{"id":5162,"date":"2013-07-30T23:22:54","date_gmt":"2013-07-30T23:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5162"},"modified":"2013-07-30T23:22:54","modified_gmt":"2013-07-30T23:22:54","slug":"as-incriveis-eleicoes-no-mali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5162","title":{"rendered":"As incr\u00edveis elei\u00e7\u00f5es no Mali*"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 com simulacros eleitorais, com golpes de estado, com amea\u00e7as \u00e0 integridade territorial, com interven\u00e7\u00f5es militares e com a presen\u00e7a de tropas estrangeiras que o Mali e outros pa\u00edses africanos se emancipar\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, as elei\u00e7\u00f5es impostas fazem parte do moderno arsenal de domina\u00e7\u00e3o imperialista utilizado para \u00ablegitimar\u00bb situa\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quando outros meios mais ou menos sofisticados n\u00e3o s\u00e3o suficientes, as pot\u00eancias ocidentais recorrem \u00e0 for\u00e7a das armas (a velha pol\u00edtica da canhoneira\u2026) e, uma vez \u00abresolvida\u00bb a quest\u00e3o, assegurada a continua\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio e da explora\u00e7\u00e3o neocolonial, organizam a \u00abdemocracia\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Mali. Depois do golpe de estado militar de 2012, da secess\u00e3o de parte do territ\u00f3rio e da interven\u00e7\u00e3o das tropas francesas \u2013 que persiste \u2013, tudo num curto espa\u00e7o de tempo, procura-se agora \u00abnormalizar\u00bb o pa\u00eds com a ida \u00e0s urnas.<\/p>\n<p>A primeira volta das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, marcada para o pr\u00f3ximo domingo, 28, est\u00e1 ensombrada por dificuldades log\u00edsticas e pela amea\u00e7a de ac\u00e7\u00f5es violentas. O facto de o escrut\u00ednio se desenrolar durante o ramad\u00e3o (o m\u00eas de jejum ritual dos mu\u00e7ulmanos) e em plena esta\u00e7\u00e3o das chuvas pode fazer aumentar a absten\u00e7\u00e3o e transformar a vota\u00e7\u00e3o numa farsa.<\/p>\n<p>Nada que preocupe as autoridades malianas e a \u00abcomunidade internacional\u00bb: para Dioncounda Traor\u00e9, presidente interino, e para Ban Ki Moon, secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, as elei\u00e7\u00f5es \u00abn\u00e3o ser\u00e3o perfeitas\u00bb e o que importa \u00e9 que os candidatos aceitem os resultados\u2026<\/p>\n<p>Candidatos, ali\u00e1s, em bom n\u00famero: foram aceites 28 e, segundo a revista \u00abJeune Afrique\u00bb, que em geral reflecte os interesses de Paris, os favoritos s\u00e3o o antigo primeiro-ministro Ibrahim Boubacar Keita e o ex-ministro e alto funcion\u00e1rio oeste-africano Soumaila Ciss\u00e9, ambos favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os do Mali com a Fran\u00e7a e o Ocidente.<\/p>\n<p>Ciss\u00e9, que contudo se op\u00f4s ao golpe militar do ano passado, reconheceu publicamente num com\u00edcio em Bamako que \u00abh\u00e1 o risco de uma fraude eleitoral generalizada\u00bb. Um outro candidato, Ti\u00e9bil\u00e9 Dram\u00e9, desistiu da corrida eleitoral e denunciou a inexist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do processo eleitoral, h\u00e1 duas semanas apenas uma parte dos cerca de sete milh\u00f5es de eleitores estava recenseada \u2013 60 por cento, segundo dados governamentais.<\/p>\n<p>Mesmo nos c\u00edrculos oficiais malianos, h\u00e1 quem duvide que a vota\u00e7\u00e3o se possa realizar em certas regi\u00f5es, como por exemplo em Kidal, no Nordeste. Ali est\u00e3o acantonados os rebeldes autonomistas tuaregues e os dirigentes das suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como o MNLA (Movimento Nacional de Liberta\u00e7\u00e3o de Azawad) e o HCUA (Conselho Superior para a Unidade do Azawad). Os independentistas s\u00f3 recentemente aceitaram, e de forma provis\u00f3ria, a presen\u00e7a em Kidal da administra\u00e7\u00e3o e do ex\u00e9rcito malianos.<\/p>\n<p>Um dos chefes militares franceses no terreno, general Gr\u00e9goire de Saint-Quentin, afirmou ao \u00abJornal de Dimanche\u00bb, de Paris, que o Mali, ap\u00f3s 18 meses de crise pol\u00edtica e guerra, ainda n\u00e3o est\u00e1 \u00abcompletamente estabilizado\u00bb. Explicou que dois ter\u00e7os do pa\u00eds africano, com o dobro do tamanho da Fran\u00e7a, estiveram ocupados durante um ano por grupos islamitas que \u00abdeitaram abaixo todas as estruturas administrativas e de seguran\u00e7a, derrotaram o ex\u00e9rcito maliano e destru\u00edram o seu equipamento\u00bb. E considerou que \u00ab\u00e9 preciso tempo para reconstruir tudo isso\u00bb.<\/p>\n<p>Em Janeiro deste ano, a interven\u00e7\u00e3o no Mali das for\u00e7as francesas, com apoio de tropas africanas, travou o avan\u00e7o em direc\u00e7\u00e3o a Bamako dos grupos armados islamitas que ocupavam o Norte do pa\u00eds. A avia\u00e7\u00e3o, os blindados e os p\u00e1ra-quedistas enviados por Fran\u00e7ois Hollande recuperaram as principais cidades da regi\u00e3o, como Gao e Tumbuctu, desmantelaram as bases de apoio da Al-Qaida do Magrebe Isl\u00e2mico e empurraram os jihadistas para o Sul da L\u00edbia.<\/p>\n<p>Mas hoje a amea\u00e7a persiste e as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, como escreve a \u00abJeune Afrique\u00bb, s\u00e3o um momento simb\u00f3lico para destes grupos provarem que n\u00e3o depuseram as armas. Ataques, atentados suicidas ou assaltos a mesas de voto s\u00e3o possibilidades que as autoridades malianas encaram seriamente.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo domingo, 28, as tropas franco-malianas e os \u00abcapacetes azuis\u00bb da Minusma (a miss\u00e3o militar das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a estabiliza\u00e7\u00e3o do Mali, operacional desde 1 de Julho) v\u00e3o refor\u00e7ar o dispositivo de seguran\u00e7a, procurando assim assegurar um m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es para a vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o ser\u00e1 com simulacros eleitorais, com golpes de estado, com amea\u00e7as \u00e0 integridade territorial, com interven\u00e7\u00f5es militares e com a presen\u00e7a de tropas estrangeiras que o Mali e outros pa\u00edses africanos se emancipar\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>S\u00f3 ao povo maliano cabe retomar nas m\u00e3os a condu\u00e7\u00e3o do seu processo hist\u00f3rico, refor\u00e7ar a independ\u00eancia nacional e construir o progresso.<\/p>\n<p>*(Publicado no jornal \u201cAvante!\u201d n.\u00ba 2069, de 25\/07\/13)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2957\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2957<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarlos Lopes Pereira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5162\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5162","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1lg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5162\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}