{"id":5214,"date":"2013-08-09T14:03:11","date_gmt":"2013-08-09T14:03:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5214"},"modified":"2013-08-09T14:03:11","modified_gmt":"2013-08-09T14:03:11","slug":"gigantes-da-telecomunicacao-estao-envolvidas-em-espionagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5214","title":{"rendered":"Gigantes da telecomunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o envolvidas em espionagem"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Novos documentos vazados revelados por Edward Snowden mostram que duas gigantes multinacionais brit\u00e2nicas da telecomunica\u00e7\u00e3o, uma estadunidense e quatro operadores de menor envergadura, s\u00e3o os \u201cs\u00f3cios da intercepta\u00e7\u00e3o\u201d da espionagem eletr\u00f4nica brit\u00e2nica, o GCHQ, ao qual entregam o acesso \u00e0s chamadas telef\u00f4nicas, aos e-mails e redes sociais como o Facebook de seus clientes. Por Marcelo Justo, de Londres<\/strong><\/p>\n<p>Marcelo Justo<\/p>\n<p><strong>Londres<\/strong> &#8211; Os v\u00e9us que cobrem a espionagem brit\u00e2nica continuam caindo. Nos novos documentos vazados por essa inesgot\u00e1vel caixa de surpresas que \u00e9 o ex-espi\u00e3o estadunidense Edward Snowden, mostram que duas gigantes multinacionais brit\u00e2nicas da telecomunica\u00e7\u00e3o, uma estadunidense e quatro operadores de menor envergadura, s\u00e3o os \u201cs\u00f3cios da intercepta\u00e7\u00e3o\u201d da espionagem eletr\u00f4nica brit\u00e2nica, o Government Communication Headquarters (<a href=\"http:\/\/www.gchq.gov.uk\/Pages\/homepage.aspx\" target=\"_blank\">GCHQ<\/a>), ao qual entregam o acesso \u00e0s chamadas telef\u00f4nicas, aos e-mails e redes sociais como o Facebook de seus clientes.<\/p>\n<p>A intimidade deste v\u00ednculo \u00e9 tal que as multinacionais tem virtuais nomes de guerra em seus contatos com o GCHQ, justificados em outro dos documentos porque o vazamento de seus nomes provocaria \u201cuma tormenta pol\u00edtica\u201d. Neste mundo de miragens, as brit\u00e2nicas British Telecom e Vodafone Cable s\u00e3o \u201cRemedy\u201d e \u201cGerontic\u201d respectivamente, a estadunidense Verizon Business \u00e9 \u201cDracon\u201d, Global Crossing \u201cPinnage\u201d, Level 3 \u201cLittle\u201d, Viatel \u201cVitreous\u201d e Interoute \u201cStreetcar\u201d.<\/p>\n<p>Estes virtuais nomes de guerra, marca privilegiada da clandestinidade, foram divulgados pelo jornal alem\u00e3o \u201cSuddeusche Zeitung\u201d e reproduzidos pelo \u201cThe Guardian\u201d que, em junho, noticiou pela primeira vez sobre o programa \u201cTempora\u201d do GCHQ. O programa permite ao organismo de coleta de dados brit\u00e2nico penetrar os cabos de fibra \u00f3tica e armazenar informa\u00e7\u00e3o por at\u00e9 30 dias com acesso virtualmente ilimitado a e-mails, chamadas e publica\u00e7\u00f5es no Facebook.<\/p>\n<p>No ano passado, o GCHQ teve acessou a cerca de 600 milh\u00f5es de \u201ceventos telef\u00f4nicos\u201d, interferiu em mais de 200 cabos de fibra \u00f3tica que transmitem informa\u00e7\u00e3o equivalente a uns 10 gigabits por segundo, cerca de 192 vezes a informa\u00e7\u00e3o contida em todos os livros da Biblioteca Brit\u00e2nica. A an\u00e1lise desta gigantesca informa\u00e7\u00e3o \u00e9 coordenada por um supercomputador que tem 54 mil GB de mem\u00f3ria, mas a colabora\u00e7\u00e3o das sete empresas, que dominam a grande maioria dos cabos de fibra \u00f3tica submarinos, coluna vertebral do tr\u00e1fego da internet, \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>A identidade das empresas, revelada em uma apresenta\u00e7\u00e3o interna de Power Point em 2009, era considerada mais secreta que a pr\u00f3pria exist\u00eancia do programa Tempora. Este estava classificado como \u201ctop secret\u201d, enquanto que o nome das empresas de cabo fazia parte da \u201cinforma\u00e7\u00e3o excepcionalmente controlada\u201d (\u201cexceptionally controlled information\u201d no peculiar jarg\u00e3o sintagm\u00e1tico da intelig\u00eancia). Em outra mostra de sua import\u00e2ncia, o GCHQ designou \u00e0s empresas equipes especiais de liga\u00e7\u00e3o chamadas de \u201csensitive relationships teams\u201d (equipes para rela\u00e7\u00f5es delicadas).<\/p>\n<p>Se o governo temia as \u201cfortes consequ\u00eancias pol\u00edticas\u201d de uma revela\u00e7\u00e3o destes nomes, o temor das empresas se centra na rea\u00e7\u00e3o de seus clientes ao saberem que o acesso a seus documentos privados e e-mails foi concedido sem sua autoriza\u00e7\u00e3o a uma ag\u00eancia de espionagem. Em uma cuidadosa estrat\u00e9gia midi\u00e1tica, as empresas disseram ao \u201cGuardian\u201d que sempre cumpriram a lei. \u201cA informa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica que h\u00e1 sobre esse tema n\u00e3o leva em conta os termos b\u00e1sicos da legisla\u00e7\u00e3o europeia, alem\u00e3 e brit\u00e2nica e as obriga\u00e7\u00f5es legais decorrentes de operar uma concess\u00e3o na \u00e1rea de telecomunica\u00e7\u00e3o. Vodafone sempre cumpre com as leis dos pa\u00edses em que opera. N\u00e3o revelamos a informa\u00e7\u00e3o de nossos clientes a menos que a lei nos obrigue a faz\u00ea-lo\u201d, disse ao \u201cGuardian\u201d um porta-voz da empresa. A Verizon e a Interroute se manifestaram na mesma linha, enquanto a BT respondeu com o cl\u00e1ssico \u201cno comment\u201d.<\/p>\n<p>A lei brit\u00e2nica de telecomunica\u00e7\u00f5es de 1984, aprovada pelo segundo governo de Margaret Thatcher, obriga as empresas a colaborar com os pedidos de informa\u00e7\u00e3o realizados pelo governo, mas a \u201cPrivacy International\u201d, uma OBG que defende o direito \u00e0 privacidade, assinala que as empresas poderiam ter objetado uma opera\u00e7\u00e3o da escala e alcance da Tempora. \u201cPrecisamos com urg\u00eancia esclarecer a extens\u00e3o e os limites da rela\u00e7\u00e3o entre as empresas e o governo\u201d, assinalou ao \u201cGuardian\u201d Eric King, chefe de investiga\u00e7\u00e3o da \u201cPrivacy\u201d.<\/p>\n<p>Uma fonte pr\u00f3xima aos servi\u00e7os de intelig\u00eancia disse ao jornal que o GCHQ n\u00e3o olha a maioria das mensagens. \u201cSe voc\u00ea acredita que estamos lendo milh\u00f5es de e-mails a resposta \u00e9 n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma inten\u00e7\u00e3o de olhar o tr\u00e1fico dom\u00e9stico brit\u00e2nico\u201d. Os analistas aplicam quatro crit\u00e9rios para distinguir entre mensagens possivelmente relevantes e as que n\u00e3o o s\u00e3o: seguran\u00e7a, terror, crime organizado e bem-estar econ\u00f4mico. \u201cA maioria da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 descartada sem que algu\u00e9m se incomode em l\u00ea-la. N\u00e3o poderiam faz\u00ea-lo nem com a melhor vontade do mundo. A verdade \u00e9 que n\u00e3o tem recursos para uma passa inform\u00e1tica desse tamanho\u201d, disse a fonte.<\/p>\n<p>O argumento tem sua l\u00f3gica. \u00c9 imposs\u00edvel que 300 analistas do GCHQ e os 250 de seu hom\u00f3logo estadunidense, a NSA bastem para lidar com o incomensur\u00e1vel tr\u00e1fego di\u00e1rio que circula pela internet. De fato, toda a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 processada com Xkeyscore, um sistema secreto usado originalmente pela NSA norte-americana para interceptar as comunica\u00e7\u00f5es de estrangeiros no mundo, que permite aos analistas examinar a informa\u00e7\u00e3o obtida com o programa Tempora.<\/p>\n<p>\u00c9 de se supor que as redes de terrorismo e crime organizado mais sofisticadas utilizem um complexo uso de c\u00f3digos para evitar esses radares das ag\u00eancias de seguran\u00e7a. Em outras palavras, existe, em princ\u00edpio, a possibilidade de que todo esse gigantesco operativo de intelig\u00eancia signifique \u201cmuito ru\u00eddo e poucos resultados\u201d, uma imensa opera\u00e7\u00e3o para ter acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o que deixa passar a mais importante, mas tamb\u00e9m, ao mesmo tempo, \u00e9 certo que todo este epis\u00f3dio acabou para sempre com a \u201cera da inoc\u00eancia na internet\u201d, como escreveu Eduardo Febbro, em <a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22455\" target=\"_blank\">recente artigo<\/a> para a\u00a0<strong>Carta Maior<\/strong>.<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Marco Aur\u00e9lio Weissheimer<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22471\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22471<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5214\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1m6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}