notoriedade nos dias de hoje (<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2004\/apr\/21\/israel3\" target=\"_blank\">http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2004\/apr\/21\/israel3<\/a> ). Imagem: The US Campaign to free Mordechai Vanunu (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vanunu.com\/uscampaign\/photos.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.vanunu.com\/uscampaign\/photos.html<\/a> )<\/p>\n<p>14. David Albright and Kimberly Kramer, Plutonium Watch-Tracking Plutonium Inventories, ISIS, August 2005 (\u00a0<a href=\"http:\/\/isis-online.org\/uploads\/isis-reports\/documents\/plutonium_watch2005.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/isis-online.org\/uploads\/isis-reports\/documents\/plutonium_watch2005.pdf<\/a> )<\/p>\n<p>15. in Global Security Org, Weapons of Mass Destruction, Nuclear Weapons Testing, page last modified July 24, 2011 (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalsecurity.org\/wmd\/world\/israel\/nuke-test.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalsecurity.org\/wmd\/world\/israel\/nuke-test.htm<\/a><\/p>\n<p><strong><a name=\"1402267695a7a7e6_1401768535c885e9_14016fabd6cbd3b5_asterisco\">[*]<\/a> F\u00edsico <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Frederico Carvalho\u00a0[*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5157\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1lb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}