{"id":5211,"date":"2013-08-09T12:50:01","date_gmt":"2013-08-09T12:50:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5211"},"modified":"2013-08-09T12:50:01","modified_gmt":"2013-08-09T12:50:01","slug":"revolucao-e-contra-revolucao-nocoes-essenciais-na-obra-e-accao-de-alvaro-cunhal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5211","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o e contra-revolu\u00e7\u00e3o no\u00e7\u00f5es essenciais na obra e ac\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Cunhal"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201c\u00c1lvaro Cunhal \u00e9 para muitos comunistas do mundo, da gera\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o, uma refer\u00eancia de firmeza nos duros anos da perestroika e da contra-revolu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ao atingir-se o centen\u00e1rio do nascimento de \u00c1lvaro Cunhal, \u00e9 inquestion\u00e1vel a valora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do grande portugu\u00eas como um revolucion\u00e1rio cujo cunho marca a luta do seu povo no s\u00e9culo XX, projectando-se neste novo s\u00e9culo na luta de classes e no seu desenvolvimento revolucion\u00e1rio. Simultaneamente \u00e9 um exemplo geral do que \u00e9 ser comunista, homem de partido, quadro, e por isso tem o reconhecimento indiscut\u00edvel do movimento comunista internacional.<\/p>\n<p>\u00c1lvaro Cunhal \u00e9 um comunista \u00edntegro, tanto como revolucion\u00e1rio profissional, como historiador, literato, pintor e um exemplo de pol\u00edtico que faz da verdade o seu fio condutor. \u00c9 assim que escreve:<\/p>\n<p>Quando se fala de verdade e mentira na pol\u00edtica, n\u00e3o se afirma que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias, opini\u00f5es, aprecia\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es, se possam ter as pr\u00f3prias como verdades absolutas e as de outros como absolutas mentiras.<\/p>\n<p>A mentira na pol\u00edtica reside, antes de mais, em falsear os factos, os dados objectivos. Afirmar que se passou o que n\u00e3o se passou e que n\u00e3o se passou o que realmente aconteceu. Afirmar que se disse o que n\u00e3o se disse e que n\u00e3o se disse o que de facto se disse. Afirmar que se fez o que n\u00e3o se fez e negar que se tenha feito o que realmente se fez.<\/p>\n<p>Verdade \u00e9 referir com objectividade factos e acontecimentos, mesmo quando desfavor\u00e1veis \u00e0 pr\u00f3pria opini\u00e3o. Mentira \u00e9 dizer que aconteceu o que n\u00e3o aconteceu, inventar dados e afirma\u00e7\u00f5es, lan\u00e7ar acusa\u00e7\u00f5es falsas e cal\u00fanias vis.<\/p>\n<p>Na Revolu\u00e7\u00e3o de Abril e na contra-revolu\u00e7\u00e3o encontra-se, com toda a evid\u00eancia, uma diferen\u00e7a abissal entre, por um lado, o PCP e as for\u00e7as mais consequentes da Revolu\u00e7\u00e3o e, por outro lado, as principais for\u00e7as militares e partid\u00e1rias da contra-revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As primeiras fi\u00e9is \u00e0 verdade, as outras usando a mentira como arma e como pr\u00e1tica viciosa e sistem\u00e1tica, que acabou por pretender afirmar-se perante a opini\u00e3o p\u00fablica como mostra de talento e arte, socialmente admitida e reconhecidamente impune.<\/p>\n<p>Verdade do programa de um partido \u00e9 definir e proclamar os seus reais objectivos. Mentira \u00e9 inscrever e proclamar no programa objectivos contr\u00e1rios aos que realmente pretende atingir.<\/p>\n<p>Verdade \u00e9, na actividade pr\u00e1tica, declarar os reais objectivos y as reais consequ\u00eancias que se pretendem. Mentira \u00e9, para ocultar e disfar\u00e7ar os reais objectivos, difundir e propagar que decis\u00f5es e medidas t\u00eam efeitos que v\u00e3o ao encontro dos interesses do povo, quando t\u00eam em vista efeitos precisamente contr\u00e1rios.(1)<\/p>\n<p>A autoridade de \u00c1lvaro Cunhal e do PCP afirma-se nessa franqueza com que encaram a realidade, apoiando-se em princ\u00edpios e sem jamais ocult\u00e1-los. Essa ser\u00e1 uma constante, durante a luta antifascista, durante o debate com o eurocomunismo e durante a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril e a contra-revolu\u00e7\u00e3o liderada por M\u00e1rio Soares, e tamb\u00e9m durante os anos da contra-revolu\u00e7\u00e3o internacional que conduzem ao derrubamento da constru\u00e7\u00e3o socialista na URSS e em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Aquilo que Maiakovski escrevia sobre L\u00e9nine e o Partido pode dizer-se de \u00c1lvaro Cunhal e do Partido Comunista Portugu\u00eas: O Partido e \u00c1lvaro Cunhal s\u00e3o irm\u00e3os g\u00e9meos. Quando dizemos \u00c1lvaro Cunhal \u00e9 como se diss\u00e9ssemos PCP. Quando dizemos PCP \u00e9 como se diss\u00e9ssemos: \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n<p>E esta premissa \u00e9 a que nos guia para compreender um facto fundamental do s\u00e9culo XX em Portugal: o derrubamento do fascismo, a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos e a contra-revolu\u00e7\u00e3o liderada pela social-democracia para liquidar as conquistas que o povo obteve. \u00c9 indiscut\u00edvel nesse processo o papel, a ac\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Num texto fundamental: As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade M\u00e9dia, \u00c1lvaro Cunhal constata:<\/p>\n<p>Nenhuma classe passa de governada a governante atrav\u00e9s de uma avenida em linha recta ou por avan\u00e7os cont\u00ednuos. N\u00e3o o faz sem vit\u00f3rias e sem derrotas, sem passar mil vezes da defensiva \u00e0 ofensiva e vice-versa, sem avan\u00e7ar hoje para retroceder amanh\u00e3, sem conquistar posi\u00e7\u00f5es e ser for\u00e7ado a abandon\u00e1-las, e depois voltar ao combate e ter novos \u00eaxitos e novos fracassos. N\u00e3o o faz sem que, em muitas ocasi\u00f5es, n\u00e3o pare\u00e7a vitoriosa quando a vit\u00f3ria est\u00e1 distante e, em muitas outras, n\u00e3o pare\u00e7a estar para sempre sufocada e reduzida, quando nas cinzas da derrota se desenvolve, por entre as brasas, novo fogo mais violento e mais potente. A conquista do poder pol\u00edtico \u00e9 a conclus\u00e3o de todo este longo e acidentando caminho. E s\u00f3 ent\u00e3o se fecha um ciclo da historia e se abre o tempo de uma nova sociedade(2)<\/p>\n<p>Neste estudo redigido na pris\u00e3o no in\u00edcio dos anos 50 est\u00e3o j\u00e1 muito claras as concep\u00e7\u00f5es marxistas-leninistas sobre o poder, sobre a decad\u00eancia de um modo de produ\u00e7\u00e3o e sobre as incessantes contradi\u00e7\u00f5es que geram a transforma\u00e7\u00e3o revolucionaria, tal e como o prev\u00ea Marx no Pref\u00e1cio a \u201cPara a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica\u201d; sobre a agudiza\u00e7\u00e3o do conflito socio classista e o amadurecimento da crise e sobre a dial\u00e9ctica revolu\u00e7\u00e3o\/contra-revolu\u00e7\u00e3o. Tais concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas no contexto da evolu\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise te\u00f3rica e das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e program\u00e1ticas do Partido Comunista Portugu\u00eas e em varias obras assinadas por Cunhal, como A quest\u00e3o do Estado, quest\u00e3o central de cada Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O marxismo-leninismo estuda e formula as leis objectivas para a substitui\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-social por outra, as condi\u00e7\u00f5es gerais que marcam tais processos e as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a revolu\u00e7\u00e3o. Jamais enunciou um caminho rectil\u00edneo, mas um complexo processo de avan\u00e7os e retrocessos, de fluxos e refluxos, onde s\u00e3o determinantes n\u00e3o apenas a crise mas tamb\u00e9m a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. E em v\u00e1rios escritos se inscreve a import\u00e2ncia da dial\u00e9ctica revolu\u00e7\u00e3o\/contra-revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c1lvaro Cunhal \u00e9 o construtor fundamental, naturalmente expressando o conjunto do colectivo partid\u00e1rio, do caminho para o derrubamento do fascismo com a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, conhecida tamb\u00e9m como a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, ap\u00f3s 48 anos de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Refutando os ultra-esquerdistas diz, j\u00e1 em el ano de 1967, sobre o car\u00e1cter da revolu\u00e7\u00e3o pela qual lutam os comunistas portugueses, num trabalho escrito na altura do cinquenten\u00e1rio da Grande Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro:<\/p>\n<p>Nada tem a ver com o marxismo-leninismo a posi\u00e7\u00e3o de alguns \u201cultra-revolucion\u00e1rios\u201d ao afirmar que, nas condiciones do Portugal de hoje, a instaura\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas, se n\u00e3o fosse acompanhada pela conquista do poder pelo proletariado, seria ainda pior que a ditadura fascista, uma vez que representaria a consolida\u00e7\u00e3o do poder da burguesia, cuja crise se agrava nas condiciones do fascismo. O Partido Comunista Portugu\u00eas n\u00e3o considera a revolu\u00e7\u00e3o antifascista como uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica-burguesa, mas como uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional, de natureza profundamente popular. Mas insiste em que o fim do fascismo e a instaura\u00e7\u00e3o das liberdades fundamentais constituem um passo primeiro, fundamental e indispens\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o antifascista. Assim, n\u00e3o apenas formula uma reivindica\u00e7\u00e3o central, compreendida e sentida pelas mais vastas massas populares, como indica o caminho que pode conduzir \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de outros objectivos da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional e ao socialismo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que apontamos a conquista da liberdade pol\u00edtica como um primeiro objectivo central da revolu\u00e7\u00e3o antifascista, afirmamos, como marxistas-leninistas, como partido do proletariado, como revolucion\u00e1rios que pretendem p\u00f4r fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, que a mais democr\u00e1tica das democracias burguesas serve a burguesia contra o proletariado, protege e defende a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, usa o poder do Estado contra os trabalhadores, e, se a luta destes p\u00f5e em perigo os interesses do capital, a burguesia dominante, por muito \u201cliberal\u201d e \u201cdemocr\u00e1tica\u201d que seja, n\u00e3o hesita em violar a lei, retirar as liberdades e recorrer a m\u00e9todos abertamente terroristas.(3)<\/p>\n<p>\u00c9 com uma orienta\u00e7\u00e3o clara e precisa que o Partido Comunista Portugu\u00eas actua at\u00e9 alcan\u00e7ar o objectivo do fim do fascismo em Portugal. Numa conferencia realizada em 1992, Cunhal explica esse per\u00edodo do PCP conhecido como a \u201creorganiza\u00e7\u00e3o\u201d dos anos 40 que definiu as premissas da estrat\u00e9gia para p\u00f4r fim \u00e0 ditadura fascista, superando as debilidades, combatendo o anarco-sindicalismo, em condi\u00e7\u00f5es de rigorosa clandestinidade e convertendo o partido comunista num partido nacional ligado \u00e0s massas trabalhadoras e camponesas, ao conjunto do movimento democr\u00e1tico, apesar de o fascismo ter declarado a liquida\u00e7\u00e3o do PCP. Os III e IV Congressos do PCP foram de grande import\u00e2ncia. \u00c9 estabilizada a elabora\u00e7\u00e3o da imprensa (\u201cAvante!\u201d) e a interven\u00e7\u00e3o no movimento de massas, inclu\u00eddos os sindicatos fascistas. \u00c9 sobre a base deste per\u00edodo de interven\u00e7\u00e3o dos comunistas que acontecimentos ulteriores os n\u00e3o afectam e lhes permitem fortalecer-se (a guerra colonial, a crise do movimento comunista internacional e o eurocomunismo).<\/p>\n<p>Com o pseud\u00f3nimo de Duarte, Cunhal esbo\u00e7a o programa para o derrubamento da ditadura: a revolu\u00e7\u00e3o antifascista como revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional com orienta\u00e7\u00f5es para um levantamento armado. Essa linha seria confirmada pela realidade e contrasta com o vergonhoso caminho do eurocomunismo que em Espanha pactuou a transi\u00e7\u00e3o para superar o franquismo e que configurou esse mesquinho sistema pol\u00edtico em que o povo espanhol hoje padece. Enquanto os eurocomunistas se inserem na democracia burguesa traindo os interesses futuros da classe oper\u00e1ria e a historia da resist\u00eancia, os camaradas ca\u00eddos na luta, os comunistas portugueses com o caminho revolucion\u00e1rio abrem a perspectiva n\u00e3o apenas da conquista da democracia mas tamb\u00e9m de continuada luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental \u00e9 a exist\u00eancia do Partido, o elemento consciente na luta, com a sua log\u00edstica, os seus quadros e o seu trabalho entre as massas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio assinalar que embora a Reorganiza\u00e7\u00e3o tenha dado \u00e0 luta uma nova dimens\u00e3o, o PCP iniciara a luta contra o fascismo desde que este tomou o poder. Cunhal, na sua condi\u00e7\u00e3o de secretario da Federa\u00e7\u00e3o da Juventude Comunista, assistiu juntamente com Bento Goncalves ao VII Congresso da Internacional Comunista que, como sabemos, formulou atrav\u00e9s dos informes de Dimitrov e Ercoli uma viragem t\u00e1ctica, a partir da experiencia vivida por varias das suas sec\u00e7\u00f5es. Evidentemente que os comunistas portugueses enriqueceram a sua experiencia, que se ampliou com o activo apoio que deram \u00e0s Brigadas Internacionais e \u00e0 luta dos republicanos espanh\u00f3is contra Franco. O fascismo portugu\u00eas estava muito irmanado com o alem\u00e3o, italiano e espanhol. O PCP jamais considerou o fascismo como um assunto de Salazar, mas como o resultado da forma\u00e7\u00e3o de grandes grupos monopolistas que usaram o Estado como alavanca para favorecer a centraliza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o de capitais. \u00c9 por isso que a caracteriza\u00e7\u00e3o que o PCP fez do fascismo portugu\u00eas foi a de uma ditadura terrorista dos monop\u00f3lios, associados ao imperialismo internacional e aos latifundi\u00e1rios(4). Essa concep\u00e7\u00e3o orientou tamb\u00e9m a pol\u00edtica anticolonial dos comunistas, tamb\u00e9m num momento de auge dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional e de descoloniza\u00e7\u00e3o resultante da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as decorrente da vit\u00f3ria da URSS na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Cunhal e o PCP destacam o sistema colonial como um factor de opress\u00e3o do povo portugu\u00eas, seguindo a tese marxista de Engels, de que n\u00e3o pode ser livre um povo que oprime outros povos. Por esse motivo definem como um dos seus objectivos o direito das colonias portuguesas \u00e0 independ\u00eancia, juntamente com a liquida\u00e7\u00e3o do poder dos monop\u00f3lios, a reforma agraria, a liberta\u00e7\u00e3o de Portugal do imperialismo. \u00c9 conhecido que quadros do PCP contribu\u00edram para forjar movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nas colonias portuguesas em \u00c1frica. Inclusivamente, umas semanas antes Marcelo Caetano ser derrubado, o PCP no Manifesto da Comiss\u00e3o Executiva do CC do PCP \u201cP\u00f4r fim imediato \u00e0s guerras coloniais e conquistar as liberdades pol\u00edticas \u00e9 uma exig\u00eancia nacional\u201d coloca claramente a quest\u00e3o, sublinhando ao mesmo tempo a crise nas For\u00e7as Armadas, que constituir\u00e1 um factor que acelera a revolu\u00e7\u00e3o. Ao dirigir-se aos portugueses e portuguesas em 25 de Abril de 1974 o PCP expressa com veem\u00eancia: \u201c\u00a1Que todo o povo se una e lute para que o fascismo seja liquidado para sempre e sejam instauradas as liberdades democr\u00e1ticas!\u00a1Para que cesse imediatamente a guerra colonial e acabe o colonialismo!\u00a1Para que Portugal se liberte do dom\u00ednio dos monop\u00f3lios e do imperialismo estrangeiro!(5).<\/p>\n<p>Haver\u00e1 sem duvida mais reflex\u00f5es a fazer, mas basta esta breve abordagem para situar o que \u00c1lvaro Cunhal e o PCP constru\u00edram no processo que levou o povo portugu\u00eas \u00e0 conquista da democracia.<\/p>\n<p>\u00c9 entretanto indispens\u00e1vel assinalar algo mais: o eurocomunismo na sua pol\u00e9mica contra o marxismo-leninismo n\u00e3o se reduzia a quest\u00f5es abstractas, inclu\u00eda quest\u00f5es muito concretas no que diz respeito \u00e0 luta dos trabalhadores em todo o mundo: a renuncia \u00e0 via revolucionaria para se integrar no sistema. Nos casos de Espanha e Portugal s\u00e3o dois caminhos diferentes para defrontar uma situa\u00e7\u00e3o geral que Franco e Caetano exprimiam. \u00c1lvaro Cunhal e o PCP enfrentaram logo nos anos imediatamente seguintes ao XX Congresso do PCUS (1956) esse problema das ilus\u00f5es acerca da democratiza\u00e7\u00e3o da ditadura fascista, mas superaram-no de imediato pois foi considerado: \u201cque o governo fascista, que respondia pela for\u00e7a e pela viol\u00eancia \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es populares, s\u00f3 pela for\u00e7a poderia ser derrubado. O PCP apontou assim o caminho da insurrei\u00e7\u00e3o armada e o levantamento nacional popular e militar, admitindo a simultaneidade destes dois elementos.\u201d<\/p>\n<p>Acrescenta \u00c1lvaro Cunhal: \u201cA linha do levantamento nacional armado era frequentemente apontada como irreal e \u2018esquerdista\u2019. Dirigentes de outros partidos diziam aos dirigentes do PCP \u2018Esperem pela queda de Franco, depois ser\u00e1 mais f\u00e1cil para v\u00f3s.\u2019 O PCP tinha aberta confian\u00e7a em si mesmo e no povo portugu\u00eas em cuja luta desempenhava um papel determinante. Detectou correctamente a crise revolucionaria que se aproximava e apontou justamente o caminho. A revolu\u00e7\u00e3o antifascista em Portugal teve lugar em Abril de 1974 com transforma\u00e7\u00f5es profundas na realidade econ\u00f3mica e social. A queda da ditadura de Franco teve lugar por sua morte em 1975 mantendo-se intacto o poder do grande capital.(6)\u201d<\/p>\n<p>Isto d\u00e1-nos um retrato do grande quadro comunista \u00c1lvaro Cunhal, revolucion\u00e1rio exemplar, homem de Partido, filho do povo.<\/p>\n<p>\u00c1lvaro Cunhal \u00e9 para muitos comunistas do mundo, da gera\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o, uma refer\u00eancia de firmeza nos duros anos da perestroika e da contra-revolu\u00e7\u00e3o. Mas isso ser\u00e1 assunto para um outro artigo.<\/p>\n<p>*Pavel Blanco Cabrera \u00e9 o 1\u00ba Secret\u00e1rio do Partido Comunista do M\u00e9xico<\/p>\n<p>1 Cunhal, \u00c1lvaro; A Verdade e a Mentira na Revolu\u00e7\u00e3o de Abril (A contra-revolu\u00e7\u00e3o confessa-se); Editorial Avante<\/p>\n<p>2 Cunhal, \u00c1lvaro; As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade M\u00e9dia, Editorial Caminho, 1997, 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o; P\u00e1g. 167<\/p>\n<p>3 Cunhal, \u00c1lvaro; A Quest\u00e3o do Estado Quest\u00e3o Central de cada Revolu\u00e7\u00e3o; Editorial Avante<\/p>\n<p>4 Cunhal, \u00c1lvaro; O Partido Comunista da \u201cReorganiza\u00e7\u00e3o\u201d dos Anos 40 ao 25 de Abril; Confer\u00eancia, 1992.<\/p>\n<p>5 Documentos do Comit\u00e9 Central, 1965-74; Edi\u00e7\u00f5es Avante; Lisboa 1975<\/p>\n<p>6 Cunhal, \u00c1lvaro; O Partido Comunista da \u201cReorganiza\u00e7\u00e3o\u201d dos Anos 40 ao 25 de Abril; Confer\u00eancia, 1992<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2970\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2970<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nP\u00e1vel Blanco Cabrera*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5211\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-5211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-marxismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1m3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}