{"id":5176,"date":"2013-08-02T07:28:43","date_gmt":"2013-08-02T07:28:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5176"},"modified":"2013-08-02T07:28:43","modified_gmt":"2013-08-02T07:28:43","slug":"como-operam-os-estados-unidos-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5176","title":{"rendered":"Como operam os Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Como operam os Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p> <\/strong><\/p>\n<p>Adri\u00e1n Murano (Revista Veintitr\u00e9s)<\/p>\n<p>31.Jul.13\u00a0<strong>::<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?cat=2\" target=\"_blank\" title=\"Ver todos os artigos em Outros autores\" rel=\"category tag\">Outros autores<\/a><\/p>\n<p>As revela\u00e7\u00f5es resultantes dos documentos que Edward Snowden divulgou acerca do sistema de espionagem global montado pelos EUA s\u00e3o mais uma pe\u00e7a para a compreens\u00e3o do colossal sistema de inger\u00eancia na vida interna de pa\u00edses soberanos que o imperialismo organizou. Na Am\u00e9rica Latina, e no chamado Terceiro Mundo em geral, a USAID \u00e9 outra pe\u00e7a fundamental dessa engrenagem.<\/p>\n<p>Um ex funcion\u00e1rio da CIA revelou um perigoso programa de espionagem e interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na regi\u00e3o. Quem s\u00e3o e como trabalham para desestabilizar os governos populares da Unasur. Edward Snowden n\u00e3o \u00e9 um her\u00f3i, mas a humanidade deve-lhe um enorme favor. Os documentos que o ex funcion\u00e1rio da CIA filtrou para o mundo demonstram o que at\u00e9 agora a pol\u00edtica global sabia mas n\u00e3o se atrevia a denunciar: que os Estados Unidos n\u00e3o poupar\u00e3o crimes para continuarem sendo o que s\u00e3o. Um imp\u00e9rio voraz.<\/p>\n<p>N\u00f3s, habitantes de Am\u00e9rica latina, poder\u00edamos presumir que n\u00e3o necessit\u00e1vamos de Snowden para o saber. Nesta regi\u00e3o, os Estados Unidos promoveram golpes, ditaduras genocidas, pol\u00edticas econ\u00f3micas predat\u00f3rias e elites financeiras mafiosas com o evidente objectivo de rapinar os seus recursos naturais, materiais e humanos. A interven\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o vasta e letal que na diplomacia regional ainda se troca uma velha piada: \u201c\u00bfSabe por que \u00e9 que nos Estados Unidos n\u00e3o h\u00e1 golpes de Estado? Porque ali os Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam embaixada\u201d.<\/p>\n<p>Apesar das evid\u00eancias hist\u00f3ricas em v\u00e1rios pa\u00edses de Latinoam\u00e9rica como a Argentina, abunda quem acredite que a interven\u00e7\u00e3o estado-unidense em assuntos dom\u00e9sticos \u00e9 pura fic\u00e7\u00e3o. O equ\u00edvoco foi alimentado por formadores de opini\u00e3o aliados ou cooptados pela diplomacia estado-unidense, como revelaram os telegramas difundidos por Wikileaks, onde abundam refer\u00eancias aos v\u00ednculos entre A Embaixada e o sistema tradicional de media que no nosso pa\u00eds \u00e9 dirigido pelo grupo multim\u00e9dias Clar\u00edn. Um detalhe: referir-se \u00e0 sede diplom\u00e1tica estado-unidense como \u201cA Embaixada\u201d explicita at\u00e9 que ponto se naturalizou os EUA como farol pol\u00edtico. Mas n\u00e3o s\u00e3o as sedes diplom\u00e1ticas as \u00fanicas que perpetram as actividades intervencionistas dos EUA na regi\u00e3o. O pa\u00eds do Norte conta com uma complexa rede de organismos que, com fachadas v\u00e1rias, foram e s\u00e3o utilizados para tarefas sujas que v\u00e3o desde a espionagem e a forma\u00e7\u00e3o de quadros dirigentes dependentes at\u00e9 \u00e0 desestabiliza\u00e7\u00e3o de governos e economias com o seu consequente custo pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p>Uma das organiza\u00e7\u00f5es mais activas \u00e9 a United States Agency International Development (USAID), um organismo que os EUA criaram com a proclamada inten\u00e7\u00e3o de desenvolver tarefas humanit\u00e1rias nos pa\u00edses do Terceiro Mundo. A sua origem remonta \u00e0 Alian\u00e7a para o Progresso, criada em 13 de Mar\u00e7o de 1961 pelos mesmos funcion\u00e1rios que v\u00e1rios anos antes tinham dado \u00e0 luz o Plano Marshall com a inten\u00e7\u00e3o de colocar o seu pa\u00eds \u00e0 cabe\u00e7a da reconstru\u00e7\u00e3o da Europa do p\u00f3s-guerra. A Alian\u00e7a fracassou pouco depois de nascer uma vez que os pa\u00edses da regi\u00e3o rejeitaram as condi\u00e7\u00f5es da \u201crevolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e democr\u00e1tica\u201d que os EUA pretendiam impor em troca dos 20.000 milh\u00f5es que prometiam investir. Mas antes de ser cancelada, em Novembro de 1961, foi fundada a USAID, uma de sus agencias que, formalmente, devia veicular parte dos investimentos em programas de desenvolvimento humanit\u00e1rio, fachada que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A fantasia filantr\u00f3pica permitiu-lhe forjar, atrav\u00e9s de generosos contributos financeiros, uma rede de funda\u00e7\u00f5es e ONGs destinadas a difundir os benef\u00edcios do alinhamento com os EUA e a sua \u201camerican way of life\u201d mediante propaganda e programas de forma\u00e7\u00e3o. Mas essa \u00e9 apenas a face am\u00e1vel da sua tarefa. Ligeiramente maquilhado, o verdadeiro rosto da agencia \u00e9 mais hostil: intervir nos processos pol\u00edticos da regi\u00e3o com o pretexto de proteger a seguran\u00e7a nacional do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>A militariza\u00e7\u00e3o dos objectivos da USAID culminou em 2010 quando o presidente Barack Obama incluiu o general Jeam Smith \u2013 um estratega militar que esteve na OTAN \u2013 no Conselho de Seguran\u00e7a, apenas com a fun\u00e7\u00e3o de acompanhar os programas de \u201cassist\u00eancia social\u201d que a agencia tinha em andamento. E como director adjunto foi nomeado Mark Feierstein, cuja folha de servi\u00e7os encaixava nos desafios que os EUA antev\u00eam na regi\u00e3o: perito em guerras de quarta gera\u00e7\u00e3o \u2013 ou campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o \u2013, e propriet\u00e1rio de Greenbarg Quinlan Rosler, uma empresa que proporciona orienta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica sobre campanhas eleitorais, debates, programa\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9rgico aos governos populares que se estendem pela Am\u00e9rica latina, Feierstein comprovou a efic\u00e1cia do seu m\u00e9todo como assessor de Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada durante a campanha que o depositou na presid\u00eancia de Bol\u00edvia. Go\u00f1i, como o chamavam na sua p\u00e1tria, foi o paroxismo da coloniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que os EUA derramaram sobre os pa\u00edses do Sul nos anos noventa. Criado, educado e formado em solo estado-unidense, S\u00e1nchez de Lozada voltou \u00e0 sua terra de nascimento para ser presidente pela m\u00e3o de Feierstein. Durou no cargo pouco mais de um ano: o chamado \u201cMassacre do G\u00e1s\u201d, em 2003, onde morreram mais de sessenta pessoas, ejectou-o do poder e devolveu-o aos EUA, onde vive como fugitivo da Justi\u00e7a boliviana amparado pelo governo que colocou o seu amigo Feierstein \u00e0 frente da USAID.<\/p>\n<p>As correrias do seu director n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica coisa que liga a agencia \u00e0 Bol\u00edvia. No passado 1 de Maio, o presidente Evo Morales n\u00e3o sabia que o esc\u00e2ndalo Snowden o levaria a protagonizar uma vergonhosa deten\u00e7\u00e3o na Europa (ver nota aparte). Mas sabia aquilo de que a USAID era capaz. Por isso, nessa jornada emblem\u00e1tica onde os trabalhadores celebram o seu dia, o presidente anunciou que expulsava a agencia de solo boliviano por \u201cinger\u00eancia pol\u00edtica\u201d e \u201cconspira\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, o ministro da Presid\u00eancia, Juan Ram\u00f3n Quintana, detalhou: \u201cN\u00e3o se trata de uma inocente agencia de coopera\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica dos Estados Unidos para com a Bol\u00edvia e o mundo. A agencia estado-unidense serviu para legitimar as ditaduras entre 1964 e 1982, para promover o neoliberalismo entre 1985 e 2005, e para al\u00e9m disso \u00e9 um factor externo que alimenta a instabilidade no pa\u00eds desde 2006\u201d.<\/p>\n<p>Um dos factos que chamou a aten\u00e7\u00e3o do governo boliviano foi a materializa\u00e7\u00e3o, em 2007, de um conv\u00e9nio entre o prefeito de Pando Leopoldo Fern\u00e1ndez e a USAID para levar por diante \u201cprogramas sociais\u201d em Bolpedra, Cobija e El Porvenir. O apoio log\u00edstico esteve a cargo do Comando Sul e a cobertura institucional da Iniciativa de Conserva\u00e7\u00e3o da Bacia Amaz\u00f3nica. Outro episodio que motivou a expuls\u00e3o foi a activa participa\u00e7\u00e3o da agencia estado-unidense, via Wildlife Conservation Society (Sociedade de Conserva\u00e7\u00e3o da Vida Selvagem), na disputa violenta entre os povoadores de Caranavi e Palos Blancos pela localiza\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica processadora de frutas em Janeiro de 2010, a poucos dias de Evo Morales assumir o seu primeiro mandato no Estado Plurinacional.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de funda\u00e7\u00f5es e ONGs para terceirizar opera\u00e7\u00f5es \u00e9 uma pr\u00e1tica habitual da USAID. Na Argentina, por exemplo, h\u00e1 uma dezena de funda\u00e7\u00f5es que operam por conta e ordem da agencia estado-unidense. Que os movimentos sejam mais sigilosos n\u00e3o implica que sejam menos potentes. Um exemplo: entre el 8 e 12 de Abril deste ano, a USAID financiou uma cimeira da direita internacional. Organizada pela Fundaci\u00f3n Libertad \u2013 o tent\u00e1culo predilecto da agencia no nosso pa\u00eds \u2013, acorreram ao encontro o Nobel Mario Vargas Llosa e o seu filho \u00c1lvaro \u2013 advers\u00e1rios dos governos populares que habitam a regi\u00e3o \u2013; Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar \u2013 ex-presidente espanhol que apoiou a invas\u00e3o do Iraque \u2013; o pinochetista Joaqu\u00edn Lav\u00edn; Marcel Granier, presidente da emissora venezuelana RCTV que apoiou e impulsionou o golpe contra Hugo Ch\u00e1vez em 2002, e a cubana anticastrista Yoani S\u00e1nchez, que \u00e0 \u00faltima hora desistiu da visita.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio abundou em cr\u00edticas contra os processos emancipadores da regi\u00e3o. E os intervenientes, sem subtilezas, pediram para acabar com os governos populares em curso para os substituir por outros mais \u201cmodernos\u201d, de acordo com os conceitos de \u201cdemocracia\u201d que os EUA impuseram como doutrina global. N\u00e3o foi, \u00e9 certo, uma posi\u00e7\u00e3o original. Cinco anos atr\u00e1s, no mesmo cen\u00e1rio embebido em prosperidade sojeira, tinha-se realizado um semin\u00e1rio semelhante, com o pr\u00f3prio Vargas Llosa como animador principal.<\/p>\n<p>Aquele semin\u00e1rio contou com v\u00e1rios \u201cperitos\u201d alinhados com as pol\u00edticas do Consenso de Washington como o jornalista de La Naci\u00f3n Carlos Pagni, o ex candidato presidencial Ricardo L\u00f3pez Murphy, e Mauricio Macri, regente do Pro e da Fundaci\u00f3n Pensar, co-organizadora do evento.<\/p>\n<p>Estas funda\u00e7\u00f5es, como outras similares que operam na regi\u00e3o, contam com o aval financeiro do National Endowment for Democracy (NED, Funda\u00e7\u00e3o Nacional para a Democracia), financiada oficialmente pelo Congresso norte-americano. Mas a vincula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota nas contribui\u00e7\u00f5es. Nos anos oitenta, muito antes de ser director da USAID, o inef\u00e1vel Feierstein trabalhou para a NED em Nicar\u00e1gua. O seu objectivo: evitar o triunfo do sandinista Daniel Ortega. Conseguiu-o patrocinando a candidatura de Violeta Chamorro.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es da dupla USAID-NED na Am\u00e9rica latina foram reveladas por Wikileaks, o sitio que difundiu milh\u00f5es de telegramas internos do Departamento de Estado. Num deles, o ex embaixador estado-unidense em Venezuela, William Brownfield, revelou como o seu pa\u00eds alimentou a oposi\u00e7\u00e3o a Hugo Ch\u00e1vez com ideias e milh\u00f5es. O telegrama, enviado da embaixada dos EUA em Caracas em Novembro de 2006, detalhava como dezenas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais recebiam financiamento do governo norte-americano por interm\u00e9dio da USAID e do Escrit\u00f3rio de Iniciativas de Transi\u00e7\u00e3o (Office of Transition Initiatives \u2013 OTI \u2013). Este operacional incluiu \u201cmais de 300 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil venezuelana\u201d, que iam desde defensores dos deficientes at\u00e9 programas educativos.<\/p>\n<p>Na apar\u00eancia, esses programas tinham objectivos humanit\u00e1rios, mas foi o pr\u00f3prio embaixador Brownfield quem detalhou os objectivos reais desses investimentos: \u201cA infiltra\u00e7\u00e3o na base pol\u00edtica de Ch\u00e1vez\u2026 a divis\u00e3o do chavismo\u2026 a protec\u00e7\u00e3o dos interesses vitais dos EUA\u2026 e o isolamento internacional de Ch\u00e1vez\u201d.<\/p>\n<p>Brownfield escreveu que o \u201cobjectivo estrat\u00e9gico\u201d de desenvolver \u201corganiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil alinhadas com a oposi\u00e7\u00e3o representa a maior parte do trabalho da USAID\/OTI na Venezuela\u201d. A confiss\u00e3o dos pr\u00f3prios\u2026.<\/p>\n<p>Numa excep\u00e7\u00e3o ao seu modus operandi, no Paraguai a agencia realizou o trabalho sujo sem intermedi\u00e1rios. Investiu 65 milh\u00f5es de d\u00f3lares no projecto \u201cUmbral\u201d, um programa que incluiu a elabora\u00e7\u00e3o de um Manual Policial, o que le permitiu ganhar posi\u00e7\u00f5es numa institui\u00e7\u00e3o que viria a ser chave no devir pol\u00edtico do pa\u00eds. Foi a policia, com uma brutal e injustificada repress\u00e3o rural, quem serviu de bandeja a justifica\u00e7\u00e3o para derrubar o presidente Fernando Lugo. J\u00e1 o tinha predito o ministro da Corte argentina Ra\u00fal Zaffaroni: sepultado o partido militar, s\u00e3o as for\u00e7as de seguran\u00e7a quem exercer\u00e1 o papel de for\u00e7a de choque dos poderes f\u00e1cticos da regi\u00e3o interessados em interromper processos pol\u00edticos que contrariem os seus interesses.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es da agencia revelam que a verdadeira amea\u00e7a para a consolida\u00e7\u00e3o do processo pol\u00edtico da regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a espionagem, mas as decis\u00f5es que os EUA tomem a partir dessa informa\u00e7\u00e3o. Como ficou demonstrado no Iraque \u2013 onde o Pent\u00e1gono utilizou informa\u00e7\u00e3o falsa para justificar a invas\u00e3o \u2013, nem sequer \u00e9 necess\u00e1rio que os dados sejam fi\u00e1veis. Basta que a CIA ou algum organismo similar avalie que algum pa\u00eds de Am\u00e9rica latina representa uma amea\u00e7a para a seguran\u00e7a nacional estado-unidense para que se avance com ataques preventivos contra essa na\u00e7\u00e3o. A ofensiva pode ser brutal, como no Iraque, ou mais sofisticada, executando tarefas que desestabilizem um governo popular. Uma conspira\u00e7\u00e3o que nunca descansa.<\/p>\n<p><strong>Todos sob a lupa<\/strong><\/p>\n<p>A partir das revela\u00e7\u00f5es de Edward Snowden, o ex empregado da Agencia Central de Intelig\u00eancia (CIA) e da Agencia de Seguran\u00e7a Nacional (NSA) dos Estados Unidos, foi levantado um v\u00e9u que confirma a rede de espionagem do governo de Barack Obama. Tudo come\u00e7ou quando ofereceu a The Guardian e The Washington Post a publica\u00e7\u00e3o de documentos e informa\u00e7\u00e3o confidencial. Prosseguiu com o episodio do sequestro do presidente Evo Morales quando da sua visita \u00e0 R\u00fassia, onde se supunha que estava Snowden, quando n\u00e3o lhe foi permitido usar o espa\u00e7o a\u00e9reo de Espanha, It\u00e1lia, Portugal e Fran\u00e7a por se suspeitar que Snowden estava escondido no seu avi\u00e3o. O facto mereceu o repudio de todos os mandat\u00e1rios da Unasur que se reuniram de forma urgente em Bol\u00edvia, para brindar o seu apoio a Evo. Enquanto Snowden procurava asilo pol\u00edtico e com os Estados Unidos procurando ca\u00e7\u00e1-lo por todo o planeta, voltou h\u00e1 poucos dias a revelar novos documentos, que desta vez foram publicados no di\u00e1rio brasileiro O Globo. Ficou a conhecer-se que a rede de espionagem dos Estados Unidos se expandiu por toda Am\u00e9rica latina, operando fortemente no Brasil, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, mas com uma rigorosa vigil\u00e2ncia em pa\u00edses como a Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Peru e Panam\u00e1. Os dados confirmam a espionagem via sat\u00e9lite de comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f3nicas, correios electr\u00f3nicos e conversa\u00e7\u00f5es online, at\u00e9 pelo menos Mar\u00e7o de este ano. A monitoriza\u00e7\u00e3o realizava-se atrav\u00e9s de programas de software: o Prism (Prisma) que permite o acesso a e-mails, conversa\u00e7\u00f5es online e chamadas de voz de utilizadores de Google, Microsoft e Facebook e o Boundless Informant (Informante Sem Limites), que permitiam violar todo o g\u00e9nero de comunica\u00e7\u00f5es internacionais, faxes, e-mails, entre outros. Os temas mais controlados pelos espias foram o petr\u00f3leo e ac\u00e7\u00f5es militares em Venezuela, energia e drogas em M\u00e9xico, a cartografia dos movimentos das FARC em Col\u00f4mbia, para al\u00e9m da agonia e morte de Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>A presidente Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner manifestou a sua preocupa\u00e7\u00e3o no acto de 9 de Julho em Tucum\u00e1n e sublinhou: \u201cCausa calafrios quando nos damos conta de que nos est\u00e3o espiando a todos atrav\u00e9s dos seus servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es. Mais do que revela\u00e7\u00f5es, s\u00e3o confirma\u00e7\u00f5es do que t\u00ednhamos acerca do que estava a acontecer\u201d. De caminho, aproveitou para lan\u00e7ar um alerta: \u201cOs governantes dos povos da Am\u00e9rica do Sul, que temos combatido nesta d\u00e9cada acompanhados por milh\u00f5es de compatriotas, temos o dever de reparar no que se est\u00e1 a passar e de unir as nossas for\u00e7as\u201d. Na sexta-feira re\u00fanem-se os representantes do Mercosur e a Presidente espera \u201cum forte pronunciamento e pedido de explica\u00e7\u00f5es\u201d ao governo de Obama.<\/p>\n<p>\u00a9 2011 Veintitres &#8211; Todos os direitos reservados<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/veintitres.infonews.com\/nota-7088-politica-Comando-Sur.html\" target=\"_blank\">http:\/\/veintitres.infonews.com\/nota-7088-politica-Comando-Sur.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2962\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2962<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nComando Sul \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5176\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1lu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}