{"id":5266,"date":"2013-08-22T16:20:17","date_gmt":"2013-08-22T16:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5266"},"modified":"2013-08-22T16:20:17","modified_gmt":"2013-08-22T16:20:17","slug":"crise-destruicao-e-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5266","title":{"rendered":"Crise, destrui\u00e7\u00e3o e \u201cclasse m\u00e9dia\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar de todas as dificuldades subjectivas, vivemos um tempo de fim de ciclo, respira-se um ambiente de imperiosa necessidade de supera\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-social velha, caduca, por uma outra nova. A realidade n\u00e3o est\u00e1 inerte, movimenta-se no sentido da supera\u00e7\u00e3o dos antagonismos estruturais do capitalismo, como o demonstra o aprofundamento da sua crise estrutural, agora chegando a todos os rinc\u00f5es da Terra, o que n\u00e3o acontecia na crise de 1929.<\/p>\n<p>A recente agudiza\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica em Portugal, despoletada pelas demiss\u00f5es de V\u00edtor Gaspar (1 de Julho) e de Paulo Portas no dia seguinte, demonstrou a incapacidade do PSD, PS e CDS apresentarem solu\u00e7\u00f5es para enfrentar a crise sist\u00e9mica do capitalismo; que o Presidente da Rep\u00fablica se deixou capturar pelo PSD e aceita, passivamente, o papel de \u201cverbo-de-encher\u201d do governo de Passos Coelho; o primarismo dos coment\u00e1rios e comentadores pol\u00edticos nos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social portugueses ditos de refer\u00eancia que, como habitualmente, fugiram das quest\u00f5es essenciais para se aterem \u00e0 disseca\u00e7\u00e3o do jogo de intriga pol\u00edtica e pessoal.<\/p>\n<p>A insaciabilidade da banca, a destrui\u00e7\u00e3o da economia, o desemprego, a extrema degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora, particularmente dos reformados, os 4 mil mortos a mais no 1\u00ba semestre deste ano em rela\u00e7\u00e3o a per\u00edodo id\u00eantico de 2012 agora noticiado, a degrada\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, a perda generalizada de direitos sociais e laborais s\u00e3o tratados nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social como sectores estanques, como se n\u00e3o fossem parte da longa e feroz ofensiva global do grande capital contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o das pol\u00edticas de classe, os interesses comuns que os tr\u00eas partidos da pol\u00edtica de direita defendem, PSD, CDS e PS, a sua luta implac\u00e1vel, capaz de todas as trai\u00e7\u00f5es, pela conquista das boas gra\u00e7as do grande capital s\u00e3o silenciados nos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social e tratados como a natural luta pol\u00edtica em democracia.<\/p>\n<p>E como \u00e9 cada vez mais alargado o reconhecimento da rendi\u00e7\u00e3o incondicional do PS \u00e0 pol\u00edtica de direita, h\u00e1 uma crescente dificuldade destes tr\u00eas partidos mostrarem \u00e0s massas diferen\u00e7as entre si que justifiquem a altern\u00e2ncia no poder pol\u00edtico que PS e PSD, s\u00f3s ou em coliga\u00e7\u00e3o com o CDS, v\u00eam protagonizando desde 1976. \u00c9 tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o que, apesar da perda de legitimidade do governo e do \u201cseu\u201d Presidente da Rep\u00fablica, o PS n\u00e3o descola nas sondagens, nem concita qualquer entusiasmo a simpatizantes e militantes.<\/p>\n<p>Tudo se passa e comenta como se n\u00e3o houvesse classes nem luta de classes.<\/p>\n<p>As dificuldades destes tr\u00eas partidos crescem tamb\u00e9m por a crise sist\u00e9mica do capitalismo ter rebentado quando a crise estrutural do capitalismo conhece um novo desenvolvimento, chegando j\u00e1 a todos os rinc\u00f5es do mundo por mais rec\u00f4nditos que sejam.<\/p>\n<p>Em Portugal, a crise espec\u00edfica que foi desencadeada h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas pelas demiss\u00f5es de V\u00edtor Gaspar e Paulo Portas, alimentou-se com o patrioteiro apelo de Cavaco Silva ao \u00abcompromisso de salva\u00e7\u00e3o nacional\u00bb entre os tr\u00eas partidos da pol\u00edtica de direita, desenvolveu-se durante uma semana de conversa fiada como farsa com final previamente conhecido, para terminar no ponto de partida, com Maria Lu\u00eds Albuquerque a fazer de Gaspar, por sua vez substitu\u00eddo por Portas na fun\u00e7\u00e3o de tutor governamental de Passos Coelho.<\/p>\n<p>\u00c9 com este pano de fundo que a situa\u00e7\u00e3o em Portugal e na Europa tem caminhado aceleradamente para uma profunda regress\u00e3o civilizacional, de consequ\u00eancias ainda n\u00e3o totalmente imagin\u00e1veis, que desacreditar\u00e1 profundamente n\u00e3o s\u00f3 os partidos ao servi\u00e7o do grande capital financeiro, os do auto-apelidado arco do poder acima referidos, mas tamb\u00e9m a democracia representativa, que mais n\u00e3o \u00e9 do que uma ditadura do grande capital de fachada democr\u00e1tica, como se torna cada vez mais evidente.<\/p>\n<p><strong>\u00abCompromisso de salva\u00e7\u00e3o nacional\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Depois de Salazar, o pol\u00edtico com mais anos de poder nos \u00faltimos cem anos, Cavaco Silva, gosta de se apresentar como economista. Doutorado com uma disserta\u00e7\u00e3o de Economia Pol\u00edtica, A Contribution to the Theory of the Macroeconomic of Public Debt, pela Universidade de York em 1971, Cavaco Silva fez toda a sua forma\u00e7\u00e3o escolar e licenciou-se para ser o que, em Espanha, se chama contador (finan\u00e7as), n\u00e3o economista, termo reservado para a licenciatura em economia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Avesso \u00e0 leitura at\u00e9 de jornais, como ele pr\u00f3prio disse \u201cn\u00e3o leio jornais nunca tenho d\u00favidas e raramente me engano\u201d (cito de mem\u00f3ria), o que \u00e9 elucidativo sobre a sua forma\u00e7\u00e3o cultural, formas de express\u00e3o \u2026, sabe-se por uma sua confiss\u00e3o que andou a ler A Utopia de Thomas Mann (sic), quando a obra \u00e9 de Thomas More.<\/p>\n<p>Dez dias depois do in\u00edcio da \u00faltima crise pol\u00edtica local, o Presidente da Rep\u00fablica, dirigiu-se ao pa\u00eds numa comunica\u00e7\u00e3o com solenidade encenada.<\/p>\n<p>O objectivo da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 claro: enredar os tr\u00eas partidos que disputam as gra\u00e7as e favores do grande capital numa frente pol\u00edtica que continuasse a ofensiva do capital monopolista contra a classe trabalhadora, disfar\u00e7ada com pompa de \u00abcompromisso de salva\u00e7\u00e3o nacional\u00bb.<\/p>\n<p>A express\u00e3o tresanda a fascismo.<\/p>\n<p>Fiel aos princ\u00edpios em que cresceu, manda quem pode obedece quem deve, a sua comunica\u00e7\u00e3o, por raz\u00f5es \u2013 que ele diz serem \u2013 de ordem econ\u00f3mica e financeira, \u00e9 um hino \u00e0 submiss\u00e3o total aos ditames da troika, pois a isso obrigam os princ\u00edpios do que ele chama a economia.<\/p>\n<p>Mas se em 10 de Julho a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tentativa de encontrar um lugar de protagonista na frente pol\u00edtica que dirige a ofensiva do capital monopolista contra a classe trabalhadora, e a\u00ed enumera e numera as regras e objectivos a atingir pelas conversa\u00e7\u00f5es entre os tr\u00eas partidos da pol\u00edtica de direita, acabada que foi a conversa fiada tripartida, desfizeram-se as ilus\u00f5es, suas e da sua equipa de assessores.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de classe com tudo o que politicamente isso implica mant\u00e9m-se, mas o Cavaco de hoje n\u00e3o \u00e9 o de 1995. Est\u00e1 l\u00e1 a pose hirta, mas aconteceu uma impossibilidade \u2013 rebentou uma crise sist\u00e9mica do capitalismo \u2013 que, de acordo com os vade-m\u00e9cuns t\u00e3o trabalhosamente decorados, n\u00e3o poderia ter acontecido, o que lhe escondeu a arrog\u00e2ncia, baralhou as contas e o que mais se v\u00ea e ouve e n\u00e3o se fala\u2026<\/p>\n<p>Sejamos claros: hoje, se n\u00e3o tiver o papel escrito nas m\u00e3os Cavaco Silva, o Presidente da Rep\u00fablica de Portugal, enreda-se a explicar o que n\u00e3o \u00e9 explic\u00e1vel, como aconteceu nos casos mais conhecidos, tristes e preocupantes da pens\u00e3o de reforma n\u00e3o lhe chegar para os gastos de Natal, das cagarras das Desertas ou a compara\u00e7\u00e3o dos sacrif\u00edcios impostos pelo governo aos portugueses \u00e0 subida de uma montanha na Volta a Portugal\u2026<\/p>\n<p>E na comunica\u00e7\u00e3o de 21 de Julho, ao contr\u00e1rio do que anunciara em 10 de Julho, n\u00e3o houve qualquer responsabiliza\u00e7\u00e3o dos \u00abagentes pol\u00edticos que (n)os governam ou que aspiram a ser governo\u00bb, nem se \u00abencontrar(am) naturalmente outras solu\u00e7\u00f5es no quadro do nosso sistema jur\u00eddico-constitucional\u00bb. Cavaco Silva aceitou tudo o que o governo lhe imp\u00f4s \u2013 at\u00e9 Paulo Portas, com o duplo cargo de ministro Estado e de tutor governamental de Passos Coelho.<\/p>\n<p><strong>Disputa dos favores do grande capital<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos da pol\u00edtica de direita ou do arco governamental, como gostam de ser classificados para mais facilmente esconderem a sua verdadeira ess\u00eancia, particularmente o PS e o PSD, que o CDS sempre se apresentou como defensor do grande capital, est\u00e3o apenas, cada um \u00e0 sua maneira, ao servi\u00e7o do capital monopolista. Perderam toda a liga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e0s respectivas bases sociais de apoio e h\u00e1 muito abandonaram a defesa dos interesses dos que os sustentam com votos. Nada de essencial separa ou divide estes tr\u00eas partidos.<\/p>\n<p>S\u00f3 pequenos detalhes os diferenciam.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria disputa dos favores e distribui\u00e7\u00e3o de lugares nos monop\u00f3lios \u00e9 resolvida, tal como os convites para a participa\u00e7\u00e3o anual na reuni\u00e3o dos Bilderberg, com uma distribui\u00e7\u00e3o proporcional entre quadros afectos ao PS ou ao PSD, consoante o turno que cada partido ocupa na altern\u00e2ncia, ficando para o CDS os lugares reservados por direitos de fam\u00edlia adquiridos no s\u00e9culo passado, aquando da cria\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios em Portugal, acrescidos de algumas sobras para os novos recrutas partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>O car\u00e1cter, ou a falta dele para ser mais rigoroso, e a fidelidade politicamente camuflada na defesa dos interesses dos monop\u00f3lios pelos principais dirigentes destes partidos h\u00e1 muito rendem juros. Nalguns casos, tal como os direitos de fam\u00edlia, esta realidade come\u00e7ou j\u00e1 em pleno fascismo, como documentam os livros \u00abA verdade e a mentira sobre o 25 de Abril \u2013 A contra-revolu\u00e7\u00e3o confessa-se\u00bb, de \u00c1lvaro Cunhal, Editorial Avante e \u00abOs contos secretos do PS\u00bb, de Rui Mateus, de que s\u00f3 foi feita uma edi\u00e7\u00e3o em 1996. (Descarregar:<a href=\"http:\/\/aventadores.files.wordpress.com\/2010\/12\/livro_contos_proibidos.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/aventadores.files.wordpress.com\/2010\/12\/livro_contos_proibidos.pdf<\/a>).<\/p>\n<p>Vivemos pois no mais desenfreado capitalismo monopolista de Estado, onde os quadros dos monop\u00f3lios saltam para o aparelho do Estado e vice-versa sem distinguirem objectivos e princ\u00edpios \u00e9ticos de cada uma das fun\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o sempre ao servi\u00e7o do aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e do empobrecimento da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Muitos, rapidamente deixam de ser t\u00e9cnicos. Pagos a peso de oiro e em fun\u00e7\u00e3o dos resultados, passam tamb\u00e9m eles a personaliza\u00e7\u00f5es do capital, pois investem a esmagadora maioria das suas obscenas retribui\u00e7\u00f5es a par dos neg\u00f3cios dos monopolistas que lhes pagam. Tornam-se parceiros menores dos grandes monopolistas a quem servem e seguem.<\/p>\n<p>Por sua vez, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil, se n\u00e3o mesmo imposs\u00edvel, detectar a nacionalidade do capital determinante de um grande cons\u00f3rcio, tantas s\u00e3o as participa\u00e7\u00f5es cruzadas, apenas se podendo constatar que esse cons\u00f3rcio tem como refer\u00eancia um determinado pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>A austeridade est\u00e1 a acabar com a classe m\u00e9dia<\/strong><\/p>\n<p>Muito ouvida ultimamente, esta express\u00e3o pretende abranger uma camada de trabalhadores que, por terem usufru\u00eddo um n\u00edvel salarial mais elevado ou recebido pequenas heran\u00e7as normalmente de bens r\u00fasticos, viviam em imita\u00e7\u00e3o do modo de vida burgu\u00eas e se mantinham afastados da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A imita\u00e7\u00e3o do modo de vida burgu\u00eas \u00e9 uma causa objectiva de divis\u00e3o dos trabalhadores e a ela se juntaram um aumento do consumismo, fomentado por estruturadas e massacrantes campanhas de publicidade, uma press\u00e3o irrespons\u00e1vel dos bancos para a utiliza\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e a concess\u00e3o irrespons\u00e1vel de cr\u00e9dito para a compra de carro, f\u00e9rias no estrangeiro e compra de casas para habita\u00e7\u00e3o e segunda casa.<\/p>\n<p>Todo este cocktail de medidas para a divis\u00e3o dos trabalhadores foi complementado por uma significativa diferen\u00e7a salarial entre diversas categorias ou especialidades de trabalho.<\/p>\n<p>Particularmente a especula\u00e7\u00e3o com a habita\u00e7\u00e3o levou a banca em Portugal a financiar sucessivamente, a 100%! a compra de terrenos, o seu loteamento, a constru\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel e por \u00faltimo a compra dos andares, por vezes acompanhado de um segundo empr\u00e9stimo para obras ou mobilar a casa, forma encontrada para contornar o impedimento de emprestar 100%, e por vezes mais, da avalia\u00e7\u00e3o da casa! E assim se constru\u00edram irresponsavelmente cerca de 700 mil habita\u00e7\u00f5es mais do que o necess\u00e1rio para satisfazer as necessidades do pa\u00eds\u2026<\/p>\n<p>Titularam-se empr\u00e9stimos, criaram-se fundos especulativos, tudo fomentado e em nome da urgente necessidade de a banca e as restantes grandes empresas monopolistas \u00abcriarem m\u00fasculo\u00bb (sic), visto que a enorme dimens\u00e3o no pa\u00eds n\u00e3o as agigantava na UE e no mundo. O Banco de Portugal, dirigido pelo socialista V\u00edtor Const\u00e2ncio j\u00e1 convertido ao neoliberalismo, n\u00e3o viu o que toda a gente sabia que se passava no BPN e chegou-se a levar Jo\u00e3o Rendeiro do BPP \u00e0s escolas ensinar empreendedorismo \u00e0s crian\u00e7as\u2026<\/p>\n<p>No entanto, a crise tornou mais claro que o que sempre identificou os trabalhadores foi, \u00abe continua a ser, a sua subordina\u00e7\u00e3o estrutural do trabalho ao capital e n\u00e3o o padr\u00e3o de vida relativamente mais elevado dos trabalhadores nos pa\u00edses capitalistas privilegiados\u00bb.<\/p>\n<p>A crise, no entanto, veio evidenciar a realidade: a posi\u00e7\u00e3o de classe de qualquer pessoa ou grupo de pessoas \u00e9 definida pela sua posi\u00e7\u00e3o na estrutura de comando do capital e n\u00e3o pelo seu estilo de vida, por isso a chamada classe m\u00e9dia \u201cregressa\u201d \u00e0 classe donde nunca saiu: a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Um trabalhador da PT pode at\u00e9 ser accionista da empresa com ac\u00e7\u00f5es com o sem direito a voto, compradas ou dadas pelo monopolista como pr\u00e9mio pelo seu bom comportamento (leia-se abandono das posi\u00e7\u00f5es de classe), mas ele nada decide e at\u00e9 o fundo de pens\u00f5es da empresa, antes de ser integrado no Estado, n\u00e3o estava suficientemente provisionado (e discute-se se posteriormente o foi nos montantes devidos\u2026), o que, sem outras considera\u00e7\u00f5es de ordem legal, no limite, punha em risco a sua pens\u00e3o, apesar de ele pensar ser membro da chamada classe m\u00e9dia e accionista da empresa\u2026<\/p>\n<p>O que determina a posi\u00e7\u00e3o de classe continua a ser a posi\u00e7\u00e3o do trabalhador na estrutura de comando do capital, e o trabalhador da PT n\u00e3o ocupa qualquer posi\u00e7\u00e3o na estrutura de comando do capital. Esta realidade n\u00e3o pode confundir-se com as personaliza\u00e7\u00f5es do capital acima referidas, de que os exemplos mais falados em Portugal s\u00e3o Jardim Gon\u00e7alves (BCP) e Ant\u00f3nio Mexia (EDP).<\/p>\n<p>Assim, a destrui\u00e7\u00e3o da chamada classe m\u00e9dia mais n\u00e3o \u00e9 do que o resultado da feroz ofensiva global do grande capital contra a classe trabalhadora, que a todos atinge, independentemente do seu n\u00edvel salarial, estilo de vida e consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p><strong>No meio da crise\u2026<\/strong><\/p>\n<p>O rebentar desta crise sist\u00e9mica do capitalismo, no entanto, veio apanhar a classe trabalhadora mais indefesa do que estava at\u00e9 ao \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os pa\u00edses que se reclamavam do socialismo foram derrotados no final do s\u00e9culo passado e h\u00e1 j\u00e1 alguns anos que davam evidentes sinais de grande eros\u00e3o social, econ\u00f3mica, ideol\u00f3gica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na Europa capitalista j\u00e1 se tinha espalhado uma nova onda de revisionismo \u2013 o eurocomunismo \u2013, ungido pelos ide\u00f3logos e dirigentes pol\u00edticos burgueses, atingindo em cheio os tr\u00eas principais partidos comunistas da Europa capitalista \u2013 Partido Comunista Italiano, Partido Comunista Franc\u00eas e Partido Comunista Espanhol \u2013 que involu\u00edram de grandes organiza\u00e7\u00f5es de classe com efectiva influ\u00eancia entre os trabalhadores para pequenos partidos sem express\u00e3o nem influ\u00eancia nas massas, sendo que, no caso italiano, n\u00e3o se limitou a abandonar o marxismo-leninismo, repudiou tamb\u00e9m o nome de comunista.<\/p>\n<p>O movimento sindical, inevitavelmente, acompanhou a deteriora\u00e7\u00e3o do movimento comunista internacional e conheceu novas divis\u00f5es ideol\u00f3gicas e organizacionais, descendo a patamares mais elevados de burocratiza\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o na Europa e as maiores dificuldades internacionais n\u00e3o justificam o defensismo de muitos que dizem ser apenas poss\u00edvel a luta vitoriosa internacional. As dificuldades da luta nacional, que s\u00e3o reais, n\u00e3o isentam da luta nem impedem que a luta seja vitoriosa neste ou naqueloutro pa\u00eds.<\/p>\n<p>No caso portugu\u00eas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pelo facto de o Presidente da Rep\u00fablica, como referimos acima, apresentar evidentes sinais de uma situa\u00e7\u00e3o que os m\u00e9dicos definir\u00e3o com total propriedade.<\/p>\n<p>Mas as derrotas, que o foram e profundas, n\u00e3o s\u00e3o definitivas, como o dia-a-dia, a vida, em Portugal e no Mundo, o est\u00e3o a demonstrar.<\/p>\n<p>E \u00e9 essa realidade que preocupa os monopolistas e os seus representantes pol\u00edticos e ado\u00e7a o discurso de trauliteiros saudosos do fascismo. \u00c9 esse medo que explica a vinda de monopolistas a terreiro, desdobrando-se em entrevistas e declara\u00e7\u00f5es com uma frequ\u00eancia desusada, particularmente Ricardo Esp\u00edrito Santo Salgado e Fernando Ulrich, em defesa da estabilidade pol\u00edtica, eles que s\u00e3o dos principais fautores da profunda e generalizada instabilidade social reinante.<\/p>\n<p>Mas, defensores e participantes desta ofensiva do grande capital contra o trabalho, sabem tamb\u00e9m que esta feroz ofensiva contra os trabalhadores n\u00e3o \u00e9 eterna e ir\u00e1 provocar num tempo n\u00e3o determin\u00e1vel, mas necessariamente n\u00e3o muito longo, a assun\u00e7\u00e3o do povo como sujeito da Hist\u00f3ria. E v\u00eam-lhes \u00e0 mem\u00f3ria, como recurso, as solu\u00e7\u00f5es que durante 48 anos garantiram o fascismo em Portugal.<\/p>\n<p>O mais acabado exemplo disso \u00e9 o artigo do Gen. Loureiro dos Santos, em 10 de Janeiro de 2012, onde, depois cuidadas palavras de defesa da legalidade do regime de ditadura do grande capital de fachada democr\u00e1tica em que vivemos, e prevendo levantamentos populares contra a presente ofensiva do grande capital, defende, tal como fez o fascismo em Portugal durante 48 anos, o recurso \u00e0s For\u00e7as Armadas para reprimir a luta dos trabalhadores. E mostrando o seu desprezo pela dignidade inerente \u00e0s For\u00e7as Armadas conclui no seu texto que se deve come\u00e7ar desde j\u00e1 o trabalho: \u00abTal como para as for\u00e7as de seguran\u00e7a interna coloca-se tamb\u00e9m para as For\u00e7as Armadas a necessidade de tomar medidas preventivas no respeitante \u00e0 determina\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e motiva\u00e7\u00e3o moral de que precisam para agirem no quadro do cumprimento da Lei sem hesita\u00e7\u00e3o como \u00faltimo garante da autoridade do Estado e da seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p>O Estado social, a que o grande capital recorreu atrav\u00e9s de governos socialistas e sociais-democratas devido \u00e0 exist\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, \u00e9 hoje destru\u00eddo pelo grande capital numa ofensiva de classe sem precedentes em governos neoliberais, independentemente dos partidos que os formam.<\/p>\n<p>A teoria ensina-nos e a pr\u00e1tica j\u00e1 o comprovou sobejamente que a participa\u00e7\u00e3o em governos da burguesia, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o contribui para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo como corr\u00f3i, at\u00e9 \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o como organiza\u00e7\u00f5es de classe, os partidos que a essa experi\u00eancia se sujeitaram.<\/p>\n<p>O sistema capitalista n\u00e3o evolui nem modifica ou limita os seus objectivos, destr\u00f3i-se.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de todas as dificuldades subjectivas, vivemos um tempo de fim de ciclo, respira-se um ambiente de imperiosa necessidade de supera\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-social velha, caduca, por uma outra nova. A realidade n\u00e3o est\u00e1 inerte, movimenta-se no sentido da supera\u00e7\u00e3o dos antagonismos estruturais do capitalismo, como o demonstra o aprofundamento da sua crise estrutural, agora chegando a todos os rinc\u00f5es da Terra, o que n\u00e3o acontecia na crise de 1929.<\/p>\n<p>Mas essa movimenta\u00e7\u00e3o, s\u00f3 por si, n\u00e3o levar\u00e1 \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, que ter\u00e1 de ter a decisiva contribui\u00e7\u00e3o do elemento subjectivo para a sua supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Esta s\u00f3 ter\u00e1 \u00eaxito quando, atrav\u00e9s de um profundo, paciente e revolucion\u00e1rio trabalho organizativo, o projecto emancipador do trabalho for apreendido e assumido pelas massas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caminho.<\/p>\n<p>Praia da Vieira, 12 de Agosto de 2013<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2983\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2983<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nJos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5266\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1mW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}